Survive
4 Capítulo 4 - Tina - Back Around
Notas iniciais
Como andam! U.U
ENTÃO
Se alguém estiver lendo, dá um alôzinho u.u
Seu liamdos ;)
XOXO
P.s.: aproveitem
Você sabe que essa cidade é pequena demais e não tão grande pra suportar isso de novo.
Você sabe que vai perder
Tudo e todos que significam tanto pra você
Kyle parou o carro suavemente e eu pulei, batendo a porta.
– O que faremos? – perguntei, olhando para a farmácia.
– Apenas o necessário – disse ele, me olhando nos olhos. Um arrepio percorreu minha espinha. Aqueles olhos... Eram tão parecidos com os dele. Mordi o lábio inferior e desviei o olhar. Toquei minha nova cicatriz na nuca e engoli em seco. Peregrina, a alma, a tinha feito em mim. Para que eu pudesse me passar por um dos parasitas.
– Pronta menina da tempestade? – ele me deu uma olhada em desafio. O azul de seus olhos pareceu se intensificar.
Bati os olhos na vitrine da farmácia.
– Sempre – dei um passo e adentrei na loja extremamente branca e esterilizada.
♦
Eu inclinei a cabeça para o lado. Hum... Eu nem me lembrava do nome dos remédios humanos, imagine com tantos rótulos que as parasitas davam agora.
– Já encontrou o que procurava? – uma menina de uns dezesseis anos se aproximou de mim. Vestia branco da cabeça aos pés e tinha cabelos ruivos desbotados. No rosto havia sardas e os olhos dela eram levemente verdes – quase se passava por humana. Ela se aproximou um passo, estendendo um sorriso brilhante e branco e a luz da lâmpada pegou um reflexo prateado em seus olhos. Eu engoli em seco e meus ombros ficaram tensos. Recuei um passo e disse em uma voz atropelada:
– Eu-eu precisava de uns... como é mesmo o no-nome...?
– Ah. – ela deu uma olhada para a prateleira que eu estava apontando. – Fortificantes? Vitaminas?
– Isso – não era isso que eu precisava. Era de bandagens e um remédio que cortasse a dor.
– Sente-se fraca? Como está? Dores de cabeça, visão embaçada? É nova na Terra? – reparei na plaquinha presa na parte esquerda do peito dela. Em uma letra cursiva impecável lia-se: Amber.
– Eu... não. Só um pouco cansada às vezes. Sim, sou... nova na Terra –menti, sem olhá-la nos olhos. Idiota!
– Tem certeza? Sou Amber. Bom, caso tenha problemas mais sérios, além do cansaço, procure um Curandeiro, certo?
Eu assenti uma vez.
– Essas vitaminas aqui são para a visão... – Amber indicou potes azuis e foi classificando vitamina por vitamina. Por fim, fiquei com um potinho alaranjado, que de acordo com Amber, tiraria meu cansaço. E, novamente, ela insistiu que eu procurasse um Curandeiro caso meu caso se estendesse.
– Hum. Pode deixar. Aquilo ali é o quê? – perguntei para ela. Eram as bandagens que eu estava procurando.
– São bandagens. Para os machucados. Muito poucas usadas, na verdade.
– E servem para....? – ah, certo. Agora eu estava me sentindo completamente idiota e obtusa.
– Estancar sangue de machucados. Já machucou sua Hospedeira? – ela perguntou gentilmente. Eu balancei a cabeça positivamente.
– Eu... hum, hum... esse novo corpo é completamente diferente.
– E você vem de onde? Eu era um Urso. – um sorriso tímido. – é algo completamente novo, não?
Engoli em seco e assenti.
– Então – insistiu ela – nunca a vi aqui antes. Como disse que era seu nome?
– Eu não disse – inclinei as sobrancelhas para baixo. Ela era mais esperta do que eu esperava. Esperta o suficiente para um nível de Buscadora – me chamo Anne-Lyn. – ela me dirigiu um sorriso brilhante. Sem tirar os olhos dela andei até a prateleira das bandagens. – irei levar algumas. Por... Precaução. – ela acenou com a cabeça levemente. Quando estava prestes a repetir e fazer mais perguntas, ouvi uma voz levemente conhecida:
– Ah, você está aí – Kyle entrou na farmácia. Os olhos estavam completamente sérios, mas ele trazia um sorriso nos lábios. Ele deu passos largos e chegou a mim em alguns segundos. Deu um sorriso galante para a moça e então... Beijou-me. Meus olhos se arregalaram enquanto eu sentia os lábios de Kyle sobre os meus. Eu estava prestes a empurrá-lo, mas os olhos dele, que permaneceram abertos, diziam um alerto claro: Não faça isso. Nesse momento um carro policial com dois Buscadores nos brancos da frente passou pela frente da farmácia. Meu peito pesou. Amy! Ela estava por aí... e não sabia de Buscadores! Engoli em seco e fiquei estática. Ainda sentia as mãos de Kyle prendendo meu rosto, os lábios tocando minimamente os meus. Era algo completamente forçado. Quando o carro da polícia passou lentamente, fuzilando as costas de Kyle, eu levei minha mão para seu ombro e o empurrei levemente. Ele entendeu o recado e se afastou de mim, endireitando a postura. Segurou minha mão com força demasiada e meus olhos caíram em Amber, a alma. Ela estava meio... embaraçada. Dei um sorriso pequeno e ela embalou as vitaminas e as bandagens, Kyle me lançou um olhar impaciente e eu pisei no pé dele, cuidando para que a menina alma não visse. Ele franziu os lábios. Eu peguei pacote marrom e pedi a ela, se havia também algum remédio que cortasse dores. Ela me deu vários – em compridos, em potinhos, em aerossóis. Eu os peguei e agradeci apressadamente. Não via a hora de sair dali. Corri para o carro ao lado de Kyle – grandes gotas de água morna caiam pesadas sobre nossos ombros.
– Missão comprida – falei, mostrando-lhe os dois pacotes.
Ele franziu os lábios e se concentrou em engatar a primeira marcha e sair dali.
– Continua viva – disse quando a menina da farmácia ficou para trás – isso significa alguma coisa, eu penso.
– Alguma coisa?
– Hum, é. Vamos encontrar sua amiga e Jamie. Deus nos ajude caso tenha acontecido algo com aquele menino.
– Deus te ajude, caso tenha acontecido algo com Amy. – ele me deu uma olhada e eu fraquejei. O beijo forçado voltou – os olhos, azuis, azuis.
Ele me puxou para seu colo. O sorriso era tão bonito que meu coração deu dois saltos dentro do peito – meus pais estavam dormindo, assim como minha irmãzinha. Ninguém sabia que Matt estava ali. Meus dedos se enroscaram em seus cabelos e eu mordi o lábio dele levemente. As mãos dele passearam pela minha blusa de dormir.
– Você ficaria melhor sem ela – sussurrou Matthew em meu ouvido. Eu ri silenciosamente e mordisquei o pescoço dele. A noite estava quente e silenciosa. Do quarto dos meus pais eu ouvia a televisão falando para as paredes – mais uma matéria sobre assassinos, ladrões e estupradores se entregando para as autoridades.
– Shhh, Johnson – eu sussurrei de volta – meus pais podem ouvir!
Ele riu baixinho.
– E...? Você tem quinze anos, Tina. Pelo amor de Deus.
– Não tem graça, Matt. Não posso fazer isso. Meus pais... – os lábios bruscos e macios de Matt fisgaram os meus. Caramba... o ar sumiu de meus pulmões e meu estômago caiu em queda livre vertical. Eu não tinha total controle de mim mesma e isso podia ser muito, muito perigoso. Eu o beijei uma, duas, três vezes então escondi meu rosto em seu pescoço, as pernas ao redor dele.
– Tem como continuar desse jeito, Tina?
– O que sugere? Que nos casemos? Amy daria uma boa dama de honra – eu ri no pescoço dele. A mão de Matt ergueu meu queixo.
– Sim, é isso que eu te proponho. – eu me endireitei.
– O quê? – minha voz saiu aguda. Não acreditava no que estava ouvindo. Matthew... estava... me pedindo em casamento?
– Foi o que ouviu – ele segurou meu queixo delicadamente. – O que acha? Tem toda a razão. Amy daria uma ótima dama de honra.
– M-m-mas Matt... eu... você... vo-você tem só dezoito anos. E eu quinze! Não... – Matt suspirou e me colocou na cama.
– Pense um pouco, Tina – ele me beijou. Um beijo molhado, bom, intenso. Segurou minha testa junto da dele por alguns segundos e a beijou logo depois. – Eu amo você – sussurrou ele em meus cabelos e então deslizou até a janela e passou as pernas e deu um pulo. Não houve mais nada. Só silêncio. E eu estava sozinha.
Dei um pulo quando Kyle me chamou. Minha nossa. Eu estava começando a ficar louca. Olhei ao redor – a chuva havia engrossado verdadeiramente e os limpadores de vidros do carro trabalhavam freneticamente.
– Amy – sussurrei rouca – onde ela está?
– Era isso que eu falar – grunhiu Kyle, abrindo a porta – Jamie e Amy sumiram.
– O quê?! Eu disse! Eu disse! – abri a porta furiosamente e pisquei para repelir a torrente de gotas da tempestade que nos cobria.
– Quieta menina! Tenho que pensar! – eu chutei uma pedra furiosa; as portas do carro escancaradas. Meus cabelos já estavam encharcados – de relance vi uma casa da cor groselha ao longe.
– Espere aí... – falei. Meus pés começaram a me levar.
– Christina! Ei!
– Droga – gritei e me virei para Kyle: — Feche o carro, pegue a arma! Eu sei onde eles estão. – trocamos um olhar e Kyle fez o que eu pedi. Droga, Amy!
♦
– Tem certeza disso? – perguntou ele e se abaixou. Eu assenti. – Como?
– Essa era a casa de Amy – falei com absoluta confiança. Conhecia a casa. Bem demais.
– Como? – repetiu ele, a arma em punho. Os olhos ainda esquadrinhavam a casa. Estávamos abaixados atrás de uma moita na casa vizinha.
– O irmão de Amy... – comecei impaciente, mas nesse momento ouvi o grito.
– Droga! – eu me levantei e tropecei; meus olhos arderam, mas não me permiti chorar. Encostei-me na lateral da casa, fora do campo de visão das janelas e avistei um amontoado de roupas perto da porta lateral.
– Jamie! – chamei. O menino ergueu os olhos assustados. – Venha aqui – chamei mais baixo. Senti o corpo de Kyle perto do meu e não ousei erguer os olhos. Ele fez um gesto pro menino e Jamie balançou a cabeça. Me esgueirei até perto da porta.
– Ela está lá dentro, não está? – perguntei baixinho e olhei pela janela pequena de vidro. A casa estava silenciosa. Então um vulto passou.
– Tem alguém lá? Fora ela? – Jamie parecia pálido demais.
– Ela achava que eles estavam todos fora...
– Eles quem? – perguntou Kyle. Eu e Jamie o ignoramos.
– Sim.
– A mãe?
– O irmão dela. – o olhar de Jamie foi para a janela e eu paralisei.
– I-irmão? – minha garganta se fechou. Por favor, por favor...
– Sim, o irmão dela. Não sei direito onde ela está... Vocês se conheciam antes disso, não? – ele ergueu os olhos pra mim – Por favor, tire Amy dali. Não quero que ela... que ela...
– Não quer perdê-la, certo? – meus olhos arderam duas vezes mais e minhas lágrimas se misturaram com a chuva grossa – Eu também não posso perde-la, garoto.
– De quem você está falando? – grunhiu Kyle ao meu lado.
– Eu vou entrar.
– Não!
– Jamie, pode fazer um favor? – pedi me ajoelhando na frente do menino de quinze anos.
– Claro – eu o olhei nos olhos;
– Toque a campainha – um sorriso mínimo e seco inundou meus lábios – e saia correndo.
– Não! – Kyle segurou meu braço – Não pode colocar ele em perigo. – eu puxei o braço de volta com um soquete.
– Você começou com isso, Kyle. Leve até o fim. Proteja o garoto. Dê cobertura a ele. – eu o encarei firmemente.
– Não morra – ele largou meu braço relutante – e não deixe que a peguem.
– Mereço um beijo de despedida? – brinquei. Para minha surpresa Kyle beijou minha testa encharcada e me lançou um último olhar.
Olhei a porta e rezei para não precisar arrombá-la.
Segurei a maçaneta e a girei. Pelo jeito Deus estava de bom humor.
♦
A campainha tocou e eu ouvi passos furiosos descendo.
– Já vou! – a voz dele feriu mais que despencar de um penhasco e atingir o chão. Tão perto, tão próximo – e tão longe. Não era ele.
Engolindo o choro eu corri até as escadas – sem emitir qualquer ruído. Passei o quarto de Matt e cheguei ao de Amy. Andei até a cama e ouvi o ruído de alguém soluçando e lá estava ela, econdida – embaixo da cama. Amy estendeu os braços feito uma criança pequena e eu a puxei. Ouvi barulhos no andar de baixo e o som da porta sendo fechada.
– Droga – eu a levantei e sequei as lágrimas – Venha Amy. Vamos sair daqui.
– Ele... ele... – a voz dela falhou e eu olhei para a janela.
– É muito alto? – perguntei em um sussurro. Ela balançou a cabeça. Ouvi barulhos no corredor. – Então nós pulamos.
Ela grunhiu baixinho e segurou minha mão.
– Espero não quebrar uma perna. – sussurrei. Olhei para a porta aberta do quarto de Amy uma última vez e olhei para a janela. Não ia dar tempo nem de abri-lá para saltarmos.
– Amy! – gritei. A sombra de Matthew apareceu na porta. Eu paralisei.
Então ele disse:
– Tina?
Eu o encarei.
– Matt... – então a expressão dele mudou de chocada para alarmada. E ele correu pro lado oposto – temos que sair daqui. Agora. Vem Amy.
Ela soluçou alto e gemeu, olhando uma última vez para as costas do irmão. Eu gritei pelo nome dela. Ele ia chamar os Buscadores. Eu tinha que tirar Amy, Jamie e Kyle. Agora. Tínhamos que ir.
– AMY!
– AHHHH – corremos juntas até a janela e eu ergui os braços para proteger os olhos do vidro estilhaçado; Amy pulou depois de mim. Vento passando por mim. E o silêncio.
O corredor era infinito – e havia vários labirintos e ramificações. Era escuro. Muito escuro. Corri até um par de portas duplas no fim do corredor depois do que pareceram dias. Quando empurrei as portas uma luz prata me cegou e eu não pude avançar. Era uma barreira invisível, mas resistente. Mantendo-me fora. E eu não podia fazer nada.
Então eu o vi. Os olhos fechados, magro, caindo quase morto – agarrados as grades prateadas como se a vida dependesse disso. Eu tentei avançar – precisava ajudá-lo. Ele precisava de mim. Eu sabia disso.
– Matt – gritei e a prisão pareceu se mexer, se mover lentamente; ondulando.
– Matt! – eu soquei com os punhos a barreira invisível.
– Tina... – era um sussurro fraco. Débil e doente. Quase morto – Tina. Você conseguiu. Sobreviveu a eles.
– Amy também! – gritei para ele – Ela também! Precisamos de você! Por favor! – lágrimas salgadas em cortes abertos.
– Estou aqui por você – sussurrou ele e o chão se ondulou com fúria abaixo de meus pés.
– MATT!
– Eu ainda estou resistindo por vocês... amo você, Tormie. Para sempre.
Então o chão se abriu.
Notas finais
BOA LEITURA! :D
Fale com o autor