Swan Lake
8 A Lei do Chapéu
Notas iniciais
Capítulo 8: A Lei do Chapéu
O planejamento do evento "Rústico-Chique" estava consumindo cada minuto livre do meu dia, mas eu não conseguia reclamar. Ver as ideias que discuti com Alice e Esme ganharem forma era inebriante. No final daquela tarde, decidi caminhar até o coração dos vinhedos da Swan Lake para checar o posicionamento das longas mesas de madeira de demolição e o funcionamento dos varais de luzes quentes que havíamos instalado entre as fileiras de videiras.
A atmosfera estava impecável. O sol poente do Texas tingia o céu com pinceladas de um laranja profundo e ouro velho, fazendo as folhas verdes das parreiras brilharem. Quando os pequenos globos de luz piscaram, espalhando um brilho acolhedor e íntimo pelo corredor de uvas, o cenário pareceu se transformar no set de filmagem do romance mais caro de Hollywood.
Ouvi o som de passos firmes esmagando as folhas secas no chão e, antes mesmo de me virar, o perfume amadeirado e o calor familiar me avisaram quem era.
Edward caminhava lentamente na minha direção. Ele vestia uma camisa de flanela xadrez em tons de vinho e azul-escuro, com os primeiros botões abertos, revelando o início do peito bronzeado, e as mangas dobradas até os cotovelos. O chapéu de cowboy sombreava seus olhos, mas o sorriso torto e marrento estava lá, perfeitamente desenhado.
— Inspecionando o território a essa hora, patroa? — ele provocou, parando a pouco mais de um passo de mim. — O Emmett está lá na sede jurando que você vai colocar velas perfumadas até nos estábulos.
— O Emmett não tem sensibilidade estética, Cullen — rebati, dando um meio sorriso e dando um passo audacioso na direção dele, diminuindo o espaço entre nós. O cansaço dos últimos dias pareceu evaporar, substituído por uma onda súbita de calor que subiu pela minha espinha. — E, se eu quiser colocar velas nos estábulos, eu coloco. Afinal, as ordens aqui são minhas.
Edward soltou uma risada baixa, os olhos verdes descendo pelos meus lábios antes de voltarem a focar nos meus.
— É, eu sei que são — ele sussurrou, a voz perdendo o tom de deboche e ganhando uma nota mais grave, densa.
Ele ergueu as mãos lentamente e, em um movimento calmo e deliberado, tirou o próprio chapéu de cowboy da cabeça. Testemunhar Edward Cullen sem o chapéu era quase uma covardia; os cabelos bronzeados estavam levemente desalinhados pelo vento, e o olhar dele parecia ainda mais intenso sem a aba para protegê-lo. Com uma delicadeza que me fez prender a respiração, ele ergueu os braços e colocou o chapéu com cuidado na minha cabeça.
O acessório ficou um pouco grande, jogando uma sombra misteriosa sobre os meus olhos, mas o calor que emanava do couro e o cheiro dele impregnado na peça me envolveram por completo. No universo western, aquele gesto não era inocente. Colocar o próprio chapéu em uma mulher era uma declaração silenciosa de interesse, um flerte cavalheiresco de quem estava, de forma muito clara, marcando território e testando a reciprocidade.
Eu conhecia as regras do jogo. E decidi jogar para ganhar.
Inclinei a cabeça levemente para trás, fazendo com que a aba do chapéu subisse o suficiente para que ele visse o brilho provocativo e sexy nos meus olhos. Dei mais um passo à frente, colando praticamente o meu corpo ao dele. Dei um sorriso lento, com os lábios semicerrados, e ergui a mão direita, espalmando-a devagar contra o peito dele.
A textura da camisa de flanela era macia, mas o que me fez estremecer foi sentir a rigidez dos músculos dele por baixo do tecido e o batimento cardíaco dele, que disparou no segundo em que meus dedos começaram a deslizar para cima, arrastando-se pelo peito dele até contornarem a gola da camisa.
— E aí, Cullen... — sussurrei, a voz saindo mais rouca e provocante do que eu planejava, enquanto sustentava o olhar dele com pura audácia. — O chapéu continua aqui. O que você vai fazer agora?
Edward soltou o ar dos pulmões com força, os olhos escurecendo em um tom de verde quase preto. A postura de caubói controlado ruiu por completo diante dos seus olhos.
— Que se dane o protocolo — ele rosnou.
A mão dele disparou para a minha cintura, os dedos grandes se cravando na minha pele por cima da blusa com uma urgência avassaladora, me puxando para cima e colando nossos quadris sem qualquer espaço para o ar. A outra mão dele subiu para a minha nuca, os dedos se enroscando na base da minha trança, inclinando a minha cabeça para trás.
E então, o mundo simplesmente parou.
Edward entregou o beijo que vínhamos cozinhando há semanas, e foi absolutamente cinematográfico. Não houve hesitação, não houve leveza; foi um choque elétrico de pura necessidade e desejo reprimido. Os lábios dele pressionaram os meus com força, quentes e famintos, abrindo a minha boca com uma facilidade que me fez soltar um gemido baixo contra a sua língua.
Enrosquei minhas duas mãos nos cabelos bronzeados e macios da nuca dele, puxando-o ainda mais para mim, arranhando de leve o seu couro cabeludo. O beijo era profundo, bizarro de tão intenso, cheio de dentes, línguas que se conheciam com uma urgência selvagem e um ritmo que fez minhas pernas fraquejarem. Edward me prensou de leve contra uma das estruturas de madeira que sustentavam as parreiras, o corpo dele pesado e quente esmagando o meu, fazendo a tensão sexual explodir em um calor que parecia queimar as minhas veias.
Quando ele desceu os lábios para a minha mandíbula, distribuindo mordidas e beijos molhados que me fizeram arquear as costas, sua respiração bateu quente contra o meu ouvido. Ele estava arfando, completamente entregue ao impacto do que estávamos fazendo.
— Você não tem ideia... — Edward sussurrou, a voz completamente rouca, quase desesperada, enquanto pressionava o quadril contra o meu com uma firmeza que me arrancou um suspiro sôfrego. — Você não tem a menor ideia do quanto me deixa louco, Isabella. Do quanto eu passei cada maldito segundo desses últimos dias querendo te calar desse jeito.
Minha resposta foi puxá-lo de volta pela gola da flanela, colando nossas bocas novamente em outro beijo devastador, selando de vez o destino daquela noite sob as luzes douradas do vinhedo.
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