Supernatural - As 7 profecias de July
4 Entre as flores de cerejeira
Depois de toda a confusão causada pelo demônio que possuiu o corpo de Sam, o voo seguiu durante mais 9 horas seguidas. Os três não aguentavam mais ficar sentados,mas a essa altura só restavam uma hora de voo.
– Eu to todo dolorido... – diz Sam tentando ajeitar seus quase dois metros de altura naquela poltrona da classe econômica.
– Já estamos chegando a Tokio... – diz Dean sério.
– Esta tudo bem Dean? – pergunta Sam que conhece bem aquela cara de insatisfação.
– Tudo ótimo.
– Porque esta tão sério?
– O que foi? Desde quando virei palhaço? Não tem ninguém contando piada aqui. Não tenho porque esta sorrindo.
– Ei, calma... era só uma pergunta.
– Mas é obvio que vocês tem motivo pra sorrir. Vocês impediram que o avião caísse!
Todo mundo do avião olha torto pra empolgação de Cristy.
– Ah... acho que me empolguei. – diz ela tampando o rosto com a manga do casaco.
– Você tem razão Cristy! O Dean salvou a pátria essa noite!
– É, eu salvei mesmo. Sozinho... o Castiel ficou com cara de pastel sem fazer nada. Se eu não tivesse conseguido burlar o embarque, eu não teria conseguido trazer o punhal.
– Sim, excelente Dean! – diz Sam batendo palmas.
– Você tá sendo irônico?
– Não... imagina.
– Vocês discutem assim sempre? – pergunta Cristy franzindo as sobrancelhas.
– Não. Só quando eu estou sentado do lado de quem ele esta afim.
– Ahn? – diz Cristy confusa.
Dean olha de cara fechada pra Sam, e se segura pra não mandar ele pro inferno. Mas afinal, o que ele poderia dizer? O Sam esta coberto de razão...
O pouso acontece tranquilamente e os 4 descem no aeroporto de Tóquio. Eles estão com algumas poucas mochilas onde trazem consigo algumas ferramentas usadas no dia a dia. Enfim, vocês sabem do que estou falando... sal, água benta, prata, etc.
Eles pegam um táxi, que para a sorte deles entende muito bem a língua deles. O taxista indica um hotel barato onde pretendem ficar por um tempo ate conseguirem voltar.
Eles chegam ao hotel e são muito bem atendidos. Mas já na recepção o clima começa a ficar pesado.
– Ola, como posso ajudá-los? – diz a recepcionista que mais parece uma gueixa.
– Queremos um quarto pra 4. – diz Dean tomando frente.
– Não temos quarto com 4 camas, nem com 3. Apenas temos quartos de casal ou duas camas de solteiro. – diz a gueixa.
– Caramba... e agora? – diz Dean virando pra traz e olhando pros outros.
– Eu não tenho preferencia nenhuma. – diz Sam.
– E você Castiel? – diz Dean.
– Tanto faz.
– E... e você Cristy?
Cristy fica pensativa e corada, ela não sabe bem o que responder. Afinal... ela esta rodeada de homens lindos, e seja lá quem ela escolha pra dormir junto, vai acabar tendo um cunho sexual.
– Tanto faz. – diz Cristy olhando pro chão.
Dean fica meio decepcionado, mas tenta disfarçar rapidamente. Ele mal sabe como reagir. Por alguns segundos ele achou que ela iria escolher ele. Mas menos pior, poderia ser mais catastrófico se ela escolhesse o Sam.
– Olha, a senhora escolhe quem dorme com quem... quer dizer, quem divide quarto com quem. Pode escolher aleatoriamente. – diz Dean.
– Ahn? É... vamos ver que quartos eu tenho aqui. Podem me passar a identidade de vocês?
Todos tiram os documentos do bolso, menos Castiel que fica meio confuso e paralisado sem saber o que fazer.
– Se preocupa não Cas, to com seu... documento aqui. – diz Sam tirando uma identidade falsa do bolso.
– Obrigado, Sam.
– E ai dona gueixa, já decidiu quem fica com quem? – diz Dean apreensivo.
– O “glandão” fica com a menina, no quarto 22. É vilando a esquerda.
– Não é possível... – diz Dean sem perceber.
– Disse alguma coisa Dean? – pergunta Sam com um sorriso no rosto.
– Obviamente que não “glandão”. – diz Dean com um sorriso forçado.
– E você e o outro, ficam no quarto 23. Aqui estão a chave.
Sam pega a chave e sai procurando o quarto, Cristy acompanha ele. Castiel fica parado esperando que Dean pegue a chave.
– É, antes de eu ir... a senhora podia me dizer, porque colocou aqueles dois juntos? – diz Dean em voz baixa.
– Oh, eles combinam. – diz a japonesa rindo.
– Você é uma glaça... – diz Dean sorrindo de ódio.
Dean cata a chave e vai direto pro quarto, obviamente Castiel segue ele. Ele chega ate a porta, abre, e se depara com duas camas que são praticamente no chão.
– Credo... será alguma tradição daqui dormir quase no chão?
– Eu não sei. – diz Castiel com cara de paisagem.
– Ao menos não é cama de casal. – diz Dean tirando a jaqueta.
Nesse mesmo instante bate o terror em Dean, será que a cama de Sam e Cristy é de casal? Ele que quase estava sentando fica em pé rapidamente e diz pra Castiel que vai la fora tomar um ar fresco. Mas na verdade ele foi vigiar o quarto 22, ou seja o quarto do Sam. Ele fica em frente a porta com um pouco de vergonha de bater, mas toma coragem e inventa uma desculpa.
– Sam! Ta ai? – diz ele batendo na porta.
– Claro que estou... o que foi? – diz Sam abrindo a porta.
Quando ele abre a porta Dean fica olhando impacientemente pra dentro e acaba vendo que a cama é sim de casal. Ele tenta disfarçar a cara de preocupado com a situação e logo consegue.
– Você tá bem? – diz Sam estranhando.
– Eu? Ótimo. Eu queria saber se a Cristy tá ocupada?
– Esta tomando banho.
– Mas já? Nossa, eu nem consegui sentar ainda.
– O que quer com ela?
– Ue, o que mais seria? Obvio que é saber da próxima profecia.
– Tem certeza Dean?
– Tenho. Porque?
– Melhor deixar isso pra amanhã. Precisamos dormir, todos nos precisamos. Foram muitas horas de viagem. Pode ser amanhã né Dean?
– Claro... mas não vão comer?
– Depois eu peço alguma coisa pelo telefone. Entregam no quarto. Faça o mesmo. Ate mais. – diz Sam fechando a porta.
– Ah...
Dean engole o que ia falar, e acaba voltando pro quarto. Enquanto ele tomava banho, Sam e Cristy já estavam comendo comida japonesa no quarto. Bem... não tinha outra comida pra pedir mesmo.
– Eu odeio comida japonesa. – diz Cristy fazendo cara de nojo.
– Ué, podíamos ter pedido pizza.
– O problema é que só descobri isso agora. – diz ela rindo de si mesma enquanto prova o molho shoyo.
– Quer comer o meu arroz? Eu como o seu sushi. – diz Sam com os típicos pauzinhos na mão.
– Onde aprendeu comer de hashi?
– Como sabe que se chama hashi? Pensei que nunca havia comido comida japonesa.
– Eu tive um namorado japonês. Mas terminamos antes que eu pudesse provar qualquer coisa. – diz ela tirando sarro de si mesma.
– Legal... dizem que japonês tem o hashi pequeno.
– Que isso? – diz ela rindo sem acreditar no que tinha ouvido.
– O que foi? É o que dizem.
– Você é engraçado...
– Olha que nem estou tentando ser...
– Você é tão diferente do seu irmão. – diz Cristy.
– Em que sentido?
– Você é tão... enfim. Desculpa, não quero que ache que estou comparando vocês dois.
– Não, tudo bem! Eu sei que somos diferentes. Eu sou mais sentimental eu acho. Ele é mais durão. Mais forte provavelmente. Acho que pra ele eu ainda sou o irmão mais novo que precisa de proteção. Sei la. Mas entendo e concordo, somos diferentes.
– Não vejo essa relação de pai e filho entre vocês. São indiscutivelmente irmãos e se tratam assim. Vivem de picuinha um com o outro. Aposto que ate saem no braço de vez enquanto.
– Na verdade não. Ele ficou assim de uns pra cá. Ele e eu não discutimos tanto assim. Não sei o que esta acontecendo com ele.
– Ah, eu não sabia...
– Tem mais uma coisa que você não sabe. Eu esqueci de dizer que o Dean veio aqui perguntar de você porque queria saber da próxima profecia. Me deu a sensação de que ele queria entrar. Mas logo eu falei pra deixar pra amanhã. Precisamos dormir, concorda?
– Então ele veio atrás de mim?
– Do diário. – diz Sam olhando rapidamente pra ela.
– Ah, isso que eu quis dizer.
– Eu já comi, agora... vou escolher meu lado da cama! Eu fico com o lado... esquerdo!
– Tudo bem Sammy, vai enfrente. – diz ela rindo.
– Você não vem? – diz Sam tirando a camisa e olhando pra Cristy com cara de cachorro sem dono.
Cristy fica olhando pro rosto de Sam durante um tempo, ela simplesmente paralisou diante da pergunta dele. Ele infelizmente esta irresistível naquele jeans surrado. Ela não quer sentir absolutamente nada por ele, mas... ele esta tão perfeito ali na sua frente. Como ela deve interpretar essa chamado? Sera que ele esta também afim dela? E se estiver? O que fazer?
– Cristy, tá me ouvindo?
– Estou. Vou dormir também. Mas... eu tenho um problema.
– Qual? – diz Sam estranhando.
– Eu... não consigo dormir sem o ar condicionado ligado.
– Ah, que susto! Achei que estava com vergonha de mim! Se é o ar, é só ligarmos.
Puta que pariu, pensou ela... afinal, porque ela teria vergonha dele? Só porque ela dormiu com o irmão dele na noite passada? Ah,não... coisa boba isso. Qualquer uma dorme com um homem por noite... só que não.
– Pronto, esta ligado! Melhor agora?
– Ta com frio não?
– Não! Eu ainda vou tirar mais roupa. Eu durmo de cueca.
– Ai, ai meu Deus... – diz la sussurrando piedade divina.
– Disse algo?
– Não... só bocejei.
– Então deita oras, vou cobrir a gente...
– Ta bom Sammy. Seja o que Deus quiser...
– Como assim? O que Deus tem que querer?
– Que eu tenha uma boa noite de sono! Ao seu lado! Dormir 8 horas seguidas!
– Eu também preciso disso! – diz Sam rindo e deitando na cama.
Cada um deita no seu canto, as horas passam e o quarto fica cada vez mais frio. Cristy não consegue dormir de jeito nenhum com aquele cheiro de homem. Ela fecha os olhos e pede a Deus que lhe dê sono. Ela acaba dormindo mesmo perturbada, mas na madrugada acaba acordando de um jeito nada esperado. Ela acorda acomodada no peito de Sam, como se tivessem dormido abraçados ou algo do tipo. Ela acorda assustada e pela voz, percebe que ele já estava acordado.
– Eu acordei um pouco antes de você e quando dei por mim estávamos assim. Juro que não fiz nada. Não sei como você veio parar aqui.
– Estamos no meio da cama. Então, não fui só eu que mudei de lugar.
– Eu não fiz nada, eu juro.
Ela consegue olhar nos olhos de Sam, e percebe que ele esta calmo, mas de repente percebe que ele esta se aproximando de seu rosto, como se fosse lhe dar um beijo. Ela o afasta bruscamente, senta na cama, calça uma pantufa e sai correndo do quarto. Sam pensa em ir atrás, mas acha melhor não. Ele não teria mesmo o que falar pra ela. Cristy que corria e olhava pra atrás ao mesmo tempo leva um susto quando bate diretamente com Dean que estava andando pelo mesmo corredor.
– Cristy?
– Ahn? Dean? O que esta fazendo aqui?
– Eu... estava sem sono. Tive uns sentimentos estranhos e resolvi vigiar o corredor. – diz Dean.
– Porque esta sem sono? – diz ela tentando desviar o foco.
– Me diz você porque esta toda descabelada andando pelo corredor.
– Eu tive um pesadelo. E...
– Fala a verdade. Aconteceu alguma coisa?
– Nada Dean!
– O que esta fazendo aqui afinal?
– Eu também estava sem sono e vim dar uma volta. Foi... isso.
– Ta bom, vou fingir que acredito.
– Mas responda... porque não conseguiu dormir?
Nesse momento Dean vê Sam saindo do quarto,provavelmente procurando Cristy, e isso da uma certa impressão estranha. Sera que aconteceu algo entre eles? Assim pensa Dean...
– Não vale a pena dizer. – diz Dean entrando de volta pro quarto.
– O que o Dean estava fazendo aqui? – diz Sam.
– Esbarrei com ele aqui.
– Porque saiu correndo daquele jeito?
– Eu não sei Sam. Não sei. – diz ela voltando pro quarto.
Dean volta pra cama, e sua cabeça se enche de pensamentos estranhos. Ele não consegue saber porque diabos sente tanto ciúmes de Cristy. Ao mesmo tempo seu orgulho te deixa cada vez numa situação pior. Ele sente cada vez mais ciúmes e cada vez fica mais difícil admitir isso.
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