Survivor
14 Capítulo 14 - Correndo contra o tempo.
Notas iniciais
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Como prometido, aqui está mais um capítulo.
Nada como um pouco de incentivo, né? rsrs
Que tal tentar 50 agora?
Boa leitura!
“Não sou uma pessoa perfeita
Há tantas coisas que eu gostaria de não ter feito
Nunca quis fazer aquelas coisas a você
Sinto muito por ter te machucado
É algo com que tenho que viver todos os dias
E toda dor que te causei
Espero poder levá-la embora
E ser aquele que apara todas as suas lágrimas
... só quero que você saiba
Eu encontrei uma razão para mim
Pra mudar quem eu costumava ser
Uma razão para recomeçar
E essa razão é você”
The Reason – Hoobastank
http://www.youtube.com/watch?v=EAbFzWU9EQE&feature=related
Edward Cullen
Eu podia sentir minhas mãos tremendo, e tenho certeza que todo o meu nervosismo era visível, mas estava lutando contra o meu desespero.
Eu não podia desmoronar agora – era o que eu ficava me repetindo a todo o momento.
- Você tem certeza que não tem nada? Serve qualquer vôo, em qualquer classe, até mesmo com escala, mas preciso de um vôo pra Washington o mais rápido possível... – repeti mais uma vez para atendente a minha frente.
Eu já havia passado por três companhias de vôo diferente e nenhuma delas, nenhuma, tinha um vôo disponível para Washington em menos de 5 horas e, eu não podia esperar todo esse tempo.
-Infelizmente Senhor, o único vôo disponível para Washington é daqui a 4 horas, se o Senhor desejar posso fazer a sua reserva desde já...
- Não é possível que nenhuma companhia não tenha absolutamente nada! – esbravejei socando o balcão. A menina a minha frente recuou assustada e eu tentei controlar o meu tom de voz. – eu pago o preço que for, mas eu preciso de uma passagem agora.
Eu já não me importava com mais nada, nem com as pessoas que me olhavam assustadas, nem com os seguranças que se aproximavam.
- Eu preciso pegar um avião pelo amor de Deus, eu imploro, minha mulher pode morrer, eu tenho que estar com ela, por favor... — eu não conseguia mais ficar em pé e meus joelhos foram ao chão e enquanto as lágrimas molhavam a minha camisa senti mãos me levantando do chão. Dois seguranças me levantaram e me arrastavam pelo saguão do aeroporto.
-Espere... –uma pessoa gritou no meio da multidão que olhava o que acontecia. – Espere, eu dou o meu lugar para ele.
Os seguranças ainda tentavam me arrastar, mas eu implorei mais uma vez que me deixassem ir.
Eu mal conseguia enxergar através dos meus olhos tomados por lagrimas, mas pude ver a sombra de senhor com uma criança no colo. Os seguranças me saltaram e eu imediatamente sequei as minhas lagrimas.
- Aqui... – Um senhor vestido humildemente, me falou estendendo a mão, me entregando a sua passagem. – Você pode ficar com a minha passagem... O meu vôo é o próximo, já estavam até nos chamando...
- Eu... eu.. eu não sei como agradecer... eu realmente preciso.
- Tudo bem, meu filho... – ele falou sorrindo pra mim.
Eu não pensei no que eu estava fazendo, mas o abracei e repeti inúmeras vezes o quanto eu estava grato.
Tanto ele quanto o filho que ele mantinha protetoramente no colo apenas sorriam para mim, quando eu voltei ao balcão da companhia de vôo e comprei duas passagem para o próximo vôo disponível, fiz questão que as passagens fossem de primeira classe, mesmo com todos os protestos dele, que dizia a todo o momento que um lugar na segunda classe, como a passagem que ele me ofereceu, já era mais do que suficiente.
Depois das passagens compradas, agradeci e segui correndo até o portão de embarque, agora tudo o que eu precisava era rezar para chegar a tempo.
...
Durante todo o vôo eu tentei não pensar muito sobre todos os detalhes que Emmett havia me dado sobre o estado de saúde de Bella, tentei manter minha mente o mais dopada possível, porque se eu parasse para pensar em tudo, em tudo o que ela passou quando eu estava longe, no quanto eu fui egoísta, no risco que ela estava correndo agora, eu enlouqueceria e eu não podia me dar a esse luxo, eu precisa estar lá com ela, precisava ao menos aparentar calma.
Cheguei ao hospital 1h30m depois de ter embarcado, felizmente não houveram problemas na hora da decolagem ou do pouso, mas precisei de mais tempo que o normal para chegar até o hospital onde Bella estaria... Mesmo sem conseguir falar novamente com Emmett, eu sabia que ela jamais estaria no hospital dos Cullen, e honestamente não sabia se me sentia bem por isso ou não, eu não gostaria de reencontrá-los agora, e sabia que Bella jamais usaria o serviço do hospital dos Cullen. Mas eu também sabia, pelo que Emmett me contou, que ela precisaria dos melhores recursos possíveis a disposição, mas não fazia idéia de por onde começar a procurar.
Tentei desesperadamente falar com Emmett, mas ele não atendia nenhuma das minhas ligações, precisava de um rumo para encontrá-lo. Mas, não havia nada além de minha dor e desespero.
As luzes da cidade passavam como um borrão por meus olhos enquanto passava por todos os hospitais onde achava que Emmett poderia ter a levado, mas sempre recebia a mesma resposta: ninguém fazia idéia de quem era Isabella Swan ou Isabella Cullen.
Eu já havia ido a todas as clinicas de nossos amigos e não havia obtido nenhuma resposta, até que lembrei, daquele hospital publico do subúrbio, onde encontrei Bella no dia do casamento de Emm -no dia em que ela estava perdendo nossa filha sozinha, enquanto eu atendia aos caprichos de minha família. Era minha ultima esperança, ela tinha que estar lá...
Estacionei o carro de qualquer jeito e corri pela recepção. Ainda ofegante, perguntei a uma das recepcionistas se ela sabia se Isabella Swan estava lá. Ela, primeiramente me olhou de cima a baixo, julgando minha aparência — que naquele momento era assustadora — depois, fez uma cara meio triste e disse:
- Isabella Swan está aqui sim. Estava em trabalho de parto. Bem, se você puder avisar ao pai da criança que ela está aqui... Ou a algum responsável por ela... para virem se despedir... acho que é a hora.
O desespero que sentia foi multiplicado por mil.
Como assim se despedir?
Ela não podia partir...
Corri pelos corredores do hospital sem me importar com as enfermeiras que me olhavam de cara feia, até que cheguei ao corredor do centro cirúrgico, no momento em que avistei Emmett sentado de cabeça baixo em um banco, senti meu coração parar.
E se algo tivesse acontecido? E se Bella não tivesse suportado? E se...
Eu forcei meus pés a continuarem, mas eu mal conseguia andar, muito menos correr, eu praticamente me arrastava por aquele corredor, o medo que eu sentia era maior do que tudo o que já senti em minha vida.
Meus olhos fixos em Emmett, esperando, quem sabe, decifrar o que tinha acontecido. Vi no momento em que dois médicos se aproximaram dele e ele se levantou imediatamente. Eu me obriguei a apressar os passos, até que cheguei perto o suficiente pra ouvir o que eles diziam:
- Emmett, nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance... – um medico, alto e loiro disse dando tapinhas no ombro de Emmett, eu senti que o chão estava desmoronando abaixo dos meus pés. Por favor, não diga que ela... – Mas agora só o tempo dirá o que pode acontecer, nós tivemos que induzir o coma... Era a nossa única opção. A hemorragia não parava e depois da primeira parada, precisávamos tentar estabilizar a pressão dela. As chances são poucas, mas não podemos desistir delas.
Eu parei no meio do corredor, tentando assimilar tudo o que ouvia. Bella, minha Bella em coma, e pela forma que o medico falava, ele não parecia ter muitas esperanças de que ela acordasse.
- Eu sei que é uma situação muito difícil para você – a medica que estava junto com eles começou a falar. – Mas eu preciso te lembrar que precisamos correr contra o tempo, ou não terá muita coisa que eu possa fazer pela bebê... Talvez se fizermos o teste, para ver se você pode ser o doador...
-O meu tipo sanguíneo não é compatível – Emmett respondeu cabisbaixo.
- Quem sabe o pai? – a medica voltou a perguntar. – infelizmente não temos sangue AB negativo em estoque para fazer a transfusão e como te expliquei se não fizermos algo o mais rápido possível, ela entrará em choque, assim como a mãe e...
Eu não sabia como colocar os meus pensamentos em ordem, não sabia nem mais como dar um passo em direção a eles. Era como se tudo ao meu redor tivesse simplesmente congelado.
Bella em coma. Nossa pequena correndo risco de vida. E tudo por que eu fui irresponsável o suficiente para fugir e deixá-las sozinhas.
- Edward! – Ouvi Emmett gritar, mas meu estado de choque era tanto que mal consegui levantar minha cabeça e o olhar. — como você some assim seu imbecil? – ele gritou me acertando em cheio com um soco no rosto.
A dor do soco de Emmett não era nada comparado ao que sentia em meu coração.
Meu corpo cambaleou para trás e senti no momento em que Emmett me atingiu mais uma vez.
- Tem idéia do estrago que você fez? – ele gritou mais uma vez, antes que o medico o segurasse.
- Emmett, isso não vai adiantar de nada agora.
Senti minhas costas bater de encontro com uma parede e não tentei nem me manter em pé. Deixei que me corpo escorregasse por ela, me encolhendo no chão, chorando desesperadamente.
Era minha culpa, minha máxima culpa tudo aquilo que estava acontecendo. Eu sabia que Bella estava deprimida antes mesmo de nossa separação, mas, minha raiva era tão grande naquele momento que não conseguia me segurar. Depois veio a vergonha. Eu não tinha coragem de voltar. Eu não merecia tê-la comigo. Mas, ela precisava de mim naquela hora.
Se houvesse uma coisa, qualquer coisa que pudesse fazer para salvá-la. Se pudesse voltar no tempo, se pudesse ter ficado no Rio com Bella, se eu tivesse assumido o rumo da minha vida, se tivesse dado a ela toda a minha atenção invés de tê-la deixado de lado...
Existiam tantos "se" na minha cabeça, tantas coisas em que eu errei, tantas coisas em que eu poderia e deveria ter feito melhor.
Eu precisava pensar em algo. Precisava contar com a sorte. Eu não poderia ser o doador para minha filha e isso fazia com que me sentisse ainda mais impotente. Emmett também estava em desespero. Eu conseguia ver a dor da impotência em seus olhos, a mesma dor que estava nos meus.
Emmett se aproximou de mim — eu ainda estava encolhido num canto da parede — e me deu um abraço sincero. Eu entendi perfeitamente o que ele estava me dizendo com esse abraço: nós faríamos o que fosse necessário para salvar as duas.
Começamos uma busca desesperada por todos os bancos de sangue de Washington.
Foi a primeira coisa que me veio à mente, em algum lugar nós encontraríamos o tipo sanguíneo necessário e eu estava disposto a pagar qualquer valor por ele. Mas todas as minhas ligações eram imediatamente ignoradas, assim que eu informava que Edward Cullen era o medico que estava solicitando aquele sangue. Em todos os lugares recebia desculpas evasivas e esfarrapadas. Era como se eu fosse uma doença contagiosa. Eu não sabia mais o que fazer, não sabia para onde correr e tinha a certeza absoluta que Carlisle estava por trás de todas aquelas recusas.
Só me restava uma alternativa: Retornar a casa dos Cullen e pedir ajuda a ele.
Não fazia idéia de como estavam aqueles que um dia chamei de família, muito menos como haviam reagido a minha partida ou a gravidez de Bella.
Havia um silencio pesado entre eu e Emmett no carro, eu queria saber tudo e ao mesmo tempo nada.
Quando parti, estava decidido a nunca mais voltar a essa casa e agora parado de frente para ela, sabendo que não me resta nenhuma alternativa, senão respirar fundo e encarar Carlisle, fico me questionando se serei capaz de convencê-lo a me ajudar, mais do que isso, a ajudar a minha pequena.
Emmett seguiu na minha frente e entrou na casa deixando a porta aberta para mim, ainda hesitei um pouco assim que alcancei a porta, mas me lembrando de Bella, eu soube que nada do que Carlisle pudesse me falar ou fazer seria pior do que perdê-la ou ver, mais uma vez, a decepção em seus olhos, por eu não ter feito tudo para salvar nossa filha.
Aquela casa já não era mais como me lembrava. Tudo ganhou um clima mais informal e aconchegante, diferente de toda a ostentação de riqueza e modernismo que havia antes. Meus olhos correram pela sala, encontrando minha mãe, Alice e Jasper, que me olhavam com ternura e preocupação. Imediatamente, fui envolvido por um abraço reconfortante de minha mãe e pelo canto dos olhos, pude ver Alice derramando lágrimas de pesar, sendo consolada por Jasper. Eu pude ver que ela se sentia culpada com algo, algo que ela se obrigou a ver, apenas agora, em minha presença.
- Mãe... Eu preciso saber... Onde está Carlisle?
-Eu... Seu pai e eu nos separamos... Eu não podia viver com um homem que fez o que ele fez. Oh meu filho, eu sinto tanto.. Se eu soubesse... Se nós soubéssemos... -suas palavras eram cortadas por soluços profundos. Era difícil para ela formar frases — Aquela menina sozinha aqui... Sem uma mãe para acompanhá-la... Mas, vai ser tudo diferente agora.
- Carlisle está no apartamento do Washington Harbour. Fale com ele. Ele pode ser seu doador, ele é o único que pode ser doador.
Atravessamos novamente a cidade, rumo ao apartamento onde ele estava. Nosso prazo estava acabando, só me restava esperar que ele ajudasse...
O apartamento ficava num complexo luxuoso, típico de Carlisle, e, a todo o momento, tinha que me lembrar que era por Bella que estava ali. O porteiro não queria me deixar entrar, provavelmente por achar que eu não estava bem vestido o suficiente, mas bastou uma ligação para Carlisle informando que eu estava aqui para que a nossa entrada fosse liberada.
Emmett insistiu em ir comigo, mas essa era uma conversa que eu precisar ter com Carlisle em particular. Sabia que Carlisle não cederia facilmente e provavelmente exigiria alto em troca. Eu sabia que não seria uma conversa fácil.
Carlisle estava fisicamente do mesmo jeito que me lembrava, mas seus olhos haviam mudado.
- Finalmente Edward, você apareceu... Refletiu sobre suas decisões? Eu lhe dei todo esse tempo para você pensar e por a cabeça no lugar... Dei-lhe todo esse tempo para você assumir quem você é Edward.
Eu tentava controlar a raiva que passava por meu corpo. Ele ainda acreditava que eu seria seu cordeirinho? Aquilo era impossível!
Lutei para manter a pouca calma que tinha antes de começar a falar, sabia que perder a cabeça agora não ajudaria de nada.
- Carlisle, eu só estou aqui porque não tenho alternativas. Bella acabou de dar a luz a minha filha, mas Jenny precisa de uma transfusão. Seu sangue é AB negativo... -eu respirava fundo, tentando controlar as emoções — Carlisle, você é AB negativo, o único que me lembro. Por isso vim aqui, para lhe pedir que seja o doador.
Carlilse fechou os olhos e respirou fundo, como se apreciasse minhas palavras.
- Porque eu deveria fazer algo? Primeiro que essa menina nem deve ser sua filha mesmo Edward e depois, porque eu faria algo pela mulher que tirou o meu filho dos planos que construi para ele?
Não pude conter minha fúria e dei um soco em seu maxilar, o que fez com que Carlisle caísse longe.
- Nunca, nunca mais ouse repetir uma loucura como essa. Eu tenho vergonha de você ser meu pai, vergonha de ter te ouvido, de ter te atendido, vergonha de algum dia ter sentido orgulho de você, vergonha do nome!
Olhei mais uma vez para Carlisle e saie daquele apartamento, perfeitamente ciente de que eu tinha falhado.
Carlisle Cullen
Conquistar o mundo não tem o mesmo sabor quando se está só. Nada valeu a pena, porque aqueles que eu mais amo, se decepcionaram comigo. Edward e Alice me rejeitam como pai, Esme pediu o divorcio e, por mais que finde a noite com uma bela mulher em meus braços, nenhuma delas tem o cheiro e os olhos de minha Esme.
Eu desejei tantas coisas para Edward, desejei que ele tivesse o sucesso que eu mesmo não tive, devido o tempo que dediquei a minha família. Não que eu me arrependa, mas, eu queria que ele tivesse mais que eu.
Estava tudo planejado.
O namoro de Edward e Tanya estava firmado e era questão de tempo até o casamento sair. A associação entre os Cullen e os Denali seria, financeiramente falando, muito mais que viável para ambas as partes. Mas, um dia Edward pediu férias, foi para o Brasil e começou a namorar com aquela Isabella Swan... era uma boa moça, mas não boa o suficiente para Edward.
Entrei em contato com o chefe dela, para que me ajudasse a separar os dois. Eu não podia correr o risco de que um namorico atrapalhasse o futuro de meu filho. Mas, quando achei que os problemas estavam resolvidos, ele a trouxe para Washington. Eu fiz tudo. Prendi Edward no hospital por horas a fio, ofereci dinheiro a ela, fechei portas no mercado de trabalho. Mas, nada parecia separar os dois...
Até que resolvi apelar para o ciúme — devo reconhecer que Rosalie não poderia ter tido idéia melhor — nada como convidar Tanya para o casamento e plantar a semente.. E foi o suficiente. Eles se separam...
Mas Edward foi embora.
E tudo desmoronou para mim. Esme pediu o divorcio por não aceitar minhas escolhas. Alice e Emmett romperam comigo. Apenas Rose conseguia me entender... Eu tinha esperança que com o tempo, Edward refletisse sobre tudo e voltasse para casa, mas ao vê-lo hoje, vi tanta dor nele... eu não queria lhe causar mal. Mas, não me desculparia por nada.
Peguei meu carro e, depois de alguns telefonemas, seguia para um hospital publico de periferia para doar o sangue para a filha de Edward. Já havia avisado a direção do hospital que queria sigilo absoluto sobre minha identidade, o que me custou uma doação de um equipamento novo de raio X. Foi rápido como era de se esperar mas, antes de ir embora, eu precisava vê-la. Eu necessitava ver minha neta.
Entrei na UTI neonatal onde ela estava. Uma linda menina com cabelos acobreados e de olhos azuis, me lembrava tanto Edward quando nasceu. Era definitivamente o bebê mais lindo que eu já havia visto. A peguei em meus braços e a ninei suavemente, pois ela ainda estava recebendo meu sangue por seu gorducho bracinho. Não sei quantos minutos se passaram, até que sentisse que me observavam pelos vidros, foi quando vi Edward parado pelo lado de fora. Acariciei a bochecha de Jenny mais uma vez e fechei meus olhos para guardar sua imagem. A depositei em seu berço e fui embora tentando absorver todas aquelas emoções.
FIM CARLISLE POV
“Amo você como nunca amei ninguém antes
Preciso de você...
Se implorar a você pudesse, de algum modo, mudar a maré...
Outro dia solitário é mais do que eu posso suportar
Você não vai me salvar? Pois é salvação o que eu preciso
Só quero estar ao seu lado...
Eu não quero ficar apenas vagando através desse mar da vida
... estou de joelhos
Você é tudo o que eu estou vivendo
De repente o céu está desabando
Poderia ser tarde demais pra mim?
Eu escuto meu espírito chamando,
Imaginando se ela está ansiando por mim...
Então, eu sei que não posso viver sem ela.”
Save me – Hanson
http://www.youtube.com/watch?v=dBWRCihnWFU&feature=fvst
Edward Cullen
Carlisle questionou a paternidade de minha filha e aquilo me causou uma cólera tão grande que antes que pudesse perceber, eu havia dado um soco em seu maxilar.
Não me arrependia, mas, agora, no carro o desespero tomava conta de mim. Quem doaria sangue para minha filha?
Eu não sabia o que fazer, nem a quem pedir ajuda. Nunca estive tão perdido quanto agora... Eu precisava fazer algo, precisava encontrar alguma forma de dar a minha filha o que ela precisava para sobreviver, mas todas as minhas alternativas já tinham se esgotado e eu estava me sentindo terrivelmente derrotado.
Emmett continuava a dar alguns telefonemas, tentando encontrar algum amigo que estivesse disposto a passar por cima do Dr. Carlisle Cullen e nos conceder o sangue necessário. Eu apenas decide que já tinha passado da hora de ter algum tempo com a minha pequena, talvez o único tempo que eu pudesse ter com ela, quando a pediatra responsável por Jenny, veio nos chamar.
Por um instante pensei que ela viesse nos dizer que não havia nada mais que pudéssemos fazer, mas ela, felizmente, tinha um sorriso no rosto.
- Conseguimos um doador. — Ela anunciou assim que chegou próximo a nós dois.
Uma onda de esperança me tomou.
- Quem? Quem foi o doador? Eu preciso agradecer a ele...
- Foi um doador anônimo. Na verdade, ele só doou com a condição de se manter no anonimato... Estamos fazendo a transfusão agora mesmo. Temos que esperar que seu corpo reaja e torcer para que tudo dê certo.
- Eu, poderia ver Bella?
- Ela está na UTI em coma induzido como você bem sabe, não é uma visão agradável, mas, se você quer ir, eu te levo lá... Você tem cinco minutos.
Bella estava deitada na cama, seu rosto estava pálido, seus olhos e lábios ainda muito inchados, diversos monitores ligados ao seu corpo e ela estava entubada.
Tudo aquilo por minhas decisões de merda.
Acariciei suavemente seu rosto e depositei um singelo beijo em sua testa. Como senti sua falta, pensei de olhos fechados, sentindo sua delicada pele na ponta dos meus dedos. No momento, em que tentava mostrar a Bella que estava ali, ao seu lado, o médico loiro que vi falando com Emmett entrou na sala, me afastei da cama, indo em direção a uma cadeira na lateral do quarto para lhe dar espaço, seus olhos me fuzilaram quando me viram.
- Você é Edward Cullen? – Havia desdém em sua voz.
- Sim, sou eu.
- Resolveu aparecer?
Então ele se aproximou da cama e começou a acariciar o rosto desacordado de Bella e sussurrou em seu ouvido alto o suficiente para eu ouvir:
- Não se preocupe Bella, eu estou aqui e nunca vou deixar você querida.
Eu simplesmente o peguei pelo colarinho da camisa com uma mão, pronto para quebrar sua cara, quando os monitores começaram a oscilar, o que imediatamente me fez soltá-lo e voltar minha atenção para Bella. Sua pressão estava começando a cair o que fez com que me tirassem de lá para começarem a medicá-la novamente.
...
Caminhava sem prestar atenção pelos corredores até chegar ao berçário, queria ver minha filha. Ao parar diante dos vidros, pude ver que Carlilse estava com minha filha em seus braços, a ninando com carinho e atenção. Ali eu soube, que ele tinha sido o doador para minha filha. Assim que ele percebeu minha presença, a acariciou uma ultima vez e se retirou, sem falar comigo.
...
Agora, sentado em um desses bancos duros de hospital ao lado de meu irmão urso tenho uma completa noção do que fiz e das escolhas que tomei... Eu poderia ter feito tudo diferente, poderia ter jogado tudo para o alto e ter corrido atrás de meus sonhos, mas, minha estúpida noção de dever trouxe dor para os que mais amava e, mesmo agora, com todos os meus erros, ainda recebo o abraço e o conforto de meu irmão. Ao qual, indiretamente também causei tanta dor e ainda assim, ouço dele palavras de conforto, palavras motivadoras.
Eu sabia que seu coração estava tão ferido quanto o meu e, eu, exclusivamente eu, causei esse sofrimento a ele. Não só a ele, mas, a todos os que estavam ao meu redor.
Não posso culpar Carlisle por ter tomado as decisões que tomou, afinal, eu dei essa liberdade a ele.
A liberdade de comandar minha vida e, apenas eu quis acreditar cegamente nele. E, agora, com meu irmão ao meu lado sentindo que ele compartilhava do mesmo desespero que eu, sabendo o que ele sentia por sua irmãzinha e sua sobrinha, como ele mesmo disse. Podia sentir toda a dor que causei.
Só o que me restava era esperar que àquelas horas se arrastassem o mais rápido o possível. Esperar para ver como seria a reação daqueles olhos verdes ao me ver novamente... Se eles abrissem novamente.
Notas finais
xoxo
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