Survivors!!
22 Kids that nobody wants (part. 1)
Notas iniciais
“...You ask about my conscience;
And I offer you my soul;
You ask if I’ll grow to be a wise man;
Well I ask if I’ll grow old;
You ask me if I known love;
And what it’s like to sing songs in the rain;
Well, I’ve seen love come;
And I’ve seen it shot down;
I’ve seen it die in vain... ”
Blaze Of Glory
Jon Bon Jovi
Bunker (sexta, 1/9 — 10:17 a.m)
Tommy
Fecho os olhos, apertando minha ponte nasal com força, puxando ar e soltando-o lentamente buscando controlar a irritação crescente que me acometia.
Acordei uns quarenta minutos atrás, sem entender aonde estava, qual dia era, se era noite ou não. Sentei-me e logo um par de mãos delicadas seguidos da voz doce que amo me reteve, evitando cair, recomendando calma, dizendo estar em segurança. Sorri, puxando-a, de surpresa, para um beijo saudoso. Ver Caitlin a meu lado fora a melhor coisa desse meu despertar turbulento...porque bastou Oliver querer saber o que acontecera para a aporrinhação começar!!
—Crianças!?! Sério Tommy?!? Foi capturado por crianças inocentes? — Sara pergunta em tom de zombaria, rindo alto.
—Adolescentes, em sua maioria — a corrijo, fazendo careta ao sentir o ardor em meu flanco direito quando Cait passa o chumaço de algodão embebido em algum tipo de medicação ou cicatrizante, não sei — Havia menores também, mas em sua maioria eram adolescentes ou pré adolescentes e não têm nada de inocentes! — friso, olhando-a feio — O líder deles se autodenomina Draco e asseguro que nem mesmo você gostaria de encontrá-lo em alguma viela ou beco escuro da cidade, por mais treinada que seja — acresço, dirigindo meu olhar a Ollie, ele enrugando o cenho em uma expressão séria.
—Draco?? Não é uma das denominações de dragão? — Dig meio que afirma, meio que pergunta, olhando para Ollie, que se limita acenar afirmativamente.
—E você está nos alertando sobre esses moleques por estar bravo de eles terem roubado suas flechas e quebrado seu arco? — pergunta, fazendo aspas no ar — Espera, eles não fizeram isso. Você que fez quando entrou naquele lugar, sozinho e sem prestar atenção aonde pisava!! — relembra e a fuzilo com o olhar, sentindo-me mais e mais irritado com ela.
—Escuta aqui Sara, eu sei que parece um tipo de delírio qualquer, mas sei bem o que vi e ouvi mesmo estando um pouco zonzo quando acordei — reafirmo — E se não me dá crédito, pense apenas por um segundo: se esses moleques, como chamou, são tão inofensivos assim, como é que dois sujeitos com o dobro da força e do tamanho deles não deram conta de pegá-los depois de os terem supostamente roubado? — questiono, ela abrindo a boca para responder porém Oliver é mais rápido.
—Reconheceria os tais sujeitos se os visse novamente? — pergunta, me encarando, Felicity a seu lado, tablet em mãos.
—Sim — confirmo, vestindo a camisa que Cait me entregava, a loira vindo postar-se a meu lado, exibindo a tela do objeto.
—Enquanto falava, entrei no departamento de trânsito e busquei as imagens das câmeras de monitoramento na madrugada da quarta, Encontrei o momento em que cruzou com as crianças e os tais sujeitos. Depois busquei por movimentação atípica nos arredores antes e depois do horários em que os viu — diz, abrindo o aplicativo — Não estão lá essas coisas, mas deve servir — avisa, me entregando o aparelho.
Olho as imagens atentamente, tentando reconhecer os sujeitos.
—É sério que estão Realmente cogitando hipótese um bando de crianças selvagens vivendo nos subsolos da cidade??? — Sara pergunta e rolo os olhos.
—Não falei que eram selvagens — rosno sem desviar atenção da tela, Cait sentando-se a meu lado.
—Desculpa discordar Thomas, mas neste ponto concordo com Sara — John declara e ergo o olhar, arqueando a sobrancelha — Tanto em seus delírios de quando o resgatamos quanto em sua narrativa de agora, passou sim a idéia de serem bastante agressivos. Ao menos para nós dois — afirma e suspiro.
—Para nós também — Thea corrobora, apontando de si mesma para Harper — Falou de lanças e espadas… honestamente, fica difícil não acreditar que eles sejam meio que selvagens — faz aspas no ar seguido de uma careta engraçada — Se não tivesse os ferimentos para provar o que te aconteceu iria jurar que andou assistindo algum filme e o reproduziu na mente — diz, franzindo o cenho — Aliás, me fez lembrar de um que assisti anos atrás, A fortaleza. Era a história de um grupo jovens, filhos de diplomatas, que tinham aulas em uma sala especial com uma professora e são sequestrados — conta.
—Em que esse filme lembra crianças selvagens? — Roy pergunta, curioso.
—No caminho para o cativeiro, eles escapam dos sequestradores e se embrenham no mato. Por lá encontram uma caverna aonde se escondem e montam uma verdadeira fortaleza, com fosso ao redor e tudo, o qual enchem de lanças feitas com galhos que cortaram deixando pontas afiadas, espalham armadilhas das mais diversas no caminho para a caverna, juntam pedras para atirar e se defender dos bandidos e tudo sob a orientação da professora — faz uma pausa, deixando a todos ainda mais curiosos (sim, havíamos parado e estávamos prestando atenção a ela).
—Como terminou o filme? — Cait verbaliza a pergunta em nossas mentes (ao menos eu me fazia essa pergunta) ante o silêncio de Thea.
—Os sequestradores foram caindo nas armadilhas e morrendo, um a um, a exceção do líder — releva, fazendo uma careta estranha — Este foi morto por eles e pela professora quando invadiu a caverna. Com requintes de crueldade. Na cena final, o FBI vai até a nova escola interrogar a professora a respeito dessa última morte, porque não haviam encontrado o corpo, e os alunos vão, um a um, se armando com as lanças que haviam trazido como recordação. No final os agente são meio que intimidados pela molecada e desistem de pressionar a mulher — prossegue, batendo com o indicador no queixo — Daí a câmera dá um passeio pela nova sala de aula enquanto eles estão saindo e mostra que ali, em uma parede junto com os demais artefatos, que eles devolvem, por sinal, havia um objeto que parecia ser o escalpo do sujeito! — conclui, nos deixando estáticos e de boca aberta — Mas não deve ser nada parecido afinal você tá vivo, portanto não temos com o que nos preocupar — observa, dando de ombros.
—Eu não diria isso — Oliver diz e nos voltamos para ele — Tommy desmaiou não pela queda e sim por ter recebido uma pancada na cabeça com algum objeto contundente. O amarram de forma não permitir libertar-se sem machucar-se seriamente, atiraram uma granada de efeito moral contra nós quando perceberam nossa aproximação, sem mencionar que foi arrastado por metros do ponto aonde caiu — enumera, sério — Isso demonstra organização e trabalho em equipe — afirma, estreitando os olhos — Certamente estavam nos vigiando e não me espantarei se tiverem descoberto e desativado a flecha localizadora que deixei plantada lá, muito embora duvido que os encontraríamos no mesmo lugar de onde te resgatamos — completa.
—Plantou um localizador naquela sala? — pergunto.
—Plantou, mas não deu em nada. Não conseguimos ativar — Felicity revela.
—É sério que estão aceitando a possibilidade de terem sido crianças….
—Adolescentes — corrijo Sara mais uma vez, fazendo-a bufar.
—Que seja!! — exclama, abrindo os braços — Ainda assim é muito louco imaginar que garotos podem estar vivendo no subsolo e tenham formado uma gangue violenta e…- cala-se um segundo, inclinando levemente a cabeça — Pensando bem, não é tão louco assim! — declara, torcendo o nariz — Merda! Lutar contra bandidos é uma coisa, mas encarar pirralhos, sendo eles selvagens ou não, é outra totalmente diferente. Não vou ter coragem de acertá-los com flechas ou qualquer outra arma, ou mesmo esmurrar algum deles!! — afirma, sentando-se com ar zangado.
—E acha que qualquer um de nós aqui faria isso, salvo em último caso, para se defender ou defender ao outro? — Oliver questiona e me pergunto se alguma vez teve de fazer algo semelhante — Não que tenha precisado fazer isso em algum momento até hoje — acresce, lendo meu pensamento e sorrio.
—Me perguntava exatamente isso — assumo, terminando de fechar os botões de minha camisa.
—Eu já tive de fazer e acreditem, não é nada agradável — Diggle revela.
—Oi?? Como assim grandão? — Thea pergunta, assustada.
—No Afeganistão, em uma missão, colocaram crianças para nos distrair. Algumas tinham armas e chegaram atirar — conta, entristecendo — Não matei nenhum deles, mas feri gravemente dois meninos que descobri, depois, terem ficado paralíticos — revela — Isso marca. Nunca mais esqueci a expressão em seus rostos. Sei que estavam sendo usados como distração, que a maioria fora forçado agir daquela maneira, mas ainda assim é doloroso e não diminuiu em nada o sentimento de culpa que carrego comigo — afirma.
—Eu sinto muito Dig — Felicity diz, afagando o braço dele.
—Guerra é uma merda, seja ela de qual tipo e por qualquer motivo. São sempre os mais fracos que pagam o preço mais alto — Harper declara, revoltado.
—Concordo — Cait e Sara dizem juntas.
— Alguma coisa nas imagens Tommy? — Ollie pergunta, me fazendo voltar atenção ao tablet novamente, revendo os vídeos com calma.
—Supondo que hajam crianças lá embaixo, o que faremos? — Sara pergunta.
—Tiramos eles de lá, lógico! — Felicity adianta-se dizer.
—E levamos para onde? Orfanatos? Estão tão lotados que mais parecem um depósito de seres humanos do que um lar temporário — Thea comenta, acrescendo quando a encaramos, surpresos — Ao menos para isso tem servido mamãe me arrastar para cima e para baixo nessa pré campanha dela — justifica-se.
—Por falar nisso, Felicity….- Ollie começa, a loira fazendo-o silenciar com um erguer de dedo.
—Já sei o que vai perguntar….- antecipa-se ela, suspirando pesadamente — A resposta é sim — declara e arqueio a sobrancelha.
—Você disse Sim ao Ollie para…??? — Thea questiona, curiosa.
—Pedi a Felicity ser minha secretária — Ollie esclarece.
—Ah, tá. Pensei que já teria encomendar meu vestido de….espera, você não é do departamento de TI? — questiona, encarando-a, confusa.
—Sou, mas seu irmão acha que seria mais útil servindo cafezinhos!! — ironiza e preciso segurar o riso ante a expressão exasperada de meu amigo.
—Felicity, se vou assumir em definitivo a QC e terei de coordenar minha funções de CEO com as de vigilante, não posso simplesmente descer dezoito andares cada vez que precisar discutir com você como vamos passar a noite juntos. Já falei isso! — exclama, unindo as mãos — Quer, por favor, entender de uma vez por todas!! — implora.
—Eu entendo Oliver. Só que você também poderia lembrar que existe uma coisinha chamada celular através da qual as pessoas se comunicam e por onde podíamos muito bem combinar o que faríamos a noite — rebate, e abraço o tablet, me apoiando a Cait, que espreme os lábios para conter o riso, Thea e Roy fazendo o mesmo enquanto Dig e Sara recostam-se a mesa, braços cruzados, todos nós passando a observar a cena.
—Não é seguro e sabe disso melhor do que ninguém! — Ollie retruca — Mesmo os mais seguros sistemas de seguranças podem ser invadidos, celulares podem ser clonados e expor os segredos que ninguém quer venham à tona — argumenta ele.
—Meu computador NUNCA foi invadido nem meu celular clonado porque meus firewalls são os melhores que existem!! — vangloria-se a loirinha, sem nenhuma modéstia — Poderia desenvolver um para nossos celulares, se Você tivesse pedido isso, mas agora não terei tempo porque estarei ocupada demais tendo de marcar suas reuniões e organizar sua agenda de trabalho….
—E enviar flores para as peguetes dele!! — Thea provoca, fazendo ambos a olharem — O quê? Até onde sei ainda não anunciou ao mundo estar fora do mercado muito menos mudou seu status em suas redes sociais, portanto…- abre os braços, deixando a insinuação no ar.
—Ok. Agora já chega!! — Ollie decreta, se voltando para mim — Viu ou não os tais sujeitos em alguma imagem? — pergunta e aceno afirmativamente — Indique-os a Felicity para que faça a pesquisa dos computadores em meu escritório — ordena, se voltando para Sara e Harper — Vocês dois, procurem saber se nas ruas há algum comentário sobre essas crianças ou algo que possa remeter a elas e também se sua amiga descobriu a respeito da venda de medicamentos roubados. Depois voltem para cá. Tommy vai precisar de ajuda mais tarde, na boate, e não sei se poderei ficar a noite — determina, Thea sendo a próxima a receber sua atenção — Thea, quero que me acompanhe a reunião na QC e não aceito desculpas de qualquer espécie! — alerta, se voltando em minha direção novamente — Caitlin, sei que pretendia retornar hoje a Central City…
—Já liguei para o doutor Wells e avisei que precisarei de mais alguns dias de licença — ouço-a dizer e solto o ar que prendera tão logo Oliver falara de ela ir embora.
—Obrigada por isso. Esse cabeça dura não iria facilitar minha vida sem sua presença aqui — acusa, e lhe dirijo um olhar aborrecido.
—Olha só quem tá me chamando de cabeça dura! Sabe que a loirinha está certa. Não precisaria levar ela pro andar da presidência só por conta de como passam as noites juntos — ponho o dedo na ferida, recebendo seu olhar mortal.
—Sou só eu ou mais alguém tá achando essa história de discutir como passam a noite juntos ….- Harper começa, estalando os dedos como a procurar a palavra que queria dizer.
—Sexy? — Thea chuta.
—Erótico? -Sara arrisca, maliciosa.
—Eu ia dizer estranho, mas essas aí também servem — declara nosso barman, rindo divertido.
—Pois tratem de tirar essas mentes da sarjeta e vazem! Os dois!! — Felicity ordena, apontando de Harper para Sara — E tentem não se meter em nenhuma confusão — admoesta-os.
—Sim senhora, senhora! — Sara exclama, tocando a fronte com dois dedos, sinalizando a Roy segui-la.
—E os tais sujeitos Thomas? — Ollie chama minha atenção.
—São estes aqui — indico o par de idiotas com quem cruzara duas noites atrás, entregando o tablet a Felicity — Poderia tentar ver se encontra outras imagens dos garotos? — peço.
—Posso tentar, mas somente algumas câmeras daquela área estão funcionando — informa, olhando a tela do tablet — Vou tentar encontrar esses dois e fazer o caminho contrário. Quem sabe descubro aonde estavam e o que os garotos teriam roubado deles — diz, erguendo o olhar para Cait — Vai ficar bem? — pergunta e enrugo o cenho.
—Vou — ouço-a responder e a olho, recebendo um sorriso doce em resposta.
—Até mais tarde então — Felicity despede-se, caminhando em direção a escada juntamente com Oliver e Thea a seu lado.
—Tommy, tente não irritar Caitlin — Diggle recomenda, tocando meu ombro, saindo antes que eu pudesse revidar, nos deixando a sós.
Durante alguns minutos ficamos em silêncio, ela organizando o material do kit de primeiros socorros, jogando fora o que usara para refazer o curativo, eu terminando de me vestir enquanto pensava no que dizer, me voltando no exato momento em que o faz.
—Me desculpe...
—Me desculpa -falamos ao mesmo tempo, rindo da coincidência — Cait — venço a curta distância entre nós, parando a centímetros dela — Desculpe ter agido como um idiota infantil aquele dia — peço, vendo-a rir pequeno — E desculpe não ter ligado antes para dizer isso. Você me pediu espaço e eu dei, mas independente disso deveria ter ligado me desculpando — reitero, controlando a vontade de a abraçar e beijar.
—Também peço desculpas por não ter te ligado antes — diz, inclinando levemente a cabeça ao fazer careta — E por ter sido infantil também, afinal, brigamos por algo tão bobo que nem lembro mais e ainda assim não quis ser eu a dar o primeiro passo. Te chamei de imaturo, mas fui tão imatura quanto! — afirma e ambos rimos da situação, ela ficando séria de repente — Quando não voltou e nem conseguíamos te encontrar, tudo que pensava era que poderia te perder sem ter a chance de me desculpar e dizer como me sinto, de verdade, em relação a você — declara, suspirando ao se apoiar a mesa.
—Temi o mesmo — assumo, ganhando mais um sorriso doce — Cait, eu... — me aproximo um pouco, ainda hesitante — Quero que saiba o quanto se tornou importante para mim desde que nos conhecemos, e não me refiro apenas a sexo — friso — Eu gosto de estar com você, de estar a seu lado, conversar com você mesmo não tendo muitas coisas em comum nem conhecimento para falar dos assuntos que te interessam. Sou ainda bastante frívolo, reconheço, e sei como isso algumas vezes deve ser irritante para você, que tem sido essa a causa de nossas brigas, melhor dizendo, nossos desentendimentos constantes já que briga pra valer só tivemos uma — lembro, rindo sem vontade — Mas até disso senti falta — afirmo, ela arqueando uma sobrancelha — De você corrigindo ou chamando minha atenção por alguma bobagem que falei — explico e ambos rimos — Eu sei que não sou fácil, que não te dei motivos para confiar totalmente no que sinto, mas prometo que se me der uma nova chance eu …
—Vou voltar para Central City — me interrompe num rompante, mordendo o lábio inferior — Voltar a morar lá, quero dizer — acresce — Doutor Wells...O laboratório Star vai arcar com o tratamento às vítimas da explosão do acelerador, além do Barry, e para isso vou precisar estar lá. Doutor Wells me convidou a voltar fazer parte da equipe — conta, mordendo o lábio mais uma vez — Temos recebido relatos de pessoas que vem apresentando sintomas e comportamentos estranhos após a explosão. Alguns deles nos procuraram em busca de explicações, outros estão arredios. Temos mais três pessoas, além do Allen, sob nossos cuidados… afora Cisco e eu mesma — revela e sinto uma pontada no peito — Tenho me sentido estranha ultimamente, nada sério até agora, mas preciso estar no laboratório para mais exames e acompanhamento de doutor Wells, o mesmo valendo para Cisco, logo, não poderei permanecer em Starling — reitera, fazendo uma pausa curta — Por isso pedi licença para vir. Não é o tipo de assunto para se conversar por telefone mesmo que em chamada de vídeo — pontua e começo a ficar nervoso, um pressentimento ruim me invadindo lentamente — Precisava vir falar com você pessoalmente e …
—Quer terminar, é isso? — não me contenho, sentindo um aperto no peito ao vê-la baixar a vista, evitando me olhar diretamente, o que nunca é um bom sinal.
—Não se trata de querer, Tommy — diz após o que me pareceu uma eternidade, ainda sem me olhar — É que...eu não sei…- vacila, respirando fundo — Eu não vejo como pode dar certo — ergue o olhar e posso ver as lágrimas retidas nele — Nenhum de nós pode se afastar de suas cidades natais no momento e eu não vejo como um relacionamento que mal começou pode sobreviver a essa distância — declara, enxugando uma lágrima teimosa.
—É o que você quer? De verdade? — indago, olhando dentro de seus olhos marejados.
—Não é questão de querer ou não, como já disse! — repete, suspirando — Você não pensa como eu? Acha que é possível manter uma relação estando tão longe um do outro? — pergunta e rio minimamente.
—Honestamente? — devolvo, ela acenando que sim — Realmente não sei se é….mas estou mais do que disposto a tentar — declaro, vendo-a abrir a boca, surpresa — Eu nunca me senti com ninguém como me sinto com você, Cait. Nunca. E não estou disposto a abrir mão desse sentimento por uma mera questão de distância.
—Mera, Thomas? Sério? — rebate, levando as mãos a cintura e inclinando a cabeça, gesto característico seu quando está brava e rio mais, puxando-a para mim.
—Mera sim. Central City é logo ali, não do outro lado do planeta! — pontuo, acariciando seu rosto — De carro, em um dia normal, gasto cerca de duas horas para chegar lá e ainda posso optar por ir de trem, bem mais rápido e tranquilo. Sei que não é a mesma coisa de estarmos praticamente lado a lado, diariamente, mas não chega a ser um obstáculo intransponível. Posso me programar aqui e ir passar o final de semana com você e vice versa — exemplifico.
—E se eu não estiver disponível para ficar com você? Se estiver sobrecarregada e não puder te dar atenção? Terá viajado duas horas em vão e por mais boa vontade que tenha, suportará isso uma, duas, quem sabe até três vezes no máximo. Depois disso vão começar as cobranças. O mesmo vale para mim — argumenta, suspirando mais uma vez — Sem mencionar suas missões com Oliver. Se estando aqui já fico em pânico cada vez que saem, imagina distante? — acresce.
—Se acontecer de ir até você e estar ocupada, procurarei uma forma de ser útil e se por acaso sentir que estou ficando impaciente, vou dar uma volta pela cidade e esfriar a cabeça e quanto às atividades com Ollie e o restante do pessoal, o que posso te prometer é ter cuidado, como sempre venho tendo, aliás. Ainda mais cuidado, e não estou minimizando a situação — me adianto, silenciando o protesto que ensaiava ao pôr o dedo em seus lábios — Sei bem que podemos nos irritar mutuamente algumas vezes, até brigar, que vamos sofrer e ficar temerosos com a segurança um do outro, porque seu trabalho também não é o mais tranquilo de todos, mas ainda assim estou disposto a tentar. Não quero abrir mão de nós Cait, mesmo estando ainda na fase de nos conhecermos melhor, reconheço, mas acho que vale a pena — reafirmo — E você? — questiono, sua resposta demorando um pouco mais do que esperava, me deixando assim.
—Talvez...possamos deixar rolar por um tempo e ver no que dar — diz, ainda insegura- Mas tenho medo de não ser forte o suficiente para suportar a pressão que um relacionamento deste tipo predispõe — confessa.
—E quem disse que também não estou com medo? — confesso, conseguindo um sorriso tímido — Nós dois teremos de aprender a lidar com a distância, entre outras coisas. Mas repito, quero muito tentar — reforço, decidido — Eu sei que parece insano o que vou dizer, mas acho que te amo Caitlin Snow — declaro, fazendo-a reter o ar — Esse tempo em que estivemos afastados, sem mesmo nos falar, me fez perceber que este sentimento é bem mais do que esperava. É algo novo e forte que me faz sentir vontade de ser alguém melhor do que já fui até hoje. Apenas a Laurel tinha me feito sentir algo parecido e mesmo assim não com a intensidade que sinto agora — reconheço.
—Eu também sinto que pode ser algo maior do que uma atração física Tommy — assume, envolvendo meu pescoço com os braços -Neste caso, acho que temos o dever de tentar, não é mesmo? — pergunta e a aperto mais contra meu corpo.
—Com toda certeza!! — exclamo, tomando seus lábios em um beijo onde ponho todo meu sentimento.
…………………………………
Queen Consolidated (13:35 p.m)
Oliver
Deixo a sala de reuniões respirando aliviado. Muito aliviado.
Ao contrário do que aconteceu na primeira vez em que fui forçado assumir a empresa por conta da prisão de minha mãe, desta vez os acionistas estavam bem mais receptivos e solícitos, muito embora suspeite que parte de toda essa “gentileza” fosse por medo de perderem sua gorda fonte de renda posto a QC estar se recuperando apesar de tudo, o que não deixa de ser surpreendente.
O motivo de tal temor existir? Isabel Rochev (também conhecida como vampira de empresas) ter voltado sua atenção para nós. Não era segredo para ninguém que tudo que aquela mulher tocava virava cinzas em questão de dias, logo, os bravos senhores e senhoras que se mantiveram fiéis nos momentos de crise e agora se alegravam com os parcos rendimentos que começam entrar em suas contas, ficaram temerosos em perder tudo ou ter de vender a preço de banana suas ações. Era exatamente isso que Rochev fazia: cercava uma empresa que se encontrava em dificuldades financeiras por todos os lados, desenhava os piores cenários, plantava e semeava o medo e a dúvida em todos até que o pânico os fizesse lhe vender o que possuíam a custo ínfimo para logo depois desmembrá-la por preço pouco mais alto do que comprara.
Isto eu não permitiria acontecer a QC. Jamais!!
—Oliver, acho que descobri de onde os tais sujeitos saíram e ….
—Oliver?? Desde quando os funcionários da QC tratam o CEO com essa intimidade? — o questionamento chega quase ao mesmo tempo em que a Felicity falava, me fazendo voltar, olhando por cima de sua cabeça, minha mãe e Isabel, acompanhadas por dois outros acionistas adentrando o escritório logo por detrás dela — Sabe que este é um passo para a insubordinação, não sabe? — Rochev insinuava, parando alguns passos a frente de minha garota, medindo-a de uma maneira que faz ambos, John e eu, nos irritarmos ainda mais com a arrogância da mulher.
—Desde que são, além de funcionários de minha extrema e total confiança, meus amigos — respondo de imediato — Não que isto seja de sua conta — acresço, me irritando ainda mais ao ver o sorriso cínico estampado em seu rosto.
—Aqui na QC sempre tivemos um excelente relacionamento com nossos funcionários. São, acima de tudo, partes de uma imensa família — minha mãe me surpreende ao dizer posto que praticamente durante toda reunião criticara veladamente o comportamento de Felicity (pedi a ela que não interrompesse a busca pelos tais sujeitos já que Sara havia enviado uma mensagem avisando que estariam relacionados ao roubo de suprimentos médicos que investigamos).
—Isso explica muita coisa — Isabel comenta, voltando-se para Felicity — Por que não faz algo de útil de verdade? Providencie um café para nós — ordena como se tivesse este direito e de imediato me ponho em alerta.
Por mais que reconhecesse o quão arrogante a atitude de Isabel era, não queria que tivesse motivos de tentar humilhar Felicity e nem era pelo que minha garota pudesse dizer. Estava mais preocupado era com minha reação.
—O faria com o maior prazer senhora Rochev — escuto-a dizer de forma polida e calma e abro boca, ensaiando uma resposta adequada a evitar entreveros, ela sendo mais rápida — Mas ao que parece alguém teve um pequeno desentendimento com nossa máquina de café — diz, sinalizando para fora, nos fazendo seguir sua indicação — Um sério e grave desentendimento. Muito sério e bruto, ao que tudo indica — reforça, fazendo uma careta, e preciso me controlar para não rir ao ver Thea parada junto à mesa, dois funcionários da QC ajudando-a limpar-se e limpar a sujeira em volta — Acredito que vá ficar inutilizada por um tempo — acresce, dirigindo seu olhar vivo e brilhante para mim — Por um longo tempo — acrescenta, sorrindo amistosamente a minha mãe e Isabel antes de girar graciosamente e sair.
—Essa sua secretária é bastante atrevida. Quem ela pensa que é afinal? — ouço Isabel dizer e me volto.
Minha garota!— Felicity é uma das melhores profissionais que temos na QC. É formada no MIT, em Ciências da Computação, e eu pessoalmente, considero uma sorte ter aceitado ser Minha secretária mesmo tendo seu talento sub aproveitado aqui, algo que, aliás, pensarei em uma forma de corrigir — declaro, frisando o Minha, fazendo uma nota mental de que Realmente precisava pensar em uma maneira de não desperdiçar o talento e a inteligência dela mantendo-a longe do departamento de TI — A única razão que me fez trazê-la para cá, além de sua competência, é porque confio plenamente nela e neste recomeço pretendo me cercar de pessoas assim, como ela, John, Thea e …. Thomas — enumero, uma idéia ganhando forma em minha mente — Agora, poderia me dizer o que ainda faz aqui na empresa? Sem querer ser indelicado, mas acho que os acionistas já deixaram claro suas posições na reunião de a pouco — lembra, satisfeito ao vê-la torcer o nariz empinado acintosamente.
—Nem todos — afirma, indicando os dois homens entre ela e minha mãe — Estes senhores se mostraram dispostos a me vender parte de suas ações e….
—Neste caso sugiro que se reúnam em outro lugar — a corto, não me preocupando em ser mal educado desta vez — Tenho muito a fazer e não pretendo perder mais nenhum minuto — digo, erguendo o queixo.
—Então...Não pretende impedi-los de negociar comigo? -questiona, surpreso e sorrio enviesado, entendendo o motivo de sua vinda ali.
—Nem por um segundo — afirmo, tranquilo, voltando minha atenção ao homens, que me olhavam entre ansiosos e irritados — Senhores, sintam-se a vontade para fazer com suas ações o que bem desejarem. Como disse a pouco na reunião, não estamos em condições de oferecer valores altos a quem quer que deseje se desfazer de suas ações, mas se quiserem um conselho, não as venderia agora a menos que a oferta da senhora Rochev seja muito alta e irrecusável. Asseguro que em alguns meses estaremos de volta ao mercado com força total e sua ações valerão o triplo do que valem hoje — prevejo, o brilho de ganância surgindo em seus olhos ...Tão previsível!! - Mas reitero: sintam-se a vontade para dispor delas como bem entenderem — reafirmo, dando atenção a Isabel — Quanto a senhora Rochev, caso comece a fazer parte da diretoria, espero que possamos ter uma convivência mais agradável — declaro, lhe dirigindo meu melhor sorriso (falso, evidente).
—Quem sabe o que o futuro nos reserva, não é mesmo? — responde, misteriosa, sorrindo de maneira estranha — Senhores, senhora Queen, Oliver — despede-se, com um aceno leve, saindo seguida de perto pelos dois homens, dirigindo um olhar nada amistoso a Felicity.
Nota: investigar Isabel Rochev. Algo nessa mulher não me cheira bem!
—Tenho a impressão que acaba de ganhar uma inimiga — Dig alerta.
—E uma inimiga mordaz e perigosa — minha mãe surpreende novamente, me fazendo lhe dar atenção — Não subestime Isabel. Ela não chegou aonde está sendo misericordiosa ou gentil. Sabe o que precisa fazer para conseguir o que deseja e não mede esforços ou atitudes para conseguir e no momento o que ela deseja é a QC. Tenha cuidado meu filho — aconselha.
—Está com medo de Isabel por acaso mãe? — Thea pergunta, me fazendo notar sua presença — Sério?
—Não se trata de medo filha. Apenas convivi com gente do tipo dela por anos a fio. Já vi aquela mesma determinação em diversos olhares. Sei como podem ser decididos e perigosos, portanto, peço mais uma vez, tenha cuidado Oliver — reforça, respirando fundo quando seu celular toca — Lisa. Preciso ir andando. Vem comigo Thereza? — pergunta, Thea fazendo uma careta de desagrado.
—Sim senhora. Não tenho nada melhor para fazer mesmo — declara, me dirigindo um olhar significativo.
—Excerto após as vinte e uma horas — digo, entendendo a mensagem — Tommy sofreu um pequeno acidente de moto e está de repouso. Ordens médicas. Como Thea tem ajudado a ele em Verdant e eu tenho todo este conglomerado para dirigir de agora em diante, penso que ela poderia ajudar gerenciando o clube nas noites em que ele não puder fazer — declaro.
—Oh! — mamãe exclama, parecendo surpresa — Oh! — repete, olhando de mim para minha irmã — Tudo bem. Eu a libero antes disso — assegura, a ruga entre seus olhos não me passando despercebida.
—Diggle e eu estaremos lá também mãe. É só uma questão de…- penso, medindo as palavras que diria — Ela tem estado mais presente e acompanhado melhor a rotina da boate do que eu — justifico, Thea sinalizando um Ok mal humorado por detrás de nossa mãe.
—Entendo — mamãe diz, parecendo ainda hesitar — Como disse, a libero antes disso — reitera, se voltando para Thea — Vamos? — convida, as duas saindo após nos despedirmos.
—Vai mesmo permitir que vendam as ações para a Rochev? — Felicity pergunta assim que retorna a meu escritório, não me dando oportunidade responder — Porque pelos meus cálculos ela já detém vinte por cento das ações, obtidas sabe-se lá como, e se estes dois aí decidem vender ficará com perigosos quarenta por cento, já que sua família detém somente quarenta e cinco por cento e lembrando também que dez por cento serão disponibilizados a partir de segunda e qualquer um, incluindo a bruchev, pode adquiri-las, o que daria a ela controle acionário da empresa e direito a fazer o que bem entendesse, incluindo pôr na rua milhares de funcionários...Incluindo essa loirinha aqui! — aponta para si mesma — O que pensei que seria sua meta evitar — conclui, me encarando, a cabeça levemente inclinada — Mas isso é somente uma suposição de minha mente assustada, óbvio — finaliza.
—E isso porque ela estava out durante praticamente toda reunião! — Dig comenta, fazendo aspas no ar, rindo divertido de seu cantinho predileto junto a janela (de onde costuma observar a tudo como uma águia!).
—E óbvio que me preocupo sim com a possibilidade de Isabel comprar as ações, mesmo que seja apenas de um deles pois isto já a deixaria quase em pé de igualdade comigo — digo, olhando-os — E óbvio que me preocupo e impedir que Todos os funcionários da QC sejam demitidos ou prejudicados de alguma forma… E é por isso que preciso que ligue para o banco Starling e peça para me pôr em contato com o gerente do setor de investimentos, se possível antes do final do dia — ordeno.
—O gerente de investimentos? Oliver, eu sinto lhe dizer isso, mas acho que um novo empréstimo não é exatamente a melhor saída para a empresa — opina e sorrio.
—Sei disso Felicity — afirmo, cortando seu protesto ao erguer a mão — Apenas faça o que te pedi ok? — reforço, ela dando de ombros, estancando quando a chamo — Me passe o que Sara conseguiu — peço, impedindo-a sair mais uma vez — E uma xícara de café viria a calhar — não resisto em provocá-la.
—Em seus sonhos! — rebate de pronto girando graciosamente e saindo, indo sentar-se atrás de sua mesa.
—Aconselharia não provocar ou pode acabar igual a máquina de café lá fora — John comenta e ambos rimos, o alerta de mensagem chegando a meu celular — Informações sobre o ataque aos suprimentos? — quer saber, vindo até mim quando confirmo, lendo o texto enviado por Sara junto comigo — A tríade? O que eles querem roubando suprimentos médicos? — inquere.
—Tudo e nada — respondo, martelando os dedos sobre a mesa — Eles negociam com qualquer coisa e desde a frustrada tentativa de matar Malcolm que estão enraivecidos. Chien Wei em especial. Tenho certeza de que ela fará qualquer coisa para ganhar a confiança dos chefões novamente e se isso irritar o vigilante, por tabela não hesitará em fazer mesmo que pessoas inocentes paguem por isso — discurso.
—Sabe que é assustador quando fala de si mesmo na terceira não sabe? — questiona e rio minimamente, nossa atenção sendo chamada pelo retorno de Felicity.
—Sua reunião com o gerente de investimentos está marcada para daqui meia hora — avisa.
—Excelente. Assim temos tempo de nos preparar para a ação, caso seja necessário — comemoro, levantando — Felicity, enquanto estiver em reunião tente descobrir para quando é o próximo carregamento de suprimento. Deixe o pessoal em alerta, por favor — peço, me encaminhando para a porta com Diggle a meu lado e ela logo atrás.
—Ok … Eu posso almoçar enquanto espero? — pergunta quando já estamos, ele e eu, dentro do elevador e aceno afirmativamente — Bom. Vou pedir algo pra vocês também, quando voltarem — avisa antes de as portas fecharem.
…………………………………….
Bunker (segunda, 4/9 — 12:44 p.m)
Narrador
—Eu juro que foi sem querer!! — Thea exclama, recuando dois passos sem olhar para trás, chocando-se com Oliver, que chegava acompanhado por Felicity e Diggle — Ollie, socorro! A socioSara quer me pegar!! — acusa a garota, se refugiando atrás do irmão, este olhando dela para a loira a sua frente, arqueando a sobrancelha.
—O que está acontecendo aqui? — pergunta.
—Resolvemos treinar um pouco porque sua irmã estava entediada e acabei levando a pior — responde a loira, exibindo o ferimento superficial em seu flanco direito — Não sei porque ela cismou que iria querer me vingar por isso — completa, girando o bastão de forma intimidadora.
—Pois é. Que motivo ela teria para pensar isso? Você é sempre tão calma! — Felicity comenta, passando por entre elas com um sorriso divertido, indo sentar-se em sua mesa.
—Ferimentos ocasionais acontecem durante treino. Mesmo nos melhores lutadores — minimiza a loira, dando de ombros, sentando-se na ponta de uma mesa próxima.
—Melhor cuidar disso para não infeccionar, como diria a doutora — Diggle sugere, despindo o terno — E por falar nela, aonde está? — quer saber, pegando a maleta de primeiros socorros.
—A caminho de Central City — é Tommy quem responde, fazendo todos se voltar para ele -Deixou um beijo para vocês, meninas, e um abraços aos mal acabados — aponta de Oliver para Diggle, enrugando o cenho ao ver o filete de sangue escorrendo no lado direito de Sara — Andou tentando se depilar sozinha de novo? — a provoca, recebendo um gesto mal criado em resposta.
—Eu que fiz, sem querer obviamente — Thea assume, enlaçando o braço ao de Oliver — E como foi a nova reunião com a bruxa? Pôs ela em seu devido lugar? — pergunta, curiosa.
—Não tão bem quanto gostaria, mas ao menos ela não tem o controle da QC — responde o loiro.
—Seu irmão deu uma cartada de mestre ao pedir ajuda ao senhor Steele. Isabel ficou em choque. Precisava ver a cara dela ao descobrir que agora Oliver detém cinquenta e um por cento de ações contra quarenta e nove dela!! — Felicity comemora, dando um soquinho vitorioso no ar que traz um sorriso divertido ao rosto do loiro.
—Legal. Agora só falta atrair mais investidores para a empresa — Thea lembra, o encarando — Já pensou em algo? — quer saber.
—Já e vou precisar de sua ajuda para isso Tommy — avisa, o moreno tocando o próprio peito, surpreso — Antes, tem alguma notícia sobre o leilão da Global? — quer saber.
—Foi adiado para às dezesseis horas de hoje a pedido de um interessado misterioso. Pelo que soube o cara pretende comprar a maior parte das ações — revela — Por que? — quer saber, brincando com uma bolinha de tênis.
—Olha só, se você vai começar a atirar essa bola contra Sara de novo, avisa para sair da linha de tiro!! — Felicity adverte, dando atenção seu celular, que vibrava.
—Ele que tente! Vai levar a pior de novo — Sara garante, erguendo o queixo em desafio, ignorando a fisgada leve quando Diggle passa a medicação sobre o ferimento.
—Se começarem com isso, faço ambos se arrepender — Oliver ameaça, sério — Respondendo sua pergunta, soube que um concorrente da QC está interessado e fiquei curioso — explica — Quanto a como poderá ajudar, sei que, durante o período em que trabalhou com Malcolm, esteve a frente de uma equipe que buscava recursos para reerguer a Global, então pensei que podia usar o conhecimento que adquiriu nesse quesito e Me ajudar a conseguir mais investidores para a QC. Não posso te contratar, oficialmente, mas extra oficial, se puder me ajudar ficarei grato — diz.
—Claro. Podemos conversar a respeito com calma agora que conseguiu deter a tal China White — se dispõe.
—China White? Era a tal ninja por detrás do roubo de suprimentos médicos? — Thea pergunta, sentando-se sobre a mesa, empurrando a caixa com o arco de Oliver e ao fazê-lo, derruba uma de suas flechas — Ops, foi mal! — exclama, erguendo as mãos em postura defensiva.
—Sim — Oliver confirma, sucinto, abaixando-se, pegando a flecha, examinando-a de cenho enrugado.
—Aquele sujeito com garras deu medo em mim e olha que nem estava lá! — Tommy comenta, olhando diretamente para Diggle e Sara.
—Ele teria te fatiado inteiro, o que deixaria a Cait viúva antes mesmo de casar! — Sara o provoca, rindo maliciosa — E por falar nela, acertaram as coisas, de certo, já que não te vimos o final de semana inteiro. Estavam treinando se reproduzir como coelhos? — insinua, mexendo as sobrancelhas provocativamente.
—Credo Sara, que falta de sensibilidade! — Thea exclama, voltando-se para Tommy — Mas estou certa de que os coelhinhos tiveram cuidado, afinal sou muito nova pra ser titia!! — emenda, rindo divertida ante a careta que o moreno faz.
—Tá passando tempo demais com a essa daí, irmãzinha — Tommy diz, apontando Sara, exibindo um sorriso radiante — Nos entendemos sim, não que isto seja de sua conta de vocês, e vamos nos dar uma chance — declara, o som vindo da tela do computador de Felicity chamando atenção de quase todos.
“-Estou certo de que a população não esqueceu os eventos ocorridos alguns meses atras, dos quais a senhora Queen foi uma das protagonistas. Seria precipitado dizer que ela é carta fora do baralho, mas sei que o bom povo de Starling não esquecerá este detalhe quando for votar, por mais que Oliver Queen esteja se esforçando para limpar o de sua família com ações como a doação feita ao Glades memorial e por ter intervindo junto a seus amigos na promotoria para o hospital receber grande parte dos lotes recuperados quando da prisão do grupo que vinha interceptando os suprimentos destinados ao Glades Memorial. No mais, me ponho a disposição da população caso desejem minha candidatura. Muito obrigado.
—Este foi Sebastian Blood, vereador local e pré candidato a prefeitura de Starling para o…”
—Quem esse mané pensa que é? — Tommy pergunta, apoiando-se a um braço tão logo Felicity desliga o monitor.
—Ao que parece futuro concorrente da senhora Queen — Felicity diz, girando a cadeira de modo a ficar de frente para eles — Laurel me enviou mensagem avisando da entrevista. Parece que ele escolheu virar sua metralhadora para a família Queen, já que vinha dando indiretas ao Oliver desde antes da candidatura da mãe de vocês- aponta para Thea e Oliver.
—Mas que merda! Será que nunca vamos conseguir ter um minuto de sossego? Vai ter sempre alguém querendo nos pegar para Cristo por conta dos vacilos de nossos pais? — resmunga a morena, notando a expressão estranha no rosto do irmão — O que foi Ollie? — pergunta, fazendo os demais olharem para ele, Diggle pondo-se em alerta ante a expressão taciturna do arqueiro.
—Ollie, o que….- Tommy começa, calando-se ante o sinal recebido do amigo, assumindo, juntamente com Sara, a mesma postura de Diggle.
—Felicity?? — Thea chama em voz baixa, a loira sinalizando a jovem vir até ela.
—Tem algo errado — diz, tensa, enrugando o cenho ao ver a flecha que ele mantinha nas mãos enquanto estreitava os olhos, perscrutando cada recanto do bunker — A flecha!! — sopra, passando ela a também olhar em volta, aflita.
—Que tem a flecha? — Thea pergunta, não tão baixo quanto gostaria, sua voz saindo levemente esganiçada.
—É a que cravei no teto do local de onde resgatamos Tommy — Oliver responde com voz grave, o olhar fixando um ponto no alto do bunker — Dig…- sinaliza ao segurança, este se deslocando rapidamente, para a direita de onde estava, arma em punho — Tommy, Sara, levem Thea e Felicity daqui — ordena, ambas movendo-se rápido em direção ao moreno e a loira, estes guiando-as até a escada que os levaria a Verdant, o grupo estancando, surpreso, ao chegarem no sopé.
—Oi de novo — o garotinho ruivo saúda, acenando em direção a Tommy do alto da escada, a voz infantil fazendo com que Oliver e Diggle se voltassem ao mesmo tempo em que cordas despencam do teto em vários pontos do bunker, o som metálico de algo sendo arrastado ecoando pelo ambiente enquanto as luzes piscam seguidamente até apagarem.
Quando acendem novamente, o local está repleto de adolescentes e crianças de várias idades, meninos e meninas, cada um segurando algum tipo rudimentar de arma, a exceção do trio que parecia liderar o grupo. Estes portavam armas.
—E aí playboy…- o mais alto e forte deles chama atenção para si, engatilhando a espingarda que segurava — Sentiu nossa falta? — pergunta, um sorriso irônico estampado no rosto.
—O que disse mesmo sobre serem moleques inocentes, Sara?!? — Tommy murmura, olhando em volta.
—Ok. Talvez não sejam tão inocentes afinal!! …..
Continua
“...Each night I go to bed;
I pray to Lord my soul to keep;
No, I ain’t looking for forgiveness;
But before I’m six foot deep;
Lord, I got to ask a favor;
And I’ll hope you’ll understand;
‘Cause I lived life to the fullest;
Let this boy die like a man;
Staring down the bullet;
Let me make my final stand;
Shot down in a blaze of glory…”

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