Survivors!!
19 Some things we need to talk about it
Notas iniciais
“We don’t talk anymore;
We don’t talk anymore;
We don’t talk anymore;
Like we used to do;
We don’t love anymore;
What was all of it for?
Oh, we don’t talk anymore;
Like we used to do;
I just heard you found the one you’ve been looking;
You’ve been looking for;
I wish I would have know that wasn’t me;
Cause even after all this time I still wonder;
Why I can’t move on;
Just the way you did so easily...”
We Don’t Talk Anymore
Charlie Puth feat. Selena Gomez
Verdant (sábado, 13/5 – 13:00 p.m)
Oliver
Havia pelo menos quinze minutos que ninguém dizia nada. Um silêncio sepulcral envolvia o ambiente de Verdant, para onde viramos após o tribunal entrar em recesso, quebrado apenas pelo tilintar das pedras de gelo dentro do copo que Tommy enchia repetidamente.
Cinco minutos atrás a advogada de minha mãe ligara avisando que o júri pedira mais tempo para deliberar, adiando o retorno do tribunal para as dezesseis e quarenta. Laurel também ligara, informando o mesmo, acrescendo que o promotor Donner estaria presente no tribunal e que deveríamos, Thea e eu, nos prepararmos para a condenação de nossa mãe, o que não seria nenhuma novidade. Apesar de tentar animar minha irmã e fazê-la crer que tudo ficaria bem, eu mesmo não tinha a menor esperança de que fosse absolvida. Não julguei que o depoimento de Malcolm fosse alterar alguma coisa no resultado. Minha torcida resumia-se que recebesse a pena de prisão perpétua e não de morte.
—Ok, se ninguém vai fazer nada, faço eu!! – a voz de minha irmã me tira do limbo onde me enfiara e ergo o olhar, vendo-a passar feito um raio em direção ao balcão aonde Tommy estava, arrancando a garrafa de uísque das mãos dele sem a menor cerimônia, deixando-o perplexo — Hummm – murmura, erguendo a garrafa acima de sua cabeça, virando-a de um lado para o outro, olhando-a como se examinasse em busca de algo, fazendo-nos trocar olhares confusos, Harper abrindo os braços em um “Sei lá” silencioso quando o encaro de sobrancelha arqueada – Hummm – repete, pondo-a de volta ao balcão – Como pensei. Não há resposta alguma aqui, seja dentro ou fora dela, portanto, pode parar de procurar! – ordena, encarando-o.
—Um, não manda em mim baixinha. Dois, quem disse que estava procurando alguma coisa?? –ele rebate, mal-humorado, tentando (e falhando) tomar-lhe de volta.
—Sério? Porque do jeito que se agarrou a esta bendita garrafa, praticamente desde que pusemos os pés aqui, juraria que perdeu alguma coisa dentro dela ou que esperava encontrar respostas a suas perguntas grudadas no fundo, pelo lado interno, e por isto se dedicou bravamente a esvaziá-la o mais rapidamente possível! – Thea diz, bufando, Harper rindo alto, recebendo um olhar furioso de meu amigo.
—O quê? Foi engraçado – justifica-se, abrindo novamente os braços em assustar-se com a ameaça velada.
—Eu no lugar de Caitlin teria ciúmes de ambos, copo e garrafa, já que deu mais atenção a eles do que a ela na última hora e meia!! – minha... nossa irmã acresce, Roy gargalhando desta feita, fazendo não apenas Tommy, mas nós todos o olharmos.
—Isto também foi engraçado, admitam! – exclama, sentando-se de braços cruzados – E, com todo respeito, se tivesse medo de cara feia não me olhava no espelho todos os dias chefinho – rebate, erguendo o polegar, sustentando o olhar de Tommy.
—Ownn, gatinho, disso devo discordar – Thea diz, fazendo-o estufar o peito e arqueio novamente a sobrancelha, encarando-o sério – Me explica em que encher a cara vai te ajudar Tommy. Ou de que servirá, senão para atestar o que Malcolm e aquele cover de má-drasta que ele te deu de presente disseram no tribunal? – mexe na ferida, incomodando não apenas ele, mas a mim também. Esquecera de pedir a Felicity para desligar nossos pontos e todos, sem exceção, ouvíramos o teor da conversa entre pai e filho naquela sala, o que, se não irritou meu amigo, o deixou frustrado, mesmo ele negando. Conhecia-o o suficiente para saber disto – Não percebe que se deixar-se abater pelas palavras deles só irá fortalecê-los? É isto que quer? – questiona-o, largando a garrafa.
—Gostaria que fosse tão simples assim, baixinha! – Tommy declara, suspirando, pondo o copo com metade da bebida que pusera antes de lado, encarando-a – Posso não encontrar respostas aqui, mas pelo menos estava afogando as perguntas – justifica-se, apoiando as mãos ao balcão.
—Por quanto tempo? – Caitlin pergunta, pondo sua mão sobre a dele – Descobri, por experiência própria, que problemas são ótimos nadadores. Dificilmente se afogam – rebate e desta vez até mesmo eu rio, discretamente – Beber pode trazer alívio, mas é temporário. O melhor é enfrentá-los e procurar soluções definitivas – aconselha, afagando o rosto de meu amigo, que a encara, sinceramente encantado, demonstrando o quanto estava apaixonado pela amiga de Felicity.
—Devo ter feito algo de muito bom recentemente pra ter ganho você na minha vida! Te amo doutora – se declara, pegando-nos, e a própria Caitlin, de surpresa ao selar o momento com um beijo.
—Nossa, que coisa mais.... Cafona!! – a frase debochada ecoa pelo ambiente fazendo com que voltássemos nossa atenção para a entrada da boate – Cafona, brega, piegas!! – Helena ironiza, batendo palmas, o riso cínico ornando seu rosto – Honestamente, Thomas, jamais esperei escutar uma declaração tão chinfrim sair de sua boca, meu querido – arremata, mas antes que qualquer um de nós pudesse rebater, uma mulher loira surge a suas costas, arrastando uma mala pink enorme.
—Desculpa meu bem, mas devo discordar de você – diz, parando ao lado dela, olhando diretamente a Tommy e Cait com expressão sonhadora – Está foi uma das declarações mais lindas e fofinhas que escutei nos últimos tempos! – afirma, unindo as mãos, suspirando antes de se voltar para nós – Oi bebê! Cheguei!! – exclama, acenando e novamente nos voltamos para uma única pessoa: Felicity que a olhava boquiaberta.
—Bebê?? – Dig inquere, enrugando o cenho, confuso, representando a todos, acredito eu.
—Mãe?!? Que faz aqui? – escuto Felicity dizer e é minha vez de abrir a boca, espantado.
—Mãe!?!? – Tommy, Thea e eu repetimos em coro, não escondendo nossa surpresa.
—Se você perdesse um segundinho para lê suas mensagens não estaria me perguntando isto, bebê!! – assegura a loira, arrastando a pesada mala ao caminhar em nossa direção sem que Helena a impedisse, o que me traz alívio posto que julguei iria usá-la para nos atingir – Avisei que estava vindo minha linda – assegura, tranquila.
—Como assim me enviou uma mensagem avisando que vinha? Quando? – minha loira espanta-se, checando seu celular apressadamente – Mas não tem nada aqui!! – garante.
—Pois deve ser culpa deste seu aparelho ou da operadora, porque avisei que viria bebê – reitera, parando alguns passos de nós, abrindo a bolsa que trazia pendurada no ombro, sacando um celular com uma capa pink, chamativa, ornada com orelhas de coelho! – Pode verificar – diz, estendendo-o a Felicity – Olá a todos – cumprimenta, sorridente, acenando-nos um a um e me pego procurando semelhanças (além da cor do cabelo e da beleza física) entre ela e minha loira, o bufo impaciente me fazendo olhá-la novamente.
—Mãe, para mandar uma mensagem a alguém é preciso apertar em enviar depois de digitar o texto!! – Felicity ralha e percebo que até Helena sorri, John, Harper e Thea baixando suas cabeças, disfarçando estarem fazendo o mesmo ao passo que Tommy e Cait apenas apoiam-se um ao outro, voltando os rostos para o interior do balcão.
Apesar da tensão evidente provocada pela presença de Helena, o momento não deixa de ser engraçado.
—Ops!! – a loira exclama, rindo forçado, limpar de garganta chamando nossa atenção para minha ex.
—Antes que eu tenha uma sincope com este lindo e adocicado quadro familiar ...- começa dizer, Thea a cortando.
—Ninguém te chamou aqui, megera! – exclama, encarando-a com raiva.
—Não lembro de tê-la escutado bater e se o fizesse, não seria convidada a entrar – Harper acrescenta, assumindo uma postura defensiva em relação a minha irmã (o que me agrada, admito), John fazendo o mesmo em relação aos dois.
—A porta da rua é serventia da casa! Sinta-se convidada se retirar – Felicity bufa, fazendo a mãe vir para trás dela.
—Quanta animosidade! – Helena rebate, rindo torto – E eu que vim aqui, com a melhor das intenções, alertá-los do perigo e me despedir. Vê como são ingratos senhora...?? – diz, dando atenção a mãe de Felicity.
—O que você quer Helena? – intervenho, tomando a frente de nosso grupo, encarando-a de braços cruzados.
—Acabei de dizerá-los e me despedir – reitera, sustentando meu olhar, erguendo o queixo em desafio – Estou indo embora de Starling. Já consegui tudo que desejava aqui. Graças, em parte, a seu querido, prestativo e vingativo papai Thomas – afirma, piscando para ele, me dando atenção novamente – Se acha que os problemas acabaram com a prisão de Malcolm está enganado Oliver – diz, os olhos verdes cintilando – Merlin fez muitos acordos para conseguir o que você e este seu timeco impediram, por pura sorte! – rosna, olhando-os um a um, detendo-se um segundo a mais em Felicity – Ele se envolveu com pessoas poderosas e perigosas as quais não conseguiu, obviamente, deixar satisfeitos posto não ter cumprido, nem de longe, o acordado, trazendo o retorno prometido. A hora da cobrança se aproxima e ele sequer tem com o que negociar. Mas isto não será um empecilho para seus credores, por assim dizer – afirma, dando atenção aos demais — Se acham que o empreendimento morreu, melhor repensarem. Já na próxima semana dois dos credores chegarão a cidade com sede de vingança e quando os demais vierem, não vai ficar pedra sobre pedra em Starling!! – garante, empertigando-se, mantendo seu olhar sobre mim – Talvez se surpreenda com alguns deles Queen. Talvez não – insinua e pressinto uma ameaça velada no ar – O passado sempre bate a porta quando menos se espera. Fique atento – acresce, rindo sem mostrar os dentes, voltando-se para o restante do grupo outra vez – Eu, no lugar de vocês, me prepararia para o uma nova guerra a qual assistirei de camarote, em segurança, linda, plena, pronta a recolher o que valer a pena ser recolhido do que sobrar... caso sobre algo!! – comemora.
—Agradecemos o aviso – digo, quebrando o breve silencio que se instalara – Se era tudo o que tinha a dizer, pode ir embora – sugiro, tranquilo, vendo seus olhos brilharem mais com a raiva.
—Aproveitem enquanto podem!! – rosna outra vez, dirigindo olhares frios a Tommy e Cait e depois a mim e Felicity, girando nos calcanhares, estancando mal havia começado caminhar – Ah!!! – exclama, voltando-se para nós outra vez – Não se habituem a falta do papai na vida de vocês! – aponta de Thea para Tommy – Malcolm não vai permanecer muito tempo atrás das grades – avisa, nos dando as costas, saindo pisando firme.
—Tão linda e tão pérfida!! – o comentário quebrar o clima pesado deixado pelo último aviso de Helena e chama nossa atenção novamente para a loira que entrara com ela, que vem a ser a mãe da mulher que descobrir amar – Bebê, espero que essa mulher não seja nenhuma colega de trabalho ou pior: ex daquele seu chefe gato e gostoso! – solta, deixando Felicity completamente vermelha.
—Mãe!!! – exclama, sem graça.
—O quê? – inquere ela, com expressão inocente, voltando-se para mim após alguns segundos – Bom, já que minha filha parece ter esquecido as boas maneiras, eu mesma vou me apresentar. Donna Smoak – apresenta-se, esticando a mão em minha direção.
—Oliver Queen – me apresento, segurando sua mão e o riso ante a cara de consternação que exibe.
—Oliver....Queen?? Aquele Oliver Queen? O....
—Chefe gato e gostoso da Felicity – Thea completa, fazendo-a voltar-se para ela com o cenho enrugado, soltando minha mão – Thea Queen, irmã do chefe gato e gostoso! – minha irmã brinca, fazendo minha loira atingir um lindo tom de vermelho combinando com seu vestido e batom – Este grandão aqui é nosso amigo e segurança, John Diggle – apresenta, claramente assumindo para si a tarefa de fazer as apresentações.
—Prazer – Dig diz, apertando-lhe a mão.
—Todo meu! – Donna responde, rindo de forma sedutora e arqueio a sobrancelha, encarando uma ainda mais sem graça Felicity.
—Este aqui é meu...nosso DJ e ...amigo, Roy Harper – apresenta, não me passando despercebido o embaraço de ambos.
—Oi – Roy cumprimenta, erguendo uma mão.
—Aqueles dois lá são Caitlin Snow, mas acho que já sabia né? – presume minha irmã, ambas rindo.
—Olá Cait. Bom te vê – Donna cumprimenta.
—Bom ver você também, Donna – Caitlin responde.
—E o moreno igualmente gato e gostoso ao lado dela é meu meio irmão, Tommy Merlin – Thea finaliza.
—Oi – Tommy responde, imitando Harper.
—Menina, você está bem servida de irmãos, hein!?! – Donna elogia, provocando novo protesto em Felicity.
—Mãe, quer parar por favor! – pede, bufando.
—Bebê, estou apenas constatando um fato, nada mais – rebate ela – São dois lindos irmãos que a senhorita tem.... e um belo guarda-costas – elogia, conseguindo o feito de deixar John sem graça — Aliás, Starling parece estar muito bem servida de homens bonitos, pelo que pude ver até agora! – exclama, piscando para mim – Vou pensar seriamente em me mudar – arremata, o que parece ser o limite para Felicity.
—Ok, acho que já atingi minha cota de vergonha para todo o mês! – exclama minha loira, bufando mais alto – Vem mãe, vou te levar ao hotel – convida, melhor dizendo, intima, segurando o extensor da mala mais pink que já vi até hoje.
—Hã...eu ...não tenho hotel – Donna Smoak diz, parecendo genuinamente sem graça.
—Como assim não tem hotel? E antes que alguém aqui me julgue, ela sempre preferiu ficar hospedada em hotéis quando me visita! – Felicity alerta, dedo em riste.
—Por diversas razões, entre elas que pizza em todas as refeições engorda! – Donna justifica-se e desta vez não consigo disfarçar o riso – E em respeito a nossa privacidade, afinal não gosto nem quero ser empata fo...
—Mãe!!! – Felicity praticamente berra, assustando a nós todos, inclusive Sara, que chegava.
—Mas o que diabos está acontecendo aqui? – pergunta, as mãos erguidas, olhando-nos espantada.
—Caso de família! – Tommy responde, apoiado ao balcão, claramente se divertindo com a coisa toda.
—Mais!?! – Sara inquere, parando alguns passos de Felicity com os braços cruzados.
—Oi. Donna Smoak – apresenta-se, estendendo a mão a ela.
—Sara Lance – retribui, enrugando o cenho, olhando de uma para outra – A senhora não seria....
—Sou sim, e senhora não, por favor! – Donna pede, sorridente.
—Por onde andou? – questiono antes que pudesse me controlar.
—Resolvendo problemas de família – responde, evasiva – Por falar em família, vi a bruxa-má-drasta- do-Oeste saindo quando chegava. O que ela veio fazer aqui? – quer saber.
—O que mais gosta: destilar veneno! – Thea responde, irritada.
—Algo sobre o julgamento? – Sara questiona, curiosa.
—Também – Tommy responde, indicando Donna com um gesto, ela entendendo a indireta. E Donna também, para nossa surpresa.
—Acho que estou atrapalhando alguma coisa aqui, não estou? – pergunta.
—Mais ou menos. Depois te explico, dentro do possível, do que se trata – Felicity responde – Por hora vamos resolver seu problema de estadia. Você fica em minha casa, afinal, onde cabem dois, cabem três. Aliás já coube durante uma eternidade e a Cait nem está dormindo mais lá mesmo – dialoga consigo mesma, coisa que amo, devo admitir, e é a vez Caitlin ficar sem graça – Vou levá-la, te acomodar, comer algo e de lá sigo para o tribunal – avisa ela, dirigindo seu olhar diretamente para mim.
—Ok – anuo, as duas começando caminhar em direção a porta quando um estalo me atinge de repente – Felicity espere – peço, elas estacando – Prefiro eu mesmo levar vocês – digo, não lhe dando chance contestar – John, pode levar Thea em casa por favor? – peço, me voltando para ela – Aproveite este intervalo para comer algo e descansar speedy – sugiro, dando atenção aos demais – Façam o mesmo todos vocês. Nos encontramos no tribunal por volta das três e meia – ordeno, pegando a mala das mãos de Felicity, adiantando-me a frente delas.
Somente quando estamos do lado de fora da boate, caminhando em direção a meu carro, Felicity se pronuncia.
—Engano meu ou o alerta de Helena te afetou? – questiona e a olho de soslaio, arqueando a sobrancelha – Sempre que sai dando ordens como fez a pouco, lá dentro, é porque algo está te incomodando – diz, parando junto ao carro, erguendo o rosto para me encarar – Estou começando a aprender ler suas expressões e decifrar seus códigos senhor Queen – declara, orgulhosa, me dando um meio sorriso encantador.
—Espero que não decifre todos ou vai acabar me achando comum e pouco interessante senhorita Smoak. Assustando-se com a escuridão que pode encontrar, optando por se afastar de mim e isto me deixaria extremamente frustrado e triste – confesso, pesaroso.
—O senhor jamais conseguira ser comum ou desinteressante senhor Queen! – afirma, ficando na ponta dos pés, me surpreendendo com um selinho. Sua espontaneidade as vezes me pega desprevenido – Assustador até é, de vez em quando. Mas já estou aprendendo a lidar com isto também – assegura e a encaro longamente ante de envolvê-la pela cintura, inclinando-me até tomar sua boca em um beijo intenso.
Estava ficando relativamente fácil me perder em Felicity, o que se por um lado era bom demais, por outro me assustava, mas não da forma como assustou quando Laurel sugeriu morarmos juntos. Me assustava pô-la em perigo de alguma maneira.
O contato cessa, porém, permanecemos perdidos um no outro, o suspirar nada discreto a nosso lado lembrando-nos a presença de Donna Smoak. Nos separamos, olhando ao mesmo tempo, como se combinássemos, em direção a loirona, que nos olhava encantada, exibindo um sorriso largo, de orelha a orelha.
—Desculpe – peço, me afastando com relutância.
—Oh, não por minha causa! – Donna exclama – Podem continuar. Estava adorando ser platéia para vocês. Alguém já disse que são lindos juntos??? – questiona, não nos deixando responder – E não falo isto por ser a mãe babona. Podem perguntar a qualquer um!! – exclama, completando– Alguém que não tenha inveja, óbvio! – diz, dando a volta no carro, postando-se junto a porta do carona – Tá aberto? – pergunta, a mão na maçaneta e rapidamente destravo-o antes que o alarme soasse, assustando os demais.
—Vai me dizer o que está te incomodando ou terei de recorrer meus poderes nerd para descobrir – Felicity brinca, chamando minha atenção para si.
—Vamos acomodar sua mãe primeiro. Depois vemos como fica – sugiro, capturando uma mecha de seu cabelo entre meus dedos.
—Ok – concorda após alguns segundos – Vamos? – convida.
—Vamos – anuo, abrindo a porta para ela, fazendo Donna emitir novo suspiro.
Guardo a mala, dou a volta pela traseira do veículo, assumo meu lugar ao volante dando a partida após me certificar todos estarmos acomodados, manobrando, deixando o estacionamento da boate, Felicity e eu optando por deixar Donna conduzir a conversa durante todo o trajeto até seu apartamento.
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Verdant (13:55 p.m)
Tommy
—Ele só estava me esperando chegar para entrar no modo mandão!! – Sara exclama e rio curto, olhando-a – O que Helena queria? – retoma, séria.
—Avisar que estava indo embora e que os sócios de meu pai no empreendimento...
—Nossos pais. Sócios de nossos pais – Thea me corrige.
—Os sócios de nossos pais, estão para chegar a cidade para cobrar a conta de terem falhado– informo, amargo.
—E como raios ela sabe disto? – Sara pergunta, erguendo as mãos – Esquece, não interessa – diz, voando para detrás do balcão, pegando uma garrafa de uísque a qual abre, tomando a bebida direto no gargalo.
—Opa! Devagar aí loira. O chefe ainda não fez as compras do mês e a julgar pelo animo de vocês dois, o estoque do clube vai ter uma queda drástica – Harper diz, e o encaro de sobrancelha arqueada.
—Harper, não tem nenhuma caixa para empilhar, um bunker para varrer ou algo do gênero? – inquiro, não lhe dando chance responder – Sendo mais direto: Cai fora antes que te demita! – ameaço, o garoto erguendo os braços, se afastando com um sorriso convencido ao escutar o comentário de Sara.
—Gosto do garoto. É atrevido! – elogia e sopro, impaciente.
—A quais problemas de família se referiu Sara? – Dig a questiona, estreitando os olhos, desconfiado.
—Não me diga que deixou Laurel te ver novamente? – pergunto, olhando de lado ao escutar o celular de Cait tocar.
—Me dêem licença – pede, se afastando para atender e enrugo o cenho, intrigado.
—Se não quer ouvir, não digo – a resposta atravessada me faz voltar a cabeça com rapidez em direção a loira.
—O que, exatamente, está querendo dizer com isto, Lance? – John interroga, descruzando lentamente os braços sem deixar de encará-la.
—O que entendeu grandão e não pense que vou pedir desculpas! – avisa, apontando a garrafa em direção a ele – São Minha família! A razão pela qual retornei a Starling. Como poderia continuar me escondendo deles? – questiona.
—Para mantê-los em segurança, segundo você mesma havia nos falado – John rebate – O que a fez mudar de idéia? Aconteceu algo que não está nos contando? – inquere, ainda mais desconfiado.
—Nada. Somente a vontade de falar com meu pai e minha irmã – responde, de forma pouco convincente.
—Ok, isto soou falso até para mim – digo, recebendo um olhar fulminante – E como assim foi falar com sua irmã sem consultar Oliver? Ou nos consultar? – questiono-a.
—Em primeiro lugar, não devo satisfação de minhas decisões a Oliver ou qualquer de vocês! – rebate, batendo a mão no balcão – Em segundo lugar, vai a merda Tommy! – xinga, saindo com a garrafa de uísque, nos deixando “no vácuo”.
—Hum, a coisa aqui tá feia hoje – Thea comenta e me recordo sua presença ali – Deve ser inhaca da bruxa-má-drasta-do-Oeste – soletra, esfregando os braços – Dig, me leva para o Big Belly. Quero afogar as mazelas num extra big sundae de morango – pede, já enlaçando seu braço ao dele.
—Seu irmão falou para te levar pra casa – John lembra.
—Mas acontece que não estou com a menor vontade de ir até aquele mausoléu, ficar sozinha, imaginando um milhão e meio de coisas ao mesmo tempo. Nenhuma delas boa – reclama e reconhece que deve ser difícil para ela.
Ollie passa mais tempo aqui, no bunker ou na QC. O mesmo vale para mim. Quando não estou na boate ou no bunker, treinando com Sara, John ou o próprio Oliver, estou em meu apartamento com Cait e como, depois de tudo que aconteceu, praticamente não lhe sobrou nenhuma amiga, têm ficado mais tempo só do que deveria.
—Descuidamos de você – verbalizo meu pensamento.
—Não estou falando isto como sendo uma cobrança Tommy. É só a realidade – apressa-se em dizer.
—Mas deveria ter nos cobrado Speedy. Somos seus irmãos antes de qualquer coisa – digo, aceitando a mão que me estendia por cima do balcão.
—Fofo, mas não quero ser um fardo para nenhum dos dois – retruca, franzindo o nariz em uma careta engraçada.
—Não é fardo algum Thea. Somos uma família – rebato, vendo, pelo canto do olho, Cait se aproxima, cuidadosa – Meio torta, cheia de conflitos e confrontos, mas ainda assim uma família – afirmo, beijando sua mão.
—Esqueceu de citar as mentiras, trapaças, enganações e outros artifícios de nossos queridos genitores, em especial momys! – ironiza, não conseguindo, como acredito era sua intenção, disfarçar a dor.
—Não esqueci, mas devo dizer que entendo um pouco o lado de sua mãe – admito, vendo-a erguer a sobrancelha – Ela sempre lutou para defender você e Ollie como uma verdadeira leoa. Suportou as ameaças de meu pai, a solidão, a desconfiança, tudo para protegê-los. Não concordo com a maneira que escolheu fazer isto, evidente, mas devo reconhecer seus gestos – concluo.
—Concordo com Thomas – Dig corrobora – E quem sabe este tempo na prisão mude a maneira de pensar e agir da senhora Queen – declara e desta vez acompanho Thea na careta de desagrado – Ou não – diz ele, rindo divertido – Agora vamos. Também quero comer alguma coisa antes de voltarmos a corte – avisa, sinalizando a ela o seguir.
—Tá andando tempo demais com Ollie grandão. Tá ficando muito mandão – ralha ela, jogando beijos a mim e Cait antes de segui-lo.
—Ela usa a ironia para disfarçar a dor – Cait comenta.
—Assim como os irmãos – anuo, me apoiando ao balcão de modo a ficar de frente para ela – Ao menos um deles – digo, erguendo o dedo, fazendo-a rir minimamente – Aonde quer ir para comer? – pergunto, notando a mudança em sua expressão.
—Na verdade, preciso conversar com você – diz, me pondo em alerta.
—Algum problema? – questiono, empertigando-me – Quem era no telefone? – quero saber, sentindo um calafrio na espinha ao pensar que poderia ter sido ameaçada por algum dos capangas de meu pai.
—Ronnie, meu ex noivo e colega de trabalho no laboratório Star – revela, mordendo o lábio, apreensiva.
—Ah. O tal que te largou por outra – faço questão de lembrar.
—Ele mesmo – confirma, rindo fraco.
—O que ele queria? – pergunto, agora mais curioso do que preocupado.
—Avisar que irão ligar o acelerador de partículas, do qual participei do projeto, na segunda-feira pela manhã – diz, mordendo o lábio outra vez, o que aprendi não ser um bom sinal.
—E...? – instigo-a prosseguir.
—E que o doutor Wells, meu chefe, ex chefe, pediu que estivesse presente – revela, pondo a mão em meu braço – Serão apenas alguns dias...
—Alguns dias por quê? Não é só apertar um botão, ou girar uma chave e pronto? Por que precisa ficar lá alguns dias? – interrogo, irritado.
Não tinha o direito de lhe cobrar nada, é certo. Além de estarmos no começo de um relacionamento (o qual não tinha idéia de quanto iria durar), não havia a pedido em namoro. Não oficialmente, embora achasse estar implícito já que estávamos praticamente dividindo o mesmo teto, como Felicity bem frisou.
—Porque depois de ligado o gerador precisa ser acompanhado diariamente. Há leituras a serem feitas, padrões a serem observados entre outras coisas – explica, afagando meu cabelo – E como participei de toda criação do projeto, conheço os procedimentos melhor do que a pessoa que ficou em meu lugar, logo ele me pediu que fosse para Central City por uns dias ajudar no treinamento do pessoal – conclui.
—E por que foi seu ex que ligou? – quero saber, não escondendo minha insatisfação e ciúmes.
—Porque é Ronnie quem sempre cuidou dessa parte. Montar a equipe, quero dizer – explica pacientemente – Não vai ficar chateado vai? Sei que não é um bom momento, que precisa de apoio, mas ...
—É o projeto de sua vida – completo por ela, suspirando – Tudo bem Cait. Pode ir tranquila. Vou ficar bem – minto, em parte.
—De verdade? – insiste, me fazendo olhar em seus olhos.
—De verdade – reitero – Contanto que me ligue diariamente e não passe muito tempo ao lado do tal Roger – peço, errando propositadamente, o nome do tal sujeito.
—Ligo e não posso prometer isto já que trabalharemos lado a lado – diz, rindo quando resmungo – Mas posso garantir que nada neste mundo me fará permanecer mais tempo do que o necessário longe de meu playboy ciumento! – exclama, apertando minhas bochechas, me dando um selinho.
—Acho bom mesmo porque sabe como é, sou um cara muito requisitado. Vai que uma noite dessas me sinto solitário, com frio, e encontro alguém para me aquecer! – provoco-a, me arrependendo assim que sinto a pele em meu pescoço retorcida pelo beliscão – Ai, ai, ai!
—Faz isso e vai ver com quantos paus se constrói uma canoa!! – ameaça, soltando um gritinho quando a pego pela cintura, trazendo-a para junto de meu corpo.
—Mesmo que eu tentasse não conseguiria – confesso – Me prendeu doutora. Sou todo seu, corpo e alma! – declaro.
—Eu não mereço tanto! – sopra de maneira divertida e ambos rimos.
—Quando é que você vai? – pergunto, ela fazendo nova careta.
—Hoje ainda, se possível – diz.
—Não!! – choramingo, apertando-a mais forte – Amanhã pela manhã você vai. Hoje não – decreto, não a deixando contestar – Não Cait. Hoje você é minha. Afinal, não sei quando vamos nos ver de novo – dramatizo, uma sensação estranha me tomando de repente. Algo parecido com mau agouro que me causa arrepios.
—Exagerado! – brinca, me beijando novamente – Mas preciso sair bem cedo. Wells quer repassar todo procedimento com a equipe e preciso estar junto – avisa, envolvendo meu pescoço com os braços.
—Não conheço esse tal Wells, mas já não gosto dele – bronqueio, fazendo-a rir divertida -Ok. Vamos tentar comer alguma coisa porque não dá pra aturar o julgamento de barriga vazia – convido, liberando-a parcialmente – Aonde quer ir? – pergunto.
—Bem, eu pensei que poderíamos pedir algo e comermos aqui mesmo, lá em cima – sugere, brincando com a gola de minha camisa – Assim ganhamos tempo. O que acha? – pergunta, sedutora e sorrio.
—Acho que está mais do que certa – respondo, pegando meu celular, buscando o número do restaurante a duas quadras da boate, segurando sua mão, conduzindo-a em direção as escadas – Oi, boa tarde. Poderia entregar três refeições completas na Verdant? Já tenho cadastro sim. Este mesmo – confirmo as perguntas do atendente enquanto subimos lentamente – O de sempre – digo quando pergunta sobre o cardápio, informando a forma de pagamento antes de finalizar o pedido – Prontinho. Vou enviar mensagem ao Harper avisando que pedi almoço e que deve deixar fora do escritório – aviso, digitando e enviando quando chegamos ao topo.
—Uhum – Cait anui, mais vermelha que um pimentão e rio com vontade.
—Adoro te ver assim, corada e sem graça – admito, prensando-a contra a porta tão logo entramos – Fica ainda mais linda – elogio, tomando sua boca em um beijo selvagem.
—Já... notei – ofega quando interrompo o contato, ajudando-me desabotoar a camisa – Quanto tempo mesmo para entregarem? – pergunta, enroscando os dedos nos pêlos de meu peito, as unhas bem cuidadas deixando marcas vermelhas por onde passavam.
—Entre trinta e quarenta minutos, normalmente – respondo, a conduzindo ao sofá, despindo sua blusa com rapidez – Mas podem atrasar – acresço, mergulhando na junção entre seu pescoço e ombro, sugando a pele sensível ao mesmo tempo em que ergo a sai.
—Sim – sopra, erguendo a perna direita, livrando do sapato, repetindo o processo com o outro pé, as mãos indo passear por minhas costas, detendo-se no cós da jeans, me fazendo gemer ao enfiar uma mão por dentro da calça, instigando-me.
—Cait, você me deixa louco! – sussurro, erguendo e deitando-a no sofá, cobrindo-a com meu corpo.
Logo não há mais empecilhos entre nós. trocamos caricias e beijos cada vez mais intensos até que chego ao limite. Me inclino, alcançando o bolso traseiro de minha jeans, retirando a carteira e dela uma camisinha, me pondo de joelhos. Rasgo o lacre sem muito cuidado, colocando-a rapidamente. Em segundos estou sobre ela novamente, me posicionando entre suas pernas.
A penetro sem pressa, controlando-me a fim de estender nosso prazer. Quando estou completamente dentro dela, me aquietando um segundo antes de começar me mover cadenciadamente. Atingimos o ápice praticamente juntos, relaxando abraçados, a batida leve anunciando a chegada de nossa refeição.
Saio dela, retiro o preservativo, jogo-o no lixo antes de abrir a porta o suficiente apenas para pegar nossa comida, fechando-a.
Lavo as mãos indo sentar-me a seu lado. Comemos em silencio, permanecendo deitados, lado a lado após terminarmos, trocado caricias que me fazem ficar em chamas novamente (se bem que não havia “apagado” totalmente). Nos amamos mais uma vez, descendo ao bunker para que pudéssemos tomar uma ducha rápida antes de irmos ao tribunal.
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Felicity (14:25 p.m)
—Felicity? – o chamado seguido do toque em meu ombro me tira do transe e ergo o olhar, encontrando o azul límpido e ansioso a me observar. Ainda estava digerindo tudo que havia me dito – Está zangada comigo? – pergunta.
—Evidente que não. Por que estaria? – respondo, sustentando seu olhar.
—Não sei – diz, coçando a barba rala – Talvez por não ter contado toda verdade antes. Ou por me achar um irresponsável. Ou ainda por me considerar um maluco perigoso do qual deva manter distância – enumera e abro a boca, espantada ante tamanha insegurança.
Como era possível alguém ser tão incrivelmente lindo, mortal, fofo e inseguro sobre si ao mesmo tempo? Definitivamente esse homem merecia ser fonte de estudo dos cientistas da NASA!!
—E por que raios eu pensaria tudo isto a seu respeito Oliver? – devolvo, encarando-o – Em primeiro lugar, fez o que foi preciso para sobreviver e agradeço por isto, mesmo tendo significado ter trilhado um caminho escuro para tal – começo, erguendo o polegar – Segundo, me sinto orgulhosa por ter decidido confiar em mim para contar seus segredos, todos, espero – digo, erguendo mais um dedo, a careta que faz me deixando em alerta – Há mais coisa para saber? – inquiro, não o deixando responder – Espera.... Esqueça. Mesmo que haja não quero saber. Ao menos não hoje, agora. Informações demais para um só dia! – exclamo, sacudindo a cabeça a fim de reorganizar meus pensamentos – Como dizia, estou orgulhosa em ter me escolhido para contar seus segredos e principalmente por julgar que estou te ajudando a trilhar um novo caminho, mais...Iluminado, sem falsa modéstia! – admito, arrancando um meio sorriso fraco – Três – ergo outro dedo – Se não fugi de você quando me procurou com aquelas desculpas pra lá de ridículas, nem te esganei quando me tirou de meu precioso departamento de TI para ser sua secretária, por mais que a justificativa tenha sido válida, reconheço, por que o faria agora que estamos começando a nos entender? Ou algo perto disto – argumento, prosseguindo antes que perdesse a linha de raciocínio – Por último, mas não menos importante, não dá para dizer que é irresponsável por algo que sequer sabe se é verdade ou não. A tal Samantha pode ter mentido novamente para você, como suspeita ter feito oito anos atrás, quando aceitou a grana oferecida por sua mãe, que me surpreende a cada nova descoberta com a capacidade que tem de ser, desculpe a expressão, fria e calculista– confesso – Nisto de descobrir se a Samantha de fato não teve o bebê posso tentar te ajudar, se você quiser, é claro – condiciono, ajustando meus óculos ao rosto – Aprendi, a duras penas, muitos anos atrás, que ninguém é perfeito, Oliver. Mas todos podem corrigir seus erros se desejarem de verdade, como vem fazendo...Se bem que, na verdade, começou tentando corrigir os erros de seu pai por conta da lista que deixou para você e que tinha interpretado de maneira errônea, mais ou menos, e que acabou por levar a algo bem maior do que vingança pura e simples ...e vou me calar em três, dois, um — aviso, abaixando a cabeça levemente, respirando profundamente, voltando a encará-lo – Todos temos segredos. Há coisas sobre mim que ainda não te contei..., mas contarei. Em breve – prometo, fazendo-o arquear a sobrancelha daquele jeito que me encanta – Só me dá um tempo – peço, me sentando sobre o colchão e sim, estávamos em meu quarto, único local do apartamento aonde tinha plena certeza minha mão não invadiria por julgar que estaríamos praticando a fim de providenciar seu primeiro neto. Ou neta. Se ela ao menos suspeitasse que andei desconfiada disto, entraria em um surto tão grande que nem dezenas de Diazepam seriam capazes de acalmá-la – Quando pretende contar ao outros? Sobre ter estado em Starling antes de ser resgatado, quero dizer – específico.
—Em breve – responde, evasivo – E pretendo contar sobre minha suspeita de ser pai também – revela.
—Thomas vai surtar quando souber que a informação que recebeu naquela época estava correta – comento – E Thea mais ainda ao saber que foi você quem ... se livrou do tal traficante que fornecia drogas a ela – acresço, enrugando o cenho – Pensando bem, os dois irão surtar quando souberem que esteve os observando durante um tempo e nem sequer tentou entrar em contato, se bem que a tal Weller não iria permitir a você fazer isso, não é? – inquiro, ele confirmando com um aceno – É muito louco pensar que poderia ter voltado para casa bem antes do que voltou e ainda mais louco pensar que uma organização secreta do governo foi responsável por isto – comento, torcendo o nariz – E quando se fala em teoria da conspiração dizem que é coisa de maluco! – exclamo, provocando outro sorriso triste – Sabe, acho que seria ideal preparar Tommy e Thea para saberem disso tudo, especialmente a parte do, você sabe, traficante morto na festa de aniversário dele, a qual ela sequer deveria ter comparecido — divago, notando um sorriso estranho se formar em seu rosto – Por que está sorrindo desta maneira, posso saber? – pergunto, estreitando os olhos ao encará-lo.
—Durante o tempo em que estive em Starling, não fui apenas em minha casa– começa dizer, o riso aumentando – Na verdade, meu alvo, o provável comprador do vírus, era um dos sócios da QC, portanto, estive na empresa– revela, uma luzinha de alerta se acendendo dentro de mim – Mais precisamente na sala de meu pai– especifica e arregalo os olhos.
—N-na... sala de seu pai?? – inquiro, ele acenando que sim, sorrindo ainda mais – E quando exatamente foi isto? – quero saber, minha desconfiança se transformando em vergonha quando começa falar.
—Na noite em que uma funcionária da empresa, do setor de TI, fez plantão, presumo, já que estava na empresa após a mesma haver encerrado o expediente, no preciso momento em que a dita funcionária foi levar uma pasta a sala onde me encontrava, copiando os alguns arquivos do computador de meu pai – conta, meu queixo quase indo ao chão.
—Estava no escritório quando entrei para deixar o relatório sobre a mesa do senhor Queen, digo, Walter... ocupado pelo Walter? – me embanano toda, sentindo meu rosto pegar fogo na medida em que lembro meu pequeno monólogo àquela noite – Me diz, por favor, estava longe o suficiente para Não me escutar falando sozinha! – peço.
—Eu Não estava longe o suficiente para Não te escutar dizer que me achava bonito, que era uma pena eu estar, você, morto, o que claramente era bem pior para mim do que para você e que precisava aprender o que mesmo? – inquere, erguendo os braços a fim de se defender de meus tapas – Ah, lembrei! – exclama, segurando meus pulsos, me puxando de encontro a si, prendendo-me entre seus braços de forma que preciso erguer o rosto para ver o seu – Que precisava aprender a parar de falar sozinha, hábito que graças a Deus não perdeu porque admito que adoro ouvir seus monólogos, mesmo quando fala mal de mim! – diz, me olhando de uma forma tão intensa que mesmo antes de o beijo começar já estava sem ar.
Quando Oliver finalmente toma meus lábios, me sinto ser arrebatada para um mundo paralelo onde apenas nossos corpos existiam. Me perco nas sensações poderosas que seu toque me causa, suspirando ao escutá-lo gemer quando retribuo com igual intensidade a suas caricias.
Não saberia dizer de forma cheguei até minha cama. Quando me dou conta, já estava deitada tendo seu corpo seminu me cobrindo. Em segundos nossas roupas deixam de ser empecilho, espalhando-se pelo quarto como se tivessem vida própria. A urgência em nos perdermos um no outro é tão grande que por pouco esquecemos de tomar os devidos cuidados.
—Oliver... camisinha – balbucio em um momento de lucidez, gemendo e arqueando meu corpo de encontro ao seu ao sentir o membro rijo pressionar minha entrada.
De imediato ele se levanta, alcançando a calça ali perto, pegando a embalagem prateada em sua carteira, que larga de qualquer jeito, voltando rapidamente para junto de mim. O ajudo colocar o preservativo ao notar que a pressa estava fazendo com que se atrapalhasse, aproveitando para excitá-lo mais um pouco.
—Felicity.... anda logo ou vai do jeito que tiver, correto ou não! – rosna, apertando meus ombros e rio, satisfeita em saber que tinha sobre ele o mesmo efeito que tem sobre mim – Fe.Li.Ci.Ty! – recita, entre dentes, controlando-se a muito custo enquanto o torturo mais um pouco – Já chega! – exclama, tentando me prender, mas escapo, rindo, indo me recostar a cabeceira acolchoada de minha cama, mordendo o lábios provocativamente em um convite que aceita sem pestanejar.
Preciso fazer uso de todo auto controle para conter o grito de prazer quando me possui em uma estocada vigorosa, agarrando-me aos braços fortes que lhe serviam de apoio, evitando me esmagar contra a cabeceira macia. Enrosco as pernas em sua cintura, retendo-o um segundo, me acostumando a doce invasão, gemendo alto quando começa a mover-se, lentamente a princípio, aumentando força e velocidade guiado por nosso desejo.
Sinto meu corpo inteiro estremecer e ser lançado em um torpor que me deixa mole tão logo atinjo o clímax, Oliver alcançando seu ápice segundos depois. Nos aquietamos alguns minutos, recomeçando tudo de novo quando mexo meu quadril sob o seu, atingindo juntos o topo do prazer desta vez.
‘Casal, detesto interromper a conversa, mas aquele seu segurança bonitão e sua irmã estão aqui, esperando para irem ao tribunal’ – mamãe avisa e suspiro, fazendo uma careta de desagrado quando Oliver me deixa – 'Felicity, Oliver, ouviram o que eu disse?’ – minha mãe insiste, batendo mais forte na porta.
—Já estamos indo mãe – minto, rindo da expressão que ele faz.
‘Certo’ – mamãe diz, afastando-se ruidosamente (ou talvez não!).
—Melhor nos arrumarmos antes que Thea resolva invadir seu quarto – Oliver aconselha, estendendo-me a mão – Tomamos banho juntos ou separados? – pergunta, me olhando com admiração.
—Juntos – escolho, puxando-o em direção ao banheiro.
—Banho Smoak. Apenas banho – ele murmura, a voz rouca o denunciando.
—Não disse que seria algo mais, disse Queen? – rebato, rindo sapeca e rola os olhos.
Bom, não foi apenas banho afinal. Mas fomos rápidos o suficiente para evitar meu quarto ser invadido. Só tivemos de aturar os resmungos e reclamações de Thea por todo o caminho por causa do atraso já que Cait e Thomas também não atendiam ao telefone e estavam tão atrasados quanto nós.
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Tribunal de Starling (16:41 p.m)
Narrador
—Todos de pé para a entrada do excelentíssimo senhor juiz Douglas Ferbenth – o meirinho anuncia, fazendo Oliver e os demais trocarem um olhar confuso.
—O juiz anterior passou mal e precisou ser substituído – a advogada de Moira Queen explica, sorridente.
—Por que ela está tão animada? – Thea questiona, nenhum deles podendo lhe dar a resposta posto que o meirinho intervém pedindo silencio.
—Senhores e senhoras do júri, chegaram a um veredito? – o juiz pergunta, olhando-os um a um.
—Sim meritíssimo – o primeiro jurado diz, entregando ao oficial um papel dobrado, este o entregando ao juiz, que lê em silencio, dobrando-o e devolvendo ao oficial, que por sua vez o devolve ao homem de pé dentro do local designado ao júri.
—A ré ponha-se pé para escutar a leitura de sua sentença – ordena o juiz, Moira e advogada obedecendo.
—Sua mãe está tão tranquila e serena. Nem parece que o destino dela está escrito naquele pedacinho de papel – Felicity cochicha.
—Tranquila e serena demais – Oliver devolve, travando os maxilares, olhando da mesa onde os promotores, incluindo Laurel, estavam, para Donner, que sentava-se logo atrás desta acompanhado por um segurança e uma enfermeira, e de volta para sua mãe, seus instintos gritando que algo estava errado.
—Pode lê a sentença – o juiz libera, fazendo todos os olhares se voltarem ao homem alto e magro.
—Da acusação de complô para destruição dos Glades, nós, membros do júri consideramos a ré culpada – declara, Thea tapando a boca com a mão, Oliver e Tommy levando suas mãos aos ombros da garota – Da acusação de cumplice de assassinato de todas as vítimas do evento no referido bairro, o júri considera a ré... – o homem faz uma pausa dramática, dirigindo um olhar estranho em direção a Moira que não passa despercebido pelo arqueiro – Inocente! – fala finalmente, causando surpresa a todos os presentes, um enorme burburinho no recinto, obrigando o juiz intervir.
—Silencio no tribunal! – ordena, batendo seu martelo sobre a base redonda – SILENCIO! — ordena novamente, o tom alto e imperativo fazendo todos calarem-se – Moira Queen, por ter-se aliado a pessoas de caráter duvidoso e participado, mesmo que forçosamente, do complô para destruir um bairro inteiro de nossa cidade, a condeno a prestar serviços comunitários durante o período de um ano e meio, de segunda a sexta, na referida localidade – sentencia, batendo o martelo – Terá a chance de se redimir perante as pessoas que mais prejudicou senhora Queen. Aproveite-a – aconselha – Que se lavrem os autos do processo. A promotoria tem direito recorrer da decisão deste tribunal em prazo válido e hábil, perante apresentação de argumento justo – determina, não dando tempo Laurel se pronunciar – Está sessão está encerrada – decreta, batendo o martelo uma última vez, levantando-se, fazendo com que todos fizessem o mesmo, saindo apressadamente.
—Está livre Moira. Sabia que venceríamos! – comemora a advogada, tocando o ombro da matriarca dos Queen, que sorri discretamente.
—Obrigada por não desistir nem me deixar fazê-lo – agradece a loira, apertando a mão da outra antes de voltar para os filhos, que permaneciam estáticos ao lado de Thomas, Cailtin, Felicity e Diggle – Não mereço um abraço? – pede, abrindo os braços, Thea sendo a primeira a sair do transe, indo abraçá-la enquanto Oliver permanece estático – Oliver?? – chama, estendendo-lhe a mão, ele aceitando, relutante – Prometo que tudo será diferente de agora em diante – diz, olhando-os – Sem mais mentiras entre nós – afirma, apertando a mão do arqueiro.
—Assim espero mãe – Oliver murmura, encarando-a sério – Assim espero – repete, voltando-se para John e os demais tão logo o guarda se aproxima para acompanhar Moira e sua advogada sala aonde assinaria a papelada, a loira fazendo questão que Thea a acompanhasse – Algo errado – murmura, olhando em volta, recebendo os olhares desconfiados de Laurel e Donner.
—O que acha que aconteceu ao outro juiz? – Thomas inquere.
—Não sei. Mas vamos descobrir – Oliver avisa, seguindo a retirada dos membros da promotoria com o olhar – Mais uma coisa: o primeiro jurado – diz, voltando sua atenção a Dig – Quero que o investigue.
—Também percebeu o olhar estranho que dirigiu a sua mãe? – Felicity o surpreende ao perguntar – Acha que foi comprado? Ameaçado? – questiona.
—É o que descobriremos – responde ele, sinalizando em direção a porta – O fato é que este julgamento teve reviravoltas e incidentes demais para ser uma mera coincidência e quero saber porque – diz, guindo o grupo para fora da sala, nenhum deles percebendo estarem sendo observados por uma figura misteriosa em um recanto escondido, um brilho ameaçador fulgurando em seus olhos.
—Precisa se retirar – o guarda avisa, a figura lhe dando as costas, sumindo rapidamente por detrás de uma porta.
"....We don't talk anymore;
Like we used to do...
What was of it fo?
Oh, we don't talk anymore;
Like we used to do..."
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