Superman e Batman: Super-heróis unidos
1 Capítulo um
Notas iniciais
O Restaurante John Byrne era um dos mais estimados estabelecimentos alimentícios de Metrópolis. Naquela manhã de quarta-feira, pouco antes do meio-dia, metade das mesas do estabelecimento estavam vazias enquanto a outra metade do restaurante se enchia aos poucos. Clark Kent estava no meio da área esvaziada, como se algum bilionário tivesse reservado essa área para uma conversa particular. Clark aguardava Bruce Wayne para uma entrevista que traria declarações importantes sobre as intenções das Indústrias Wayne de se instalar em Metrópolis. Pelo menos essa era a desculpa oficial.
A desculpa oficiosa era que o Batman foi visto na noite passada perambulando pelos edifícios de Metrópolis. Clark já estava acostumado com visitas inesperadas do Homem-Morcego, mas gostaria de saber o que o trazia até a Cidade do Amanhã. Precisava ser uma coisa séria para deixar Gotham City desprotegida por uma ou duas noites.
E lá estava ele, pomposo em seu terno chique, provavelmente italiano, fedendo a perfume igualmente chique de algum país da Europa (França, possivelmente). Bruce Wayne costumava andar com muitas modelos e socialites, mas para o restaurante mais chique de Metrópolis limitou-se a si mesmo, o que era o bastante para o dia.
Clark, que vestiu seu melhor terno para a ocasião, e mesmo assim não se comparava ao terno do bilionário, levantou-se e cumprimentou Bruce Wayne.
— Não sei o que é mais surpreendente: Bruce Wayne em Metrópolis ou ter partido de ti a ideia de vir falar comigo — falou Clark num tom leve, apertando a mão de Bruce.
— Também me fiz essa mesma pergunta — respondeu Bruce, mantendo o tom leve. — Já pediu alguma coisa?
— Não pedi, não estou acostumado com os preços deste lugar.
— Salário de jornalista, né? — zombou Bruce com um meio sorriso na cara. — Pode escolher o que quiser, é por minha conta.
— Certo. Enquanto esperamos… — Clark puxou algo do bolso, um tipo de gravador analógico. Também pegou caneta e um bloco de anotações. — Antiquado, eu sei. Mas é como eu trabalho.
— Ah, primeiro a entrevista, então?
O garçom se aproximou da mesa e ambos fizeram o pedido. A entrevista durou cerca de 20 minutos. Bruce tinha muito a falar sobre os planos da empresa para a integração em Metrópolis, alguns que poderiam ser empolgantes para a população da cidade e para os acionistas do Wayne. Clark se perguntou se houve algum ensaio prévio.
— Uau — disse Clark após a última declaração. — Agora estou mesmo impressionado, desta vez por ter me convidado ao invés da Lois.
Bruce tomou a iniciativa de desligar o gravador e falou:
— Lois não sabe de nosso segredo mútuo.
— Claro. Vamos ao que interessa: o que te traz a Metrópolis? De verdade.
O semblante de Bruce ficou mais sério. Nessa hora, Clark sentiu o cheiro do camarão queimando na cozinha.
— Você deve ter ouvido os rumores sobre a Intergangue contrabandeando kryptonita — comentou Bruce.
— Sim. Tentei rastreá-los, mas a tecnologia deles tem sido um empecilho para mim.
— Pois é. Essa kryptonita será leiloada hoje à noite em Metrópolis e isso atraiu a atenção de alguns nomes conhecidos de Gotham. Pinguim, Coringa, Bane são apenas alguns dos interessados.
— Então veio porque seus vilões estão em Metrópolis — afirmou Clark.
— Sim. Junte isso a nomes como Parasita, Metallo e Caveira Atômica…
— E temos a maior reunião de super-vilões em muito tempo.
— Exato.
— E qual é o seu plano?
— Vamos nos infiltrar, descobrir quem está organizando esse leilão e impedir que a kryptonita caia em mãos erradas.
Bruce se inclinou sobre a mesa, os olhos semicerrados, como se já estivesse na Batcaverna planejando cada detalhe. Clark, por sua vez, cruzou os braços, tentando ignorar o cheiro de camarão queimado que ainda pairava no ar — uma distração que só seu olfato sobre-humano captava.
— Não sei se Clark Kent e Bruce Wayne juntos num leilão de bandidos vai ser convincente — disse Clark, ajeitando os óculos.
— Não seremos Clark Kent e Bruce Wayne, nem Superman e Batman. — Bruce tirou duas folhas de papel do bolso e as arrastou para o jornalista. Clark ergueu a sobrancelha, impressionado com o que via.
— Dante Blackwood e Grimm?
Bruce não respondeu, esperou que Clark continuasse a leitura dos perfis. Dante Blackwood é um aristocrata italiano instalado em Bludhaven. Muito rico, tem uma incrível habilidade de persuasão, também é muito hábil com facas e é bom em apostas e jogos de azar. Já Grimm é um brutamontes silencioso, com destemperos pontuais e uma força sobrehumana invejável, capaz de rivalizar com Caçador de Marte e Esmaga-Átomo.
Clark ajeitou os óculos e sorriu amigavelmente. Bruce, meio cínico, sorriu também e deu de ombros enquanto recolhia os papéis.
— Seremos super-vilões — disse Clark.
— Sim.
— Eu vou ser um super-vilão — Clark enfatizou
— Sim. Você atua muito bem na transição entre Clark e Kal-El, portanto aposto que vai se sair bem como Grimm.
— Só tenho uma pergunta: Seja lá quem estiver organizando esse leilão, tenho certeza de que não está distribuindo ingressos para qualquer um. Como vamos entrar?
Bruce, como se tirasse uma carta da manga, pousou dois cartões sobre a mesa, ambos com códigos de barra no verso do plástico. Mais uma vez Bruce soltou um sorriso cínico.
— Peguei de um dos convidados em Gotham e alterei no Batcomputador para corresponder aos perfis de Blackwood e Grimm.
— Sempre muito preparado — comentou Clark, divertindo-se com a revelação. — Local?
— Se fosse Gotham, eu diria que aconteceria num lugar subterrâneo perto das docas, com muita vigilância armada. Mas aparentemente a bandidagem de Metrópolis parece gostar de um holofote, então será hoje à noite na cobertura do edifício Solaris, no centro. Alfred vai passar no seu apartamento quando for a hora.
— Mais alguma coisa?
O garçom chegou com as refeições pedidas: filé mignon ao molho madeira com batatas fritas para Bruce Wayne, salada Caesar para Clark, o máximo que seu salário de jornalista poderia pagar (mesmo com a cortesia de Bruce). Clark e Bruce agradeceram o garçom após pedirem uma bebida e, por fim, Bruce Wayne deu uma última declaração:
— Aproveite o almoço.
Os dois heróis almoçaram em silêncio, mas trocaram olhares de cumplicidade. Não seria uma parceria inédita, mas as circunstâncias apresentavam um frescor de novidade que agradava tanto ao Clark quanto ao Bruce.
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