Survivors!!
7 Herdeiros part I
Notas iniciais
"....E há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade;
Há tempos são os jovens que adoecem;
Há tempos o encanto está ausente;
E há ferrugem nos sorrisos;
E só o acaso estende os braços;
A quem procura abrigo e proteção.."
Há Tempos
Legião Urbana
Delegacia de Starling (dois dias depois -Terça 12: 40 p.m)
Narrador
—Honestamente, não sei o que vim fazer aqui! – Thea resmunga, os braços cruzados, ao lado do irmão.
—Ela é nossa mãe Thea. Mesmo tendo errado – Oliver fala, voltando a cabeça ao ouvir a porta da sala de interrogatórios ser aberta dando passagem a Moira Queen, algemada e já vestindo o macacão laranja característico dos prisioneiros.
—Que bom que vieram –Moira começa, tentando abraçar a filha, que a rechaça.
—Só vim porque Ollie praticamente me obrigou – informa Thea .
—Será que algum dia poderão me perdoar? – pergunta, olhando de um para outro – Só tentei proteger nossa família.
—As custas das vidas de outras famílias. Muito justo isso! – ironiza a jovem – Como pôde concordar com isto?
—Sei que agi errado. Mas tentem entender. Só queria protege-los -reafirma.
—Da mesma forma como me protegeu não me contando que Tommy é meu irmão? Sabe quantas vezes desejei transar com meu irmão? MEU IRMÃO!! -enfatiza.
—Thea, vai com calma – Oliver pede.
—Calma!? Oliver, já pensou no que poderia ter acontecido se Tommy e eu...
—Mas não aconteceu Speedy – a interrompe – Não vamos ficar teorizando agora ok? Também não concordo com nossa mãe fez. Em nenhum dos dois casos. Mas ficar remoendo o passado não vai resolver ou mudar nada – afirma, encarando a mãe – Agora temos que focar em sua defesa. Não estava sozinha nisto. Malcom deve pagar também.
—Esse é outro... – a jovem fecha os olhos, cerrando os punhos – Se algo tivesse acontecido a você ou Tommy, ou mesmo ao Roy.
—Todos nós corremos perigo Thea – Laurel relembra, entrando na sala – Senhora Queen, preciso que tente lembrar de um local onde Malcom iria para se esconder. Qualquer coisa, qualquer lugar que ele possa ter citado, por mais que não pareça ser importante, pode ser útil para ajudar a polícia a encontrá-lo. Isso vai ajudá-la a amenizar sua pena – orienta, olhando para Oliver.
—Laurel está certa mãe. Tente lembrar de algo que ele possa ter dito- pede, ele próprio fazendo o mesmo.
O fato era que depois que o derrubara no telhado, largando-o no chão a fim de ajudar Diggle, Oliver não o havia visto mais. Procuraram por todo o prédio sem sucesso.
—Desculpe, não lembro de nada – lamenta-se Moira – E quanto a Thomas? Será que Malcom não poderia ter mencionado nada ao filho? – indaga.
—Não – Thea assegura – Malcom o vinha evitando. Nem sei se chegaram a se falar antes do que aconteceu. Na verdade, não o vi nestes últimos dois dias. Até parece que é ele agora quem está me evitando. Sabe onde ele está Ollie? – Thea pergunta, chamando a atenção do irmão.
—Foi chamado a Global – informa.
—Pra que? Por que? – Laurel indaga – Se ele não tivesse sido afastado pelo pai até poderia entender já que ele é o herdeiro natural de Malcom. Mas nas atuais circunstâncias...
—E principalmente depois de Malcom quase destruir os Glades—Thea pondera – O que querem com ele?
—É justamente isto que ele foi descobrir Thea – Oliver diz – É justamente isto que foi descobrir -repete baixinho, uma nota de preocupação na voz.
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Prédio da Global (Terça 13: 50)
Tommy
—Bom dia senhor Merlyn.... Digo, senhor Thomas – uma jovem loira que nunca tinha visto antes se atrapalha ao me receber no andar da presidência – Me siga por favor, já estão a sua espera – diz, indicando a direção, caminhando um pouco a minha frente, tagarelando sem parar, mas minha atenção estava voltada para o antigo escritório de meu pai cuja porta permanecia lacrada com a fita amarela da polícia – Pode entrar senhor Merlyn, Thomas – repete, abrindo a porta da sala de reuniões.
—Obrigado – agradeço ao passar por ela, entrando na sala onde os acionistas da Global já se encontravam bem como dois dos advogados da empresa, um deles também advogado particular de meu pai.. “ Isso não me parece nada bom!”.
—Thomas, como vai? – o tal advogado se aproxima, estendendo a mão para mim – Alan Shore, advogado de seu pai, além de trabalhar para a Global.
—Já tive dias melhores – admito, apertando sua mão – O que exatamente vim fazer aqui senhor Shore? Por que me convocaram para essa reunião?
—Me fazia a mesma pergunta! – uma mulher alta e loira se aproxima com cara de poucos amigos – Até entendo o motivo desta reunião, afinal temos que tentar concertar o estrago feito por Malcom – volta a me olhar ainda menos amistosa – Só não entendo a presença dele! – diz, me hostilizando sem nenhuma cerimônia (o que, aliás, foi a atitude de várias pessoas com as quais cruzei no caminho para cá visto que precisei pegar o metro já que meu carro foi parcialmente destruído pela queda de um poste durante o terremoto nos Glades) – Não me leve a mal Thomas, mas além de não estar nem um pouco a par da rotina e problemas da empresa, você, até onde sei, continua com seus bens bloqueados o que inclui seus dez por cento de ações que lhe dariam direito...
—Sei muito bem dos meus direitos e restrições – a corto, perdendo a paciência – Posso não estar familiarizado som os problemas enfrentados pela Global mas também não estou totalmente alheio!
—Deixe o rapaz em paz Erica – outro homem se aproxima, seguido por mais dois – Já deve ser bem estressante carregar o sobrenome Merlyn no momento – fala, não escondendo sua agressividade.
—Ok. Foi pra isso que me chamaram? Pra ser hostilizado pelo que meu pai tentou...
—Seu pai não tentou nada Thomas – me interrompe a mulher, Erica—Ele Fez! Malcom conseguiu não apenas derrubar parte dos Glades como derrubou as ações da companhia junto! – frisa – Portanto, meu caro não espere ser recebido com pompa e circunstância!
—Dito isto, será que poderia me explicar o que vim fazer aqui? – reitero, voltando-me para o advogado mais uma vez.
—Eu o chamei Thomas – uma voz feminina, que me traz recordações nada agradáveis, se faz ouvir – Assim como convoquei, através do senhor Shore, esta reunião – informa, esbarrando em mim ao entrar – Desculpem o atraso mas, como devem saber, o trânsito está horrível por conta das obras, bloqueios e protestos devido aos recentes acontecimentos nos Glades – enumera, me encarando, um riso cínico no rosto.
—O importante é que chegou, minha querida! – Shore afirma, beijando-lhe a mão – Agora podemos....
—O que essa mulher está fazendo aqui? – questiono, me esforçando para controlar a raiva.
—Thomas, isso são modos de falar com sua madrasta!?- diz, o riso aumentando diante de minha perplexidade.
—Como é??
—Peço que aguardem só mais um minutinho – pede, voltando-se para mim, segurando meu braço, as unhas cravando-se em minha pele por cima da camisa, discretamente – Preciso trocar duas palavrinhas com meu enteado!.
—Fiquem a vontade. Vou organizando as coisas por aqui, adiantando o que for possível – Shore avisa, fazendo sinal para a mesma garota que me recebera.
A contragosto (e por curiosidade) me deixo conduzir até uma sala anterior a de reuniões, uma sensação de dejavu me causando arrepios.
—Já passamos por isso antes...Só que em outro local e circunstância – provoca-me, resistindo quando puxo meu braço, libertando-o.
—Que faz aqui? Deveria estar apodrecendo na cadeia Helena! – digo – E que palhaçada é essa de dizer que é minha madrasta!?
—Deveria estar na cadeia tanto quanto Oliver e seu pai meu querido! – exclama, sentando-se – Afinal, somos todos assassinos não é mesmo?! – sorri, me provocando novamente—E não é palhaçada. Sou sim sua madrasta – reafirma – Eu e Malcom nos casamos três semanas atrás, quando foi me buscar, me tirando daquela prisão nojenta para onde seu amigo me mandou! – bufa – Se dúvida é só pedir para ver os papeis que o advogado deve estar apresentando aos acionistas neste exato momento. Se bem que irá vê-los de qualquer forma já que dizem respeito a você também.
—Como assim a mim? Do que está falando? – pergunto, cada vez mais irritado.
—Como deve saber seu pai é o acionista majoritário da Global, detendo sessenta por cento das ações – começa, cruzando as pernas – Você detém dez por cento, que estão, obviamente, bloqueados, assim como todos os bens em seu nome, o que inclui seu lindo e luxuoso apartamento, aquele carro, que já devia ter sido devolvido, diga-se...
—Nada do que está dizendo é novidade para mim Helena – a interrompo – Portanto, se não tem nada de novo a dizer, vou me retirar – insinuo, caminhando em direção a porta.
—Posso lhe devolver tudo Thomas – afirma, me fazendo parar – Foi isso que ouviu. Posso dar sua vida de luxo e tranquilidade de volta – repete, vindo até onde estou – Sem trabalhos, sem aborrecimentos, sem estresse...Sem Oliver...- oferece, deslizando os dedos pelo colarinho de minha camisa – Seu pai, além de me fazer sua herdeira, passando as ações que possuía para meu nome, fez uma declaração dando-me plenos poderes inclusive para revogar o bloqueio contra você – para a minha frente, envolvendo meu pescoço com seus braços – O que me diz Thomas? Quer sua vida de volta?
—Em troca..?? – pergunto, encarando-a.
—Me ajudar a destruir os Queen! – convida – Não apenas Oliver. Todos os Queen...Sei que você quer isso. Bem lá no fundo... – insinua, beijando meu pescoço – Poderia vingar-se de Oliver por tudo que te fez passar, pela traição com Laurel, de Moira..
—Thea?
—Em uma guerra sempre há baixas cíveis. Infelizmente não há como evitar – continua, subindo seus beijos por meu pescoço até alcançar a orelha- Se quiser pode até reconquistar sua querida Laurel. Aposto que ela vai ficar decepcionada ao descobrir o que o namorado faz nas horas vagas... e com quem... Ou pode ficar a meu lado! Podemos, juntos, reerguer a Global, destruir a QC, e ainda levar o empreendimento ao final, conseguindo o que seu pai não conseguiu.... Podemos fazer muitas coisas juntos Tommy! Eu e você – enfatiza, mordendo o lóbulo de minha orelha – Apenas imagine, pense m tudo que pode ter, novamente, a meu lado.
—Já pensei – afirmo, segurando-a pelos pulsos, afastando-a – Minha resposta ... É não! – digo, soltando-a, afastando-me ainda mais – Não sei como ou porque meu pai foi tirar você do buraco onde estava. Muito menos como conseguiu convence-lo a casar, se é que esse documento seja mesmo válido! – exclamo, vendo seus olhos faiscarem, me fazendo ficar em alerta – Mas não vou fazer parte de nada que envolva realizar a insanidade de meu pai. Muito menos que vá ferir ou magoar minha irmã e meus novos amigos. Posso até não morrer de amores por eles, mas também não vou prejudicar ou tentar destruir Oliver, Moira ou a QC.
—Pense bem Thomas, porque se não está comigo está contra mim. Sabe que posso ser perigosa se assim desejar—ameaça, vindo em minha direção – Da mesma forma que posso tornar sua vida um paraíso.... Posso torná-la igualmente um inferno!
—Já estou em um desde que descobri quem de fato era meu pai – asseguro, encarando-a – Não tenho medo de suas ameaças Helena. Se deseja e quer ficar com a Global, fique à vontade! Saiba que estou vivendo bem melhor desde que meu pai cortou meus rendimentos e me obrigou a trabalhar. Portanto, sua oferta não me interessa – reitero – Agora, se me dá licença, tenho mais o que fazer. Divirta-se como CEO da Global. Espero que tenha sucesso...SqN!... e me deixe em paz! – friso, caminhando em direção a porta.
—Minha oferta permanecera de pé por vinte e quatro horas Tommy. Nem um dia a mais – frisa, voltando-se para mim – Pense bem. Reflita. Verá que, como herdeiro natural de Malcom, é seu dever dar sequência ao que ele começou. Tanto com a Global quanto com o empreendimento. São suas heranças.
—Abro mão de ambos! – afirmo, abrindo a porta de ligação com a sala de reuniões – Aliás, meu pai já cuidou disto quando casou e lhe deu a procuração. Era a vontade dele...
—A vontade dele é que o suceda Thomas... Em tudo. Quanto mais cedo aceitar isso melhor. Está no seu sangue! – afirma.
—Está errada Helena. Tenho escolha e escolhi não ser meu pai! – dou a s costas para ela – Tenham uma boa tarde senhores, senhora – digo, indo direto para a porta, saindo sem olhar para trás.
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Verdant (Terça19: 45)
Narrador
—Nossa como estou cansada! – Caitlin exclama, jogando-se me um dos puffs gigantes que Roy arrastava pela pista de dança da boate.
—Hey, sai de cima loirinha número dois! Não parece mas você é pesada – provoca a garota.
—Número um: não sou loira! Nada contra mas não sou. Número dois: tá me chamando de gorda Harper? Perdeu a noção do perigo?- pergunta, girando a cabeça a fim de ver o rosto do rapaz.
—De jeito nenhum! – ergue os braços, um sorriso maroto na face.
—É bom mesmo. Agora responde: Licy está ou não aqui? – reitera, lembrando vagamente de ter escutado Felicity dizer quando conversaram por telefone, que iria até a boate ajudar Thea em alguma coisa. Como havia esquecido sua chave em casa visto que saíra tão apressada dois dias atrás quando fora chamada para substituir um dos médicos que estava de luto por ter perdido o pai no terremoto dos Glades, obrigando-a a dobrar o plantão (mesmo sendo ilegal), tivera que vir até a Verdant – Anda Harper, responde.
—Estou aqui Cait- escuta Felicity dizer, voltando-se na direção da voz, vendo-a descer as escadas juntamente com Thea – E pelo visto estamos mal humoradas!
—Experimenta ficar quase quarenta e oito horas sem dormir, só tirando cochilos rápidos, e tenta ficar de bom humor! – resmunga, abraçando-se ao puff.
—Muitos feridos ainda Caitlin?- Oliver pergunta, entrando ao lado de Diggle, passando as mãos pelo cabelo ao vê-la confirmar com um aceno.
—O que houve Oliver? Por que essa cara? -Thea questiona, apoiando-se no corrimão da escada – Quer dizer, o que houve a mais, além de tudo que já aconteceu?! – corrige-se, Felicity a seu lado.
—A cidade de Starling vai processar a QC e a Global. O prefeito quer que paguemos por todos os danos materiais além de indenizarmos as famílias das vítimas – informa – Além , é claro, de processarem nossa mãe e Malcom, à revelia deste visto que sumiu do mapa – prossegue, olhando ao redor – Onde está Tommy?
—Também gostaria de saber! – Thea exclama – Sumiu o dia inteiro praticamente, deixando todos os pepinos para mim. Desde que cheguei da delegacia que não parei. Mal tive tempo de comer alguma coisa. Não fosse a Felicity aqui ainda estaria enrolada- toca o braço da loira, que sorri condescendente, erguendo a cabeça em direção a porta ao ouvi-la ser aberta, Thea fazendo o mesmo – Ah, finalmente deu sinal de vida! Por onde diabos andou Tommy? – questiona, vendo-o passar por todos sem dizer uma palavra, indo direto para o bar, pegando uma garrafa de uísque nova, abrindo-a, tomando o liquido direto no gargalo – UOW!! Devagar ai maninho! Pensei que tinha parado de beber!! –insinua a garota, assustando-se ao vê-lo continuar bebendo o liquido sem parar sequer para respirar – Tommy, é sério, para com isso. Tá me assustando!
—A todos nós! – Felicity anui, descendo a escada ao lado da Queen caçula, olhando para Oliver, que responde sua pergunta muda com um meneio de cabeça, aproximando-se juntamente com Diggle.
—Thomas, pare! Vai terminar sufocando ou tendo um coma alcoólico! – Caitlin protesta, levantando-se rápido ao ver o rosto dele ficar vermelho escarlate – Façam alguma coisa! – pede, quase gritando, olhando de Oliver para Roy e Diggle.
—Tommy, o que aconteceu? – Oliver aproxima-se rápido, tentando tirar a garrafa de suas mãos, ele adiantando-se.
—O que aconteceu, você quer saber? Quer mesmo saber? – começa, batendo a garrafa com tanta força sobre o balcão que a mesma quebra, espalhando o restante do liquido e cacos para todos os lados, ferindo sua mão – Aconteceu que nem mesmo depois de “morto” – faz aspas no ar, o sangue respingando em sua roupa e no balcão – Meu querido pai deixar de me surpreender, negativamente falando! Aconteceu que sua ex namorada maluca, serial killer está solta novamente e de volta a cidade e tudo graças a meu pai, que fez o favor de tira-la do buraco onde estava metida, fez uma procuração dando-lhe plenos poderes e não satisfeito casou-se com ela passando todas as suas ações para ela que agora retém o controle acionário da Global! – despeja de um só folego, pegando uma outra garrafa – Portanto, doutora, me permita ter o direito de encher a cara até cair, mesmo que sufoque ou entre em coma! – braveja, encarando a médica, tomando um generoso gole, limpando a boca com as costas da mão antes de voltar-se para Oliver – Tinha razão. Vamos pagar caro pela merda que nossos pais fizeram!
Continua
"....Meu amor;
Disciplina é liberdade;
Compaixão é fortaleza;
Ter bondade é ter coragem;
Lá em casa tem um poço;
Mas a água é muito limpa..."
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