Surprises of love

10 Old habits do not change


Notas iniciais
*-*

Caroline

Fiquei deitada na cama enquanto Stefan tomava banho, aspirando o seu cheiro bom que havia impregnado os lençóis, relembrando a noite anterior, analisando cada pequena atitude de Stefan quando estávamos sozinhos, cada olhar, cada beijo desnecessário, quando ele não precisava fingir estar apaixonado, refletindo se tentar conquista-lo era mesmo uma boa ideia, provavelmente não, certamente ele me esqueceria assim que Lexi entrasse no carro com David rumo ao por do sol, mas quando a lembrança de acordar em seus braços vinha a tona, tudo parecia valer a pena, eu não conseguia mais resistir, estava cada vez mais difícil ficar tão perto dele e ainda ter que me segurar, e as vezes tinha a impressão que ele também estava se sentindo atraído, não tanto como eu obviamente, mas eu mexia com ele de alguma forma, e sei que se não tentar vou me arrepender pelo resto da vida, ficar com um Salvatore não é o tipo de coisa que acontece duas vezes. Bem, com exceção de Elena que tirou a sorte dobrada, mas isso não vem ao caso, e se não der certo ao menos terei uma boa recordação dessa loucura toda, não é como se eu estivesse esperando que ele fique perdidamente apaixonado por mim me peça em casamento depois de tudo, eu só quero aproveitar esses dias com ele da melhor forma possível, primeiro eu vou... Eu...

Stefan saiu do banheiro sem camisa fazendo meus pensamentos sumirem instantaneamente, não consegui evitar olhá-lo, ou melhor, admirá-lo, ele era sem dúvidas o cara mais bonito que já tinha visto, não só fisicamente falando, não era só seus olhos, sua boca, seu corpo definido que me atraiam, seu sorriso, seu jeito romântico e protetor e ao mesmo tempo quente e viciante, até mesmo sua voz, tudo nele era como se fosse uma mistura de tudo aquilo que sempre quis em um homem. E ele estava bem ali, a poucos passos de mim exibindo aquele físico de dar inveja em qualquer um, testando minha sanidade.

– Vou tomar café, quer que eu te espere? – Ele perguntou me fazendo suspirar por sua atitude gentil.

– Não precisa, vou demorar bastante, e você deve estar faminto.

– Tem razão, eu estou quase tendo um ataque. – Ele sorriu, e céus como eu amava aquele sorriso, e como eu queria o dono dele pra mim.

...

Depois de tomar um longo banho, realizar minha higiene matinal, tentei colocar uma roupa bonita, mas depois de vasculhar minha mala inteira desisti, então vesti a roupa mais decente que encontrei, um vestido simples, mas que me permitia sonhar em ter cintura, fiz uma maquiagem básica e desci para tomar café.

“Aja naturalmente Caroline, não deixe ele perceber o quanto você esta afim dele, você está preparada pra isso” era o que eu pensava, eu estava preparada para tomar café com ele, mas não estava para a cena que vi. Um Stefan de avental preparando nosso café da manhã cantando uma musica, distraído.

– Então o que temos hoje? – Perguntei enquanto caminhava em direção ao balcão da cozinha, sorri satisfeita ao ver seus olhos percorrerem o meu corpo. Mas minha alegria durou pouco, sua expressão ficou séria, seu maxilar tencionado, depois ele virou o rosto, parecendo estar evitando me olhar.

– Fiz panquecas, bacon, ovos mexidos e café. – Ele disse ainda sem me encarar.

–Você fez tudo isso enquanto eu estava no banho? Nossa que rapidez.

–sim. – Ele respondeu secamente, fazendo meu coração se apertar, será que eu fiz algo errado? Pensei enquanto colocava café em uma xícara.

– Hum, parece delicioso, onde aprendeu a cozinhar desse jeito?

–Exigência de família italiana. –Respondeu simplesmente.

Tentei puxar assunto, mas ele não parecia estar afim de papo. Então terminei minha refeição em silencio, queria elogia-lo por seus dotes culinários, tudo estava realmente muito bom, e eu me perguntava se ele conseguia ser ainda mais perfeito que isso, pois mesmo de mal humor, ele ainda era o ser irritantemente mais atraente que eu já tinha visto e isso me deixava com raiva, eu queria bater nele por me fazer querê-lo tanto sem o menor esforço, jamais havia me sentido assim, sem armas ou defesas, e isso me deixava assustada, não era algo saudável, eu sabia disso, mas ainda sim eu não dava a mínima para os meus instintos que me davam alerta vermelho.

Stefan

Me sentia um adolescente de quinze anos que não sabe o que quer e muda de ideia a cada cinco minutos, sim porque uma hora eu quero manter tudo sem sentimento algum, apenas o teatro que Caroline e eu combinamos, no outro eu decido que podíamos “aproveitar” melhor a situação, afinal somos adultos e solteiros, e em seguida eu quero mandar toda essa historia de farsa pro inferno e mantê-la em meus braços pra sempre, como hoje de manhã, a sensação de ter seu corpo entre meus braços me afetou mais do que desejava, eu queria tanto acordá-la com beijos, sussurrar coisas doces no seu ouvido, apertar seu corpo no meu, desfrutar do toque suave de sua pele, tive que que fazer um esforço tremendo para me controlar, e eu estava indo bem, até pensava que podia agir naturalmente com ela nos momentos em que estivéssemos sozinhos, mas quando a vi descer as escadas, com aquele sorriso perfeito, ela estava tão absurdamente linda que me dei conta que isso era humanamente impossível, se a olhasse por mais tempo acabaria fazendo alguma loucura.

Tentei me concentrar nas panquecas que estava preparando, evitando o contado visual, tentando ignorar suas tentativas de dialogar comigo, até que finalmente ela desistiu de puxar assunto e o mais completo silêncio se instalou, eu a olhei de esguelha e ela parecia triste, não, ela parecia frustrada, me senti um completo idiota por trata-la assim, mas pretendia me manter nessa posição até recuperar meu autocontrole.

– Fiz algo errado? – Caroline quebrou o silencio me obrigando a encara-la.

– Não, por que tá me perguntando isso? – Disse desviando meu olhar para um ponto qualquer na parede.

– Porque você mal me dirigiu a palavra hoje, e não consegue me olhar mais do que cinco segundos.

– É impressão sua, não aconteceu nada. – Aleguei ainda sem olhá-la, o que aparentemente a deixou irritada, pois ela se levantou no mesmo instante e caminhou em minha direção ficando de frente pra mim, seus olhos buscaram os meus e havia tanta intensidade em seu olhar.

– Foi pelo que aconteceu hoje de manhã? Eu já pedi desculpas, não foi algo intencional.

– E eu já disse que não me incomodei com isso. “Na verdade eu adorei aquilo” pensei comigo mesmo.

– Então por que está agindo assim comigo? Será que a minha presença te incomoda tanto assim?

Não pude deixar de sorrir, se ela soubesse o que a sua presença me causava, provavelmente sairia correndo.

– Não é isso, a sua presença não me incomoda, pelo contrario... – “ela me deixa louco” pensei enquanto observava sua respiração se alterar com a proximidade entre nós... –Acho que esse é o problema Caroline, nada em você me incomoda. – Minha voz foi abaixando gradualmente até ficar quase um sussurro a medida que me aproximava mais, inconscientemente levei minhas mãos a sua cintura e me aproximei lentamente de seu rosto, ela fechou os olhos prendendo a respiração. Senti seu corpo amolecer nos meus braços, e nada mais importava naquele momento, tudo que eu queria era beija-la.

– Hei, nada de pegação na minha cozinha, não quero louça quebrada espalhada pelo chão. –Lexi entrou na cozinha no exato momento, quebrando o momento.

– Lexi, o que está fazendo aqui tão cedo?

– Eu moro aqui, dã. – ela foi até o balcão e pegou uma panqueca.

– Hum, Stefan como eu sentia falta do seu tempero, isso tá ainda melhor do que lembrava.

– Essa panqueca era da Care.

– Tudo bem, eu já estou satisfeita. Caroline tentou sorrir, mas sua expressão era indecifrável.

– Viu ela não se importa, eu sou a noiva da semana e mereço ser paparicada, e além do mais, a Caroline vai ter muitas oportunidades de apreciar suas habilidades na cozinha, entre outras coisas.

– Achei que você fosse ficar mais tento com o David já que vocês passaram um longo tempo sem se ver.

– Bem que eu queria, mas minhas obrigações de noiva não permitiram, ainda tenho que fazer tantas coisas que acho que vou surtar, nunca imaginei que casar desse tanto trabalho.

– Eu posso ajudar se você quiser. – Caroline se prontificou, eu sabia que ela estava sendo sincera, sempre amou organizar festas, desde a época do colegial, e até onde eu sei ela era muito boa nisso.

–Seria ótimo. Toda ajuda é bem vinda.

–Ótimo, por onde começamos?

–Buffet, hoje vou acertar os ultimo detalhes, só vou tomar um banho rápido e podemos ir. – Ela pegou mais um pedaço de panqueca,

–Nossa isso tá uma delicia, Stefan eu já disse o quanto sinto sua falta?

–Eu sei que sente, principalmente na hora das refeições.

–Exatamente. –Lexi tomou uma xícara de café apressadamente e foi para o seu quarto, Caroline me olhou intensamente quando ficamos à sós novamente, ela parecia examinar minha atitude, eu não sabia o que fazer, tudo estava tão confuso na minha cabeça.

–Então nada de filmes hoje, conhecendo Lexi como eu conheço, você só vai querer saber da sua cama quando voltar. Resolvi quebrar o silencio desconfortável.

–Não me subestime Stefan, eu tenho mais energia do que aparento.

–Veremos então.

–Veremos. Ela me desafiou, logo em seguida voltou para o quarto

Caroline

Caroline Forbes, onde está seu amor próprio? O cara te trata feito um babaca, e é só ele te olhar com aquelas malditas ruguinhas sexys, e você amolece na mesma hora, você bem que poderia ser um pouco mais difícil. Pensava distraída enquanto andava com Lexi pelo salão onde aconteceria sua festa.

–O que acha desse ficar ao redor do bolo? –Lexi me estendeu um doce em forma de rosa com pequenos detalhes dourados que combinavam com a decoração do bolo que ela havia escolhido.

–O que? ah sim, é perfeito.

–Porque você está tão distraída, a noite foi tão boa assim? –Lexi estava com aquele olhar travesso, que já era tão típico dela. Senti minhas bochechas corarem.

–Muito boa, ficamos até tarde assistindo os filmes que você emprestou, comendo pipoca, foi ótimo.

–Qual é? Caroline, você quer mesmo que eu acredite que vocês ficaram a noite inteira apenas assistindo filmes idiotas? Você está com Stefan, o que significa que somos uma família agora, você pode me contar essas coisas... Com detalhes.

– Lexi!

Tudo bem, se não quer me contar, não precisa me fuzilar com o olhar, vem vamos planejar minha despedida de solteira.

– Sua o que? – Eu a olhava abismada.

–Você não pensou que eu fosse abrir mão de uma despedida com grande estilo né? Esse é um rito importante antes do casamento sabia?– Ela falava como se fosse algo realmente indispensável.

– David sabe disso?

– Bem ele saberá... Um dia.

Stefan

Como eu havia pensado, Caroline foi direto para a cama quando finalmente voltou para casa, ela havia ficado o dia inteiro no centro da cidade com Lexi, ajudando nos últimos detalhes da cerimonia e da recepção. Ela parecia tão angelical enquanto dormia, que tudo o que eu queria era deitar ao seu lado e aconchega-la em meus braços como na noite anterior, mas o que eu estou pensando? isso é insano. Decidi ir até a cozinha e comer alguma coisa, ou apenas me distanciar da tortura de estar tão perto de alguém como ela e não poder tocá-la. “Você prometeu que não tentaria nada Stefan” era o que repetia para mim mesmo enquanto caminhava até a geladeira, me assustei quando vi que mais alguém teve a mesma ideia que eu.

– Veio assaltar meu pote de sorvete de chocolate como nos velhos tempos, Stefan?

– É velhos hábitos nunca morrem, mais você chegou primeiro. Respondi enquanto tomava a colher e o pote de sorvete de suas mãos.

– Tem razão, e se eu bem te conheço, tem um motivo pra você estar fazendo isso tão tarde da noite, quer me contar o que está tirando seu sono?

– Nada especial, só que essa é meio que a ultima vez que tenho a oportunidade de fazer isso, já que daqui a dois dias você será oficialmente uma mulher casada, e eu não acho que seu futuro marido vá gostar de ver um cara assaltando sua geladeira nas madrugadas.

– Qual é Stefan, somos amigos não somos? – Eu assenti com a cabeça. – Confiamos um no outro, certo?

– Lexi, você sabe que é a pessoa em quem eu mais confio no mundo. Se houvesse algo errado eu te contaria.

– Stefan, eu te conheço como a palma da minha mão, acha mesmo que pode me enganar? Eu sei o que está acontecendo entre você e a Care. Senti meu sangue congelar, ela tinha descoberto, droga! Como eu fui idiota achando que ela cairia nessa farsa.

– Você sabe?

– Sim, você está com medo de se jogar de cabeça nessa historia, eu só não sei porque, está na cara que ela está louca por você, e você por ela, então qual é o problema? – Senti finalmente o ar voltar aos meus pulmões.

– Eu... Eu não sei, acho que ela é demais pra mim, e tenho medo que ela perceba isso, e acabe desistindo de mim. – No fundo estava sendo sincero, eu realmente achava Caroline boa demais para um cara cheio dramas como eu, ainda não entendia o porque dela ter aceitado minha proposta maluca, e tinha medo que ela mudasse de ideia e fosse embora a qualquer minuto.

– Stefan, você é a melhor pessoa que eu conheço, e sempre estará a altura de qualquer garota, então pare já com isso, ela está aqui não está? Então apenas aproveite isso.

– É que ela é divertida, ela é espontânea, sincera, leal e me faz sentir... Vivo, é como se eu nunca tivesse vivido de verdade até conhece-la, e tenho medo de me envolver de mais e de repente tudo acabar.

– Ah Stefan, você está apaixonado.

– É, eu acho que estou. –Disse mais para mim mesmo do que para a loira a minha frente.

– É normal sentir medo, mas no final do dia é só o amor que importa, então pegue todas essas inseguranças e jogue pela janela, levanta dai e vá para o quarto agora aproveite cada minuto que tem ao lado da garota que você ama.

– Como eu estou sobrevivendo sem você. – Perguntei, ela sorriu convencida.

– Sinceramente? – Não faço ideia, isso é um mistério, agora vai logo, quero terminar meu sorvete em paz.

– Te amo, sabia?

– Eu sei disso, como não me amar se eu sou a melhor amiga do mundo?

– E a mais convencida também.

Lexi tinha razão, ela estava aqui, tão perto, então porque não aproveitar?

Notas finais
me façam feliz, comentem, xoxo