Supernatural Love
8 Capítulo VIII - A Partida
Notas iniciais
Percorreram os diversos corredores do palácio, e subiram à torre nordeste, Francesca abriu a porta do quarto, com uma chave, e entrou.
– Podem entrar, não tem de ficar ai á porta! – Fala a jovem, com um sorriso, e acenando para que entrassem.
Quando entraram ficaram todos espantados.
– Que quarto magnífico, é simples, mas refinado!
– Obrigada Mary!
– É grande! E olha-me só para aquela cama, dá-me vontade de saltar para cima dela! – Fala João, começando a correr na direcção da cama, e sendo agarrado por Alecxander.
– O que pensas que estás a fazer? Não podes entrar no quarto de uma pessoa, e começar a correr!
– Não tem mal, a sério! Eu não me importo! Não seria ele o primeiro a fazer isso! – Fala Francesca, vendo o olhar triste de João, que logo tornou-se alegre novamente.
– Vês, ela deixou? Por isso podias-me soltar, para eu continuar o que esta a fazer?
– João, este não é o momento certo para isso!
– Mas Mary, ela deixou!
– Pois João, mas nós não deixamos! – Disseram os dois ao mesmo tempo.
– Pronto! Não discutam! Fazemos assim, João, quando voltarem com o Miguel, prometo deixar-te saltar em cima da minha cama!
– Obrigada! Muito obrigada! Vou cobrar a promessa! E quanto mais depressa sairmos, mais depressa voltamos, por isso, onde estão as roupas dele? E eu não vejo aqui nenhum armário!
– João pára de ser inconveniente! Mas ele tem razão! Onde estão as roupas do Miguel?
– Não há problema Alecxander, elas estão no meu armário/escritório/biblioteca particular. – Ao ver a cara de confusão dos três, ela manda-os seguir, enquanto se dirigem para as escadinhas.
Quando terminaram de descer as escadas, os lobos ficaram boquiabertos, todos por motivos diferentes.
– Woouh! Que grande quantidade de livros que tens! Mas reparando, alguns eu não conheço!
– Alguns destes livros foram escritos por mim, nos meus tempos livres, a maioria nunca foi publicado. Mas se quiseres, podes ler Alecxander!
– Olha que maravilhosos vestidos estão aqui, tão elegantes e luxuosos!
– Obrigada Mary! Estas são as minhas preciosidades, tem já muitos anos, por isso só utilizo em dias muito especiais, mas não são os únicos, tem umas cópias no museu da cidade.
– Olha-me só para o tamanho desta divisão! E a fufura destes tapetes! Se tirássemos estes livros, prateleiras e vestidos, dava uma pela sala para aninhar-me no chão, se possível a roer um belo osso!
–João, eu não vou mexer na minha sala, isto é o que eu chamo a minha sala do tesouro, e livra-te de vires roer algum osso para aqui, pois os tapetes são difíceis de limpar!
– Ah! Desculpe, e foi só uma ideia! – Desculpa-se o culpado. – Mas temos que admitir que é um belo espaço!
Quando Francesca ia buscar as roupas de Miguel, reparou que Alecxander ia pegar um livro, e quando viu qual era, assustou-se, correu o mais rápido que conseguiu, e antes que ele terminasse de agarrar o livro, ela colocou a mão, empurrou-o contra a estante, e ficou com o rosto a milímetros do assustado Alecxander, e ficou vermelha quando reparou que a sua mão estava em cima da mão dele, e retirou-a logo.
– Desculpa! É que esse livro é o meu diário, e eu não quero que ninguém veja, é um pouco particular!
– Desculpa, eu não sabia!
– Não faz mal! Mas não leias nenhum que tenha anos na capa, pois são todos diários.
– Mas então são muitos, ocupam várias prateleiras! – Exclama João.
– Sim, são ao todo 300 diários, sendo que em cada um estão contidos 10 anos. Por isso quando escrevo só registo os anos mais importantes.
– Mas se tem 300 diários, e a senhorita tem 3000 anos, e pelo que eu me lembro, quase ninguém sabia escrever nessa altura, como isso é possível?
– Bem Alecxander, eu sempre soube escrever, mas por volta do renascimento, eu resolvi passar todas as minhas memórias para diários, e optei pelos momentos mais importantes, e ainda hoje faço o mesmo, verifico se o dia é importante ou não, se não for não escrevo. – Explica Francesca, ainda um pouco corada. – Mas peguem a roupa do Miguel!
Ela dirigiu-se a uma gaveta, e tirou de lá umas roupas masculinas, que guardou logo a seguir num saco desportivo.
– Posso fazer-lhe uma pergunta?
– Acabaste de o fazer João!
– Não é essa pergunta! A pergunta é, porque tem as roupas do Miguel no seu armário?
– O Miguel é um pouco esquecido, por isso acabo por guardar algumas coisas dele no meu armário, para o caso de ele esquecer-se, ou perder, ou ainda se for assaltado, e não é que tudo já lhe aconteceu várias vezes, por isso não me admiro se essa for uma dessas vezes, esses podem ser um desses motivos, para ele estar agora a precisar de roupas.
– Assim sendo vamos indo! De cá as roupas, e por favor nos indique a saída! – Fala Alecxander, pegando o saco que Francesca tinha na mão.
Quando saíram do quarto de Francesca, deparam-se com Gabriel, que os esperava.
– Bom dia senhorita Francesca!
– Bom dia Gabriel! Eu ia perguntar-te o que estás a fazer aqui, mas já vi que pela forma como tu falaste, quem está aqui não é o meu irresponsável amigo Gabriel, mas sim, o meu responsável, e um bocadinho chato guarda-costas Gabriel! – A jovem comentou com um sorriso, fazendo Gabriel sorrir também.
– Protege-la é, e será sempre, uma grande alegria! Se bem que, eu às vezes acho que não é preciso, pela forma como se defendeu do Pablo! A propósito, a Luchia já está instalada, e a Ângela está com ela.
– Ótimo! Mas vamos, que o Miguel está à espera de nós, e aposto contigo, em como vai ficar chateado se demorarem mais do que algumas horas a encontra-lo.
– Na realidade, ele telefonou ontem á tarde, mas a Ângela esqueceu-se de avisar, e eu só soube hoje de manhã, quando ele voltou a ligar.
– Então é melhor apressarem-se, ele não pode esperar mais!
Continuaram o caminho a falar sobre os mais variados temas, quase sempre ouviam-se risos do grupo que passava pela cidade, partilhando os seus momentos mais alegres. Francesca, descobriu que Alecxander tem a mesma idade que ela, sendo apenas um dia mais velho que ela.
– Feliz aniversário! – Felicitou Francesca. – Tu não vais celebrar o teu aniversário?
– Normalmente contento-me com apenas as felicitações dos que me são queridos.
– Sendo que hoje fazes anos, eu vou tornar a minha festa de aniversário, na nossa festa de aniversário!
– Mas… Mas Francesca, é a tua festa de aniversário, e tu queres mesmo partilha-la comigo!?
– Sim Alecxander!
Quando chegaram ao portão, que dava para o exterior da gigante cidade amuralhada, despediram-se uns dos ouros, sendo que os que partiam, iam com a promessa de voltar na manhã seguinte. Francesca vendo o grupo a afastar-se cada vez mais, pergunta a Gabriel:
– O que achas-te do Alecxander?
– Eu!? – Gabriel parecia confuso.
– Sim tu! Não estavas a ver os meus pensamentos, mas também não estavas atento! Em que pensas meu amigo?
– Em nada de importante, estava apenas distraído. Mas… desculpa perguntar, afinal qual era a pergunta?
– Eu interroguei-te sobre o que tu achavas do Alecxander!
– Eu gostei dele, ele ainda hoje te conheceu, e já está apaixonado por ti! Mas pelos vistos tu também!
Francesca pensou no que Gabriel falou, “será que estou apaixonada por ele? Espera eu sei a resposta!” Gabriel sorriu. “A resposta a essa pergunta é naturalmente sim! Afinal apesar de só o ter conhecido hoje, ele anda nos meus pensamentos há 500 anos. Fazendo com que finalmente, eu tivesse a esperança de ser verdadeiramente feliz, a esperança de amar e ser amada. Mas e melhor ir com calma, eu ainda não estou pronta.”
– Mas Fran, tu amanhã fazes 3000 anos! E sabes da existência dele á 500. Já devias estar preparada! – Comenta Gabriel rindo, mas acrescentou vendo a tristeza de Francesca. – Desculpa! Eu não devia ter rido disso! Afinal tu é que tens razão, só o conheceste hoje, e para todo o efeito vocês não se conhecem, principalmente ele.
– Obrigado, por compreenderes! És muito importante para mim, e vais em breve fazer parte da minha família.
– Francesca, eu sei que o previste, e que as tuas previsões nunca falham, isto que aconteceu hoje é uma prova, mas essa é daquelas que vai demorar demais!
– Gabriel, primeiro tens que ter esperança que isso vai acontecer em breve! Tal como senti que estava para breve a chegada deles, e a realização da minha visão. Que ainda não se cumpriu, isso será para amanhã! Eu sinto que isto também acontecerá em breve!
E dito isto Francesca deu o braço a Gabriel, que ficou calado durante todo o regresso ao palácio, perdido em seus pensamentos, ela caminhava pelas ruas, apreciando o silêncio e a beleza da cidade amuralhada, que neste momento com tantos habitantes, parecia um pequeno mundo, todo composto por mestiços, um vampiro, poucos humanos, e em breve quatro lobisomens, que se tudo corresse bem, nunca mais de cá sairão.
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