Supernatural Love
3 Capítulo III - A Visão
Notas iniciais
Francesca, tinha tido essa maravilhosa visão da perfeição sobrenatural, numa bela tarde de primavera, quando estava muito descontraidamente, sentada num banco de jardim, a ler um livro, enquanto os pássaros cantavam angelicais melodias.
~Flashback On~
Quatro figuras humanas, três homens e uma mulher, aproximavam-se da cidade, com passos lentos mas decididos. Um arrepio atravessou o seu corpo, ela sabia que estas quatro sombras iam trazer algo bom, mas o que era, ainda estava por descobrir-se!
Quando já estavam mais próximos, ela conseguia ver com perfeição os rostos das quatro figuras, eram deslumbrantes, mas, o mais deslumbrante rosto, era o do que comandava o grupo. Esse homem tinha o cabelo castanho, curto e ondulado, uns olhos azuis como o mar, a sua pele era morena, Francesca podia ver através da T-shirt branca, os seus músculos, que nem eram grandes, nem muito pequenos. Ela adorava lembrar-se deste belo rapaz. O rapaz que seguia do lado direito, tinha o cabelo ondulado, curo e ruivo, que mais parecia fogo, os seus olhos eram azuis, como os do seu parceiro, mas a pele era branca. Como o casaco preto era aberto, era possível ver o peito musculado. O outro rapaz que seguia do lado esquerdo do primeiro, tinha o cabelo preto, pelos ombros e encaracolado, os olhos eram castanhos, a pele morena, e como os outros, um pouco musculado. A mulher tinha o cabelo curto, loiro e rapado do lado direito, os olhos eram castanhos.
~Flashback Off~
Francesca ainda sorria, com a maçaneta da porta na mão, quando a Ângela perguntou-lhe:
– Vais ficar muito tempo aqui parada, sem fazer nada, com a maçaneta na mão e um sorriso tonto na cara? E para quê esse sorriso?
– Não, não vou! E, e por nada, apenas me lembrei de uma pequena coisinha. – Francesca diz, muito corada.
– Uma pequena coisinha?! Sim, claro, era tão pequena, que te fez ficar aqui parada, com cara de idiota, durante uma eternidade! – Ângela como sempre a ser irónica.
– Foi só uma recordação que tive… uma recordação futura! – Diz Francesca piscando o olho.
Entram no palácio pela porta da cozinha, e pousaram as compras, que tinham feito ao longo do dia em cima da mesa, onde organizaram as coisas. E Francesca começou a preparar os doces e compotas, que tinham encomendado, uma vez que Pierre tinha se adiantado a eles.
Quando terminou, dirigiu-se à torre nordeste, onde dicava o seu quarto, subindo as escadas circulares, que andavam á volta da torre, passou pela enorme casa de banho, que partilhava com o seu pai, irmão e cunhada, passando de seguida pelo quarto do irmão e cunhada, e pelo quarto do pai, passando por um andar sem porta, chegando assim ao quito andar, onde se encontrava o seu quarto, que como as outras divisões da torre, ocupava toda a extensão do andar, diretamente em baixo do quarto, estava o grande armário dela, onde ela guardava os seus preciosos vestidos, e livros da sua coleção particular, esse quarto só se podia aceder, através dumas escadinhas, também circulares, que se encontravam a um canto do quarto da Francesca.
O quarto era enorme, mas decorado de forma sóbria, com o chão feito de madeira, porém decorado com um tapete de lã branco, que cobria praticamente o chão todo, encostado a um canto, encontrava-se uma cama de casal, com cortinas azuis escuras, e com estrelinhas brancas, os cobertores são azuis-claros e os lençóis brancos, as almofadas feitas de penas de cisne, que tantos anos demoraram a coletar, uma vez que Francesca recusava-se a matar animais, para algo tão fútil, como almofadas, por isso sempre que eram encontradas penas, guardavam-nas. De cada lado da cama, está uma mesinha, e á frente da porta, encontra-se uma enorme janela circular, de onde dá para ver os jardins do palácio, porém neste momento as cortinas estavam fechadas.
Francesca antes de entrar tirou os sapatos, pois não queria sujar o tapete, dirigiu-se à janela e abriu as cortinas de veludo azul, desceu as escadinhas e pousou os sapatos numa prateleira. Como todas as divisões que ficavam nas torres, esta também era circular, os vestidos estavam ora em manequins, ou pendurados em cabides, no centro encontrava-se uma mesa, também havia prateleiras circulares onde se podiam ver livros, noutras sapatos, joias e roupas. Tal como o seu quarto esta divisão também possuía uma enorme janela, com as cortinas de veludo vermelho, abertas. O chão de madeira, também coberto com um tapete de lã, só que este é vermelho.
Ela trocou o vestido esvoaçante branco, por um vestido antigo, de cor pérola, e com florzinhas feitas de pedras preciosas, penteou os cabelos numa trança, com pequenas flores de tecido vermelho, a condizer com as do vestido, e entrelaçados com fitinhas brancas. Sentou-se á frente da mesa, com um caderno que tinha pegado de uma estante, e começou a escrever.
“Dia 16 de Julho de 2014
Hoje discuti novamente com o malcheiroso do Pablo, ele continua a recusar-se a tomar banho, e isso irrita-me, é tão horrível, e a forma como ele quer obrigar a Luchia a casar-se com ele, dá-me vontade de lhe partir o pescoço.
Mas mudando para um assunto mais alegre, hoje voltei-me a lembrar daquela visão, a cada momento que passa, sinto que se aproxima o dia em que ele aparecerá, para mudar completamente todo o meu mundo, para”
Ouve bater á porta, fecha o diário, e guarda-o o mais rápido que consegue, com a velocidade de vampiro que herdou do seu pai, sentou-se novamente e manda entrar. Era Ângela que nem esperou que Francesca subisse, visto que sabia que ela não se importava, que entrasse no seu armário/escritório, quando ela lá estivesse. Desceu alegremente as escadas, e sentou-se na ponta da mesa, com o rosto virado para a amiga, e um olhar de quem está decidida a convencer uma pessoa, a fazer uma loucura.
– Sabes que fazes anos no dia 23 de Julho, não sabes?
– Ângela, é claro que sei quando é o meu aniversário.
–Vais fazer uma festa, não vais? – Diz-lhe com uma voz doce, e tal como o nome dela indica angelical.
– Eu não quero fazer uma festa, visto que já fiz cerca de 2999 festas, e quase todas elas contra a vontade.
– Pois, mas não se faz três mil anos todos os dias, temos que comemorar!
– Pois, tal como não se faz 499 todos os dias!
– Anda lá Fran, deixa-me ser eu a organizar a tua festa!
– Pronto, organiza lá a festa!
– A Sério, este ano foi mais rápido, nem tive que implorar muito, portanto vai ser a festa perfeita!
Ângela, começou a explicar tudo o que tencionava preparar para a festa, a comida, a decoração, a música, as roupas, tudo seria uma mistura das várias épocas em que Francesca vivera, e das quais havia gostado.
Depois de horas a falar sobre a festa, e a tirar uma série de apontamentos, Ângela levantou-se e com a velocidade máxima para vampiros, foi começar a preparar tudo para a festa. Francesca também levantou-se da sua cadeira, pois tinha algo para fazer, só que ao contrário de Ângela, que ia a correr, ela não, ia com calma, com passos normais para os padrões humanos.
Subiu as escadas para o seu quarto, e do seu quarto, dirigiu-se ao terceiro andar, bateu à porta e teve logo autorização para entrar. Um homem estava sentado numa mesa, a ler, era um homem atraente, com cerca de um metro e oitenta de altura, olhos cor de mel, como os de Francesca, o cabelo louro acastanhado, liso e curto, e a pele muito branca. Estava vestido com um fato preto de estilo antigo.
– Bom dia pai! Gostas-te do livro novo que te ofereci?
– Ainda estou a ler filha, mas já estou a adorar o que leio!
– Fantástico, fico feliz por estares a gostar, isso significa que escolhi bem o livro!
– Pois escolhes-te maravilhosamente bem, este livro e absolutamente fantástico!
– E o final é tão romântico, como os dois…
– Francesca, pára!
– Porquê pai? O que te irrita tanto? Eu não percebo porque estás irritado?
– Francesca, minha querida filha, tu ias estragando o final do livro, e eu quero ler o final do livro, sem o saber, porque assim é mais emocionante.
– Desculpa pai! Eu esqueci-me que tu ainda não tinhas lido o livro.
– Mas diz-me, o que queres contar-me? Afinal, tu ainda não disseste o que te trouxe cá!
– A Ângela decidiu que queria que eu tivesse uma festa de aniversário, por isso fiz-lhe a vontade!
– Que bom que assim decidiste, afinal em sempre gostei de festas. Mas… Está para breve a chegada deles, não está?
– Sim pai, eu sempre soube que ele viria, de alguma forma eu soube, porém só à quinhentos anos atrás, o que era apenas uma superstição, tornou-se verdade, ele virá em breve, sinto que está cada vez mais próximo. Mas pai, não estás chateado pois não? Afinal sou a tua única filha!
– No fundo, eu também sempre soube que esse dia chegaria, mais cedo ou mais tarde, tinha que acontecer, e eu só quero que sejas feliz. E tu, nunca deixarás de ser minha filha, aconteça o que acontecer.
– És o melhor pai do mundo! – Diz Francesca, dando um grande abraço de urso ao pai.
– Tu é que és a melhor filha do mundo! Mas agora conta-me, como vai ser a tua festa? Ou a Ângela resolveu fazer surpresa?
– Não, para mim não é surpresa! Mas… Já para ti, é outra história!
E com isso sai do quarto, indo dormir, e sonhar com os dias que se seguiram, que serão, sem dúvida, de uma espera enorme, pelo dia em que o lobo chegará, para tomar o seu coração, que no fundo sempre lhe pertenceu.
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