Supernatural Tears
14 Creenshaw Lake (Parte II)
Quando desci as escadas até a sala, vi Dean e Sam entretidos num programa da televisão. Eu sorri ao ver aquilo. Há tempos não via os dois tão distraídos assim, despreocupados e relaxados.
- Ah, ótimo! – Sam levantou-se – Vou tomar banho agora.
- Porque não tomou no outro banheiro? – Eu perguntei.
- Ta quebrado. Algum problema em eu usar o banheiro da suíte?
- Não, nenhum!
Sam saiu e eu ouvi seus passos rápidos na escada. Eu olhei para Dean, que parecia cansado. Aproximei-me dele, impedindo-o de assistir a TV.
- Sabe, Dean? – Eu comecei, e então sentei-me em seu colo enquanto passava os braços através de sua nuca – Acho que você tinha razão quando disse que casas em lagos são tão assustadoras.
- É? – Ele perguntou enquanto abraçava minha cintura. – Por quê?
- Eu tenho escutado barulhos... – Comentei.
Ele abaixou a cabeça. Não pareceu se importar muito. Ele parecia estar com a cabeça em outro assunto.
- Jill... Você e Sam têm... – Ele pareceu envergonhado – Você sabe... Freqüentemente?
- Freqüentemente? – Eu disse, achando aquilo divertido. – Não!
- Quando você diz não é: não freqüentemente ou não nunca? – Ele me ajeitou em seu colo.
- Não freqüentemente...
- Quantas vezes desde que você e eu... – Ele pareceu surpreso.
- Ahn – dessa vez eu fiquei envergonhada – cinco.
- CINCO? – Dean levantou, me derrubando no sofá.
- O que? Você acha que eu sou o que? Concubina dos irmãos Winchester? – Eu disse um pouco revoltada.
- Não foi isso que eu quis dizer!
- Dean, no começo você me irritava e parecia que vivia pra discutir comigo. Acha que Sam não percebeu que passamos de piores inimigos pra melhores amigos de uma noite pra outra? – Eu gritei.
Ele não respondeu, apenas bufou e saiu em direção à geladeira. E então eu comecei a me sentir culpada. Por que raios eu tinha que ser tão apaixonada pelos dois?
Levantei-me do sofá e fui até ele, o abraçando por trás. Encostei a cabeça em suas costas quando ele parou de fazer o que estava fazendo para acariciar meus braços que abraçavam sua barriga.
Ele então vagarosamente se virou para mim me dando um beijo lento e carinhoso nos lábios. Subi meus braços até seus ombros apertando-o mais e ele me levantou para que eu pudesse sentar no balcão.
Ele estava entre minhas pernas, ocupado com o meu pescoço que em momento nenhum ele parou de beijar e mordiscar. Eu estava completamente fora de ar.
- Qual era o motivo da gritaria? – Um Sam perguntou enquanto descia as escadas.
Ele parou exatamente no momento em que nos viu. Dean se afastou de mim quando ouviu a voz do irmão e eu desci do balcão com a mesma rapidez.
- Oh! Então é isso que vocês fazem quando eu não estou? – Sam perguntou.
Eu estava prestes a sair em direção a Sam quando algo pulou ferozmente contra o vidro da porta da sala, que dava com o jardim. Não tive tempo nem de pensar, já estava sendo puxada por Dean para longe dali.
A criatura que consegui ver de relance era com certeza um lobisomem. Sam correu até onde havíamos deixados algumas armas. Eu me separei de Dean para ir de encontro a Sam e pegar uma arma.
- Jill, sai daqui! – Sam gritou.
Dei um tiro em direção à besta que agora já estava praticamente em cima de Sam. O tiro retardou os movimentos do lobisomem, mas não foi grande coisa. Dessa vez Sam me puxou quando viu que de nada ia adiantar ficarmos lá atirando num monstro que só morre com balas de prata.
Dean já estava no porta-malas do Impala quando eu e Sam aparecemos. O lobisomem veio logo atrás, com as presas à mostra. Sam me empurrou para dentro do carro e Dean deu a partida saindo de lá numa velocidade incomum.
O monstro sempre atrás de nós, cada vez mais rápido. Dean não chegou a sair das propriedades da casa quando o lobisomem pulou em cima do Impala, nos forçando a parar e descer.
- Droga! – Dean gritou quando viu os arranhões na lataria do carro.
Dean tinha nas mãos uma pistola de balas de prata que voou longe quando o monstro pulou em cima dele. Sam estava longe demais para fazer alguma coisa, eu, por outro lado, estava perto o suficiente da pistola.
- Jill! – Sam gritou quando viu o lobisomem sair de cima de Dean para vir em minha direção.
Ele estava perto demais de mim e eu longe da pistola. Meu chinelo ainda atrapalhou na hora de correr e quando o monstro estava praticamente em cima de mim...
Dean colocava as mochilas de volta ao porta-malas do Impala. Eu não trocara uma palavra se quer com Sam.
- Sorte a Jill ter alcançado a pistola a tempo, não é Sammy? – Dean tentava puxar o assunto com o irmão.
Sam não respondeu. Ele tinha passado o resto da noite sem falar comigo ou Dean e as nossas tentativas de explicar o acontecido foram em vão.
Doía mais do que tudo ver Sammy bravo e magoado daquele jeito. E o pior de tudo... Por minha culpa.
- Sammy... – Eu o chamei.
- Olha, eu só não to a fim de conversar agora, ta? – Ele disse enquanto entrava no carro.
- E você vai passar o resto do dia sem conversar comigo ou com seu irmão?
- Jill, eu pensava que você gostava de mim... E te ver com o meu irmão mudou tudo o que eu pensava.
- Sammy – eu abaixei a cabeça. – Mas eu gosto de você...
E então Dean saiu de trás do carro pra me encarar.
- Eu gosto dos dois mais do que eu já gostei de qualquer pessoa. – Eu disse deixando escorregar uma lágrima fina pela minha bochecha. – Não me faça passar por isso Sam. Sentir essa culpa de que eu te fiz sofrer. Por favor. Eu só não sou capaz de escolher entre um e outro.
Sam olhou nos meus olhos por um tempo indeterminado e depois de suspirar fechou a porta do Impala. Dean me olhou também e entrou no carro, dando a partida.
Eu tinha mesmo estragado tudo com os dois?
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