Swan Lake
12 Linhas de Fronteira
Notas iniciais
Capítulo 12: Linhas de Fronteira
O ronco dos motores das escavadeiras e o som ritmado dos martelos batiam contra as madeiras de demolição, mas na varanda principal da Swan Lake, o som que dominava era o falatório animado. O canteiro de obras do Hotel Fazenda estava operando na velocidade da luz, e para coroar o avanço dos chalés perto da Capela de Santo Antônio, nós precisávamos do toque final: o paisagismo. E quando se tratava de criar cenários integrados à natureza que pareciam saídos diretamente de uma pintura europeia, existia apenas um nome no topo do mercado americano.
Garrett Parker.
Ele não era apenas o arquiteto paisagista mais renomado do país; ele era um furacão de carisma, estilo e uma cota alarmante de audácia. Quando o jipe conversível prata dele cortou o pátio principal, freando com uma precisão milimétrica, Rosalie Dwyer largou a planta que segurava e abriu o maior sorriso que eu já tinha visto em seu rosto desde que ela pisara no Texas.
— Não acredito que a maior grife de paisagismo de Jacksonville veio parar no meio do pó do Texas! — Rose exclamou, caminhando em passos rápidos.
Garrett desceu do carro com uma facilidade invejável. Ele vestia uma camisa de linho azul-claro perfeitamente alinhada, óculos escuros que refletiam o sol texano e um relógio que custava o preço de três dos nossos tratores. Ele tinha aquele charme urbano clássico, os cabelos castanhos levemente desalinhados e uma postura de quem sabia exatamente o impacto que causava.
— Rose, minha engenheira favorita! — Garrett a puxou para um abraço estalado, rindo alto. — Você sabe que onde você coloca concreto, eu sou obrigado a colocar flores para salvar a estética.
Ele se afastou de Rosalie e seus olhos castanhos miraram diretamente em mim. O sorriso dele se alargou, tornando-se algo intensamente caloroso e terrivelmente sutil no flerte. Garrett deu três passos longos, ignorando completamente o chão de terra batida, e parou bem na minha frente.
— Bella Swan... ou eu deveria dizer, a oitava maravilha do mundo ocidental? — ele tirou os óculos escuros, me encarando com uma admiração escancarada. — Olha para você! Rose me avisou que você estava gerenciando uma fazenda, mas esqueceram de me avisar que a sua versão cowgirl seria tão absolutamente sexy. Esse chapéu e essas botas... Bella, você está maravilhosa. Jacksonville perdeu a sua melhor paisagem, mas o Texas com certeza ganhou uma rainha.
— Deixe de ser exibido, Garrett — dei uma risada genuína, sentindo a leveza da velha amizade de Jacksonville retornar. Bati de leve no braço dele com a minha prancheta de alumínio. — Meu pai está bem ali, ele tem uma espingarda de cano duplo e uma excelente mira para caras que falam demais.
— Vale a pena correr o risco — ele piscou, galanteador como sempre.
Do outro lado do pátio, perto dos cercados de treinamento, o clima mudou de temperatura em um piscar de olhos. Edward estava encostado na cerca de madeira, limpando os cascos de uma das éguas. No segundo em que Garrett começou a falar, o movimento das mãos de Edward congelou. Vi o maxilar dele travar com tanta força que os músculos da sua mandíbula saltaram sob a pele bronzeada. Seus olhos verdes se transformaram em duas fendas de puro gelo ártico, miradas fixamente na nuca do arquiteto.
Alice, que vinha saindo do casarão com Esme, soltou um guincho que quase quebrou as taças de cristal da cozinha.
— Meu Deus! É o Garrett Parker?! — Alice praticamente flutuou até nós, os olhos arregalados de puro delírio profissional. — Eu li a matéria de capa da Architectural Digest sobre o seu projeto de jardins suspensos em Miami! Bella, você trouxe o melhor do país para a nossa fazenda! Eu vou ter um colapso de felicidade!
— É um prazer, linda. Essa menina é ligada no 220v ou é apenas o charme do Texas? — Garrett respondeu com a sua lábia impecável, estendendo a mão para ela com um cavalheirismo que fez Alice sorrir ainda mais.
— Bem-vindo à Swan Lake, Garrett — assumi o tom profissional, embora a energia pesada que vinha das costas do arquiteto estivesse fazendo os pelos do meu braço se arrepiarem. — Venha, quero te apresentar formalmente ao resto da equipe.
Caminhamos em direção à sombra da varanda, onde o comitê de recepção já se formava. Charlie estava com os braços cruzados, Sue ao lado dele, enquanto Jasper, Emmett e Seth observavam a chegada do homem da cidade grande. Carlisle também se aproximou, curioso.
— Pessoal, este é o Garrett Parker. Ele é um velho amigo meu de Jacksonville e o arquiteto paisagista chefe do nosso resort — anunciei, olhando para o meu pai. — Garrett, este é o meu pai, Charlie Swan, dono da fazenda. Esta é a Sue, a esposa dele, o Jasper nosso responsável pelo vinhedo, o Emmett responsável pela fazenda, Dr Carlisle cullen o braço direito do meu pai e o Seth, meu meio-irmão.
Garrett cumprimentou Charlie com um aperto de mão firme, mas não perdeu a chance de lançar um olhar divertido de lado para mim.
— É uma honra, Senhor Swan. A sua filha é uma lenda em Jacksonville. Para ser sincero, nós fomos quase namorados no passado... tínhamos uma excelente "amizade" antes de ela resolver largar a praia pela lida rústica — Garrett soltou a informação com a maior naturalidade do mundo, soltando aquele sorriso canalha que sempre usava para desarmar as pessoas. — Ela quase casou comigo, sabe? Só faltou o pedido oficial.
Bati novamente com a prancheta no peito dele, contendo o riso.
— Garrett, cala a boca! Eu não casaria com você, você é um galinha...
Emmett soltou uma gargalhada estrondosa que ecoou por todo o pátio, batendo no ombro de Jasper. Seth cobriu a boca para disfarçar o riso, e até o Charlie ergueu as sobrancelhas, achando a petulância do rapaz de Jacksonville altamente divertida.
Foi nesse exato momento que a bota de Edward bateu contra o primeiro degrau da varanda com um estrondo seco.
Ele caminhou até o centro do grupo como um verdadeiro predador alfa invadindo um território. A camiseta cinza dele exibia algumas manchas de poeira do estábulo, os cabelos bronzeados estavam bagunçados sob o chapéu e a aura que emanava dele era de pura violência territorialista. Ele parou bem ao meu lado, os ombros largos bloqueando metade da visão de Garrett, e encarou o arquiteto de cima para baixo com um desprezo que daria inveja a um xerife do velho oeste.
— E este aqui, Garrett... — comecei, sentindo a tensão cortar o ar feito uma faca de açougueiro — é o Dr Edward Cullen. Ele é o nosso veterinário chefe e...
— Eu sou o namorado dela — Edward cortou a minha frase com uma voz que não era apenas grave; era um rosnado baixo, possessivo, rústico e absolutamente cortante. Ele deu um meio passo à frente, marcando o espaço, os olhos verdes faiscando contra os castanhos de Garrett. — O namorado oficial. E o homem que cuida de tudo o que é dela nesta fazenda.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Garrett piscou, surpreso pelo tom de testosterona pura, mas logo recuperou a postura, erguendo as sobrancelhas com diversão.
— Ah... o namorado... — Garrett deu um sorriso ladino, estendendo a mão para Edward. — Muito prazer, Edward...você ganhou na loteria, meu amigo! A Swan é um prêmio acumulado, uma mulher fantástica!
Edward sequer olhou para a mão estendida de Garrett. Ele continuou com os braços cruzados, o maxilar rígido, bancando o macho alfa de uma forma tão primitiva que me deixou dividida entre o desejo de revirar os olhos e o de puxá-lo pela gola ali mesmo.
— Eu não sou seu amigo, Parker — Edward disparou, a voz fria. — Espero que a sua técnica com as plantas seja melhor do que a sua memória sobre o passado da minha mulher. Porque o passado dela não me interessa, mas o presente e o futuro estão muito bem guardados comigo.
Emmett soltou outro urro de riso, explodindo em gargalhadas.
— Rapaz! O bicho tá brabo hoje! Cuidado, arquiteto, ou o veterinário te dá uma vacina de raiva! — Emmett zombou, chorando de rir.
— Emmett, cala a boca antes que eu quebre a sua cara — Edward disparou uma patada violenta na direção do irmão, os olhos verdes quase soltando faíscas.
— Opa, sobrou até para mim! — Emmett ergueu as mãos, rindo ainda mais.
— Edward, meu filho, controle-se — Carlisle tentou intervir com a sua calma habitual, mas a expressão de Edward era de pura fúria.
— Eu estou perfeitamente controlado, pai — Edward rosnou, virando as costas para o grupo sem dar a menor importância à diplomacia. Ele olhou fixamente para mim por dois segundos, um olhar carregado de uma cobrança possessiva que me irritou profundamente, e depois girou nos calcanhares, caminhando a passos duros em direção ao celeiro antigo.
Charlie balançou a cabeça, segurando o riso enquanto tomava um gole do seu café.
— Esse rapaz tem sangue quente, Bells... Mas eu gosto disso. Mostra que cuida do que é dele.
Senti o meu sangue ferver. Olhei para o Garrett, que exibia um sorriso amarelo e sem graça, e depois para a Rosalie, que me olhava com uma cara de "amiga, o seu cowboy está prestes a ter um colapso".
A pose de macho alfa territorialista do Edward tinha cruzado uma linha que eu não estava disposta a aceitar. Eu não era um troféu a ser disputado em uma arena de rodeio.
Caminhei em passos firmes e decididos em direção ao celeiro antigo, o salto das minhas botas batendo contra a terra com uma fúria ritmada. A raiva estava me consumindo. Quando empurrei a porta pesada de madeira, o som do trilho correndo ecoou pelo ambiente sombrio.
Edward estava lá no fundo, de costas para mim, jogando fardos de feno contra a parede com uma força desnecessária e violenta. Os músculos das suas costas se contraíam sob a camiseta cinza a cada movimento agressivo.
— O que porra de cena foi essa, Edward? — disparei, a voz ecoando firme pelas vigas do celeiro. — Ficou maluco? Que palhaçada de macho alfa foi aquela na frente do meu pai e de toda a equipe?
Edward travou. Ele largou o fardo de feno com força no chão e girou devagar. Quando ele tirou o chapéu e me encarou, os olhos verdes estavam quase pretos de tanta fúria e ciúme.
— Palhaçada, Isabella? — ele caminhou na minha direção como um lobo encurralando a presa, a voz saindo em um tom perigosamente baixo. — O mauricinho da Flórida chega na minha frente, na frente do seu pai, diz que você é a coisa mais sexy do mundo, que vocês tinham uma porra de uma "amizade" e que você quase casou com ele... E você queria que eu fizesse o quê? Que eu desse dois tapinhas na costa dele rindo, servisse uma taça de vinho para ele e agradecesse pelo elogio?
— O Garrett é meu amigo! Ele sempre falou assim, é o jeito dele, ele é um exibido de Jacksonville! — rebati, dando um passo à frente, enfrentando-o olho no olho. — Eu sei lidar com ele! Eu bati nele com a prancheta, eu cortei o assunto! Eu não precisava que você aparecesse rosnando feito um bicho chucro para marcar território!
— Eu sou o seu namorado,porra! — ele gritou, parando a milímetros de mim, o peito dele subindo e descendo com força, o calor que emanava do seu corpo me atingindo em cheio. — E não vou assistir um babaca topetudo de linho azul olhar para o que é meu com cara de quem quer lembrar do passado! Você é minha mulher, Bella. Minha!
Aquela palavra foi a gota d'água. Toda a minha independência de girl boss, toda a minha história e o meu orgulho estalaram dentro do meu peito. Dei um passo audacioso, colando o meu peito ao dele, e cravei o meu dedo indicador com força contra os músculos rígidos do esterno dele, empurrando-o para trás.
— Para isso dar certo, você tem que parar de agir como se fosse meu dono! — disparei, as palavras saindo cortantes, cheias de uma mágoa e uma firmeza que o fizeram paralisar. — Eu não sou uma égua ou uma vaca para você domar, Edward! Eu não sou uma propriedade da Swan Lake que você gerencia! Eu sou a sua parceira! Eu sou uma mulher livre que escolheu estar com você! Mas no segundo em que você agir como se fosse o meu dono, nós temos um problema sério!
Edward abriu a boca para rebater, os olhos castigados pelo choque das minhas palavras. Mas a testosterona e o orgulho ferido dele ainda falaram mais alto. Em um movimento rápido e bruto, suas mãos grandes dispararam para a minha cintura, cravando os dedos na minha pele por cima da blusa e me puxando com força contra o seu corpo. Ele me prensou contra a pilastra de madeira do celeiro, abaixando o rosto e me tomando em um beijo feroz, duro, cheio de uma posse desesperada e uma paixão que beirava a raiva.
A língua dele invadiu a minha boca com uma força bruta, tentando me subjugar, tentando apagar a briga com o calor do amasso que sempre nos consumia. Minhas mãos subiram para o peito dele, mas em vez de me entregar, usei toda a força dos meus braços para empurrá-lo para longe.
Separei nossas bocas com um estalo violento, respirando de forma sôfrega, os lábios ardendo e o batimento cardíaco na garganta. Olhei bem no fundo dos olhos dele, e a minha expressão era de pura decepção.
— Não... O que você esta fazendo?— sussurrei, a voz firme, embora o meu corpo ainda estivesse tremendo pelo impacto do toque dele. — As coisas não se resolvem me agarrando e me beijando a força, Edward. Você não vai me calar com um amasso toda vez que estiver com o ferido.
Edward deu um passo para trás, os lábios vermelhos, a respiração ofegante, me encarando com uma mistura de choque e dor ao perceber que o seu "truque" de caubói não tinha funcionado.
— Mas Bella... — ele tentou dar um passo na minha direção, as mãos erguidas de forma mais branda, o ciúme começando a dar lugar ao arrependimento.
— Chega, Edward — peguei a minha prancheta do chão, onde ela tinha caído durante o puxão. Limpei o canto da boca com as costas da mão, sustentando um olhar frio e profundamente chateada. — Eu vou voltar para o meu trabalho e alinhar o paisagismo com o Garrett. E você vai ficar aqui sozinho pensando no que eu te disse. Eu cansei da sua marra por hoje, ou a gente fecha uma parceria respeitosa ou acabou, ok ?
Virei as costas sem dar a menor chance para ele responder. Caminhei em direção à saída do celeiro, deixando Edward Cullen parado sozinho no meio do feno, na penumbra, com o silêncio rústico da fazenda como sua única companhia. Eu estava genuinamente chateada, e o caubói mais marrento do Texas estava prestes a descobrir o tamanho do gelo que uma mulher de Jacksonville era capaz de dar.
Bati a porta do celeiro com tanta força que o som pareceu ecoar por toda a extensão do pátio, mas a verdade é que o barulho na minha cabeça era consideravelmente pior. Minhas passadas eram duras, o salto das botas quase afundando na terra batida enquanto eu caminhava direto para o casarão principal. Meus lábios ainda formigavam pelo beijo feroz e bruto do Edward, e uma mistura de raiva, frustração e puro orgasmo reprimido corria pelas minhas veias como veneno.
Entrei no meu escritório, que agora também servia de quartel-general para o resort, e bati a prancheta de alumínio na mesa de madeira.
— Mas que cowboy pré-histórico, machista e... e insolente! — esbravejei para as paredes.
— Nossa, o furacão finalmente atingiu o continente com força total — a voz arrastada e divertida de Rosalie Dwyer preencheu o ambiente.
Ela estava escorada em uma das mesas de projetos, com o seu capacete rosa no colo. Ao lado dela, sentada em uma cadeira giratória com as botas apoiadas em cima de uma caixa de arquivos, estava Leah Clearwater. Leah dava um nó em um pedaço de corda com uma precisão cirúrgica, mas olhou para mim com um sorriso de orelha a orelha.
— Deixa eu adivinhar — Leah semicerrou os olhos, o deboche pingando de cada palavra. — O Cullen tentou marcar território igual a um touro reprodutor e você não aceitou o laço?
— Ele ficou completamente maluco, Leah! — bufei, andando de um lado para o outro na sala ampla, gesticulando com as mãos. — O Garrett é um velho amigo, ele é um exibido de marca maior, mas o Edward... o Edward parecia um homem das cavernas! Rosnou na frente do meu pai, deu patada no Emmett e depois me prensou na parede do celeiro achando que um beijo ia resolver o colapso de ciúmes dele! Eu dei um gelo nele e o deixei sozinho no meio do feno.
Rosalie soltou uma risada limpa, balançando os cabelos loiros.
— Bella, com todo o respeito ao seu orgulho de girl boss, o Garrett Parker chegou aqui chamando você de 'oitava maravilha do mundo' e dizendo que vocês tinham uma 'amizade'. Eu conheço o Garrett há anos, sei que ele é inofensivo, mas para um homem do Texas? Aquilo foi o equivalente a jogar querosene em uma fogueira de acampamento.
— Ah, aquilo não foi nada, Bells — Leah interveio, soltando a corda e inclinando-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Vocês estão há pouco tempo aqui, mas eu conheço o Edward desde que ele era um pirralho que tentava laçar bezerros no curral. Esse surto possessivo aí é o procedimento padrão do Cullen quando ele realmente se importa com alguém.
Olhei para ela, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha.
— Como assim, procedimento padrão?
— Uma vez, acho que faz uns dois anos, a Tanya Denali cismou de ir a um leilão beneficente em Austin com ele — Leah começou a contar, revirando os olhos com a lembrança. — Um dos maiores criadores de gado da região, que por sinal era um velho amigo do pai dela, foi cumprimentar a Tanya e segurou a cintura dela para tirar uma foto para o jornal local. Menina, o Edward não pensou duas vezes. Ele atravessou o salão de festas com aquela bota de fivela, pegou a Tanya pelos ombros, jogou ela literalmente por cima do ombro igual a um saco de batatas e saiu andando pelo meio dos ricaços até enfiar ela dentro da picape. Ele achava que o velho estava dando em cima dela.
Rosalie arregalou os olhos azuis, visivelmente impressionada, enquanto uma risada chocada escapava dos seus lábios.
— Não brinca! Ele carregou a mulher pelos ombros? — Rose perguntou rindo, achando a história o ápice do absoluto cinema rural.
— Carregou — Leah confirmou, rindo alto. — O condado inteiro falou disso por semanas. A Tanya achou o máximo, claro, porque ela adora um drama de cowboy e queria que o Edward notasse ela. Mas você, Bella... você tem esse gênio forte de girl boss. O Edward tentou usar o mesmo truque rústico com a mulher errada.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, processando a informação. Uma parte de mim, a parte puramente racional e independente, continuava furiosa pela falta de modos dele. Mas a outra parte, aquela bem escondida no meu peito, estremeceu ao perceber o quanto Edward estava irremediavelmente rendido e apavorado com a ideia de me perder. Ainda assim, o gelo continuaria. Ele precisava aprender que eu não era a Tanya Denali.
Antes que Rose pudesse fazer mais algum comentário sarcástico, duas batidas leves soaram na porta de vidro do escritório. A maçaneta girou e a figura estilosa de Garrett Parker surgiu na fresta. Ele já estava sem os óculos escuros, e a expressão no seu rosto era uma mistura hilária de arrependimento urbano e puro choque cultural.
— Com licença, garotas... — Garrett pediu, entrando na sala e fechando a porta atrás de si com uma lentidão calculada, como se estivesse com medo de que Edward pulasse da janela a qualquer momento. Ele caminhou até a minha mesa, erguendo as mãos em sinal de paz. — Bella, pelo amor de Deus, me desculpa. Eu vim aqui para desenhar jardins de luxo, não para levar um tiro de espingarda e um coice do cowboy. Eu não queria criar problemas com o veterinário ciumento. O cara parece que mastiga pregos no café da manhã! Assustador...
— Está tudo bem, Garrett — soltei um suspiro longo, relaxando os ombros e sentando-me na minha cadeira de couro. — O Edward é... rústico. Ele só não sabe lidar muito bem com o humor de Jacksonville. Mas você também não precisava ter mencionado a nossa antiga 'amizade' na frente de todo mundo, Parker.
— Ah, qual é? É história antiga! — Garrett deu aquele sorriso canalha de sempre, jogando os cabelos castanhos para o lado. — E eu precisava testar o nível da testosterona do Texas. Descobri que o nível é alto e perigoso...
— Garrett, faça o favor de se comportar — ordenei com um tom falsamente severo, apontando para as duas mulheres na sala para mudar de assunto. — Você já conhece a Rose. E esta aqui é a Leah Clearwater... a minha meia-irmã. Leah, este é o Garrett.
— Meia-irmã? — Garrett repetiu, virando o corpo na direção de Leah.
No segundo em que os olhos castanhos e magnéticos do arquiteto travaram na figura de Leah, o sorriso galanteador dele vacilou por um milésimo de segundo, transformando-se em algo muito mais focado e genuinamente interessado. Leah ainda estava com as botas em cima da caixa de arquivos, vestindo uma camisa jeans de manga curta que exibia seus braços definidos pela lida e os cabelos pretos presos em um coque alto e bagunçado. Ela não tinha um pingo do glamour de Jacksonville, mas exibia uma beleza selvagem, altiva e absurdamente magnética.
Leah sustentou o olhar dele de forma direta, sem piscar, arqueando uma das sobrancelhas escuras com um desdém que desarmaria qualquer homem comum.
— Então você é o engomadinho que quase fez o Cullen ter um infarto no pátio? — Leah perguntou, a voz mansa, mas afiada como uma navalha. — Esperava alguém mais alto. E com roupas menos... azuis.
Garrett soltou uma risada baixa, os olhos dele brilhando com um desafio que eu raramente via nele. Ele deu um passo lento na direção dela, apoiando uma das mãos no encosto da cadeira vazia ao lado, inclinando-se ligeiramente.
— Roupas azuis combinam com o paisagismo, Leah — Garrett rebateu, a voz descendo um tom, perdendo aquela afetação de cidade grande e ganhando uma nota mais firme. — E sobre a minha altura... eu garanto que sou grande o suficiente para o que importa. Mas fico feliz em saber que a minha chegada causou tanto impacto na família Swan. Especialmente na ala mais... interessante.
Olhei de relance para Rosalie, que já exibia um sorriso malicioso idêntico ao meu. Havia uma faísca nítida, pesada e instantânea cortando o ar entre Garrett e Leah. A energia de provocação mútua que estalou na sala era quase palpável, o tipo de tensão que eu conhecia muito bem. Leah desencostou as botas da caixa com uma lentidão calculada, levantando-se e ficando frente a frente com o arquiteto, reduzindo a distância entre os dois com uma audácia puramente nativa.
— Você fala demais, Parker — Leah murmurou, olhando-o de cima a baixo com um meio sorriso perigoso. — Vamos ver se a sua lábia é tão boa quanto o seu trabalho com a terra. Porque aqui no Texas, homem que fala muito geralmente não aguenta cinco minutos no sol.
— Quer apostar? — Garrett desafiou, o sorriso canalha voltando com força total enquanto ele sustentava o olhar dela.
Segurei o riso no meu canto, percebendo que o gerenciamento de crises da Swan Lake acabara de ganhar um capítulo inteiramente novo. O Edward podia estar de castigo no celeiro, mas o pátio da fazenda estava prestes a pegar fogo por outro motivo.
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