Supernatural Love
9 Capítulo IX - O Regresso Dos Lobos
Notas iniciais
Na manhã seguinte Francesca, Gabriel e Ângela esperavam na estrada que dava acesso à cidade amuralhada, que os lobos fizessem a sua entrada triunfal, ainda era cedo, Francesca sabia que eles só apareceriam quando o sol tivesse a nascer, mas ela não queria perder nada, pois queria ver ao vivo o que até agora só tinha podido ver em visão e memórias.
Esperaram mais um pouco, todos em silêncio, pois estava agradável ficar apenas a olhar as estrelas, que em breve desapareceriam para dar lugar ao sol, retornando na noite seguinte.
Quando o sol começou a aparecer no horizonte, Francesca ficou novamente maravilhada, por finalmente a sua visão estar-se a realizar. As quatro figuras, pertencentes aos seus amigos, Alecxander, Miguel, João e Mary, avançavam elegantemente com as suas passadas rápidas.
Miguel assim que viu Francesca desatou a correr, quando estava ao pé dela, levantou-a do chão e girou com ela, Francesca ria com a atitude jovial do amigo. Quando Miguel lhe pós no chão, pareceu-lhe ver um olhar irritado por parte de Alecxander.
— Ainda bem que podes-te vir Miguel! À um ano que não te via! Não mudas-te nada!
— Oh Francesca! Minha pequena e velha amiga, que bom poder por estes meus olhos velhos em ti!
— Bom dia Francesca! Estás muito linda hoje! Esse vestido condiz com os teus olhos dourados.
— Bom dia Alecxander! Obrigado pelo elogio! Tu também estás muito bonito hoje.
— Olá Gabriel, como tens passado? E Ângela, não acredito, tu estás tão bonita como sempre! Estás mais magra?! Tu tens alimentado te bem? Precisas que eu cozinhe para ti? E o teu namorado? É o Kevin, certo?! Ele não voltou a dar-te um estalo, pois não? Ou vou ter de lhe partir a cara? E…
— Calma Miguel! Eu já não namoro com o palerma do Kevin. E que história é essa de tu queres cozinhar para mim?
— Ah! De que estás a falar? Eu não me lembro de ter dito nada disso! – Diz Miguel corando até às orelhas.
— Eu também não lembro-me dele ter dito isso! – Diz João.
— É! Eu também não ouvi nada! – Diz o Alecxander.
— Ahahah! A solidariedade masculina sempre existe afinal! Não é uma lenda! – Diz Mary, sendo totalmente irónica.
— Não importa! Isto é uma chatice! E antes que voltem a chamar-me de louca, eu vou para dentro. E Miguel, é uma pena que tu não o tenhas proposto, pois eu ia adorar que tu cozinhasses para mim, mas é claro como não ofereceste-te, eu não tenho nada para aceitar.
— Espera Ângela! Não vás-te embora, eu estava a brincar, é claro que quero cozinhar para ti! – Diz Miguel já entrando a correr atrás de Ângela.
— Eu nunca irei entender os homens! – Diz Mary.
— O sentimento é mútuo! – Interrompe Alecxander, sendo logo ignorado.
— Num momento dizem uma coisa, a seguir dizem que não disseram nada e por último, correm atrás duma pessoa a dizer que era uma brincadeira! Vê se mesmo que não crescem, continuam crianças em ponto grande!
— Hei! Não gozes connosco, os homens não são todos iguais, lá por que o Miguel é infantil, não significa que somos todos!
— Pois João, mas esse não é o teu caso. – Comenta Mary.
— Oh, Francesca!
— Sim Alecxander?
— Isto é normal? Quero dizer… se é normal o Miguel comportar-se assim quando cá vem?
— Antes não era, mas desde que a Ângela cá chegou, à cinquenta anos atrás, que ele quando está na presença dela comporta-se assim.
— Mas porquê?
— Ora João! A resposta é simples o Miguel ama a Ângela.
— E como é que tu sabes Gabriel?
— Como é que eu sei? É que… eu… eu… reconheço quando as pessoas estão apaixonadas… e… e… os comportamentos dele são típicos dos apaixonados.
— E como é que reconheces os apaixonados?
— Como?... João… eu… eu reconheço e pronto!
— Porque é que estás nervoso? Tens algo a esconder?
— Claro que não! O Gabriel reconhece quem está apaixonado por que ele também está?
— Francesca…
— E quem seria essa pessoa? – Pergunta uma voz irritada, que estava a ser emitida por detrás de Francesca e Gabriel.
— F-Fillipo… — Gaguejou Gabriel.
— Ora meu irmão porque estás irritado?
— Eu não estou irritado! Eu apenas estou farto de ter o cheiro de cão espalhado pelo palácio! E vocês ainda não responderam à pergunta, quem é essa pessoa?
— Não respondi, nem vou responder! Isso é algo que não te interessa. – Disse Gabriel indo buscar coragem onde nem ele sabia que tinha.
— Pois tens razão, é algo que não interessa-me! Eu só queria saber pois a minha amada Natacha está sempre a querer saber os novos mexericos, e temos que admitir, pelo que ouvi dizer isso são novidades bastante apetecíveis! – Fala Fillipo constrangido, e olhando para o outro lado, fazendo com que ele não se apercebesse, que Gabriel apresentava agora um semblante triste e desiludido, afinal ele achava que desta vez ele fosse admitir, afinal todo nos seus pensamentos indicava que ele o iria fazer… mas não o fez, e isso ainda deixava Gabriel mais deprimido.
— Bem Fillipo tens mais alguma coisa a dizer? É que se não tens, nós vamos embora, ou por menos eu vou, visto que ainda tenho coisas a fazer. – Disse subindo as escadas e antes de entrar Gabriel virou-se para trás e disse. – Francesca o meu trabalho está feito, mas se precisares de sair, basta apenas avisar que eu vou contigo, mas por agora, tu estás segura com eles. Até logo!
— Obrigado! E não te preocupes, eu estou bem e não tenciono sair. Até logo Gabriel! – Fala Francesca sorrindo
— Até logo! – Os lobos disseram ao mesmo tempo sorrindo e acenado.
— Vamos entrar também, ou preferem passear pelos jardins? A festa começa ao meio-dia, por isso ainda temos tempo.
— Eu cá prefiro ir comer!
— Desculpa-me João, mas é que… ainda são cinco horas, e como é domingo, os pequenos-almoços só começam a ser servidos às oito, mas como é o meu aniversário, eles serão servidos às sete. É que a maior parte dos habitantes do palácio e da cidade, ao domingo só acordam às dez.
— Ah! E as lojas? – Pergunta João.
— Sinto muito, mas hoje e a estas horas elas não abrem. – Disse Francesca como um pequeno sorriso.
— Sendo assim não temos outro remédio a não ser ir ver os jardins! – Fala Mary.
— Pois eu vou adorar ir contigo ver os jardins, ficar a conhecer um pouco melhor o palácio. – Fala Alecxander, obtendo logo a resposta da Francesca.
— Então sigam-me!
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