Surviving On The Hell - Gay Romance
21 Reunindo Informações
Notas iniciais
Jordan se auto repreendeu por ter avançado demais o espaço de Eron. O coreano sabia que ele já tinha “abusado” da boa vontade do moreno ao lhe beijar, porém segurar a bunda do amigo havia sido demais, até mesmo pra ele, Jordan.
Eron estava um pouco cabreiro com qualquer movimento de Jordan. Seus olhos estavam arregalados e não desgrudavam do mais baixo por nada.
O mais velho ao ver como ele havia deixado Eron, suspirou chateado, não só com a situação, mas com sigo mesmo. Ele tinha que dar um jeito de concertar isso, para que Eron não ficasse com a opinião errada sobre sua pessoa.
― Desculpa Eron. Eu meio que me empolguei. Eu sinto muito, de coração. ― Jordan usou de toda sua sinceridade para tentar se desculpar.
O mais novo ficou encarando o oriental por alguns segundos. Ele tentava estudar a expressão do amigo, procurando algum indicio de que suas palavras não fossem verdadeiras. Porém não encontrou. Eron suspirou, relaxando o corpo que estava tenso. Ele se sentou na poltrona atrás de si e tentou se acomodar.
Jordan o encarava nervoso, esperando uma resposta. Sabia que seu jeito impulsivo de sempre agir antes de pensar havia ultrapassado os limites naquele momento e esperava que aquilo não tivesse estragado sua amizade com o moreno.
― Tudo bem, eu te desculpo Jordan. ― Eron respondeu baixinho, porém ainda assim audível para o mais velho que comemorou se sentando ao lado do maior lhe dando um beijo na bochecha.
― Obrigado Eron. Eu te prometo que eu nunca mais farei nada do tipo. Você tem minha palavra. ― O oriental respondeu empolgado.
― Eu não terminei. ― Eron suspirou. ― Eu não quero que você fique me beijando ou tentando me agarrar. E sim, antes que você me pergunte, eu gostei do beijo sim. Mas tudo tem limites. Você já beijou um homem e já matou sua curiosidade, assim como eu também deu o meu primeiro beijo. Agora vamos voltar ao mais normal que era a nossa amizade. ― O moreno pediu.
― Por mim tudo bem Eron. Não se preocupe com isso, não tornarei a repetir o ocorrido. ― Jordan falou tranquilamente. ― A menos que você me peça, claro. ― Continuou com um sorriso sugestivo.
Eron revirou os olhos com a audácia do mais velho, porém não conseguiu deixar de esboçar um pequeno sorriso por conta da personalidade do amigo.
Um novo som de trovão ecoou pelo local, fazendo os pensamentos do mais novo voltarem a Pablo e Brandon que ainda não haviam chegado. Eron estava com um estranho sentimento. Um sentimento ruim de que algo havia acontecido e que eles corriam perigo.
O moreno resolveu ficar em pé, o que chamou a atenção de Jordan que temeu achando que o amigo estava novamente com a ideia de sair no meio daquela tempestade.
― O que você vai fazer? ― O oriental indagou preocupado.
― Vou dar uma olhada nas malas para procurar algumas coisas úteis. Os garotos vão precisar de roupas limpas e secas quando chegarem. ― Eron respondeu chateado por aquilo ser a única coisa que ele podia fazer no momento. ― Quer me ajudar? ― Perguntou em seguida.
― Tudo bem. ― O coreano concordou se levantando.
― Vamos tirando uma por uma e dando uma olhada. Vamos pegar o que for útil deixar em cima de algum banco e colocamos a mala de volta. Depois a gente dá um jeito de arrumar. ― Eron aconselhou retirando sua primeira mala.
― Se você diz. ― Jordan concordou dando de ombros. ― Mas o que seria útil no nosso caso? ― Perguntou confuso.
― Não sei. Ao olhar a gente descobre. ― Eron suspirou pensativo. ― Mas o principal são roupas em bom estado, toalhas, e outras coisas. O avião está aqui a menos de um ano. Deve ter bastante coisa constando que as malas praticamente não foram tocadas. ― O moreno comentou.
― Falando nisso, você mesmo disse que as coisas não foram praticamente tocadas... ― Jordan anuiu pensativo, caminhando em direção à cabine das aeromoças onde os mantimentos ficavam guardados.
― O que você vai fazer? ― Eron perguntou curioso.
― Tem uma coisa que eu quero checar. Espero estar errado, mas talvez, de acordo com as recentes descobertas, possa ser possível. ― Jordan explicou.
― Do que você está falando? ― O moreno acompanhou os passos do mais velho.
Jordan não respondeu de imediato. Ao chegar à área onde as aeromoças montavam os carrinhos com os aperitivos e outras coisas para os passageiros, ele abriu os armários e seu queixo, assim como o de Eron, foi ao chão. Os dois encararam o armário confusos, não conseguindo acreditar e muito menos entender a situação. O mesmo estava abastecido. Até mesmo organizado. Haviam copos de agua lacrados, pacotes de aperitivos como amendoins, biscoitos salgados e recheados, castanhas e outros afins.
Para tentar confirmar sua teoria, Jordan se rumou às gavetas onde ficavam as marmitas, porém logo as fechou por conta do forte cheiro de comida estragada. Todas as marmitas estavam lá, intocadas, porém também vencidas por conta do tempo de quase um ano que haviam sido preparadas.
O oriental continuou a vasculhar o local e achou as frutas do avião todas podres também. Havia duas garrafas de whisky, uma garrafa de conhaque e outra de vinho espumante.
Havia talheres também no local assim como copos e outros utensílios. Tudo não havia sido sequer tocado pelos possíveis sobreviventes. Os dois ficaram um pouco atônitos tentando absorver as informações e tentando assimilar algum possível acontecimento que explicasse isso, porém nenhum chegou à lugar algum.
Eron saiu da cabine e foi em direção à cabine do piloto. A mesma estava vazia e não havia nenhum vestígio. Nem mesmo de sangue tanto nos bancos quanto pelo chão da aeronave. O local estava limpo e impecável.
Sem saber o que fazer ou o que pensar, os dois garotos se sentaram novamente, ficando em silencio. Um não sabia o que dizer ao outro. Os dois estavam confusos, por não haver uma palavra que melhor descrevesse como eles estavam se sentindo.
Vários minutos se passavam e nenhum dos dois conseguia abrir a boca e pronunciar alguma palavra, porém logo desistiam.
Eles estavam atordoados.
Tudo ficou na mesma situação por aproximadamente uma hora, até que Jordan não aguentou mais aquele silencio e se pronunciou um pouco nervoso e incerto.
― Como é que isso é possível? ― O oriental pediu desorientado. Ele nem ao menos encarou Eron enquanto falava.
O moreno ficou ponderando por alguns segundos tentando encontrar alguma resposta que ele não havia descoberto nesse tempo todo em silencio, mas suspirou antes de responder.
― Não é possível, essa é a questão. ― Eron falou encarando o mais velho que o encarou de volta.
― Tem que ter uma explicação lógica, coerente e racional para isso. ― Jordan falou mais para si mesmo do que para o mais novo ao seu lado.
― Que seria? ― O mais alto perguntou com ironia.
― Não faço a mínima ideia. ― Jordan falou desolado.
― Vamos esperar os garotos chegarem para tentar entender isso. ― Eron tentou afastar o assunto por um momento. ― Eu vou procurar algumas coisas nas malas. ― Comunicou colocando-se em pé e seguindo até o bagageiro, retirando uma mala vermelha de lá de dentro e abrindo a mesma.
― Tudo bem. Eu vou ajudar. ― Jordan concordou, se levantando e fazendo o mesmo que o moreno.
Os garotos iniciaram a suas buscas, mala por mala, olhando dentro de cada uma procurando por roupas que lhe servissem e alguma outra coisa que ambos julgassem útil tanto para eles quanto para Pablo e Brandon.
Muitas malas revestidas com pano estavam mofadas, assim como as roupas em seu interior, onde não teve nada que se salvasse para a utilização. Entretanto as malas de couro se salvaram, já que eram mais eficientes em salvar e preservar os itens em seu interior.
Os garotos foram colocando as roupas que julgavam servir em ambos os quatro sobre uma poltrona, a fim de organizar depois. Eron deu a ideia de guardar algumas daquelas malas para utilização futura e assim eles as deixaram separadas.
Provavelmente horas se passaram com os garotos fazendo isso, não dava para saber ao certo já que não havia sol para que o moreno calculasse que horas eram. Ele chutou ser uma seis horas da tarde devido à sua percepção.
A cada instante que se passava, ambos ficavam mais aflitos com a demora dos garotos. Era definitivo, havia acontecido algo.
Tanto o oriental quanto Eron haviam separados várias peças de roupas e também algumas outras coisas que poderiam, ou não, lhe serem útil. Esperariam os garotos para decidir sobre isso.
Jordan começou a sentir seu estomago roncar e parou seu afazeres com a mala atual que estava aberta em sua frente. Eron também se sentia faminto e aproveitou a deixa do mais velho para também fazer uma pausa.
― Eu estou morrendo de fome. ― Jordan reclamou se espreguiçando cansado.
― Tem frutas na mala que você trouxe. ― Eron apontou para a mesma que estava mais ao fundo do avião.
― E tem um monte de salgadinho e biscoitos lá no armário. ― Jordan sorriu empolgado.
― Nem pensar. ― Eron ralhou sério.
― E por que não? ― O oriental pediu confuso.
― Porque temos que dividir com os garotos. Não é justo. ― O mais novo respondeu óbvio.
― Eu não vou comer tudo. Só quero o suficiente para matar a minha fome. ― Jordan revirou os olhos.
― Lembra quando o Pablo comeu aquelas frutinhas e ficou todo zuado? Foi porque eu não deixei ele comer as coisas sem você e o Brandon... Come as frutas da mala. Deixa o que está no armário para comermos quando todos estiverem juntos. Tenho certeza que se fosse o contrario você gostaria que a gente esperasse. ― O moreno advertiu.
― Mas eu estou com fome. ― O mais velho protestou manhoso.
― Tem muitas frutas naquela mala. ― Eron deu de ombros.
― Seu chato. ― Jordan suspirou frustrado, dando-se por vencido.
O coreano foi em passos rápidos até o local em que a mala com as frutas se encontravam e logo voltou em direção ao moreno com ela em mãos. Os dois se sentaram um ao lado do outro e Jordan logo tratou de abrir a mala e assim como o amigo começou a comer algumas frutas que lá continham.
Novamente o pensamento de ambos se voltou aos garotos que ainda não haviam chegado. Eron ainda tinha o pressentimento de que algo ruim havia acontecido e Jordan compartilhava do mesmo pensamento, já que faziam mais de oito horas, aproximadamente, que os garotos saíram.
Não demorou muito para que eles terminassem de comer até que estivessem satisfeitos, pelo menos à medida do possível já que eram penas frutas, e Jordan reparou numa coisa que lhe aguçou sua curiosidade.
― É impressão minha ou ainda tem energia nesse troço? ― Jordan falou apontando para algumas luzes que ainda se mantinham acesas, já que nem todas haviam queimado com a queda.
― Você tem razão. Eu nem tinha reparado nisso, já que quando entramos estava relativamente claro aqui. ― Eron deu de ombros.
― Será que aquelas telas funcionam? ― O oriental indagou curioso.
― De que adianta? Não é como se fosse ter sinal para a gente assistir televisão aqui na ilha. ― O moreno revirou os olhos.
― Não é isso besta. No céu, acima das nuvens, não tem sinal também. Eles provavelmente têm filmes que a gente possa assistir. ― Jordan respondeu empolgado.
― Vamos lá olhar. O que temos a perder? ― Eron concordou se levantando com o mais velho.
― Onde será que fica? ― O mais velho perguntou olhando ao redor.
― Que tal na cabine do piloto? ― O moreno apontou pensativo.
Os dois seguiram em direção ao local sugerido por Eron e procuraram onde poderia estar o painel que comandasse os pequenos monitores que havia lá. Não demorou muito e Jordan havia encontrado, apertando diversos botões, sem saber ao certo o que ele fazia.
― O que você está fazendo? ― Eron indagou confuso.
― Está tudo em francês. Eu não sei qual é o que liga. ― Jordan respondeu sem graça.
― Deixa comigo. ― O moreno sorriu. ― Vai lá e ver se tem algum funcionando. ― Pediu em seguida.
Jordan foi à área dos passageiros e esperou o comando de Eron. O moreno apertou o botão que conectava os monitores à energia e chamou o oriental.
― Eu liguei. Tem algum funcionando? ― Eron gritou para que o mesmo escutasse.
― Tem. Só um, mas já é alguma coisa. ― Jordan gritou empolgado. ― Quais serão os filmes que eles tem aí? ― Pediu curioso.
― Eu estou vendo no sistema. ― O moreno falou checando a lista. ― Tem três aqui. ― Eron disse surpreso com os nomes.
― E quais são?
― A Lagoa azul, A Ilha do Medo e Naufrago. ― Eron disse confuso. ― Mas que merda de filmes são esses? ― Indagou indignado.
― Deixa eu ver... Crianças perdidas numa ilha, uma ilha deserta cheia de mistérios e terror ou um avião que naufraga e o sobrevivente fica preso sozinho na ilha... Ótimas escolhas. ― Jordan revirou os olhos.
― Só faltou Premonição. ― Eron concordou.
― Coloca A Lagoa Azul então. Acho que é o mais tranquilo deles.
― Se você diz... ― Eron disse acionando o inicio do filme.
Ambos foram para a sala e o filme iniciou. Eles estavam acomodados na poltrona de frente para o monitor, quando Jordan reclamou.
― Está em francês Eron. ― O oriental falou frustrado.
― O avião estava indo da França para os Estados Unidos... Não é meio óbvio? ― Eron riu do amigo.
― Eu não falo francês cacete.
― Tudo bem. Para de reclamar que eu vou trocar o áudio. ― Eron suspirou, se levantando.
Não demorou muito para que o moreno fosse até a cabine do piloto alterar o áudio do filme e retornasse algum tempo depois para se juntar ao amigo para assistir o filme. Ou pelo menos aquele era o plano.
Os dois estavam tão cansados que não demorou muito tempo para que eles caíssem no sono por horas... Porém um grito os acordou de repente.
Eron foi o primeiro a despertar. Ele nem havia percebido quando o sono lhe pegou, porém ao acordar assustado, o garoto olhou para o lado e viu Jordan dormindo. O filme já havia acabado e o moreno nem sabia a quanto tempo. Poderiam ser horas, já que seu corpo estava bem descansado e relaxado.
― Eron... Jordan... ― Eron escutou uma voz, a de Brandon especificamente, porém a mesma estava longínqua.
O moreno se levantou rapidamente, apressando-se em chamar Jordan. Ele nem teve a paciência em acordar o oriental com delicadeza, que despertou assustado com a brusquidão em que fora acordado.
― Acho que Brandon está gritando pela gente. ― Eron disse desesperado, se apressando em ir à fenda do avião.
― O quê? ― Jordan arregalou os olhos.
##
Brandon estava cansado... Não se lembrava de terem se afastado tanto assim do avião quando ele seguiu Pablo que estava correndo do Javali. O branquelo ainda estava com Pablo nos braços. O loiro ainda estava desacordado, sua pele estava pálida e o mesmo estava muito gelado, deixando o mais velho ainda mais preocupado.
Ele andou mais alguns minutos ate que conseguiu chegar ao local onde a caixa preta estava jogada ao chão quando Pablo a arremessou. O mesmo se sentiu mais aliviada, pois o avião estava há poucos minutos dali.
O branquelo apressou-se com o loiro nos braços, não demorando nem dois minutos até que a enorme aeronave entrasse em seu campo de visão.
― JORDAN! ERON! ME AJUDEM! ― Brandon gritou desesperado.
Seu corpo também estava nos limites de sua resistência. O garoto tinha a visão turva e uma forte vertigem lhe dominava. Seus membros já estavam demasiados fracos por conta da quebra de seus limites físicos, fora os machucados e o frio.
O Branquelo não teve nenhuma resposta. De imediato. Ele continuou caminhando, porém sua perna cedeu e ele caiu, indo ao chão junto com Pablo, caindo em cima do loiro, embora mesmo assim o mais alto não tenha acordado.
― ERON... JORDAN... ― Brandon usou suas ultimas forças para gritar o mais alto que pode.
Não demorou muito e Eron estava na porta do avião. Jordan estava ao seu lado, com uma típica cara de sono. Os dois ao verem o branquelo e o loiro caídos no chão, se apressaram em correr em suas direções, nem ao menos se importando em se molhar com a chuva.
― Oh meu deus, o que aconteceu? ― Eron perguntou preocupado para Brandon que suspirou aliviado pelos garotos terem aparecido.
― Longa história. Ajuda o Pablo. Ele está desmaiado. ― Brandon falou com a voz fraca.
Eron ajudou Brandon a se levantar, já que o branquelo estava em cima do loiro. O moreno deixou que ele se escorasse em seus ombros, ajudando-o a ficar em pé, porém com um pouco de dificuldade já que Brandon não aguentava o peso do próprio corpo.
Pablo continuou desmaiado no chão, enquanto Jordan olhava atônito para o loiro sem saber o que fazer.
― Pega ele e leva pro avião. ― Eron falou para o coreano que arregalou os olhos.
― Eu? ― Jordan falou inseguro.
― Anda logo Jordan. ― Eron reforçou, antes de sair caminhando com Brandon rumo ao avião.
O coreano suspirou frustrado, antes de se agachar e pegar Pablo nos braços. O mesmo foi andando com calma até o avião, já que sua perna ainda não estava cem por cento.
Quando já estava no avião, Eron colocou Brandon sentado no banco e foi ajudar Jordan com Pablo. Eles reclinaram o banco da aeronave e colocaram o loiro deitado sobre o mesmo.
― O que aconteceu? ― Jordan perguntou confuso por conta da situação do amigo e do Pablo.
― Um Javali apareceu. Pablo chamou a atenção dele para que eu pudesse fugir, mas caiu num buraco. Quando o Javali saiu, eu fui ajudar ele, mas o chão desbarrancou e eu caí no buraco também. Depois de um tempo o chão do buraco cedeu e a gente afundou ainda mais caindo numa espécie de ruina. Ficamos horas esperando a ruína encher para que a gente pudesse boiar e sair de lá. ― Brandon resumiu para os garotos que ficaram visivelmente surpresos com a história.
― E por que ele está desmaiado? ― Eron indagou confuso.
― A parede desbarrancou e um pedaço enorme de solo solidificado atingiu a cabeça dele. A gente quase morreu. Foi por pouco. Assim que a gente saiu, a ruina ruiu e se tivéssemos demorado mais um minuto a gente estaria soterrado. ― Brandon falou tremendo por conta do frio.
― Vocês dois estão roxos de frio e estão ensopados. ― Eron comentou preocupado.
O moreno foi em direção ao monte de roupa que eles separaram e pegou duas toalhas, para então entregar uma para Brandon e a outra para Jordan.
― O que eu vou fazer com isso? ― O oriental pegou o item confuso.
― Tira as roupas molhadas e seca ele. Eu vou ajudar o Brandon e pegar umas roupas secas. ― Eron respondeu óbvio, fazendo Jordan engasgar com a própria saliva.
― Você quer que eu o deixe pelado e passe a toalha pelo corpo dele? Você ficou louco? ― Jordan ralhou exasperado.
― Qual é o problema? Ele está desmaiado. ― Eron revirou os olhos.
― E por que você não me deixa ajudar o Brandon e você vem secar ele? ― O coreano se ofereceu.
― Eu prefiro que o Eron me ajude. ― Brandon falou rapidamente.
― Droga. ― O oriental praguejou.
― Para de enrolar e ficar arrumando desculpas Jordan. Ele vai acabar tendo uma hipotermia e ele está ferido. Não é hora para isso. ― Eron falou impaciente.
― Tudo bem. ― Jordan concordou, mesmo que a contra gosto.
Eron pegou uma troca de roupas secas com e ajudou Brandon a seguir em direção ao banheiro para que o branquelo se secasse e colocasse a nova troca.
Jordan ficou encarando o peito despido do loiro e em seguida para o restante de seu corpo, tentando entender o motivo de ele estar sem camiseta. Ele deixou a questão de lado para em seguida retirar o tênis, as meias e por fim as calças que o loiro trajava. Ele ficou olhando para a cueca do mais novo com um pouco de receio e depois redirecionou seu olhar para o rosto do loiro.
Pablo estava desacordado, não esboçava movimento algum e sua respiração estava falha. Um enorme corte em sua testa estava com um pouco de sangue seco, onde o coreano deduziu sem o local que fora atingido no desmoronamento.
Jordan resolveu terminar logo o martírio e retirar a cueca que o loiro usava, deixando completamente nu à sua frente. O oriental não deixou de reparar em como o loiro tinha um corpo bonito, embora nunca fosse admitir isso para ele, Pablo.
Com um pouco de receio, Jordan pegou a toalha e começou a passar a mesma com certa delicadeza pelo tronco do mais novo. Suas mãos deslizavam pelo mesmo, secando cada gota de agua nele contido. Quando a toalha fora se aproximando da região genital de Pablo, Jordan a pulou e começou a secar as pernas do mais novo.
Quando seu corpo estava praticamente enxuto, Jordan ficou olhando para o pênis de Pablo, pensando se deveria secar o mesmo ou não. Ele olhou para o rosto do loiro procurando algum sinal de que ele estivesse prestes a despertar, porém não achou nenhum indicio de que isso iria acontecer.
Dando de ombros e criando coragem para fazer aquilo, o oriental começou a passar a toalha sobre o membro flácido de Pablo, assim como em seus testículos e virilha. O pênis do loiro começou a enrijecer de acordo que a toalha esfregava em sua pele, fazendo Jordan se afastar e procurar para ver se outros já estavam vindo para se livrar da tarefa.
O pênis do loiro estava praticamente ereto e Jordan ficou olhando para o mesmo, assim como para o rosto do garoto deitado a sua frente, alternando os olhares de um para o outro e em seguida para o banheiro que ainda estava fechado com Eron ajudando Brandon.
— Eu não vou fazer isso; — Ele cruza os baços e senta do outro lado da sala — Isso é um pouco demais até pra mim.
Jordan então olhou para o garoto que estava tremendo por estar sem roupa e suspirou se dando por derrotado e pegando roupas para Pablo. Ele parou em frente ao loiro novamente fazendo uma cara de desconforto, porém começou a colocar a cueca nele tomando o máximo de cuidado para não encostar no pênis do loiro.
Estava tudo indo bem até que o pênis do loiro começou a pulsar fazendo Jordan terminar de colocar a cueca rapidamente fazendo um cara de nojo. E ele nem percebeu quando Brandon e Eron saíram do banheiro.
― O que é que você está fazendo? ― Os dois perguntaram espantados. — Você está molestando o Pablo?
― O que? ― Jordan se assustou. ― Eu não, esse tarado que ficou excitado enquanto eu passava a toalha nele.
― Eu consigo ver. ― Brandon falou indignado. ― Qual é o seu problema?
― Eu não vou é falar nada. Se ele acordar ele vai matar você. ― Eron deu de ombros pegando uma troca de roupas e entregando para Jordan. ― É melhor você vestir ele. Ta frio e ele tem que se aquecer. ― O moreno falou sério.
― E por que eu tenho que fazer isso. Agora que você já ajudou o Brandon você pode fazer isso você mesmo. ― Jordan reclamou incomodado.
― Você não parecia tão incomodado quando estava mexendo no pênis dele ― O moreno sorriu com ironia.
— Eu juro, eu não fiz nada. — O oriental se explicou — Eu prefiro morrer a tocar nesse aí. É essa a imagem que vocês tem de mim?
— Devido a certos acontecimentos — Brandon começou — Agora termina de por a roupa nele.
Jordan suspirou acatando o pedido do amigo. Ele com um pouco de dificuldade estava tentando colocar a calça de moletom no loiro, porém no exato momento em que ele estava levantando as pernas do loiro para tal coisa, o mesmo despertou.
― O que você está fazendo? ― Pablo perguntou confuso. ― Eu estou no inferno? Por que o Japa está tirando a minha roupa? ― O loiro olhou para o coreano que tinha os olhos arregalados e em seguida se sentou tentando se situar, olhando ao seu redor e vendo os rostos de Brandon e Eron.
― Ele não está tirando sua roupa. Ele está colocando uma roupa seca em você. ― Brandon respondeu tranquilizado pelo loiro ter despertado.
― E por que ele está fazendo isso? ― A voz de Pablo era falha e sua cabeça doía.
― Eu estava ajudando o Brandon. Por isso pedi para ele fazer. ― Eron respondeu segurando-se para não rir do desespero de Jordan.
― E por que eu estou com outra cueca? E por que eu estou com o pau duro? ― Pablo perguntou indignado ao olhar para baixo.
― Você pergunta demais loira. Agora que você já acordou, você pode se vestir sozinho não é mesmo? Obrigado. ― Jordan falou se afastando do loiro e indo em direção à cabine das aeromoças.
― Pelo amor dos deuses, falem pra mim que eu não fui molestado. ― Pablo pediu fazendo uma careta.
― Vem cá. Eu vou te ajudar a se vestir. ― Eron riu do comentário do loiro e foi em direção a ele.
O moreno colocou a calça de moletom em Pablo e depois ajudou o loiro a por a camiseta. Pablo fez menção de ficar em pé, porém Eron o impediu, pedindo para que ele continuasse sentado.
― O que foi que aconteceu? ― Pablo perguntou tentando recobrar o ocorrido.
― Eu cumpri a minha promessa. ― Brandon sorriu para o loiro. ― A gente saiu de lá e eu te trouxe pra cá. Eu disse que eu não ia desistir.
― E você nem é escoteiro. ― Pablo brincou sorrindo para o branquelo. ― Eu achei que fosse morrer. Eu nunca pensei que fosse ficar feliz em ver todos nós juntos. ― Pablo falou encarando Eron.
― Que meigo. ― Jordan alfinetou enquanto trazia alguns pacotes de salgadinhos e biscoito em mãos.
― Menos do Japa. ― Pablo devolveu, revirando os olhos.
— Você podia ter morrido naquela ruína, não ia nem fazer falta — Jordan respondeu jogando o salgadinho em cima do Pablo
― Já vão começar? ― Eron e Brandon perguntaram uníssonos.
― Okay. Falando nisso eu queria te pedir desculpas pelo jeito que eu agi com você hoje de manhã Japa. Eu estava puto e descontei tudo em você. Não foi justo. ― Pablo pediu sem graça.
― Com que força a ruina desmoronou na cabeça dele? ― Jordan perguntou surpreso.
― Vai tomar no cu! ― Pablo revirou os olhos.
― Que susto. Achei que esse não fosse o nosso Pablo. ― Jordan brincou entregando um pacote de biscoito para Brandon e outro para o Eron
― Onde foi que você encontrou isso? ― Brandon indagou espantado.
― Então... Tem uma coisa que eu e o Eron queríamos contar para vocês. ― O oriental iniciou nervoso.
― O que foi dessa vez? ― Pablo suspirou exausto.
― Lembram os mantimentos que a gente pegou no nosso avião para trazer para cá? ― Eron comentou e os dois acenaram positivamente. ― Os desse avião ainda estão aqui. Tinha biscoitos, aperitivos, agua e outras coisas que não foram nem tocadas. Até as frutas e as marmitas estão guardados, embora estejam podres por estarem lá já tem quase um ano. ― O moreno explicou fazendo os dois arregalarem os olhos.
― Isso não é possível. ― Pablo falou espantado.
― E tem mais. ― Jordan continuou.
― O quê? ― Brandon perguntou preocupado.
― Eles foram organizados. Com a queda do avião, estaria tudo uma bagunça dentro dos armários, porém estava tudo guardado e organizado. Porém nenhum foi pego pelos sobreviventes. Eles não mexeram em nada. Só arrumaram e deixaram lá. ― O oriental explicou.
― Mas não faz sentido... Eles iriam comer pelo menos alguma coisa. ― Pablo comentou.
― Eles podem ter comido das marmitas. Eu não sei. Não dá para saber quantos tinham e nem quantas foram comidas. Não sabemos quantos passageiros foram sugados pelo vácuo do avião e quantos sobreviveram. ― Eron falou incerto.
― O que vocês acharam no helicóptero? Descobriram alguma coisa útil? ― Jordan perguntou curioso.
― O Piloto não estava lá. Porém havia um rasgo enorme por um estilhaço de vidro e principalmente muito sangue. A gente acha que ele deve ter sido empalado quando o acidente ocorreu. Vamos descobrir mais com a caixa preta. ― Pablo explicou pensativo se lembrando do item.
― Caixa preta? Onde? ― Eron soou surpreso.
― Aqui perto. Só temos que descobrir como abrir ela, já que a mesma está lacrada. ― Brandon respondeu.
― Espera... Você disse que o piloto foi empalhado por um estilhaço? ― Jordan pediu confuso.
― Sim, por quê? ― Pablo indagou sem entender.
― Isso não é possível. ― O oriental falou sério. ― Os vidros tanto de qualquer veículo que seja não são cortantes. Eles trincam, quebram, mas não cortam. Isso é medida de segurança solicitado pela ANVISA. Esse rasgo e o sangue não foram causadas pelo vidro. ― Jordan explicou, deixando os garotos surpresos.
― Isso não faz sentido. ― Brandon falou confuso.
― E o que nesse lugar faz? ― Pablo devolveu com ironia.
— Temos o osso, as ruínas, a base, as aeronaves, porém nós não temos nenhum corpo. — Brandon começou — E juntando isso não temos nem uma pista de nada.
— Na verdade. — Jordan respondeu — Não adianta tentar ver isso agora, vamos ser sinceros, nós vamos ficar aqui por um bom tempo. Ou talvez até mesmo para sempre, nós precisamos montar um acampamento, construir uma vida aqui.
— O Jordan tem razão — Brandon concordou com um sorriso triste — Vamos montar a nossa vida aqui.
― Olha. Vocês não estão em condições de pensar em nada agora. O melhor a fazer é vocês comerem e a gente ir dormir e descansar bem. Vocês estão tremendo de frio e estão exaustos. Depois a gente vê se descobre mais alguma coisa. ― Eron apontou, fazendo Brandon e Pablo concordarem.
― Tudo bem então. ― Os dois disseram uníssonos.
Os quatro garotos comeram o que Jordan lhes trouxe e se aconchegaram. Jordan ficou junto com Eron na poltrona do lado esquerdo e Brandon e Pablo ficaram do lado direito para dividirem o único cobertor que havia no local.
Não demorou muito e os dois logo caíram no sono, por conta da exaustão do dia. Eron e Jordan ficaram um tempo acordado, mas logo estavam dormindo também.
Eles teriam um dia cheio no dia seguinte, onde teriam mais mistérios para desvendar. O principal que estava na mente dos quatro era: O que aconteceu com os passageiros daquele avião?
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