Survivors!!
18 Archers(III): smooth criminal
Notas iniciais
“I’m wide awake;
I’m wide awake;
I’m wide awake, yeah, I was in the dark;
I was falling hard with an open heart;
I’m wide awake;
How did I read the stars so wrong?
I’m wide awake;
And now it’s clear to me;
That everything you see;
Ain’t always what it seems;
I’m wide awake;
Yeah, I was dreaming for so long…”
Wide Awake
Katy Perry
Tribunal de Starling (Sábado, 13/5 –08:25 a.m)
Narrador
— Ansiosos, foi assim que os cidadãos de Starling amanheceram neste sábado nebuloso e nublado. Após os bizarros acontecimentos do dia de ontem envolvendo o promotor Donner entre outros cidadãos que se viram sob a ameaça do criminoso conhecido como o Conde, que acabaram por culminar na morte do mesmo sob circunstancias tão misteriosas quanto seu ressurgimento, mais a uma vez a cidade se vê envolta em mais um mistério: o retorno de Malcom Merlyn, mentor e principal acusado de executar o plano que quase destruiu os Glades. O senhor Melyn ressurgiu das cinzas na madrugada de ontem apresentando-se ao escritório da promotoria dizendo-se disposto a esclarecer todo o caso. A grande pergunta agora é: o que poderá o senhor Merlyn acrescer a este já estranho e complicado caso? O que este depoimento irá trazer de consequências para Moira Queen, até então única ré? E quanto à jovem senhora Merlyn, o que pensa sobre o ressurgimento de seu até então falecido marido? As respostas a estas e outras perguntas começarão a serem dadas dentro de poucos minutos quando o tribunal se reunira excepcionalmente para dar sequência ao julgamento mais esperado do ano.. ..Ou não?? Eu sou Ana Serpa falando diretamente da Suprema Corte para o Bom dia Starling .... E ai? Ficou bom? – a reporte da emissora local questiona, encarando ocâmera man que ergue o polegar – Ótimo. Agora só resta esperar os herdeiros chegarem e tentar conseguir algumas palavras de algum deles – diz, esticando o pescoço para olhar por cima da cabeça do rapaz ao visualizar a movimentação de colegas mais adiante.
—Legal seria uma exclusiva com um dos filhos do Merlyn – opina o ruivo, limpando a objetiva da câmera em sua mão fazendo a garota rir com o canto da boca.
— Meu querido, do jeito que andam arredios se conseguir um “Nada a declarar” sou capaz de soltar rojões! – ironiza, respirando fundo, arrumando o paletó do terninho bege que usava – Alias, pra quem era dado a escândalos e noitadas, Tommy Merlyn anda bastante recluso ultimamente. E isto bem antes de toda essa confusão começar – comenta, sobressaltando-se ao escutar a voz feminina a seu lado.
— É que foi devidamente encoleirado! – exclama a loira, olhando-a com desdém – Para quem quer ser ancora anda muito mal informada queridinha.
— Já você vive Em Cima da notícia não é Rhonda!? Literalmente falando – devolve a morena, voltando a dar atenção ao pequeno aglomerado que se formava alguns metros a frente de ambas.
—Inveja querida?? – questiona a loira, não esperando resposta – Desta vez, infelizmente, não estou em cima desta noticia em especial, coisa que me agradaria por demais, admito – afirma, suspirando — Uma amiga que trabalha no hospital de Starling comentou que o segundo solteiro mas desejado da cidade tornou-se frequentador assíduo do hospital, a emergência especificamente falando, desde que uma certa doutora Snow começou a trabalhar por lá – revela, igualmente atenta a pequena multidão em movimento.
— Uma médica? Thomas Merlyn interessado em uma mulher que Trabalha de verdade? – interroga, a loira confirmando com um aceno – Nossa, preciso conhecer essa criatura! Não, preciso entrevista-la e descobrir qual o segredo pra mantê-lo na linha como aparentemente anda fazendo – comenta, retendo o ar ao notar a morena que saltara do carro, fruto de todo o burburinho, aproximando-se de onde estavam ladeada por vários seguranças – Helena Bertinelli, digo, Merlyn! – exclama, quase caindo ao ser empurrada ela concorrente – Hey!! – reclama, seguindo-a de forma atabalhoada juntamente com o ruivo câmera man, desistindo ao notar que não conseguiria aproximar-se – Mas que droga! – esbraveja, deixando os braços caírem pesadamente ao longo do corpo, desanimada.
— Relaxa. Há males que vem para o bem! – o rapaz afirma, cutucando-a, indicando o carro que estacionava discretamente na lateral direita do tribunal.
Após uma rápida troca de olhares, os dois dirigem-se para o veículo o mais discretamente possível, alcançando-o quandoThea Queen desembarcava auxiliada por John Diggle.
— Senhorita Queen, nos daria uma palavrinha? – pergunta a reporte, erguendo o olhar ao notar outro carro estacionar junto ao primeiro, Thomas Merlyn descendo do mesmo juntamente com Caitlin Snow – Senhor Merlyn, uma palavrinha com a imprensa, por favor – pede, notando os demais ocupantes do carro que trouxera Thea descerem: Oliver Queen e Felicity Smoak – Senhor Queen...- começa dizer, a jovem Queen a interrompendo.
— Se for pedir uma palavrinha de meu irmão também, aconselharia a se decidir com quem quer falar afinal – sugere a garota, irritada, encaminhando-se para a escadaria de acesso ao tribunal seguida pelos demais.
— Na verdade, se estiverem dispostos, gostaria de saber o ponto de vista dos três acerca do julgamento, da candidatura de sua mãe a prefeitura da cidade e do aparecimento repentino do senhor Malcom Merlyn – explana a garota de um fôlego só, parando no primeiro degrau, o jovem câmera a seu lado – Sei que não é um assunto agradável e nem posso imaginar como devem estar sentindo-se confusos e amedrontados, suponho, com tudo que está acontecendo em suas vidas nos últimos dias. Já devem estar cansados de ouvir os comentários sobre suas famílias. Quero dar-lhes a chance de serem ouvidos, de expressarem o que estão sentindo, nada mais – garante, sincera, fazendo-os estancarem na metade da escadaria.
— O julgamento será retomado as nove e trinta, senhor Queen – Diggle informa formalmente, encarando o loiro.
— Talvez falar, tornar público o ponto de vista de vocês seja uma boa ideia – Felicity sugere, cuidadosa, apertando a mão que segurava, o gesto não passando despercebido pela repórter.
— Tommy, Thea? – Oliver indaga, voltando-se para os dois.
— Não sei em que isso pode ajudar, mas piorar é que não vai – Thea pondera, dando de ombros.
— Por mim... — Tommy responde, evasivo, retomando o caminho de mãos dadas com Caitlin.
— Alguns minutos, poucas perguntas, lá dentro – Oliver condiciona, fazendo o mesmo que ele, Thea seguindo-os.
— Sério? – a jovem espanta-se.
— No seu lugar trataria de aproveitar antes que mudem de ideia – John aconselha, seguindo seus patrões e amigos.
— Só se for agora! – o câmera exclama, arrastando a garota pelo braço.
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Oliver (08:55 a.m)
—Por fim, gostaria de saber o que esperam do julgamento de agora em diante? – a jovem reporte pergunta, me tirando do devaneio.
A princípio julguei ter errado ao decidir falar com a garota, porém isto acabou se mostrando uma decisão acertada. Especialmente para Thea.
Minha irmã pôs para fora parte de seu ressentimento em relação ao tidos “amigos”, que se afastaram um a um após os incidentes e a prisão de nossa mãe deixando-a praticamente sozinha. Não fosse Roy, Felicity, Cait e duas amigas suas (estas se mostraram amigas de fato), não teria ninguém para conversar. Até mesmo Sara passara a ocupar um lugar em sua vida mesmo não querendo.
— Acho que falo por nós três quando digo que tudo que queremos é justiça – ouço Tommy dizer e ergo os olhos para meu amigo.
Estava fazendo bem a ele também desabafar um pouco.
Apesar de não dizer nada, de tentar esconder por detrás de uma máscara de indiferença, a volta de Malcom o havia afetado e muito. Vi, em poucas horas, o mesmo olhar perdido e triste que via quando retornei da ilha. A mesma dor. Só que tudo isto agora era potencializado pelas verdades que descobrira sobre o pai.
—Quando diz justiça...
— Que os culpados sejam punidos de acordo com a lei. Nada mais –intervenho – Senhorita Serpa, não importa quem é o mentor intelectual ou quem pôs a mão na massa. Nossos pais são culpados, ponto. Nada que Malcom Merlyn ira dizer dentro daquele tribunal mudara esse fato assim como não mudara quem somos: seus filhos – friso, segurando a mão de minha irmã – Tommy, Thea e eu não escolhemos passar por tudo isto tampouco aprovamos a atitude de nossos pais. Mas temos que conviver com as consequências das mesmas, dia após dia. Reconheço que os cidadãos de Starling têm todo o direito de estarem zangados frustrados e revoltados. Estávamos lá quando tudo aconteceu – revelo, a surpresa surgindo no rosto da garota – Tommy e Thea quase morreram aquela noite tentando ajudar pessoas queridas, amigos e amigas que estavam nos Glades. Tentamos evitar que acontecesse, mas não conseguimos. Só nos resta agora fazer o que estiver ao nosso alcance para concertar as coisas – afirmo.
— Como estamos sendo chamados por ai, somos os herdeiros do caos – Tommy diz, fazendo aspas no ar – E é exatamente este o ponto: somos herdeiros, nãos somos nossos pais. Da mesma forma como os moradores dos Galdes e arredores, também estamos reconstruindo nossas vidas, pedacinho por pedacinho.
— Nada do que acreditávamos era real – Thea afirma, respirando fundo – Nada do que Eu acreditava era real. Meu mundo desabou e não apenas metaforicamente falando – diz, rindo torto – Vocês me conhecem desde que era uma criança. Me viam nas festas, nos eventos de caridade, a maioria de minhas amigas julgava que minha vida era perfeita...E eu também....Mas não era. Tudo não passava de uma farsa que começou a desmoronar no dia em que meu pai e irmão partiram naquele iate – lembra, pesarosa – Daquele dia em diante nada foi como antes e isto quase me destruiu. Várias vezes. De várias maneiras – declara, estendendo a mão para Tommy, que a segura – Mas para minha felicidade, meu irmão retornou, ganhei um irmão e mais algumas pessoas incríveis que me trouxeram de volta da escuridão onde andava e tudo que mais quero é retribuir o favor – afirma, beijando o dorso de minha mão e em seguida a de Tommy – Quando esse julgamento acabar, e espero que seja breve, peço que nos deixem viver nossas vidas em paz! – pede, contendo o choro a muito custo.
— Espero que consigam – deseja a reporte, olhando-nos demoradamente, absorta em seus pensamentos a ponto de precisar ser cutucada pelo rapaz que a acompanhava — Quero agradecer aos três por sua gentileza e atenção e desejar, do fundo de meu coração, que toda essa turbulência passe e possam retomar suas vidas, reconstruindo-as mesmo a sombra de seus pais. Obrigada – agradece novamente com um sorriso gentil.
—E corta! – o rapaz exclama, fazendo todos os presentes encará-lo de cenho franzido – Eu sempre quis dizer isto – explica, rindo sem graça.
— Mais uma vez obrigada por seu tempo e disposição. Espero que tudo corra bem no tribunal – deseja a garota, apertando nossas mãos uma a uma.
— Obrigado – agradeço, recebendo o selinho carinhoso de Felicity.
— Não foi tão ruim assim foi? – minha loira pergunta, limpando a mancha de batom com o polegar e sorrio minimamente. Ela tinha esse poder sobre mim: fazer-me sorrir mesmo em momentos de tensão.Essa é minha garota!
— Não, não foi – digo, retribuindo o selinho, envolvendo sua cintura.
— Bem que minhas cunhadinhas podiam ter participado mais! – Thea brinca fazendo as duas corarem.
— E correr o risco de ser trucidada pelo fã clube de seus irmãos? Não obrigada! Queremos viver ainda alguns anos com saúde de preferência – Felicity rebate e rio novamente notando o interesse da jovem reporte e imediatamente sinalizo para John.
— Melhor se retirarem para a sala de audiência senhor Queen. Estamos ficando sem tempo – alerta, abrindo a porta da pequena saleta onde estávamos.
— Certo. Vamos indo – chamo, fazendo Thea, Felicity e Caitlin saírem antes de mim e Tommy, retendo a jovem repórter – Um segundo – peço, ela me olhando espantada – Espero não ver imagens das duas em sua reportagem. Não queremos expô-las, por hora – aviso, Tommy corroborando.
— Não serão – garante, saindo após um aceno de cabeça.
— Dá pra confiar nela? – meu amigo pergunta.
— Espero que sim – respondo, alerta ao corredor – Vamos – chamo ao ver a aproximação de Helena e seus advogados – Fique calmo Tommy. Apenas a ignore – peço, parando ao lado de Felicity, trazendo Thea para junto de mim, pondo-a protetoramente entre mim e John.
— Ora, se não nãos os irmãos Merlyn, o mais novo CEO de Starling e seus asseclas serviçais – Helena ironiza, nos encarando.
— Hum, agora fiquei na dúvida de como devo te chamar – minha irmã começa dizer, dando um passo à frente – Porque se te chamar de vaca estarei ofendendo as bichinhas e o mesmo vale se te chamar de vadia...se bem que neste caso deve sentir-se lisonjeada nas verdade não é? – provoca e tenho que me segurar para não rir.
—Alguém está de mau humor – rebate a morena – Deveria estar feliz princesinha, já que você foi o motivo de Malcom ter retornado – revela rindo ante nossa reação.
— O que está dizendo Helena? – Tommy pergunta, a tensão em sua voz sendo quase palpável.
—Que foi trocado, mais uma vez, por sua irmãzinha querida – reitera, aproximando-se — Oh, pobrezinho do Thomas, foi colocado em segundo plano mais uma vez! Está decepcionado? Se tivesse ficado ao meu lado quando lhe dei a chance não estaria nessa situação – provoca, tentando tocá-lo, Tommy repelindo-a.
— Vá se ferrar! – rosna, Caitlin o segurando.
— Não meu querido, vocês é que irão...Muito em breve – ameaça, me dirigindo um olhar raivoso – Até mais ver docinhos – ironiza, passando propositadamente entre nós.
—Desgraçada, filha da mãe! – Tommy xinga, cerrando os punhos, Caitlin o retendo mais uma vez.
— Não Tommy, fique calmo, por favor – pede, abraçando-o.
— O que ela quis dizer com ele ter voltado por minha causa Ollie? – ouço Thea perguntar e me volto, encarando seu rosto assustado.
— Não se preocupe Speedy, tudo vai ficar bem – asseguro, envolvendo-a em meus braços.
— Não escute o que essa megera diz Thea. Ela só quer plantar a dúvida e o medo – Felicity aconselha, sua voz saindo levemente falha – o que consegue com louvor – murmura não muito baixo e escuto minha irmã rir pelo nariz junto a meu peito.
— Felicity está certa. Não deixe Helena te desestruturar...como faz comigo – Tommy assume, erguendo os ombros e mexendo o pescoço de um lado para o outro.
— Difícil levando em conta tudo que essa mulher já fez até hoje – Thea relembra, afastando-me carinhosamente – estou bem Ollie. Por enquanto ao menos – garante, sorrindo fracamente.
—O que fazem ainda aqui? – a voz de Jean Loring chama nossa atenção e nos voltamos para ela – Entrem. Faltam apenas alguns minutos. E sorria senhorita Queen. Mesmo as coisas não tendo saído como esperado ontem, hoje é um novo dia – afirma a advogada, estranhamente confiante, entrando na sala a nossa direita.
— Por que a advogada de sua mãe está tão alegre??- Felicity verbaliza minha dúvida.
— Boa pergunta loira – Dig diz, encarando-me de sobrancelha erguida – Sei não, mas sinto cheiro de encrenca no ar – afirma e tenho que admitir: sentia o mesmo.
— Vamos entrar – convido, abrindo a porta, deixando as garotas entrarem antes – Peça a Sara para ficar em alerta – peço a Jonh escutando a resposta em meu ponto...< Já estou! > a irmã de Laurel afirma e rio amargamente.
Sara de fato havia se tornado uma vigilante. Só tinha que controlar sua sede de sangue e tudo ficaria bem. Espero.
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Sala de audiência (12:25 p.m)
Tommy
Duas horas e cinqüenta e cinco minutos!
Este era o tempo de duração do depoimento de meu pai até agora. Estava estranhamente sereno, respondendo a tudo com calma, acrescentando algo aqui e ali ao que já havia contado aos promotores quando se entregara.
No início temi que fosse expor Ollie e os demais, incluse eu mesmo, porém com o passar do tempo percebi que não o faria. Por quê? Essa é a pergunta de um milhão de dólares.
Inclino levemente a cabeça a fim de ver o rosto de Oliver na tentativa de decifrar o que se passava em sua mente, mas nada consigo.... Não é a toa que conseguiu nos enganar por tanto tempo!, penso, recostando-me a cadeira, a dor em minhas costas começando a incomodar terrivelmente, consequência do último encontro com minha “querida” má-drastra.
Helena, aliás, mantinha-se calma, calada, sentada no lado oposto ao nosso. Em momento algum tentou contato visual ou mesmo verbal conosco. Pra falar a verdade, parecia alheia a tudo a sua volta. Só não sabia se isto era bom ou ruim.
— Tudo bem? – a voz doce de Cait soa em meu ouvido e me volto para vê-la, tensa, me observando atentamente.
— Tudo – minto, beijando sua mão, voltando minha atenção para meu pai mais uma vez.
Por mais que odiasse admitir, as palavras ferinas de Helena ainda ecoavam em minha mente. Não saberia definir bem o que sentia: se dor, revolta, medo, tristeza...talvez um misto disso tudo.
A possibilidade de meu pai ter regressado por causa de Thea me magoava mais do que queria admitir. Ciúmes? Um pouco, devo admitir. Não sou perfeito e durante breves momentos antes de toda a confusão envolvendo as descobertas de sua paternidade em relação a ela e de seu plano de destruição dos Glades, cheguei a ter esperança de que recuperaríamos a convivência que tínhamos antes de minha mãe ser assassinada visto que tentara uma aproximação.
— A quem estou tentando enganar – murmuro baixinho relembrando que naquela ocasião tudo que ele queria era minha assinatura renunciando à propriedade que pertencia a minha mãe e passara para mim com sua morte.
—Este tribunal irá entrar em recesso e retornará as quatorze horas quando o júri devera anunciar sua sentença em relação a senhora Moira Dearden Queen – o juiz anuncia, me trazendo de volta a realidade – Quanto ao senhor Malcom Merlyn, será imediatamente recolhido ao presídio de segurança máxima de Starling onde aguardara seu próprio julgamento – completa, batendo o martelo sobre sua mesa, todos os presentes levantando ante sua saída e a do júri.
Por um breve momento meu pai e Moira Queen trocam olhares voltando-se para nós em seguida, ela ansiosa e assustada; meu pai com um sorriso estranho na face que me causa um arrepio igualmente estranho na espinha. Assim como foi estranho ver a maneira como ignorou a esposa, saindo conduzido por um oficial sem olhar para trás.
— Que faremos até lá? – Thea questiona, mas antes que possamos responder, Laurel se aproxima.
— Oliver, podemos conversar um segundo? – pede, cumprimentando-nos com um aceno – Será rápido, prometo – acrescenta ao notar que ele hesitava.
—Vão indo. Já os alcanço – Ollie pede, beijando a mão de Felicity antes de liberá-la.
Saímos, os quatro, em silencio, nos unindo a John do lado de fora da sala.
— Oliver?? – questiona ele, arqueando a sobrancelha.
—Conversando com Laurel – respondo, me voltando ao escutar meu nome.
— Senhor Merlyn, senhorita Queen, seu pai pediu para vê-los antes de ser conduzido ao presídio – um dos seguranças do tribunal avisa – Caso concordem, irei conduzi-los até ele – avisa.
— Não – Thea diz, categórica, cruzando os braços e erguendo o queixo – Não tenho nada a dizer nem a ouvir do senhor Malcom Merlyn e ele não é meu pai!- bufa mais zangada.
Pondero uns minutos, a curiosidade sendo maior do que a prudência.
—Ok – digo simplesmente sentindo a mão de Cait apertar meu antebraço – Volto rápido amor – garanto, lhe dando um selinho.
—Não sei se é uma boa idéia ir vê-lo Thomas. Da ultima vez esse encontro não foi nada agradável – Diggle lembra.
— O que ele vai fazer? Me matar na frente dos policiais? – indago, dando de ombros.
— Não brinque com isso Thomas! – Cait ralha, apreensiva.
— Não estou brincando – afirmo — Não se preocupe amor, nada vai acontecer- garanto.
— Por que quer falar com ele Tommy? – Thea questiona, aflita.
— Certas pendências que ainda existem entre nós – digo, suspirando – Me espera? – pergunto diretamente a Cait.
— Esperamos – Diggle se adianta, cruzando os braços com seu jeito carrancudo de sempre- Qual sala o senhor Merlyn está?- quer saber.
—No final do corredor – indica o policial.
— Se dentro de dez minutos não sair de lá, entro e te arranco a força – ameaça e rio – Falo sério Thomas – reitera.
— Eu sei grandão – toco seu ombro ainda rindo ao passar por ele, o mesmo morrendo em meus lábios na medida em que me aproximo da sala onde meu pai se encontrava.
O policial abre a porta, ficando de lado para me dar passagem. Respiro fundo antes de entrar.
Lá dentro, em uma saleta menor, meu pai se encontrava sentado, as mãos algemadas a uma mesa.
—Estarei de olho o tempo todo – alerta o oficial, não sei se para me passar segurança ou para avisar que não deixaria que o libertasse....Como se eu fosse fazê-lo mesmo que pedisse!, penso, entrando na saleta.
Paro alguns passos da mesa, encarando meu pai em silencio.
—Algo me dizia que seria apenas você – ele fala, tranqüilo, reclinando-se – Como está Thomas? – pergunta após alguns segundos me observando.
— Como acha que estou pai?- devolvo, sustentando seu olhar.
— Aparências enganam, como já deve ter aprendido a esta altura – diz, mantendo a mesma postura – Acho que estou devendo uma explicação no que se refere a paternidade de Thea não é mesmo? –desencava e rio, balançando a cabeça negativamente.
— Depois de todo este tempo e de tudo que aconteceu, acha mesmo que sua pulada de cerca tem alguma importância para mim? – questiono-o.
— Talvez queira saber que eu não sabia ser pai dela, que nada existia entre Moira e eu antes que sua mãe morresse – enumera, continuando a me encarar.
—Honestamente, não me importa – afirmo, ele rindo.
— Não mesmo? – indaga, não me dando chance responder – Quero que saiba que a atitude de Helena não teve minha aprovação. Discutimos por isso inclusive – assegura – Não sei o que deu nela para agir daquela maneira tão absurda!
—O que quer pai? Por que pediu para virmos falar com você?- pergunto, irritado, me arrependendo de ter ido a seu encontro.
— Arrependido de ter vindo até mim Thomas? – pergunta, rindo atravessado – Nisso não mudou: faz as besteiras depois se arrepende, igualzinho a Rebecca – diz, prosseguindo sem me dar chance falar – Por mais que a amasse, e amava, não era cego a seus defeitos e um deles era justamente este. Isso unido a mania de achar que todos eram bons acabaram lhe custando a vida. Tantas vezes pedi que não abrisse aquela maldita clinica...a adverti tantas vezes que aquele lugar, aquelas pessoas não tinham concerto! Nunca me deu ouvidos...
— Não tem o direito de falar assim de minha mãe! – o interrompo, irado, me aproximando mais – Diz que a amava, mas tudo que fez após sua morte foi destruir tudo que ela mais amava: nossa casa, a clinica, até a mim tentou destruir – acuso.
— Tentei? Eu tentei? Não precisei tentar ou fazer nada contra você Thomas, mesmo que quisesse. Encarregou-se de fazer por conta própria – devolve, ficando de pé, as mãos apoiadas sobre a mesa, inclinando-se até que ficássemos muito próximos – É um fraco Thomas, sempre foi. Esconde-se atrás de piadas e desse ridículo complexo de Peter Pan! Sempre a sombra de algo ou alguém: sua mãe, os Queen..Oliver. Não pense que meia dúzia de golpes mudou o que é. Continua sendo o mesmo pirralho irritante, insuportável e chorão que tudo que sabia fazer era se lamuriar pelos cantos da casa: minha mamãe morreu! Meu papai não me dá atenção! – ironiza e sinto o ar me faltar –Era e ainda é uma decepção para mim. E pensar que cheguei a cogitar a possibilidade de prepará-lo para me substituir nos negócios...em todos eles- revela, sentado lentamente sem deixar de me encarar – Quando me enfrentou na Global aquela tarde pensei que talvez tivesse me enganado a seu respeito... Mas não passou de uma isca para dar tempo de o arqueiro e sua gangue agirem – diz, rindo alto – E nem para isso serviu! Não conseguiu me atrasar ou atrapalhar em momento algum. Não fosse aquela nerd metida meu plano teria sido um sucesso e a essa altura a cidade estaria livre do câncer que os Glades representam – esbraveja, tomando fôlego antes de continuar – Repreendi Helena pelo que lhes disse no corredor, muito embora reconheça que desta vez, está correta: Thea me fez retornar – confessa – Tenho recebido noticias de tudo que aconteceu depois dos tremores, não apenas através de minha digníssima e vingativa esposa, mas de outras fontes também. Confesso ter-me admirado com a força demonstrada por sua irmã. Thea é firme, decidida e ao contrario de uns e outros assume as conseqüências de seus atos. Tem demonstrado uma fibra admirável. Mas como podia ser diferente sendo filha de Moira...e minha – diz, inclinando-se sobre a mesa novamente – Ela é mais parecida comigo do que imagina...mais parecida do que você jamais foi...
— Tommy? – a voz de Oliver soa distante e apenas quando sinto o toque em meu ombro me dou conta de que estava na sala.
Volto o rosto em sua direção vendo Dig alguns passos atrás.
— Seus dez minutos já acabaram senhor Merlyn – Dig avisa olhando diretamente para meu pai.
— Vamos indo – Oliver convida, a risada de meu pai se fazendo ouvir, alta e sarcástica.
— Isso! Vá. Faça o que de melhor sabe fazer: esconder-se a sombra de alguém! Mas tome cuidado para não ficar no caminho ou poderá acabar sendo descartado – aconselha de forma irônica.
— Não se preocupe pai, estarei bem aqui, de pé, para vê-lo cair...De novo – rebato – Quanto me esconder...Por onde andava mesmo todos estes meses enquanto sua esposa destruía Sua empresa, Seu dinheiro? Onde estava quando a cidade se voltou contra a Global? Contra mim?...Sou uma decepção pra você? Sério? Pois bem: Dane-se! Pouco me importa o que pensa a meus respeito...
— Ah importa sim – me interrompe, rindo com o canto da boca – Tanto importa que veio até aqui mendigar minha atenção quando podia ter-se recusado como fez sua irmã. Não tente se convence que mudou Thomas, porque não o fez. Um tigre não muda suas listras – cita, voltando-se para Oliver – Concorda senhor Queen? – pergunta, o riso sumindo gradativamente ao escutar a resposta dada.
—Não muda — anui — Se adapta para sobreviver e sair mais forte...E é exatamente isto que estamos fazendo!
Continua
“...I’m wide awake;
Not losing any sleep;
I picked up every pierce;
And landed o my feet…;
I’m wide awake;
Yeah, I am born again;
Out of the lion’s den;
I don’t have to pretend;
And it’s too late;
The story’s over now, the end…”

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