Superman e Batman: Super-heróis unidos
2 Capítulo dois
Notas iniciais
Clark Kent gostava do som suave das múltiplas teclas que sua superaudição captava pela redação do Planeta Diário. Cat Grant pressionava muito a tecla de apagar, insatisfeita com sua análise sobre a Metrópolis Fashion Week. Já Steve Lombard pressionava muitas vírgulas depois de escrever o nome de um sujeito na sua coluna esportiva. O âncora do Planeta Diário TV, Snapper Carr, se fazia presente na redação esbanjando simpatia enquanto também falava com alguém pelo celular. Perry White falava ao telefone com a esposa, uma conversa bastante calma.
Por mais que o som das teclas, as conversas paralelas, os toques de celular e a gritaria do Perry White fossem maioria na redação, alguém sempre era capaz de emudecer todos os sons e direcionar a superaudição para si: Lois Lane.
Bastava Clark ouvir seus batimentos cardíacos que todos os ruídos vizinhos se desligavam. Lois Lane estava no centro da redação do Planeta Diário, seus passos confiantes se dirigiam à mesa de Clark Kent, o perfume com cheiro de morango impregnava seu corpo esbelto. Ele já sabia o que o esperava.
— Então, como foi o almoço com Bruce Wayne? — perguntou Lois, o ressentimento reverberando de leve em sua voz.
— Foi bom. Comida boa, mas chique e cara.
— Ainda não entendo por que ele convidou você ao invés de mim.
— Ciúmes, Lois? — Clark liberou um sorriso divertido.
— Claro que estou. Adoro quando um bilionário me convida para almoçar e paga a conta.
— Na verdade, nós dividimos a conta — revelou Clark.
— Jura? Está esbanjando tanto dinheiro assim, Smallville? — Lois brincou. Clark deu de ombros, ainda sorrindo.
— Da próxima vez eu convido você para me acompanhar. Profissionalmente — completou Clark depressa.
— Aham. — Lois pousou o cotovelo por cima do ombro de Clark e leu as primeiras linhas da entrevista. — Hum.
— O que foi?
— Ler sua entrevista está quase me convencendo que foi uma boa ideia não ter ido ao almoço — resmungou num tom entediado. — Sempre imaginei Bruce Wayne como um cara que não se intromete nos negócios da empresa, apenas financia, mas por essas respostas ele parece entender do assunto.
— Bruce esconde mais do que aparenta.
— Que engraçado. Acho que vale o mesmo pra você, Clark.
A porta da sala de Perry White foi aberta e o editor-chefe do jornal foi até a mesa de Clark.
— Ei, ei. Acabou a pausa para conversar. Kent, quero essa entrevista com Bruce Wayne pra ontem! Lois, na minha sala agora!
Lois fez uma careta enquanto Clark apenas ergueu as sobrancelhas. Com um tapinha no ombro, a jornalista investigativa Lois Lane se dirigiu à sala do senhor White. Já a superaudição de Clark ouviu um grito de socorro vindo a alguns quilômetros a oeste, talvez no centro da cidade.
Deu uma rápida lida no monitor, revisando a ortografia de seu texto, salvou e mandou para Perry White por e-mail. Levantou-se depressa e seguiu para o elevador, de onde tirou a gravata e os óculos assim que a porta se fechou.
…
Metrópolis era um contraste claro e colorido em relação a Gotham. Letreiros de empresas como a LexCorp, o Star Labs, Palmer Tech e até a Queen Enterprises brilhavam em outdoors espalhados pelas ruas. Empresas de tecnologia existiam aos montes pela Cidade do Amanhã, e a Wayne Tech, uma filial das Indústrias Wayne, seria a próxima na fila.
Bruce Wayne refletia sobre o trânsito de Metrópolis. Acostumado com as ruas vazias, porém violentas na Gotham noturna, não havia comparação com o caos urbano em forma de engarrafamento que encarava no momento. Olhando através da janela de sua limusine, acabou testemunhando um rapaz pichando um mural em homenagem ao Superman. Não pôde deixar de sorrir da situação. Depois de tudo o que o kryptoniano fez por Metrópolis, ainda existem ingratos que desrespeitam sua imagem.
Parou para pensar em Gotham e no símbolo do Batman. Ninguém teria coragem de pichar um mural do Batman, mas será que o Batman teria um mural para ser pichado? Seu método era diferente do de Clark: um homem do céu que ajuda todos e os inspira contra um homem das sombras que usa o medo como arma. As pessoas respeitam o Superman, mas também temem o Batman. Então, Bruce estava se perguntando: O medo era necessário em Gotham? Como poderia ajudar a ser inspirador ao invés de amedrontador?
“Que besteira. Olha o que você fez comigo, Clark”, resmungou mentalmente o bilionário, voltando sua atenção para o tablet no colo. As plantas do Edifício Solaris estavam disponíveis para ele. O leilão seria na cobertura, mas conhecer o ambiente era fundamental para um eventual plano de fuga. Também tinha que estar preparado para armadilhas contra o Superman — num evento dessa magnitude, se o anfitrião misterioso não estivesse preparado para a vinda do Superman, então ele não conhecia direito o super-herói de Metrópolis.
Bruce já lidou com a Intergangue uma vez, sabe que usam tecnologia avançada demais até mesmo para os padrões existentes no Star Labs, por exemplo. Seja lá quem for o anfitrião, ele estará preparado para o Superman. Mas e para o Batman? Não pode eliminar essa possibilidade, deveria pensar em algo para driblar qualquer chance de anular o Homem-Morcego.
— Patrão Bruce, acho que vai querer ver isso — disse Alfred num tom calmo que escondia a frustração por conta do trânsito.
Bruce olhou para fora. Pedestres apontavam seus celulares para o céu, em direção a um canteiro de obras. Um homem estava pendurado numa plataforma de metal suspensa por quatro cabos de aço na lateral de um prédio. Entretanto, as cordas não iriam aguentar por muito mais tempo e o engarrafamento impedia a vinda dos bombeiros.
— Ele vai vir, mamãe? — perguntou uma criança curiosa.
— Vai sim, filho. Ele sempre vem — respondeu a mãe com esperança.
A população se agitou quando a terceira, das quatro cordas que seguravam a plataforma, foi rompida. O grito por socorro ficou mais alto. Bruce abriu a porta da limusine, tão agitado quanto as pessoas. Ele tinha um bat-gancho e uma máscara, dava tempo de correr até o canteiro de obras, procurar uma boa posição para atirar o gancho e…
— Ali, mamãe! Ali! — gritou a criança, apontando para o céu.
Mais uma vez a população se agitou, desta vez com gritos de euforia. Um vulto azul de capa vermelha pegou o homem da plataforma e ambos — o homem e o super-homem — pousaram em segurança na calçada. Aplausos e grito de ovação foram ouvidos, mas o Superman não baixou a guarda. A última corda estava se rompendo e ainda havia pessoas próximas. Com seu voo veloz, o Homem de Aço segurou a plataforma e a levou ao chão do canteiro de obras. Mais gritos de alegria e de alívio. Bruce sorriu e voltou para dentro do carro.
— Tudo sob controle, Alfred.
— Graças a Deus, patrão.
— É. E ao Superman.
Bruce olhou para a janela, vendo o Homem de aço cumprimentar as pessoas com apertos de mão e abraços, depois erguendo voo e voltando para o Planeta Diário. Ou para salvar outras vidas.
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