Supernatural Love
2 Capítulo II - A bela e o infeliz
Notas iniciais
A loja de tecidos onde Francesca queria ir, ficava ao fundo da rua, era uma loja riquíssima, tal como todas as que ficavam nesta parte da cidade, a essa loja chegavam tecidos de todo o mundo, desde os mais ricos aos mais simples, dos mais sumptuosos aos mais modestos. Francesca adorava essa loja, bem como a dona dela, a dona da loja, era a mulher do Senhor Vincent, ela chama-se Lara e é uma das mulheres mais importantes da cidade.
Enquanto iam a caminho da loja da dona Lara, tiveram a infelicidade de se cruzar com Pablo Talbórn, ele era um homem muito rico, mas igualmente desprezível, ele herdara o dinheiro da falecida esposa, morta em condições estranhas, apesar de Francesca saber perfeitamente que ele era o culpado, por causa disso muito discutira com Gabriel, um dos guarda costas de Francesca, que conseguia ler os pensamentos, mesmo que eles soubessem, e o Diogo quisesse intervir, Francesca proibiu-o, mas não lhe contou porquê, mas ela sabia que um dia Pablo seria castigado pelos seus crimes, era só saber esperar. Mas nem por isso, ele deixava de ser um homem horrível, com aquela corcunda, e a sua falta de banho, conseguia dar cabo dos nervos a Francesca, e eram poucos os que tinham a infelicidade de conseguir fazer isso!
Francesca tentou ignorar a presença de Pablo, porém o cheiro era insuportável, aquele homem andava sempre encardido, utiliza todos os dias a mesma camisola, que em tempos, já tinha sido branca, as calças de ganga eram as mais sujas que Francesca alguma vez já tinha visto, nem as calças dos pedreiros eram tão sujas como as dele.
Francesca, já não aguentou mais, todos os dias era sempre o mesmo mal cheiro, que com o tempo só ia piorando, e ainda por cima já o tinha avisado, fartava-se de protestar com ele sempre que se cruzavam.
– Olha lá Pablo! Quantas vezes, tenho que te pedir para tomares banho? Cheiras sempre mal, isso é nojento, e tu sabes como o meu olfato é apurado. – Disse Francesca quase a gritar a plenos pulmões.
– Mas menina Francesca, eu tomei banho na véspera de Natal! – Disse Pablo cheio de medo de Francesca.
– Mas isso foi à quase sete meses! – Disse Francesca incrédula. – Tu pareces que vives na idade média!
– Mas eu… mas eu tenho medo de água!
– Tens medo de água? Faz-te homem, deixa de frescuras! – Gritou Francesca. – Vê-se tomas banho, já não aguento com o teu mau cheiro!
– Mas, ó me-menina, se eu ponho perfume todos os dias, como é possível cheirar mal?!
– MEU GRANDE BURRO! – Berrou Fillipo. – Achas que pondo perfume esse teu cheiro de porco vai desaparecer? E que…
– Espera aí “senhor” Fillipo, isso é uma ofensa aos porcos de todo o mundo, visto que cheiram melhor do que ele. – Disse Ângela, fazendo com que Francesca soltasse um pequeno risinho.
– Tanto os porcos como ele, são todos nojentos! – Natacha falou, tendo o cuidado de, logo de seguida, tampar o nariz e a boca, com um lenço, para tentar em vão não sentir o cheiro e não vomitar.
– Pronto menina, eu passo a tomar banho mais vezes! – Disse resignado Pablo a quem esta sua afirmação não lhe agradava nada. – Talvez passe a tomar banho uma vez todos os meses, ou de dois em dois meses, ou…
– Tens é que passar a tomar banho todos os dias! – Disse Fillipo.
– Mas, isso são muitos… — Tentou dizer Pablo, mas sendo interrompido por Natacha.
– E para ti, são muito poucos… — Ela estava quase a vomitar.
– Ora vou-me embora, tenho mais que fazer do que ficar aqui a ouvir tantos disparates. Tomar banho… — Pablo vai-se embora ainda a resmungar.
– Ainda bem que ele se foi embora, já não aguentava o cheiro dele. – Finalmente Natacha pode destapar o nariz e a boca, com um ar de alívio. – Mas infelizmente, ele cheira tão mal, que o cheiro dele continua aqui, mais fraco é verdade, mas por onde ele passa, deixa um cheiro, que ainda demora alguns minutos a desaparecer completamente.
– Pronto meu amor, o malcheiroso já se foi embora! O cheiro já não tarda em desaparecer. – Disse Fillipo, beijando docemente a esposa.
– Blaq! Vocês metem me nojo, sempre aos beijos. – Queixa-se Ângela.
– Tu estás é roída de inveja, por não teres um amor como em tenho! – Fala Natacha.
– Inveja, dessa coisa a que chamas marido!
– Já vos disse que não quero discussões! – Francesca intrometeu-se, já adivinhando mais uma discussão.
– Mas foste tu que começas-te, quando puseste-te a berrar com o Pablo! – Reclamou Fillipo. – Se tu podes berrar com o Pablo, então eu também posso falar com a Ângela, num tom mais elevado.
– Está bem, foi eu que comecei, mas foi por uma questão de saúde pública! Mas vamos embora que eu quero os tecidos ainda hoje! – Francesca voltou rapidamente, á sua posse de menina delicada, educada e refinada, que na maioria das vezes mantém.
Continuaram a caminhar pela rua a baixo, só voltando a parar à frente do seu destino final, a loja de tecidos da dona Lara. Ao entrarem na loja sentiram o doce aroma dum perfume de rosas, o que indicava a Francesca, que Luchia, a filha da dona Lara e do senhor Vincent, se encontrava na loja. Ao aproximarem-se do balcão, Luchia falou na sua voz harmoniosa, enquanto lia um livro.
– Sejam muito bem-vindos, à loja Laralã! – Disse Luchia levantando a cabeça. – À, menina Francesca, é você? Os seus tecidos já chegaram, vou já vou busca-los.
Quando Luchia voltou, vinha carregada com dezenas de rolos de tecidos, das mais variadas cores. Pousou-as no balcão, e começou a fazer contas.
– Luchia, quando vínhamos a vir para aqui, cruza-mo-nos com o Pablo, ele esteve aqui? – Perguntou Francesca.
– Bem ele não esteve aqui, mas esteve lá fora. A minha mãe proibiu-o de entrar, depois de se aperceber que as pessoas, não entravam na loja quando ele cá está. – Disse Luchia com um ar deprimido.
– Ele ainda é teu noivo? – Perguntou Ângela.
– Sim, infelizmente, ele ainda é meu noivo! Eu tenho tentado fazer de tudo, para não ter de me casar com ele, mas a única coisa que consigo é adiar o casamento! – Disse a ainda mais deprimida Luchia.
– Mas, porque é que o teu pai te quer obrigar a casar com ele? – Pergunta Ângela.
– É por ele ser rico, ele acha que se eu me casar com ele, vou ter muito dinheiro e consequentemente ser muito feliz.
– Mas o teu pai, é mesmo uma besta, se te continuar a obrigar a casar-te com aquele porco rico. – Diz Ângela, com um tom irritado.
– Oh! Ele é meu pai, e quanto a isso não há nada que eu possa fazer. Vou ter de fazer o que ele me pede, e casar-me com ele!
– Não, não vais! Continua a adiar o casamento, por mais uns meses, e vais ver que ele muda de ideias! – Disse Francesca.
– Além disso eu não percebo, porque lhe vais obedecer, se nós mulheres, temos a liberdade de escolher com quem nós casamos, e se vamos nos casar. Afinal, não vivemos na idade da pedra, para ter de obedecer a ordens desse género. – Diz Ângela com um tom ainda mais irritado, só agora Francesca, lembrou-se, que Ângela tinha acabado com o namorado nesse preciso dia, mais um a juntar-se à lista de namorados que ela teve.
– O que tu disseste é bonito, mas ele é o meu pai, e não vai permitir que eu me recuse a casar com ele, ele já anda furioso, por eu andar sempre a adiar, eu já dei todas as desculpas possíveis. Eu disse-lhe que queria ir para a universidade, mas o Pablo diz que não quer se casar comigo, se eu continuar a estudar, o que fez com que o meu pai me proibisse de ir para uma universidade. Mas por sorte, sou obrigada a fazer o décimo segundo ano, o que me ganha um pouco de tempo, mas não vai durar muito mais, pois para o ano já termino os estudos! – Diz Luchia aflita.
– Mas eu já te disse, tu só vais ter de empatar mais uns meses, vais ver que vais aparecer um rapaz, muito bonito por sinal, pelo qual tu te vais apaixonar, e de quem o teu pai vai gostar. Ele vai deixar-te casar com ele, e vocês vão ser muito felizes. – Diz Francesca com um Sorriso.
– Oh! Tu estás a dizer isso para me descansar, mas isso nunca vai acontecer, eu vou acabar por me casar com o Pablo Seboso, e ter mini sebosos com ele. – Diz Luchia.
– Bem, pode ser que em vez de mini sebosos, tenhas cachorrinhos! – Diz Francesca com um ar inocente.
– Agora, eu percebi que tu estás é a gozar com a minha situação!
– Achas que eu estou a gozar? Quando tu perceberes que eu acertei, vem falar comigo. Mas agora tenho que ir, toma o dinheiro, eu levo os tecidos! Adeus! – Francesca, pousa um cheque no balcão, pega nos tecidos e vai-se embora. Deixando Luchia de boca aberta.
Enquanto caminhavam pela rua, Fillipo aproxima-se da irmã, e diz:
– Mas tu estás doida, é suposto tu não contares a ninguém, o que vai acontecer a seguir, ninguém pode saber que tu consegues ver o futuro!
– Mas eu não disse nada de mal, eu só estava a tentar descansar um pouco a rapariga, afinal preocupações a mais causam rugas, e ela ainda é jovem! – Diz Francesca.
– Mesmo assim, se as pessoas descobrirem que vês o futuro, todos vão começar a pedir para tu contares, o que lhes vai acontecer no futuro.
– Meu caro irmão, eu sei perfeitamente aquilo que estou a fazer, confia em mim. Mas agora vamos andando, que eu quero chegar primeiro que o Pierre, tenho ainda muito que fazer, pois amanhã tenho que entregar uma grande encomenda de doces e compotas.
Continuaram a andar pela rua, entraram por um portão dourado, percorreram os jardins onde cresciam as mais magníficas flores. O caminho passava pelo meio de duas filas de cerejeiras, subira uma colina, que permitia ver uma enorme planície coberta de cerejeiras, e no meio de planície albergava um enorme palácio branco, com o telhado azul acinzentado e os caixilhos das janelas dourados, as torres do palácio brilhavam à luz do sol. Como o palácio é rodeado por um ribeiro, a luz que é reflectida por ele faz parecer que as paredes são feitas de água. Era sem dúvida um palácio esplendoroso, um sobrevivente das antigas épocas, em que a maioria dos países, eram um reino, governado por um rei, ou por uma rainha.
A família de Francesca, esforçava-se para manter a antiga glória do palácio, mas para ajudar a arcar com os custos de manutenção do palácio, Francesca teve de criar uma empresa de venda e confecção de bolos, bem como de organizações de festas. Tinha também mandado construir o museu da cidade, e tudo o que está nesse museu, tinha pertencido outrora à sua casa, ou a de outros moradores da cidade, apenas os vestidos antigos de Francesca não se encontravam lá, pois Francesca ainda os usa, utilizando a desculpa de serem demasiado frágeis, porém encontram-se lá as réplicas de todos os seus vestidos e roupas.
Ao abrir a porta de casa, Francesca recordou-se da visão que teve à quinhentos anos atrás, uma maravilhosa visão, que anunciava uma felicidade vindoura.
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