Surviving On The Hell - Gay Romance
20 Cumprindo Uma Promessa
Notas iniciais
Eron, ao chegar ao buraco da lateral do avião, se assustou com um trovão ainda mais forte, além de que a chuva começou a ficar ainda mais densa, tanto para seu espanto quanto para o de Jordan que segurou no braço do moreno e o encarou sério. Um forte vento soprava em diversas direções diferentes, fazendo com que os dois garotos se arrepiassem por conta do frio.
― Eron volta pra dentro do avião. O Pablo vai matar você e principalmente eu. Eu não sobrevivi à uma queda de avião, queda de uma árvore, afogamento e veneno de água viva para ser morto pelo filho e Soraya Montenegro. ― O oriental falou incomodado.
― Que exagero Jordan. ― Eron revirou os olhos e se desvencilhou das mãos do amigo, se sentindo incomodado com a proximidade devido ao acontecimento do quase beijo que só não aconteceu por conta do trovão que o trouxe de volta a realidade.
― É sério Eron. A chuva está ainda mais forte. Você não está cem por cento e muito menos eu. E minha porcentagem vai diminuir ainda mais depois que o Pablo acabar com a minha raça. ― Jordan protestou.
― Vai me dizer que você não está preocupado com eles? Já fazem horas que eles saíram para ir ali. ― Eron indagou nervoso, sentindo uma leve vertigem deixando sua visão turva.
― É logico que eu estou Eron. Não tanto com o Pablo quanto com o Brandon, mas sim, estou preocupado com a demora dos dois. Mas também tenho que me preocupar com a gente. Com você. Você levou uma raiada na fuça, perdeu a vida por poucos minutos, está com o corpo debilitado, está nervoso e sair com essa chuva, nessa situação só vai piorar as coisas. ― Jordan falou sério.
― E o que você espera que eu faça? ― O moreno disse irritado por conta da impaciência.
― Primeiramente eu quero que você se acalme. ― Jordan falou puxando Eron de volta para os acentos do avião e sentando o mesmo. ― Agora eu quero que você fique aqui e espere. Mesmo que tenha acontecido alguma coisa com eles, Brandon estará lá para garantir que mesmo que machucados, eles ainda estejam vivos. ― Jordan explicou também nervoso.
― Você mandar eu me acalmar só está piorando as coisas. Parece que você está dizendo “Satanás, eu lhe invoco e desafio sua fúria.” ― O mais novo ralhou irritado.
― Eu também estou nervoso Eron. Irritado. Puto da vida. Preocupado. Quer mais adjetivos? ― O coreano soltou com ironia. ― Mas o que adianta a gente ficar assim? O que ajuda? Qual é o benefício disso? ― Gritou para o garoto moreno que arregalou os olhos diante da atitude do mais velho.
Jordan estava visivelmente alterado. O oriental socou a lataria interna do avião com força e depois suspirou para tentar se acalmar. O mesmo olhou para Eron que devolvia o olhar com insegurança, sem saber o que dizer ou se deveria dizer alguma coisa.
― Desculpa Eron. Eu extrapolei. ― Jordan pediu se sentindo sem graça.
― O que foi isso? ― Eron perguntou ficando em pé.
― Eu também estou como você Eron, mas é o que eu disse. Não estamos em mínimas condições de fazer algo, então o que nos resta é sentar e esperar. ― O oriental explicou, fechando os punhos com força para controlar o temperamento.
Eron ficou sem graça pela maneira egoísta que estava agindo. Ele sabia que sim, Jordan estava preocupado com Brandon e Pablo, mas no momento o mais velho também tinha preocupação com seu bem estar e com o dele mesmo. Eron não soube muito bem o que fazer e por isso agir com a primeira ideia que lhe veio em mente.
O moreno envolveu seus braços ao redor do corpo do oriental, apertando-o firme num abraço. Jordan se surpreendeu com a atitude, porém não esperou muito para retribuir o gesto de bom grado.
― Agora eu entendo como você consegue dobrar o Pablo com seus abraços. Você abraça muito gostoso. ― Jordan sorriu com as próprias palavras.
― E existe um abraço ruim? ― Eron riu do comentário do amigo.
― E do Pablo talvez? ― O mais velho brincou ao se separar dos braços de Eron. ― Fora que você tem um corpo bem delicinha. ― Mandou em seguida, fazendo Eron ficar enrubescido por conta do comentário desnecessário.
― Cala a boca. ― O moreno disse virando de costas.
― E uma bela comissão traseira também. ― Jordan alfinetou.
Eron se sentiu desconfortável com os olhos do coreano e para evitar outras pérolas ele resolveu se sentar novamente na poltrona em que estava.
― Pra quem estava irritado e dando socos na lataria do avião, você mudou de humor muito rápido. ― Eron ressaltou cruzando os braços em torno de seu corpo. ― E outra, você não era hétero? ― Indagou em seguida.
― Em primeiro lugar, eu já disse que ficar daquele jeito não iria nos ajudar em nada e em segundo... Você mesmo tinha dito que não era pra rotular nada. Apenas relaxar e se sentir bem. ― Jordan deu de ombros, se sentando ao lado do mais novo.
― Você poderia ao menos se sentir bem sem dizer essas coisas pra mim? ― O moreno pediu cabulado.
― Falando nisso, o que você tem a dizer em relação à minha proposta? ― Jordan perguntou sorrindo pervertido.
― Do que é que você está falando? ― Eron arregalou os olhos, fingindo desentendimento.
― Me poupe Eron. Não banca o idiota que o Pablo já faz isso por nós todos. Vai querer me beijar ou não? ― O oriental revirou os olhos sem paciência.
― Não acho uma boa ideia. ― O mais novo respondeu nervoso.
― Por que não? Já passou da hora de você beijar alguém. ― Jordan deu com os ombros.
― E porque tem que ser com você? ― Eron perguntou confuso.
― E você queria que fosse com quem? Com o Brandon? Ou pior, com o Pablo? ― Jordan indagou surpreso.
― Não, besta. Eu estou me referindo à por que precisa ser agora? Qual a necessidade disso? ― Eron corrigiu sem graça.
― Nada em especifico. ― Jordan respondeu pensativo. ― Estamos unindo o útil ao agradável. Você nunca beijou e eu estou te dando essa oportunidade.
― E o que tem de útil e agradável nisso? ― O moreno soou irônico.
― Sei lá. Acho que beijar você não deve ser tão ruim assim. Fora que eu nunca beijei um homem e eu tenho curiosidade. Deve ser interessante. ― Jordan deu de ombros.
― E tu quer me usar de cobaia pra isso? Vai procurar o Brandon, afinal até masturbarem um ao outro vocês já fizeram. ― Eron respondeu óbvio. ― E outra, eu tenho uma ideia muito diferente de como vai ser o meu primeiro beijo. ― Continuou em seguida, sentindo as maçãs de seu rosto esquentarem com a vergonha.
― Qual é Eron... Não banca a virgem adolescente que você só é virgem. ― Jordan revirou os olhos. ― E outra, não tem pessoa melhor do que eu pra fazer isso por você. Pense nisso como uma aula para você não desapontar seu futuro namorado ou namorada, sei lá. ― Continuou.
― Nem eu sei. Só sei que se for namorada, minha mãe me mata. ― Eron sorriu com o pensamento.
― E quanto ao seu pai? ― Jordan perguntou curioso.
Nesse momento a expressão divertida no rosto de Eron morreu, tomada por uma triste e melancólica que fez o oriental se arrepender por ser intrometido.
― Se importa se eu não quiser falar sobre isso? ― Eron pediu num fio de voz.
― Tudo bem. ― Jordan concordou. ― Mas voltando ao assunto anterior, se prepara aí que eu vou te beijar. ― O oriental alertou com empolgação.
― Como é que é? ― Eron arregalou as orbes. ― Eu não concordei com isso.
― Mas você vai adorar, relaxa. É só fechar os olhos que eu faço o resto. ― Jordan sorriu.
― Isso é estupro sabia? Meu irmão é advogato e eu vou te processar. ― Eron ameaçou.
― Que horror Eron. Credo. Não fala de estupro não. Eu até broxei. ― O coreano fez uma careta, sentindo um arrepio na espinha.
― Então para com essa palhaçada. ― Eron disse óbvio.
― Qual é Eron. Não é possível que eu seja assim tão difícil de beijar para você. Você sente alguma coisa por mim? Uma atração, talvez. ― Jordan perguntou curioso.
― Lá vem você também com esse papo. Você sabe que é atraente. ― Eron revirou os olhos.
― Eu sei, eu só queria inflar o meu ego um pouquinho. ― O oriental sorriu de canto.
Eron nem comentou nada à respeito das palavras do mais velho. O moreno apenas pensou: “Reclama tanto do Pablo, mas em certos momentos age que nem ele.”
― Você não vai me deixar em paz? ― Eron pediu frustrado.
― Só depois que eu te dar o seu primeiro beijo. Qual é Eron? Eu estou te pedindo em nome do amor. ― Jordan forçou uma expressão triste, onde um pequeno biquinho se formou em seus lábios.
― Que bosta em? ― Eron deu risada, fazendo o mais velho rir também.
― Achei que daria certo. ― Jordan sorriu de canto. ― E em nome da putaria? Soa bem melhor pra mim.
― Pior ainda. ― O moreno revirou os olhos.
― Em nome do que então criatura? O que eu preciso fazer beijar essa boca? ― Jordan perguntou oferecido.
― Aqui vemos que você está mais preocupado em me beijar do que eu realmente perder a virgindade dos lábios. ― Eron soou irônico.
― Como eu disse, unindo o útil ao agradável. ― Jordan respondeu com um sorriso safado.
― Puta que me pariu, quer dizer, puta que pariu. ― Eron corrigiu, pensando em como a mãe reagiria ao escutar tais palavras.
― Qual é Eron? É só um beijo... ― O oriental revirou os olhos.
― Foi o que a minha mãe disse para o pai dos meus irmãos, e assim nasceu o Anthonny. ― O moreno revirou os olhos.
― E daí? Não é como se isso fosse acontecer com você. ― Jordan disse óbvio. ― Ou você é tão ingênuo ou até mesmo trouxa a ponto de achar que vai engravidar? Além do mais eu não estou lhe propondo sexo. ― O coreano explicou. “Não ainda...” ― Pensou em seguida.
― Tudo bem. Se for pra você parar de me encher o saco, toma logo seu beijo. ― Eron ralhou irritado.
O moreno se aproximou rapidamente de Jordan e selou seus lábios nos dele tão rápido quanto a aproximação. Jordan foi pego de surpresa com o ato inesperado, porém logo fez uma expressão de indignação, antes de iniciar.
― Qual é Eron? Eu beijo a minha avó com um selinho, fora que esse foi o selinho mais sem graça que eu já vi em todos os meus vinte e dois e vinte e três anos. ― O coreano acusou cruzando os braços.
― É mais do que eu deveria ter feito. Dê-se por satisfeito. ― Eron deu de ombros.
― Nem pensar. Eu sou um homem grande. E homens grandes como eu precisam de mais... Muito mais... ― Jordan sorriu maliciosamente se aproximando de Eron.
O moreno, devido a aproximação do mais velho, foi caminhando para trás à medida que Jordan se aproximava, até não ter mais para onde ir, por estar encurralado entre os bancos e a parede do avião.
Jordan levou sua mão direita até nuca de Eron e acariciou a mesma fazendo um pequeno arrepio percorrer pelo corpo do mais alto. Em seguida, o coreano levou sua mão livre até a cintura do mais novo aproximando ainda mais seus corpos. Eron manteve os olhos abertos, praticamente arregalados, durante todo o tempo, estudando as ações do amigo com curiosidade, ansiedade e principalmente receio.
― Nem um trovão vai fazer com que você escape agora. Só relaxa e aproveita. Te dou minha palavra que você irá gostar. ― Jordan aproximou seus lábios da orelha do garoto para então sussurrar tais palavras.
Eron engoliu seco, dando-se por vencido e esperando o que quer que fosse acontecer. Jordan tomou a iniciativa e selou seus lábios nos do moreno, num selinho delicado e calmo. Ficaram assim por alguns segundos, apenas com os lábios selados, até que o mais velho começou a brincas com o lábio inferior do menor, ora chupando, ora dando leves puxões.
Eron não podia mentir... Ele estava gostando, e muito, da sensação dos lábios do coreano nos seus. O beijo ficou apenas naquilo por alguns segundos, porém logo Jordan passou sua língua nos lábios de Eron, o que o moreno entendeu a situação. Ele queria aprofundar o beijo e avançar mais um passo nessa etapa de perca de virgindade labial.
Eron deu passagem para Jordan, abrindo os lábios com um pouco de insegurança, sem saber muito o que fazer à seguir.
Jordan foi conduzindo o beijo pacientemente, até que o amigo acompanhasse o ritmo e entendesse o que era para ser feito. A língua dos garotos pareciam brincar dentro da boca do moreno, deslizando uma na outra, além de Jordan explorar outros cada pedaço da boca fina e macia do mais novo.
As mãos do oriental começaram a se movimentar e acariciar o corpo de Eron, onde o mesmo não perdeu tempo e tomou a iniciativa de repetir o gesto. O mais novo levou suas mãos até o pescoço e nuca do menor e o seguraram firmemente enquanto se beijavam. As mãos de Jordan passavam por todo o tronco e costas do amigo, descendo e subindo à medida que o beijo ficava mais intenso.
Eron já havia pegado o jeito e agora já acompanhava o ritmo do mais velho. O beijo, apesar de ser iniciante para os dois – Eron sendo o seu primeiro na vida e Jordan sendo o primeiro garoto que ele beijara – era excitante e intenso, entre outros adjetivos.
Os lábios dos garotos se separaram, onde ambos buscaram oxigênio para regularizar a respiração. Eron abriu seus olhos, onde ele nem se lembrava de tê-los fechado, para encarar Jordan. O Oriental sorria maliciosamente. Havia algo a mais no olhar do mais velho.
― Eu disse que você ia gostar. ― Jordan falou convencido, também tentando regularizar sua respiração.
Eron não soube o que dizer. Ele estava atônito pelo acontecido, porém não seria hipócrita ou mentiroso, dizendo que não tinha gostado. Ele havia se saído muito bem para seu primeiro beijo, onde ele havia batido seus dentes nos do coreano apenas uma vez.
Jordan não esperava palavra nenhuma de Eron para confirmar o que ele disse, já que provavelmente ele estaria pensando no acontecido, porém era evidente na expressão do rosto do mais novo que ele havia gostado.
O Oriental tomou a iniciativa de deslizar suas mãos pelas costas de Eron e descer a mesma até a bunda do garoto, que arregalou os olhos assustado.
― Uepa! ― Eron saltou no lugar, se desvencilhando das mãos alheias.
##
Brandon e Pablo estavam à beira da loucura naquela cratera. Eles não sabiam dizer quantas horas haviam se passado, mais eles ainda estavam com água batendo um pouco acima dos ombros, chegando no pescoço. A situação tornava tudo mais torturante para os garotos.
Eles não sabiam dizer que horas eram já que as arvores não deixava ver se estava escuro por conta do tempo nublado e as arvores tampavam a claridade ou se realmente estava anoitecendo. A noção de tempo, porém, era a menor de suas preocupações.
Eles estavam cansados por conta da exaustão de toda a situação atual, somado ao que passaram anteriormente antes de cair no buraco. Foi o stress por conta do ocorrido com o Eron, a corrida para procurar abrigo, a fuga do javali e a queda no buraco, que além de ter um espaço mínimo que os deixavam desconfortável por estarem horas na mesma posição, também tinha as lesões da queda.
Estava tremendo de frio por conta da agua gelada, forte vento e baixa imunidade. Seus lábios estavam roxos, suas peles pálidas e pelos do corpo arrepiados. Mesmo se abraçando para transmitir o calor de um corpo para o outro, a hipotermia era tão grande que não fazia mais diferença alguma, já que praticamente não havia mais calor para transmitir. Os dois tremiam com o frio, tentavam se concentrar com a ideia de que frio era psicológico, porém não parecia funcionar. Os dentes chegavam a bater de tanto que eles tremiam.
Pablo estava exausto. Ele tivera uma noite mal dormida por conta do pesadelo. Sua perna machucada, além de estar sendo forçada por ficar horas em pé na mesma posição, só piorava e a dor piorava junto.
Já não sabiam quanto tempo estavam em silencio, pois já haviam esgotados todos os assuntos triviais possíveis. Eles não tinham intimidade para conversar muita coisa e ficar calado, apenas escutando o barulho da tempestade passar não estava ajudando.
Eles ainda não boiavam na agua, embora ela estivesse em seu pescoço. Brandon sugeriu que eles esperassem, pois se ficassem boiando desde já, o cansaço apenas aumentaria, diminuindo suas chances.
O estomago de ambos roncavam sem limites. Não comiam uma refeição descente desde o dia anterior. Estavam praticamente à dois dias comendo apenas frutas, e a ultima vez que eles comeram foi no café da manhã, onde comeram pouco ainda por cima.
― Eu não estou aguentando cara. Séculos já se passaram e ainda faltam mais de dois metros de agua para a gente sair daqui. ― Pablo choramingou exausto.
― Se apoia em mim. Eu sei que a sua perna está ruim. ― Brandon falou preocupado.
― Isso não vai ajudar muito. ― Pablo suspirou.
― Não ajuda muito, mas já ajuda. Qualquer coisa mínima que nos ajude já aumenta nossas chances. ― Brandon explicou sério.
― Eu não vou conseguir... Não tem porque eu foder com as suas chances. ― Pablo lamentou, sentindo os olhos arderem.
― Para com isso loira. Tenta focar que a gente vai conseguir droga. ― Brandon falou frustrado.
― Sabe o que é o mais engraçado? Eu salvei a vida do magrelo e a vida do Japa. Pelo menos eu consegui fazer alguma coisa útil né? ― O mais novo tentou sorrir, mas não conseguiu.
― Eu vou salvar você. Confia em mim. Mesmo que você esteja cansado demais para continuar, eu vou te ajudar. A gente vai sair dessa juntos. ― O branquelo jurou sentindo os olhos marejarem também.
― Desculpa Brandon, eu não quero te ofender, mas eu não acredito em você. ― O loiro disse sincero.
― Como assim? ― O mais velho perguntou surpreso.
― Se você foi capaz de desistir do Magrelo que você sempre se deu bem com ele, imagina de mim que sempre brigamos e implicamos um com o outro? ― Pablo lembrou, fazendo o garoto assentir envergonhado.
― O que houve com o Eron foi praticamente um milagre. Aquilo era cientificamente impossível, e eu fiz o que pude, ou pelo menos eu pensei que eu tivesse feito. Eu te dou a minha palavra que eu farei tudo o que puder pra tirar a gente daqui. Eu não vou desistir nem de um idiota como você. ― Brandon brincou para descontrair a tensão instaurada entre eles. ― Palavra de escoteiro. ― Continuou em seguida. — Eu nunca mais vou desistir de algo assim.
― Você nem é escoteiro. ― Pablo acusou, porém sorriu junto. Sorriso esse que não demorou muito. ― Eu to morrendo de vontade de mijar. ― Comentou em voz alta.
― Mija ué. ― Brandon disse confuso.
― É nojento. A gente está atolado na água. ― O loiro disse óbvio fazendo uma careta.
― Não é como se essa água estivesse limpa. Pelo menos ela vai ficar mais quente. ― Brandon deu de ombros.
― Que nojo. ― Pablo repreendeu, mas suspirou em seguida. ― Eu não vou conseguir aguentar. Vou ter que fazer aqui na água mesmo. ― Confessou.
― Eu não me importo. Não vou beber mesmo. ― O Branquelo relevou.
Não demorou nem um segundo e Pablo começou a se aliviar na água. Ao menos um de seus vários problemas estavam resolvidos, embora esse definitivamente era o melhor deles.
Os dois novamente mantiveram um silencio incômodo por algum tempo, quem sabe horas. A água já havia subido mais e eles foram obrigados a começarem a boiar, pois a mesma já ultrapassou a cabeça de ambos, até a do loiro que era mais alto.
Brandon sentindo-se angustiado por conta de só estar ouvindo o barulho da tempestade onde se incluía trovões, ventos fortes soprando nos galhos das arvores ao redor e principalmente a forte chuva, resolveu puxar assunto com o loiro para ver se ao menos conseguia deixa-lo focado e principalmente o tempo passava mais rápido.
― O que você fazia da vida antes de estar aqui? ― O branquelo perguntou curioso.
― Um monte de merdas. E você? ― Pablo revirou os olhos antes de devolver a pergunta.
― Tem como ser mais específico? Eu trabalhava num asilo cuidando de idosos. Fez parte de um curso técnico de enfermagem que eu fiz. ― Brandon respondeu.
― Legal. Não fazia nada de interessante. Eu estressava meu pai, meu pai me estressava... Coisas assim. ― O loiro falou indiferente.
― Como assim? ― Brandon perguntou curioso.
― Eu já falei disso com o magrelo. Meu pai era um “aventureiro”, levando cada dia um macho diferente lá em casa. ― Pablo respondeu dando de ombros.
― Seu pai é Gay? ― Brandon reagiu surpreso.
― Sim... ― O loiro respondeu indiferente.
― Isso explica muita coisa. ― O branquelo comentou pensativo.
― Explica o quê? ― O mais novo arqueou a sobrancelha.
― O seu jeito homofóbico. Você é revoltado assim por causa do seu pai. ― Brandon respondeu óbvio.
― Em primeiro lugar, homofóbico é a cabeça do meu pau. Eu não tenho nada contra gay. Eu amo meu pai e embora não pareça eu tenho orgulho da pessoa que ele é, indiferente de onde ele enfia o pau dele ou se enfiam o pau no cu dele. ― Pablo disse ríspido.
― Eita. ― Brandon disse estupefato.
― O que foi agora? ― Pablo perguntou tentando não se irritar.
― É que não é bem isso que você demonstrou no dia que o Jordan me abraçou enquanto a gente dormia, sabe? Foi um show e tanto. Você até disse que não considera isso uma coisa normal. ― Brandon acusou desconfiado.
― Eu já disse isso pro magrelo e vou te dizer também. Eu só acho desnecessário. O que se faz entre quatro paredes, fica entre quatro paredes. Eu só não sou obrigado a ficar olhando, indiferente se são dois homens ou então um homem e uma mulher. ― Pablo explicou.
― E se fosse duas mulheres? ― Brandon alfinetou.
― Essa não é bem a questão, embora você tenha me pegado nessa. Eu não gosto de demonstrações de afeto gratuitas. Indiferente de quem seja. ― Pablo falou sincero.
― Por que aquilo incomodou tanto você? Chegou a parecer pessoal. ― O mais velho insistiu no assunto.
― Vou te dizer o mesmo que eu disse para o magrelo, de novo. Você, o Magrelo e principalmente o Japa são um bando de esquisitos e estranhos, que dormem de conchinha e nós quatro dividimos o mesmo espaço. Não quero que sobre pra mim, ainda mais que eu sei o quão difícil é resistir já que eu sou muito gostoso e irresistível. ― Pablo falou num tom sério.
― Ai meu cu. ― Brandon revirou os olhos, não deixando de rir da audácia do mais novo.
― Estou mentindo? ― Pablo arqueou a sobrancelhas.
― Vou me manter em silencio. ― O Branquelo deu de ombros.
― Quem cala consente. ― Pablo conseguiu sorrir. ― Falando nisso, tu curte a fruta com caroço né Brandon? Tu tem cara de quem curte mandioca e não esfirra. ― O loiro continuou pensativo, praticamente afirmando em vez de indagar.
― É o quê? ― Brandon ralhou exasperado.
― Tu é gay? ― Pablo fora direto dessa vez.
Brandon ficou calado. O branquelo ficara pensativo em relação à pergunta do loiro, suspirando antes de responder.
― Sinceramente? Sim, eu sou gay. ― Brandon respondeu inseguro.
― Eu sabia! Se eu tivesse apostado com o magrelo, eu tinha ganhado. ― Pablo se vangloriou, fazendo Brandon se espantar com sua atitude.
― Eu juro que eu não esperava essa reação. ― Brandon falou sincero.
― E o que você esperava? ― Pablo perguntou confuso.
― Sinceramente, de novo? Você bancar um mutante e começar a levitar apenas para sair de perto de mim. ― Brandon sorriu sem graça.
― Depois eu sou o retardado. ― Pablo revirou os olhos.
― E você é. ― O mais velho imitou o gesto.
― Vai tomar no cu. ― Pablo disse indiferente. ― Eu já disse que não sou homofóbico cacete. ― Continuou em seguida.
― Não é o que parece. Ainda mais por conta da maneira que você estava agindo até hoje cedo. ― Brandon acusou.
― Eu admito que eu estava sendo um babaca, mas sua orientação sexual não tem nada haver. ― Pablo explicou dando de ombros. ― Embora eu me sinto incomodado por ser o único hétero nessa porra. ― Continuou em seguida.
― Como pode ter tanta certeza? ― Brandon perguntou confuso.
― Qual é? Eu já sabia que tu era do vale, como meu pai dizia. O Japa é mais do que óbvio. Não tem como discutir. E quanto ao magrelo... Ele é liberal demais, sei lá. Eu não coloco minha mão nem na agua, quanto mais no fogo. ― Pablo explicou fazendo o branquelo rir de seu comentário.
Brandon estava prestes a soltar um comentário, porém um trovão mais forte que últimos soou assustando os dois. Novamente eles ficaram em silencio e todas as sensações anteriores que haviam sido mascaradas pela conversa descontraída voltaram. O frio, a fome, o cansaço, a dor e principalmente o desespero.
― A gente tem que sair daqui logo. Eu vou ficar louco, isso se eu não morrer antes. ― Pablo falou exaltado.
― Calma loira. Isso não vai ajudar em nada. ― Brandon falou complacente com o desespero do mais novo.
― Você está mijando na minha perna? ― Pablo perguntou com a cara fechada.
― Eu não. Que história é essa? ― Brandon perguntou confuso.
― Tem a porra de um jato batendo em minha perna. ― O loiro explicou.
O branquelo parou para sentir e realmente constatou que havia uma pequena, porém perceptível correnteza de água. Provavelmente uma fenda na parede da ruína, porém o mais intrigante era que em vez da agua escoar, ela estava subindo o nível. O buraco estava enchendo mais rápido.
― O nível da agua está subindo mais rápido. ― Brandon falou alarmado.
― Isso não é bom? Vamos sair daqui mais rápido. ― Pablo comemorou empolgado.
― Eu não sei loira. A água está subindo rápido demais. Não faz sentido. Ela está entrando pelas paredes das ruínas. Pensa comigo... Se isso ceder e se quebrar, a gente vai cair ainda mais ou até mesmo acabar soterrado. Por algum motivo a parede rachou. ― Brandon explicou preocupado. ― Fora que também tem a chance da terra ali em cima desbarrancar sobre a gente. ― Continuou em seguida.
― Caralho. ― O loiro bufou frustrado.
A água foi subindo o nível cada vez mais rápido. A distância dos garotos da superfície agora era de alguns metros. O loiro cada vez criava mais expectativa para cegar ao topo e o que perecia que demoraria muito mais horas de espera, iria ser resumido em minutos.
Brandon ainda estava desconfiado de todo o ocorrido. Não fazia muito sentido, embora nada naquela ilha fizesse. Ele não entendia como a parede da ruina pudesse ter rachado e como a água em vez de escoar estava subindo o nível. Era como se houvesse um encanamento.
O branquelo não teve tempo para raciocinar muito, pois o susto que ele havia levado tomou todo seu foco. A parede feita de terra que estava ao lado do Pablo havia desbarrancado e um pedaço de terra solidificada acertou a cabeça do loiro. O desmaio foi instantâneo o que fez Pablo afundar. O espaço era muito pequeno e Brandon não conseguiria mergulhar para puxar o loiro junto com ele, porém numa rápida ação, o branquelo puxou o mesmo pelo cabelo, já que foi a única coisa que ele conseguiu segurar.
Por estar submerso por água, não fora difícil puxar o loiro, já que seu peso reduzido colaborou com a tarefa, porém o esforço feito por Brandon para fazer tanto ele quanto Pablo ficarem com a cabeça pra fora da água enquanto boiava pelos dois era ainda mais esgotante.
Provavelmente uns quinze minutos haviam se passado e a agua estava a apenas alguns centímetros da superfície terrestre. Brandon teve que arriscar, afinal ele não sabia quanto tempo as ruínas aguentariam e principalmente as paredes de terra, já que poderia desbarrancar novamente.
Pablo ainda estava desacordado. Havia um corte em sua testa, onde ele levou a pancada. A mesmo só não sangrava mais por conta da água que caia da chuva que de segundo em segundo limpava o sangue.
Brandon fez o máximo de força possível para se segurar em terra firme apenas com uma mão já que a outra puxava o braço de Pablo para que ele não afundasse. Ele conseguiu sair do buraco, e embora temeroso por outro desbarrancamento, ele se apoiou na borda e puxou Pablo com as duas mãos para tirar o mesmo de lá de dentro.
Felizmente ele teve êxito nas duas tarefas.
Finalmente os dois estavam livres e um sentimento de alívio percorreu cada poro de seu corpo. Brandon colocou-se em pé e pegou o loiro no colo em estilo noiva e quando estava para dar seu primeiro passo, um barulho chamou a sua atenção. A ruina ruiu e as paredes dela cederam. Toda a agua que enxia o buraco escoou em segundos.
O Branquelo não conseguiu deixar de ficar assustado... Se ele tivesse demorado um minuto a mais para sair de lá com o loiro, os dois provavelmente estariam mortos nesse momento. Ele sacudiu a sua cabeça para voltar para a realidade e olhou para a grande cratera que ele precisaria passar. Alguns relâmpagos ainda estavam presentes no céu. O branquelo se abaixou e começou a checar o estado de Pablo.
— Pablo acorda. Nós conseguimos. — O branquelo falou checando os sinais do loiro — Eu consegui manter a minha promessa.
Vendo que o louro não acordaria tão cedo, Brandon não quis perder tempo.
Com o loiro nos braços, mesmo com muita dificuldade por conta do peso do mesmo, cansaço, fome, frio e outras coisas que seu corpo passavam, ele rumou o mais rápido que pode em direção ao avião.
O loiro era muito pesado e não demorou muito para que Brandon caísse um Raio caiu em algum lugar perto assustando o branquelo que olhou para o rosto de Pablo que estava completamente desacordado ainda. Ele voltou a pegar o loiro novamente e o carregou até o inicio do barranco. Uma ventania começou e a tempestade começou a ficar mais forte, mais raios começaram a cair e o morenos agarrou o loiro e o colocou deitado no barranco.
O branquelo não sabia como iria subir o barranco com o corpo pesado do Pablo, ele pegou a sua blusa que estava amarrada em sua cintura e amarrou na testa do loiro para impedir que ele perca muito sangue. A sensação de estar sozinho estava consumindo completamente o seu ser. Ele olhou para Pablo novamente e lembrou dele ter comentado o fato de quando ele havia desistido de salvar o Eron.
— Eu não sei o que fazer. — Brandon disse baixinho olhando para Pablo esperando que o loiro abrisse os olhos — Eu nunca pensei que fosse querer sua companhia.
O vento ficou mais forte e algumas partes do barranco começaram a cair e o branquelo pegou o loiro e saiu dali antes que a parte onde eles estavam começasse a desmoronar também, ele colocou o Pablo nas costas e começou a caminhar tentando achar a parte mais baixa do barranco para conseguir subir e finalmente achou uma parte que viu que conseguiria subir e não perdeu tempo conseguindo subir com um pouco dificuldade.
Brandon deu um pequeno sorriso, mas logo sua visão foi ficando turva, mas ele se forçou a continuar concentrado e continuou seguindo lentamente indo em direção ao avião com Pablo em suas costas.
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