Supernatural Love
7 Absence
Notas iniciais
–Um curso gratuito de vôlei? –Perguntei, olhando para Levy de sombancelhas levantadas.
–É, veio aqui ontem um cara do A.F.E.S. de Magnolia entregar uns panfletos de um curso gratuito de 1 mês de vôlei para divulgação do esporte, aí eu pensei que nós poderíamos ir, sei lá, pra ajudar o cara. Pelo menos no primeiro dia. Não acha que vai ser divertido? –Ela respondeu, me entregando um dos panfletos que estavam na bancada.
–Muito obrigada e volte sempre. –Termino de vender um livro e me volto novamente para a baixinha, pegando o panfleto de sua mão e olhando-o –A.F.E.S.? Mas o que é isso?
–Asocciação. De Fiore. Para Esportes. Sociais.
–Ah, tah... Meu Deus, Levy, isso aqui é amanhã, você acha que eu não tenho coisas mais importantes pra fazer no sábado de manhã?
–Por exemplo...? –Ela arqueia a sombrancelha.
–Dormir! Sábado de manhã eu preciso dormir, tive uma semana cheia, sabia? E também preciso estudar...
–Sim, sabia, muito cheia além de ter um surto e desmaiar no meio do trabalho, procurando por alguém que simplismente não está lá! Lucy! Vamos! Você precisa fazer alguma coisa que te faça bem, 4 horas não vão atrasar o seu ano, você estuda depois. E eu ando achando que você está meio doida, sabia? –Ela brincou, colocando a mão em minha testa para ver se eu tinha febre. Dei um tapa na mão dela e me levantei.
–Tá, tá. Eu vou nesse troço aí, sinta-se grata por me fazer acordar ás 08:00 da matina pra bater numa bola que nem uma retardada. –Ela pulou e bateu palmas.
–Obrigada! Aposto que vai gostar. E também tem uma pessoa que eu queria que você conhecesse –Uma pessoa? – , ele vai também.
–“Ele”? Opa! Levy-chan, quem é? –Me aproximei mais dela com um olhar malicioso.
–Ah! –Ela se retrai –Você vai ver...
No dia seguinte, exatamente às 7:30, meu despertador toca com a música que eu mais gosto: Snow Fairy. Acordo num pulo e ponho a mão na cabeça. Quando eu coloquei o despertador? Olho para a tela e desligo o alarme, vejo que também tem um SMS enviado às 6:58:
Acorde preguiçosa! Vamos jogar!
Levy... ela pegou meu celular? Droga. Pego o celular e respondo:
Te pego depois, baixinha... ¬¬
Ela responde 1min depois:
Ok, ok. Agora se arrume, passo na sua casa às 8:40 pra te pegar.
ESTEJA PRONTA!
O que?! Pulo da cama e abro o armário de roupas. Tiro de lá um top de ginástica, uma calça preta e azul de ginástica e uma blusa branca leve. Me visto e prendo o cabelo num rabo-de-cavalo alto com um laço e coloco um tênis de corrida.
–Nossa... quem diria que eu teria roupas tão... apropriadas?
Levy chega e desço as escadas do prédio. Abro a porta do passageiro e dou de cara com um cara de cabelos compridos e pretos; forte; cheio de... piercings? e particulamente bonito, mas tinha uma expressão séria. Ele me encara e eu olho para o interior do carro, no banco do motorista vejo Levy.
–Lá atrás, loira. – O cara diz com polegar apontando para o banco de trás. Arqueio uma sombrancelha.
–Olha aqui...
–Lu-chan... –Levy me interrompe –Esse é o Gajeel. É o cara que eu te falei. –Agora eu fiquei espantada.
–Tudo bem, oi Gajeel. Levy, apenas fale pra ele ser mais educado, O.K.? –Ele bufa e eu entro no carro. –Então... Gajeel, você curte vôlei?
–Mais ou menos, só vim porque Levy me pediu para vir, então eu aceitei.
–Somos dois então. –Levy se encolhe no banco à minha frente.
Durante a viagem nós três ficamos conversando. Gajeel me contou que conheceu Levy durante uma briga de rua; ele acidentalmente a acertou e depois sentiu remorso, então a convidou para um café. Durante o café, o lustre que ficava em baixo dela na lanchonete acidentalmente despencou do teto e Gajeel a empurrou antes de acertá-la, mas um caco de vidro acertou seu braço e fez um corte bem grande –ele me mostrou a cicatriz–. Ela o levou para o médico e a partir de lá eles ficaram amigos. Achei essa história estranha, mas é de certo modo fofa.
Chegando lá, entramos na quadra e vemos umas 10 pessoas no máximo, incluindo Juvia e Gray.
–Lucy! Levy! O que fazem aqui? –Juvia veio nos abraçar.
–Eu é quem pergunto, pensei que a Levy tinha arrastado vocês pra cá também.
–Eu também não vou trazer a escola inteira pra cá –disse Levy –, trouxe você porque pensei que fosse gostar. Mas como vocês dois souberam que ia ter isso aqui?
–Um amigo meu me disse, ele é jogador profissional. Como eu adoro vôlei aceitei na hora, e acabei trazendo o Gray-sama junto.
–E quem é esse cara, Levy? –Pergunta Gray, como se o “cara” não estivesse ali.
–Ahn, esse é o Gajeel-kun. –ela responde trazendo Gajeel para frente.
–E ai? –cumprimenta Gajeel.
–Beleza?
–Acho que eles vão se dar bem... –eu digo somente para Juvia ouvir.
–É... –ela responde.
–E quem é esse seu amigo? O que te falou de hoje?
–O tal “amigo” por acaso seria eu? –aparece ao meu lado um garoto da nossa idade: cabelos curtos e loiros; uma medonha cicatriz na sombrancelha direita; e um brinco grande na orelha esquerda. Bonito.
–Sting-kun! –Juvia o vê e abraça o mesmo.
–Você veio mesmo hein, Juviazinha? –“Juviazinha?”, dou um passo para trás e vejo uma veia saltada da testa de Gray. –Vejo que trouxe alguns amigos também. –Ele olha com um olhar sedutor para mim.
–Sim. Na verdade eu só trouxe o moreno ali, os outros nós encontramos por acaso.
–Bom, a companhia deles vai ser ótima. –Ele disse, ainda olhando para mim, não pude deixar de pensar que a frase continha um duplo sentido. –Não sei se eu te contei, mas eu e meu irmão somos os professores.
Logo após ele terminar de falar, aparece ao lado dele um garoto com cabelos pretos. Ele sussura algo para Sting.
–Certo. Bom! Hora de começar! –ele passa a aumentar o tom de voz para todos ouvirem. –Todos por favor, em fila na linha vermelha. Formem duplas.
Como não haviam pessoas em número par; eu, Juvia e Levy ficamos em trio. Gajeel estava com Gray.
–Como é a primeira aula, vamos começar com os fundamentos básicos, o primeiro vai ser o toque. Me empreste sua bola? –ele pergunta para uma garota que estava do seu lado e ela passa a bola para ele –Obrigado. O.K., façam comigo...
Ele explica como se faz o toque e nós imitamos, depois tivemos que ficar tocando a bola um para o outro. Depois ele fez o mesmo exercício com outros fundamentos, como a manchete, o ataque. Além de explicar as posições e o rodízio.
Depois de uns quarenta minutos de aula, ele pediu que nos formassemos novamente a linha vermelha:
–Vamos tentar fazer um jogo de 20 minutos. Eu vou dizer as posições que cada um de vocês deve ir. –ele foi apontando para nós aleatóriamente e dizendo onde deveríamos ir. Eu estava no mesmo time de Gajeel e Juvia; posição 6.
O jogo estava indo mais ou menos bem e nosso time estava ganhando de 6 pontos. Faltando 10 minutos para acabar a aula, eu estava na posição 2, a do levantador, bem perto da rede. Ouço um barulho, tipo de algo rachando, pensei em falar para o Sting, mas cheguei à conclusão de que não era necessário.
Má escolha.
***
Acordei e senti uma pontada na cabeça, pus a mão no lugar onde doía e soltei um gemido, percebi que minha cabeça estava enfaixada, assim como minha perna direira e pulso direito. Não me lembrava de nada. Apertei o botão para chamar a enfermeira.
–Ah meu Deus, você acordou! –Levy entra junto com a enfermeira e me abraça, solto outro gemido. –Desculpe.
–Tudo bem... o que aconteceu?
–Não se lembra? –Fiz que não com a cabeça –A gente tava de boa jogando vôlei quando de repente a barra da rede quebra, não sei como, e cai em cima de você, fomos acudi-la, mas você estava desmaiada, então chamamos a ambulância. Como você está se sentindo?
–Bem... onde estão os outros?
Levy faz um sinal com a cabeça apontando para a porta.
–Lá fora, na sala de espera, concordamos que eu viesse ver você antes, como fui eu quem te meti nessa, afinal. O Sting fez questão de vir junto, parece que ele gostou bastante de você.
–Ou só está preocupado com o emprego dele...
–Vamos... não seja tão fria, ele é um cara legal. E também, eu duvido que, depois do que aconteceu hoje, alguém ainda queira ir no curso, todos estão com medo de...
–Cair uma rede de vôlei na cabeça deles?
–É. –ela soltou uma risadinha –Bom, eu vou chamar os outros pra te verem.
Vieram todos juntos falar comigo e ver se eu estava bem, Sting pediu desculpas umas cem vezes e Gajeel nem fez questão de falar muito. Mas d mesmo jeito fiquei feliz deles terem ficado preocupados comigo.
O médico solicitou que eu ficasse uns dois dias de repouso, só para “descansar”, então Levy ficou comigo, foi bem divertido. Mas apenas quando eu tentava dormir no primeiro dia, me dei conta do que realmente fazia sentido em tudo o que acontecera no dia:
Tome cuidado.
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