Survivors!!
5 Segredos! part I
Notas iniciais
“Eu procuro um amor que ainda não encontrei;
Diferente de todos que amei;
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver;
E as feridas dessa vida eu quero esquecer;
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema;
Numa esquina ou numa mesa de bar..”
Segredos
Barão Vermelho
Escritório da Verdant (manhã de terça 07:00 a.m)
Narrador
Tommy vira-se no sofá apoiando o rosto sobre a mão aberta, fazendo uma careta, a dor em suas costas lembrando o desconforto do mesmo, suspirando ao mesmo tempo em que abre os olhos lentamente, piscando algumas vezes, uma ruga formando-se em sua testa.
—Bom dia Tommy Merlyn!! –um coro de vozes femininas o saúda, as garotas sentadas sobre almofadas tendo as cabeças apoiadas nas mãos que por sua vez apoiam-se nos joelhos das mesmas.
—Mas o que...?!?! – assusta-se, sentando rápido, olhando ao redor, localizando-se –Não é o apartamento de Felicity, logo…O que estão fazendo aqui? –questiona, olhando o relógio em seu pulso – E a essa hora!?- resmunga, voltando a deitar-se, pondo uma almofada sobre a cabeça.
A última coisa que lembrava era de ter voltado a cave junto com Diggle e Oliver após tê-los ajudado a capturar o Conde e vários de seus homens (Oliver hesitara em pedir sua ajuda, mas John o convencera de que precisavam de reforço se pretendiam realmente tirar o sujeito e sua droga das ruas!), subindo direto para a Verdant (os três) assim que trocaram de roupa.
Para felicidade dos dois, a boate estava indo de vento em popa mesmo depois de toda a confusão envolvendo a garota que morrera depois de sair do lugar.
—Antes de qualquer coisa.... —Thea diz, ficando de joelhos, puxando o coberto sobre o corpo do irmão – Assim está melhor – afirma, sentando-se novamente – Só descobri que sou sua irmã a pouco tempo e ainda estou me acostumando com a ideia de não poder transar com você! – justifica, fazendo-o abri a boca, espantado — Tá pensando que é fácil meu filho? Que é só apertar um botão e mudar o status de gostosão para irmão e pronto!? Sem falar que tenho que preservar a sanidade de minhas duas amigas aqui! – acrescenta.
—Essa conversa vai fazer sentindo em algum momento? – Tommy pergunta.
—Por que ainda está dormindo nesse lugar Thomas? – é Caitlin quem questiona _É desconfortável, não tem onde tomar um banho, nem o que comer..
—Me lavo na pia do banheiro, posso comer ai em frente e não é tão ruim depois que se acostuma! – rebate, lhes dando as costas – Agora, poderiam ir embora e me deixar dormir em paz?
—Não Tommy, não vamos! – Thea decreta, arrancando a almofada de sua cabeça, batendo-o com a mesma – Você... Precisa... De... Um... Lugar... Pra morar! – diz a garota, pontuando cada palavra com uma almofadada.
—Estou vendo isso Thea! – mente – Agora para de me bater, droga! —reclama, protegendo a cabeça com os braços.
—Mentira! – Felicity acusa- Só procurou uma única vez que eu vi. Depois, nunca mais – afirma.
—Está me vigiando Smoak?? – questiona, sentando-se, tomando a almofada das mãos da irmã.
—Não, mas sei que não procurou apartamento coisa nenhuma – reitera a loira – Quando não dorme aqui, nesse cubículo mal refrigerado, dorme em seu carro. Está querendo sensibilizar alguém por acaso Merlyn?- interroga, cruzando os braços.
—Seu pai, por exemplo! –Thea completa, imitando a garota – Ou Dinah Laurel Lance, quem sabe – diz, fazendo uma careta.
—Não quero sensibilizar ninguém! —bufa, passando a mão pelo cabelo desarrumado.
—É penitência então??-Caitlin indaga, mas antes que ele responda, pede- Daria pra você vestir pelo menos uma calça?
—Não daria não! – diz, recostando-se no sofá – Foram vocês que invadiram meu espaço e não o contrário- teima um brilho provocativo nos olhos – E por que tá incomodada? Fazem o quê, duas semanas, que me viu nu?
—WHAT?? – Thea olha a garota a seu lado.
– Vamos voltar ao que nos trouxe aqui em primeiro lugar. Depois resolvemos essa questão das roupas – sugere a médica erguendo uma sobrancelha, um riso no canto da boca.
—Certo. Foco – Felicity diz – Não quer sensibilizar ninguém; não está, com certeza, pagando nenhuma penitência; apesar de pouco, seu salário já dá para pagar, suponho, um aluguel barato – enumera a loira, contando nos dedos – Só vejo um motivo para sua atitude: orgulho! — frisa, as outras duas concordando.
Tommy fecha os olhos, deitando a cabeça no encosto, suspirando resignado.
— Eu joguei pedra na cruz! – resmunga – Foi isso. Joguei pedra na cruz e acertei a testa de Jesus! – dramatiza, erguendo a cabeça a fim de encara-las --Fui ver um, aqui perto, pessoalmente, que não deu em nada — começa, movendo o pescoço de um lado para outro – Liguei para outros tantos, no meu horário de almoço, enxerida – provoca Felicity – Mas descobri que, nos lugares que posso pagar não tem nada vago, e em outros, que precisaria vender um rim pra pagar, na minha atual condição, não sou bem vindo graças tanto ao capitão Lance quanto meu pai. Um fez todo mundo acreditar que sou traficante e o outro que tomaria como ofensa pessoal me receber. Satisfeitas?
—Por que não nos contou? –Thea reclama – Se não queria falar pra Felicity, ou para Ollie, por que não Me contou? –protesta, não dando tempo para que responda-- Felicity está certa. Está sendo orgulhoso Tommy. Posso até entender que não queira morar comigo e Ollie no flat dele,por exemplo, mas daí a não ter a humildade de pedir ajudar já é demais!
—Se quer saber, pensei em pedir sim – assume – Mas foram tantas coisas acontecendo que acabei deixando pra lá, e sabe que não estou mentindo! — aponta a loira.
—Pode dormir em nosso apartamento – Cait sugere, fazendo os três olharem para ela como se tivesse duas cabeças – Estou trabalhando no hospital, você na QC; passamos o dia fora e só voltamos para casa à noite. Já Thomas trabalha a noite e descansa parte do dia – argumenta-- E nos finais de semana podemos pensar em algo lembrando que duas vezes por mês darei plantão ou no sábado ou no domingo – racionaliza.
—Pode funcionar –concorda Felicity – Pelo menos até conseguir algum lugar, inclusive, se não me engano, deve vagar um apartamento em nosso prédio. Só preciso ter certeza e saber quando.
—Fechou então! -Thea comemora, tocando as mãos das outras duas no ar -Vamos ao segundo ponto...
—Vamos nada! Quem disse que concordei com essa história de morar com vocês??- questiona o rapaz.
—Vê alguma alternativa melhor no momento? – Thea pergunta, vendo-o franzir o cenho, a mão no queixo, pensativo – Porque não tem Tommy. Aceite e pronto – decreta a Queen caçula – Agora o segundo ponto, que leva automaticamente ao terceiro: bebida e vadias!
—Oi?? – indaga Thomas, encarando-a.
—Acho que já deve ter percebido que jogar-se nas duas coisas não vai te fazer esquecer seus problemas nem a idiota da Lance, não é mesmo? -- interroga a garota, continuando diante do silêncio dele – Encher a cara todos os dias e mergulhar nos decotes, para não usar um nome mais baixo, e foder com qualquer uma que se oferece pra você não irá fazer te esquecer o que sente pela Laurel tampouco resolver as coisas com o traste do seu pai!
—Primeiro, não encho a cara todos os dias. Não mais. -garante o jovem – No que diz respeito a Laurel, posso não tê-la esquecido de vez mas também não sinto o que sentia a um mês atrás – exemplifica – Quanto a meu pai, pretendo procura-lo de novo ainda hoje, visto que chegou da bendita viagem...
—Por mim podia ter ficado onde estava. Não fez a menor falta! – bufa a garota – Desculpe mas não consigo me sentir feliz com a volta do homem que foi capaz de trair seu melhor amigo e que, mesmo depois do que fez por ele, ser capaz de tratar o próprio filho da forma que tem tratado você! – desabafa – E não estou me referindo apenas a questão financeira.
—Não precisa pedir desculpa. Entendo seu ponto de vista- assegura – Muito embora…-- cala-se, balançando a cabeça negativamente -- Deixa pra lá – diz – O que era a outra coisa mesmo? -- questiona – Ahh, lembrei! Se aceito ou não as fodas que me são oferecidas é problema meu! – exclama, olhando diretamente para Caitlin – E espero que tenha esclarecido essa maluquice de gravidez com ela! – diz, apontando o dedo para a médica, que ergue o queixo desafiadoramente.
—Esclareceu sim – afirma Thea, suspirando – Pena não ser verdade! Cheguei a comemorar sabia?! – revela, fazendo-o encara-la surpreso – Quem sabe você não se aquietava de vez! É disso que precisa Tommy.
—De um filho? Tem certeza disso? – ironiza.
—Não estupido – retruca, dando-lhe um tapa na testa – Se apaixonar de novo. De preferência por alguém que te corresponda por inteiro..
—Não é o que procuro no momento – afirma, interrompendo-a.
—Prefere trepar cada dia com uma piranha diferente a ter alguém? – pergunta, não dando chance a ele de responder – Não acredito. O Tommy pré- Laurel até podia ser. Mas se tem uma coisa que a paixão por ela trouxe de bom pra você foi amadurecimento – elogia, fazendo-o erguer uma sobrancelha – Não negue Tommy. Pode até estar passando por uma recaída de sua fase galinha, mas está claro, para qualquer um, que isto não te satisfaz mais.
—Está enganada irmãzinha – garante, espreguiçando-se – Acho que essa coisa de monogamia não combina comigo! -ironiza – Já tentei e não deu certo.
—Deu sim. Sabe que deu. Pelo menos até ...- ele a interrompe.
—Olha só, já aceitei morar, ou dormir, com Felicity e Cait...
—Como é??? – escutam a voz de Oliver, que entra naquele exato momento, olhando os presentes, as sobrancelhas erguidas.
—Pois é Oliver, Felicity e Cait se ofereceram para me consolar por tudo que tenho passado. Como não consegui escolher entre uma e outra, combinamos que vou passar a dormir, cada dia com uma, até decidirmos -provoca-o, sorrindo ao ver o rosto do loiro contorcer-se na tentativa de esconder a raiva.
—Ollie, que bom que apareceu! – Thea comemora, levantando-se, ignorando o clima que Tommy criara bem como os tapas que Felicity e Cait davam no irmão – Já estava indo, digo, estávamos indo procurar por você. Precisamos ter uma conversa muito séria -anuncia a garota, chamando sua atenção.
—Sobre??—questiona.
—Tudo. -informa – Absolutamente tudo -reforça.
—Então não foi privilegio meu receber tão lindas visitas logo cedo? – ironiza, os braços erguidos a fim de defender-se das garotas – Estou desapontado!
—O que está acontecendo aqui? – questiona o loiro, voltando a olha-los um a um.
—Só uma pequena reunião para ajustarmos as coisas – Thea minimiza, sorridente.
—Se me dão licença, vou me retirar para que fiquem mais a vontade – Tommy anuncia, tentando levantar-se, sendo impedido por Felicity e Cait- O que?? Já terminamos aqui!.
—Com você sim- Felicity declara, voltando-se para Thea – Com os dois....
—Ollie, você e Tommy precisam fazer as pazes. Não posso viver com meus dois irmãos, nossa isso ainda soa estranho- emenda, balançando a cabeça- Enfim, amo vocês dois igualmente e não quero ter que me dividir. Além do mais, ficar brigados por causa da Laurel não está certo.
—Não estávamos brigados por causa de Laurel -Oliver começa – Só por causa dela -corrige-se ao ver Tommy ensaiar um protesto – Havia outras razões, que não vem ao caso agora, visto que estamos nos entendendo, correto Tommy?
—Se está dizendo – diz, tentando levantar-se mais uma vez – Será que posso ir ao banheiro? – questiona – Obrigado – agradece quando o liberam, levantando-se, vestindo a calça antes de sair.
—Por que ele ainda estava dormindo aqui e que história é essa de dormir com você Felicity? -Oliver pergunta, encarando-a.
—Dormir no meu apartamento, não comigo – corrige-o- Embora não fosse de sua conta – emenda – De qualquer forma, ele não conseguiu um lugar pra ficar, e por ser tão teimoso quanto você não pediu nem a sua nem a nossa ajuda, mas já resolvemos isso.
—Chama levar Tommy pra dormir com você.. em seu apartamento -corrige-se rápido – De solução??
—Chamo. E será temporário. E também não é da sua conta – responde ríspida – Se me dão licença, tenho que ir trabalhar .Já perdi muito tempo aqui. Pode resolver o resto com seu irmão Thea- diz a loira, saindo pisando firme.
—Espera Licy, também tenho que ir trabalhar – Cait pede, levantando-se, pegando sua bolsa, indo para junto da prima.
—Avisa ao Tommy que ele pode começar a dormir lá em casa a partir ..De amanhã – Felicity anuncia.
—Ok. Aviso – Thea concorda, acenando, voltando-se para Oliver – Agora nós!
—O que você quer Speedy?? — pergunta, sentando na ponta da mesa, cruzando os braços a frente do peito.
—Para começar, confirmar se está mesmo se entendendo com o Tommy – diz, vendo-o confirma com um meneio de cabeça – Ótimo, porque o querido Malcom voltou e pelo que pude sondar em casa quando fui pegar algumas coisas, ele e nossa mãe ou estão tendo um caso, como já disse um zilhão de vezes e ninguém me deu crédito – bufa, erguendo a mão, calando o protesto do irmão – Ou tem algum segredo pra lá de cabeludo. Mal chegou e já estava em casa discutindo com ela...
—Meu pai foi a mansão falar com sua mãe? – Tommy a interrompe, entrando no escritório – Quando??
—Ontem mesmo – informa – Acredito que tenha ido direto do aeroporto para lá – completa – Estavam discutindo. Quando perceberam minha presença, disfarçaram mas deu pra notar o clima pesado- garante – Enfim, fico feliz de saber que vocês estão de fato se entendendo. Sei que não será a mesma coisa. Nunca mais. Entre nenhum de nós – suspira, olhando-os triste – Portanto, só nos resta aprender a viver com essa nova realidade! – conclui, torcendo o nariz – Vou sentir falta! -admite – De algumas coisas pelo menos- prossegue – O clima leve entre nós é uma delas! – relembra – Até recuperarmos, ao menos uma pequena parte que seja, do que fomos vai demorar! – lamenta, deixando escapar um novo suspiro.
—Quem é você e o que fez com nossa irmã? – Oliver questiona, um meio sorriso no rosto.
—Ia perguntar a mesma coisa! – Tommy assente – Em que momento foi abduzida e fizeram lavagem cerebral em você Thea? – provoca.
—No momento em que aquele juiz resolveu me fazer de exemplo e fui obrigada a trabalhar com Laurel, um outro ponto, devo admitir, a favor dela, e tive meu ultra choque de realidade—confessa, sorrindo discretamente – Admito que se não fosse o fato de ela ter provocado todo o mal-estar entre vocês ia gostar de tê-la como cunhada. Mas depois de tudo...—para, encarando seus irmãos – O que importa é que estão superando! -- exclama, abraçando-os – Fico tão feliz!!
Os três permanecem em silêncio por um tempo, abraçados, ela sendo a primeira a quebra-lo.
—Pronto, já deu! Momento doçura passou -anuncia, empurrando os dois – Meu segundo assunto com você Ollie, diz respeito a QC. Mamãe quer que você assuma a presidência, está sabendo?
—Ela me disse algo a respeito – suspira – Pedi um tempo. Não me sinto preparado para isto especialmente com Walter desaparecido- diz, perdendo-se no nada por um segundo – Vou falar com ela mais tarde – informa – Mais algum ponto? -indaga.
—Só uma coisa: está feliz? – surpreende-o.
—Honestamente? – questiona o loiro, vendo-a acenar afirmativamente, respirando fundo antes de responder – Não sei. Me pergunta isso dentro de uns seis meses e talvez consiga te responder – confessa – Por hora, estou bem. É o máximo que posso te dizer Speedy- completa, beijando o topo da cabeça dela.
—Acho que serve para todos nós – Tommy pondera – Diante de tantas mudanças e...coisas não ditas – diz, cauteloso – Bem já é Bom demais!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Dezessete dias depois
Tommy
Depois da “reunião” propiciada pelas garotas, as coisas acabaram ficando, de fato, mais leves. Não que tenham voltado a ser como antes. Isso não aconteceria jamais! Mas pelo menos estavam mais alegres e fluindo muito bem.
Entre mim e Oliver, os momentos de tensão estavam cada vez mais limitados as atividades do Capuz, sendo as investigações acerca do tal Empreendimento a fonte principal, tanto para mim quanto para ele, visto que parecia cada vez mais evidente que meu pai e a mãe dele estavam, de fato, envolvidos.
Isto não estava sendo nada fácil. Ambos não queríamos admitir o envolvimento dos dois em algo que parecia mais e mais ameaçador para a cidade, cabendo a Felicity e Diggle bancarem os “advogados do diabo” e serem nossas consciências.
A descoberta de uma caderneta contendo a mesma lista que Robert Queen deixara com Oliver (ele havia, finalmente me mostrado o tal objeto do qual tanto falavam, me explicando o que o pai pedira antes de morrer) que fora descoberto pelo padrasto dele dias antes de sumir fora a gota d’água que faltava para causar uma grande tensão entre todos nós.
John queria que Oliver confrontasse Moira sobre a mesma, irritando-o, ao passo que tanto Felicity quanto Thea (fora da cave) me pressionavam para verificar a veracidade da tal namorada secreta de meu pai julgando ser, na verdade, Moira (o fato de ela ter viajado quase na mesma época que ele, voltando um dia antes, não tinha ajudado em nada!), me irritando.
No lado pessoal, por assim dizer, as coisas andavam tranquilas. Pra mim pelo menos. A cada dia me incomodava menos ver Oliver e Laurel juntos. Não que estivesse apaixonado ou mesmo interessado em alguém. Não estava. Muito embora adorasse fazer Oliver acreditar que estava a fim de ficar com Felicity.
Na verdade tomava meio que como uma vingança pessoal e egoísta irrita-lo já que estava ficando evidente que não era indiferente a loirinha atrevida! Aliás, era muito difícil ficar indiferente a ela visto que sua inteligência e beleza chamavam atenção. Além do bom humor contagiante.
Felicity é especial. Ela traz luz por onde passa. Admiro e respeito Oliver por tentar não se envolver com ela, protegendo-a da escuridão que o envolvia em certos momentos fazendo-o afastar-se de todos.
Mas era evidente que ambos estavam apenas adiando o inevitável.
Mesmo aceitando e até retribuindo meu flerte, Felicity deixava transparecer o quanto Ollie estava tornando-se importante para ela. Na boa, não sei se conseguiria me alegrar em ver a pessoa que amo feliz (ao menos era o que aparentava) ao lado de outra que não eu. Era uma atitude bonita, digna...E estupida também!
Mas depois de levar algumas porradas decidi seguir o conselho de Dig e deixar que os dois se resolvessem. Afinal, cabia a eles mesmo decidirem se iriam ficar naquele joguinho de gata e rato pro resto da vida. Eu, de minha parte, me limitaria a ajuda-la (mesmo não tendo pedido nem gostando da forma como fazia) a provoca-lo sempre que possível. Estar “morando” com ela ajudava bastante.
Aliás, o arranjo proposto pela maluca da prima dela estava funcionando bem, para nossa surpresa.
Mal tínhamos nos cruzados nos últimos dias. Quando eu estava lá elas estavam fora; Quando eu estava fora, elas estavam lá. Felicity havia definido uma forma de comunicação para evitar qualquer mal-estar (além de me proibir terminantemente de levar qualquer mulher: “ Se quer continuar se pegando com as piranhas, que seja na boate!", Cait bravejara quando, de brincadeira, disse que seria engraçado três garotas se cruzando pela manhã!) utilizando tanto bilhetes, que deixávamos pregados na geladeira, quanto msns no celular.
Estava funcionando bem. Até hoje.
Duas noites atrás, em uma incursão da qual participei com Oliver e Dig (não participava de todas), acabei tomando um banho gelado quando fui arremessado por uma explosão (o que admito ter doido pra cacete!) dentro de uma espécie de silo cheio de água.
A combinação do frio da madrugada mais o tempo que passei com roupas molhadas acabaram me presenteando com um resfriado que hoje me derrubou de vez.
Até tinha ido para a Verdant, mas as dores de cabeça, pelo corpo e a febre me fizeram desistir e voltar para a cama onde estou agora, encolhido, sem coragem até para tirar a roupa com a qual tinha saído para a boate.
—Thomas?? – escuto uma voz distante me chamar e abro os olhos, encontrando os de Cait, inclinada sobre meu corpo me observando, preocupada – O que houve? Está se sentindo mal? – pergunta, pondo a mão em minha testa – Está com febre – diz, afastando-se para logo voltar com uma maleta que coloca a seu lado sobre o colchão, sentando-se, abrindo-a e retirando um termômetro – Deite-se estendido para que possa abrir sua camisa-- ordena e obedeço parcialmente visto que não conseguia esticar o corpo sem sentir doer cada musculo.
Faço uma careta, gemendo baixo enquanto ela abre minha camisa rapidamente, soltando uma expressão de espanto ao ver os hematomas causados pela explosão.
—Estava bem pior ontem – digo, fazendo outra careta quando sinto-a apertar as laterais de meu corpo, incomodado principalmente pela frieza em suas mãos – Suas mãos estão geladas! – reclamo, tentando afasta-las.
—Você que esta ardendo de febre – rebate, colocando o termômetro sob meu braço – Não se mexa -ordena, voltando a me apalpar.
— Quero ver fazer isso quando não estiver doente!- desafio, fazendo-a rir de leve, tremendo ao sentir uma lufada de vento tocar minha pele – Olha, ela sabe sorrir -provoco-a, levando uma mão a minha têmpora ao sentir uma fisgada forte.
— Quem sabe não faço.. Se pedir com jeitinho! – exclama e é minha vez de rir – Vem, levanta, precisa tomar um banho para ajudar a baixar essa temperatura – diz, após retirar o termômetro, apoiando meu braço sobre seus ombros – Vê se me ajuda porque senão caímos os dois -pede.
Com dificuldade, caminho amparado por ela, até o banheiro, me deixando ser despido e banhado, não reclamando de nada, nem mesmo da temperatura da água, ora fria ora quente, me concentrando em permanecer firme e não cair sobre ela ou no chão.
—Deite-se e fique quieto. Já volto – anuncia, saindo do quarto.
Deixo meu corpo cair sobre o colchão novamente, fechando os olhos e só não mergulho em um sono profundo porque Cait retorna, fazendo-me sentar a fim de tomar a medicação que trouxera, deitando-me quando termino.
—Fique comigo Cait – peço, segurando sua mão quando voltava-se para sair.
Sem dizer uma palavra, ela retira os sapatos, sentando-se a meu lado, apoiando o corpo na cabeceira.
Envolvo sua cintura com os braços, ponho a cabeça em seu colo, me aconchegando a seu corpo quente.
—Obrigado – é a última coisa que digo antes de adormecer.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Oliver
Do alto do telhado do velho armazém observo a janela do terceiro andar do prédio a frente, um misto de ansiedade, angustia e dor oprimindo meu peito.
Depois de finalmente ceder aos apelos de John e confrontar minha mãe sobre a segunda caderneta, decidi segui-la visto que, para minha decepção, mentira para mim.
Aproveitando que Tommy adoecera , como estava sendo uma noite relativamente calma, pedi para Felicity e John ajudarem Thea na Verdant por algumas horas enquanto acompanhava Laurel a um suposto compromisso.
A verdade é que não queria admitir que ele estava certo em suspeitar do envolvimento de minha mãe. E a prova disto estava a poucos metros a minha frente.
A tinha seguido quase a noite inteira e agora estava pestes a descobri o que a dama da sociedade, a respeitada Moira Queen, estava fazendo em um prédio abandonado, altas horas da noite, em pleno Glades, sozinha. Ou melhor, quase.
Minutos após sua chegada, o carro do pai de Tommy também chegara..”. . ele e nossa mãe estão tendo um caso...ou tem um segredo cabeludo!” , a voz de Thea ecoa dentro de minha cabeça enquanto aciono o dispositivo na flecha cravada junto a janela, me permitindo ouvir a conversa entre os dois ao mesmo tempo em que os observo com o binoculo.
“Não acho que seja o momento certo Malcom! Você acabou de sofre um atentado. E tem esse justiceiro..”
“Ao contrário, o momento é mais do que propicio! Parar agora seria um sinal de fraqueza junto a nossos aliados e só levantaria dúvidas sobre minha capacidade de levar nosso plano até o fim”
“Seus planos! ... Não gosto do que pretende fazer. Já disse isso. Robert também não gostava...”
“É tarde para quere sair Moira. Está tão envolvida quanto eu! .. E não me venha com arrependimentos fingidos! “
“ Não se trata...”
“ Não quero e não vou esperar mais! Vamos agir! Na próxima semana, todo o Glades será varrido do mapa de Starling City!”...
Continua
"... Procuro um amor que seja bom pra mim;
Vou procurar, eu vou até o fim;
E eu vou trata-la bem pra que ela não tenha medo;
Quando começar a conhecer os meus segredos..."
Fale com o autor