Já faz duas semanas que eu Rafael não nos falamos, ele sai antes de mim do apartamento e chega depois, no escritório não teve uma única vez em que a cadeira dele escorregou até minha mesa, não teve um único horário de almoço em que ele se inclinou e me pediu pra acabar logo por que ele estava com fome, não houve um único dia que ele me esperou terminar pra virmos embora juntos. Eu não fui pra academia nenhuma vez e no apartamento eu só o vi de relance, eu escutava as risadas dele com Vinny, mas sempre que ele me ouvia chegando, dava um jeito de sair, até o Vítor comentou sobre uma saída que eles dois deram e eu odiei saber disso, odiei que ele não estivesse sentindo minha falta como eu sinta dele, por que mesmo não querendo admitir eu sinto, sinto uma falta gigantesca de ter ele implicando comigo ou eu implicando com ele, por que isso já fazia parte da nossa rotina, Vinny está sempre entre faculdade, estágio, banda e a Bianca, então eu e ele acabamos nos tornando companheiros, no apartamento, nas refeições e até alguns fins de semana. Ele deveria implicar comigo e eu deveria fingir estar irritada, esse é o certo e não isso que está acontecendo, eu só não tenho ideia de como consertar as coisas e voltar a ser como eram antes, por isso agradeço quando Vinny avisa que hoje a noite, quer todo mundo no nosso apartamento pra anunciar algo importante, nem fico muito curiosa com o motivo, só me animo por que essa vai ser a primeira oportunidade em quase 20 dias que eu vou ter de ficar perto do Rafael, mesmo que ele ainda me odeie.
Bruno e Lia chegam quando eu termino de tomar banho, ela vem até meu quarto exigindo que eu conte como estão as coisas com Vítor, acabo liberando um sorriso e ela quase dá pulinho alegres, eu conto que nós temos saído de vez em quando, que estamos nos entendendo e que aos poucos eu estou me acostumando em ter alguém desse jeito de novo.
— Você tá apaixonada por ele? – ela pergunta e por mais que eu goste dele e de estar perto dele, não chega a ser paixão, mas decido não estragar a alegria dela.
— Eu tô gostando dele – tento parecer o mais firme possível e isso a leva a loucura, quando escutamos a campainha, ela me faz sair logo do quarto por que pode ser ele, mesmo eu dizendo que ele sempre manda uma mensagem quando chega no prédio, ela apenas me ignora e sai do corredor animada, apenas pra vermos Melissa entrando e Rafael a recebendo com um beijo, Lia revira os olhos.
— Eu ainda não acredito que ele realmente tá levando isso a sério – ela cochicha enquanto nos ajeitamos no sofá perto do Bruno, dou de ombros, enquanto olho pra eles dois, Rafael vai até um dos bancos perto do balcão, se senta e a puxa pra junto dele, ela passa os braços atrás da sua cabeça e ele ri de algo que ela fala, mas não é um riso divertido, eu conheço o riso divertido dele, é aquele que ele sempre dá quando eu o chamava de pervertido ou quando ele me colocava pra assistir filmes de terror depois que eu contei que tinha medo, esse não é igual, esse é aquele que ele dá quando não quer rir, mas também não pode ignorar, é como quando eu falava que não achava certo ele gastar dinheiro como se ainda tivesse o avô pra sustenta-lo, é um riso obrigado e não combina em nada com ele – Ein? – Lia me cutuca.
— O quê? – ela revira os olhos quando percebe que eu não escutei nada.
— Você acha que é pra valer?
— O quê?
— Ai meu Deus, em que planeta você estava? — dessa vez eu que reviro os olhos – O Rafa e a Melissa... Você acha que é pra valer? – olho pra eles dois mais uma vez, eles estão se beijando, desvio os olhos e dou de ombros.
— Sei lá!
— Bom, se você que virou a melhor amiguinha dele não sabe, então acho que ninguém mais sabe – ela fala tentando soar enciumada, mas eu só consigo pensar que não.
Eu não sou mais a melhor amiga dele. Eu só não sabia que iria doer tanto – Agora só pode ser ele – ela fala me empurrando e só então percebo que a campainha tocou, me levanto e vou até a porta, abro e um sorriso largo me recebe, aquele furinho no queixo aparece e ele logo me abraça fazendo meus pés saírem do chão.
— Eu tava morrendo de saudade...
— A gente se viu ontem – eu falo rindo e ele dá de ombros, entramos e então Vinny se levanta.
— Pronto, eu não aguento mais esperar... – todo mundo se vira olhando pra ele que fica fazendo um mistério enquanto esfrega as mãos.
— Fala logo, isso aqui não é programa de auditório não, ô mariquinha – Rafael apressa e ele ri.
— Fica quieto, ô embuste – Rafael ri, dessa vez uma risada de verdade, divertida, sincera e eu não sei se ri pela implicância deles ou pela risada dele.
— Fala logo, Vinny – Bianca pede também ansiosa, então como o pedido vem dela, ele acaba com o suspense.
— A banda vai tocar no Festival de música do Triaton Resort, vai ser em julho, de sexta a sábado, nós vamos tocar no palco principal no primeiro dia, mas terão outras apresentações durante os outros dias e eu já vi um pacote... Como vocês vão estar com a banda conseguimos um preço que não sai tão caro... Eu quero todo mundo lá – nós pulamos e vamos todos pra cima dele, ele ri tentando se esquivar – Ainda tem mais uma coisa... O show principal é no dia do seu aniversário – ele me olha e eu arregalo os olhos.
— Sério? – ele ri.
— Acho que eu já não preciso andar atrás do seu presente...
— AI MEU DEUS, ISSO É DEMAIS – dou pulinhos e pulo no colo dele, ele ri e então todo mundo se joga em cima da gente, ainda estávamos comemorando quando a campainha toca.
— Se for o sindico vocês nunca mais vem pra cá – eu aviso mas corro pra abrir a porta, levo um pequeno susto quando vejo a mulher loira parada, ela está impecavelmente vestida, em um macacão de tecido com decote em V fundo, deixando os seis siliconados quase a mostra, o cabelo loiro platinado cai pelos ombros dela, seu olhar é arrogante e ela parece quase enjoada quando fala comigo.
— O Rafael está? – ela pergunta e antes que eu posso perguntar quem é, ele aparece.
— Mãe?! – o silêncio no apartamento é quase automático, eu fico parada entre eles e os dois apenas se encaram por alguns segundos.
— Não vai me convidar pra entrar? – ela pergunta e ele parece tão surpreso quanto qualquer um de nós, então apenas assente com a cabeça uma vez, eu abro um pouco mais a porta e ela entra como se estivesse pisando em um lugar sujo e eu juro que se ela não fosse a mãe dele e eu tivesse tentando acertar as coisas entre nós, eu a colocaria pra fora, ela anda até ele e beija sua bochecha.
— Eu não sabia que você vinha...
— Eu preciso falar com você... Tem algum lugar que... – ela olha em volta – Que podemos conversar em particular? – ele pisca algumas vezes e então conduz ela para o corredor dos quartos, eles passam direto pelos outros, ele não a apresenta e mesmo se fizesse tenho certeza que ela iria apenas parecer entediada, eu fecho a porta e ainda está todo mundo se olhando.
— Bem simpática – Vítor fala e eu ainda estou impressionada com o quanto ela é arrogante em apenas poucos segundos, imagina só uma vida inteira.
— O que ela veio fazer aqui? – Lia me olha como se eu tivesse que saber, mas eu não sei, mesmo que eu ainda estivesse numa boa com Rafael, pela reação dele nem ele esperava por isso.
— Ai meu Deus, eu não acho que tô pronta conhecer a mãe dele – Melissa fala ajeitando a roupa, reviro os olhos, eu costumava achar ela bem legal e inteligente, mas ultimamente ela parece bem idiota na realidade.
— Eu acho que eles não estão pensando nisso agora – falo e Lia me olha como se eu tivesse dito algo errado, dou de ombros.
— Posso continuar minha novidade? – Vinny pergunta e então esquecemos disso e voltamos a atenção pra ele, enquanto ele conta que já devemos olhar as passagens e fazer nossas reservas, nós nos animamos e começamos a planejar tudo, todo mundo confirma que vai e Vinny diz que vai confirmar tudo direitinho, estávamos em uma discussão sobre a divisão dos quartos quando os passos fortes nos distraem, Rafael passa direto pela sala e vai até a porta, ele abre e então a mãe dele aparece, ela parece furiosa, porém nem tanto quanto ele.
— Faz um favor e esquece que você teve um filho... Deus sabe que você já fez isso há muito tempo mesmo... – sua voz não é só furiosa, é machucada e mesmo sem falar com ele por tantos dias, isso me machuca também, ela passa por ele sem dizer nada e ele bate a porta tão forte quanto no dia em que brigamos, ele passa as mãos pelo cabelo ainda de costas pra nós, então abre a porta de novo e sai.
O silêncio dura alguns longos segundos.
— Eu vou ligar pra ele — Melissa fala já puxando o celular da bolsa e discando o número.
— Eu nunca vi ele tão furioso — Lia fala parecendo realmente em choque.
Eu já o vi assim. Quando brigamos.
Todo incômodo que eu sentia antes aumentou ainda mais agora e eu só quero poder falar com ele e saber como ele tá.
— Ele não atende — Melissa fala frustrada, já discando novamente.
— Você tem alguma ideia de pra onde ele pode ter ido? — Vinny parece preocupado e ela nega.
— Acho que não tem clima pra continuar a comemoração, não até ele aparecer, acho que devíamos deixar pra amanhã — eu falo querendo me livrar deles o mais rápido possível, por que eu sim sei exatamente onde ele vai estar, mas não quero dividir isso com ninguém, pode ser apenas egoísmo, mas eu sinto que preciso falar com ele sozinha e agradeço mentalmente quando eles concordam em ir embora.
— Então nós já vamos... Avisem quando ele aparecer — Lia pede já pegando a bolsa dela, Bruno também se levanta.
— Quer carona? — ele oferece mas Melissa nega.
— Eu vim de carro.
— Eu vou descer com eles... Ou posso ficar mais um pouco se você quiser... — Vítor oferece, mas eu nego.
— A gente se fala amanhã, pode ser? — sem problemas ele concorda e me dá um beijo rápido.
Vinny leva eles até a porta e quando se vira solta o ar.
— Que merda ein! – eu e Bianca concordamos.
— Ele saiu daqui furioso, eu tô preocupada — Bianca confessa e Vinny vai até ela e a abraça.
— Ele vai ficar bem! Ele e a mãe só não tem uma relação muito boa — Vinny explica e ela parece relaxar um pouco — Se precisar de alguma coisa ou ele aparecer... — Vinny aponta a cabeça na direção dos quartos, dizendo que só preciso chamar por ele, então ele vai pro quarto junto com a Bianca, assim que escuto a porta do quarto dele se fechando, eu corro e saio do apartamento, rejeito o elevador e vou para as escadas, dessa vez subindo invés de descer, no ultimo lance eu me xingo por estar fora de forma e tenho que parar no último degrau pra recuperar as forças, quando volto a sentir minhas pernas e meu pulmão para de queimar, eu empurro a porta de ferro que vive emperrada e quase tropeço quando ela se abre, estou na cobertura do prédio e um vento gelado me faz juntar os braços no corpo, meu cabelo voa na minha cara e eu uso o elástico que estava no pulso pra prendê-lo, então ando até o meio do lugar, olho para o lado e lá está ele, parado com o corpo apoiado no parapeito, olhando fixamente pra frente, os sons de buzinas, música e motor se misturam ao som do zumbido das caixas de energia e talvez abafe os sons dos meus passos por que enquanto eu ando até ele não sinto nenhuma mudança que indique que ele me ouviu chegar, quando alcanço o parapeito, paro ao seu lado quase me encostando nele, ele continua sem demonstrar reação pela minha presença mesmo que eu tenha certeza que ele sabe que estou aqui, mas como ele também não me expulsa eu encaro como um bom sinal e aproveito a oportunidade.
— Eu fui uma vaca! — agora ele desvia os olhos e vira o rosto pra mim, ele me olha e eu que desvio os olhos e olho pra frente meio envergonhada de admitir isso — Eu senti sua falta! Eu senti muito a sua falta... Eu nem sabia que os dias podiam demorar tanto a passar como demorou nas últimas semanas — volto a olhar pra ele e agora ele olha para as luzinhas que brilham lá embaixo — Você estava certo, eu não podia ter falado aquilo, não quando eu sei a verdade — ele me olha e dessa vez não desvio meus olhos dos dele — Você não é só o cara que faz sexo por aí... Sim, você fez. Mas isso não é quem você é... Você é muito mais do que isso e eu sinto muito, sinto muito mesmo que eu tenha te feito pensar que você era só isso...
— Então o que eu sou? — ele me olha, mas não tem mais aquela fúria de quando ele saiu do apartamento agora pouco e nem aquela do dia em que brigamos.
— Você é meu melhor amigo!
— Achei que fosse o Vinny
— Eu consigo ter mais do que um melhor amigo
— Se é melhor não tem como ser mais de um – sua voz está quase se parecendo com aquela que ele sempre usava pra me irritar e me permito dar um leve sorriso.
— Tem se vocês estiverem empatados
— Eu não divido espaço com ninguém — eu reviro os olhos.
— Bom, agora você vai aprender a dividir e como a organização é minha você não pode opinar, apenas aprenda a lidar com isso por que eu não tô nenhum pouco disposta a te tirar desse ranking – ele abre um sorriso.
— Eu nunca achei que eu fosse sentir tanta falta do seu mau humor — dessa vez eu também sorrio e me jogo nos braços dele.
— Nunca mais faz isso comigo — eu peço sinceramente enquanto sinto o abraço ainda mais apertado — Você não pode se tornar importante pra mim e depois me ignorar. Isso é errado — quando falo isso ele me aperta mais forte, tirando meus pés do chão.
— Foram as duas semanas mais difíceis da minha vida — ele confessa e isso me faz sorrir.
— Por que você é um idiota — ele solta uma risada quando eu falo. Uma risada de verdade, não igual aquela que ele deu pra Melissa e um sorriso orgulhoso se abre no meu rosto e logo se transforma numa risada alta quando ele começa a girar comigo, eu seguro nos seus ombros e ele também ri.
— Eu achei que você nunca mais fosse me chamar de idiota de novo — ele confessa quando para, mesmo tonta eu ainda sorrio.
— Mas é a sua descrição perfeita – ele abre um sorriso divertido e eu mal consigo acreditar em quanto senti falta disso.
— Então... Você falou sério ou só tá com pena de mim?
— O quê?
— Você sentiu mesmo minha falta? – ele parece realmente ter duvidas.
— Em primeiro lugar, eu posso sentir muitas coisas em relação a você, mas pena com certeza não está entre elas e em segundo lugar... Fala sério! É óbvio que eu senti sua falta... Tem noção de como foi horrível ficar duas semanas sentadas do seu lado todo dia no escritório e não poder te xingar nenhuma vezinha? – ele ri.
— Eu tenho certeza que você me xingou várias vezes em pensamento – eu sorrio e dou de ombros.
— Não é a mesma coisa – ele ri e me puxa pra outro abraço apertado.
— Eu também odiei ficar brigado com você – ele confessa e eu levanto o rosto pra olhar pra ele.
— Eu sinto muito pelo que eu falei, de verdade, você teve todo direito de me odiar – ele balança a cabeça sorrindo.
— O problema é que eu não te odiei nem um pouquinho – ele dá de ombros e beija minha testa demorando alguns segundos – Anda, tá um vento frio e você já tá gelada, embora eu esteja morrendo de saudade não sei se aguentaria você resfriada – eu sorrio e então saímos do terraço com ele ainda agarrado em mim e esfregando meu braço numa tentativa de mantê-lo quente – Além do mais, acho que precisamos conversar sobre todas essas muitas coisas que você sente por mim – eu solto uma risada.
— Idiota – ele me aperta mais e beija minha cabeça.
— Você vai ter que repetir isso muitas vezes ainda pra tentar matar um pouco da falta que eu senti...
— Seu pedido é uma ordem – olho pra ele e sorrio quando digo mais uma vez – Idiota! – seu sorriso é largo e então descemos as escadas. Entramos no apartamento e ele faz sinal de silêncio quando o vê vazio, apaga a luz da sala e segura minha mão, nós vamos para o corredor dos quartos e quando eu ameaço entrar no meu, ele me puxa até o dele, entramos e ele fecha a porta, só então me solta, vai até o criado mudo ao lado da cama, ele abre uma gaveta e levanta uma caixa de ferrero rocher de 32 unidades, eu sorrio e me jogo na cama dele já esticando a mão pra embalagem, ele ri e me entrega, eu subo ainda mais na cama, e me encosto na cabeceira, sem cerimônia nenhuma ele tira a camisa, depois a calça jeans e fica só de cueca, mesmo já tendo cansado de ver ele assim ainda é impossível se manter indiferente ao corpo dele, eu consigo fazer isso com o Vinny, com o Bruno e até com o Vítor, que embora o corpo deles sejam bonitos, ainda é algo que eu consiga ignorar, já o do Rafa é quase que como se ele fosse imã e eu um pedaço de ferro, por isso preciso balançar a cabeça e me distrair pensando em outra coisa e quando olho pra tatuagem me lembro da pergunta que sempre esqueço de fazer – O que são esses x em vermelho na tatuagem? – ele olha pra lateral do corpo e passa os dedos pelo mapa desenhado, então se joga na cama ao meu lado.
— Os lugares que eu já morei com minha mãe, um lembrete pra eu nunca mais voltar – eu fico um pouco surpresa com a resposta e aproveito o assunto.
— E o que ela queria aqui?
— O que você acha? – ele me devolve a pergunta e eu já sei a resposta.
— Pedir pra você voltar a morar com seu avô...
— Ele cortou a mesada dela, o dinheiro que ele mandava por ela ter praticamente me vendido pra ele e bom, não que isso seja uma novidade, mas ela se separou de novo...
— Você não vai voltar, vai? – um estranho medo de que ele aceite começa a se formar em mim, ele abre um sorriso e pega a embalagem com os bombons da minha mão.
— Você não vai se livrar tão fácil assim de mim...
— Merda – tento parecer decepcionada, mas o sorriso que aparece é tão grande que não consigo disfarçar.
— E você me conta as novidades? Que tipo de furada você se meteu nesses dias?
— Eu sou um exemplo a ser seguido – dou de ombros e ele ri.
— E as coisas com o Vítor?
— Estão bem... Eu acho
— Acha?
— É, a gente se dá bem, saímos algumas vezes essas semanas, sei lá – ele me observa atentamente.
— Nossa, isso é muito animador – reviro os olhos e arranco a embalagem dele de novo, dessa vez eu abro.
— Eu só não tô com pressa e nem ele...
— Ele tá apaixonado por você – ele afirma e mesmo que ele mesmo já tenha me falado isso, não consigo evitar aquele sentimento estranho – Você tá apaixonada por ele? – eu o olho e ele parece curioso, tem algo a mais no seu olhar, mas não consigo desvendar.
— Isso é pergunta pra uma garrafa de vodca e não uma caixa de bombom – ele ri.
— Mas você gosta dele...
— Gosto, claro que eu gosto, ele é um cara incrível, eu só... – puxo o ar e o solto deixando meu corpo se afundar no colchão.
— Ok, entendi – ele pisca um dos olhos e de alguma maneira eu sei que ele entende mesmo o que eu quero dizer, nós pegamos um bombom cada.
— E você e a Melissa?
— Ela é divertida, inteligente, esperta, muito bonita, é uma ótima companhia...
— Legal, e você ensaiou isso quantas vezes no espelho? – ele ri e joga um bombom inteiro na boca – Você tá tão animado quanto se estivesse lendo a lista de qualidades de um candidato no escritório...
— É complicado!
— O que é complicado? Eu achei que você gostasse dela, tava até tentando ser o “cara certo” – faço aspas com os dedos e ele me olha.
— E o idiota sou eu? – eu o olho confusa.
— O que eu fiz? – ele balança a cabeça.
— Nada! É só que também tô indo devagar...
— Mas você acha que é ela? Tipo, a sua “the one”? – ele sorri satisfeito com a referência a HIMYM.
— Esse é o problema... Eu tenho certeza que ela não é – ele pega o bombom que eu já tinha aberto e joga pra cima, pegando-o com a boca.
— Então não seria melhor você deixar ela livre e procurar a sua pessoa certa? – ele dá de ombros.
— Não acho que ia adiantar muito...
— De qualquer jeito você tá sendo um cafajeste se sabe que não é ela e mesmo assim mantem ela presa a você – ele me olha meio curioso.
— Então o Vítor é o seu cara certo? –
droga, eu tinha esquecido que ele é bom em reverter o jogo.— Ele sabe exatamente como me sinto em relação a nós dois, eu não estou enganando e nem iludindo ele – como é verdade, ele apenas assente e pega outro bombom.
— Talvez a pessoa certa pra mim seja a pessoa certa de outro cara mais sortudo que eu...
— Se ela é a certa pra você então não é a certa de outra pessoa. Só existe uma pessoa certa...
— Como que eu sei que é pessoa certa? — olho pra ele e libero um sorriso.
— Essa é fácil! Quando você parar pra pensar no seu futuro e não imaginar como seria sem ela, então, meu amigão — coloco a mão na perna dele e sorrio de novo — Essa vai ser a pessoa certa — ele bota a mão por cima da minha e sorri.
— Tem certeza?
— Eu aposto todas minhas fichas – ele parece pensativo, então o cutuco com meu ombro – Você só precisa ter paciência e um pouquinho de coragem pra fazer o certo e então ela vai aparecer... Eu garanto – ele me dá um sorriso.
— Com selo de garantia?
— Com selo de garantia – eu faço uma cara séria e depois sorrio – Além do mais, se tudo der errado eu mesma compro as garrafas de vodca – ele ri.
— Combinado – ele pisca um dos olhos e então eu me levanto, mas ele segura minha camisa – Pensei em ver um filme...
— Ah nem pensar... Eu passei quase duas semanas sem dormir direito e agora que eu posso não vou arriscar isso por causa desses filmes malucos – ele sorri.
— Nossa briga te fez perder o sono? – reviro os olhos.
— Foi outra coisa, deixa de se achar tanto – minto e tenho quase certeza que não fui convincente.
— Eu deixo você escolher – eu paro e me viro pra ele.
— Sério? – ele concorda – Qualquer um?
— Qualquer um!
— Até aqueles bem melosos...
— Não tenho diabetes – eu sorrio e me jogo na cama de novo, ele comprou uma tv pro quarto dele e usa a minha conta da Netflix, mas isso não é uma novidade, até a Lia usa na casa dela, ele me entrega o controle e eu vou direto pra categoria romance, olho pra ele esperando que ele me convença do contrário, mas ele apenas dá de ombros.
— Faça o seu pior! – eu sorrio e então ele sai da cama e apaga a luz, eu escolho e dou o play em um dos meus filmes favoritos.
De repente é amor. Ele ri, mas não diz nada, eu puxo o cobertor pra cima das minhas pernas e mesmo já tendo visto esse filme quase um milhão de vezes ainda fico sorrindo como uma boba nas minhas cenas favoritas, de vez em quando eu olho pra ele pra ver sua reação, mas ele apenas continua olhando pro filme parecendo até concentrado demais, quando já estava na metade ele passa o braço atrás das minhas costas e me puxa pra ele, sorrio e me deixo encaixar no seu peito, seus dedos acariciam meu cabelo e eu relaxo. Quando o filme acaba levanto o rosto pra ver a reação dele e ele me olha sorrindo de um jeito meio esquisito.
— Você tá me assustando – ele ri.
— Acho que devíamos ver outro... – dessa vez sou eu quem ri.
— Cadê o Rafa e o que você fez com ele? – o sorriso dele se alarga quase o desfigurando.
— Você me chamou de Rafa de novo...
— Você reconquistou o direito já que não saiu correndo – ele ri e me aperta nos braços dele.
— Eu não iria a lugar nenhum – ele garante e eu sorrio.
— Bom, já está tarde – empurro o cobertor e me desencosto dele.
— Amanhã é sábado...
— Eu vou sair com o Vítor...
— AH! – ele parece surpreso e um pouco desapontado – De manhã?
— Não, a noite, mas preciso adiantar as coisas de manhã... Meu cesto de roupa está transbordando – faço uma careta e saio da cama – Você bem que podia pagar uma empregada ein – ele ri, não uma risada verdadeira, só uma risada fraca.
— Pede o Vítor – faço uma cara de ofendida e vou pra porta do quarto.
— Fico feliz que fizemos as pazes – dessa vez o sorriso dele é sincero e o meu também, saio do quarto dele e entro no meu.
Me jogo na cama e mando mensagem pra todo mundo avisando que ele está no apartamento, boto meu celular pra carregar, fecho os olhos e pela primeira vez nessas duas semanas eu durmo direto.
Quando acordo ainda são oito da manhã, o apartamento está vazio e eu passo a manhã inteira lavando roupa, a parte da tarde faço faxina no quarto e acabo de sair do banheiro quando Rafa abre a porta do meu quarto segurando uns papéis.
— UAU – ele faz uma cara de impressionado, eu coloco a mão na cintura e dou uma voltinha.
— Que tal? – eu já estou pronta pra sair com o Vítor, coloquei um vestido vermelho novo que comprei na ultima ida ao shopping com a Lia, ele tem um decote um pouco ousado demais, mas ela insistiu que eu deveria trazer e me encheu tanto o saco que acabei comprando, ele é de mangas longas e justo no corpo e deixa minha cintura parecendo dois números menores, prendi o cabelo em um rabo de cavalo, deixando uma franja lateral, não passei tanta maquiagem mas passei o batom vermelho, os sapatos são preto e alto.
— Você está... – ele dá uma olhada de cima a baixo – De tirar o fôlego – sorrio satisfeita com a resposta e puxo uma pequena bolsa preta onde cabe apenas meu celular e meus documentos – E onde vocês vão? Algum 5 estrelas?
— Na verdade, nós vamos jantar na casa dele... Eu nunca fui lá mas ele me convidou então... – abro os braços meio nervosa – Tá exagerado, não tá? Eu sabia! Eu acho que é o vermelho, eu sempre fico estranha de vermelho, parece que eu sou um quadro de neon, sei lá, eu vou trocar, acho que vou botar aquele vestido preto que... — ele segura meus ombros me fazendo parar e olhar pra ele.
— Você está linda!
— Mas exagerada
— Olha pra mim — ele da uma leve sacudida no meu ombro até que eu esteja olhando nos olhos dele — A única coisa que tem de exagerado em você é que você tá linda pra caralho... — eu o encaro sem acreditar muito — É sério! Você tá... É a mulher mais linda que eu já vi na minha vida até hoje... E olha que de mulher bonita eu entendo — dessa vez eu acabo rindo e relaxo um pouco.
— Tem certeza?
— Essa com certeza é uma daquelas coisas que eu nunca vou ter dúvidas — coloco as mãos por cima das dele que ainda estão no meu ombro.
— Você me assusta um pouco quando é tão fofo — implico com ele, mas sorrio e lhe dou um beijo na bochecha — Obrigada! — ele solta meus ombros e segura meu queixo.
— Divirta-se — ele fala e segura a porta do meu quarto pra que eu passe, fazendo uma mensura meio exagerada, eu dou uma risada e passo por ele.
— Ei, espera... O que você veio falar?
— Ah, não era nada demais...
— Tem certeza? — então meu celular vibra, pego de dentro da bolsa e é o Vitor avisando que está lá embaixo me esperando — Ele chegou!
— Vai logo, aproveita a noite
— Tem certeza que não era nada importante? — ele revira os olhos.
— Some logo daqui — eu sorrio e aceno um adeus e corro até a porta.
Chego na portaria e Seu João me diz que estou muito bonita, sorrio agradecendo e então saio do prédio, parado logo a frente encostado no carro está Vítor, ele me olha e parece realmente impressionado, exatamente como Lia disse que ele ficaria, uma pontinha de orgulho se acende em mim e sorrio, o sorriso aumenta quando olho melhor pra ele, ele está com uma camisa jeans escura dobrada até o cotovelo, os dois primeiros botões abertos revelando o começo do peito, a calça é preta, com rasgos na coxa e no joelho, ele anda até a mim e paramos frente a frente.
— Você tá linda! — eu sorrio.
— Você tá bem charmoso também — ele estica a mão pra mim e me puxa pra mais perto, a outra mão encaixa na minha cintura e ele olha fixo nos meus olhos.
— Pode me chamar de exagerado o quanto quiser mas absolutamente perfeita ainda parece pouco — sinto que meu rosto pode simplesmente pegar fogo mas sorrio agradecida, então ele inclina e me beija, um beijo rápido e suave — Vamos?
— Vamos — confirmo e ele abre a porta do carro pra mim.
Ele coloca Ed Sheeran pra tocar e eu sorrio com a escolha, quando chegamos a casa dele eu não consigo evitar minha surpresa, o portão largo de madeira se abre logo que ele aperta um botão, então a casa está em destaque logo no meio do largo quintal de grama recém aparada e brilhosa, tem uma garagem coberta mas ele para o carro fora dela, um caminho de madeira leva do portão menor até a casa, tem uma arvore grande na lateral, uma mangueira na verdade, e dois balanços, um rosa e um azul, consigo ver a piscina e o espaço de lazer nos fundos, mas desvio minha atenção quando ele abre a porta do carro pra mim, aceito sua mão e saio, ele fecha a porta e logo volta a me segurar e me guiar até a casa.
— Seja bem vinda — ele continua me guiando, passamos pela sala larga que tem dois sofás grandes preto, uma TV muito maior do que a que tem no apartamento e um aquário com peixinhos coloridos, a escada fica na lateral toda em madeira, entramos num corredor passamos pela sala de jantar que já está arrumada e alcançamos a cozinha.
— Eu só preciso colocar isso no forno — ele avisa enquanto pega um tabuleiro que estava em cima fogão e abre a porta do forno.
— Você mesmo cozinhou? — faço uma expressão surpresa e ele sorri orgulhoso.
— Pensei em pegar no restaurante, mas acho que é uma boa oportunidade pra mostrar meus dotes culinários...
— Uau! Agora estou ansiosa — ele fecha o forno e vem na minha direção sorrindo de um jeito divertido.
— Espero não decepcionar...
— Bom, eu acho bem difícil isso acontecer — o sorriso dele aumenta e então ele me oferece sua mão.
— Vamos, eu não te trouxe pra passar metade da noite na cozinha — seguimos de mãos dadas até a sala, ele só me solta pra andar até o aparelho de som, ele mexe em alguns botões, as luzes se acendem e então uma voz rouca e suave invade a sala, eu não conheço quem está cantando mas quando ele se aproxima de mim desisto de tentar descobrir, ele toca meu ombro com a ponta dos dedos e a outra mão encaixa na minha, nossos olhares ficam presos um no outro e ele abre um sorriso — Dança comigo? — em resposta coloco minha mão no seu ombro, ele me puxa pra mais perto e começa me conduzir lentamente pelo espaço da sala, nossos rostos se encostam e os pelos da barba dele me faz rir, ele desencosta o rosto e me olha curioso.
— Faz cócegas...
— Isso é ruim? Por que eu posso subir agora mesmo e me livrar dela — eu acabo rindo.
— Não faça isso! Eu gosto dela — meus dedos tocam sua barba e escorrego eles até seu queixo — Gosto bastante — qualquer preocupação desaparece e ele sorri, eu volto com a mão pro seu ombro e no outro eu encosto meu rosto, mesmo sem vê-lo sinto que ele ainda está sorrindo e isso me faz sorrir também, ele passa o braço pela minha cintura e me mantém mais junta dele, continuamos nos movendo no ritmo da música, eu penso em algo pra falar, algo que seja inteligente, engraçado e sexy, mas nada parece certo então tento apenas afastar essa sensação e me concentro no cheiro do seu perfume. Dançamos a música inteira e quando acaba ele afasta nossos corpos o suficiente pra ficarmos perto demais mas sem nos tocarmos.
— Eu acho que nunca vou me acostumar com o fato de você ser tão linda...
— Você tá fazendo aquilo de novo
— Aquilo o quê?
— Me deixando sem graça — ele sorri satisfeito e toca meu queixo.
— Você não deveria se sentir assim, é apenas a verdade — eu desvio meus olhos dele mas ele segura meu queixo e me encara até que eu o olho de volta — Não desvia os olhos...
— Não me deixa sem graça — ele levanta as mãos em inocência.
— Ok, você está horrorosa — dessa vez eu acabo.
— E você conseguiu o maitre pro restaurante? — resolvo mudar de assunto, ele sorri entendendo o que estou fazendo.
— Consegui, não foi fácil mas acho que é o cara certo — ele me conduz até o sofá, nos sentamos lado a lado, ele inclina o corpo pra ficar virado pra mim e então começamos a conversar normalmente, os assuntos surgem rápido e ele não deixa criar nem um segundo de silêncio entre nós, até que um bip vindo da cozinha faz ele se despertar.
— Fica a vontade — ele avisa e corre até lá.
Continuo sentada e olho em volta, tudo parece absolutamente limpo e arrumado e eu custo a acreditar que ele só tem diarista uma vez por semana, se eu morasse em um lugar assim provavelmente iria precisar de ajuda 24h por dia ou ia me perder no meio de toda bagunça, afinal meu quarto é menor que essa sala e eu consigo deixar ele quase irreconhecível, o Rafa sempre reclama quando entra e vê minhas roupas espalhadas.
— O cheiro parece bom, espero que o gosto também — Vitor fala voltando a sala, eu sorrio e ele me oferece a mão, me levanto e ele me guia até a sala de jantar.
A luz está baixa, mas a mesa está cheia de velas em cubos pequenos e vermelhos, que a deixam perfeitamente iluminada, os pratos, talheres e taças estão perfeitamente colocados, a travessa está no meio com uma salada que parece muito boa e uma lasanha que me faz quase correr até ela, mas me controlo, Vítor puxa a cadeira pra mim e depois se senta a minha frente.
— Parece ótimo...
— Espero que sim — ele faz uma cara de assustado e nós rimos.
O jantar estava realmente maravilhoso, tanto a comida quanto a conversa, ele a mantém sempre leve e divertida e eu não me sinto constrangida de pegar mais um pedaço da lasanha por que realmente está muito boa e isso faz ele sorrir orgulhoso, quando terminamos ele sai pra buscar a sobremesa, enquanto ele está lá meu celular faz um zumbido, pego e é uma mensagem do Rafa.
"Como está tudo por aí? Se tiver passando fome eu posso levar uma marmita"
Não consigo segurar a risada e logo aperto a opção pra responder.
"Eu já jantei e estava maravilhosa, tá"
Envio com um sorriso divertido.
"Não minta pra mim! Foi o quê? Ovo frito?"
"K K K como vc é engraçado... Não que te interesse mas foi uma lasanha MA RA VI LHO SA, tudo tá maravilhoso"
"Então pq vc ta falando comigo ao invés de aproveitar toda essa maravilha?"
Mesmo sabendo que ele não pode me ver reviro os olhos querendo mandar ele a merda, mesmo assim ainda respondo.
"To esperando a sobremesa e pq vc nao acha algo mais útil do que me encher o saco?"
" Eu te encho o saco?"
"MUITO!"
"Ok!"
Reviro os olhos novamente, já estava guardando o celular quando ele vibra mais uma vez.
"Parece que é tudo meu então..."
A foto de uma panela de brigadeiro carrega quando Vitor volta a sala de jantar, reprimo um sorriso e digito rápido.
"IDIOTA!"
Ainda tenho tempo de vê a próxima mensagem.
"Anda logo, tá tudo muito quieto aqui"
Não sei quando ele se tornou tão grudento mas sorrio assim mesmo.
— Preferi não arriscar e fui no óbvio — ele fala quando coloca a bandeja com um recipiente redondo cheio de chocolate derretido, ao lado travessas com morango e abacaxi.
— Bom, você acertou em cheio — ele sorri orgulhoso.
— Acho que fica melhor se a gente for pra sala, tudo bem? — concordo e ele pega a bandeja novamente e vamos pra sala, assim que alcançamos o espaço eu me sento no chão apoiando as costas no sofá, ele me olha curioso.
— Não vou correr o risco de estragar seu sofá...
— Eu não tô nem aí pro sofá — ele dá de ombros mas coloca a bandeja na mesa de centro — Só faltou uma coisa — ele levanta o dedo, corre e quando volta está com uma taça e uma garrafa de vinho.
— Você quer me deixar bêbada? — ele ri, nega e se senta ao meu lado no chão, me estica a taça e então percebe meu olhar nele.
— Você não vai beber, vai? É que você ainda vai dirigir...
— Ou você pode passar a noite aqui — provavelmente meu rosto registra a mesma surpresa que sinto por que ele logo se apressa em explicar — É só uma brincadeira, eu não vou beber, pode ficar tranquila — tento dar um sorriso divertido, leve, como se dissesse que está tudo bem, mas sinto meu estômago se contorcer com o pensamento de passar a noite com ele, não por que ele é uma pessoa ruim, mas pelo que isso implicaria, claro que me sinto atraída por ele e já pensei nele dessa forma, eu só não acho que estou pronta pra lidar com todas as emoções que isso pode me despertar, então dou um gole grande no vinho e o deixo descer suavemente pela minha garganta, ele me entrega um daqueles garfinhos pra espetar a fruta e eu aceito sorrindo, furo um morango e o molho no chocolate.
— Perfeito — dessa vez meu sorriso é mais sincero e ele percebe e também sorri.
— E o Vinny já tá surtando com o Festival? — eu respiro aliviada com o assunto, é fácil falar do Vinny, essa é uma área segura.
Quase uma hora depois estamos rindo e quase rolando pelo chão quando ele conta sobre um dia que ele era adolescente e trouxe uma garota pra casa, mas a mãe já tinha proibido e quando ele ouviu um barulho no corredor do quarto se assustou tanto que fechou a menina dentro do banheiro, mas na pressa a chave quebrou na fechadura e então o pai dele teve que tirar a porta pra liberar a menina.
— Eu nunca mais ia olhar na sua cara — falo tentando parar de ri.
— Ela pensava como você — ele também está rindo.
— Você foi horrível!
— Ahhhh nem tanto, eu só fiquei assustado — ele se defende e eu volto a rir, uma lágrima escorre de tanto que estou rindo, então ele se inclina e a enxuga, só que acabamos perto demais, a minha risada diminui e a dele desparece por completo, seus olhos se fixam ao meu e minha respiração acelera, meu coração dispara e mesmo que eu tente me controlar meus olhos se fixam na sua boca, a lembrança do calor dos seus lábios nos meus é que me faz avançar e juntar nossas bocas, ele parecia que só estava esperando por isso e logo me beija com tanta vontade que um som escapa da sua garganta e isso me deixa ainda mais incentivada, como se nada mais importasse eu seguro seu rosto com minhas mãos e subo no seu colo, o tecido do vestido sobe o máximo que consegue e minhas pernas ficam totalmente descobertas, mas logo suas mãos alcançam minha coxa, num movimento firme, subindo e descendo, sua língua invade minha boca com a mesma velocidade em que a minha procura a dele e sua mão vai até meu cabelo, ele puxa o elástico, solto um sorriso quando o cabelo cai pelos meus ombros, ele afasta nossas bocas apenas o suficiente pra olhar pra mim.
— Agora sim — ele sorri satisfeito e volta a me beijar, meus dedos escorregam pela sua barba e ele morde meu lábio no mesmo momento em que puxa meu cabelo pra trás, dessa vez o som abafado sai da minha garganta, ele escorrega a boca para o meu pescoço e eu mantenho os olhos fechados sentindo cada sensação que ele me desperta, ficamos nessa pegação até estarmos quase sem ar, paro com a testa encostada na dele e quando abro os olhos ele está com um sorriso.
— Você sabe que nós não vamos passar disso, certo? Quer dizer, eu não quero fazer nenhum joguinho, eu só... — ele sorri e passa os dedos afastando a mecha de cabelo que cai pelo meu rosto.
— Estou ótimo assim — eu o olho desconfiando, mas ele se endireita debaixo de mim e me olha nos olhos — Eu não quero nada que você não queira fazer, você tem alguma dúvida disso?
— Nenhuma — falo sinceramente e ele abre um sorriso.
— Então? — ele levanta as sobrancelhas meio ansioso e a única coisa que consigo fazer é beijar ele novamente, sinto-o sorrir e depois me beijar ainda mais forte.
Não sei quanto tempo passamos assim mas está tudo tão bom que não me importo muito com mais nada, até que ele para no meio de um beijo, suas mãos que estavam na minha coxa me apertam um pouco mais forte, seu corpo fica mais tenso e ele afunda o rosto no meu pescoço por alguns segundos.
— Que foi? — ele levanta um dedo me pedindo um minuto e eu me movo sobre ele pra tentar ver ser rosto mas ele volta a apertar minha coxa — Ah não, não, não... — ele pede meio apressado, me barrando — Não se mexe! — eu o olho confusa, mas então entendo perfeitamente o que está acontecendo, sinto o volume na sua calça e é realmente um "grande volume" por mais que eu esteja constrangida e eu estou, um sorriso orgulhoso aparece no meu rosto e quando ele vê também sorri — É engraçado?
— Um pouco — dou de ombros e ele faz uma cara feia — Desculpa
— Desculpa? — ele parece horrorizado com o que eu digo — Você nunca deveria me pedir desculpas por isso... Não mesmo — ele fala já me puxando pra ele e me dando um outro beijo demorado.
— Achei que você tivesse... Você sabe... No limite — ele ri.
— Eu gosto de explorar meu limite...
— Isso parece perigoso
— Relaxa, eu nunca estive tão bem antes — seus olhos descem pelo meu corpo e ele sorri ainda mais, então nos beijamos mais uma vez — Mas agora eu preciso mesmo de um minuto — eu sorrio e saio do colo dele, sinto seus olhos pela minhas pernas e sorrio orgulhosa, mas me levanto e fico em pé, ele também se levanta, ajeita a calça e não consigo evitar o meu olhar na parte mais volumosa, dessa vez o sorriso orgulhoso é dele — Eu já volto! — ele sai e sobe as escadas correndo, eu me jogo no sofá sorrindo meio boba, pego o celular e vejo todas as mensagens, todas de uma única pessoa. Rafael.
"E aí, como estão as coisas?"
"Dê notícias!"
"Tá tudo bem?"
"Aloooooooooooo tem alguem aí?"
"Ele te trancou? Quer ajuda?"
"Agora falando sério CADÊ VC?????? FALA COMIGO!"
Acabo rindo do exagero dele, não sei quando ele começou a ser tão controlador assim, mas é até engraçado ver ele desse jeito, mesmo assim já ia responder quando ouço o barulho na escada, olho pra trás e Vitor vem descendo carregando travesseiros e um edredom, eu ainda estou com a cara confusa quando ele joga as coisas no sofá ao meu lado.
— Eu pensei que a gente podia assistir um filme... — ele levanta os ombros esperando minha reação, eu tento não olhar pro relógio mas meus olhos escorregam para o que está ao lado da tv — Eu sei que tá meio tarde, mas eu garanto que te levo em casa a hora que você quiser e se quiser ir agora também... — olho pra ele, para os travesseiros e Edredom e acabo sorrindo.
— Eu não vou assistir nada de terror — ele ri.
— Eu não pensei em nada assim...
— Então parece uma ideia excelente — é impossível medir o tamanho do sorriso dele, ele corre até a estante, pega o controle e volta pro sofá, ele me entrega um travesseiro, posiciona o dele do lado contrário onde eu estou e abre o Edredom, me aproximo dele e ele nos cobre com um sorriso, liga a tv e me olha.
— Quer escolher? — eu nego.
— Me surpreenda — ele sorri e então ele vai direto para a categoria de comédia, sorrio aprovando sua escolha, ele leva menos de um minuto e então escolhe uma comédia com Zac Efron e Robert de Niro, o nome me faz rir antes mesmo dele apertar o play, o filme se chama "Tirando o atraso", ele me puxa pra mais perto dele, passa o braço pela minha cintura e passamos as quase duas horas seguidas rindo despreocupadamente, quando o filme acaba e sobe os créditos ele me olha.
— Parece que você gostou...
— Eu adorei! Robert de Niro é um dos meus atores preferidos
— Valeu, Robert! — ele comemora dando um soco no ar e eu acabo rindo.
— Eu adorei o filme... O jantar... Tudo. Foi uma ótima noite, de verdade... Obrigada!
— Eu que agradeço, acho que não tinha uma noite tão boa desde... — ele parece pensar — É, eu nunca tive — seu sorriso é divertido e o meu é um pouco forçado. Eu já tive uma noite assim, varias na verdade. Eu e Lipe adoravamos passar o fim de semana assim e esse pensamento me deixa meio deprimida, mas não quero estragar essa noite, então decido que ela já está boa o suficiente assim, prefiro manter essa lembrança.
— Bom... — eu empurro o Edredom do meu corpo — Já tá bem tarde — ele entende a deixa e também empurra o Edredom pra longe dele.
— Eu levo você — ele não parece magoado nem ofendido e eu me sinto melhor.
A viagem é silenciosa, eu penso no que dizer, mas nada parece certo, por isso agradeço quando ele coloca uma música, olho pra janela e tento não deixar meus pensamentos voarem muito com medo de onde eles podem parar, levo um pequeno susto quando sua mão para no meu joelho, mas ele parece não perceber, quando o olho ele parece tranquilo e eu volto a olhar pelos prédios que passamos, até que vejo o prédio que já conheço de trás pra frente, ele para o carro, corre até minha porta e a abre, me ajuda a sair e sorri quando eu paro na frente dele.
— Nós com certeza temos que fazer isso ouras vezes — eu forço meu melhor sorriso, me aproximo dele e deixo nossos lábios se encontrarem, o beijo é longo e lento.
— Boa noite — eu falo enquanto ele sorri de um jeito meio bobo.
— Boa noite — ando até o portão e ele só sai com o carro quando eu entro, passo pela portaria e vou direto pro elevador, entro e sinto meu corpo afundar, olho pro espelho e apenas fico me encarando até a porta do elevador abrir no meu andar, entro no apartamento e ele está totalmente silencioso, olho no relógio e já são 3:27, tiro meu sapato pra não fazer barulho e vou andando na ponta dos pés, já estava entrando no meu quarto quando paro e meus pés parecem ter vida própria quando vão até o quarto do Rafael, abro a porta devagar e coloco a cabeça pra dentro.
— Rafa — sussurro seu nome e não tenho nenhuma resposta — Rafa — tento mais uma vez e nada, então fecho a porta e volto pro meu quarto, jogo os sapatos em qualquer lugar e me jogo na cama, encaro o teto e fico assim até acabar dormindo.
Acordo antes das nove da manhã, ainda estou com a roupa de ontem então vou pro banheiro, tomo um banho e coloco uma roupa fresca, saio do quarto e encontro Vinny tomando café junto com a Bianca.
— Então saiu com o Vitor ontem né? — ele pergunta meio animado.
— Como você sabe?
— O Rafa tava resmungando que você não avisou que ia dormir fora — reviro os olhos.
— Ele tá muito carente — Vinny me olha meio confuso e curioso.
— E o que tá rolando entre vocês? Agora vivem de segredinhos, ele surta se você some...
— Eu já disse, ele tá carente, sei lá, essa coisa de deixar de ser um mauricinho deve tá mexendo com a cabeça dele...
— Não sei se é só isso...
— Isso mais o fato que ele tá na seca – Vinny me olha meio curioso, olho pra direção do corredor e dou de ombros.
— Ele tá tentando ser o cara certo – Vinny ri e olha pra Bianca.
— A Melissa deve ser muito boa então – Vinny fala e eu reviro os olhos.
— Ela é meio irritante...
— Achei que você gostasse dela
— Gostava
— Mas?
— Mas nada, quem tem que gostar é ele, não eu...
— E ele gosta? – dou de ombros.
— Deve gostar...
— Eu não apostaria tanto nisso, ele não parece apaixonado, pelo menos não por ela – Bianca comenta e ela e Vinny se olham com sorrisinhos.
— Ah esperem eu sair pelo menos... – reviro os olhos.
— A gente não tava flertando – ele se defende rindo.
— Espero que não mesmo, meu estomago é sensível de manhã – os dois fazem uma cara de ofendido e acho fofo a maneira como eles combinam até nessas bobeiras.
— Então.... O Vítor?
— Ele me chamou pra sair e eu fui, só isso...
— E o Rafa pirou...
— Meu Deus como vocês são exagerados! Tenho certeza que ele só tava tentando pilhar vocês...
— Acho que não, ele ficou bem puto, até bateu a porta do quarto...
— Sério?
— Sério – Bianca fala com um sorrisinho estranho.
— E ele parece saber sua agenda toda ultimamente, achei que esse fosse meu trabalho...
— Bom, agora você tem uma namorada, não é a minha agenda que você tem que saber — falo dando de ombros e abrindo a geladeira pra pegar meu iogurte, sinto o silêncio e quando olho, ele parece meio magoado pelo que eu disse e Bianca meio sem graça, reviro os olhos pra todo esse drama logo de manhã — Olha... Eu não to reclamando, ok? Só estou falando a verdade... A Lia casou, se mudou... Você tem a faculdade, o estágio, a banda e ainda tá aí todo bobo apaixonado... E eu tô adorando isso, de verdade, é meio irritante, mas é muito fofo ver vocês assim tão felizes... Só que eu não vou ficar andando atrás de vocês né? Eu acabo ficando mais por aqui e agora que ele deu uma pausa na onda pegador sem controles, ele também fica e isso acabou aproximando a gente... E bom, ele não é tão ruim quanto eu pensava, a gente encontrou um meio termo...
— E?
— E que nós somos amigos! Algum problema nisso? — ele levanta as mãos.
— Problema nenhum!
— Ótimo! Agora não sei por que estamos falando disso e não sobre o Festival... — bato palmas animada e pronto ele logo está todo empolgado também.
Ele me explica tudo direitinho e pela primeira vez nesses últimos anos eu estou realmente animada com meu aniversário, agora só preciso controlar a ansiedade. Nós ainda ficamos jogando conversa fora até que Bianca precisa ir embora e Vinny vai levar ela, então quando eles saem e eu já estou quase morrendo entediada, eu vou até o quarto do Rafael, boto a mão na maçaneta, giro e me preparo pra acordar ele, mas a porta não abre, forço novamente e a porta está trancada, eu levo um minuto pra entender isso, então bato na porta.
— Rafa? — não tenho resposta — RAFA! — chamo um pouco mais alto e encosto o ouvido na porta, embora eu tenha quase certeza que ouvi um barulho, eu não tenho resposta, então imediatamente meu bom humor desaparece, dou um chute na porta e saio pisando duro, entro no meu quarto e deixo a porta bater com força, me jogo na cama e a irritação só aumenta, pego o controle, ligo a tv e tento me concentrar, até que acabo dormindo.
Acordo e levo alguns segundos pra me lembrar por que estava irritada, assim que lembro jogo as pernas pra fora da cama e saio do quarto pronta pra uma discussão, vou com tudo na porta do quarto dele e bato várias e várias vezes.
— Eu não vou sair daqui até você abrir essa merda dessa porta...
— Então vai ficar aí por um bom tempo — Vinny fala e eu me viro rápido na direção do quarto dele — Ele saiu, tem uns 15 minutos e também parecia bem mal humorado...
— Onde ele foi? — Vinny ri.
— A melhor amiguinha dele é você e não eu — reviro os olhos para o comentário dele, viro as costas e volto pro quarto batendo a porta novamente, me jogo na cama e a porta se abre — Aconteceu alguma coisa? — ele pergunta tanto preocupado quanto curioso.
— Nada!
— Então você está quase destruindo portas e soltando fumaça pela boca por nada?
— É. Eu sou louca — ligo a tv e evito olhar pra ele, em alguns segundos ele está deitado ao meu lado.
— Será que eu ainda tenho algum crédito de ex melhor amigo? — eu o encaro irritada e sem acreditar no que ele acabou de dizer.
— Você não é ex porcaria nenhuma e para de falar isso por que é idiota... Eu só tô me adaptando a tudo isso ok? Ou você queria que eu ficasse trancada dentro de casa esperando você ter um intervalo entre a Bianca, a faculdade e a banda? Se for isso é só você falar, mas sinceramente deixa de ser imbecil...
— Ok! Foi um comentário idiota, tudo bem? Me perdoa... — ele levanta as mãos e eu cruzo braços sentindo minha irritação ainda pulsando nas minhas veias, então ele me abraça e é como se tudo fosse diminuindo — Eu amo você, ainda lembra disso? — dessa vez eu deixo nossos olhos se encontrarem.
— Eu lembro e você? Ainda lembra que é o meu melhor amigo? O cara que eu mais amo no mundo todo e que não existe ninguém, ninguém mesmo que vai conseguir mudar nem a pontinha do que eu sinto por você? — o sorriso dele é grande e ele beija minha bochecha por longos segundos.
— Desculpa se eu não tenho mais tanto tempo como antes, é que as coisas estão mesmo corridas...
— Eu não estou reclamando, eu disse que estou feliz por você e realmente estou, eu só tô tentando me manter ocupada também — dou de ombros e ele assente voltando a me abraçar.
— Bom, então hoje o domingo é nosso — ele me olha esperando minha reação e eu sorrio e beijo sua bochecha — Você pode começar me contando como foi o jantar com o Vitor ontem... — sinto uma mistura de sentimentos quando me lembro da noite de ontem, mas conto tudo a ele, até a parte que ficamos nos agarrando — Isso sim é auto controle — ele brinca e eu acabo rindo.
— Ele é legal, quer dizer, ele nunca tentou nada a mais e nem me induziu a isso de qualquer forma...
— Eu acho bom ou aqueles dentes perfeitos dele iriam pro ralo — não consigo evitar a risada mas dou uma cutucada nele.
— Controla essa mãozinha
— Ah ela ta controlada... Por enquanto — ele dá de ombros — Mas e aí? Foi bom então? Vão repetir?
— É, eu acho que sim
— Acha que sim o quê? Que foi bom ou que vão repetir? — dou de ombros.
— Os dois?!
— Isso não foi bem uma resposta — seus olhos me analisam daquele jeito que parecem me scanear e eu sei que não adianta fingir com ele, então libero o ar e desisto de tentar bancar a resolvida.
— Eu ainda sinto um monte de duvidas quanto a isso...
— Que tipo de duvidas?
— Pra começar eu ainda sinto que tô traindo o Lipe...
— Isso não é verdade
— Eu sei. Mas eu sinto — levanto os ombros sem saber explicar o porquê — Além do mais, eu não sei se sou a pessoa certa pra ele... Ele é... Incrível, sabe? Ele é engraçado, inteligente, fofo, tudo que a maioria das mulheres querem, eu só... Acho que ele mereça alguém que esteja 100%...
— Ninguém fica 100% certo de alguém do dia pra noite, eu mesmo por mais apaixonado que tivesse demorei até estar 100% na dela — eu o olho desconfiando.
— Isso durou o quê? Umas duas semanas?
— Pra alguns é mais rápido pra outros demora um pouco mais...
— A gente já tá saindo a uns dois meses...
— E você vai desistir agora? — ele me olha meio que reprovando isso.
— Talvez seja o certo a se fazer... Por ele.
— Acho que ele é grandinho o suficiente pra saber o que está bom ou não pra ele... Além do mais já passou da hora de você parar de inventar desculpas pra encarar as coisas... E não me olha com essa cara... Você sempre faz isso, quando começa a acontecer alguma coisa você mesmo se sabota. Você não precisa segurar seus sentimentos, Dani... Se continuar fazendo isso aí realmente você nunca vai estar pronta, nem pra ele e nem pra nenhuma outra pessoa que possa te fazer feliz — ele me dá um sorriso e toca meu queixo — Eu quero ver você feliz, mas você também tem que fazer um esforcinho pra isso ne? Se dê uma chance. Uma chance de verdade...
— Eu vou tentar — eu sei que não é exatamente o que ele queria ouvir, mas ele sorri e beija minha testa.
— Já é alguma coisa — ele fala quando volta a se encostar nos travesseiros — Agora vamos ver algo que presta — ele pega o controle e imediatamente eu sei o que ele vai fazer.
— Ah não, meu cérebro não aguenta mais nenhum filme de terror — tento pegar o controle mas é inútil, ele é mais rápido e mais forte que eu.
— Esse nem é tão terror assim
— Você sempre diz isso e nunca é verdade
— Deixa de ser chata, é nosso domingo juntos, eu não vou passar ouvindo você choramingar por causa do seu namoradinho...
— Ele não é meu namoradinho...
— Ele não é meu namoradinho — ele me imita e eu acerto uma cotovelada na barriga dele, ele ri e me puxa para os braços dele, desisto de lutar e me solto derrotada na cama enquanto ele escolhe o motivo da minha próxima insônia.
Passamos o domingo inteiro juntos pra compensar todos os outros e realmente valeu a pena. Quando ele sai do meu quarto já anoiteceu e já deixo tudo preparado para o dia seguinte, então me dou o luxo de tomar um banho quente demorado e depois me deito pronta pra dormir.
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