Survivors!!

15 When the demons come! (II)


Notas iniciais
Olá flores lindas de minha vida, voltei! Depois de uma eternidade não foi!? Espero que possam me perdoar por tanta demora. Andei meio atolada só para variar. Por isso não vou me demorar aqui. Grata por todas as rewiews passadas...More rewiews, please...Boa leitura.... Bjinhos flores. P.S: Mileid flor, obrigada por me fazer revisitar notas, buscar arquivos. Depois de seu pedido fui a caça de uma fic que havia iniciado tempos atrás, cheguei a anunciar que seria postada, mas por um descuido não conseguia encontrar onde a pusera passando a julgar tê-lo perdido...Até hoje! Aguarde.

“…Passion or coincidence;

Once prompted you to say;

“pride will tear us both apart”;

Well now pride’s gone out the window;

Cross the rooftops;

Run away;

Left me in the vacuum of my heart…”

Ordinary World

Duran Duran

Três semanas depois (quinta-feira, 13/4 -02:35 a.m)

Cave

Oliver

—E nenhuma delas dói? – escuto a voz de Thea perguntar assim que entro na Cave e estanco – Porque essa daqui em meu joelho, de uma queda de moto, me incomoda tanto certos dias.

—Essa aqui e essa às vezes incomodam um pouco, as demais não até porque já tem tempo – Sara responde.

—Oliver e Dig também tem muitas cicatrizes. Confesso que fiquei chocada a primeira vez que vi Ollie sem camisa depois que voltou da tal ilha – minha irmã admite.

—Eu também tenho uma cicatriz – agora é Felicity quem fala –Bem aqui o –diz, a voz soando estranha – Um dente que precisou ser arrancado com cirurgia – declara trazendo um sorriso a meus lábios enquanto volto a caminhar, vendo as três paradas em meio ao tapume que usamos para treinar, cada uma com um bastão e roupas adequadas para fazê-lo –E nem deu pra usar anestesia porque estava inflamado e não pegou! – acrescenta fazendo aspas no ar.

—Owunn! Fofa! – Sara exclama.

—Vai querer transar com ela também Lance? – Tommy insinua mal-humorado– Se eu fosse você ficaria alerta Oliver já que o passatempo dessa ai é destruir a vida dos outros! – exclama, ao passar por mim indo pendurar seu arco na parede, dirigindo-se ao banheiro sem olhar para trás.

—Até quando vai ficar com raiva de mim Tommy? – Sara pergunta, seguindo-o com o olhar.

—Até o inferno congelar! – responde atravessado, batendo a porta com força.

—Que diabos pensa estar fazendo Lance? – Dig interroga, cruzando os braços – E quanto a vocês duas, o que pretendem? – inquire.

—Vocês não estão com tempo para nos treinar e já que Sara tem que ficar escondida, por que não podemos aproveitar para nos exercitarmos e aprendermos um pouco com ela? – Thea argumenta, tocando o peito de meu amigo com o bastão.

—Você autorizou isso?? – Roy pergunta, me encarando incrédulo.

—E desde quando preciso da autorização dele para fazer algo? – Felicity questiona, dirigindo um olhar mortal ao nosso barman.

—Eu menos ainda! – minha irmã rebate, se assustando quando John toma-lhe o bastão das mãos – Hei, devolve isso aqui!

—Se estivesse atenta não teria perdido sua arma de defesa e ataque – diz, erguendo-o acima de sua cabeça, desafiando-a, sem palavras, a pegá-lo.

—Se eu fosse você não faria isso grandão – Sara avisa, apoiando seu bastão no chão, sorrindo discretamente quando minha irmã o surpreende retomando-o num movimento rápido – Ela pode não ter altura ou músculos, mas compensa em velocidade. As duas muito embora sua nerd seja bem mais forte do que eu esperava – elogia, Felicity e Thea exibindo expressões de orgulho.

—Deveria estar de olho na Verdant como ficou combinado ao invés de ficar brincando de supergirl aqui embaixo Thea– Tommy reclama, retornando, roupa trocada, ainda mais irritado – Vou subir – avisa, passando por nós sem esperar resposta, dando um encontrão no ombro de Sara ao passar por ela, que gira o corpo fazendo menção de segui-lo.

—Nem pense nisso! – alerto, esticando meu braço com o arco, tocando seu braço de leve – Deixe Tommy em paz Sara, ele precisa de tempo.

—Vou deixá-lo em paz...Embaixo de sete palmos de terra! – bufa, atirando o bastão ao solo com raiva – Não aguento mais ele bancando a vitima. Posso não ter agido corretamente, mas poderia ter-me repelido e não o fez, portanto é tão culpado quanto eu! – afirma, sentando sobre a mesa, apoiando as mãos nas bordas, olhando em direção a escada furiosa.

—Nem sempre conseguimos repelir alguém numa situação como a que passaram – declaro, me arrependendo assim que termino de falar.

—Disso você entende muito bem não é mesmo? – Felicity acusa, me dando as costas sem esperar resposta, caminhando até sua mesa.

—Opa, cheiro de DR no ar! – Thea exclama, afastando-se.

—Pode crer! – Harper anui, seguindo-a, Sara e John fazendo o mesmo.

—Fe.Li.Ci.Ty! – soletro, indo até ela, sentando sobre a mesa bem a seu lado – Será que pode, por favor, por uma pedra sobre minha historia com Laurel? Eu já fiz isso, ela já...

—Ela não fez coisa nenhuma caso contrario não continuaria a inventar desculpas para te ligar ou ir a QC te ver! – me interrompe, digitando freneticamente sem me olhar como faz quando está brava comigo.

—Ela trabalha na promotoria e está ajudando a tentar ferrar minha mãe, caso tenha esquecido! – relembro, o que não chega a ser verdade por inteiro.

Laurel continuava a trabalhar junto com a promotoria apesar de ter-lhe pedido, após eu e Thea convencermos nossa mãe a recusar o tal acordo, para que se afastasse. Desde então o tal promotor, tal qual o juiz fizera com Thea meses atrás, tomara por missão pessoal condenar Moira Queen como exemplo de que ninguém, por mais rico e poderoso que fosse, estava impune diante da lei.

—Quanto a me procurar e ligar, nada temos tratado além de assuntos referentes a minha mãe e sabe bem disso – afirmo, segurando suas mãos, fazendo-a parar a digitação, girando sua cadeira de forma a fazê-la ficar de frente para mim – Não tenho mais nenhum interesse nela além do profissional e claro do cuidado e atenção para com uma amiga de anos...

—Com a qual fodia mesmo quando namorava seu melhor amigo! – desencava, fazendo-me suspirar impaciente.

—Sério que vai querer desencavar defunto? – questiono, encarando-a.

—Não, não vou – diz, suspirando e percebo que venci essa batalha – Não está sendo fácil ver Cait sofrendo Oliver – admite – Por outro lado não tenho coragem de aconselhá-la a perdoar Tommy sabendo que da mesma forma como foi fraco – faz aspas no ar – Ao transar com Sara, pode fraquejar novamente com qualquer outra garota que dê mole para ele na boate, o que acaba por me fazer lembrar que estou no mesmíssimo barco que ela já que o senhor também costuma fraquejar com uma frequência assustadora quando o assunto são mulheres! – desabafa, deixando os braços caírem sobre seu colo – Por que vocês simplesmente não conseguem pensar com essa cabeça!? – interroga, batendo o indicador na minha testa e por mais que a situação não seja adequada, não consigo evitar o riso, fazendo-a cruzar os braços zangada.

—Desculpe meu amor, me desculpe! –exclamo envolvendo-a em meus braços – Reconheço que dei meus vacilo, mas também tem que reconhecer que estou me comportando exemplarmente nos últimos tempos, ou não? – indago, olhando seu rosto, sorrindo ao vê-la acenar afirmativamente – Então que tal se nós.... – minha fala é interrompida pelo som de alerta em seu computador, fazendo-nos voltar para a tela.

—É no esconderijo do Conde? – Dig questiona, aproximando-se rápido, Sara, Harper e Thea em seu encalço.

—É sim – Felicity confirma – Parece que ele voltou – diz, me olhando temerosa.

—Vou chamar Tommy – Thea avisa, dando-nos as costas, subindo as escadas correndo.

—Me deixe ir com vocês Ollie – Sara pede, atravessando meu caminho – Posso ajudar lá mais do que aqui – argumenta, fazendo-me refletir um segundo.

—Sara vai conosco. Algum problema para você? – olho por sobre sua cabeça encarando Tommy que chegava já se despindo do blazer.

—Não – responde seco, pegando casaco e arco.

—Ótimo – digo, me voltando para Felicity enquanto ajusto o comunicador em meu ouvido – Dê-nos um tempo e depois ligue avisando a polícia – peço, deixando os demais saírem antes de mim – Estamos bem? – pergunto, encarando-a.

—Estamos – garante, apoiando as mãos em meu peito, ficando na ponta dos pés para me dar um selinho – Comunicador para Sara – entrega-me – Tenham cuidado – recomenda.

—Teremos – garanto, lhe dando um beijo rápido antes de seguir ao encontro dos outros seguindo direto para o esconderijo do Conde.

O local nos fora indicado pelo detetive Thawne antes de ser transferido para o hospital de Central City onde terminaria de se recuperar (milagrosamente não parecia ter ficado com nenhuma sequela e estava cada dia mais forte). Ele nos passara detalhes de seu cativeiro (do qual escapara aproveitando um momento de distração dos homens do Conde sendo resgatado por Sara quando fora emboscado junto ao cais pelos mesmos) revelando tratar-se também do laboratório usado na fabricação de Vertigo. Passara as mesmas informações para a polícia, mas nem eles nem nós obtivéramos sucesso em nossa primeira visita. No dia, aproveitamos para instalar sensores de presença que nos diriam quando ele retornasse o que estava acontecendo neste exato momento.

Dividimo-nos em dois grupos (tenho o cuidado de manter Sara comigo tanto para controlá-la quanto para evitar que ela e Tommy se matassem!), seguindo as instruções de Felicity entrando na antiga instituição para correção de menores pelos flancos.

Das vigas no telhado acompanhamos a movimentação dos homens do Conde retirando de vans equipamentos e matéria prima para a fabricação da droga.

—A pureza e qualidade de uma droga, meus amigos, é medida pela quantidade de testes bem sucedidos ao que foi submetida – o Conde discursa caminhando entre seus homens – No caso de Vertigo medimos essa pureza em vidas! Mais de cinquenta e oito pessoas deram sua vida para chegarmos ao resultado final que tenho em minhas mãos – orgulha-se exibindo duas seringas conjugadas.

—Miserável! — rosno entre dentes, apertando minhas mãos a fim de controlar a raiva.

<< Oliver, tenha calma. Não pode perder a cabeça com esse cara. Ele quase matou Eddie Thawne e quase te matou uma vez! >— Felicity relembra.

—Já teve o prazer de encontrar o Conde antes? – Sara pergunta posicionada a meu lado.

—Já – respondo, olhando-a de soslaio – Preparem-se. Não quero que esse canalha fuja desta vez! – alerto, movendo-me silenciosamente, Sara me seguindo de perto.

Ao meu sinal, Tommy, Harper e Dig atiram granadas de fumaça, provocando alvoroço, fazendo-os largarem as caixas.

Aproveitamos a confusão reinante para agirmos dando inicio a uma luta árdua contra o pequeno exercito formado por ele. A certa altura escutamos as sirenes da policia ao mesmo tempo em que visualizo o Conde preparando-se para escapar.

—Não desta vez! – digo, partindo em sua direção, alcançando-o quando tentava entrar em uma sala – Parado! – ordeno, apontando meu arco com a flecha em posição para ele – Não vou permitir que continue a envenenar minha cidade!

—E quem vai me impedir? Você? – ironiza, me surpreendendo ao atirar dardos em minha direção.

Desvio evitando ser atingido, porem Harper e Tommy, que haviam se aproximado por trás de mim, não tem a mesma sorte sendo atingidos no peito e braço respectivamente.

—Adeus meu caro! – escuto o Conde dizer fazendo-me voltar em sua direção a tempo de vê-lo subir uma escada retrátil rumo ao teto.

—Não se preocupe conosco. Não deixe esse cretino escapar! – Tommy pede, apoiado ao corrimão, Dig ajudando-o levantar enquanto Sara socorre Harper – Vai! – ordena meu amigo me tirando da letargia.

—Dig, Sara, leve-os daqui agora. Encontro vocês na van – comando, dando as costas sem esperar resposta, subindo os degraus rapidamente, alcançando o telhado em poucos segundos – Não vai escapar Conde – afirmo, agarrando-o, impedindo que pulasse para o telhado vizinho.

—É o que pensa meu amigo encapuzado – declara, voltando-se, tentando injetar as seringas em meu peito.

—Dessa vez não, amigo – digo, segurando seu pulso, dobrando-o em direção ao próprio peito, ficando as seringas ali – Prove um pouco de sua obra prima!- exclamo, injetando todo o liquido contido nas seringas.

—Parados, polícia! – escuto, me voltando na direção da voz usando-o como escudo.

—Entregue-se – Quentin Lance ordena.

—Ele provou o próprio veneno detetive! – exclamo caminhando de costas até sentir a borda do telhado sob meus pés.

—Como eu gostaria que minha filha o visse agora! Só assim enxergaria o que realmente é: um assassino – declara, aproximando-se com mais dois policiais – Entregue-se, não tem para onde ir!

—Enganado de novo detetive! – afirmo, jogando o Conde em cima deles, atirando uma flecha com corda na parede do prédio vizinho, me pendurando até alcançar o solo.

—AGORA TAMBÉM BANCA O TARZAN É!? – o grito irritado do pai de Laurel ecoa madrugada adentro me trazendo um sorriso divertido aos lábios enquanto corro ao encontro de Dig e o demais na van – Como eles estão?- pergunto assim que chego, preocupado. Sabia por experiência própria o quanto essa droga em seu estado puro era nociva.

— Temos que levá-los para a Cave agora – Dig afirma, tenso.

—Eu dirijo – Sara prontifica-se, sentando no banco do motorista antes que possamos dizer algo.

—Só não os mate Lance! – peço, fechando a porta traseira da van deixando um Dig apreensivo lá dentro.

Pego minha moto seguindo-os de perto. Ainda vemos, ao longe, a movimentação da polícia prendendo os homens do Conde bem como os funcionários que ajudavam na fabricação da droga, cruzando com uma ambulância, provavelmente para ele, no caminho para a Cave.

Ao chegarmos, ajudo John a carregar Tommy e Harper para dentro.

—Como eles estão? – Felicity pergunta preocupada, tocando meu braço – Está ferido! – exclama e só então percebo o corte em meu ombro direito.

—Não foi nada – afirmo, pondo Tommy sobre uma das mesas, Dig fazendo o mesmo com Harper na outra – Prenda-o John, é mais seguro – peço, fazendo o mesmo com Tommy – Felicity, fique de olho em Tommy, Sara me ajude aqui – comando, indo até o baú que trouxe da ilha, buscando as ervas para o antídoto.

—Vou ligar para Cait agora mesm...

—NÃO! – Tommy grita, se agitando – NÃO A QUERO AQUI! – diz, tentando libertar-se.

—Ok, ok, fique calmo – Felicity pede, as duas mãos em seu peito, contendo-o – Tommy pare ou vai se machucar. Oliver seja lá o que está fazendo seja rápido, por favor! – pede, apreensiva.

—Estamos indo – tranquilizo-a, finalizando as duas porções com ajuda de Sara — Dê ao Harper, fico com Tommy – indico, ela anuindo com um aceno –Aqui, beba isso – ordeno, erguendo a cabeça de meu amigo fazendo com que bebesse todo o liquido – Agora é só aguardarmos – digo, apoiando as mãos na borda da mesa, olhando em direção a John e Sara – Vão tratar seus ferimentos, Felicity e eu tomamos conta dos dois até estarem bem – peço, ambos atendendo-me.

—Espero que fiquem bem – minha loira sussurra, olhando-os preocupada.

—Vão ficar – garanto, trazendo-a para meus braços – Vão ficar – repito, beijando o topo de sua cabeça.

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Cave (sexta-feira, 14/4 – 14:00 p.m)

Narrador

—Hummm – o gemido baixo chama atenção de Thea, fazendo-a pular da mesa onde se encontrava sentada correndo em direção a que Tommy ocupava , parando a seu lado – O que houve? – pergunta o empresário, umedecendo os lábios ressecados com a ponta da língua.

—Bem vindo de volta maninho! – Thea cumprimenta, sorrindo carinhosamente – Já estávamos ficando preocupados – afirma, erguendo os olhos para a escada ao escutar o som de passos – Tommy acordou – avisa ao ver Oliver, Felicity e John descendo.

—Até que enfim! – Sara exclama, girando o bastão, voltando-se irritada ao sentir a pancada em seu ombro.

—Ops, foi mal! – Harper diz, erguendo as mãos, soltando o bastão de treinamento – Foi acidente, loira, ainda estou me recuperando, lembre-se – argumenta, recuando ante a aproximação dela – Pensando bem, vou dar uma checada no estoque da Verdant – arruma um pretexto para sair do lugar rapidamente, fazendo-a rir.

—Que aconteceu? Por que estou preso aqui? – Tommy protesta, sacudindo os braços que permaneciam algemados a mesa.

—Foi apenas precaução para evitar que se machucasse enquanto estava sob o efeito de Vertigo – Felicity informa – Sente-se melhor? – pergunta.

—Vou ficar assim que me soltarem – declara, mal humorado – Espero que não tenha ligado para sua prima – resmunga enquanto Dig liberta seu pulso.

—Ah, disso você lembra né não!? – ralha a hacker, estapeando-o – Pois saiba que só não falei pra Cait porque ela viajou para Central City hoje cedinho. Sequer a vi sair – conta.

—Viajou pra quê? Por quê? – interroga o moreno, esfregando o pulso dolorido, movendo o pescoço de um lado para o outro.

—Se vê livre de você! – provoca-o Sara, rindo satisfeita o vê-lo empalidecer.

—Foi visitar Eddie e aproveitar para resolver algumas coisas pendentes no antigo emprego e pare de provocá-lo Sara – ralha Felicity, encarando a outra com cara de poucos amigos.

—Quando ele parar de bancar a vitima quem sabe – garante a loira.

—Vai a merda Lance! – Tommy xinga, saltando da mesa, quase perdendo o equilíbrio ao ficar tonto precisando ser amparado por Oliver – Estou bem – assegura, abrindo os braços, apoiando-se a mesa, respirando fundo.

—Ainda não Tommy – Oliver diz, olhando-o preocupado – Nem você nem Harper estão completamente refeitos – afirma, dirigindo um olhar duro a Sara – Ele Não devia estar treinando, a propósito.

—Estávamos apenas organizando as coisas por aqui para passar o tempo. Não sou tão má assim Ollie – resmunga a garota, guardando o bastão.

—Há controvérsias! – John insinua, arqueando a sobrancelha ante o olhar fulminante que recebe – Eu devia estar com medo? – indaga, fazendo Tommy sorrir.

—Olha, ele ainda sabe sorrir, viva! –Thea ironiza, encarando o irmão – Se me mandar ir a merda esqueço que está se recuperando e te bato! – ameaça.

—O que foi feito do Conde? – interroga, ignorando o comentário da irmã, voltando-se para Oliver – Você o pegou?

—Sim. Está preso em uma instituição mental – informa o arqueiro.

—Sobreviveu à overdose, mas a droga fritou o cérebro dele. Ao menos foi o que disseram – Felicity completa, soltando um grito de susto quando Roy retorna inesperadamente– Está maluco Roy?

—Liga a tv, computador, qualquer coisa e põe no noticiário loira – pede –Rápido! – acrescenta, segurando-a pelos ombros, guiando-a até sua mesa sob o olhar surpreso de todos – Precisam ver isso! – diz.

—Isso o que? – Oliver indaga.

—Liga ai loira – repete.

—Caso não tenha notado é o que estou fazendo...Idiota – Felicity xinga, acessando o canal de noticias de uma das emissoras de Starling.

“Voltamos à sede da prefeitura de Starling onde uma bomba dupla acaba de ser lançada! Moira Queen, mesmo estando presa, e a atual CEO da Merlyn Global, Helena Bertinelli, acabam de lançar suas candidaturas a prefeitura da cidade!”

—OI?? – Thea, Felicity e Sara dizem em uníssono enquanto Tommy, Oliver e Dig se aproximam abismados.

“Quais as novidades George! “ – pergunta a ancora do telejornal, o repórter entrando ao vivo –“ A grande novidade Adélia é que a candidatura de Moira Queen foi aceita mesmo ela estando as vésperas de ser julgada por crimes contra a cidade. Já a de Helena Bertinelli sequer foi contestada....” – o homem cala-se, voltando sua atenção para a escadaria do prédio que abriga a prefeitura de onde Helena saia acompanhada por diversas pessoas – “Vamos tentar colher uma palavra da senhorita Bertinelli” – avisa , correndo ao encontro dela junto com vários outros repórteres –“ Senhorita Bertineli, George Sanz, jornal da tarde, o que a fez decidir se candidatar a prefeitura? “- interroga, esticando o braço para por o microfone mais perto dela.

“Em primeiro lugar, não é senhorita Bertinelli, é senhora Merlyn “ – corrige –“ Decidi me candidatar porque sinto que posso fazer algo por essa cidade acolheu minha família e me acolheu no momento em que mais precisei. Em segundo lugar porque quero corrigir o erros que meu falecido marido cometeu, como já declarei antes, e acredito que como prefeita poderei fazer bem mais do que como mera empresaria. Em breve divulgarei minha plataforma. Conto com o apoio de todos. Obrigada” – diz, sorrindo gentilmente, descendo as escadas protegida por seus advogados, entrando no carro que a aguardava sem falar novamente.

—E eu que pensei que nada de mais ruim poderia acontecer a essa cidade depois do terremoto causado pelo Merlyn! – Roy declara – Sem ofensas chefes! – exclama, olhando de Oliver para Tommy.

—Isso é algum tipo de piada? – Tommy questiona.

—Se for, é muito sem graça! – Felicity declara – Aonde vai? – pergunta ao ver Oliver encaminhar-se para a escada de acesso a Verdant.

—Penitenciaria de Starling tirar metade dessa loucura a limpo!

“....And I don’t cry for yesterday, that’s an ordinary world;

Somehow I have to find and as I try to make my way;

To the ordinary wolrd I will learn to survive...”

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

“Oi, tô te ligando pra você passar aqui em casa;

Hoje a noite se tiver desocupada;

Só se der, só se der;

Não, não vá dizer pra ninguém que sinto saudades;

Não é verdade;

Eu e você nada a ver...”

Tommy ( sexta-feira, 22:45 p.m)

Entro no edifício onde moro sentindo-me exausto.

Não bastasse a madrugada conturbada na captura do Conde, as novidades envolvendo Helena e Moira serviram para piorar meu estado de espírito. Sentia-me acabado física e mentalmente. Tanto que pedira para Thea e Roy assumirem a Verdant por hoje e também não tinha a menor intenção de sair em ronda com Oliver e Dig. Sara que o fizesse! Ela estava entediada mesmo por ter que esconder-se o tempo inteiro. A noite não havia o perigo de Laurel ou Quentin a encontrarem. Quer dizer, quase não havia esse risco.

Suspiro parando a frente dos elevadores após pegar a correspondência com o porteiro, desanimado. A notícia de que Cait fora para Central City contribuirá para drenar o que restara de minha energia ainda mais que Felicity não soube me dizer se ela voltaria ainda hoje ou amanhã...Ou mesmo se voltaria!

—Muito provavelmente me arrependerei do que vou dizer agora, mas lá vai: Ligue para ela – Felicity aconselhara pouco antes de vir para casa, o qual declinei (por orgulho, admito) de imediato, recebendo olhares irônicos dela e de Sara.

Durante todo o caminho ponderei se deveria ou não seguir seu conselho e ligar principalmente por não saber o que diria. Pedir desculpas novamente? Vinha fazendo isso há dias e nada! Que desculpa usaria para estar ligando? Ainda mais àquela hora da noite? Dizer que sinto saudades (e sinto mesmo. Muita!)? Solto um novo suspiro entrando no elevador, me recostando a parede enquanto verifico as cartas, notando que duas delas não eram endereçadas a mim.

—Se estivesse em casa já teria a desculpa perfeita! – digo para mim mesmo lendo o nome do destinatário: Caitlin Snow – Oi Cait, boa noite. Se não estiver ocupada poderia vir aqui em casa pegar suas cartas que me foram entregues por engano? “Não consegue ser mais criativo Thomas?” – digo, imitando sua voz – Posso sim. Sabe o que é Cait, meu travesseiro perguntou por você – balanço a cabeça negativamente saindo do elevador – Ridículo, Tommy. Muito Ri.Di.Cu.Lo! – critico-me estancando em frente à sua porta surpreso ao notar a luz acessa e o movimento dentro do apartamento...

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

“....É que meu pente perguntou do seu cabelo;

Ouvi reclamações do meu espelho;

Querendo saber de você, que dia ele vai te ver;

Eu juro que pra mim pouco importa;

Se eu passo toda hora na sua porta;

Meu carro que se apaixonou na rota...”

Caitlin

— Ai droga! – praguejo levando meu dedo a boca, chupando o sangue, dirigindo um olhar raivoso em direção a porta.

Estava cortando uma fatia de queijo (distraída, admito) quando o toque da campainha me sobressaltou e acabei por me ferir com a faca.

—Estou indo – aviso, destacando uma folha de papel toalha com a qual envolvo o dedo ferido, me encaminhando para a porta.

Antes de abri-la vejo de quem se trata através do olho mágico, suspirando impaciente ao ver Thomas Merlyn parado em frente a ela.

Encosto a cabeça na madeira lisa refletindo se deveria ou não abrir....Do jeito que está com saudades desse cretino corre o sério risco de cair em sua lábia Caitlin!”... Minha consciência alerta – Eu resisto! – exclamo, segura, abrindo a porta só para encontrar o vazio onde antes ele estava obrigando-me dar dois passos para fora, olhando de lado – Thomas? – chamo, fazendo-o estancar em frente sua porta antes de pôr a chave na fechadura.

—Cait –fala, vindo até mim em passos vacilantes, parando a centímetros de distância – Oi – diz olhando diretamente em meus olhos, fazendo-me prender o ar nos pulmões diante da intensidade de seu olhar.....Ah, droga! – penso, a mesma voz que me alertara antes rindo e perguntando para onde fora toda a segurança que demonstrei com a porta entre nós.

—Sim? – quebro o silencio que se instalara entre nós sem, no entanto, conseguir me libertar de seus olhos.

—Felicity disse que estava em Central City – comenta, dando um passo discreto à frente.

—Fui cedo resolver algumas questões no laboratório Star e aproveitei para visitar Eddie – explico, resistindo fechar meus olhos quando seu cheiro invade minhas narinas, sentindo minhas pernas fraquejarem – Não deveria estar na boate a essa hora? – indago a guisa de desculpa para ganhar tempo e conseguir controlar meu corpo, que já começara a dar sinais claros que me trairia ao menor toque dele.

—Eu não ...Hã...Eu...Me dei folga hoje – titubeia, baixando os olhos, enrugando a testa – Onde se feriu? – pergunta, me pegando de surpresa ao segurar minha mão sem esperar resposta, retirando o papel grudado no sangue que voltara a pingar.

—Me cortei quando partia o....Queijo! – termino a frase num sopro, não conseguindo desta vez evitar fechar meus olhos ao sentir sua boca envolver meu dedo. Arrepios de prazer percorrem meu corpo inteiro em ondas cada vez maiores me fazendo arfar.

—Boa noite – o cumprimento me tira do transe. Puxo minha mão rapidamente, levando-a as costas, respondendo ao casal que passava por nós com um sorriso sem graça.

—Boa noite – ouço Thomas responder com voz calma, encarando-o surpresa.

Como é possível estar tão calmo assim? Não está sentindo nada? Vai ver Felicity se enganara quando disse, não, afirmou que ele estava sofrendo tanto quanto eu – O que você quer Thomas? Além de me atormentar! – pergunto ríspida, vendo a surpresa estampar-se em seu rosto.

—Duas cartas suas me foram entregues por engano – revela, estendendo-me os envelopes.

—Obrigada. Era só isso? – questiono, segurando-os, aguardando que respondesse. Como não o faz – Boa noite Thomas – despeço-me, batendo a porta com força ao entrar – Sofrendo, pois sim! – bufo, atirando a correspondência sobre a mesinha de centro, cruzando os braços a frente do peito, um misto de raiva e tristeza, uma dor aguda em meu coração – Não vai chorar Caitlin. De jeito nenhum! – admoesto-me, enxugando uma lágrima teimosa com o polegar, bufando de raiva, sentindo meu sangue ferver- Quer saber...- digo em voz alta, saindo, batendo (literalmente) em sua porta.

—Cait?? – atende surpreso.

—Escute aqui Thomas, gostaria muito que parasse de usar minha prima para tentar me fazer te perdoar pelo que fez! – acuso, enfiando o dedo em seu peito.

—Como assim usar a Felicity? Do que está falando? – questiona.

—Sabe muito bem do que estou falando! Fica fazendo cara de sofredor na frente dela para sensibiliza-la e ai ela vem encher minha cabeça para te perdoar e depois aparece em minha porta, do nada, me provoca e sai de fininho como se nada tivesse acontecido e... – meu discurso é interrompido ao ser tomada em seus braços.

—Se quisesse realmente usar sua prima para conseguir seu perdão teria pedido que ligasse contando o que aconteceu durante a madrugada – fala, não me deixando questiona-lo, me prendendo em um beijo sedento.

Durante minutos nos perdermos um no outro, desejo e saudade misturados.

—Cait – sussurra ao cessar o contato – O inferno continua quente? – repete a pergunta que me fazia quase todos os dias por mensagem ou pessoalmente.

—Não....Congelou – respondo, olhando dentro de seus olhos, um sorriso iluminando seu rosto.

—Tem certeza? – questiona, ansioso.

—Uhum Tenho – garanto, soltando um grito de surpresa ao ser erguida em seus braços.

—Que bom....Porque meu travesseiro, meu lençol, meu quarto inteiro sentiu sua falta – diz, caminhando pelo corredor após fechar a porta com um chute, me fazendo rir.

—Sei – digo, estreitando meus olhos – Seu quarto, você não! – exclamo ao me pôr de pé junto a sua cama.

—Eu? – indaga, envolvendo minha cintura, faço o mesmo em seu pescoço – Imagina! – exclama, sorrindo de forma encantadora antes de me beijar novamente.

“...É não sou eu , o meu quarto é que ficou apaixonado;

Travesseiro dependente e viciado em você;

Não sou eu, meu lençol te quer agora e não depois;

Minha cama tem a medida certa para nós dois.”

Medida Certa

Jorge e Mateus

Notas finais
Bjinhos flores. P.S 2: Vamos usar mais uma vez nossa imaginação e ver Cait na foto flores