Surviving On The Hell - Gay Romance
2 Sobreviventes...
Notas iniciais
Katherine estava em casa tranquila enquanto assistia o jornal. Uma hora ou outra entrava no quarto do seu filho e apenas para ver se aquilo diminuiria a dor, porém saia dali estressada toda vez que entrava no “santuário” do mesmo por conta da bagunça do local.
― Como é que aquele filho da puta conseguia viver aqui dentro? Está pior do que Chernobyl. ― Dizia para si mesma.
Ela saiu do quarto de Eron seguindo para a sala. Queria pensar em outra coisa, sabia que precisaria se acostumar agora com isso. Então trocou o canal da televisão e uma notícia salta na tela, ao olhar sobre do que se tratava o coração de Nilla parou por um momento e seus olhos encheram de lágrimas.
“O voo um oito zero, com destino ao Reino Unido, perdeu o contato com a cabine de comando de Washington há poucos minutos enquanto sobrevoava o oceano pacífico rumo ao seu destino. Ao que tudo indica, uma forte tempestade ocorreu sobre o mesmo e uma orla de raios o atingiu, fazendo com que ele uma de suas turbinas explodissem e que seus controles parassem de funcionar.” ― A apresentadora do jornal informou com uma expressão preocupada ― “Pelo que sabemos, o piloto informou, antes de perder o contato, que os controles manuais do avião não respondiam aos comandos e que o mesmo estava perdendo altitude pouco a pouco. Ao que tudo indica, o avião caiu e não se sabe sobre o seu paradeiro e principalmente se houve algum sobrevivente. De acordo com as últimas palavras do piloto ele iria tentar planar o avião sobre a água em direção ao que parece ser uma ilha, caso essa ideia tenha dado certo, com certeza haverá sobreviventes. Em breve voltaremos com mais notícias sobre essa fatalidade. Boa tarde.” ― Finalizou a informação, indo para os comerciais.
A mãe chorava capciosamente enquanto se lembrava de seu menino, do seu último momento com ele, era difícil acreditar que talvez nunca mais veria seu filho novamente. Ela se ajoelhou no chão e começou uma oração que toda hora era interrompida por seus soluços, tentando manter a esperança em seu coração e não querendo pensar na possibilidade que nunca mais veria o seu filho de novo. A dor que a mulher sentia em seu peito era imensa e um sentimento de desespero e agonia dominava seu interior.
― Meu filho... ― Ela gritava entre os prantos. ― Eu quero o meu bebê...
~//~
A turbulência se iniciou no momento em que o avião estava passando sob uma tempestade. Um raio veio seguido de um barulho estrondoso, barulho esse originado da turbina direita do avião que havia explodido por conta da sobrecarga de energia provocada pelo fenômeno natural.
Os passageiros gritavam desesperados, sendo que o desespero aumentou quando foi informado de que o avião estava caindo. Ele perdia altitude rapidamente e depois de mais um estouro da turbina, a asa na qual ela estava acoplada se partiu e com ela um pedaço de sua lateral, criando um grande buraco no avião. Várias pessoas eram sugadas, uma a uma, assim como malas eram arremessadas pelo local, depois da força do vácuo ter aberto a maioria dos compartimentos, atingindo os passageiros na cabeça e fazendo com que alguns desmaiassem e levando outros a uma morte instantaneamente. Alguns passageiros tentavam segurar os que estavam sendo sugados, porém inutilmente a força do vácuo na qual eles eram sugados era muito superior a de um humano.
A maioria das pessoas estava sem cinto de segurança e os que estavam de cinto eram os que faziam de tudo para se salvar e puxar os que estavam ao seu lado. Vários cintos arrebentaram e muitos bancos foram sugados pelo vácuo, fazendo o buraco ir aumentando cada vez mais, assim como o número de vítimas.
A situação percorreu por poucos minutos, o que para os passageiros foram praticamente infinitos por conta da agonia, dor e desespero que sentiam. Num determinado momento, o avião se partira ao meio fazendo com que a maioria dos passageiros fossem sugados, juntos com uma quantidade enorme de bancos e malas com pertences pessoais. Não demorou muito para a que as partes do avião se separassem onde uma caiu numa ilha remota no meio do oceano e a outra um pouco mais afastado do local, porém na agua onde o avião bate em uma parte mais rasa e se choca contra o chão indo em direção a parte mais funda do oceano.
Na parte do avião que ficara no oceano, poucos passageiros haviam sobrevivido. Todos estavam muito machucados, outros foram empalados e até mesmo “enterrados” sob os escombros metálicos. Um homem gritava de dor, um dos destroços do avião havia perfurado o seu corpo e seus gritos ecoavam dentro do que sobrou do objeto de metal, mas não por muito tempo por conta da gravidade de seus ferimentos onde o mesmo veio a falecer. Várias pessoas desacordadas e provavelmente mortas permaneciam em seus bancos, graças ao cinto de segurança e apenas três caminhavam pelo local.
O avião estava completamente em pedaços com vários fios de energia pendurados no teto soltando faíscas e com vários assentos faltando, onde esses foram sugados pelo vácuo quando ele se “partiu” ao meio. O barulho da turbina esquerda, a única que havia restado já que a direita se partiu junto com sua asa, ecoava um som alto e estridente deixando claro que não era seguro permanecer ali por muito tempo. O avião estava balançando levemente, devido as pequenas ondas que o empurrava e puxava conforme dançavam, aos poucos o grande avião ia afundando, não haveria muito tempo até que ele fosse completamente engolido pela água.
No interior do avião, ou no que sobrou dele, as três pessoas em pé, um garoto branquelo de estatura alta, um outro garoto de descendência oriental e uma garota loira, mesmo que em pânico, procurando por mais sobrevivente, coisa que já estavam desistindo, já que o vácuo do avião sugou a maioria dos passageiros para fora do mesmo e os que lá restaram ou não respondiam ou não estavam mais em condições de serem salvas por estarem dilaceradas gravemente ou até coisa pior. Pelo menos foi o que pensaram...
― Tem alguém aí? Socorro! ― Uma voz grave ecoou no local, quase imperceptível por conta do barulho da turbina, porém um dos garotos conseguiu ouvir o grito.
― Olá? ― Ele respondeu de volta tentando localizar sua origem.
― Me ajuda, por favor. Eu estou preso no banheiro. ― Gritou em desespero.
Os três correram em direção ao local, tentando com o maior esforço possível empurrar a mesma que estava emperrada, mas sem sucesso algum.
― Eu vou ter que arrombar. Se afaste. ― O garoto oriental disse tomando distancia para o ato.
O loiro dentro do banheiro se afastou o máximo que pôde, já que o espaço era minúsculo, enquanto o garoto do lado de fora tomou impulso e se jogou lateralmente na porta emperrada com o máximo de força que ainda lhe restava, fazendo a mesma se abrir com um estrondo.
― Você está bem? ― A garota perguntou. Seu cabelo estava todo despenteado e sua maquiagem borrada por conta do choro que ela teve, pensou o outro.
― Já estive melhor. ― Ele disse aterrorizado olhando em volta e capitando sua situação.
― O que estava fazendo aí dentro? ― O garoto que arrombou a porta perguntou tomando o folego.
— Isso realmente importa? ― A loira revirou os olhos.
― Eu estava na outra cabine e senti vontade de mijar, mas o banheiro de lá estava ocupado, então eu resolvi vir nesse. Foi quando essa merda de avião começou a chacoalhar e a porta emperrou comigo dentro. Eu acho que capotei umas dez vezes ali e quase bato a cabeça na privada. Tenho certeza que a agua com o meu mijo espirrou na minha boca. ― O loiro disse fazendo uma careta e cuspindo no chão.
― Ainda bem que você não estava cagando, não e mesmo? ― O branquelo sorriu com a situação, embora a mesma fosse um pouco trágica, fazendo com que o loiro lhe mandasse um olhar fulminante.
― Pode se dizer então que a sua bexiga salvou a sua vida, pois o avião se partiu ao meio e essa foi a única cabine que restou. ― O oriental comentou pensativo.
― Só sobrou nós quatro? ― O loiro perguntou surpreso, sentindo o pavor aumentar ainda mais.
― Aparentemente sim. ― A garota suspirou. ― O que a gente vai fazer? Não podemos ficar boiando no meio do oceano para sempre. ― Choramingou histérica.
— Esse avião não vai afundar facilmente, mas não podemos contar com a sorte, afinal diziam que era o meio de transporte mais seguro do mundo e olha a nossa situação. ― O oriental falou pensativo.
― Temos alguns minutos, parece que o piloto tentou fazer uma manobra doida antes de cairmos – O loiro responde olhando em direção ao mar e se esquivando de um fio elétrico.
— É isso. ― O branquelo concluiu pensativo. ― Se estamos nessas condições é graças ao piloto, ele também deve ter sobrevivido.
O garoto loiro corre em direção a cabine e esmurra a porta até que ela se abra e então vê o corpo do piloto e o do copiloto perfurado por grandes placas de metal. A vontade de vomitar tomou conta do loiro que logo teve uma pequena náusea e resolveu fechar a porta.
— Acho melhor desistirem dessa ideia. Ele salvou a gente, mas não conseguiu se salvar.
— O barulho dessa turbina está me irritando. – Diz a garota olhando para todo lado tentando encontrar sobreviventes.
— Talvez possa acabar explodindo e isso me faz questionar por quanto tempo isso aqui ainda será seguro? – Perguntou o branquelo.
— Eu não quero morrer aqui, vocês tratem de me proteger. – A menina fala em um tom autoritário.
― Minha filha, eu não cuido nem de mim, imagina de terceiros. ― O loiro revirou os olhos para a manha da garota.
― Eu vi que tem uma ilha aqui próxima... Acho que demoraríamos cinco minutos nadando para chegar até lá. ― O jovem oriental sugeriu.
― Esperem! Eu acho que vi alguma coisa. ― O loiro disse com a sobrancelha arqueada vendo o que parecia uma mão se mexendo embaixo de alguns escombros.
O mesmo correu para lá e com a ajuda dos outros dois, ele tirou a enorme carcaça de cima de um dos bancos, revelando um garoto inconsciente.
― Isso só pode ser zoeira. ― O loiro disse descrente.
― Você o conhece? ― A loira indagou confusa.
― Ele quase quebrou meu nariz, quando me bateu com uma mala. Esse desastrado inútil. ― Ele explicou se lembrando do ocorrido.
Eron respirava levemente e não correspondia às sacodidas que os garotos lhe davam. Num determinado momento ele parara de respirar, o que deixou os meninos apavorados. Não queriam ficar sozinhos, quanto mais gente tivessem ao lado deles nesse momento melhor seria, por isso precisavam salvar o garoto.
― Rápido, tirem o cinto de segurança dele e inclinem a poltrona. ― O branquelo pediu, sendo acatado pelos outros.
Ele começou uma massagem cardíaca no peito de Eron na intenção de fazer com que seu pulmão trabalhasse e seu coração voltasse a bater, em seguida olhando aleatoriamente para o loiro.
― Faça respiração boca a boca nele. ― Pediu fazendo com que o mesmo arregalasse os olhos.
― O quê? ― Se exaltou estupefato. ― Nunca. Eu não curto essas viadagens.― Deu de ombros cruzando os braços.
― Anda logo. Ele não tem muito tempo. ― Gritou nervoso enquanto continuava a massagem cardíaca. ― Isso não é sobre ser gay ou não, precisamos salvar esse garoto.
— Eu não vou colocar a minha boca na boca de outro homem, você está pedindo isso para o cara errado. ― O loiro cruza os braços e olha para o menino oriental mexendo nas malas.
— Rápido, não temos muito tempo. ― Grita o branquelo percebendo que o menino estava chegando aos seus últimos segundos de vida.
― Por que não pode ser ela? Ela é mulher. ― O loiro disse apontando para a garota que fez uma careta.
― Eu não vou colocar a minha boca na boca de um defunto. Que nojo. ― Ela responde uma fazendo careta.
― Pelo amor de santo cristo, ele vai morrer. Você quer ter esse peso na consciência sendo que poderia ter ajudado a salva-lo? Faça agora! ― O branquelo gritou autoritário, fazendo com que o loiro, mesmo que a contra gosto assentisse.
O mais alto tampou o nariz de Eron, sugando com toda a sua força o ar que havia no pulmão do menor, enquanto o outro continuava a massagem cardíaca. Esse procedimento fora repedido algumas vezes até que num surto de tosse, Eron despertou, deixando o branquelo e o oriental aliviados enquanto o loiro cuspia sua saliva e a garota olhava para eles com nojo.
― Você está bem? ― O branquelo perguntou preocupado.
Eron olhava para os lados tentando reconhecer o local e principalmente o que ele estava fazendo ali, quando num estalo as lembranças recentes apareceram e o pânico lhe tomou conta, ele lembrou que o avião estava caindo e rolou da cadeira dando um grito de desespero.
“Oh meu deus.” ― Grita após cair no chão e arranca risadas do loiro.
― Se acalme. Ficar nervoso e histérico não lhe ajudara em nada. Você se sente bem? Está com dor? ― Disse o branquelo tentando acalmar o garoto que assentiu, embora ainda estivesse nervoso.
— Que idiota. ― Diz o loiro cruzando os braços e olhando para ele.
― Eu estou com sede. ― Eron disse fracamente. Sua boca estava completamente seca e um gosto metálico predominava seu paladar.
― Mandy, pegue um copo de água para ele. Acho que tem guardado naquele compartimento ali em frente. ― Pediu para a garota que manteve sua expressão de nojo.
― Eu não, credo. ― Ela disse com desgosto. ― Está cheio de sangue ali no chão e aquele cara que foi furado pelos destroços do avião está morto bem ali do lado. ― Ela negou fazendo o branquelo suspirar.
― Deixa que eu pego. ― O oriental falou prestativo indo até o local e ficando surpreso. ― Tem muita água, frutas e comida aqui dentro. ― Ele disse em seguida fazendo o branquelo sorrir.
― Perfeito. Traga um copo para o garoto. ― Falou se afastando de Eron e abrindo o bagageiro em cima de um dos bancos.
― O que vai fazer? ― O loiro indagou confuso olhando para as ações do outro.
― Procurando uma mala com revestimento de couro. Pode me ajudar? ― Pediu e o mais alto assentiu.
― O que vocês tem em mente? ― Mandy perguntou curiosa.
― Quero colocar o máximo de comida, agua frutas e o que mais for necessário para poder levar com a gente. ― Ele respondeu.
― Levar? Como assim? ― Ela perguntou surpresa.
― Para a ilha... ― O branquelo suspirou frustrado. ― Ficar aqui com esse avião em pedaços, prestes a desabar sobre a gente e cheio de fios de alta tensão soltos não é uma boa opção, sem contar que ele está afundando aos poucos. Ir para aquela ilha e esperar o resgate é a nossa melhor saída. ― Explicou fazendo a mesma negar compulsivamente.
― Nem pensar. Você é louco. Vamos ficar aqui e esperar. Se o helicóptero de resgate chegar e não achar ninguém no avião, eles vão embora. ― Ela disse com histeria.
― Do jeito que a situação está, acho que não vai ter avião aqui para quando o resgate chegar. ― O loiro disse apontando para o chão onde aos poucos ia entrando água.
― Não acha que eles iriam procurar a gente na ilha, afinal é a coisa mais lógica a se fazer, principalmente por conta daquela enorme fumaça subindo. ― O oriental se pronunciou apontando para o local na ilha onde a outra parte do avião caiu e explodiu.
― Eu não saio daqui. Vocês são retardados. Deve ter um monte de animais selvagens lá, fora que essa água também não é confiável. ― Ela cruzou os braços.
― Eu encontrei duas. ― O loiro falou com os itens em mãos.
― Perfeito. Agora veja se nelas tem alguma coisa que possa nos ser útil. ― Pediu.
― Eu posso ajudar? ― Eron disse conformado, depois de se sentir melhor ao beber água.
― Pode. Olhe nas outras malas e veja se tem algo que dê para a gente levar com a gente. ― O oriental respondeu fazendo com que Eron assentisse. ― E você traga o que puder para colocar nas malas.
E assim os quatro fizeram. Eles se organizaram e reuniram tudo o que tinha de útil no local para carregarem até a ilha com eles, enquanto Mandy estava com os braços cruzados apenas observando indignada por não ter sido “acatada”. Eles, além da comida, agua e outras coisas que tinha no compartimento do avião, conseguiram alguns itens que lhes auxiliariam no local desconhecido, além de uma caixa de primeiros socorros do próprio avião e alguns lençóis, travesseiros e cobertores do mesmo. No total, eram quatro malas que eles separaram para levar com eles.
― Acho que já temos o bastante. Vamos? ― O loiro avisou se direcionando ao enorme buraco na lateral do avião.
― Tudo bem... ― o branquelo suspirou acompanhando-o.
― Eu não sei nadar. Acho que eu não vou conseguir. ― Eron disse assustado ao se aproximar do rombo do avião e recuando em seguida temeroso.
― Não se preocupe. As malas não afundarão na água e você pode se apoiar nelas, como se fosse uma boia. Qualquer coisa a gente te ajuda. ― O moreno que lhe salvara disse tentando lhe confortar.
― Vamos fazer o seguinte. Deixa que eu levo o destruidor de nariz comigo e vocês se ocupam de levar as malas. Eu sou um excelente nadador e assim a gente chegaria mais rápido. ― O loiro falou, fazendo Eron se acanhar diante de suas palavras.
― Eu já falei que foi sem querer, desculpa. ― Eron pediu triste.
― Foda-se. Agora vamos, antes que eu mude de ideia e resolva deixar você se afogando aqui, pois não é uma má ideia. ― O loiro deu de ombros.
― Hey. ― O oriental disse repreendendo o maior. ― Não precisa falar assim com ele. A situação está crítica demais para que você fique caçando encrenca. ― Falou repreensivo.
― Cala a boca. ― O loiro revirou os olhos pulando na água, puxando Eron com ele, fazendo com que o moreno se assustasse. ― Dá para parar de se debater? É só se pendurar no meu pescoço. ― O loiro disse impaciente e assim o moreno fez.
Os outros dois pularam na água junto com as malas que boiaram na mesma enquanto Mandy olhava horrorizada para a atitude dos garotos.
― Vamos logo Mandy, deixa de ser besta. ― O oriental chamou a garota que negou.
― Vocês são insanos. Eu é que não vou pular nessa agua. Deve estar cheia de tubarões e outros bichos. Vocês vão morrer e eu vou ser a única sobrevivente e quando eu estiver dando entrevistas eu vou falar o quanto vocês foram estúpidos.
― Para de frescura e vem logo com a gente. ― O loiro disse impaciente.
― Eu não sou obrigada. Se vocês preferem ser atacados por animais selvagens ou qualquer outra coisa, problema é de vocês. Eu já disse que eu não vou morrer... ― Mandy falava irritada, porém sua sentença fora interrompida por algo que chocou os outros quatro que estavam com os olhos arregalados diante do que acabaram de presenciar.
Um pedaço do teto do avião se desprendeu, caindo em cima da loira e a esmagando instantaneamente, fazendo com que o sangue da mesma jorrasse longe e acertasse o rosto dos garotos que entraram em desespero dentro d’agua. Era possível ver apenas o braço da garota que tremulava em leves espasmos até ficar completamente imóvel enquanto o sangue dela escorria pelo piso do avião até cair na água.
― Oh meu deus. ― Brandon disse estupefato com a cena presenciada.
― Vamos ajudar ela. Ela pode estar viva. ― Jordan falou fazendo menção de nadar mais próximo do local porém foi interrompido pelo barulho da turbina.
A mesma começou a rodar cada vez mais rápido emitindo um som alto e estridente, sendo seguido de um enorme estouro fazendo com que o avião, e tudo e todos que estava dentro dele, explodisse. Com a explosão, Eron gritou ao ser arremessado para longe, junto com os outros três garotos e as malas que foram todos empurrados pela enorme onda originada pela explosão. Todos acabaram submersos na água, emergindo em seguida assim como as malas, porém não Eron, que não sabia nadar e se debatia desesperadamente com seu fôlego esgotado por ter que prender a respiração de última hora por conta da situação. O oriental mergulhou rapidamente buscando o moreno que já estava quase sem fôlego e perdendo as esperanças, quando finalmente emergiram e ele buscou ar desesperadamente.
― Você é louco? ― O oriental gritou apontando para o Loiro que arqueou a sobrancelha.
― Eu não, mas e você? Posso saber por que está falando assim comigo? ― Ele perguntou irritado.
― Você não disse que seguraria ele por ele não saber nadar? ― Explicou irritado.
― Em primeiro lugar, a culpa não foi minha se o avião explodiu jogando a gente pra longe.― O loiro disse revoltado. ― E depois eu não me lembro de ter assinado um termo de responsabilidade para salvar esse inútil. ― O loiro cuspiu as palavras deixando o outro mais irritado ainda, enquanto Eron segurava as lagrimas, tanto pelas palavras do outro quanto pela sua atual situação.
― Segura ele aqui, pois eu vou afogar esse desgraçado. ― O oriental disse querendo avançar em direção ao loiro, porém o branquelo que assistia tudo interveio sem paciência resolveu intervir.
— Qual é o problema de vocês? Será que dá para a gente não perder o foco? — Pediu. ― A gente acabou de sobreviver de uma queda de avião e uma explosão, além de ter visto a Mandy morrer diante dos nossos olhos, mas vocês ainda assim querem se matar? ― Soou indignado.
― Ele quem começou. ― O loiro e o oriental disseram uníssonos.
― Não interessa quem começou... Agora vamos logo para aquela ilha. ― Ordenou irritado.
— Me dá o magrelo aqui. ― O loiro disse ao oriental, se referindo ao Eron.
— Não! Ele vai deixar eu me afogar. — O garoto disse em desespero.
—Cala a sua boca. Eu sou maior e eu nado muito melhor que os dois. A melhor aposta é você vir comigo para que a gente possa chegar mais rápido. — Ordenou ríspido e o oriental concordou, mesmo que a contra gosto.
Os quatro garotos saíram nadando em direção à ilha. Mesmo com Eron em suas costas, o loiro nadava rápido e agilmente enquanto os outros dois continuavam em seu encalço levando as malas junto a eles. Não demorou muito e todos finalmente conseguiram chegar até a costa da ilha, estudando o local com curiosidade.
― Onde é que estamos? ― Eron perguntou assustado.
― Não faço ideia. ― O oriental suspirou cansado.
― O que a gente vai fazer agora? ― O loiro perguntou.
― Sobreviver até encontrarem a gente. ― O branquelo reponde inconformado.
― Eu me chamo Eron... Eron James Burton. Obrigado por salvarem a minha vida. ― O moreno pediu.
― Eu me chamo Jordan Yugyeom. ― O oriental se apresentou.
― Eu sou Brandon Green Cooper, prazer. ― O branquelo disse com um sorriso triste.
― Pablo. ― O loiro deu de ombros, sem querer falar o sobrenome.
O silêncio reina no local e apenas o barulho no mar ousa quebra-lo. Os meninos olham para a praia e ouvem o barulho da natureza. Pablo solta um suspiro enquanto olha para as suas feridas e vê que possui um grande machucado no braço, não havia sentido isso, mas agora estava queimando.
— Calma. ― Diz Brandon pegando o kit de primeiros socorros – Eu sou estudante de medicina e vou cuidar das suas feridas.
— Nossa que sorte. ― Responde Jordan sorrindo.
Eron se sente um pouco aliviado ao saber que Brandon tinha conhecimento sobre medicina, era uma chance de sobreviver. Tudo o que o moreno queria nesse momento era um jeito de voltar para casa e dar um abraço em sua mãe, porém estava com medo e pensando na possibilidade de que nunca mais poderia ver aquele rosto novamente.
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