Depois do velório da doce e pequena July, chegou a hora de ser revelado as 7 profecias escritas e descritas no diário da menina. Foi um dia de chuva, pesado, triste. Alguns parentes e amigos da família compareceram para dar o ultimo a deus. No final do dia, no cemitério da cidade, la estava Cristy jogando a ultima flor cor de rosa que havia conseguido comprar na floricultura mais próxima. Sam e Dean usavam ternos pretos em sinal de luto. Mas também serviu para despistar os policiais da cidade. Dona Sônia ainda chorava muito, não se conformava. Mas Castiel não poderia deixar o dia se estender sem que lessem o diário.

– Dean... temos que ler o diário.

– Acabaram de enterrar a menina e você já esta falando nisso? – diz Dean indignado.

Castiel passa a mão na nuca e olha para Cristy que esta sentada em um banco em baixo de uma arvore na porta do cemitério. Estamos falando de um cemitério grande, com nevoa pelo ar e com muita grama. Um lugar frio. Mas encantadoramente agradável para os mortos que ali estão.

– Eu vou falar com ela. – diz Castiel apertando o passo.

– Droga. Eu vou junto pra você não falar besteira! – diz Dean acompanhando eles.

Sam fica olhando os dois se afastarem. Ele franze a sobrancelha lembrando que Dean não estava no quarto quando acordou pela manhã. Ele começa a rir quando deduz onde Dean deve ter dormido...

– Esse Dean não tem jeito mesmo... – diz Sam balançando a cabeça.

Cristy percebe a dupla chegando e logo fica visível que em suas mãos esta o diário de July. A expressão de agonia toma conta do rosto dela, quando Castiel chega impondo o diário.

– Precisamos de ler as profecias. Me de o diário.

– Eu não vou dar nada... isso é a única coisa que eu tenho da July. E ela disse pra mim cuidar disso.

– Olha, não precisamos tomar o diário dela. Mas, leia o diário, por favor. Precisamos saber quais são essas tais profecias. – diz Dean tentando suavizar a situação.

– Ela me recomendou que lesse sempre do inicio para o fim. Existem datas aqui... nomes. Dicas, coisas do tipo. A primeira profecia ocorrera em um voo noturno daqui para o japão.

– Qual a profecia July?

– Um avião saindo daqui, um voo de 10 horas... com destino a Tóquio vai cair no aeroporto chegando la. E vai matar muitas pessoas. Mais de 300 pessoas mortas.

–E qual causa desse acidente? – diz Dean aterrorizado.

– Um demônio estará a bordo. Ele vai derrubar esse avião em forma de sacrifício.

– Ela disse como esse demônio se chama? Ou como ele é?

– Não Dean... é só isso. – diz Cristy fechando o diário.

– Esse avião não pode cair... – diz Castiel.

– Esse avião não vai cair. Porque nos estaremos nele!

– Ahn? Nos?

– Sim, eu, Castiel, Sam... e você.

– Porque eu?

– Porque só você consegue ler esse diário...

Diz Dean apontando para o diário que esta com todas as folhas em branco. Algum tipo de magia evita com que os outros consigam ler. Apenas Cristy consegue ver as profecias no papel.

– Você não consegue ver? – pergunta ela.

– Não... você consegue Castiel?

– Não... não sei o que fizeram nesse diário. Mas sinto uma forte energia nele.

– Então, bem vinda a bordo! – diz Dean estendendo a mão.

– Você quer que EU entre em um avião que vai cair?

– Não temos outra escolha. Temos que destruir esse demônio.

– E se morremos?

– Não acho que faremos muita falta nesse mundo. – diz Dean com o olhar frio.

– Eu farei falta nesse mundo!

– Pra quem? Pra sua prima? Ops... ela já morreu! Ou pra sua mãe? Fala sério... essa velha não te suporta.

– Do que esta falando?

– Eu vi as marcas roxas no seu corpo... e quando andei pelo corredor, vi uma cinta no quarto da velha. Sua mãe te bate, é disso que estou falando!

– Ela não tem culpa! Ela apenas estava me castigando pelo que eu fiz...

– E o que você fez, Cristy?

– Eu dormi com um estranho, ou melhor dizendo,com Dean Winchester.

Dean fica pasmo com a revelação, se sente culpado e indignado. Cristy não é mais criança faz tempo, ela já tem mais de vinte anos, não deveria apanhar de uma velha cruel daquelas por fazer sexo com alguém.

– Eu... sinto muito por ter causado isso. – diz ele.

– Não... não foi a primeira vez que ela me bateu. Eu cresci assim. Ela veio de uma família muito rígida. Eu fui a primeira filha dela... e ela me teve ainda adolescente. Ela me culpa por ter roubado a adolescência dela.

– Isso não faz o mínimo sentido. Nada justifica agressão em alguém que não fez nada de mal.

– Eu vou com vocês. Mas tem um problema... ela não vai me aceitar aqui nunca mais.

– Tudo bem... você pode fazer sua vida em outro lugar depois. Ou ate mesmo... seguir a estrada com a gente. O que seria muito perigoso.

– Eu vou com vocês... não me importa o que vir depois. Eu nem quero pegar minhas roupas, vamos embora agora.

– Agora? – diz Dean surpreso.

– Sim... agora! Ela nem vai notar que sumi. Vamos Dean! – diz Cristy segurando a mão de Dean.

Dean sente o toque aveludado da mão dela, enquanto aquele perfume enlouquecedor entrava pelo seu nariz. Ele tem 10 segundos de flash back lembrando de cenas da noite passada. Todos os toques, todas as caricias mais intimas.

– Dean? Dean? Dean! – ela grita.

– Oi?! – diz ele assustado como se tivesse sido puxado novamente para o mundo real.

– Vamos ou não?

– Sim, vou chamar o Sam.

Dean olha para o horizonte e vê Sammy distante. Ele grita o irmão, que vem sem muita demora.

Sam chega ate eles com um ar de desconfiado. Mas logo descruza os braços e abre um sorriso.

– E ai pessoal? Ja sabem qual a profecia?

– Sim, sabemos. A primeira profecia é a queda de um avião indo daqui pra Tóquio.

– Que dia? – pergunta.

– É mesmo! Que dia sera isso?

– Se vamos mesmo fazer esse voo suicida, temos que pegar o avião que sai daqui as 19:30 da noite. – diz Cristy com ar de tragédia.

– Dean, porque vamos entrar em uma avião que vai cair? – diz Sam desesperado.

– A queda vai ser provocada por um demônio! Temos que acabar com ele antes! – diz Dean.

– Ah... pelo visto, muitas aventuras pela frente! Espero que não morra em uma delas! – diz Sammy.

– Espero que eu não atrapalhe... – diz ela.

– Não! Já estivemos acompanhados de pessoas piores! Se o Sammy nunca atrapalhou, muito menos você atrapalharia!– diz Dean brincando.

– Idiota. – diz Sam.

– Vamos o mais rápido possível pro aeroporto. – diz Castiel que estava calado a um tempo.

– Falou pouco, mas falou bonito! Vamos logo... – diz Dean sorrindo.

Depois de meia hora de estrada, os 4 chegam ao aeroporto mais próximo da cidade. Compram as passagens, embarcam. Sammy, Dean e Cristy sentam em 3 poltronas juntas. Castiel senta na poltrona da frente.

Castiel olha tanto para os lados que acaba levantando suspeitas de uma das aeromoças.

– O senhor precisa de ajuda? – pergunta a aeromoça.

– Não.

– Ah,por favor, aperte os cintos. O avião vai decolar em alguns minutos. Seja rapido. – diz a aeromoça saindo.

– Castiel.... – sussurra Dean.

– O que foi?

– Para de dar na vista. Olhe disfarçadamente. Não precisa se transformar em um porteiro alucinado!

Castiel confuso balança a cabeça em sinal de concordância. O avião decola e logo o sinal para tirarem os cintos ou afrouxar os cintos já estava ligado.

– Primeira vez de avião Cristy? – pergunta Sammy.

– Não, segunda vez. – diz Cristy sorrindo.

– Seu casaco é muito bonito Cristy. – diz Sam.

– Poxa, obrigada... ninguém nunca reparou antes. – diz ela encantada.

Dean que estava na janela fica olhando para os dois com ar de “O que tá acontecendo aqui?”. Mas nada ele pode dizer, já que oficialmente não existe nada entre eles.

– Sera que da pra pararem de conversa? Eu to querendo dormir! – diz Dean estressado.

– Se quiser mude de poltrona! – diz Sammy.

– O que? Você ficou maluco? – diz Dean estranhando.

– Porque eu estaria maluco Dean? Só porque estou conversando com a Cristy?

– Quer saber, conversem o quanto quiser. Eu vou ao banheiro. Com licença. – diz Dean saindo.

Dean sai andando pelos corredores ate chegar ao banheiro. Obviamente ele não usa banheiro nenhum e em pouco tempo já esta no local onde as aeromoças costumam ficar.

– Bem, parece tudo normal por aqui... – diz Dean em voz alta.

– O que faz aqui senhor? – diz o comissario.

– Eu? Ah... eu to procurando o banheiro! – diz Dean dando um de bobo.

– O banheiro fica la fora... aqui é área restrita senhor.

– Poxa, valeu! Vou no banheiro então... licença.

– Toda.

Dean sai do local com a cara queimando de vergonha. Ele anda pelo corredor rumo a poltrona onde estava sentado. E se depara com uma cena nada esperada: Sammy e Cristy se beijando.

– Você enlouqueceu? – diz Cristy enfiando um tapa no meio da cara de Sam.

Dean fica paralisado vendo a cena. Ele mal consegue reagir. Ele não sabe o que fazer, ate que percebe que Sam esta estranho demais.

– Solta ela Sammy!

– Porque eu soltaria Dean Winchester? – diz Sam com os olhos totalmente pretos.

– Ah, droga. Porque não larga ela e vem aqui apanhar um pouquinho?

– Apanhar é?

– Sim, vem... to louco pra te mostrar o caminho de volta pro inferno!

Dean tira o punhal lentamente de traz da roupa, enquanto o demônio que possuiu Sammy chega cada vez mais perto.

– Vocês não vão me impedir de derrubar esse avião.

Nesse instante a tripulação simplesmente entra em panico. As pessoas começam a ficar assustadas.

– Porque quer derrubar esse avião? – pergunta Dean.

– Apenas uma missão. Sera um prazer acabar com os Winchesters de uma vez por todas.

– Você não é de nada, seu merda.

– Eu lembro de sua mãe... ela era bem gostosa. – diz o demônio provocando.

– Cala a sua boca!

Dean grita e clava sem dó nem piedade o punhal no ombro do desgraçado. O demônio luta pra se manter, mas logo a fumaça negra sai pela boca e os olhos de Sammy. Ele cai ao chão. E a fumaça negra, desaparece.

– Sam! – diz Cristy segurando o corpo ao chão.

Dean continua confuso, porque diabos Cristy e Sam estão tão próximos? Mas ele torce pra ter sido apenas por causa do demônio.

– Não se preocupe Cristy, o Sammy esta bem.

– Que bom... – diz ela respirando aliviada.

– Ele não era um dos mais fortes. – diz Castiel.

– Sim, sabemos que existem piores. Mas ao menos ele se foi.

– Talvez. – diz Castiel olhando para todos os lados.

– Então tudo que ele disse pra mim depois que entramos no avião era coisa do demônio? – pergunta Cristy.

– Não Cristy... o seu casaco é mesmo bonito. – diz Sammy acordando.

– Pelo visto você esta muito bem.

– Sim, da pro gasto. – diz Sam sentindo algumas dores.

Dean se levanta e volta para sua poltrona. Ele olha pela janela e vê tudo escuro, e fica sozinho com seus pensamentos. É estranho o que ele esta sentindo. Ele sente raiva de si mesmo por estar com tanto ciúmes. O Sammy é boa pinta, meio complicado competir com isso.

***