Survivors!!
16 Archers(I)
Notas iniciais
“Agora eu sei, exatamente o que fazer;
Bom recomeçar, poder contar com você;
Pois eu me lembro de tudo irmão, eu estava lá também;
O homem quando está em paz não quer guerra com ninguém...”
Só Os Loucos Sabem
Charlie Brown Jr.
Apartamento Tommy (sábado, 15/4 – 7:40 a.m)
Tommy
Sentado no sofá da sala observo a flecha negra em minhas mãos, souvenir da confusão que ocorrerá alguns dias atrás, girando-a, tentando entender o porquê de meu pai não me ter procurado e de ter-me salvo a vida. Não fosse a flecha certeira teria meu pescoço cortado de um lado a outro por aquela adaga afiada. Ainda sentia o frio do aço contra minha pele algumas vezes. Confesso: nos dias seguintes barbear-me foi uma tarefa estressante.
—Se está vivo, por que não veio me procurar pai? Será que passou a me odiar por conta do que aconteceu no prédio da Global aquele dia? Ou tem como, John supõe, nos observado e sabe que tenho ajudado Oliver, o que certamente o levaria a me odiar da mesma forma! – presumo, respirando fundo, olhando para fora da janela – Seja qual for a resposta, está vivo e em Starling novamente. Se é que algum dia partiu da cidade – pondero.
—Falando sozinho? – ouço Cait questionar ao mesmo tempo em que sinto suas mãos deslizando por meus ombros — Tudo bem? – quer saber, parando a minha frente usando apenas minha camisa.
Ergo os olhos devagar subindo por suas pernas, detendo-me um segundo em sua cintura, o movimento provocado ao erguer os braços para prender o cabelo deixando parte do quadril a mostra, continuando a subir até deter-me no decote aberto pela ausência de botões fechados no colarinho da camisa, a pele alva destacando-se contra o preto do tecido... Ela é realmente linda! E gostosa. Muito gostosa! ...penso, subindo o olhar até seu rosto, a boca rosada chamando atenção, pedindo para ser beijada... E é minha. Toda minha!...O pensamento egoísta e pretensioso me toma fazendo-me sorrir satisfeito.
Evidentemente, sabia que esta afirmação não era verdadeira. Não poderia impedi-la de ir embora quando e como desejasse, mas só o fato de me ter perdoado, de estar comigo novamente me faz sentir o cara mais sortudo de Starling e não iria deixar nada nem ninguém afastá-la de mim. A não ser ela mesma se assim quisesse!
—Tommy? Me escutou falar? – questiona, segurando meu rosto entre suas mãos, franzindo o cenho, preocupada.
—Escutei sim – respondo, olhando em seus olhos.
—Então??? – interroga.
—Então estou pensando em como sou o filho da mãe mais sortudo de toda Starling por ter a medica mais gata e gostosa da cidade na minha vida, e na minha cama! – exclamo, deslizando as mãos por suas coxas, subindo até alcançar seu bumbum durinho, apertando-o, vendo-a corar intensamente – Alguém já disse o quanto fica linda quando está envergonhada? – indago, trazendo-a para mais perto até fazê-la sentar-se em meu colo, as pernas ladeando minha cintura.
—Alguém comentou algo a respeito, mas não dei crédito – responde com fingida pretensão, fechando os olhos quando deslizo as mãos por sob a camisa levando minhas caricias para seu ventre, subindo mais e mais até alcançar os seios intumescidos, um suspiro rouco escapando de seus lábios entreabertos.
—Porra Cait, você é minha perdição mulher! – exclamo, fazendo-a deitar no sofá, me deitando sobre ela – Poderia passar o dia inteiro te beijando sem nunca me cansar – afirmo, beijando-a novamente, me encaixando a seu corpo — O que acha de passarmos o dia inteiro aqui, só eu e voc....
O toque da campainha interrompe minha fala e fecho os olhos, fingindo não ter escutado.
—O que acha se nós...- tento falar e novamente a campainha me atrapalhando, desta vez a pessoa lá fora tocando duas vezes seguidas.
—Melhor atender, pode ser algo importante – Cait recomenda, dando duas tapinhas em meu ombro, sinalizando para me afastar.
—É bom que seja algo Muito importante mesmo – pontuo, indo até a porta sem pressa, tentando ver através do olho mágico de quem se tratava, sem conseguir – Ou a pessoa do outro lado é muito baixinha ou está se escondendo – teorizo para mim mesmo fazendo nova tentativa, conseguindo visualizar a cabeleira loira – Felicity? – indago, chamando atenção de Cait, que levanta rápido, vindo até mim – Acho que é ela – digo, abrindo a porta, surpreendendo-me ao encontrar a jovem assistente (ou secretaria, sei lá) que Helena mandara até meu apartamento no dia de meu aniversario com uma caixa contendo o uniforme de faxineiro da Global (presente que mantinha guardado a pedido de Digg e Ollie – O que quer? – pergunto direto, Cait me estapeando mais uma vez pela falta de educação e tato.
—Desculpa ter vindo a sua casa tão cedo assim em pleno sábado de manhã senhor Merlyn...Thomas – balbucia a garota, apertando as mãos nervosamente.
—Não desculpo, mas isto não importa – digo, levando outra tapa, esta mais estalada e dolorida.
—Pois não senhorita... – Cait intervém.
—Cross. Melissa Cross – diz, rindo nervoso – Mais uma vez lhe peço desculpas senhor Thomas, mas fui, novamente, enviada para lhe entregar isto – estende um envelope pardo, que seguro com relutância – Tenho ordens, desta vez, para não apenas aguardar, mas acompanhá-lo aos escritórios da Global senhor – revela enquanto abro o envelope arqueando a sobrancelha ao ver o papel timbrado onde estava escrito um horário e mais nada.
—O que significa isto? – questiono, entregando o papel a Cait, sua reação sendo igual a minha.
—Está sendo convocado para uma reunião no prédio da Global, hoje, dentro de... — olha o relógio em seu pulso – Um hora exatamente – informa, não me dando chance contestar – Alguns diretores desejam lhe falar a respeito de uma possível troca de comando na presidência da firma.
—Trocando em miúdos querem tirar a querida Helena e me colocar no lugar dela, estou correto? – indago.
—Pelo que sei está senhor – diz, vacilante – Ao menos foi isto que o senhor Duval me deu a entender. Foi ele quem pediu-me para vir até aqui- tagarela, enrubescendo ao baixar os olhos para minha cintura.
—Volte e diga-lhe que não tenho interesse – afirmo, pegando o envelope das mãos de Cait, devolvendo a ela – Tiveram a chance de me apoiar e escolheram Helena. Que fiquem com ela – afirmo, tranquilo, fazendo menção fechar a porta.
—Senhor, lhe pediria para reconsiderar. A senhora está destruindo a firma de sua família e se isto não lhe importa, pedir-lhe-ia que pensasse em todos os empregados da Global, incluindo eu mesma, que ficarão sem emprego, sem apoio, sem absolutamente nada caso a Global declare falência – argumenta.
—Declarar falência? Como assim? Até onde sei as coisas estavam indo muito bem – estranho, olhando-a desconfiado.
De repente, alguma coisa em seu discurso soou falso em meus ouvidos.
—Só parecem senhor – assegura, voltando a apertar as mãos – A senhora Merlyn tem se preocupado apenas com sua campanha a prefeitura. Ela tem feito gordas retiradas dos cofres da empresa incluindo o fundo de assistência aos funcionários – informa.
—Como a diretoria permitiu isto? – interrogo, sentindo o sangue ferver. O fundo fora criado por minha mãe e era intocável. Nem mesmo meu pai, nos momentos de sandice e loucura dele havia feito uso destes recursos.
—Eles não tiveram escolha. A senhora ameaça e domina a todos lá dentro. Todos – frisa, cerrando os punhos.
—Talvez seja melhor ir até lá Tommy. Ao menos para ver o que pretendem – Cait aconselha – Se quiser posso te acompanhar, estou de folga hoje – se oferece.
—Quero sim, se não se incomodar – aceito, dando atenção a garota parada a minha porta – Entre. Vou me trocar e já vamos – digo, lhe dando passagem.
—Com sua licença – pede, entrando, postando-se no meio da sala, as mãos cruzadas.
—Sente-se – convido, fechando a porta, levando uma mão as costas de Cait, conduzindo-a ao quarto.
—Obrigada, estou bem assim – responde a garota e franzo o cenho estranhando seu comportamento mais uma vez – Que garota estranha – comento assim que entramos no quarto.
—Estranha como? – Cait pergunta, dirigindo-se ao banheiro – Ao meu ver pareceu bem normal: gaguejou, ficou vermelha quando notou que tinha nos atrapalhado, fica sem graça perto de você – enumera, despindo a camisa enquanto entra no box.
—Humm...Bem lembrado – digo, vencendo a curta distancia que nos separava, envolvendo sua cintura, depositando um beijo no pescoço – Onde foi mesmo que paramos? – pergunto, deslizando minha mão até alcançar sua intimidade, incitando-a.
—Tentador....Mas temos uma jovem esperando lá fora e não quero arriscar que venha até aqui investigar o motivo de nossa demora – argumenta, tentando libertar-se – Tommy, falo sério. Não podemos....- silencio seu protesto com um beijo avido ao mesmo tempo em que a prenso contra a parede do box – Tommy, na....- protesta fracamente, as mãos enroscando-se em meu cabelo – Tommy, pare. Falo sério – reclama, me afastando com firmeza desta vez – Podemos deixar isso para depois. Vamos descobrir, ou melhor, você vai descobrir o que querem. Depois, quem sabe.... – deixa a insinuação no ar.
—Saiba que vou cobrar doutora! – aviso, despindo meu short, entrando no boxe junto com ela.
Tomamos um banho rápido (como não podia deixar de ser), voltamos ao quarto, nos vestimos, pego minha carteira e chaves retornando a sala. Quando nos aproximamos, ouvimos a garota falando com alguém ao telefone, sua voz soando angustiada.
—Não se preocupe, tudo vai ficar bem. Daqui a pouco estaremos juntos meu bem, não chore por favor! – pede, retendo o ar nos pulmões ao voltar-se e nos ver – Preciso desligar agora. Um beijo – despede-se, desligando e guardando o celular na bolsa que traia a tiracolo – Meu irmão mais novo está doente – explica, sem graça.
—Sinto muito – digo, sincero – Se quiser pode ir vê-lo, podemos muito bem ir a Global sem nenhum problema – sugiro, trancando a porta dupla de vidro da varanda – Se alguém perguntar digo que a dispensei – digo, parando ao lado de Cait, pondo uma mão em sua cintura.
—Não precisa. Depois que cumprir a tarefa que me mandaram realizar estarei livre para ir ao encontro dele – afirma, apertando as mãos nervosa e mais uma vez estranho seu comportamento.
—Tem certeza? – Cait pergunta enquanto saímos – Como Tommy disse, podemos ir sozinhos – reitera.
—Tenho sim senhorita – repete – De qualquer forma, muito obrigada pela oferta... Isso só dificulta as coisas para mim! – ouço-a resmungar, adiantando-se, chegando ao elevador antes que nós e desta vez não ignoro o alerta em minha mente.
—Cait, acho melhor você ficar – sugiro, segurando-a pelo braço, fazendo-a estancar.
—Por que? O que foi? – questiona, me encarando de cenho franzido – Foi pelo que ela disse a pouco? – quer saber.
—Então também ouviu? – indago, ela acenando afirmativamente, voltando a caminhar me obrigando a segui-la – E não achou estranho? – questiono.
—Um pouco – admite, parando poucos metros distante da garota – Por isso mesmo não quero te deixar sozinho. Vai que sua má-drasta resolve aprontar alguma coisa!
—Você vai me defender se ela tentar algo, meu amor? – interrogo, ela dando de ombros.
—Se precisar, por que não? Acha que não sou capaz? – questiona, fazendo bico.
—De forma alguma! – exclamo, envolvendo-a pela cintura, beijando-a demoradamente, cessando o contato apenas quando escuto a garota limpar a garganta – Já estamos indo – tranquilizo-a, voltando minha atenção para Cait novamente – Brincadeiras a parte, quando chegarmos a Global, eu subo e você fica na recepção. Caso algo dê errado não quero que esteja na linha de fogo e isto não é negociável Cait – aviso, cortando o protesto que ensaiava.
—Certo. Mas vou enviar uma mensagem a Felicity contando para onde vamos – avisa, retirando o celular de dentro da bolsa, fazendo o que dissera enquanto entramos no elevador.
O silencio impera dentro do espaço restrito, a jovem parecendo cada vez mais nervosa a medida em que chegávamos ao térreo, permanecendo depois que saímos do elevador e enquanto caminhamos para o estacionamento (o prédio não dispunha de um interno, porém locara um terreno em frente e construíra uma estrutura para abrigar os carros de seus inquilinos). Entramos no lugar usando meu controle remoto para abrir o portão seguindo direto para meu carro (havia comprado um modelo popular, mais em conta, depois que boate voltara a dar lucro).
—Senhor Thomas, eu sinto muito. Sinto mesmo! – escuto a jovem dizer logo depois que destravo o carro e ergo a cabeça, encarando-a.
—Sente por que? – questiono enrugando o cenho.
—Por isto – diz, apontando a pequena besta que retirara de sua bolsa em minha direção, atirando ao mesmo tempo em que visualizo dois mascarados surgirem por detrás de uma van estacionada alguns metros a frente.
—Cait, fuja! – ordeno, desviando do primeiro projetil, não conseguindo fazer o mesmo com o segundo disparado por um dos homens que me acerta no pescoço, o conteúdo do dardo sendo imediatamente injetado em minha corrente sanguínea – Cait – chamo, vendo-a cair desfalecida ao tentar correr, apoiando-me ao carro ao sentir a cabeça girar.
—Me desculpe – a voz chorosa chega a meus ouvidos pouco antes de tudo escurecer.
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Queen Consolidate (11:45 a.m)
Oliver
Ergo os olhos das folhas de papel a minha frente arqueando a sobrancelha intrigado.
Há pelo menos vinte minutos Felicity tamborilava os dedos sobre o tampo de sua mesa, as unhas grande e bem pintadas emitindo irritantes “tic,tic-tic-tocs” ao chocarem-se com o vidro temperado da mesma.
—O que raios ela tem? – Diggle questiona, tão irritado quanto eu, pelo visto, com o som repetitivo ecoando no ambiente.
—Não sei, mas vou descobrir antes que esse som me enlouqueça! – exclamo, apertando o botão do interfone.
—Nos enlouqueça, Oliver – admito e rio.
—Feli...Senhorita Smoak, poderia vir até aqui por favor?! – peço, corrigindo-me a tempo de evitar uma tirada sarcástica ou algo pior posto que havíamos combinado manter o tom formal quando estivéssemos na QC.
< Um segundo senhor Queen> — responde, desligando.
Apoio os cotovelos em minha mesa entrelaçando os dedos, vendo-a discar algum numero em seu celular na terceira tentativa( se não contei errado) em falar com alguém, soltando uma serie de impropérios quando, ao que tudo indicava, não é atendida, levantando-se logo após desliga-lo, alisando o vestido azul, curto e justo (sua marca registrada e que me tira do sério!) antes de voltar-se, abrindo a porta com força exagerada.
—Pois não senhor Queen, deseja algo? – pergunta e por mais que tente, mesmo estando preocupado com sua visível preocupação, não resisto em provoca-la.
—Uma xicara de café bem quente e você, não exatamente nesta ordem – solto, John levando a mão a boca a fim de conter o riso enquanto minha loira me lança um olhar furioso.
—Engraçadinho, muito engraçadinho senhor Queen. Prefere voltar a dormir sozinho ou um banho com seu bendito café quente, não exatamente nessa ordem! – revida e desta vez Dig não consegue se conter, emitindo uma sonora gargalhada.
—Ok, o que está acontecendo Sweet? Por que está nervosa? – questiono, ignorando meu amigo e segurança que continuava a rir.
—Quem disse que estou nervosa? – devolve.
—Fazem pelo menos vinte minutos que tenta quebrar o vidro de sua mesa com as unhas emitindo um som irritante além de ter praguejado ao tentar ligar para alguém. Três vezes, só as que eu vi – enumero, encarando-a – O que há Felicity? Por que está preocupada?
—Não é porque e sim com quem – admite, apertando as mãos – Cait me mandou uma mensagem hoje cedo e desde então tenho tentando falar com ela e não consigo. Antes chamava até ir para a caixa postal. Agora começou a dar desligado ou fora de área – conta, não escondendo a tensão que sentia.
—Ela pode estar atendendo alguém, já pensou nisso? – John se adianta.
—Hoje é a folga dela – informa.
—Então pode estar com Tommy, se é que já voltou de Central City – lembro.
—Voltou, está e é justamente isto que me preocupa – revela fazendo-me arquear a sobrancelha novamente – A bendita mensagem foi para avisar que estava com Tommy e os dois iriam a Global!
—A Global? – John repete, endireitando-se no sofá, tenso assim como eu – O que Thomas foi fazer na empresa do pai?
—Me fiz a mesma pergunta acrescentando por que Cait precisou ir com ele – admite ela, voltando-se para mim – Também tentei falar com Tommy, mas o celular dele também está desligado, o que seria normal em se tratando dele, mas Cait jamais desliga o seu. Ela é medica, pode ser chamada a qualquer momento a cobrir um plantonista que faltou ou a dar alguma informação sobre algum paciente e é por isso que estou tão nervosa. Estou com um mal pressentimento a respeito disso Oliver – confessa, olhando-me ansiosa quando levanto dando a volta em minha mesa, indo para junto dela.
—O que dizia a mensagem? – pergunto, ela abrindo-a e lendo.
—Apenas que iria acompanhar Tommy a empresa do pai, que ele havia sido convocado para alguma reunião extraordinária da diretoria – informa, franzindo o cenho – Thomas não tinha sido excluído da diretoria da Global quando se recusou a apoiar a maluca? – relembra – Pra quem está ligando? – interroga, e ergo a mão sinalizando para que esperasse.
—Bom dia – respondo ao cumprimento do outro lado da linha – Aqui é Oliver Queen. Poderia me transferir para o andar da presidência? Fui convocado a comparecer numa reunião, mas acabei perdendo a hora. Saberia me dizer se já terminou? – pergunto, aguardando alguns minutos antes de receber a resposta – Tem certeza? E quanto ao senhor Merlyn, Thomas Merlyn, ele esteve ou esta na empresa hoje? – sondo, olhando de John para Felicity alternadamente – Ok, obrigada – agradeço, desligando, olhando dentro dos olhos dela – Pôs o rastreador, como pedi, no cordão que Thea presenteou Tommy? – interrogo sem desviar o olhar.
—Sim – John confirma, aproximando-se – Não havia nenhuma reunião correto? – indaga, cruzando os braços a frente do corpo.
—Não – confirmo, Felicity retendo o ar nos pulmões ante minha informação seguinte – Helena deu férias coletivas ao funcionários. A Global está oficialmente fechada por tempo indeterminado.
—Então, para onde Cait e Tommy foram e com quem? – questiona-me, tensa.
—Não sei Sweet, mas é melhor descobrirmos, e rápido. Sinto dedo de Malcom nessa história – presumo, pegando meu terno, encaminhando-me para a saída, os dois me seguindo.
—Acha que ele faria mal ao próprio filho? Ou a Cait? – Felicity pergunta, preocupada.
—Acho que é capaz de qualquer coisa para se vingar inclusive tortura-los para nos atingir ou pior– admito, entrando no elevador, apertando o botão do subsolo – Tentar fazer com que Tommy fique a seu lado.
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Armazém desativado – Zona portuária de Starling (18:35 p.m)
Narrador
Encolhida em um canto sobre a cama, Cait leva ambas as mãos aos ouvidos, tapando-os, fechando os olhos com força, as lágrimas escapando sem que pudesse impedir, estremecendo a cada novo grito de dor que ecoa pelo ambiente.
Não fazia a mínima ideia de onde estava ou que horas eram já que seu relógio havia parado e o celular lhe fora tomado pelos homens que os haviam sequestrado.
Quando acordara, descobriu estar em uma cela, dessas que as delegacias possuem para manter os presos temporários, deitada em uma cama de cimento cujo colchão fino deixava passar a frieza da mesma, a cabeça doendo terrivelmente assim como todo seu corpo.
Olhara a volta em busca de Tommy, encontrando-o acorrentado a apenas alguns metros de distância, braços abertos, os pés mal tocando o chão. A cabeça baixa bem como a ausência de movimentos indicando que ainda estava desacordado. Chamara-o diversas vezes sem obter resposta, calando-se quando um dos encapuzados entrara no local onde estavam vindo primeiro até ela, deixando uma garrafa descartável com água (ao que tudo indicava) para depois ir até Tommy, despertando-o ao jogar um balde de água fria sobre sua cabeça, passando a tortura-lo com socos e uma espécie de teaser com o qual lhe aplicava choques que o faziam gritar.
—Pare, por favor pare! – pede, baixinho, entre soluços, abrindo os olhos agoniada ao escutá-lo gritar mais uma vez – PARE! PARE COM ISSO! VAI MATÁ-LO! – grita, saindo da letargia, indo agarrar-se as grades – Pare, por favor, pare! – implora, a voz falhando, o homem voltando-se para ela.
—Talvez queira assumir o lugar dele! – sugere, Tommy reagindo de imediato.
—Se tocar nela acabo com sua raça! – rosna, firmando-se, puxando as correntes que o prendiam com força fazendo-as tinir com o movimento – Deixe ela ir. Seu problema é comigo, deixe que se vá – pede, a risada feminina, fria e cínica reverberando pelo ambiente.
—E perder a diversão? – contesta a dona da voz, saindo das sombras onde se encontrava – Por que faria isto, meu querido enteado? – Helena questiona, tomando o teaser das mãos do homem, sinalizando para que se afastasse – Fica bem mais divertido com ela presente.
—O que você quer Helena? Chamar atenção de Oliver? Se vingar? – Tommy questiona-a, ela rindo fazendo o coração da médica quase parar ao vê-la retirar uma adaga da cintura, deslizando a ponta pelo pescoço dele, da direita para a esquerda exercendo uma pressão suave, ferindo levemente a pele.
—Tentadoras suas sugestões Thomas, mas não fui a mentora dessa pequena reunião – informa, fazendo a arma deslizar agora na garganta do moreno detendo-se no primeiro botão da camisa – Muito embora nada impeça de unir o útil ao agradável não é mesmo? – insinua, arrancando-o fora, fazendo o mesmo com os dois seguintes.
—Foi meu pai quem mandou me trazerem para cá? – Tommy pergunta direto, o riso da mulher aumentando enquanto termina de arrancar o ultimo botão, abrindo a camisa, aproximando-se perigosamente, as mãos insinuando-se por sob o tecido, teaser pendurado no pulso esquerdo, mantendo a adaga afiada na mão direita – Onde ele está? Por que não me procurou pessoalmente?
—Para que o entregasse ao seu amiguinho justiceiro? – responde a morena junto ao ouvido dele, prendendo o lóbulo entre os dentes, mordendo-o até que sagrasse, Tommy cerrando os dentes – Sem gritos desta vez? Está ficando mais resistente Thomas? Ou apenas querendo poupar sua namoradinha do sofrimento? – insinua, postando-se as costas dele, encarando Caitlin por sobre seu ombro – O que acha doutora? O treinamento que ele tem recebido é suficiente para me enfrentar? – questiona, as mãos deslizando pelo abdômen, subindo e descendo, pressionando as costelas com a adaga – Tenho uma proposta Thomas: me enfrente em uma luta corpo a corpo, sem armas. Se me vencer, deixo sua garota ir embora em segurança – negocia – Mas se perder, ela é minha para que faça dela o que quiser! – exclama, lambendo o sangue que escorria da orelha ferida.
—Que garantias tenho de que cumprira sua palavra? – quer saber o moreno, encarando Cait, que balança a cabeça negativamente – Como posso ter certeza que não ira machucá-la assim que deixar este lugar? – questiona.
—Ora vejam só isso! Quer dizer que o playboy teve seu coração laçado finalmente – ironiza a morena, apoiando o queixo sobre o ombro direito do empresário – Está tão apaixonado assim que arriscaria seu pescoço pela segurança dela Thomas? Acredita de fato que pode me vencer? – questiona a morena, os olhos verdes faiscando com o desafio eminente.
—Me solte e veremos – sugere o rapaz – Mas quero garantias de que não ira machuca-la, que a deixara sair daqui em segurança – exige, ela ficando em silencio por um longo tempo, refletindo antes de finalmente responder.
—Aceito – diz, levando uma mão a cintura, retirando a chave das algemas que o mantinham presos a corrente, libertando-o, entregando a adaga e teaser ao encapuzado – Ninguém interfere – ordena, o homem concordando com um meneio de cabeça – Humm, os exercícios tem lhe feito bem Thomas. Está mais gostoso do que lembrava, não acha doutora? – provoca-os ao vê-lo despir a camisa.
—Tommy, não faça isso por favor! Sabe que não irá cumprir o acordado – Cait pede, segurando a camisa que lhe entregava juntamente com a correntinha que Thea o presenteara.
—Sei disso meu amor. Só estou ganhando tempo até Oliver chegar – cochicha, trazendo-a para perto das grades – Há um localizador na corrente – avisa, lhe dando um selinho, soltando gemido abafado ao sentir a dor causada pelo chute desferido de surpresa por Helena acertando-o nas costelas.
—Solte-o para uma disputa, não para que se pegasse com ela na minha frente! – esbraveja a morena, tentando acerta-lo novamente, surpreendendo-se quando Tommy, alertado por Cait, se volta, absorvendo o impacto com o antebraço, revidando com um chute preciso no joelho da morena, que perde o equilíbrio indo ao chão.
—Sei disso Helena – responde, encarando-a – Vai ficar deitada ai ou me enfrentar?- desafia fazendo-a ficar de pé num salto ágil – Hora de ver se todas as porradas que tomei de Dig e recentemente de Sara valeram a pena – murmura para si, respirando fundo, a dor aguda alertando-a para uma possível costela fraturada – Merda! – xinga, desviando-se do golpe desferido por ela.
Durante meia hora os dois trocam golpes alternando momentos de superioridade. Se por um lado Tommy conseguira uma pequena vantagem por conta do inchaço no joelho da morena, que dificultava os movimentos dela, por outro, sofrera novo golpe sobre o mesmo local atingido inicialmente causando, além do hematoma arroxeado, dificuldade em respirar, obrigando-o a ficar levemente curvado.
—Chega de brincadeiras. Hora de acabar com isso de vez! – Helena declara, ignorando a dor, iniciando uma sequencia de golpes que quase culminaram na derrota de Tommy, este evitando-a ao conseguir desviar-se do ultimo fazendo-a perder o equilíbrio ao chutar o vazio, caindo pesadamente no solo.
—Acabou Helena. Eu ganhei – anuncia o moreno, curvando-se, apertando o abdômen a fim de diminuir a dor que sentia e causava-lhe falta de ar.
—Só acaba quando eu disser que acabou – declara a morena, erguendo-se lentamente, girando o corpo ainda no solo, erguendo o tronco o suficiente para cravar a flecha de sua besta na coxa de Tommy, fazendo-o soltar um grito de dor, recuando até recostar-se a grade da cela onde Cait estava.
— TOMMY! – grita a médica, ajoelhando-se junto ao namorado por detrás das grades – Disse que não usariam armas! – queixa-se, apavorando-se ao vê-la levantar-se com dificuldades, caminhando até eles, apoiando uma das mãos a grade enquanto leva o pé esquerdo ao pescoço do empresário, o salto da bota perfurando a pele na medida em que ela aumenta a pressão – O que estava dizendo Thomas? Que eu perdi, foi isso? – pergunta, rindo satisfeita.
—Você perdeu Helena – reafirma o moreno, o zumbido das flechas cortando o ar antes que que ela pudesse questiona-lo, várias explosões destruindo seus alvos ao mesmo tempo em que sons de luta são ouvidos fazendo-a recuar, liberando-o – Onde ele está Helena? Onde está meu pai? – Tommy interroga, segurando-a pelo tornozelo, impedindo sua fuga imediata.
—Não se preocupe, muito em breve irão se encontrar, afinal foi para isso que Malcom retornou: veio buscar seu herdeiro! – exclama, pressionando o ferimento na perna dele, fazendo com que a soltasse, batendo em retirada no exato momento em que Oliver entra no armazém pelo teto, aterrissando a alguns metros de distancia deles, correndo ao encontro do amigo, agachando-se a seu lado.
—Por que demorou tanto? – Tommy interroga assim que o vê, fazendo uma careta de dor.
—Transito complicado – responde, arrancando um sorriso curto — John, traga o carro para dentro do armazém – pede, olhando a volta, fazendo um torniquete a fim de conter o sangramento na perna do amigo – Onde eles estão? – pergunta.
—Ela, era a Helena – Cait informa saindo da cela assim que Roy a abre – Mas foi Malcom que arquitetou tudo – avisa, examinando Tommy – Temos que leva-lo para o hospital rápido – pede.
—Temos tudo que precisa na cave. Não podemos correr o risco de topar com Quentin Lance — Oliver alerta, apoiando um dos braços do amigo em seu ombro, Roy fazendo o mesmo, carregando-o para a van assim que John para no meio do armazém – Ela disse alguma coisa, deu alguma pista de onde podemos encontrar Malcom? – pergunta, colocando Tommy dentro do veículo, ajudando Cait a entrar.
—Que Tommy o veria em breve – diz, deitando a cabeça do namorado em seu colo.
—Ele veio atrás de mim Ollie, veio me buscar – balbucia o moreno antes de desmaiar.
—Busca-lo? Como assim? – John questiona.
—Helena disse que Malcom tinha retornado para buscar seu herdeiro – Cait informa, fazendo os três homens do lado de fora da van se entreolharem.
< Oliver, precisam sair agora, alguém avisou a policia sobre a presença do arqueiro > Felicity alerta.
—Estamos indo – avisa, fechando a porta – Rápido Digg – pede, batendo na lataria, o segurança partindo em alta velocidade
—Oliver, acha que ela falou a verdade? Malcom voltou por causa de Thomas? – Roy questiona enquanto correm para o lado externo do armazém, parando junto as motos.
—É o que pretendo descobrir – garante o arqueiro, pondo o capacete, dando uma ultima olhada em direção ao armazém antes de partirem, uma duvida formando-se em sua mente: a qual herdeiro Helena se referira: Tommy ou Thea? E para quê o queria?
“...Eu segurei minhas lagrimas, pois não queria demonstrar emoção;
Já que estava ali só pra observar e aprender um pouco mais sobre a percepção;
Eles dizem que impossível encontrar o amor sem perder a razão;
Mas pra quem tem o pensamento forte o impossível é só questão de opinião...”

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