Survivor
15 Capítulo 15 - Recomeço
Notas iniciais
“Ainda estou esperando
Você ainda é a única
A primeira vez que nossos olhos se encontraram
Os mesmos sentimentos eu mantenho
Eu quero amar você por muito mais tempo
Você ainda tem a chama interna?
Eu lembro do cheiro da sua pele
Eu me lembro de tudo
Eu me lembro de todos os movimentos
Eu me lembro de você ... sim
A única coisa que eu dependo
É de nós permanecermos fortes
A cada palavra e a cada respiração eu estou rezando
Por favor perdoe-me, eu não sei o que fazer
Por favor perdoe-me, eu não posso parar de te amar
Por favor me perdoe se eu precisar de você como eu preciso
Amor, acredite, cada palavra que eu digo é verdade
Por favor perdoe-me, eu não posso parar de te amar
Não, acredite, eu não sei o que faço
Por favor perdoe-me, eu não posso parar de te amar”
Bryam Adams – Please, forgive me
.com/watch?v=zE17ZHSMMf8
Edward Cullen
Os dias pareciam intermináveis. O ponteiro do meu relógio andava cada vez mais devagar, e a agonia em meu coração cada vez se transformava mais em puro desespero.
Eu estava parado ao lado da UTI e cada vez que olhava por aquele vidro, meu mundo desmoronava um pouco mais.
- Edward... querido, — Esme chegou ao meu lado, me abraçando. – por favor, meu filho, vamos até em casa. Você precisa de um banho, comer algo... descansar um pouco.
Eu não respondi nada, apenas inclinei um pouco mais minha cabeça, encostando-a no vidro.
Tudo o que eu precisava era que Bella acordasse.
Ainda que ela não me aceitasse, o que provavelmente aconteceria. Mas, eu precisava vê-la bem.
É claro que dessa vez, eu não desistiria tão facilmente. Eu lutaria por ela, por Jenny, por nós.
- Filho... – Esme voltou a falar. – Há quanto tempo está aqui, Edward? Você não poderá fazer nada nesse estado.
6 dias, 48 minutos e 53 segundos.
54...
55...
56...
57...
Voltei a contar o tempo em que ela estava inconsciente e a cada segundo, minhas esperanças pareciam diminuir.
6 dias, 49 minutos e 16 segundos.
17...
18...
19...
20...
21...
Eu ainda não tinha tido coragem de voltar ao nosso apartamento. Não conseguia me imaginando entrando novamente naquele lugar, sem ela. Eu só voltaria ali, depois que Bella tivesse acordado. Se ela me quisesse novamente.
Como sai às presas de New York, trouxe comigo apenas meus documentos e telefone.
Emmett foi gentil o suficiente para me trazer uma das minhas antigas mudas de roupa para que eu pudesse, ao menos, mudar de roupa.
Uma pequena chama de esperança se acendeu em mim, quando ele me disse que Bella não deixou que ninguém se livrasse das minhas coisas. Mas, essa mesma esperança se apagou, quando eu senti o cheiro dela, na minha camisa. Meu coração voltou a apertar e a culpa voltou a me consumir.
Eu sabia que Emmett estava evitando me contar todos os detalhes, o que só poderia significar que tudo era muito pior do que eu imaginava.
Toda a dor que eu causei a ela.
- Edward... por favor! – minha mãe voltou a suplicar e mais uma vez eu simplesmente me tranquei em meu próprio mundo. Um mundo completamente negro pela culpa.
- Deixo- o mamãe. – Emmett apareceu e deu um tapinha no meu ombro.
- Mas, Emmett...
- Então, Brow... continua com sua greve de voz? Isso tá ficando chato, Eddie!
Eu o olhei e ele se calou.
- Edward, você não vai ajudá-la assim. – ele voltou a falar, agora sério. – Acha que ela ficaria feliz em te ver assim?
- Ela ficaria feliz em me ver? – murmurei mais para mim do que pra ele.
Minha mãe suspirou aliviada e nos deixou sozinhos.
- Eu não vou mentir para você Edward... Nos últimos dias, ela parecia brigar com as próprias emoções. Uma parte dela ainda te amava e outra parte te odiava. Eu não sei que parte vai vencer quando ela acordar...
- Se ela acordar...
- Mas que porra Edward... – Ele retrucou alto, fazendo algumas enfermeiras nos olharem de cara feia. – é claro que ela vai acordar! – ele praticamente sussurrou, então dirigiu seu olhar para dentro do quarto. – Ela é muito mais forte do que você imagina.
Eu concordava. Afinal de contas, ela tinha enfrentado tudo, praticamente sozinha, enquanto tudo o que eu fiz, foi fugir... Bella era muito mais forte do que eu.
- Bom dia, Emmett! – Dr. James fez questão de cumprimentar meu irmão, ignorando a minha presença. – Como está Jenny? – ele perguntou em um tom educado e eu quis grunhir.
Não pense que você vai roubar a minha mulher e a minha filha. Idiota!
Emmett me mandou um olhar repreendedor e eu voltei a encostar a minha cabeça no vidro.
Okay, isso certamente seria algo com o qual eu teria que lidar mais tarde.
- Não se preocupe... – Emmett sussurrou no meu ouvido. – Bella só o vê como um bom médico e amigo, apesar de nos... – ele se calou e começou a caminhar em direção ao quarto.
Eu o alcancei e fiz uma careta ao ver que James já estava se preparando para entrar no quarto.
- Apesar de? – perguntei, tentando manter minha voz baixa.
- Bom... – Emmett parecia procurar as palavras certas.
- Fale logo.
- Bom, eles se tornarão um pouco mais próximos nos últimos dias... eles estavam se falando bastante pelo telefone e James parecia estar ajudado realmente.
- Oh Deus! Ela era uma mulher grávida! Onde está a ética e respeito dele?
Emmett deu uma risadinha.
- Ela ainda continuava linda. Era uma grávida linda, apesar de tudo.
Eu imagino que sim. E eu, não estava aqui para presenciar isso.
Virei-me em direção ao corredor.
As vezes em que Dr. James aparecia era quando eu me retirava.
Não suportava ver a forma como ele a tratava. Absurdamente longe do profissional. Eu pensei intimidar a diretoria do hospital e exigir que ele fosse substituído por outro médico. Mas, Emmett me convenceu do contrario. Bella não concordaria com isso e além do mais, James era fruto da minha inconseqüência e eu teria que aprender a lidar com isso.
- Hey Edward, — Emmett voltou a falar comigo. – Cara você tá ferrado. – ele chegou um pouco mais perto e passou um dos braços pelo meu ombro. – Mas vai precisar controlar o seu ciúme... – ele fez uma careta. – Você é melhor do que ele, mano!
- Mas ele não a abandonou...
- Edward, pare de sentir pena de si mesmo. Você vai ter que aprender a lidar com isso, afinal... – ele parou e então deu outro tapinha nas minhas costas. – Por que você não vai ver a Jenny? Eu cuido disso aqui... – ele chegou mais perto, como se não quisesse que as pessoas escutassem o que ele ia dizer. – Eu também não gosto da forma como ele cuida dela, e vou ficar de olho.
Eu balancei minha cabeça afirmativamente e segui em direção ao berçário.
Eu conseguia ter um pouco de paz, quando tinha Jenny nos meus braços.
Ela estava incrivelmente bem, nem parecia um bebê que tinha passado, por tudo o que passou. Era um dos bebês mais espertos do berçário e já parecia me conhecer.
Jenny sorria quando me via e começava a tentar se contorcer. Isso sempre me fazia sorrir.
- Hey linda! – eu falei assim, que minha entrada no berçário foi liberada, ainda enquanto lavava minhas mãos, sob a supervisão de uma das enfermeiras responsáveis. – Uau você está cada vez mais bonita! – falei chegando perto dela.
A enfermeira sorriu e se inclimou para pegá-la.
- Por que não se senta um pouco, Sr. Cullen? – ela falou apontando a cabeça em direção a uma cadeira no canto do berçário. – Jenny é realmente uma das crianças mais lindas que eu já vi. Parabéns!
Ela colou Jenny no meu colo delicadamente e sorriu novamente.
- Vê a forma como ela olha? – perguntei baixinho. – É o mesmo olhar de Bella. Tão transparente. Ela parece bem, não? Digo, contente por eu estar aqui?
A enfermeira deu uma risadinha.
- Certamente, Sr. Cullen. – ela respondeu se dirigindo até outro bebê.
- Hey Jenny... – comecei a falar e ela balançou as mãozinhas. — Tio Emmett está preparando uma surpresa para você... e para mamãe. – a ninei um pouco, sentindo toda a paz que ela me trazia. – Me desculpe se não ajudei muito com isso, mas... Bom, parece que ele pediu ajuda da Tia Alice, então tenho certeza que vai ficar bom.
Apesar de meu relacionamento com os outros Cullen, não ter evoluído muito – completei mentalmente. – Alice sempre foi boa com essas coisas e segundo Emmett ela ficou animada.
Só restava a eles esperar que Bella não se zangasse por Alice estar envolvida nisso. O que era o medo da minha irmã.
Jenny passou seus dedinhos pelos meus e eu voltei a focar toda a minha atenção nela. Seu cabelo acobreado como os meus, pareciam refletir com a iluminação do berçário, fazendo com que ela parecesse cada vez mais com um anjo. Seus olhos, eram de um azul celeste, como os de Emmett, seus traços, em sua maioria, lembravam muito a mim quando criança – segundo Esme. Mas, seu olhar, a forma como ela nos olhava, era absurdamente como Bella.
Uma perfeita mistura entre eu e ela.
Nossas semelhanças eram tantas, que seria impossível negar que era minha filha – e meu maior presente.
Eu a aconcheguei um pouco mais em meu colo e fechei meus olhos, imaginando o quanto poderíamos ser felizes, todos juntos. Uma verdadeira família.
As imagens em minha mente me faziam relaxar cada vez mais: Bella com Jenny no colo, sorrindo para mim; Eu ajudando Bella a dar banho e trocar as fraldas; Jenny engatinhando pelo chão do nosso apartamento e eu atrás dela, tirando tudo do seu caminho; os primeiros passos de Jenny que seriam recebidos com muitos sorrisos e algumas lágrimas emocionadas de Bella e logo em seguida as gargalhadas contagiantes por eu estar examinando cada pedacinho de Jenny, depois do seu primeiro tombo; A primeira palavra; O primeiro aniversário; O primeiro dia na escola; Nossa primeira viagem de férias – eu gostaria de levá-la ao Brasil, na mesma praia em que Bella e eu nos conhecemos; Sua festa de 16 anos; seu primeiro carro; A entrada para a faculdade...
As lagrimas começaram a rolar pelo meu rosto e eu a abracei mais apertado.
Eu poderia presenciar tudo isso? Ou seria tarde demais, para termos uma família?
- Sr. Cullen – a enfermeira chamou tocando no meu braço.
Eu abri meus olhos e olhei diretamente pra Jenny.
- Esta tudo bem, não é princesa? – sorri fracamente pra ela.
- Sr. Cullen, estão chamando pelo senhor.
Eu olhei pelos vidros e pude ver Emmett mexendo seus braços freneticamente tentando chamar a minha atenção.
Entreguei Jenny a enfermeira e depositei um suave beijo em sua testa.
- O papai te ama! – sussurrei para ela e me virei em direção à saída.
- O que foi Emmett? – falei apressado.
Fechei minhas mãos ao lado do meu corpo e implorei a Deus, mentalmente, que não fosse uma noticia ruim.
- Ela acordou, Edward! Ela acordou!
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“Você está consciente do que
Você me faz sentir, baby?
Agora eu me sinto invisível para você
Como se eu não fosse real
Você não sentiu eu fechar meus braços em volta de você?
Por que você se afastaria
Aqui vai o que eu tenho a dizer
Eu fui deixada para chorar lá
Esperando lá fora
Sorrindo com um olhar perdido
Foi quando eu decidi
Por que eu deveria me importar?
Porque você não estava lá
quando eu estava assustada,
eu estava tão sozinha...
Você, você precisa ouvir,
Eu estou começando a viajar
Eu estou perdendo o meu controle
e eu estou nisso sozinha
Eu sou só alguma garota que
você colocou no seu lado
para tomar o lugar de outra pessoa?
Quando você olha em volta
você pode reconhecer meu rosto?
Você me amava
Você me abraçava
Mas esse não é o caso
Não estava tudo bem
Eu fui deixada para chorar lá
Esperando lá fora
Sorrindo com um olhar perdido
Por que eu deveria me importar?
Chorando alto,
eu estou chorando alto
Chorando alto, eu estou chorando alto
Abra seus olhos
Abra-os bem
Por que eu deveria me importar?
Se você não se importa
Então eu não me importo
Nós não vamos à lugar algum”
Avril Lavigne – Losing grip
.com/watch?v=9MLmsITrocA
Bella Swan
Eu sentia como se meu corpo estivesse flutuando, eu não tinha o controle de meus braços ou pernas e meus olhos estavam tão pesados que eu mal conseguia mantê-los abertos.
Emmett estava parado ao meu lado, segurando a minha mão, com um sorriso no rosto – um sorriso tão grande que estava quase me assustando.
Eu queria falar, perguntar sobre Jenny, mas eu me sentia tão fraca que mal conseguia me manter acordada.
James examinava todos os parelhos enquanto me fazia inúmeras perguntas.
Você se sente bem?
Tem alguma coisa te incomodando?
Está com sede?
Quantos dedos tem aqui?
- Qual é o seu problema? – Emmett perguntou interrompendo todas as perguntas. – Quantos dedos tem aqui? – ele repetiu com desdém.
- Ela ficou algum tempo inconsciente então...
- Bells? – Emmett chamou se colocando na frente de James. – Você ainda vai precisar descansar um pouco mais e qualquer coisa que você sinta de errado, você vai nos dizer certo?
Eu balancei minha cabeça afirmativamente.
- E, agora, você sente alguma coisa de errado?
Novamente balancei minha cabeça, só que negativamente.
- Muito bem! – ele exclamou. – Viu? – ele lançou um olhar irritado a James e eu me perguntei o que estava acontecendo de errado.
- Eu acho que logo poderemos transferi-la para um quarto. – James prosseguiu mexendo nos aparelhos e me livrando de alguns deles.
Eu apertei um pouco a mão de Emmett e ele me olhou preocupado.
Dei um sorriso fraco a ele e passei minha mão livre pela minha, agora ausente, barriga.
- Jenny? – ele perguntou e sorriu. – Oh, Bells... ela é linda! Ela tem os meus olhos sabia? Será que vão confundir ela como minha filha? – ele falou animado e eu precisei de algum esforço, mas consegui sorri e revirar os olhos. – Ahhh isso seria tão legal! Se bem que, ela parece tanto com Edward, que ninguém acreditaria nisso... mas, quem sa...
Emmett parou de falar quando percebeu que eu tinha virado meu rosto para o outro lado, tentando expulsar qualquer memória de Edward.
Eu não podia negar que meu coração apertou só em ouvir o nome dele, mas eu não queria mais pensar nele, não queria mais o amar.
- Bella – Emmett voltou a falar. – Sobre Edward... Bom, ele...
Eu balancei minha cabeça negativamente e a máquina que media meus batimentos cardíacos começou apitar freneticamente.
- Emmett! — James o repreendeu e apenas olhei para Emmett suplicante. Eu não queria falar sobre Edward, não mais.
Se durante todo esse tempo, ele simplesmente não voltou é porque ele não voltaria mais.
Subitamente me lembrei da ligação de Edward, um pouco antes de começar a passar mal. Eu havia contado a ele que estava grávida numa desesperada tentativa de tê-lo de volta e ele não disse nada, não se importou. Era uma informação que definitivamente, não deve ter significado nada para ele. Se nem mesmo a informação de que seria pai o fez voltar, nada mais faria. E para ser bem honesta comigo mesma, mesmo que ele tivesse voltado depois de saber de Jenny, como eu poderia aceitá-lo de volta, sabendo que ele provavelmente teria retornado por piedade.
Felizmente, isso era algo, sobre o qual eu não teria que pensar.
Eu estaria bem logo, Jenny estaria bem e poderíamos ir para casa.
Jenny faria com que eu seguisse em frente, dessa vez sem me entregar.
Se Edward, não me queria – nunca me quis de verdade. Eu não passaria mais meus dias chorando por ele.
Eu sabia que se quisesse ser uma boa mãe para Jenny, teria que mudar. Mudar muito. Eu teria que seguir em frente e eu seguiria, por ela.
Eu não percebi como, mas mal eu tinha sido transferida para um quarto, simplesmente adormeci.
Quando finalmente acordei, eu estava bem mais disposta e assim que tentei falar e me mexer, consegui sem muito esforço, apesar de ainda me sentir um pouco cansada.
Novamente Emmett estava ao meu lado quando eu acordei e sorri, verdadeiramente, por ter um amigo tão bom, como ele.
- Jenny? – eu falei com a voz um pouco rouca, mas sem dificuldade.
- Ela ainda não pode vir até aqui... como ela nasceu prematura e precisou de transfusão...
- Transfusão? Como ela está?
- Ela está bem, agora.
Emmett me contou em detalhes sobre como foi o meu trabalho de parto e como Jennifer quase não resistiu.
Eu fiquei realmente aliviada por saber que conseguiriam encontrar um doador e que agora minha princesa estava bem.
Me odiei por ter sido tão irresponsável e ter me mantido naquele estado durante toda a gravidez. Eu não seria capaz de me perdoar se algo de ruim tivesse acontecido a minha filha.
- Eu vou precisar agradecer a essa pessoa.
- Bells, sobre isso nós precisamos conversar.
- Por que? Você não sabe quem é? Nós podemos perguntar e...
- O hospital insisti em dizer que foi uma doação anônima, a pedido do próprio doador. Mas nós temos certeza de quem foi, só não tenho certeza se você ficaria muito feliz com isso.
- É claro que eu vou ficar feliz. Seja quem for... salvou a vida da minha filha. Com certeza é alguém com bom coração e...
- Carlisle.
- O que tem ele? – perguntei imediatamente. – Emm, você prometeu!
- Bella, as coisas saíram do controle e nós tivemos que procurá-lo. Ele era o único compatível.
Eu tombei minha cabeça no travesseiro.
Não fazia sentido. Por que Carlisle se prestaria a isso? Ele sempre me odiou, mesmo sem motivo algum. Jamais me ajudaria. E mesmo que ele decidisse ser o doador, por que esconderia isso? Ele certamente arrumaria um jeito de tirar proveito da situação.
- Não faz sentido.
- Quando nós o procuramos ele negou, mas...
- Então, se ele...
Emmett me olhou de uma forma estranha e eu simplesmente não consegui continuar. Tinha alguma coisa de errada e era alguma coisa que ele não parecia muito confortável em me contar.
- Espere... – eu voltei a falar. – Você disse nós? Nós, quem?
- Bells, antes de qualquer coisa você precisa entender que agora, todos sabem sobre Jenny.
- Todos?
- Sim, todos os Cullen. Minha mãe ficou muito feliz e Alice... Bom, Alice está arrependida pela forma que te tratou, mas ela está tão feliz quanto todos nós por estar tudo bem, agora.
Esme sempre foi quem teve um pouco de consideração por mim, ela nunca pareceu aprovar a forma como Carlisle e Rosalie me tratavam, mas também nunca fez nada a respeito. Alice... Bom, Alice era muito gentil comigo no início, mas sempre deu muito valor a opinião do pai, então, subitamente começou a me ignorar, mas nunca fez nada contra mim, diretamente.
Eu não tinha magoas de nenhuma das duas, mas também não poderia dizer que estava feliz por elas finalmente saberem de tudo.
Com relação a Carlisle, eu me sentia apavorada. O que ele faria agora? Por que eu tinha certeza que ele faria algo. E se ele tentasse tirar Jenny de mim?
- Então, Carlisle agora ama a minha filha e acha que ela é perfeita para ser uma Cullen? – perguntei, sem conseguir evitar o sarcasmo.
- Não. Na verdade ele não esteve aqui mais do que uma vez. No dia em que Jenny nasceu e quando falamos com ele, ele não estava muito certo... se... Bem, você sabe como Carlisle é.
Eu dei um sorriso irônico.
- Ele não estava muito certo de que Jenny é mesmo uma Cullen. – completei.
Melhor assim. No que dependesse de mim, ela não seria mesmo.
- Ótimo! Porque ela é uma Swan.
- Ela é uma Swan Cullen. – Emmett falou baixo.
- Emmett, já falamos sobre isso. Eu vou registrá-la apenas como Jennifer Swan.
- Bells, você esteve uma semana inconsciente, então...
- Você está tentando me dizer que já registrou a minha filha? Emmett, você não pode ter...
- Eu não a registrei.
Eu suspirei aliviada. Eu faria qualquer coisa para manter a minha filha longe dos Cullen, especialmente de Carlisle, Não ajudaria muito se ela tivesse o mesmo sobrenome que eles.
- Eu continuo sem entender. Se quando você e... você e Alice?
Ele me olhou sem entender muito bem o que eu queria dizer.
- Você disse "nós" procuramos Carlisle. Você e Alice? – Não esperei que ele respondesse e continueu. – Se quando você e ela procuraram por ele, ele negou, por que acreditam que ele é o doador.
- Não. – ele respondeu simplesmente.
- Não?
- Não foi eu e Alice.
- Não? Bom, não faz diferença. Você e Esme. O que eu não conseguido en...
- Bells. – Emmett me interrompeu. – Nós acreditamos que seja Carlisle por que ele foi visto no berçário logo depois da tranfusão.
- E você não perguntou a ele? Quero dizer, você deve ter dito algo, né?
- Não fui em quem o viu, mas isso não...
- Então, Esme certamente vai saber dizer se foi ele ou não... Afinal de contas eles se conhecem tan...
Eu parei de falar ao perceber que Emmett me olhava atentamente. Como se estudasse a minha reação.
- Que droga Emmett! Por que você não fala logo o que você tem pra falar?
- Bella, também não era Esme. Era...
- Como não era Esme? – perguntei irritada. – Quem mais seria? Quem mais teria qualquer interesse em Jenny? Quem mais se importaria se...
Eu me calei ao entender.
Não havia sido Alice nem Esme. Certamente também não seria Jasper, afinal ele não se meteria, a não ser que Alice pedisse. Não existia chance alguma que Charlie aparecesse, já que ele havia esquecido que tinha uma filha desde que eu deixei o Brasil. Só poderia ser uma pessoa.
Edward.
Sem que eu conseguisse evitar minhas mãos começaram a tremer e meus olhos encheram de lagrimas.
Deus, ele havia voltado?
Ele estava aqui?
Merda, como eu queria vê-lo! Mas...
Para que? Pra que eu me enchesse de esperanças novamente e ele as levasse embora mais uma vez?
- Onde ele está? – perguntei cerrando os olhos, tentando impedir que algumas lágrimas rolassem.
- Com Jenny.
Meu coração pareceu parar e voltar a bater tão rapidamente que eu perdi o ar.
Uma coisa seria Edward me machucar. Me usar e depois jogar fora, mas eu não podia permitir que ele fizesse o mesmo com Jennifer.
Eu não poderia admitir que ele brincasse com ela, fizesse com que ela se afeiçoasse a ele, que ela o amasse e depois a abandonasse, sem se importar em como isso iria magoá-la, como ele fez comigo.
- Eu não o quero perto da minha filha! – falei tentando me colocar de pé. – Ele não vai magoá-la também! – gritei com Emmett, mas ele rapidamente se colocou de pé e me obrigou a continuar deitada.
- Bella, por favor! Você precisa se acalmar.
- Você não pode Emmett. – já não me importava em segurar as lagrimas. – Você não pode permitir que ele faça isso com ela. Por favor, Emmett, proteja a minha filha. Não deixe que ele chegue perto dela, por favor.
- Bells! Ele é o pai dela... Pelo amor de Deus, o que ele poderia fazer de tão terrível?
- Jogá-la fora! – gritei com todo o ar que eu ainda tinha. – Usá-la e depois jogá-la fora, assim como fez comigo.
Emmett pareceu congelar e eu deixei meu corpo cair contra a cama.
Eu precisava encontrar uma forma de proteger Jenny, de não permitir que ela fosse machucada.
- Tudo bem. – Emmett falou, assim que eu voltei a me remexer na cama. – Eu cuido disso.
- Promete? Emmett, você precisa prometer que não vai permitir que ele chegue perto dela.
Eu voltei a tentar me levantar quando Emmett não respondeu nada.
- Tudo bem, Bells. Eu prometo.
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