Superman e Batman: Super-heróis unidos
4 Capítulo quatro
Notas iniciais
O leilão prosseguia com calma. Nenhum lance pelas armas havia passado da barreira de meio milhão de dólares, o interesse de todos os convidados recaía sobre o pacote surpresa anunciado por Mongul. Um capanga da Intergangue liderava o leilão e não parecia muito à vontade na função.
— O próximo lote é…
Clark observou como Bruce parecia pensativo em sua cadeira. O kryptoniano especulava o que se passava dentro da cabeça de Bruce, imaginando que poderia ser o mesmo que se passava em sua própria mente: todas essas armas perigosas precisavam ficar longe das ruas. Se em Metrópolis elas já causariam muita confusão, mesmo com Superman sendo resistente a elas, não conseguia imaginar como seria em Gotham. O Batman não tinha a mesma resistência que o Superman. Ninguém naquele leilão poderia sair com seus ‘prêmios’.
E quanto ao envelope misterioso, Clark conseguiu espiar com sua visão de raio-x e confirmou que se trata de seus nomes reais: Clark Kent e Bruce Wayne. Precisavam evitar que aquele envelope cairia em mãos erradas, talvez mais do que a kryptonita à venda.
— 250 mil dólares — disse Curto Circuito para um canhão eletrificador.
— Tenho 250 mil dólares da Curto Circuito. Alguém vai cobrir? Dou-lhe uma. Dou-lhe duas. — O mestre de cerimônias bateu o martelo: — Canhão eletrificador vendido para a Curto Circuito. O próximo lote é…
Clark olhou com receio para a Curto Circuito. Ela já era perigosa sem um canhão eletrificador. Bruce se levantou da mesa e ajeitou seu terno enquanto seguia para os fundos da sala.
— Grimm, vem comigo.
Grimm obedeceu sem hesitar, a bota provocando passos pesados e barulhentos. Ouviu o Coringa contando alguma piada sobre Grimm ser como um cachorrinho para Blackwood, mas Clark ignorou o comentário. Estavam num canto isolado do leilão, Dante fingiu falar ao telefone.
— Admito que não esperava por isso — disse Bruce, mantendo a serenidade na voz.
— O plano mudou?
— Não. Vamos manter os disfarces. Blackwood tem dinheiro suficiente para vencer os dois leilões — garantiu Bruce, confiante.
— Espero que sim.
Dante fingiu encerrar a ligação e retornou para a mesa. Grimm o acompanhou. O próximo lote, o de uma arma de energia cinética, foi vendida para o Crocodilo por 260 mil dólares. Os lances ainda estavam baixos.
Clark procurou por Mongul, ele estava num trono voador na parte sul do prédio, longe da varanda e dos clientes do leilão. Apesar do sorriso no rosto, seus olhos vermelhos denunciavam sua paciência. Um homem acostumado a ver os outros digladiando pela vida certamente estaria entediado dentro de um leilão com gente de classe inferior — a mesma classe de combatentes no Planeta-Arena.
O próximo lote apareceu. Era uma caixa revestida de chumbo. Não precisava ser um gênio para identificar o que era. Os criminosos ao redor salivavam pelo conteúdo interno, o maior poder para derrotar o maior super-herói da Terra.
— Vamos iniciar a venda da kryptonita. Começamos com…
— 500 mil dólares! HAHAHAHA! — sugeriu o Coringa antes que o leiloeiro sugerisse um lance inicial.
— 520 mil dólares — disse Pinguim. — Essa pedra será minha, oh palhaço!
— 656 mil dólares — falou Metallo. — Preciso mais dela do que qualquer um de vocês.
— 665 mil! — O lance veio de outra mesa, dado pelo Killer Croc.
— Número perigoso, jacarézão! HAHAHAHAHA! — Zombou o Coringa. — 665 mil, 999 dólares e 99 centavos. AHAHAHAHA!
— 700 mil dólares — anunciou a Curto Circuito, surpreendendo a todos os presentes. Os olhares se voltaram para a mesa do Coringa.
— Eu passo. Só queria ver o caos. OHOHOHO! — Admitiu o Príncipe Palhaço do Crime.
— Temos 700 mil dólares. Dou-lhe uma. Dou-lhe duas.
Dante Blackwood levantou sua placa antes da batida do martelo.
— 1 bilhão de dólares.
Bruce sorriu por baixo da barbicha falsa. Estava acostumado a brincar em leilões e a surpreender o público pagante. No entanto, o surpreendido foi o próprio Wayne. Ao invés de suspiros de surpresa, os vilões em sua mesa o olhavam com desconfiança e raiva — com exceção do Coringa, que começou a gargalhar histericamente.
— Temos um bilhão de dólares — disse o mestre de cerimônias, este legitimamente surpreso com o lance tão alto. — Dou-lhe uma. Dou-lhe duas.
— Retire a oferta, seu idiota! — Ordenou Metallo, irritado.
— Vendido ao senhor Blackwood — anunciou o cerimonialista, batendo o martelo.
— Qual é o problema, senhor Corben?
— Você inflacionou o leilão! Agora nenhum de nós vai poder comprar o envelope.
— E quem disse que isso é problema meu? — retrucou Blackwood.
Metallo, num acesso de fúria, levou o punho direito na direção de Dante, porém Grimm interceptou a tempo e segurou o punho com peso de metal de John Corben. Evitando usar a maior parte de sua força kryptoniana, Grimm apenas empurrou o punho de volta, sem amassá-lo ou algo do tipo.
— Não tentaria isso de novo, Corben — alertou Blackwood, tomando um gole de champanhe. — E ele está se segurando.
— Senhores, comportem-se — pediu um segurança. Os drones já estavam apontados para a mesa da confusão, apenas esperando o comando para atirar.
Grimm bufou de raiva e voltou à sua posição ao lado de Dante Blackwood. Metallo, frustrado com toda a situação, marchou para longe da mesa. Dante sorriu por baixo da barbicha. Já Grimm olhou para Mongul, percebeu que o ditador do Planeta-Arena curvou-se um pouco para frente à espera de um confronto físico mais longo e brutal, porém voltou a recostar-se no trono. A decepção brilhando sobre sua face amarela.
Com a situação controlada, o cerimonialista continuou o leilão. Como previsto pelo Metallo, o próximo lote de armas teve como lances iniciais a casa do bilhão, preço que poucos ou nenhum dos clientes tinha a oferecer. Depois da terceira arma sem venda, veio o envelope.
— Devido ao fracasso nos últimos lotes, vamos começar com um valor baixo.
— Dez mil dólares! — Ofereceu o Coringa.
— Na verdade, eu pensei em…
— Onze mil — ofereceu o Pinguim.
— Trinta mil — disse a Hera Venenosa.
Os lances continuavam abaixo de 100 mil dólares, uma verdadeira competição havia se iniciado. John Corben, o Metallo assistia de longe, ainda furioso por ter perdido a kryptonita. Um membro da Intergangue se aproximou dele.
— O senhor Mongul solicita sua presença.
Metallo olhou desconfiado para o funcionário, mas não hesitou em segui-lo. Subiu as escadas e chegou à ‘sala do trono’ onde Mongul assistia ao leilão. O ditador amarelo levantou-se da cadeira.
— John Corben, certo?
— Sim. O que você quer?
— Eu gostei do que vi. A sua raiva por ter perdido a kryptonita. Ela é tão importante assim?
— Sim. Só estou vivo porque é minha fonte de energia. — Corben abriu seu peito, o brilho irradiava em verde. Mongul sorriu.
— Sabe, desde que eu cheguei a este prédio, eu sinto que as coisas estão muito calmas. Pedi para alguns informantes ficarem nas ruas para o caso de o Superman aparecer salvando um gatinho da árvore ou ajudar uma velha a atravessar a rua. Até agora, nenhum sinal do Homem de Aço.
— E daí? Ele não fica sempre em Metrópolis.
— Pensei nisso, mas ainda me incomoda que ele não tenha vindo atrás de mim. Eu e ele temos um passado mal resolvido.
— É mesmo? Entra na fila. — Metallo apontou para ele e depois para os convidados.
Mongul riu. Ele olhou para os vilões, alguém havia feito um lance de 500 mil dólares.
— Um leilão de kryptonita acontecendo bem debaixo do nariz dele e ele não está em Metrópolis? Não estou convencido. Eu acho que ele está entre nós, ou melhor, eu acho que ele está entre vocês.
— E onde eu me incluo nisso?
— Descubra quem é e eu cubro aquela proposta, deixando a kryptonita para você.
— Fechado — Metallo sorriu, oferecendo a mão para Mongul. O ditador, no entanto, se recusou a apertá-la.
— Ótimo. Você tem um trabalho a fazer.
A cara de Corben se fechou com aquela atitude. Foi conduzido de volta para a área do leilão. Era hora de desmascarar o Superman.
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