Sussurros Sob o Véu
2 Prólogo
Notas iniciais
PRÓLOGO
“Os sonhos são como pesadelos”
Como um abraço, a brisa cálida o envolveu, e ele decidiu que era hora de abrir os olhos.
O sol ofuscou sua visão, e ele ergueu o braço diante do rosto para se acostumar com a claridade.
Piscou algumas vezes até conseguir enxergar direito, e viu que em sua mão erguida havia um anel de ouro.
Aos poucos recordou de como aquele anel fora parar em seu dedo. Vê-lo o fez sorrir; sentia-se feliz.
— Sasuke!
Ele se sentou e olhou para trás, e viu uma mulher de longos cabelos escuros, usando um comprido vestido branco que mais parecia uma camisola se aproximando dele em meio a uma imensa clareira.
Ela sorriu para ele e acenou, e ele percebeu um brilho dourado cintilar em sua mão.
Ele pensou. Meu Deus, ela é linda. E é minha.
— Sasuke...
Sua voz era como um líquido quente que aquecia o corpo dele na mais gelada noite, e ele se sentiu inebriado.
Ela se sentou ao seu lado no chão, e ainda sorrindo tocou-lhe o rosto com as pontas dos dedos macios.
— Eu acho que cochilei. — ele explicou.
— Tudo bem. Você estava cansado. – ela tranquilizou, afastando alguns fios de cabelo dos olhos dele. — Vou cortar seu cabelo quando voltarmos.
Ele concordou, e ela se inclinou e lhe deu um beijo nos lábios, e ele soube que poderia ficar assim, para sempre, sentindo-a, escondidos do mundo por uma abençoada relva alta.
— Otousan!
Eles se afastaram, e uma menina agora parada próxima a eles os observava, com uma tulipa amarela nas mãos miúdas. Tinha cabelos tão escuros quanto os da mãe, os olhos curiosos e brilhantes.
Ele sorriu para a menina, e estendeu a mão para tocar-lhe. Ela agarrou seus dedos e o puxou.
— Vem! O otouto-kun achou um ninho de passarinhos!
Ele voltou a olhar para a mulher, e percebeu que ela o fitava.
Ela sorriu, se levantou outra vez e acenou para alguém que ele não conseguia ver.
Com outro puxão da pequena filha, ele também se levantou.
Afastado deles, um menino pulava e acenava com os dois braços erguidos, apenas alguns centímetros mais alto que a relva.
A menina puxou o pai pela clareira, e aos poucos os três se aproximaram do rapazinho.
— Otousan! Olha! – O menino parecia infeliz enquanto apontava para o chão, próximo aos pés descalços. — Eles estão vivos?
Sasuke se acocorou e pegou com cuidado um punhado de gramíneas secas com três filhotes de andorinha dentro.
Cutucou-os de leve, mas nenhum deles se mexeu. Ergueu os olhos para o menino, que já tinha lágrimas nos olhos e um beiço trêmulo nos lábios.
— Sinto muito. Eles devem ter caído de uma árvore muito alta. – tentou tranquilizar.
— Você os matou. – a menina acusou, e ele se virou para ela, surpreso com o tom com que aquelas palavras foram ditas. A menina o encarava com o cenho franzido e um olhar frio.
— Não, claro que não matei.
— Matou sim. – Foi o menino quem falou, chorando. Ergueu o braço e Sasuke olhou para a direção que estava apontando.
A mulher estava alguns metros de distância deles, observando-os com o rosto banhado em lágrimas.
— Hinata! – ele chamou, confuso.
De repente, os lábios dela se separaram num grito estagnado e o vestido branco se tingiu de vermelho no lugar onde estava o coração.
Sasuke berrou e começou a correr até ela.
Então, olhou para baixo e viu em sua mão não mais um ninho de passarinhos, mas um revólver. Em riste. Apontando para Hinata.
Olhou para trás, onde estavam as crianças, e encontrou-as caídas no chão, cobertas pelo mesmo líquido rubro. Inertes, fitando o céu azul com olhos sem vida.
A tulipa amarela continuava presa pelos dedos da menina.
Você os matou, a voz ecoou pela clareira, e Sasuke deixou-se cair sobre as pernas, invadido por uma dor sufocante que o fez gritar.
Encarou a arma em suas mãos, antes de jogá-la no chão como se queimasse sua pele.
Sentiu todo seu corpo tremer, e percebeu que estava chorando.
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