Supernatural Love
7 Capítulo VII - O Beijo
Notas iniciais
Passados trinta minutos, Francesca está muito nervosa, parada à frente do quarto de Alecxander, sem saber se batia ou não. Quando já se estava para ir embora, alguém lhe diz:
– Porque não bates à porta? Se queres falar com ele, porque estás a fugir?
– Mas pai, eu não sei o que dizer, o que fazer e como me comportar!
– Filhinha, sé tu própria, e sé sincera acima de tudo! – Giovanni deu um beijo à filha, e foi-se embora.
– Calma Francesca, tu consegues, basta só bateres à porta.
Ela continuava com a mão levantada, porém sem coragem, apesar da sua fraca tentativa de ganhar coragem. Quando finalmente ia bater à porta, esta abriu-se para revelar um Alecxander só de boxers, completamente surpreendido.
– D-desculpa, e-eu queria falar contigo, mas é melhor noutra altura! – Francesca, ficou vermelha, e ia começar a ir embora.
– Espera! Entra que eu já me visto. E peço desculpa por ter aberto a porta neste estado, é que ouvi vozes, e estava curioso para saber que era!
Francesca entrou envergonhada no quarto, e ficou ainda mais nervosa, quando Alecxander fechou a porta. Ela ficou em pé, sem saber o que fazer.
– Podes sentar-te na cama se quiseres! – Alecxander dirigiu-se a uma mala, que estava pausada na cama, sendo que a jovem de cabelos dourados, estava sentada na outra ponta da cama, perto da janela.
Ao ver a cara de vergonha da jovem, Alecxander deu uma pequena gargalhada, e falou:
– Não costumas ver muitos homens semi-nus, pois não?
– Não, só de boxers não, normalmente vejo apenas sem camisa!
– Isso é interessante, e homens nus, já viste?
– Não, eu nunca vi homens nus, tirando o meu irmão! Mas isso foi um acidente! – Ela estava corada, por ele estava à frente dela, inclinado e com as mãos ao lado das pernas dela, que estava ligeiramente afastada dele, pois ele continuava sem camisa.
– E já beijas-te alguém?
– Não! – Quando ela disse essa palavra, ele ainda se inclina mais, e rouba um beijo a Francesca.
– Espera lá! Tu não tens namorada?
– Não! Porque tu tens?
– Não! – Diz Francesca completamente radiante.
– Ainda bem! Mas, o que te levou a achar que tenho namorada?
– Bem, a forma como tratas a Mary, e a forma como ela te trata.
– A Mary, é como uma irmã para mim, eu nunca teria nada com ela! Mas contigo, é diferente, sinto que quero que sejas minha!
Para o provar, ele agarrou-a, e deu-lhe um verdadeiro beijo, que foi interrompido, quando João entrou no quarto, e ficou estático a olhar para eles, por ter visto Alecxander em cima de Francesca, e ela completamente envergonhada.
– O que estavam a fazer?
– Nada! – Responderam os dois ao mesmo tempo.
– Pois, porque eu cheguei a tempo! Mas tenho que admitir, que se soubesse que iam fazer isso, tinha entrado ligeiramente mais tarde, para ver melhor!
– Para com isso mano, não íamos fazer nada, era só um beijo!
– Olhem, eu acho que vou deixa-los, e olhem já são quase horas de almoço! Venham ter comigo ao fim do corredor daqui a um bocado. E por favor Alecxander, saí de cima de mim, eu tenho que ir buscar uma amiga!
– Desculpa!
Quando Alecxander saio de cima dela, ela foi-se embora, muito apressado, enquanto ajeitava o vestido.
– Alecx, tu não achas falta de educação, ainda hoje chegamos, e tu já estás a fazer o fadinho à dona da casa, sendo que ainda não conheces toda a família dela, e tá claro que o irmão não nos grama.
– Olha João, eu não sei porque fiz isto, eu apenas agi por impulso.
– Acho que é a primeira vez que ages por impulso! Então, O ALECXANDER ESTÁ APAIXONADO! O ALE…
Quando João começou a gritar, o irmão acertou-lhe com um murro em cheio na barriga.
– Está calado, ainda te ouvem! E olha que aqui todos têm bons ouvidos! E eu não quero ser expulso daqui, porém tens razão, eu acho que é amor á primeira vista! Afinal, ela é linda, maravilhosa, delicada, mas forte, sabe se impor, os seus cabelos…
* * *
Ao ouvir os elogios de Alecxander, Francesca apenas sorriu, ela não era pessoa de ficar a escutar atrás da porta, mas desta vez não resistiu, afinal era dela que eles estavam a falar, antes que eles a viessem procurar, foi a correr ter com Ângela, apesar de não saber onde ela está. Decidiu seguir o som da guitarra eléctrica, que sem qualquer surpresa vinha do quarto de Ângela, que como sempre estava com os amplificadores no máximo, o que fazia com que todas as pessoas da ala norte e centro, e um pouco da sul, a pudessem ouvir, e aquela hora do dia era muita gente, apesar de ela dizer que não incomodava ninguém, algumas pessoas, como a própria Francesca, não gostava do som que aquilo fazia, mas não diziam nada por causa da educação que tinham, limitando-se a comprarem protectores de ouvidos e tampões, para não ouvirem o som, mas de pouco lhes valia, afinal a audição de todos os habitantes do palácio é excelente.
Quando chegou à porta do quarto de Ângela, bateu à porta, e como seria de esperar Ângela não ouviu. Entrou no quarto escancarando completamente, e ferozmente a porta, Ângela estava a saltitar na cama, com a guitarra nas mãos, e a tocar selvaticamente, de olhos fechados e a cantar qualquer coisa, que era abafada pelo som da guitarra.
Quando Ângela apercebeu-se de que estava acompanhada, pára, para alívio dos ouvidos de Francesca, que se tinha esquecido dos protectores no quarto, olhou para Francesca e depois para o relógio, e saltou da cama, metade verde, metade preta, para o chão.
– Francesca, estás aí á muito tempo? E olha-me só para as horas, estou cheia de fome. Vieste buscar-me? Foi?
– Não e sim!
– Como!? – Pergunta Ângela confusa.
– Não, eu não estou aqui há muito tempo! E sim, eu vim-te buscar!
– Então vamos! – Pousou a guitarra na cama e saio.
Quando Ângela ia para virar na direcção do corredor que leva ao refeitório, Francesca chama-a.
– Espera Ângela! Eu estou à espera do Alecxander, do João e da Mary.
– Quem?
– Os lobos Ângela!
– Ahh! Agora faz mais sentido!
– Estão a falar de nós?
Ângela deu um pulo devido ao susto, e Francesca virou-se na direcção da bela voz, que tinha acabado de falar.
– A-a… eu estou a explicar à Ângela que estava-mos à vossa espera. Afinal ela não conhece os vossos nomes. – Diz Francesca corada. – Mas passando às apresentações, esta é a Ângela, Ângela este é o Alecxander, o João e a Mary. – Apontou para os jovens a quem pertencia o nome.
– Olá! Tudo bem? Se estiverem bem deixei-me avisar, se me voltarem a assustar, dou-vos um murro, que deixo-vos a falar fininho pelo resto do mês! Se estiverem mal, não se preocupem, pois deixo-vos a falar fininho na mesma! Mas afinal, qual de vocês é o Alecxander?
– Desculpa por te assustar, não foi minha intenção! E o Alecxander sou eu!
– Ah! Então este é o lobo que “roubou” o coração da Francesca!
– Ângela queres calar-te, estás a ser inconveniente, e eu não sei do que estás a falar! – Fala Francesca completamente corada, embaraçada e terrivelmente constrangida.
– Como não sabe de nada! Se eu ainda à pouco apanhei o Alex em cima da senhorita!
– João, agora que te manda calar, sou eu!
– MAS VOCÊS QUASE… — Tentaram dizer Ângela e João ao mesmo tempo, tendo tido ambos o mesmo destino, um forte murro na barriga, sendo no caso de João a segunda vez, que acontecia naquele dia.
– Acabando com a conversa, vamos comer.
Entraram todos ao mesmo tempo, e os lobos ficaram surpreendidos e arrepiados, por dois factos, primeiro pela quantidade de mestiços que ali se encontravam, e segundo porque TODOS eles, estavam com almofadas de dormir amarradas com cintos às orelhas. Ângela entra e dirige-se às panelas onde estava a comida, e nisto todos começam a desapertar os cintos e tirar as almofadas, com um ar constrangido, e por baixo deles, viam-se protectores de orelhas, como os que se usam na neve, e debaixo deles tinham tampões para os ouvidos, se bem que Francesca reparou que um dos rapazes, tinha tampões higiénicos nas orelhas. Os lobos que entretanto recusaram-se a avançar, perguntaram a Francesca.
– Mas o que é que se passa? Aqui todos são malucos!? Ou estão a fazer de elefantes? – Exclama Mary claramente assustada.
– O que se passa, é que Ângela tem a mania de tocar guitarra eléctrica com os amplificadores no máximo, e ninguém tem coragem de lhe dizer que não gosta, por isso inventámos que estávamos a fazer um treino especial, sem som, para o caso de alguém ficar surdo, já saber o que acontece!
– Não basta ter só os protectores de ouvidos, ou os tampões?
– Não João! Pois temos uma audição muito apurada, por isso precisamos dos tampões, dos protectores, e das almofadas.
– Ah! Agora faz mais sentido! – Fala o Alecxander.
E quando já estavam sentados, Fillipo e Natacha, entram com almofadas na cabeça, pegaram na comida e sentaram-se de costas para a mesa onde Francesca e os lobos estavam. Ângela, que tinha ido lavar as mãos, entrou na sala, de maneira a que o Fillipo e a Natacha não a vissem, sentou-se ao lado da Francesca, voltou a levantar-se e saiu em direcção à cozinha.
– Porque eles continuam com aquilo na cabeça? – Pergunta o Alecxander.
– Porque eles são idiotas! – Diz o Gabriel, sentando-se ao lado de Francesca, e dando-lhe um beijo na cara, afinal o Gabriel era o seu amigo e guarda-costas.
– Na realidade é por causa da guitarra! – Esclarece Francesca.
– Mas a música parou! – Comenta Mary.
– Pois, mas eles não sabem! – Brinca Francesca.
– Porque não lhes dizem? – Pergunta João.
– Porque Francesca proibiu-nos de lhes dizer quando a música para, é uma espécie de castigo sem eles saberem!
– Mas, eles não reparam? – Questiona Alecxander, que começava a duvidar da inteligência do irmão de Francesca.
– Bem, é que a Ângela tem a mania de tocar, para durante um bocado, e continuar a tocar depois, e nunca ninguém sabe quando será! Por isso alguns simplesmente não tiram! – Fala Gabriel.
Mal ele acabou de falar, ouve-se o som da guitarra eléctrica, e todas as pessoas que estavam na sala, começam a tapar os ouvidos, com as coisas que estavam colocadas ao lado deles, até Mary tapou as orelhas, enquanto levantou-se e vai ao pé de Francesca.
– Sabes que tem ali, um rapaz que acabou de por dois tampões higiénicos nas orelhas, porquê?
– Um dia ele reparou que todas as pessoas, antes de porém os protectores, colocavam outras coisas, e perguntou o que era, os outros disseram que era tampões para os ouvidos, e que se podia comprar em qualquer supermercado, acontece que quando ele os foi comprar, pegou na primeira coisa que lhe apareceu à frente que dizia tampão. E antes que perguntes, o motivo de ainda não lhe termos dito, é que todas as mulheres, e alguns homens, acham hilariante. – Responde o Gabriel, com um sorriso no rosto, um olhar de gozo e os dedos nos ouvidos. – Já agora Fran, o Miguel ligou, está a pedir para que o vão buscar à cidade vizinha, e que levem umas peças de roupa para ele, por que pelo que percebi, ele já não tem nenhumas, mas não sei o motivo.
– Ah! Que bom que ele está perto, mas eu não posso ir, os outros não querem, e os que querem, eu não posso dispensar! Mas como é que eu vou fazer isto!
– Não se preocupe senhorita Francesca, nós vamos busca-lo para si! – Diz Alecxander.
– Fariam isso por mim!?
– Na realidade, acho que é mais por ele, mas…
– Claro que fazia-mos isso por si! – Diz Alecxander, interrompendo Mary.
– Obrigado! Mas eu gostaria que amanhã estivessem todos aqui!
– Porquê?
– Bem Alecxander, amanhã é o meu aniversário, e haverá uma festa, pelo que eu sei, o tema é uma mistura das várias épocas em que vivi…
– Que devem ser muitas…
– João, já te disse para não seres inconveniente, desculpe Francesca contínua, e ignore o comentário do meu irmão, e João, já te disse que és só um ano mais novo que a senhorita!
– É claro que eu não quero que vocês e o Miguel faltem! Mas sigam-me até ao meu quarto, para irmos buscar umas roupas que o Miguel deixou, e para me livrar deste som infernal!
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