Superando o passado
30 Capítulo novo
Notas iniciais
Abro os olhos e tudo ainda está escuro, estico meu braço e alcanço o celular na lateral da cama, aperto o botão e por um segundo o brilho do celular me cega, mas quando vejo que ainda são 2 da manhã solto o ar derrotada, eu insisti o quanto pude mas já está claro que não vou conseguir dormir, então com todo cuidado eu empurro o lençol pra baixo e escorrego da cama, como ainda está escuro tudo que vejo é a sombra escura do Rafa ocupando um pouco mais da metade da cama, libero um sorriso e saio na ponta dos pés, fecho a porta com o máximo de cuidado e vou pra sala, ando até a cozinha, abro a geladeira e fico apenas olhando, sem procurar por nada específico até que o frio me faz fechar a porta, volto pra sala e me jogo no sofá, destravo meu celular e vou pra galeria, um sorriso escorrega naturalmente nos meus lábios quando vejo a primeira foto, Rafa está fazendo uma cara sensual ridícula, ele cismou que eu tinha que colocar essa foto como plano de fundo do meu celular, mas consegui enrolar ele e não colocar, porém, agora olhando pra ela, acho até a ideia boa, com certeza olhar pra ela toda vez que destravasse meu celular iria melhorar meu humor, eu continuo passando as fotos e vejo uma dele com a minha mãe, os dois posando na frente do espelho e então meu sorriso diminui um pouco quando me lembro da mãe dele e dessa visita inesperada, eu sei que ele disse que não acredita nela e também sei que o Vinny disse que ele precisa passar por seja lá o que isso for, mas eu não consigo, não consigo deixar de sentir essa sensação como se algo muito ruim fosse acontecer com ele e consigo menos ainda deixar de me preocupar, por que eu apenas não quero que ele se machuque e de alguma forma eu tenho certeza que isso vai acontecer, eu só espero que pelo menos dessa vez eu esteja errada. Meu celular vibra e eu quase o deixo cair com o susto, quando olho é uma mensagem da Lia.
Lia: Acordada?
Eu: Quase me matou de susto! :o
Lia: Tá devendo, é?
Eu: Pq tá acordada essa hora?
Lia: Posso te perguntar o mesmo.
Eu: Mas eu perguntei primeiro, daaaaan
Lia: Essa praga desse cachorro da vizinha que não para de latir, eu juro que vou amarrar a boa dele qualquer dia...
Eu: kkkkk tadinho
Lia: De mim! E vc? Pq tá acordada?
Eu: Vc sabe o pq!
Lia: Vc tem que aprender a deixar rolar, não dá pra controlar td. Ele vai ficar bem
Eu: Eu sei. É só que... Ah sei lá
Lia: tive uma ideia!
Eu: MEDO
Lia: HÁ HÁ HÁ ! Vc podia vim pra cá e a gente passava o dia juntas, o Bruno vai pra casa dos pais dele e depois pra um futebol de familia... Então seremos só nós e nosso dia da purpurina...
Eu acabo rindo, é assim que ele sempre se referiu aos nossos dias juntas, e quer saber? Acho que é disso que estou precisando mesmo, por isso logo me apresso em responder.
Eu: Chego aí as 9!
Depois de combinar com ela, eu decido voltar pro quarto, por que eu sei que passar um dia inteiro com a Lia exige bastante energia, não que eu esteja reclamando, acho que vai ser muito bom pra eu me distrair e além do mais, é a Lia, eu realmente estou sentindo falta de ter ela perto de mim todos os dias.
Quando acordo de manhã a cama está vazia, me levanto e vou pro banheiro, quando saio de lá Rafa está entrando no quarto, abre um sorriso quando me vê e vem logo ao meu encontro, me dando um beijo um pouco mais animado que o normal.
— Vai sair? – pergunto quando o vejo de calça jeans, mesmo que ainda sem camisa.
— Minha mãe pediu pra levar ela em um passeio pela cidade, achei que podíamos apresentar a cidade pra ela... – a animação dele embrulha meu estomago, mas me forço a sorrir e logo em seguida faço uma careta.
— Eu falei com a Lia de madrugada, nós perdemos o sono e eu prometi ela que íamos ter um dia da purpurina hoje – ele ri enquanto faz uma cara meio confusa.
— Eu tô com um pouco de medo de perguntar – eu também acabo rindo.
— Um dia só das meninas, relaxa, tiramos os gogoboys da lista no ano passado – ele ri e eu também.
— Não que eu estivesse muito preocupado, afinal de contas... – ele abre ligeiramente os braços pra mostrar o corpo e embora eu revire os olhos, tenho que concordar que não teria um gogoboy que me chamasse mais atenção – Bom, então eu acho que a gente se vê a noite, né?
— É, acho que sim
— Não sei se vou suportar tanto tempo longe – ele fala me puxando pela cintura e aproximando a boca do meu pescoço, isso me faz cócegas e eu rio.
— Deixa de ser dramático!
— APAIXONADO – ele me conserta e para a boca quase encostada na minha – Totalmente apaixonado – vejo o sorriso antes dele me beijar e meu estomago se enche de borbulhas como se essa fosse a primeira vez que isso acontece.
Ele me deixa na casa da Lia, mas antes paramos no mercado e eu encho duas sacolas com todas as besteiras que consigo comprar, quando ela abre o portão vem pulando na minha direção e ignora totalmente ele.
— Bom dia pra você também, Lia! – ele implica, mas ela nem se importa, apenas dá um tchauzinho – Eu venho buscar ela a noite, tá?
— Vou pensar no seu caso – ela sorri e fecha o portão, deixando-o fazendo algumas ameaças pro caso dela me sequestrar, eu acabo rindo com a implicância dos dois.
— Finalmente eu vou ter um pouco de atenção né – Lia reclama enquanto entramos na casa.
— Deixa de ser dramática, a gente se fala TO-DO DIA
— Mas eu não te vejo TO-DO DIA – eu paro e a encaro, mas quando ela faz uma carinha triste apenas sorrio e a abraço apertado.
— Eu também sinto sua falta...
— TO-DO DIA! – nós falamos juntas e rimos.
— Olha só o que eu trouxe – falo puxando um pote de Nutella da sacola, ela arregala os olhos e da pequenos pulinhos pela cozinha até a fruteira onde tem morangos.
Cada minuto que passa eu tenho mais certeza que era disso que eu precisava, com toda correria dos dias e de nossas vidas, as vezes perdemos momentos que nunca deveriam ser perdidos, sim, nós nos vemos quase todos os fins de semana, nos falamos todos os dias por ligação ou mensagens, mas isso, esse tipo de coisa, um dia inteiro nosso, sem fazer nada de importante, apenas nós duas, rindo, falando besteiras, fofocando e comento todas as porcarias que conseguimos, isso sim é uma das coisas que sempre me renovou, ter a Lia por perto é uma das melhores partes da minha vida, somos diferentes em muitas coisas e na maioria delas eu concordo mais com o Vinny, mas mesmo assim a Lia sempre foi um dos meus portos seguros e eu não tenho como comparar ela com o Vinny, por que ela é igualmente importante, ela faz parte do meu ponto de equilíbrio e ver ela rindo de rolar pelo chão me deixa de alma leve e humor renovado. Quando anoitece o Bruno chega e estamos jogadas na cama enquanto passa alguma coisa que nem estamos prestando atenção na tv, ele se joga aos nossos pés e pega algumas das jujubas que estavam em um pote no nosso meio.
— Já contou pra ela do seu admirador? – ele pergunta meio ironicamente e eu sempre vou achar graça em ver ele com ciúme de qualquer um, por que além de parecer não combinar com ela, é ridículo apenas o pensamento da Lia se interessar por qualquer outro cara que não seja ele.
— Que admirador? – Lia revira os olhos quando eu pergunto.
— Não é um admirador!
— AHAM! – ele que revira os olhos dessa vez enquanto joga outra jujuba na boca.
— É só um paciente...
— Que tomou café com ela – dessa vez eu olho pra ela confusa.
— Ele chegou no consultório semana passada, ele é meio estranho, mas tava mais agitado que o normal, quando eu sai do consultório ele estava me esperando e pediu pra tomarmos um café, naquele cafeteria lá perto mesmo, e foi isso, eu contei pro Bruno e ele decidiu bancar o ciumento...
— Não é ciúmes, só que eu não sabia que tomar café com pacientes era terapia – ela o encara séria e ele evita olhar pra ela.
— OK! Você foi um babaca, você sabe! – também o encaro e ele mesmo contrariado, me olha e concorda – Como que se fala?
— Desculpa, eu só... – ele solta o ar – Não gosto muito que outro cara também tenha a sorte de tomar café com a minha garota – ela revira os olhos, mas acaba sorrindo, ele percebe e sorri – Eu fui um babaca! Desculpa!
— Deve ser difícil mesmo ter uma mulher tão linda – ele ri e se arrasta pro nosso meio, mas virado pra ela.
— A mais linda de todas – ele confirma e a beija.
— AH POR FAVOR, ESPEREM EU SAIR! – reclamo já levantando da cama e só pra implicar comigo ele a agarra se esfregando na cama toda, eu acabo rindo, mas jogo um travesseiro em cima deles, então a buzina toca – FINALMENTE – eles se soltam e nós descemos, junto minhas coisas e eles vão comigo até o portão, abro um sorriso grande demais quando vejo o Rafa, parece ridículo, mas eu realmente já estava com saudades.
— Nossa, você está toda descabelada – a voz faz o meu sorriso diminuir e quando olho para o banco do carona está a mãe dele, ela me olha meio que reprovando.
— Tá linda! Perfeita como sempre – ele fala sorrindo e me abraçando, embora eu queira esse abraço, não consigo aproveitá-lo enquanto olho pra ela – Acho que esse foi o ultimo dia da purpurina, não sei se suporto passar por isso de novo – ele reclama pra Lia que mostra o dedo do meio pra ele.
— Nem nos seus sonhos – ela o ameaça e ele ri, então me solta e abraça ela, eles cochicham algo e ele sorri e beija a testa dela, depois abraça e dá um daqueles soquinhos no Bruno.
— Vamos? – ele pergunta pra mim e concordo, mas me viro pra me despedir deles e quando abraço a Lia ela cochicha no meu ouvido.
— Tenta não matar ela, eu ia odiar te ver com aquele uniforme laranja – eu acabo rindo, mas não prometo nada, quando me viro pra entrar no carro, ela continua no banco do carona, eu olho pro Rafa e ele me dá um sorriso meio sem jeito.
— Só dessa vez? – ele pergunta já abrindo a porta de trás, eu não sorrio, apenas me jogo no banco de trás e espero ele fechar a porta, mas antes ele se abaixa e enfia a cabeça dentro do carro me dando um beijo na bochecha – Te amo – embora eu goste de ouvir, não dou muita atenção, ele percebe e apenas fecha a porta e corre pro outro lado.
— E como foi seu dia? O meu foi maravilhoso! O Rafa realmente é a melhor companhia do mundo – ela fala já passando os dedos pelo cabelo dele enquanto ele dirige e vejo um sorriso aparecendo no rosto dele, reviro os olhos e olho pela janela, vendo as pessoas já iniciando seu sábado a noite.
— AMOR? – sua voz me chamando me distrai.
— Oi!
— Eu pensei em irmos naquele italiano do outro lado, o que você acha?
— E o Food?
— Não vou abrir ele hoje, prometi minha mãe que ia tirar o fim de semana de folga. E aí, o que acha? – mesmo sem fome nenhuma e odiando o pensamento de passar mais um minuto com ela, eu vejo o sorriso ansioso dele.
— Pode ser! – forço um sorriso e ele me manda um beijo no ar.
Quando chegamos no apartamento depois do jantar sinto como se em uma hora ela tivesse sugado toda minha energia que recuperei do dia inteiro, ouvir ela se declarando, desculpando e paparicando ele fez a pouca fome que eu estava desaparecer completamente, além de me desejar ficar surda, meu corpo parece exausto e eu vou direto pro quarto.
— Você não comeu quase nada e falou menos ainda – ele repara quando entra no quarto um pouco depois de mim.
— A Lia deixou minha energia zerada – peço desculpas mentalmente a Lia por que ela fez exatamente o oposto, ela renovou tudo, mas dizer que a mãe dele jogou tudo por agua abaixo parece meio insensível demais. Sinto os braços passando em volta do meu corpo e sua boca logo alcança minha nuca, fazendo um caminho suave e lento até minha orelha.
— Você mente tão mal – sua voz não é irritada, nem decepcionada, nem mesmo triste, na verdade parece ligeiramente divertida.
— Não menti – dou de ombros e ele me faz virar de frente pra ele.
— Qualquer um pode ver que você não suporta ela, mesmo quem não te conhece saberia disso...
— Não é verdade – ele afasta um pouco o rosto e me encara.
— Jura?
— Eu não... Não é que eu odeie ela, nem nada assim, eu só...
— Tá preocupada dela me magoar – ele compreende e eu não posso negar, o sorriso volta pro rosto dele, seus dedos escorregam pelo meu rosto e ele me beija demoradamente na testa – Eu te amo tanto!
— Eu também te amo... – eu o abraço apertado, afundo meu rosto no seu peito e sentindo seu coração bater – Muito! – ele acaricia meus cabelos e me deixa apenas quietinha no seu abraço e de certa forma, toda ansiedade que eu estava começa a diminuir, eu desencosto meu rosto do seu peito e olho pra ele – Me desculpa!
— Por?
— Acho que eu estou exagerando, sou só eu e minha mania de super proteção...
— Eu gosto de ser super protegido por você – ele sorri e eu também.
— Você é meio doido então...
— Talvez – ele ri e segura meu rosto com as duas mãos – É que eu amo tudo que vem de você – eu fico na ponta dos pés e o beijo – Eu tenho uma novidade... – ele faz um suspense e eu espero ansiosa – Nós vamos ter uma noite de degustação na hamburgueria...
— Ahhh eu gosto disso – sorrio animada e ele também.
— É, mas vai ser meio diferente... É uma noite de degustação pra qualificar a hamburgueria...
— Como assim?
— Bom, todo restaurante renomado tem notas de críticos, não somos bem um restaurante mas podemos conseguir um bom reconhecimento no ramo, então uma noite de degustação onde tivessem as pessoas certas pode trazer alguma estrela pra hamburgueria, além de ser uma super propaganda...
— Uau! Parece maravilhoso, eu só... não sabia que você queria fazer isso...
— Na verdade eu ainda não tinha pensado nisso, minha mãe que deu a ideia, mas realmente parece ser uma boa, né? O que você acha? – eu forço o melhor sorriso que consigo, mesmo que todos os sinais vermelhos estejam piscando e a sirene tenha soado.
— Parece bom! E eu tenho certeza que você vai arrasar – ele sorri todo confiante.
— Tomara!
— E quando seria isso?
— Eu só preciso organizar algumas coisas, mas acho que pro próximo sábado estamos prontos...
— Perfeito!
— AH! Ela vai ficar aqui mais essa semana, quer dizer, não aqui, aqui, na cidade...
— É, eu desconfiei que sim – forço outro sorriso – Agora eu realmente preciso de um banho – aviso e vou pro banheiro mais uma vez lutando contra esse sentimento.
No domingo eu não tenho como fugir e acabo tendo que passar o dia com eles, nós até visitamos meus pais, não demoramos muito, foi mais pra ter uma apresentação formal e logo saímos, fomos até o museu da cidade, depois ao parque municipal e em todo tempo ela fazia questão de lembrar de algo da infância ou alguma história engraçada que fazia o Rafa rir, eu tentei participar mais das conversas e empurrar o sentimento ruim pra longe e por algumas vezes até consegui, Rafa parece estar adorando tudo e por mais que ele diga que está pronto pra qualquer coisa, eu sei que se ela o decepcionar irá despedaça-lo de um jeito que talvez eu não consiga reparar 100% e isso me assusta.
A noite, acabamos no nosso apartamento, Vinny e Bianca ficam com a gente e Bruno e Lia também vem, Rafa como sempre que vai pra cozinha e enquanto isso tentamos fazer as honras da casa para a mãe dele, até que o jantar foi bem, tiveram alguns poucos momentos constrangedores ou alfinetadas, de certa forma parece que o caso está controlado, mesmo assim não consigo controlar meu alivio quando ela vai embora.
— Finalmente – eu me jogo no sofá soltando o ar, Bianca que já estava nele, encosta a cabeça no meu ombro.
— Você se saiu muito bem – eu olho pra ela duvidando, ela dá de ombros, coloca os pés pra cima do sofá e se aconchega mais em mim – Ou talvez eu já esteja com muito sono pra ter percebido algo diferente – eu acabo rindo.
— Um de vocês vai ter que carregar ela – eu aviso quando Rafa volta e ele aponta pro Vinny que ao invés de reclamar abre um sorriso bobo quando a vê dormindo e eu sorrio por ver ele sendo um marido babão.
A semana passa sem nenhuma tragédia, embora eu viva cada dia esperando por isso, mas até agora tudo está bem, Rafa e a mãe tentam recuperar algum tempo perdido, Bianca enjoa todas as manhãs, Vinny faz tudo que pode e um pouco mais só pra aliviar ela, Lia ainda fala sobre nosso dia da purpurina e exige que eu marque logo o próximo, e a faculdade continua me deixando desesperada a cada dia e a noite quando vejo o Rafa esqueço um pouco de tudo que me sufoca e me lembro do por quê vale a pena passar por tudo.
No sábado, tudo fica pronto para a tal noite de degustação, Rafa organizou tudo, na verdade passou toda a semana resolvendo as coisas e a mãe dele também o ajudou, ele está realmente muito empolgado com isso, tanto que eu nem reclamo quando ele me acorda as oito da manhã pra poder ajudar ele nas compras de algumas coisas que faltam, ele está ansioso e nervoso, por isso me controlo, eu o ajudo a organizar a hamburgueria, Lia e Bianca também nos ajudam na decoração e toda arrumação, Vítor também aparece e passamos a tarde deixando tudo pronto.
Quando começa a anoitecer vamos todos nos arrumar, quando saio do banheiro Rafa está sentado na cama com um sorriso divertido enquanto segura uma sacola de uma loja famosa de roupas.
— Eu espero que isso não seja o que eu estou pensando...
— E no que você está pensando?
— Que você gastou dinheiro de bobeira em uma loja cara com coisas que eu não preciso...
— Bom, então não é o que você está pensando – ele sorri um pouco mais e se levanta esticando a sacola pra mim, eu cruzo os braços e o encaro, ele está lindo e exige muito sacrifício da minha parte não o agarrar, ele está com uma calça preta levemente rasgada nos joelhos, meio justa, uma camisa preta bem alinhada ao corpo dele, como se tivesse sido costurada nele mesmo, destacando os músculos do peito e do braço, ele deixou aberto os dois primeiros botões, um cordão de couro com uma flecha está pendurado e o cabelo está levemente bagunçado.
— Você disse que não era pra mim
— Não, eu disse que não gastei dinheiro com bobeira que você não precisa – ele dá de ombros.
— Então eu me visto tão mal assim que preciso de roupas novas? – faço uma cara de ofendida e ele revira os olhos.
— Você se veste perfeitamente bem...
— Então você não precisa gastar seu dinheiro comigo
— Em primeiro lugar, não é meu dinheiro! Em segundo, se não for pra gastar com você, então eu não vejo graça...
— Rafa...
— Meu amor, é só um presente, só isso, eu vi isso e pensei em você na hora...
— Mas não gosto que fique gastando comigo...
— Mas não é com você que estou gastando. É comigo! Eu vi algo lindo que quis muito ver você usando... Viu? Eu sou só um desgraçado egoísta – ele levanta os ombros e sorri de um jeito que sabe que não posso discutir, por isso acabo pegando a sacola.
— Eu realmente não sei mais o que fazer com você...
— Continuar me amando?
— Ah mas isso é o mesmo que continuar respirando – o sorriso dele aumenta com a minha resposta e ele se inclina e me dá um beijo rápido.
— Agora veste, eu realmente quero te ver com isso... – eu abro a sacola e tiro o vestido de dentro, o levanto a minha frente e mais uma vez sou obrigada a concordar, ele tem um ótimo gosto pra roupas, ele dá um sorriso vitorioso quando vê minha reação e só pra implicar com ele e não o deixar rindo, eu solto a toalha que estava presa no meu corpo e a deixo escorregar até o chão, seus olhos imediatamente vem para o meu corpo, ele sobe o olhar lentamente e para me olhando nos olhos, abre um sorriso e ameaça dar um passo, porém eu sou mais rápida e recuo já levantando a mão para manter ele afastado.
— Eu acabei de ganhar um vestido do meu namorado compulsivo e ele quer MUITO me ver nele – dou de ombros, viro as costas e sorrio enquanto me visto. O vestido tem um tecido suave e macio que escorrega facilmente pelo meu corpo, ele tem alças finas e um decote bem fundo entre os seios, e duas fendas na frente, em cada perna, elas vão até acima do meu joelho, mostrando o inicio da minha coxa, ele é branco e contrasta com a minha pele que está levemente bronzeada, quando me viro de frente pra ele de novo, seus olhos adquirem um brilho mais intenso e o sorriso dele não é apenas divertido ou vitorioso, é um sorriso meio safado e isso faz tudo dentro de mim se agitar.
— Esse foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida – eu tento revirar os olhos, mas uma ponta de orgulho me faz sorrir, eu passo por ele e paro na frente do espelho e preciso mesmo admitir que ficou perfeito, ele destacou a curva do meu corpo que nem é tão perfeita assim, mas que agora parece maravilhosa, eu solto meu cabelo, passo os dedos entre os fios e faço uma trança meio despojada que cai na lateral.
— Nós já estamos... UAU! – Vinny faz uma cara de impressionado quando me vê – Achei que era pro cardápio chamar atenção...
— HÁ HÁ HÁ – eu faço uma careta, ele ri e me dá uma piscada.
— Já estamos pronto e a Bianca tá com fome...
— Nós já vamos – Rafa avisa e Vinny sai nos apressando, como eu já estava maquiada, apenas calço minha sandália e estou pronta, estico a mão pra ele e saímos do quarto. Eu vou no carro com ele e Vinny vai no carro dele com a Bianca.
— Só preciso pegar minha mãe antes... – ele avisa quando entra no carro.
— Achei que ela fosse de Uber ou táxi, sei lá...
— Eu disse que buscava ele...
— Ok – forço um sorriso e pego meu celular, apenas pra mexer em qualquer coisa, quando paramos na frente do hotel, ele liga e a manda descer, mesmo com a certeza que ela me viu, ela vem até a porta onde eu estou e abre.
— Ah, perdão, já estou tão acostumada a me sentar do lado do meu filho – ela dá uma risada meio forçada e eu forço um sorriso.
— Bom, hoje eu cheguei primeiro...
— Tudo bem, não quero separar o casal...
— Ah, mas nem se quisesse – eu lhe devolvo com um sorriso mais vitorioso e ela apenas me encara por alguns segundos, até o Rafa abrir a porta de trás pra ela.
— Eu esperei muito por essa noite – ela confessa enquanto estamos apenas nós duas no carro, logo Rafa assume o volante e vamos para a hamburgueria. Quase não reconheço o lugar de tão movimentado, carros estão parados nos dois lados da calçada, fotógrafos estão nos esperando logo na entrada e em um segundo me sinto jogada numa realidade totalmente diferente da nossa. As vozes nos pedindo fotos e fazendo perguntas, são como um cenário de filme, vejo Lia, Bruno, Bianca e Vinny já do lado de dentro, então como Rafa se ocupa com alguns fotógrafos eu aproveito pra me afastar e entrar, dou uma olhada pra trás e ele parece realmente saber como se comportar nessa situação, a mãe dele permanece ao seu lado sorrindo e o acariciando de forma quase perfeita demais, abandono a cena e vou até eles, embora o lugar esteja cheio, está perfeitamente organizado aqui dentro, pessoas que apenas de olhar posso perceber que estão acostumadas a essa realidade.
— Até que enfim! – Lia reclama quando me aproximo.
— Nós fomos buscar a mãe dele
— E ela não podia pegar um Uber!
— Lia! – Bruno a repreende, mas recebe um olhar reprovador – É a mãe dele – ele fala sem se acovardar, dessa vez eu solto o ar meio reprovador junto com a Lia.
— Ele não sabe mesmos e discreto ein – Vítor fala enquanto se junta a nós, vindo da cozinha.
— Como que tá tudo lá dentro?
— Tudo sob controle, ele só precisa sair bem nas fotos – eu forço um sorriso quando olhamos na direção deles, Rafa está cumprimentando uns homens que estão em uma mesa destacada, a mão sorrindo, com a mão apoiada em seu braço e toda simpática, ele parece natural no meio deles, sem nem se importar com os flashes insistentes, é quase como se ele tivesse nascido pra isso, naquela vez no hospital a situação era outra, tudo que vi foi ele preocupado, com o avô, comigo, mas agora não, agora ele é apenas o Rafael descontraído, e eu preciso confessar e concordar com os jornais, ele realmente parece que nasceu pra ser visto.
— Eu ainda acho estranho ver ele assim – Bianca fala quando para do meu lado, eu dou de ombros.
— Parece natural... Só...
— Não parece com o nosso Rafa – ela completa o que eu realmente estava pensando, por isso fico surpresa e olho pra ela – Mas acho que todo mundo tem dois lados... O Vinny por exemplo, quem o vê todo decidido lá em cima do palco nem imagina o sacrifício que é pra ele escolher a roupa que vai usar... – eu acabo rindo.
— Ele sempre foi assim...
— E ele sempre foi o Vinny! – ela me dá um olhar encorajador, depois toca minha trança – Só não enche sua cabeça com bobagens agora, ok?
— Eu vou tentar – eu sorrio e volto a olhar pra ele e como se fosse um chamado silencioso, ele vira o rosto de encontro ao meu, seu sorriso se torna diferente do que ele estava distribuindo por aí, agora é algo mais real, mais parecido com o meu Rafa, ele pede licença e se afasta deles, vindo direto até a mim.
— Você sumiu do meu lado – ele reclama já encaixando a mão na minha cintura.
— Eu não queria atrapalhar...
— Você nunca atrapalha! – ele me dá um beijo rápido.
— Ah te achei, eu tenho uma surpresa – a mãe dele aparece já o puxando pela mão, mas ele firma os pés e não vai com ela, ela percebe e o solta – Eu convidei alguém especial, ele acabou de chegar – ela discretamente aponta com a cabeça a porta, um homem de mais ou menos uns 30 anos passa pela porta, ele parece muito elegante num terno preto meio brilhante e camisa azul escura aberta no primeiro botão, além de um cabelo loiro extremamente bem penteado.
— Aquele é o... – os olhos dele se arregalam, ele me olha, mas não faço ideia de quem é o cara, então ele olha pra mãe dele – Giovanni Garrant? – ela sorri orgulhosa.
— Ele chegou da França ontem mesmo, mas quando eu o convidei, fez questão de vir te prestigiar...
— Uau! Eu não o vejo desde...
— Londres!
— É, desde Londres – ele concorda e me olha – Nós fomos colegas quando eu morei na Grécia alguns meses com a minha mãe, o pai dele é um dos maiores críticos gastronômicos do mundo e ele meio que está seguindo os passos do pai...
— Se ele disser uma única palavra a seu favor, esse lugar vai estar entre os lugares mais disputados do país, acho melhor pensar em ampliar – ela sorri orgulhosa e ele também.
— Melhor você ir receber ele então... – eu falo e ele concorda.
— Vem comigo? – ele me estica a mão.
— Eu tenho que falar uma coisa com a Lia antes...
— Vamos, eu vou com você – a mãe quase o arrasta e ele vai, eu olho os dois e depois disfarço e me afasto, vou pro corredor e entro no escritório, me sento na cadeira dele e jogo a cabeça pra trás, fechando os olhos e respirando fundo tentando não deixar meus pensamentos me dominarem, não sei quanto tempo passa, mas o barulho da porta se abrindo que me distrai, abro os olhos e a mãe dele está entrando, eu me endireito na cadeira e ela fecha a porta atrás dela.
— Eu estava mesmo procurando você – ela fala e eu me preparo – Acho que já está na hora de termos um conversa...
— Acho que já estava quase passando da hora – ela sorri satisfeita, então me levanto para não ficar parecendo inferior – Sobre o que você quer falar?
— Sobre como vamos encerrar toda essa palhaçada – ela fala com certo desdém, enquanto faz sinal em volta e revira os olhos.
— Como assim? Que palhaçada você se refere?
— Isso! Essa lanchonete, aquele trailerzinho que vocês chamam de negócio, esse namoro sem pé nem cabeça, aquele apartamentozinho de classe média...
— Olha aqui...
— Não minha querida, eu já olhei muito, olhei mais do que o suficiente... Eu passei uma semana apenas olhando pra essa comédia ridícula que vocês chamam de vida, eu não tenho mais nada pra olhar, apenas pra esclarecer...
— Eu não sei o que você pensa que pode fazer, mas eu sugiro que pare enquanto é tempo...
— Bom, obrigada pela sugestão! Mas se aceita a devolução, também gostaria de te sugerir algo... – ela cria um suspense, mas como não pergunto ela mesma continua – Eu vou te dar uma única chance de fazer o que deve ser feito e eu sugiro profundamente que você seja inteligente e aceite essa oportunidade...
— Eu realmente não tenho tempo pra isso – eu ia passar por ela, mas ela entra na minha frente e me impede.
— Você realmente achou que ia poder se meter na minha vida, falar comigo do jeito que você falou naquele hospital, me ameaçar e achar que eu fosse virar as costas, abaixar a cabeça e deixar você ganhar desse jeito? – pelo tom de voz que ela usa e pela sua cara, sei que ela não está brincando, seja lá o que ela pretende fazer, não é um blefe.
— Tudo que eu fiz foi pra proteger o Rafa, o seu filho... e eu faria mil vezes se fosse preciso, eu não vou deixar ninguém machucar ele – ela ri.
— É engraçado vindo da única pessoa que realmente pode e vai machuca-lo – eu paro meio confusa e ela parece satisfeita com isso.
— Eu não sei onde você pretende chegar ou que ameaças quer fazer, mas faça logo, ele deve estar me procurando...
— Ele está bem ocupado agora, com todos os fotógrafos, imprensa e críticos famosos que estão lá fora... Agora, somos só eu você, decidindo o futuro de todas as pessoas que são importantes pra você...
— Do quê que você tá falando?
— Você não deveria ter se envolvido com meu filho, não deveria ter se metido na vida dele e o ter tirado do caminho dele...
— Um caminho em que ele era infeliz e solitário e sem nenhum sonho pra seguir?
— Um caminho seguro, certo, cheio de brilho e reconhecimento...
— E dinheiro! Por que é só isso que te importa, né? Dinheiro
— Sim, dinheiro! Por que é dele, por que é meu, era assim que deveria ser... Ainda pode ser!
— Ele não vai voltar pra aquela vida, isso nem depende mais de mim, ele decidiu assim...
— Mas não por muito tempo, hoje mesmo ele sai daqui e volta pro lugar que ele não deveria ter saído...
— Se você acha que pode vim aqui e me ameaçar, ou sei lá o que, pra me fazer terminar com ele, deixa logo eu te avisar que não existe nada que me faça fazer isso, NADA – ela ri.
— Acho melhor você não se antecipar...
— Você é maluca
— Você ainda não viu nada...
— Fala logo o que você quer...
— É bem simples! Eu preciso dele!
— Pra quê?
— Isso não é dá sua conta...
— Ele é meu namorado
— Não por muito tempo – ela dá de ombros e eu já ia falar quando ela me interrompa – E antes que você me canse novamente com todo seu discurso de não ser ameaçada, eu acho bom levantar alguns pontos... Lá fora estão os maiores críticos do país, uma boa parte da imprensa e a chance de elevar ou destruir de vez esse lugar... Bom, eu entendo que você não saiba muito sobre como essas coisas funcionam, mas digamos que algum critico, como o Giovanni por exemplo, fizesse uma critica negativa contra o Rafael, se ele por exemplo, achasse algo no meio de uma das degustações, isso seria um vexame, seria a ruina da hamburgueria...
— Você não seria tão baixa, seria?
— Bom, eu conheço toda a família Galant, não existiria nada que eu pedisse que ele não fizesse, mas... Enfim, se ele se levantasse pra reclamar de algo assim, seria horrível com toda a imprensa que está lá fora, em poucos minutos isso teria vazado pra internet e aí já sabe né? Quem controla a internet hoje em dia, não é mesmo?
— Você é suja! – ela não se importa, apenas dá de ombros – Eu... Eu sinto pro Rafa ter uma mãe como você, mas eu não vou terminar com ele e não existe nada que você possa fazer pra mudar isso – dou de ombros e me viro.
— De quantos meses a Bianca está mesmo? – a pergunta me faz parar, eu sinto um calafrio subindo minha coluna, mas me viro pra ela sem conseguir nem ao menos abrir a boca – Eu só estou perguntando por que deve ser bem complicado a vida de esposa grávida de um cantor de banda... Quer dizer, nunca se sabe quando ele enjoa de apenas ouvir não e procura algo mais interessante fora de casa, não é mesmo?
— O que...
— Bom, claro que nem todas as mulheres se prestam a esse papel, não é mesmo? Ser amante de um homem casado? Ainda existem mulheres de respeito, mas é claro que nem sempre os homens aguentam ouvir um não, alguns deles perdem o controle e tentam conseguir o que querem a força...
— Cala essa boca! Não se atreva a...
— Lá fora tem uma garota, Sara, o nome dela, muito bonita, mas precisava desesperadamente de dinheiro, eu pensei em ajudar e em troca receber um pequeno favor – enquanto ela fala eu sinto o sangue desaparecendo das minhas veias, é como se no lugar estivesse sendo injetado algo congelante, por que essa é a sensação que eu tenho de estar sendo congelada por dentro, um medo absurdo enche cada célula do meu corpo e minha audição falha, mas me obrigo a continuar ouvindo – Ela só precisa de um levantar de dedos meu e ela começa o maior escândalo que essa cidade já viu, sobre como um jovem cantor, recém casado e prestes a ser pai, perdeu o controle após um show da banda e tentou agarrar ela no camarim enquanto ela foi apenas tirar uma foto com um artista que ela admirava...
— Você não pode fazer isso, isso é... É... É mais do que ser mau caráter, é crime!
— Tentar agarrar alguém também...
— Ele não fez isso...
— Não, e provavelmente até consiga provar isso, afinal a garota sempre pode retirar a queixa, mas imagina só a loucura que seria pra imprensa, a confusão que isso iria causar, ele com certeza iria pra delegacia, talvez ficasse preso, a esposa gravida, as pessoas contra ele.... nossa, eu não suporto nem pensar nisso...
— Você não pode fazer isso...
— Ah já ia esquecendo... – ela abre a bolsa e tira um envelope de dentro – Você devia aprender a escolher melhor suas amizades... – ela me entrega o envelope, minhas mãos estão tremulas e acabo demorando pra conseguir abrir e achar três fotos, é a Lia, ela está com um cara na cafeteria perto do consultório, ela está sorrindo e o home com a mão na coxa dela e a outra foto, ele toca seu rosto, na ultima, eles estão se despedindo com um beijo na bochecha – Relacionamento entre médico e terapeuta parece coisa de filme, mas ainda acontece tanto hoje em dia... Imagina só os escândalos se a chefe do consultório souber que uma funcionaria dela anda de intimidades com algum paciente... – as fotos caem da minha mão, sinto como se o mundo desse voltas e mais voltas, meus músculos começam a falhar e eu não sei nem o que dizer.
— Ele nunca ia aceitar... Nunca ia...
— Eu sei, eu não sou nenhuma idiota... Claro, que se você sair daqui e for terminar com ele, ele iria sacar algo estranho na mesma hora, por isso você só precisa fazer ele achar que é culpa dele...
— Que? Como eu faria isso? Eu não sei como fazer isso...
— Relaxa, querida, eu já pensei em tudo... Só existe uma coisa que faria ele aceitar o fim de vocês, desistir dessa vida e nunca mais te procurar – as palavras dela parece lentas e sem sentido, mesmo assim lhe dou atenção – Se ele tiver certeza que a culpa foi dele e que você ficaria melhor sem ele... E só uma coisa o faria pensar isso... O passado! Meu filho era muito inteligente, mas se tornou um perfeito idiota, bastou um dia do lado dele e já deu pra perceber o quanto ele se martiriza por ter vivido uma vida maravilhosa antes de conhecer você e é isso que vai destruir ele... Eu só precisei achar alguém disposta a tentar seduzir ele, claro que não foi difícil de achar, foi mais fácil ainda colocar ela aqui dentro, então... Tudo que você precisa fazer é dar um flagra nele e o resto vai seguir naturalmente...
— Ele não me trairia, eu tenho certeza disso...
— Eu também, como eu disse, ele virou um perfeito idiota, mas ele não precisa concluir, basta parecer, daí você entra, vê a cena, entende errado, e bom, improvise, eu também não tenho que pensar em tudo né? Bota esse cerebrozinho pra pensar...
— Eu não vou conseguir fazer isso, ele vai perceber...
— Bom, eu sugiro que não, ah não ser que você queira ver o futuro dele e dos seus amigos destruídos...
— Por que? – minha voz sai fina, tremula e desesperada.
— Ninguém me ameaça ou ameaça o meu estilo de vida e segue sorrindo – sua voz é seca e firme, e eu sei que ela não está falando da boca pra fora – Você tem uma hora! Se até uma hora da manhã, vocês não tiverem terminado, todos que são importantes pra você vão pagar pelo seu egoísmo, começando pelo Rafael, depois o Vinicius e até o final da semana a sua amiga terá muito que se explicar também... UMA HORA! É melhor você correr... – ela sorri de um jeito que apavora minha alma, então passa por mim, abre a porta e sai, assim que a porta se fecha de novo, eu me deixo cair no chão sabendo que independente de como terminar essa noite, eu estarei destruída, de um jeito ou de outro.
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