Notas iniciais
POV Autora
Depois que a Susan sumiu nas sombras, Fury e seus agentes mantiveram suas armas apontadas para os Vingadores.
— Para onde ela foi? — Fury perguntou
— Para o mesmo lugar que iremos — Tony falou simplesmente — Para casa.
— Ninguém vai a lugar algum, antes de responderem as minhas perguntas — Fury falou autoritário — Como a sua filha tem esses poderes, Stark?
— Nem ela sabe o que fez pra ter esses poderes — Tony respondeu normalmente
— Fury, manda eles abaixarem as armas, antes que alguém se machuque — Steve falou sério
— Vocês sabiam dos poderes dela? — Fury perguntou ignorando o Steve
— Sabíamos — Clint respondeu
— Porquê não notificaram? — Fury começava a se alterar
— Ela não queria a SHIELD na caça dela — Steve respondeu
— Ela pode ser perigosa — Fury falava, mas foi interrompido
— Ela é perigosa, por isso mesmo não é prudente desafia-la — Natasha falou — Fury, você ouviu a garota. Não tente impedir nossa saida.
Mesmo a contra gosto ele fez o sinal e seus agentes abaixaram as armas. Sem dizer mais nenhuma palavra o Vingadores passaram pelo Fury, deixando-o ainda mais furioso.
— Isso ainda não acabou — Fury falou, mas os Vingadores sequer deram o trabalho de olhar para ele é seguiram seu caminho.
Enquanto isso na Torre, Nico sente a mudança na magia no andar dos Vingadores e sabe que a Susan retornou e vai procurar pela esposa. Ele a encontra no quarto sentada na cama de cabeça baixa. Ele se aproxima e se agacha em frente a ela.
— Foi tão ruim assim? — ele perguntou ao apoiar os braços nas pernas da esposa, ela não respondeu — O quê aconteceu?
— Era uma cilada. Yelena ia matar meu pai e os outros — ela respondeu — Não me contive e intervir
— Senti a chegada de mais uma alma ao mundo inferior, era ela? — ele perguntou normalmente
— Você não conseguiu identificar? — Susan perguntou olhando pra ele.
— A alma estava muito fraca. Era mais composta por trevas que essência humana — Nico explicou e Susan abaixou a cabeça novamente — Su, o que aconteceu lá?
— Usei o dom de Hades pra matar a Belova — Susan falou baixo como se estivesse envergonhada — Falei tantas coisas, que as sombras a consumiram ainda em vida.
— Di immortales — Nico sussurrou surpreso, mas ao ver o estado da esposa ele falou — Amor, olha pra mim.
Susan o olhou e ele ajeitou a postura pra olha-la melhor.
— Eu já usei esse poder antes. Sei como é, nós falamos coisas terríveis e as pessoas ao aceitarem isso são consumidas pelas próprias trevas — Nico desviou o olhar e suspirou — O sentimento depois que fazemos é ruim. Remorso, tristeza...
— Esse é o problema, Nico — Susan falou interrompendo — Eu não sinto tristeza, nem arrependimento, nem tristeza.
— E o que está sentindo? — Nico perguntou
— Eu sinto... alívio — ela respondeu e seus olhos começaram a lacrimejar — É isso que está me deixando mal. Eu matei uma pessoa de forma cruel e não tô sentindo nada.
— Calma, meu Amor — Nico falou e abraçou a esposa
— O quê isso faz de mim agora? — ela sussurrou
— Isso não muda quem você é. Você fez isso para salvar sua família — Nico falou — Você não matou a Belova por prazer. Você não é uma assassina a sangue frio.
— Então o que eu sou? — ela sussurrou a pergunta
— Um pessoa incrível, carinhosa, inteligente, protetora, forte — ele a olhou nos olhos — A mulher que eu tanto amo e que me faz feliz.
Ela sorriu levemente no mesmo instante que uma lágrima escorreu.
— Eu te amo, meu Amor — Nico falou
— Também te amo — Susan respondeu
Nico aproximou seu rosto do dela, juntando suas testas.
— Não deixa isso te mudar — ele sussurrou
— Não vou — Ela sussurrou de volta — Obrigada por cuidar de mim.
— Na alegria e na tristeza, lembra? — ele perguntou e ela sorriu
— Claro que lembro — ela respondeu e ele a beijou.
Logo foi ouvido o som dos repulsores da armadura do Tony e eles romperam o beijo e Nico bufou
— Sempre acontece algo pra interromper a gente — Nico reclamou encostando a testa no joelho da esposa e ela riu
— Prometo que te compenso depois — ela beijou a cabeça do marido e ele a olhou
— Vou cobrar — ele falou olhando-a e ela riu
— Pode cobrar — Susan falou e ele deu um selinho na esposa — Agora levanta, quero saber o que aconteceu depois que eu saí.
— Você não pode invadir o sistema de câmeras SHIELD pra descobrir isso? — Nico falou enquanto eles se direcionavam para a porta
— Quero me poupar trabalho — Susan falou abrindo a porta.
— Acho que antes de casar, a gente passava mais tempo juntos — Nico murmurou e ela parou de andar
— Me desculpa. Fiquei tão ocupada em organizar o casamento da Natasha que não dei atenção a você — ela falou olhando-o — Me perdoa.
— Desculpa tá reclamando disso, mas sinto sua falta — Nico falou abraçando-a pela cintura
— Eu vou te compensar, tá bem? — ela falou e ele assentiu — Vamos falar com meu pai
Eles seguiram o caminho até a escada, desceram e encontraram o Tony abrindo uma garrafa de whisky. Quando Tony percebeu a presença deles, olhou na direção e se serviu da bebida
— Isso quer dizer que eu tô com problemas? — Susan perguntou olhando o pai
— Não sei. O que seria problemas pra você? — Tony perguntou sério tomando um gole da bebida em seu copo
— Sabe se vão tentar algo contra ela? — Nico perguntou e no instante seguinte as portas do elevador se abriram
— Não dá pra saber, Fury as vezes é imprevisível — Steve falou entrando no andar.
Os Vingadores deram a volta se aproximando do Tony, Nico estranhou
— Alguém pode me dizer o que tá acontecendo aqui? — Nico falou olhando-os
— Não está acontecendo nada — Clint falou
— Nada? Vocês estão afastados, sérios, você estão... — Nico falava mas foi interrompido
— Com medo — Susan falou percebendo o que acontecia — Eles viram o que fiz. Eles estão com medo de mim
— Não é isso — Natasha tentou se justificar, mas sua falta de aproximação a denunciou
— Claro que não — ela falou com um pouco de ironia e saiu indo pro quarto.
Nico permaneceu na sala, esperou tempo suficiente pra que a Susan chegasse ao quarto.
— Eu quero a verdade — ele falou olhando pros Vingadores
— Não estamos com medo da Susan — Tony falou — Só estamos tentando assimilar o que aconteceu.
— A Susan não parecia ela mesma, estava fria, cruel, parecia que... — Steve se interrompeu procurando as palavras certas
— Que morte emanava dela — Nico falou e Steve assentiu — Vocês não estão com medo dela, tem medo do que pode acontecer se ela perder o controle.
— É muito poder pra uma pessoa tão nova — Tony falou
— Eu sei. Mas ela é madura suficiente pra lidar com eles — Nico falou e saiu indo encontrar a esposa.
Quando ele chegou ao quarto, viu uma mala aberta na cama.
— Su? — ele chamou e a viu sair do closet com algumas roupas — O que está fazendo?
— Bom... Pensei em passarmos uns dias fora, só nós dois — ela falou colocando as roupas na cama — Acho que só assim pra te compensar
— Você não sabe mentir pra mim — Nico falou se aproximando da esposa — Me fala o que tá acontecendo.
— Eu não posso ficar aqui, dá pra ver medo nos olhos deles — ela respondeu e voltou a arrumar as roupas
— Susan, eles não medo de você — Nico falou abraçando por trás
— Mas tem medo do que eu posso fazer — Susan falou simplesmente e Nico suspirou beijando o ombro da esposa
— Tá bem. Você está de cabeça quente, vamos dormir aqui esta noite, se amanhã você ainda quiser sair, nós vamos tá bem?
— Tá bem — ela falou e o Nico a abraçou um pouco mais forte — Seu dia foi cheio, usou muita magia hoje, quer descansar um pouco?
— Quero, se... — ela falou atraindo a atenção dele — Meu marido ficar junto comigo.
— Com todo prazer — Nico falou e ela sorriu.
— Tá bem, só vou tomar um banho — Susan falou pegando um vestido soltinho que estava sobre a cama
— Quer companhia? — Nico sussurrou a pergunta, Susan simplesmente segurou e foi junto com ele para o banheiro.
Depois de um banho demorado, muito mais demorado que de costume, eles retornaram ao quarto e se deitaram. Nico não conseguiu dormir, apenas ficou abraçado com a esposa. Quando deu o horário do jantar a Susan a continuava a dormir, Nico não quis acorda-la. Se levantou com cuidado e foi para sala de jantar, todos deram falta da Susan, mas Nico explicou que ela estava descansando.
O jantar seguiu sem conversas, Nico foi o primeiro a terminar e retornou pro quarto. Deitou-se, abraçou a esposa e adormeceu.
Horas Depois
POV Susan
Faltava poucos minutos para 1h da manhã. Meu estômago estava doendo de fome, levantei com cuidado pra não acordar o Nico e fui pra cozinha. Fiz um sanduíche de presunto e queijo e comi. Peguei um copo de suco e tomei. Fui até a sala e tive a certeza de que nunca vi esse andar mais deserto, as janelas fechadas, a porta da área de pouso fechada. Peguei um casaco que estava no sofá e vesti, pela forma que ficou grande era do Steve. Me aproximei da porta e abri o suficiente para passar. A brisa da madrugada da cidade que nunca dorme tocou o meu rosto, caminhei pela área de pouso, me aproximei da beirada, era uma vista incrível, dava pra ver toda a ilha de Manhattan, me abaixei com cuidado e sentei com as pernas penduradas na beirada.
POV Stark
Estou há horas na minha cama, não consigo dormir, as imagens do que aconteceu na SHIELD circulam a minha mente, me roubando o pouco de paz que eu tenho. Levanto com cuidado para que a Pepper não acorde e fui em direção a cozinha, quando passei pela sala senti uma brisa vindo da cidade, olhei e vi a porta de vidro aberta, me aproximei para fechar a porta, mas parei quando vim a silhueta de uma pessoa na beirada, quando o vento balançou os cabelos negros da pessoa soube exatamente quem era e fui na direção dela.
— Você não deveria estar dormindo? — Susan perguntou quando notou minha aproximação
— Deveria perguntar a mesma coisa a você? — rebati e ela deu de ombros
— Já dormir demais por um dia — ela respondeu ainda sem me olhar e suspirou pesadamente — Não consegue dormir, não é?
— Não — falei me sentando ao dela com cuidado, para não cair
— Acho que temos muita coisa para conversar — ela falou me olhando e eu assenti
— Susan, como... — comecei a falar e ela me interrompeu
— Aqui não, se vamos conversar, vamos fazer isso em outro lugar — ela falou se levantando — Confia em mim?
— Totalmente — falei me levantando
— Então vamos, não chame a armadura, ok? — ela falou estendendo a mão, assenti e a pontou pra rua — O caminho é por aqui
— Acredito que pelo elevador, será mais seguro — falei normalmente
— Por aqui é um atalho — ela falou cruzando os braços
— E como usamos esse atalho? -perguntei curioso
— A gente pula — ela disse se virando pra rua
— Como é? — perguntei me fingindo de desentendido
— A gente pula da Torre — ela falou simplesmente e estendeu a mão novamente — Eu não vou deixar nada acontecer com a gente.
— Você não é aquelas loucas suicidas que quer levar alguém junto, né? — falei segurando a mão dela e ela riu
— Não sou suicida, já fui, mas não sou mais — ela falou se referindo a época que usava a doença para não se aproximar de mim — Podemos?
— Tá bem — falei e fiquei ao lado dela
— No três — assenti — Lembre de não chamar a armadura.
— Você tem certeza do que vai fazer? — perguntei olhando-a
— Tenho — ela respondeu confiante
— Então tudo bem — falei olhando-a
Meus instintos me diziam pra chamar a armadura, mas se ela tem certeza do que vai fazer darei um voto de confiança.
— Aconteça o que acontecer, não solte a minha mão — Susan pediu e eu assenti — Um... dois... três
Pulamos da Torre, a sensação deu medo, a queda livre, a visão da aproximação do solo, ia falar algo, mas senti um forte frio subir pela coluna sombras negras me envolverem e de repente não conseguia enxergar mais nada, só sabia que a Susan estava ao meu lado porque sentia o toque dela em minha mão.
Senti algo sólido sob meus pés, a sensação de frio foi diminuindo, as sombras se dissipando, fui afetado por um leve tontura, mas a Susan me aparou
— Tá tudo bem — ela falou enquanto eu me firmava em pé — Aguentou melhor que eu, na minha primeira vez eu desmaiei
— O quê foi aquilo? — perguntei olhando em volta, sabia que não estávamos em NY
— Uma pequena viagem pelas sombras — ela respondeu ajeitando o casaco e saímos do meio da rua
— Onde estamos? — perguntei e começamos a caminhar pela calçada
— Vermont — ela respondeu normalmente, vento da madrugada de Vermont me fez sentir um arrepio de frio
Susan notou, tirou o casaco e me entregou.
— Fica com ele — falei recusando
— Não se preocupe, para onde vamos não precisaremos de casaco — ela falou e peguei o casaco
— E para onde estamos indo — perguntei vestindo o casaco
— Ali — ela apontou na direção da casa dela em Vermont
Atravessamos a rua e paramos em frente a casa dela. Ela olhou pra uma árvore por alguns segundos.
— Preciso de impulso pra subir na árvore — ela falou e me olhando
Dei impulso para ela. Susan se agarrou no galho e começou a subir na árvore. Ela mexeu em uma casa de passarinho, tirou a telha da casinha e puxou algo de lá. Colocou de volta e começou a descer, quando ela chegou ao chão vi que era um molho de chaves.
— Coloquei aquela casinha pra esconder uma cópia das chaves da casa, caso eu perdesse — ela explicou e fomos até a casa dela.
Ela abriu a porta e nós entramos, ela acendeu as luzes e vi que apesar da ausência de itens pessoais, estava bem decorada e arrumada. Susan ligou o aquecedor e foi até a cozinha, abriu a geladeira, tirando algumas coisas.
— O quê está fazendo? — perguntei sem entender
— Um lanche — ela falou começando a preparar os sanduíches — Sei que tem muitas perguntas, então a conversa vai ser longa.
Logo em seguida ela fez silêncio e preparou os lanches. E eu esperei, esperarei o tempo que for preciso.
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