Notas iniciais
Boa leitura! =)

— Um bilhão de dólares! — ofereceu Dante Blackwood, erguendo sua plaquinha.

Assim como da outra vez, os vilões lamentaram a oferta. Sem a presença do Metallo, coube a Bane o trabalho de intimidar Dante Blackwood.

— Tá estragando o leilão, cabrón!

Grimm se posicionou entre Bane e Bruce. O ex-prisioneiro de Santa Prisca segurou Grimm pelo braço, mas Grimm o afastou com um empurrão mais forte do que o esperado.

— É um leilão, não estou fazendo nada de errado. Leva quem pagar mais — explicou-se Dante Blackwood, sem se abalar com os olhares assassinos e as intimidações de Bane.

— Hum! — grunhiu Grimm.

— Exato. Agora, se não se importam, cavalheiros, vou pegar minhas recompensas.

— Calma aí, Blackwood.

Metallo reapareceu no centro do leilão, seu rosto metálico não expressava emoções, mas a voz era agressiva.

— Senhor Corben. Veio para um confronto de verdade contra o Grimm?

— Sabe, é engraçado como você é o único com dinheiro suficiente para pagar tanto pela kryptonita quanto pelo envelope, os dois itens de maior interesse coletivo. Mas não fez oferta por nenhuma arma.

— Armas alienígenas não me interessam. Os nomes reais de Batman e Superman e a kryptonita, por outro lado, são bem mais interessantes. — Dante Blackwood pôs as mãos atrás do corpo e elevou a postura. Era um sinal para Grimm se preparar para a confusão que viria. — Além disso, digamos que meu super-poder é ter muito dinheiro.

— É? Pois o meu super-poder é exterminar o Superman!

Ao mesmo tempo em que Metallo abriu o peito, Blackwood pressionou o botão no relógio. Um apagão ocorreu como consequência, a lua e as chamas radioativas do Caveira Atômica eram as únicas iluminações na cobertura do Edifício Solaris. Os drones começaram a cair sobre os convidados, alguns deles resistindo e outros perecendo. Quando o gerador foi ligado e as luzes retornaram, Dante Blackwood e Grimm haviam desaparecido.

— Ora, ora. Será que só eu estou sentindo o cheiro de morcego? HOHOHOAHAHAHA! — supôs o Coringa.

Houve uma pequena discussão entre os vilões presentes, alguns teorizando qual dos dois era Batman e qual era o Superman. Todos ficaram quietos quando o trono flutuante de Mongul desceu até o solo da cobertura. O ditador amarelo ficou de pé, ele era bem mais alto e mais robusto pessoalmente.

— Damas e cavalheiros, como veem, tivemos um imprevisto com ratos entre nós. Portanto, tenho uma oferta tentadora a todos vocês: Quem me trouxer os dois intrusos pode levar qualquer item do leilão, e isso inclui o envelope com as identidades de Batman e Superman.

Um alvoroço tomou conta dos criminosos. Vários subgrupos se juntaram nos elevadores, cada um escolhendo um andar para procurar. A caçada havia começado.

Enquanto isso, Bruce Wayne chutou as grades do duto de ventilação e desceu num corredor escuro. Clark veio logo atrás, estava satisfeito por Batman ter bolado um plano de fuga. “Ele tem sempre um plano”, pensou Clark.

— Eles não estão muito longe — comentou Clark, usando sua superaudição para ouvir as vozes e os passos dos inimigos.

— Não tem problema, já chegamos.

A sala do zelador era apertada. Bruce entrou e tirou duas mochilas grandes. Entregou uma ao parceiro kryptoniano. Num giro, Clark/Grimm deu lugar ao Superman.

— Chega de botas barulhentas — comentou Clark.

Bruce Wayne não tinha o mesmo luxo da supervelocidade, mas não demorou a trocar o visual de Blackwood pelas vestes do Homem-Morcego. Prendeu o cinto de utilidades por último.

— Tem alguém vindo. Acho que é a Hera Venenosa — alertou o Homem de Aço.

Hera Venenosa desfilava pelo corredor, plantas brotavam ao redor e cresciam em velocidade pouco natural. Em questão de segundos a parede do corredor ficou tomada pelo verde. Era acompanhada por Crocodilo, Magpie e Curto Circuito.

— Apareça, Blackwood.

— Eu sinto o cheiro do Batman — disse Waylon Jones.

— Não pensou em sentir esse cheiro quando estavam todos reunidos no leilão? — criticou Magpie sem esconder seu sotaque francês.

— Isso pouco importa agora — declarou Hera. — O Batman merece morrer.

— E o Superman? — perguntou a Curto Circuito, raivosa.

— Ele é todo seu, querida.

A vilã elétrica sorriu. Mas o sorriso durou pouco, pois quatro pares de bolinhas de gude deslizaram pelo corredor. Magpie foi a primeira a notá-las, mas lenta demais ao gritar cuidado. Rapidamente a área foi dominada por uma fumaça preta que tirou toda a visibilidade da área. Ao mesmo tempo, como um avião, Superman surgiu e agarrou Killer Croc, levando o brutamontes de aparência reptiliana ao chão e o desacordado no primeiro soco.

A aparição do Homem de Aço dissipou parcialmente a fumaça, permitindo que Leslie Willis, a Curto Circuito, pudesse encontrá-lo. A vilã eletrificou o punho e os olhos, pronta para disparar uma rajada de energia contra o kryptoniano. No entanto, uma joelhada por trás a desestabilizou, direcionando a eletricidade para a pessoa mais próxima — Magpie foi o alvo, desmaiando de imediato. Por fim, Batman aplicou morfina sintética em Curto Circuito, não demorando a cair no sono.

Duas pequenas plantas carnívoras brotaram do chão. Batman pegou dois batarangues e os arremessou no caule das pequenas atacantes, mas as cabeças esfomeadas se arrastavam até o herói. Com duas pisadas, Batman as esmagou. Da parede, dois tentáculos de planta surgiram agarrando as pernas do Homem-Morcego. Batman tentou resistir, mas foi puxado até a parede. Mais tentáculos surgiram até prendê-lo, sem chance de liberdade. Plantas se abriram na parede, revelando o esconderijo de Hera Venenosa.

— Você deixou muitas pessoas bravas hoje, Batman — Hera dizia de um jeito calmo e seduzente, aproximando-se lentamente da boca do Homem-Morcego. Batman não tentava resistir, o que deixou a vilã confusa. — Está esperando algo?

— Sim. Vai demorar?

O Cavaleiro das Trevas virou o rosto e Pamela Isley o seguiu, um super-sopro congelante veio da direção oposta. Todo o verde que dominava o corredor, inclusive a própria Hera Venenosa, se tornou branco num piscar de olhos. Quando Bruce olhou de volta, a vilã estava congelada.

— Desculpa — disse Clark, carregando os corpos desacordados de Curto Circuito, Magpie e Killer Croc. — Tive uma breve luta contra uns capangas da Intergangue. — Clark os deixou gentilmente no chão, em seguida arrancou as raízes que prendiam o amigo. — Com certeza mais deles nos esperam nos próximos andares.

— Abra caminho — ordenou o Batman, apontando para cima enquanto puxava seu Bat-gancho.

Superman assentiu, impulsionou o corpo para baixo e levantou voo, literalmente abrindo caminho nos andares de cima. Alguns capangas que estavam no caminho foram atingidos, outros escaparam ilesos. Batman atirou o gancho e foi logo atrás.

Quase chegando ao último andar, Superman sentiu sua capa sendo puxada inesperadamente, interrompendo sua velocidade, logo em seguida foi arremessado para o chão.

— Superhombre. Hora de morir — ameaçou Bane, o Veneno correndo pelas veias de seu corpo, tornando o brutamontes mais alto do que o Superman.

A superaudição de Clark também o alertou de passos vindo de trás. O Homem de Aço conseguiu escapar do agarrão do Parasita. Ao mesmo tempo, o Batman chegava pelo buraco no chão arremessando quatro batarangues, dois para cada vilão. Os quatro objetos cortantes foram incinerados no ar pelo fogo radioativo do Caveira Atômica. Por fim, um último integrante se juntava ao grupo de super-vilões. O barulho da ponta do guarda-chuva, usada como bengala, era inconfundível.

— Eu deveria ter imaginado que o velho Dante e o Batman estavam ligados. Você me enganou pela última vez, Morcego! — ameaçou Cobblepot, movendo o guarda-chuva com força para a diagonal. A ponta se desprendeu, revelando uma lâmina tão afiada que brilhava sob a luz da lâmpada. — Peguem eles, rapazes. Mas deixem um pouco do Morcego para mim.

Bane foi o primeiro a atacar, correndo com os braços abertos para agarrar e esmagar os ossos do Batman. Superman se pôs à frente do inimigo e desferiu socos com força suficiente para causar traumatismo num humano comum, porém Bane resistiu, como se fosse uma leve dor de cabeça, e revidou com socos na mesma intensidade. O Caveira Atômica disparou fogo de suas mãos, atingindo as costas do Homem de Aço.

O Homem de Aço ficou ajoelhado, mas socou o chão com tanta força que ele cedeu. Todos, com exceção do Pinguim, que assistia à briga ao longe, caíram. O Pinguim gargalhou como se ele fosse o vencedor da briga, mas ao se virar, deparou-se com o Homem-Morcego cuja capa cobria todo o corpo. No susto, Pinguim levou a ponta laminada na direção do Batman, que desviou sem dificuldades e socou o nariz pontudo de Cobblepot.

— Ai! Beu daris. Que desdecezário!

Cobblepot tentou correr para longe, mas tropeçou nos próprios pés e caiu de cara no chão. Batman o amarrou com uma corda.

Bane continuava sendo uma pedra no sapato do Superman. Caveira Atômica e Parasita aguardavam sua vez de atacar o Protetor de Metrópolis. Superman testava os limites da resistência de Bane com socos cada vez mais fortes, mas testava a si mesmo ao aguentar os socos potentes do vilão bombado. Parasita, cansado de esperar, correu em direção ao Homem de Aço tentando agarrá-lo. Superman virou-se a tempo e esquivou, assim o Parasita acabou agarrando Bane.

Bane desmaiou após o contato, mas Parasita se sentia mais poderoso. No entanto, um batarangue voou em sua direção e explodiu em seus olhos, o deixando cego. Superman aproveitou a oportunidade e socou o Parasita, numa força com a medida certa para um nocaute.

Caveira Atômica era o último vilão de pé, mas depois de testemunhar Bane e Parasita sendo derrotados, preferiu erguer os dois braços em rendição.

— Tá bom. Prefiro cumprir uma pena mais branda do que um soco na cara.

— Escolha inteligente — elogiou o Homem de Aço, sorrindo.

Batman amarrou o corpo do Caveira Atômica contra um pilar.

— Se tentar sair daqui, o pilar cede e você e seus amigos serão soterrados.

Depois de um aceno com a cabeça, Superman levantou voo e terminou de destruir o caminho até chegar à cobertura. Batman foi atrás, movido por seu bat-gancho.

Os drones estavam todos desativados no chão, não haviam se recuperado da onda de pulso eletromagnético. O trono de Mongul ainda era visível, mas dois adversários se faziam presente no meio do caminho: Bizarro flutuava com sua cara deformada, o rosto em felicidade, mas que em sua língua bizarra poderia significar que ele estava furioso. Ao seu lado, Solomon Grundy, o outro morto-vivo da festa, olhando com uma expressão indiferente para a dupla de super-heróis.

— Superman! Batman! — gritou Bizarro. — Bizarro não vai atacar vocês!

Graças aos anos de experiência, Batman e Superman sabiam como conversar com Bizarro e como convencê-lo a não lutar.

— Bizarro, você precisa lutar conosco — disse o Superman, espalmando as mãos em sinal de trégua. — Bizarro não pode ir.

— Não pode?

— Não — respondeu o Superman, mantendo a mesma serenidade na voz. — Superman e Batman querem brigar com Bizarro. Bizarro não pode ir.

— Então Bizarro não vai embora. Bizarro não agradece. — Bizarro alçou voo para longe.

Grundy olhou para cima com uma cara inexpressiva, mas o ato de coçar o cabelo grisalho denotava sua confusão.

— Grundy não entendeu.

Superman e Batman se entreolharam. Era um sinal para o Batman resolver com o Grundy.

— Solomon, você pode ir também. Não é quem queremos enfrentar.

— Grundy não pode ir. Grundy precisa lutar porque o homem amarelo prometeu a Grundy que Grundy seria recompensado com dinheiro.

— Quanto ele te prometeu?

— O homem amarelo prometeu mil dólares a Grundy.

— Eu dobro o preço.

— Dobrar o preço? Então isso dá… — Grundy começou a contar nos dedos quanto era o dobro de mil, coçando o cabelo algumas vezes e recomeçando a contagem por ter se perdido.

— Dois mil dólares — respondeu o Superman.

— Dois mil dólares pro Grundy? Grundy aceita.

Grundy virou as costas e saltou tão alto que criou um buraco na cobertura do edifício Solaris. Batman e Superman olharam para o trono voador de Mongul, mas perceberam que o ditador alienígena não estava sozinho. Coringa e Metallo faziam companhia ao grande vilão da noite.

Notas finais
Espero que tenham gostado! =)