Notas iniciais
E aí galerinha do meu coração, estamos felizes em ver que em apenas dois capítulos nós tenhamos conseguido toda essa atenção, amei o comentário de todos vocês e quero agradecer novamente por todo esse carinho. ♥

Brandon pega uma gaze e esparadrapos, junto com um anticéptico, para tratar da ferida no braço de Pablo. Por sorte a mesma não era profunda, porém todo o cuidado é pouco devido ao fato de estarem numa ilha desconhecida e sem ajuda nenhuma, se pegasse alguma infecção o loiro daria muito trabalho para os demais e isso eles já possuem o suficiente.

― Hey! ― O maior falou revoltado. ― Essa porra está doendo muito. ― Reclamou quando Brandon passou antisséptico sobre o machucado.

― Para de drama. ― O branquelo revirou os olhos. ― Um marmanjo do seu tamanho reclamando do Mertiolate? Eu tenho que explicar que é para não infeccionar ou você prefere deixar do jeito que está e correr o risco de ter que amputar o braço? ― Repreendeu fazendo Pablo suspirar frustrado e suportar a dor calado.

― Tenho certeza que isso não é jeito de um médico tratar o paciente. ― Pablo alfinetou com ironia.

― Me desculpa. ― Brandon devolveu no mesmo tom. ― Se você ficar bonzinho, eu te dou um pirulito no final. ― Disse fazendo Eron e Jordan gargalharem com o comentário.

― Idiotas. ― Pablo deu de ombros enquanto o outro terminava os cuidados com o seu ferimento.

― Pronto. ― Brandon suspirou sentindo o cansaço tomar conta de seu corpo. ― Mais alguém está machucado? ― Indagou olhando para Jordan e Eron.

― Eu estou legal. ― Jordan deu de ombros. ― Fisicamente pelo menos. ― Disse a última parte com pesar.

― Eu acho que não tenho nenhum machucado grave. Eu só estou com o corpo dolorido. ― Eron explicou.

― Também... Você estava sob uma enorme carcaça metálica além do fato de seu coração ter parado e você quase morrido. ― Brandon falou tranquilo fazendo o moreno arregalar os olhos.

― Nossa. ― Eron disse assustado. ― E o que aconteceu? ― Ele perguntou curioso.

Pablo arregalou os olhos, vendo que os garotos estavam prestes a explicar que ele lhe fez respiração boca a boca, então ele encarou Brandon e Jordan com um olhar ameaçador e se apressou a inventar uma explicação.

― Aquela loira fez respiração boca a boca em você. ― Ele deu de ombros.

― Ah... ― Ele disse pensativo. ― Coitada dela... Ter sobrevivido à queda para terminar dessa maneira deve ser difícil. ― Falou com tristeza, sendo acompanhado por Jordan.

― Verdade, mas a gente chamou ela para vir com a gente. ― O oriental lembrou.

― Será que ela sobreviveu? ― Eron arriscou esperançoso.

― Tu só pode estar de gozação com a nossa cara né? A vadia foi esmagada pelo teto do avião, chegando a espirrar o sangue dela na nossa cara. Espero que ela não tenha nenhuma doença, pois veio sangue nos meus olhos. ― Pablo reclamou dando de ombros.

― Que horror. ― Brandon disse indignado.

― Além do mais, a turbina explodiu com ela dentro do avião, que no caso afundou com a explosão o que fez a gente ser jogado pra longe. Mesmo que ela tivesse sobrevivido ao esmagamento pelo teto, a explosão somado ao fato do avião ter afundado anulam qualquer chance que ela tinha. ― Pablo disse ríspido.

― Às vezes ela não sabia nadar e com o teto do avião deve ter flutuado com a água. ― O moreno falou sem graça.

― Não é porque ela é uma piranha, que ela consiga respirar embaixo d’água. Se ela não sabe nadar, mais um motivo para que a gente tenha certeza de que ela morreu. ― O loiro reforçou sem paciência. ― Parece que é idiota. Eu ficaria feliz se você tivesse morrido no lugar dela que aí pelo menos teria uma mulher aqui e eu não teria que ficar aqui com esse bando de cuecas. ― Concluiu por fim.

― Por que eu ainda me surpreendo quando só sai merda das coisas que você fala? ― Jordan falou bravo, quando viu Eron se encolher diante do comentário de Pablo.

― Vocês vão começar a brigar de novo? ― Brandon disse frustrado, afinal aquilo já estava se tornando cansativo.

― É que esse cara é um mala. Pelo amor de Deus. ― O oriental disse com raiva, cruzando os braços em frente ao tronco. ― Fora que ele não para de pegar no pé dele. ― Concluiu apontando para Eron.

― Tudo bem. ― O moreno deu de ombros com um sorriso triste nos lábios. ― Eu já escutei coisa pior. Com o tempo você vai se fortalecendo com isso e para de se importar. ― Eron disse caminhando mais para próximo do mar, onde as ondas quebravam, chegando a molhar seus pés.

Os garotos sessaram a conversa, onde o único som que se era ouvido era da fauna local e das ondas se quebrando na areia da ilha. Eron ficou afastado dos três se sentindo mal diante das palavras de Pablo, mesmo que já estivesse acostumado com comentários do gênero. Já o loiro estava emburrado junto com Brandon que sentava em cima de uma das malas e Jordan que mantinha os braços cruzados e encarando o loiro com uma cara nada agradável. Brandon sabia que se esse clima continuasse nunca seriam resgatados e Jordan e Pablo poderiam se matar antes de algum resgate chegar, ele precisava arrumar um jeito de quebrar esse clima.

O branquelo sacode a cabeça para tirar o emaranhado de pensamentos que havia se instalado ali e resolve que estava na hora de por a mão na massa.

― Eron, venha cá. ― Brandon disso depois de alguns minutos.

O moreno olhou confuso para o branquelo, se aproximando dele e dos outros dois garotos. Brandon se levantou e postou-se ao lado dos três e fez um sinal para que eles se aproximassem mais.

― O que foi? ― O loiro arqueou a sobrancelha, não querendo ir para perto deles.

― Vamos conferir tudo o que a gente conseguiu reunir de suprimento. A gente precisa organizar as coisas e principalmente ver como faremos para passar à noite. Não sei que horas são e quanto tempo irá demorar para escurecer e não acho que a gente tenha tanta sorte a ponto de virem nos resgatar ainda hoje. ― Brandon explicou.

— Isso é tão animador. – Resmunga Pablo fazendo cara de tédio.

Os garotos abriram as quatro malas para conferir o que haviam conseguido pegar antes do avião explodir. Cada um vistoriou uma mala diferente com cuidado.

― Essa daqui tem umas coisas bem legais. Oito “marmitas”, doze copos de água, um litro de whisky, biscoitos em geral e um recipiente metálico. ― Jordan informou.

— Nossa você realmente pegou coisas muito úteis. ― Diz Pablo com ironia fazendo o Oriental revirar os olhos

― Em primeiro lugar, para a sua informação, eu peguei uma mala já cheia e fui jogando tudo o que eu encontrava nela, pois se você não percebeu o avião estava afundando. Então vamos ver o que o senhor espertalhão pegou e julga útil, deve ter algo super foda aí nessa mala.

― Na minha tem uma garrafa de acho que seja uma bebida alcoólica. ― Eron resolve falar para cortar o clima entre Jordan e Pablo. ― Umas toalhas de papel, algumas facas, isqueiro, mais copos de água e uma faca.

― Na minha tem um kit de primeiro socorros, um cobertor e três lençóis. Um estojinho de higiene com escovas e creme dental. ― Brandon disse conferindo os itens.

― Eu tenho mais três lençóis, um cobertor, duas pequenas almofadas, dois canivetes, uma tesoura, sabonete e um pacotinho de papel higiênico. ― Pablo disse por fim.

― Tudo bem. Se tudo der certo, a gente não precisará de tudo isso, pois o resgate pode chegar a qualquer hora. ― Brandon tentou pensar positivo.

― E o que a gente faz agora? ― Eron perguntou preocupado.

― Temos que ver como faremos para passar à noite. ― O branquelo suspirou.

― Por ser uma ilha, isso aqui deve ser bem frio à noite. Será que a gente dá sorte de achar alguma espécie de abrigo? ― Jordan falou temeroso.

― Podemos explorar enquanto ainda está claro. ― Brandon respondeu concordando. – Mas eu realmente não sei quanto tempo temos até o anoitecer.

― O que acha de nos separarmos? Depois de umas duas horas a gente volta para esse ponto e informa se achou alguma coisa. ― Pablo sugeriu.

― Não. É muito arriscado. Não dá para saber o tamanho desse local e se alguém se perder vai ser ainda pior. ― Jordan negou fazendo o loiro revirar os olhos.

― Eu concordo com o Jordan. Vamos todos juntos, pois assim é menos perigoso e um ajuda a tomar conta do outro. ― Brandon disse fazendo Eron e o oriental assentirem, porém Pablo iniciou alterado.

― Duas coisas: A primeira é que eu não sou babá de ninguém para ter que cuidar de alguém além de mim. Segundo, quem te elegeu o líder? ― O loiro disse revoltado.

― Não é questão de ser líder ou ser babá, Pablo. ― Brandon suspirou cansado. ― Olha a sua volta. Estamos nós quatro num lugar completamente desconhecido. Não sabemos o que poderemos encontrar nesse lugar e principalmente quanto tempo ficaremos aqui. Não acha que a melhor aposta é a gente se unir? Assim teremos muito mais chances. ― O branquelo explicou.

― Foda-se. ― Pablo revirou os olhos se dando por vencido. ― Mas eu é quem vou ser o líder do grupo. ― Disse autoritário.

― Se você faz questão. ― Brandon deu de ombros.

― Eu acho que isso não é uma boa ideia. A gente vai tudo morrer com esse cara sendo responsável por nós. ― Jordan falou baixinho para Eron que segurou para não rir.

― E o que faremos então? ― Eron se pronunciou.

― Vamos deixar as malas aqui. Vai ser muito mais fácil caminhar sem estar levando nada com a gente. Vamos ver o que encontramos e depois voltaremos para cá novamente caso a gente ache um lugar para passar a noite. ― Pablo falou com uma expressão séria, mudando completamente sua postura.

― E como vamos saber qual o caminho certo para retornar a esse ponto? ― Eron indagou novamente.

― Isso vai ser fácil. ― Jordan se pronunciou desta vez pegando os dois canivetes da mala de Pablo. ― Vamos marcando as arvores com esses canivetes, assim a gente meio que monta uma trilha. É só fazer uma flecha apontando para cá onde estamos e assim a gente só precisa seguir essas flechas no final. Eu fico com um e o “Líder” fica com o outro. ― Explicou entregando um dos itens para o loiro.

― Tudo bem então, vamos. ― Pablo pediu começando a caminhar.

― Só não vamos nos separar. ― Brandon assentiu.

Os quatro olharam para o imenso matagal que se encontrava atrás da praia. Uma mata fechada cobria tudo e causava uma confusão nos meninos que se perguntavam para onde é que eles iriam com esse mato totalmente fechado. Eles vão andando pela praia até chegar em uma pedra enorme que impedia o acesso para dar a volta na ilha. A pedra é enorme, vai do mar até floresta adentro. Pablo fica confuso agora que era líder precisava tomar as decisões.

— Então meu “líder”. ― Jordan ironizou. ― O que nós vamos fazer agora?

— Fica calado! ― Pablo respondeu sem paciência. ― Necessito pensar um pouco. ― Concluiu em seguida olhando à sua volta. ― Olha lá podemos passar por aqueles arbustos para irmos para a floresta.

Com um pouco de dificuldade os meninos vão entrando floresta dentro com Jordan e Pablo marcando setas com os canivetes por onde passavam. Um pouco mais de quinze minutos se passou com eles explorando o local, quando Eron parou bruscamente.

— Espera um pouco. Vocês ouviram isso? Parece que eu escutei um som de galhos se quebrando e algo se mexendo. — Continuou falando enquanto olhava ao redor.

— Isso é paranoia sua cara. — Brandon disse também olhando ao redor. ― Eu não ouvi nada. ― Deu de ombros.

— Espero que esteja certo. — Eron suspirou.

Os garotos continuaram a caminhada e em pouco tempo um novo som fora emitido de dentro da floresta surpreendendo ambos que se encararam confusos.

— Por favor, me digam que não fui só eu quem escutou isso. — Eron disse assustado.

— Como eu gostaria que fosse. — Jordan disse tentando identificar de onde vinha o som.

— Parecia um rugido. — Pablo falou coçando a nuca.

— Estava mais para um grunhido. Acho que tem um animal aqui por perto. — Brandon comentou exasperado.

— Selvagem? — Eron entrou em pânico.

— Não idiota. O dono dele deve estar por aqui em algum lugar. — Pablo ironizou.

— O que vamos fazer? Não temos nada para nos defendermos. — Brandon indagou.

— Vamos correr? — O oriental sugeriu.

— Não acho uma boa ideia. Podemos chamar a atenção dele ou algo assim. Vamos continuar andando.

— Então vamos logo. Não parece que ele está muito longe da gente. — Brandon disse continuando sua caminhada assim como os outros.

— E o que será que é? — Eron perguntou.

— Não sei. Um urso talvez. — Pablo disse dando de ombros.

— E o que um urso estaria fazendo numa ilha? Ele veio nadando? — Jordan pergunta confuso.

— Foi só uma sugestão. — Pablo ignorou o comentário.

— Eu acho que é um Javali. — Eron disse com os olhos arregalados parando de repente.

— Por que você diz isso? — Brandon pergunta sem entender.

O moreno não responde de imediato e todos param ao ver que o mesmo parou. Aos poucos Eron fora levantando a mão apontando em direção ao seu lado direito, onde todos acompanharam seu dedo com o olhar se surpreendendo ao ver o enorme javali lhes encarando.

— Foi bom o palpite. — Jordan disse paralisado.

— O que a gente faz? Ficamos parados? — Brandon sussurra.

— Claro! Vamos facilitar o trabalho para ele. — Pablo ironizou. — Vamos correr cada um para um lado, ao menos três de nós teremos chances. — Continuou em seguida.

— Você é uma péssima pessoa para ser um líder. Só pensa em você mesmo e nunca na equipe. — Jordan disse balançando a cabeça.

— Tecnicamente estou pensando em três de nós. — Pablo deu de ombros.

— É melhor pensar em algo, ele está se aproximando. — Eron sussurrou.

— E se ele tiver com mais medo da gente do que a gente dele? — Brandon sugeriu. — Javalis não são carnívoros até onde eu sei. — Explicou.

— Mas são animais que matam por esporte. — Pablo disse em seguida. — Vamos fazer um teste. — Disse enquanto os garotos lhe encaravam receoso.

Pablo lentamente se abaixou pegando uma pedra em sua mão, fazendo que o javali parasse para lhe encarar. Os garotos lhe encaravam com súplica no olhar, implorando para que ele não fizesse o que estava prestes a fazer, porém não adiantou. O loiro arremessou a pedra em direção ao animal acertando-o em cheio o fazendo rosnar e correr em direção aos quatro que iniciaram uma corrida para fugir do mesmo.

— Você é idiota? — Jordan gritou enquanto corria do javali.

— Você ainda pergunta? — Brandon diz irritado.

— Calem a porra da boca e corre. — Pablo falou ignorando os dois.

— Tive uma ideia. — Eron disse olhando uma enorme arvore em sua frente.

— E qual seria? — Jordan perguntou começando a ofegar.

O moreno se adiantou e rapidamente se impulsionou num salto agarrando-se em um galho e escalando a arvore surpreendendo os garotos. Brandon fez o mesmo, não com tanta facilidade, porém ainda assim conseguindo subir, junto com Jordan em seu encalço. Pablo corre para pegar impulso porém acaba tropeçando num galho quebrado e cai ao pé da arvore torcendo a perna no processo.

— Puta que pariu o que a gente faz. — Brandon pergunta apavorado ao ver o animal se aproximar do loiro.

— Não sei, mas ele vai morrer se não fizermos algo. — Jordan fala preocupado. ― E essa ideia é meio tentadora.

— Não temos tempo para isso Jordan. ― Brandon repreendo e menor.

Eron olhava para os lados procurando uma saída e se surpreende ao ver o canivete preso na cintura do oriental. Sem pensar duas vezes, o garoto pega o item do local sem prévio aviso assustando Jordan e em seguida arremessa no animal, não o Pablo e sim o javali, acertando em cheio no pescoço do mesmo. O javali começa a grunhir de dor e corre assustado para longe dos quatro emitindo um som quase ensurdecedor. Jordan e Brandon assistiram o feito de Eron de boca aberta, ficando estáticos com toda a situação, enquanto Pablo gemia de dor no chão por conta do tornozelo torcido.

— Acho que já é seguro. — Eron disse ofegante por conta de toda correria e adrenalina, pulando em seguida de cima do galho e correndo em direção ao loiro.

— Como você fez isso? — Brandon perguntou ainda surpreso com a cena enquanto descia com cuidado da arvore assim como o oriental.

— Desculpa pelo canivete. — Eron disse sem graça para Jordan.

— Sem problemas. — Jordan respondeu encarando o garoto com curiosidade.

— Está tudo bem com você? — Eron perguntou a Pablo com preocupação.

— Eu torci minha perna. — O garoto reclamou.

— Me deixa ver. — Brandon disse se aproximando da perna do garoto e subindo a barra de sua calça com cuidado para não fazer algum movimento brusco.

O branquelo ao ver a região avermelhada onde houve a torsão, começou a massagear o local delicadamente fazendo Pablo soltar um leve gemido de dor. Eron assistia a cena preocupado com Pablo, enquanto Jordan e Brandon, mesmo que concentrado no que fazia, ficavam se perguntando como que o moreno conseguiu fazer aquilo.

— Pronto. O musculo não está rígido, por isso não vai inchar nem nada do tipo. A dor é só pelo mau jeito, porém já vai passar. — Brandon disse suspirando e se sentando no chão em seguida para acalmar os nervos. ― A gente deixou o kit de primeiros socorros junto com as malas, então não tem como eu enfaixar. ― Explicou em seguida.

― Usa isso. ― Eron disse prestativo, rasgando a manga direita de sua camisa de manga comprida e entregando ao branquelo que lhe encarou surpreso.

― Acho que vai servir. ― Brandon assentiu. ― Você tem sorte sabia? ― Disse com um pouco de irritação para Pablo que desviou o olhar.

— Se eu ver aquele javali de novo eu vou arrancar o pescoço dele. — O loiro disse frustrado.

— Você é retardado. E isso nem foi uma pergunta. Pra começar, a gente não teria passado por isso se não fosse pela sua ideia genial de tacar uma pedra nele. — Jordan explodiu enraivecido. ― Eu falei que a gente ia acabar morrendo com um líder desse. ― Completou em seguida.

— Se não fosse por ele, você provavelmente estaria todo estropiado, isso se não estivesse morto. — Brandon concordou se referindo a Eron. ― E Você ainda disse que preferia que aquela outra estivesse aqui, se ela estivesse aqui você estaria fodido e o javali teria deixado suas entranhas por todo o canto.

— Eu sei caralho. Não precisa ficar esfregando na minha cara. — Pablo vociferou irritado.

― Vocês acham melhor a gente voltar ou continuar procurando um lugar para passar a noite? ― Eron perguntou tentando aliviar a tensão.

― Vamos manter a ideia original. Querendo ou não, precisamos de um lugar para dormir. ― Brandon suspirou levantando.

— Sorte que a gente não saiu da trilha. — Jordan suspirou tentando se acalmar.

― Tudo bem então. ― Eron falou se aproximando do loiro. ― Quer ajuda? ― Disse com um sorriso tímido ao estender a mão para o mesmo, que ponderou por um instante se aceitava ou não.

O loiro segurou na mão de Eron que o puxou para que ele se levantasse, porém, ao tentar ficar em pé, Pablo gemeu de dor ao firmar o pé torcido no chão, perdendo o equilíbrio e quase caindo, contudo, o moreno o segurou.

— Vamos lá, se apoia no meu ombro. — O menor disse passando o braço do loiro envolta do mesmo e segurando em sua cintura.

Pablo não demonstrou qualquer senso de gratidão ou coisa do gênero. Seu orgulho não deixava e mesmo dependendo de Eron como a pouco, o loiro se sentia superior a todos ali do grupo.

Eles continuaram caminhando, agora com mais cautela e um pouco mais lentos por conta do tornozelo de Pablo, eles continuam andando e parece que nada novo acontece, as árvores começam a ficar familiares e eles continuam andando. Eron já não aguentava mais ajudar Pablo, pois seu corpo estava totalmente dolorido. Eles continuam andando, porém não encontram nada. Na verdade, os garotos encararam confusos algumas paisagens em especifico, porém algo não encaixava.

― Algo de errado não está certo. ― Jordan falou parando de caminhar.

― Que bosta em... Não tinha um comentário melhor? ― Pablo provocou. ― Você quer palmas? ― Continuou em seguida.

― Por que não fica em pé para me aplaudir? ― Jordan devolveu fazendo o loiro ficar vermelho de raiva.

― O que houve? ― Brandon interveio.

― A gente já esteve aqui antes. ― Jordan disse encarando o branquelo que arregalou os olhos confusos.

― Como assim? ― Eron falou preocupado.

― Não estão conhecendo esse lugar? Aquela árvore? Aquele galho no chão? Aquela poça de sangue? Aquelas setas? ― Ele disse apontando para os itens citados.

― Puta que me pariu. ― Pablo disse com descrença. ― Viu o que dá deixar o Japonês comandar a trilha? ― Continuou revoltado.

― Em primeiro lugar, vai tomar no seu cu, e em segundo lugar faça o que está em primeiro lugar. ― Jordan deu de ombros.

― Segurem o faniquito vocês dois. ― Brandon falou estressado, tentando pensar numa saída. ― Não tem jeito. O sol já está para se pôr e a gente não encontrou nenhum lugar para passar a noite. ― Suspirou.

― Isso quer dizer que a gente vai ter que passar a noite em céu aberto? ― Pablo indagou frustrado.

― Ao que tudo indica... ― O branquelo disse sem ânimo.

― Talvez eu possa ajudar com isso. ― Eron disse pegando todos de surpresa.

― O que quer dizer? ― Jordan indagou curioso.

― Vamos voltar para onde deixamos as malas que lá eu explico. ― Eron disse timidamente.

― Você quer que eu leve ele? ― Brandon perguntou preocupado pois o moreno estava carregando Pablo a mais de uma hora.

― Está tudo bem. ― Eron deu de ombros. – Ele é grande, mas eu aguento. ― Explicou. ― No bom sentido, é claro. ― Especificou depois de ver o duplo sentido na frase.

― O guri tem coragem. Eu já tinha abandonado o embuste há muito tempo, ainda mais depois de tudo o que ele falou. ― Jordan cochichou para Brandon que deu um pequeno sorriso para o comentário do oriental.

Os quatro resolveram voltar em direção ao local onde as malas estavam. Mesmo com um pouco de dificuldade, e demora, eles conseguiram achar o lugar inicial de sua exploração, graças às flechas entalhadas nos troncos com os canivetes. Ao chegar, Eron colocou Pablo com cuidado sobre uma das malas e alongou seu corpo se sentindo mais leve.

― Como está sua perna? ― Brandon indagou ao loiro, retirando o pedaço da camisa de Eron que estava enfaixando o local.

― Ainda dói um pouco. ― Pablo disse emburrado.

― Vai ficar tudo bem. Não está inchado, de qualquer maneira você deu sorte. ― O branquelo advertiu.

― Eron, o que você havia dito aquela hora? ― Jordan indagou curioso.

― Eu tenho uma ideia sobre como poderemos passar a noite. ― O moreno iniciou timidamente.

― Então desembucha cacete. Sem enrolação. ― Pablo disse impaciente.

― Eu posso construir uma espécie de cabana para a gente. Eu já fiz isso antes com o meu pai e sei como construir uma. ― Eron explicou fazendo os garotos arregalarem os olhos.

― Você consegue mesmo? ―Brandon disse surpreso.

― Creio que sim, se eu conseguir reunir os itens certos. Mas acho que dará certo, pois na volta eu dei uma olhada para ver se eu encontrava os “materiais”. ― Falou deixando tanto Jordan quanto o branquelo empolgados.

― Maravilhoso. Do que você precisa? ― Jordan indagou prestativo.

― Bom... Só duas coisas na verdade. Bambu e cipó. ― Eron disse fazendo os garotos se entreolharem confusos.

― Esse garoto é meio retardado. O que tu vai fazer com bambu? ― Pablo perguntou com a sobrancelha arqueada.

― Enfiar no seu cu. Cala a boca e deixa o garoto explicar. ― Jordan disse impaciente.

― Os bambus servirão para que nós finquemos no chão para fazer uma espécie de estaca. O cipó é para amarrar e interligar as pontas do bamboo e fazer uma espécie de varal e por ultimo, a gente usa os lençóis que a gente tem para fazer o teto. Será como uma espécie de cabana. Não é muita coisa, mas já é melhor que dormir a céu aberto. ― Eron falou timidamente.

― Cara, isso é incrível. ― Brandon disse empolgado e mais tranquilo ao entender como funcionaria.

― Eu vou buscar os bambu e o cipó. Alguém pode vir para me ajudar a carregar? ― Eron perguntou.

― Eu vou com você. ― Brandon se ofereceu.

― O que eu vou fazer? Não vou ficar junto com esse cara. ― Jordan disse olhando para Pablo de cara feia.

― Se mata. Que tal? ― O loiro disse com veneno.

― Por que você não vai pegar madeira seca pra fazer uma fogueira? ― Eron sugeriu e o oriental assentiu sorrindo.

― E eu? ― Pablo arqueou a sobrancelha. ― Eu deveria ser o líder dessa porra. ― Falou revoltado.

― Você perdeu esse posto quando quase se matou e pior, quase nos matou. Mantenha esse seu cu sentado aí e espera que a gente já volta. ― Jordan revirou os olhos.

― Vamos trocar então. Você e o Brandon vão buscar o bambu e os cipós para a gente fazer a tenda e eu busco a lenha. Tem alguns galhos secos ali na frente e eu faço companhia para o Pablo. ― Eron disse num fio de voz, surpreendendo os garotos, principalmente Pablo.

― Tudo bem. ― Jordan suspirou, porém concordou.

O oriental foi com Brandon buscar os itens para fazer uma tenda para eles passarem a noite, enquanto Eron caminhou menos de dois metros em direção a um monte de galhos e folhas secas, trazendo os mesmos em seus braços e os depositando num local mais apropriado para que a fogueira fosse acesa.

― Por que você decidiu ficar? ― Pablo perguntou sem encarar o moreno. ― Você sabe que eu não pensaria duas vezes em deixar você aqui sozinho se a situação fosse inversa né? ― Ele falou sentindo vergonha das próprias palavras, porém sendo sincero.

― Eu sei. ― Eron deu um sorriso triste.

― E então por quê? ― O loiro indagou finalmente encarando Eron.

― Eu também não sei... Eu só... É automático. ― Eron suspirou dando de ombros.

― Sabe... Tu é meio retardado e idiota. ― Pablo disse revirando os olhos. ― Vai por mim quando eu te digo garoto... Você só se fode se depender de terceiros.

― É o que tem pra hoje. ― Eron deu de ombros.

— Eu estou com fome, acho que vou pegar algo na mala. ― O loiro se levantou com um pouco de dificuldade por conta do tornozelo torcido.

— Espera o pessoal voltar para dividirmos o que vamos comer. ― O menor levantou a sobrancelha.

— Não tô a fim de esperar, eu estou com fome sacou? ― Pablo repetiu com ironia. ― Foda-se os outros.

— Não posso deixar você comer tudo. ― Eron suspirou frustrado, por conta da teimosia.

— Ah então vai tomar no cú. ― Pablo devolveu revoltado. ― Eu não ia comer tudo. Só quero forrar o estomago.

― Todos estamos com fome. Espere como todo mundo.

― Como diria a minha mãe, eu não sou todo mundo. ― O loiro disse dando as costas.

O loiro olhou em volta enquanto Eron procurava a lenha. Precisava achar alguma fruta para comer e mostrar para Eron que não precisava dele ou de qualquer um que seja para fazer essas coisas.

— Olha ali seu babaca. – Grita Pablo apontando para uma pequena árvore. ― Eu achei comida sozinho, não preciso de vocês.

— Pablo! Não acho legal você ficar comendo essas coisas sem saber o que é. ― O moreno advertiu preocupado.

— Guarda a sua opinião para quando eu perguntar falou?

— Mas eu... ― Eron nem pôde terminar a sua fala quando Pablo comeu a fruta e virou sorrindo para mostrar seu triunfo.

— Buceta! ― Grita Pablo antes de vomitar e em seguida cair para trás.

— Meu Deus Pablo, você está bem? ― O menor se aproximou preocupado.

— Eu pareço bem? ― O loiro responde sentindo seu corpo emitir espasmos.

— Eu falei para você não comer essas coisas sem saber o que é.

— Não estou conseguindo me mexer direito. ― Pablo disse irritado.

— Bom pelo menos assim fica mais fácil para eu vigiar você, espera o Brandon voltar que ele vai examinar você, vou ali perto da entrada da floresta pegar lenha.

— E eu? Vou ficar aqui deitado? ― Reclama indignado.

— Você fica quietinho aí. Aprecie o céu. ― Eron respondeu.

O moreno deixou o Pablo por alguns instantes para buscar mais gravetos secos para a fogueira, quando Brandon e Jordan retornaram com oito estacas de bambu e vários pedaços de cipó enrolado em seus braços. E deixa tudo cair no chão ao ver o estado de Pablo e começa a cair na gargalhada enquanto Brandon corre para socorrê-lo.

— Meu Deus pior que criança. – Grita Jordan morrendo de rir se apoiando na árvore.

— Quando eu levantar daqui eu vou quebrar todos os seus dentes, seu babaca. ― Rosna Pablo no chão tentando se levantar.

― Acha que isso será suficiente? ― Jordan perguntou ao moreno ignorando a ameaça de Pablo.

― Creio que sim. Só precisamos do canivete que sobrou agora. ― Eron disse se aproximando de Pablo.

― O que foi? ― O loiro indagou confuso olhando para a mão estendida de Eron.

― O do Jordan ficou no pescoço do javali. Tem que ser o seu. ― Eron explicou sem graça.

― Cuidado com meu canivete. ― O moreno se abaixa e pega no bolso no loiro o fazendo ficar bem desconfortável.

Eron se sentou no chão do local e começou a moldar as pontas do bambu para que as mesmas ficassem em formato de estaca para fincar no chão com mais facilidade. Em seguida, o moreno pediu para que Brandon as fincasse na areia com o máximo de sua força e assim o branquelo fez. Jordan ajudou ele a amarrar os cipós da extremidade de um bamboo até a extremidade do outro, fazendo uma espécie de varal e por último, Brandon pegou quatro lençóis e amarrou um no outro de dois em dois, formando uma espécie de lona e jogando por cima dos bamboo.

― Não é lá grandes coisas, mas é melhor que dormir no sereno. ― Eron encolheu os ombros.

― Ficou ótima. ― Brandon disse empolgado e colocando Pablo encostado em um tronco de palmeira

— O que houve com ele? – Jordan pergunta sem real preocupação.

— Ele só comeu alguma coisa que deu uma paralisada nele, ele vai ficar um pouco lento, mas está fora de perigo.

― Nós quatro vamos dormir aí dentro? ― Pablo arqueou a sobrancelha.

― Melhor do que dormir no céu aberto. ― Eron deu de ombros.

― Eu estava percebendo uma coisa... ― Jordan iniciou pensativo. ― Nós somos quatro e só temos duas cobertas... ― Ele explicou fazendo os garotos arregalarem os olhos.

― Puta que me pariu. ― Pablo choramingou. ― O jeito é revezar. ― Suspirou derrotado.

— Ou poderíamos dividir. — Eron disse em seguida.

— Você ficou louco? — Pablo bufou ignorando a ideia.

— É melhor que dois de nós passar frio. — Eron continuou.

— Olha o tamanho daquilo ali. Mal cobre uma pessoa. — Brandon suspirou.

—Foi só uma ideia. — O moreno deu de ombros.

— Eron está certo, é melhor que passar frio. — Jordan iniciou pensativo.

— Além do mais a gente tem sorte de ter esses cobertores. Poderia ser muito pior. — Brandon disse fazendo Pablo assentir meio que a contragosto.

— Maravilindo. — Pablo disse com sarcasmo.

— E como vamos fazer em relação a quem vai dormir com quem? — Brandon indagou receoso.

— Por mim pode ser qualquer um menos o idiota ali. — Jordan disse apontando para o loiro que o fulminou com o olhar.

— Como se eu quisesse ficar com você. Até o magrelo ali seria mais suportável que você. ― Pablo revirou os olhos.

— Então está decidido. — Brandon disse rapidamente. — Eu fico com o Jordan e o Pablo fica com o Eron. — Continuou fazendo os dois arregalarem os olhos.

— O quê? Isso foi um comentário retórico. — Pablo disse suspirando.

— É sério isso? — Eron disse nervoso ao olhar para Pablo.

― Agora que já organizamos tudo, vamos acender a fogueira e comer alguma coisa, pois eu estou morrendo de fome. ― Jordan sorriu aliviado.

― Fazer o que né? ― Eron suspirou derrotado. – Vamos montar esse acampamento.

Notas finais
E então? Quero saber tudo o que vocês acharam do capítulo. Deixe seu comentário e faça dois autores muito felizes. E caso queira saber curiosidades, quando o próximo capítulo será postado, etc. Fique a vontade para me mandar pergunta no ask https://ask.fm/BradMdf