Survive

2 Capítulo 2 - Eyes on Fire - Christina


Notas iniciais
Enjoy!
/Storm

"Estou indo devagar. Alimentando minha chama. Embaralhando as cartas do seu jogo. E na hora certa, no lugar certo, eu jogarei meu Ás

Ah... Derrubando qualquer inimigo com meu olhar"

Um som alto.

Um estampido.

E a dor.

Caindo e o som surdo do chão. Gritos. Choro. Amy. Amy. Amy. Meus lábios se abriram e eu pisquei pela dor. Eu estava chorando? Não. Eu não podia. Amy precisava de mim. E eu dela. Como sempre.

– Que droga hein, irmãzinha? – eu tossi e as lágrimas de Amy atingiram minhas bochechas enquanto ela se inclinava pra frente. – Não chora, Drizzle. – Ah, a chuva se misturou com as lágrimas de Amy e a noite pareceu fechar cada vez mais meu olhar. Sem estrelas. Sem lua. Sem Amy. Só a noite. – Você vai ficar bem... – bem, bem, bem, bem.... Que a noite lhe acolha, irmãzinha.

(...)

– AH – meus olhos piscaram furiosos com a luz forte. Um par de olhos azuis estava próximo ao meu rosto.

– Você acordou. – disse ele. Minha mão se abaixou e foi direto até minha barriga. Uma fina cicatriz roçou meus dedos. O corpo dele estava por cima do meu e eu não conseguia detectar o local onde tinham me levado. Era úmido. E... Estranho.

– Ela...

– Está bem. – ele garantiu – Ian foi levá-la para uma tour.

Meus lábios se franziram e eu olhei para o peito nu dele que estava quase tocando o meu. Tossi e ele deu um pequeno sorriso, se afastando.

Engoli em seco e ajeitei a camiseta. Ele se afastou para um canto do... Quarto. Meus olhos esquadrinharam o local e, de certa maneira, parecia um quarto. Tinha uma cama – e isso estava bom demais.

Apertei os lábios. Alguém havia trocado minha roupa. A camiseta era pelo menos dez números maior que o meu. E... meu rosto avermelhou. Eu estava sem calças. Completamente sem graça, puxei mais a camiseta que estava servindo como camisola – uma maldita camisola curta.

– Seu nome. – ele pediu. Não... Ele ordenou.

– Christina. – falei com a voz baixa e estiquei as pernas. Quanto tempo não dormia em minha cama? A última vez havia sido em... Port Angeles. Em um prédio abandonado. Há muito tempo.

– Sou Kyle – escutei o nome sem registrar e vi-o se reclinar para trás e colocar os braços enormes atrás da cabeça.

Levei a mão até a testa e a cocei levemente, incomodada.

– Você é humano, não? – os nervos do braço se tencionaram e ele assentiu rigidamente.

A porta abriu e outro par de olhos azuis apareceu.

– TINA! – eu absorvi o impacto do pulo de Amy e ela me agarrou meu pescoço.

– Amy – sussurrei, enrolando uma mecha do cabelo dela no dedo. – Deus... – eu a abracei e enterrei o rosto em seu pescoço.

– Sua idiota superprotetora – resmungou ela – Levou um tiro... está mais feliz agora?

Eu dei um sorriso calmo e empurrei seus ombros para trás.

– O primeiro de muitos, Drizzle. – os olhos dela se esbugalharam e ela me bateu no braço. Com o canto do olho vi aquele devia ser Ian no canto do quarto com as mãos no bolso. – É a verdade, irmãzinha. Não me olhe assim.

– Não seja tão idiota, Tina. – pediu ela e então seus olhos faiscaram – Precisa ver esse lugar! É mágico! E... Há tantos humanos. – eu senti minhas têmporas latejarem. Humanos. Humanos?

– Eu... – olhei de relance para Kyle e Ian. – Humanos.

– Aposto que faz tempo que viu pela última vez. – Kyle deu um sorriso sarcástico.

Estreitei os olhos.

– Amy – chamei baixinho – onde estão minhas roupas?

Ela fez um gesto com as mãos e franziu a testa. Não sei. Eu gemi, constrangida.

– Eu... Hum, eu e Kyle estaremos lá fora. Ok? – Ian arrastou Kyle pelo colarinho, nos lançando um último olhar preocupado.

– Ele deve pensar que somos doidas. – concluí.

– Com certeza, Storm. – ela deu uma leve tapa na minha testa e se sentou em cima das panturrilhas. – Mas... como está? Ainda dói? Caramba... Eu vi Peregrina fazendo o processo e...

– Peregrina? – perguntei arqueando uma sobrancelha.

Ela pareceu ficar sem graça.

– Ah, sim... A Peg. Você sabe...

– Eu sei? – ela ergueu a mão em um gesto pacifico.

– Por favor, não comece.

– Não sabia que estava do lado deles, agora.

– Eu não estou Christina. Ambas sabemos disso. – o tom dela era um sussurro; fraco e envergonhado.

Balancei a cabeça.

– Sabe por que só estamos nós nessa droga de mundo.

– Não somos só “nós” – reclamou ela, agitando as mãos – É surda? Não ouviu o que eu disse? Há humanos. Vários. E Peg é diferente.

– Chega. – pedi. Meus lábios tremeram e eu apertei os olhos com força. – Não você... Aposto que uma deles agora, não? Inseriram uma parasita em você, Amy? É isso?

Ela soltou um som profundo da garganta e olhou as mãos no colo.

– Sou eu mesma. – ela ergueu um olhar regado de lágrimas – Não vê?

Meu coração apertou e eu desviei o olhar para o lado. Não iria chorar com ela.

– Tiraram minha família. E a sua. Não se lembra?

– Não estou lhe dizendo que não deve meter uma bala na fodida cabeça de cada parasita que está por aí... – a voz dela estava rouca e irritada – eu apenas estou dizendo que ela é diferente. E ele também.

– Drizzle. – chamei irritada – chega. Para. Não adianta. Além do mais... Onde estão minhas armas?

– Nossas – corrigiu ela – e Jared as tomou. Por segurança. Disse que você é temperamental demais para usar uma delas.

– EU SOU O QUÊ?! – guinchei revoltada. Ela apontou com o queixo pra mim como se dissesse: “está vendo? Ele tem razão”. – ARRE. MALDIÇÃO.

Por impulso eu me coloquei em pé e comecei a caminhar de um lado pro outro.

– Tina – chamou ela – nós podemos ficar aqui. Tem água, comida e segurança. É... Perfeito. Teremos que trabalhar, sim, mas não teria graça se fosse fácil, não? – ela deu um pequeno sorriso quando me convenci a olhá-la. Balancei a cabeça. – Se não quiser plantar... Pode ir às expedições com Jared e Ian... Às vezes Kyle vai também e Melanie...

– Como pode conhecê-los pelos nomes e tão bem? – resmunguei chateada.

Ela piscou confusa.

– Storm... – começou ela e então mordeu o lábio.

– Sim? – retruquei.

– Você apagou por sete dias.

Virei o rosto para ela rapidamente. Sete... Dias?

(...)

Reclinei-me para trás e coloquei os pés em cima da mesa.

– São seus termos? – perguntei. – Não posso tentar matar a parasita? Nem ameaçá-la de qualquer forma? Isso? Nem o outro?

– Isso – concordou veemente Jared, sacudindo os cabelos ao balançar a cabeça. – E tire os pés da mesa. – pediu ele sem delicadeza. Franzi os lábios e Amy me lançou um olhar de reprovação. Melanie Stryder estava ali, com o irmão, Jamie. Jared Howe. Ian e Kyle O’Shea. Peregrina, a Alma. Amy. E Jeb. O tio de Jamie e de Melanie. Uma pequena reunião extra-oficial. Na visão de Howe eu era uma ameaça – ao contrário de Amy.

– Se eu não fosse uma ameaça durante todo esse tempo estaríamos mortas – reclamei para Amy. Ela passou o braço pelos meus ombros.

O pequeno Stryder me lançou um olhar frívolo.

– Não matarei suas parasitas de estimação. – concordei de má vontade e vi a Alma se encolher. O outro – “Cal” – não estava ali. E havia a menina Sunny.

Cruzei os braços. Minha regata se ergueu um pouco ao executar o movimento. Mas eu a preferia assim. Dava-me liberdade de movimentos.

– Promete? – perguntou Jamie.

– Crianças fazem promessas. – retruquei. – Adultos fazem juras.

– Jure. – ordenou Melanie em sua melhor voz de aço.

Amy abraçou a si mesma.

– Não há necessidade disso – reclamou ela.

– Há sim; seja adulta Christina. Jure. – Jared incentivou.

– Eu juro. – falei me inclinando pra frente, meus lábios se movendo com rapidez. – Não colocarei a vida de ninguém, tirando a minha própria, em perigo.

Amy rosnou pra mim.

– Não ouse...

– Desculpe, Drizzle. É do meu jeito.

Amy andou até mim, o rosto era uma máscara de raiva.

– Drizzle não quer dizer... Chuvisco? – Peg falou em sua voz macia e sedosa. Meu estômago se revirou. A encarei, assim como Amy.

– É um apelido de infância. – explicou Drizzle.

– Eu nem sempre fui uma tempestade. – falei, sentida.

– Você matou almas. – sussurrou Peg assustada. Ou com pesar. Eu não sabia dizer.

– Era eles ou nós. – falei. Não sentia orgulho disso. No fim, estava matando a minha própria raça.

– Não se arrepende? – perguntou a Alma; Ian enlaçou a cintura dela e a trouxe para perto dele.

– A tempestade avisa quando está se aproximando, Alma. – falei e franzi os lábios . – A sobrevivência sempre fala mais alto.

– Não se arrepende – concluiu ela.

– Não me orgulho disso. – falei, sentindo uma mão torcer meu coração lentamente; minha voz falhou e Amy me olhou, pesarosa – Era minha raça também.

– Se arrepende pelos seus. – ela retrucou.

– E você pelos seus. – rebati. Ela franziu a testa e Ian sussurrou algo em seu ouvido.

Eu me levantei. Ah, saco. Cal, Sunny, Peg... parasitas. Todos eles. E eu ainda devia explicações pra eles? Ah, droga. Alguém estava puxando minha blusa.

– Amy? – perguntei confusa.

Ela estreitou os olhos e me empurrou para um corredor vazio.

– Está doida?

– O quê? – eu pisquei duas vezes.

– Está tentando se matar? – ela ergueu uma sobrancelha, acusatória. – Todas as vidas menos a sua... Vai se meter na frente de balas ou o quê?

– Seu sarcasmo machuca profundamente, Drizzle. – eu dei um sorriso malicioso. – Mas agora é cada um por si.

– Está me abandonando? – a confusão estava pintada no rosto dela. Eu peguei a mão dela e entrelacei nossos dedos. A mão dela estava quente e suada.

– Nunca disse isso, Amy. Eu disse “cada um por si” e nós somos uma só.



Notas finais
Reviews :*