Superando o passado
29 Capítulo 29
Eu acordo com Rafa beijando minhas costas nua, eu sinto um arrepio se espalhando pelo meu corpo e me esquivo, mas o sorriso sai quase que involuntário, mesmo eu odiando que ele me acorde, e os beijos continuam, sobem para os meus ombros, dos ombros passam pela minha nuca, afastando fios que atrapalham o caminho dos seus lábios que logo escorregam para o espaço abaixo da minha orelha e desenham a linha da minha mandíbula, alcançam meu queixo e então param com os lábios quase colados aos meus.
— Bom dia – a voz é sussurrada e levemente rouca de um jeito que agita meu estomago.— Eu odeio quando você me faz gostar de ser acordada... – ele ri – Vai contra minha natureza— O dia tá lindo, eu pensei em ir pro parque, um café da manhã romântico? – ele dá um sorriso fofo que me faz sorrir também, então eu dou um beijinho rápido nele.— Que horas são? – ele faz uma careta e me dá outro beijo.— 7 horas agora – eu já ia abrir a boca pra reclamar – Mas o dia tá mesmo lindo e eu queria muito aproveitar – eu reviro os olhos, mas quando ele me puxa para os braços dele me deixo ser levada com um sorriso bastante satisfeito, dessa vez o beijo não é rápido e comportado, pelo contrário, é demorado e apaixonado, mas paramos antes que as coisas esquentassem ainda mais.— Eu vou tomar um banho e fico pronta em 15 minutos – ele concorda e pula da cama.— Eu vou arrumar as coisas pra levar – ele sai do quarto com um sorriso grande e todo animado, eu acabo sorrindo pela alegria dele, saio da cama e vou direto pro banheiro. Assim como eu previ, em 15 minutos estou arrumada e com uma mochila pronta, peguei algumas coisas que podemos precisar e saio do quarto com um humor surpreendentemente bom, quando chego na sala Bianca está sentada no sofá comendo uma pote de algo que deve realmente estar muito bom por que ela mal para pra responder meu bom dia e já está devorando o que quer que tenha nele, eu acabo rindo e me aproximo do balcão da cozinha onde está o Vinny, eu o abraço por trás apertando um pouco meus braços nele.— Acho que vamos ter que fazer compras de novo – eu falo apontando pra Bianca e rindo.— Já é o segundo pote...— E o que é aquilo?— Kiwi, manga, mamão, creme de leite, aveia e chocolate em pó – eu faço uma careta, mas me lembro de outra coisa.— O meu kiwi? – ele ri e dá de ombros.— É pelo seu sobrinho...— Ou sobrinha – Bianca grita da sala com a boca ainda cheia e nós rimos.— Só por que é pelo bebê – eu aviso e ela nem liga e volta a comer – Serão longos meses – tento parecer reprovar, mas sorrio toda ansiosa.— Vamos? – Rafa pergunta levantando duas sacolas de pano grande.— Achei que o café da manhã fosse só pra vocês dois e não pro parque todo – Vinny implica e Rafa finge uma risada.— Vocês podiam ir também...— Ah não, hoje é o único dia de descanso da semana, a gente vai ficar em casa aproveitando – ele dá um sorriso malicioso.— Ah danado! – ele ri, então Bianca se levanta rápido do sofá, bota a mão na boca e sai correndo pelo corredor, Rafa solta uma risada alta demais.— Vai aproveitar mesmo, garanhão, e oh segura o cabelo dela direitinho pra não cair dentro do vaso, tá? – ele dá um tapa no ombro do Vinny que faz uma cara de cansado, mas logo mostra o dedo do meio pra ele e segue pro corredor.— Tomara que vocês sentem num formigueiro...— EI! EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO – eu grito, mas ele já sumiu no corredor, me viro pro Rafa e ele ri, eu acabo rindo também, mas tento parecer reprovar.— Anda, temos que aproveitar o dia – ele abre a porta e saímos. No carro ele coloca a música e enquanto eu olho pela janela e realmente tenho que concordar que o dia está lindo, o céu está todo azul, nenhuma nuvem a vista, o sol já brilha fortemente e não está ainda aquele calor insuportável e isso consegue melhorar ainda mais o meu humor, quando chegamos no parque, ele estaciona e logo saímos carregando nossas coisas, demoramos quase uns cinco minutos pra encontrarmos o lugar perfeito e ficamos embaixo de uma arvore perto da área onde as pessoas correm e fazem exercícios, eu estico a canga no chão, tiro meu chinelo e me sento nela, Rafa faz o mesmo, coloca uma música pra tocar no celular e começamos a esvaziar as coisas da sacola.— Você realmente trouxe tudo ein – eu falo quando o espaço já está todo ocupado com sanduiches, frutas, suco, Nescau de caixinha, bolo, biscoitos e até uma garrafa térmica pequena com café.— Você acordou cedo e não tentou me matar, merece um café da manhã caprichado – ele fala e se inclina pra me beijar, eu acabo rindo e aceito o beijo.— Vou tentar me controlar pra não tentar te matar mais vezes – ele ri e nos beijamos mais uma vez. Nossa manhã foi maravilhosa, nós rimos, comemos, ficamos abraçados e aproveitamos cada segundo, foi exatamente o tipo de recarga de energia que eu precisava, mesmo com as mudanças no escritório que realmente foram ótimas, tudo ainda é bastante corrido, na verdade, isso se chama rotina e as vezes pode ser bem estressante, ainda mais essa semana que é a semana de provas, amanhã mesmo eu tenho a última prova e embora não seja da matéria mais difícil, ainda assim me deixa meio preocupada, não importa o quanto eu tenha estudado, sempre fico nervosa e sempre o Rafa consegue me acalmar de alguma maneira, sei lá, parece que esse é algum tipo de dom ou poder especial que ele tem, por que todas, TODAS as vezes que eu começo a questionar as coisas ou a sentir que não vou conseguir, ele aparece, conversa comigo, solta uma piada, me traz pra um domingo ensolarado no parque e pronto, tudo parece simples e fácil, e eu só posso continuar agradecendo por ter ele na minha vida, mesmo que isso seja tão pouco comparado a tudo que ele faz pra mim.
— Eu pensei em ir na gráfica amanhã cedo, eu posso te deixar no escritório e ir, o que você acha? É que eu já queria colocar o novo cardápio na terça mesmo – ele comenta meio ansioso enquanto dirige, ele colocou novas receitas na hamburgueria, mas os cardápios ainda são antigos e isso acaba não dando visão pras coisas novas.— Perfeito, naquela vez eles foram bem rápidos, acho que é uma ótima ideia – ele sorri animado, mas quando ele pega a avenida principal, saindo do centro eu o olho confusa.— Sua mãe reclamou que não te vê a duas semanas – eu reviro os olhos.— Alguma coisa me diz que ela deve ter reclamado que não vê VOCÊ a duas semanas – ele acaba rindo, provavelmente por que é verdade, não que ela não se importe comigo, eu sei que sim, mas ela e o Rafa tem essa coisa entre eles, parece até que ele é o filho e eu sou a nora, não estou reclamando, até por que eu adoro isso, o Rafa tem todo aquele problema com a mãe dele e eu sinto que com a minha mãe, ele encontrou esse carinho e amor que ele nunca recebeu da mãe de verdade, então minha implicância é só brincadeira mesmo.— Eu prometi que nós íamos almoçar com eles hoje...— Adoro quando você me informa sobre nossos planos...— Foi ontem a noite, você já tinha dormido e eu esqueci hoje de manhã – ele faz uma careta – Tô encrencado? – ele me olha quando para no sinal e por mais que eu quisesse fingir que sim, não consigo, apenas me inclino e o beijo.— Eu te amo – o sorriso dele se abre tanto que faz os olhos dele virarem apenas dois traços, eu adoro quando ele sorri assim. O sinal abre e ele volta a dirigir, eu coloco uma música e em poucos minutos nós chegamos, assim como Vinny ele começa a buzinar a duas casas de distância e assim que o carro aparece na frente do portão ele já está abrindo, eu mal saio do carro e mamãe vem até a mim de braços abertos me apertando e beijando minha bochechas.— Tão linda! Olha essa pele, tá até bronzeada... Linda, linda, linda – eu acabo rindo pelo exagero dela.— Eu adoro essa mudança – sorrio realmente aliviada de não ter que ouvir o quanto estava magra ou pálida ou sei lá o quê.— O Rafa tá cuidando muito bem de você...— Ah sabia! O elogio é pra ele, não pra mim— Ah deixa de ser ciumenta, é elogio para os dois – ela fala e eu acabo rindo, então Rafa sai do carro, cumprimenta meu pai e logo se aproxima já abrindo os braços pra ela que logo me solta e vai até ele, os dois se abraçam, trocam beijos e começam a troca de elogios entre eles.— Acho que nós não temos chance com eles agora – papai fala quando vem me abraçar, eu concordo e o abraço mais apertado ainda.— Eles ainda vão ficar meia hora nisso, quer ajuda na churrasqueira? – ele ri e aceita a ajuda, nós passamos por eles e vamos para os fundos da casa sem nem sermos percebidos, papai já está com o avental dele e com carne assando nos espetos, o balde de gelo com as cervejas dele também estão por perto e enquanto ele olha a carne, nós vamos conversando, até que quase uns 15 minutos depois aparece o Rafa e minha mãe carregando duas panelas grandes, ele coloca na mesa de madeira e vem até a mim, ele passa o braço pela minha cintura e beija logo abaixo da minha orelha.— Com fome?— Ela SEMPRE tá com fome – papai fala orgulhoso.— Viu? Ele já aprendeu – Rafa ri e levanta as mãos em inocência.— Ele tem mais tempo na vaga do que eu...— Justo – papai fala fazendo uma cara séria e eu acabo rindo.— Já tá tudo pronto, eu só vou terminar de ajudar sua mãe – eu concordo e ele corre de volta pra dentro de casa.— Ele é um bom garoto... Muito bom – papai fala enquanto olha ele correndo na direção da cozinha.— É, ele é... Meio idiota as vezes, mas ele é – papai ri e se aproxima de mim.— Você tá feliz? – ele me olha direto nos olhos.— Eu preciso mesmo responder? – ele me abraça e beija minha testa. Nós passamos o resto do dia com eles, almoçamos, eu e Rafa damos alguns mergulhos na piscina e depois enquanto ele ensina minha mãe a receita do Brownie que ela pediu, eu fico jogada no sofá junto com meu pai enquanto assistimos um filme. Já está começando a escurecer quando saímos, nós vamos direto pro apartamento e assim que eu abro a porta dou de cara com a Bianca chorando no sofá, Vinny estava ajoelhado na frente dela falando algo, mas que parecia não funcionar, quando ele se vira e nos vê, levanta rápido e corre até nós.— Ela não para de chorar – ele fala meio desesperado.— O que houve?— Ela disse que a calças jeans não dá mais nela, depois só chorou e não falou mais nada...— Por causa da calça? – eu começo a ficar confusa e ele dá de ombros.— Sei lá, deve ser muito importante por que ela já tá chorando uns 15 minutos...— Por causa da calça jeans? – ele tenta esconder um sorriso e dá de ombros.— E nem é a mais bonita...— Não é por causa da calça jeans – Rafa fala e nós dois olhamos pra ele que revira os olhos como se fossemos muito idiotas – Ela tá grávida...— Ok, acho que já sabemos disso...— Ela tá sensível e ... Engordando – ele fala como se fosse óbvio, então passa por nós e vai até a Bianca, ele assume o lugar do Vinny se abaixando na frente dela, ele toca sua mão depois seu rosto e ela olha pra ele que fala algo que não conseguimos ouvir, então ela solta uma risada, mesmo com lagrimas ainda rolando pelo seu rosto, Vinny me olha e faz uma cara de impressionado, enquanto os dois entram em alguma conversa.— Quer cerveja? – eu pergunto e Vinny junta as mãos num agradecimento exagerado, então vamos pra cozinha, eu pego as garrafas e nós nos debruçamos no balcão.— Minha mãe tá querendo voltar e passar uns dias...— Ah que bom, aqueles dois dias foram super corridos, a gente mal conseguiu armar alguma coisa direito – eu relembro a correria dos dias que a mãe dele e o pai do Rafa ficaram na cidade, eles chegaram no casamento do Vinny, mês passado e ficaram o fim de semana, mas eles saíram com meus pais e da Lia, depois ela foi rever uns amigos da época que trabalhava aqui e nós só conseguimos sair pra jantar com eles no ultimo dia, foi um bom jantar, mesmo assim, pareceu que passou rápido demais, ela prometeu voltar, até por que faz questão de ficar mais perto agora com o bebê.— Eles vão tirar férias juntos e devem passar umas duas semanas... Você vai poder conhecer melhor o sogrão – ele implica comigo e eu acabo rindo.— Ele é maneiro, ainda bem que não se parece em nada com a mãe do Rafa – Vinny ri e bate na madeira.— Que tal um cinema em casa? – Rafa pergunta enquanto se aproxima junto com a Bianca que embora esteja com os olhos inchados, não está mais chorando, Vinny dá a volta no balcão e vai até ela, abraça e beija sua boca rapidamente e dessa vez ela abre um sorriso e afunda o rosto no peito dele parecendo muito com a Bianca de sempre – Eu vou fazer pipoca e brigadeiro – Rafa avisa e vem pro lado de dentro da cozinha.— Eu vou escolhendo o filme...— Se você botar algum de terror não vai comer nem a pipoca nem o brigadeiro – ele ri e sai levando Bianca abraçada nele, Rafa ri e começa a se preparar na cozinha.— Então acalmar mulheres grávidas em plena crise de choro é um dos seus novos poderes? – ele ri e se vira pra mim.— Eu nem sabia que eu tinha um poder antigo...— Ah mas você tem – eu me aproximo dele, colocando minhas mãos sobre seu peito, ele sorri curioso.— E que poderes seriam esses? — Hmmm – eu finjo pensar – Me fazer a mulher mais feliz do mundo? Ter paciência com meu mau humor? Conseguir deixar minha mãe encantada? – ele ri e me abraça.— Isto fica feliz em ser útil...— Ainda faz referências aos meus filmes preferidos? Ahhhh eu te amo tanto – eu seguro o rosto dele com as duas mãos e o beijo.— ESSA PIPOCA É PRA HOJE, PORRA – Vinny grita da sala e só pra implicar Rafa me inclina pro lado dando um daqueles beijos de cinema, que me faz rir. Eu acordo assustada achando que perdi a hora, mas o despertador ainda nem tinha tocado, então saio da cama e pego meus livros e anotações, Rafa já não está no quarto, ele sempre acorda mais cedo que eu, na verdade, acho que ele acorda mais cedo que qualquer pessoa na cidade, então aproveito meu tempo e releio as coisas que anotei pra prova de hoje a noite, escuto os barulhos na sala e vou até lá, Rafa e Bianca estão rindo enquanto colocam algumas sacolas sobre o balcão.— Eu não sei como vocês conseguem ser tão bem humorados antes das 7 da manhã – eles riem.— Bom, alguém tinha que colocar esse lugar em equilíbrio né?
— Ainda bem que agora você tá por aqui, aguentar eles dois de manhã era um verdadeiro teste de paciência...— A porta da rua é serventia da casa – eu falo e eles riem, Rafa deixa a ultima sacola lá e vem até a mim, abrindo os braços e me apertando nele.— Te amo – ele sussurra na minha orelha e consegue me fazer sorrir, então me viro e lhe dou um beijo que ele faz durar alguns segundos a mais, quando nos afastamos que percebo a roupa deles, Bianca está com uma calça de lycra e camiseta, a barriga já aparecendo, Rafa está com o short preto e uma regata.— O que vocês estavam fazendo? – aponto pra roupa deles.— Bom, nós temos uma grávida em casa, alguém precisa levar ela pra fazer uma caminhada ou sei lá, mexer um pouco essa bunda mole – ele leva um tapa e finge uma cara de dor meio exagerada.— Você que quis ir atrás de mim...— É que alguém disse que ia voltar pra academia comigo, sabe? Mas até agora não conseguiu manter uma única semana inteira...— Eu tô em semana de prova – dou de ombros.— Aham – reviro os olhos.— E o café já tá pronto? – Vinny pergunta entrando na sala carregando a bolsa que ele leva pra aula e pra academia, ele a joga no meio do caminho e vai até a Bianca, beija sua boca e depois se abaixa pra dar bom dia pra barriga, o sorriso bobo não fica apenas na Bianca, mas se espalha em todos nós.— Eu vou passar o café – Rafa avisa e corre pra dentro da cozinha.— Não vejo a hora de acabar logo – Vinny fala sobre a faculdade.— Falta pouco agora, mais um semestre e é a formatura – Bianca o conforta e beija sua bochecha. Nós tomamos café todos juntos, Vinny sai pra aula dele, Bianca vai tomar banho e se trocar pra aula dela que hoje começa mais tarde e eu e Rafa voltamos pro quarto, por que ainda tenho mais um tempo extra antes de ter que ir pro escritório, então puxo minhas anotações e começo a reler elas pela milésima vez.— Você já sabe isso tudo de trás pra frente – Rafa fala tirando os papéis da minha mão.— Rafa, me devolve! — Você não precisa reler isso...— Rafa, por favor... — Quer ver? – ele levanta um dedo, depois folheia e escolhe uma folha – Para o exercício do comércio o que é indispensável pra sua escrituração?— Diários, registros de duplicatas, registro da ata da assembleia e pode ser facultativo a caixa, conta corrente, razão, copiador de cartas, como escrito no artigo 1179 C.C e no artigo 100 da L. 6404/76 – ele sorri satisfeito, então olha na outra folha.— Artigo 44 C.C?— A sociedade é o sujeito de direitos e obrigações— Artigo 14 L. S/A?— Admite ações sem valores nominais – o sorriso dele é ainda maior.— Viu? Você não precisa mais disso – ele joga as folhas pra trás deixando elas caírem em cima da cama.— Você é maluco? – como estou sorrindo, ele não se intimida e vem até a mim, ele estica a mão, eu aceito, mas continuo sentada na cadeira giratória.— Você precisa de um banho...— Eu tô cheirando tão mal assim? – faço uma careta e finjo cheirar debaixo dos meus braços, ele ri.— Não, você cheira perfeitamente bem – ele se inclina encaixando o rosto no espaço entre meu ombro e meu pescoço, sinto cócegas e acabo rindo – Só acho que um banho vai te ajudar a relaxar...— E como agua e sabonete fariam isso?— Eles eu não sei, mas quem sabe um banho com um namorado bem sexy, com o corpo definido, divertido, sexy, simpático... Eu já disse que ele é sexy e tem um corpo definido? – eu acabo rindo.— Você é um idiota, sabia? – eu falo, mas me levanto e ele me puxa pra junto do peito dele.— Eu te amo, sabia? – em resposta eu o beijo e ele me leva ainda agarrada nele até o banheiro. Depois que saímos do banho que acabou demorando tempo demais, eu logo me visto e ele me leva até o escritório, hoje temos duas reuniões importantes e isso exige toda atenção, então eu mal vejo o tempo passar, acabo pedindo o almoço no escritório mesmo e como enquanto releio algumas anotações e felizmente tudo sai perfeito, Dr. Leones me deseja uma boa prova e eu saio do escritório direto pra faculdade, encontro Matheus já sentado na cadeira de costume e com a cara nas anotações, me junto a ele e fazemos perguntas um para outro, o restante do pessoal vai chegando e Marilia e Bruna, que sempre ficam com a gente também entram no rápido grupo de estudo e ficamos mais aliviados conforme acertamos todas as respostas, mesmo assim quando o professor entra todo mundo fica sério e pensativo, ele passa todas as regras, entrega a prova e depois de ler ela inteira eu me permito um sorriso esperançoso, mas logo agarro a caneta e começo a escrever antes que eu esqueça as resposta, demoro um pouco mais de 20 minutos e quando me levanto pra entregar a prova Matheus também se levanta, trocamos um olhar discreto e controlado, entregamos a folha pro professor e saímos da sala quando alcançamos o corredor eu dou vários pulinhos e ele finge dar socos no ar, tudo que sabíamos caiu na prova e eu poderia sair correndo e pulando de alivio, ao invés disso apenas me despeço dele e vou o mais rápido que posso pro apartamento, quando abro a porta já escuto as risadas deles, Bianca e Rafa estão na cozinha e o cheiro que está pelo lugar me faz suspirar.— AI MEU DEUS, QUE CHEIRO MARAVILHOSO – não é exagero, eu realmente quase desmaio com o cheiro.— E eu ainda nem tomei banho – Bianca fala e eu acabo rindo.— Tá ficando muito perto do Rafa ein— Eu sou um ótimo exemplo!— Claro que é – eu finjo seriedade enquanto me aproximo e lhe dou um beijo rápido e aproveito pra olhar por cima do ombro dele pro fogão – Esse cheiro tá demais – ele sorri orgulhoso e abre o forno.— Carne assada! — Mentira! Sério? EU TE AMO – seguro o rosto dele exagerado e coloco vários beijos espalhados, ele ri.— Uma comemoração por você ter arrasado na prova...— Mas eu ainda nem disse como eu fui... – ele revira os olhos.— E como você foi?— EU ARRASEI – dou vários pulinhos e eles riem.— Então acho que pode ficar com a sobremesa também – Bianca fala e eu olho pra ela já curiosa, ela aponta a geladeira, eu abro e a travessa com o pudim está bem destacada.— A melhor coisa que o Vinny fez na vida dele foi casar com você – eu falo e já vou abraçando ela que ri do meu exagero, então me abaixo na altura da barriga dela – Sua mamãe arrasa no pudim, você tem sorte ein – ela ri ainda mais, eu beijo a barriga – E o pai dessa criança, onde tá?— Ensaio da banda – ela relembra e eu aproveito que eles dizem que já vão arrumar a mesa e corro pro quarto pra tomar um banho rápido. Quando volto eles já arrumaram as coisas na mesa redonda de quatro lugares que Bianca comprou por que disse que precisávamos de outro lugar para as refeições além do balcão, eu logo me sento e começo a me servir, como sempre tudo está maravilhoso e quando já estávamos na sobremesa o Vinny chega.— Quem quer uma noticia boa? – nós três levantamos as mãos e ele sorri orgulhoso – A gente tava lá no ensaio e vocês não vão acreditar em quem apareceu lá... – nós nos entreolhamos e depois voltamos a olhar pra ele que por mais que tente não consegue se segurar por muito tempo – Arnaldo Jorran!— “O” Arnaldo Jorran? – eu arregalo os olhos impressionada.— O produtor? — O próprio!— Ai meu Deus, e o que ele queria? Fala logo, curiosidade faz mal pro bebê – Bianca apela e nós rimos.— Ele quer ser o produtor musical da banda, ele tava no Festival, ouviu a gente e disse que temos muito potencial e é o tipo de banda que ele tava procurando pra investir...— AI MEU DEUS – eu e Bianca pulamos da cadeira e vamos até ele, abraçamos ele juntas e logo Rafa se junta a nós e comemoramos, por que ele é um dos maiores e mais bem sucedidos produtores do país, as maiores bandas foram e são produzidas por ele e isso vai ser o marco da banda, eles já estavam indo bem, mas agora, é um nível bem acima e eu estou realmente feliz por eles, quando conseguimos soltar ele, ele liga pra dar a noticia pra Lia e em menos de 30 minutos ela está entrando no apartamento com seus gritinhos e pulinhos típicos, nós rimos dela, mas a verdade é que entendemos perfeitamente a alegria dela e ter ela com seu jeito todo exagerado é sempre bom, mesmo que toda comemoração dure até as 2 da manhã de uma segunda feira. A semana passa corrida como sempre, mas não posso reclamar de nada por que embora tenhamos muita coisa acontecendo nas nossas vidas, ainda assim é isso que nos faz felizes, então mesmo cansada na sexta a noite eu vou com o Rafa pro food e como sempre mal abrimos e já temos fila.— Você é o Rafael, certo? – um homem muito bonito, pele negra, olhos levemente puxados e com dread azul pergunta parado na porta do food, ele já tinha pego o lanche dele, eu sei por que eu mesmo o atendi e é difícil esquecer um cara assim.— Sou eu sim!— Será que eu posso falar com você um minutinho? – Rafa faz uma careta olhando em volta.— Pô, irmão, vai ficar difícil agora... — Não quero atrapalhar, você nem precisa parar, só me ouvir, pode ser?— Aí pode – eu mantenho minha atenção dividida no caixa e neles.— Meu nome é Gabriel Miranda, eu sou fotógrafo e também faço parte da equipe responsável pela divulgação da parte turística da cidade, na revista “Canto e Encanto” e do jornal principal, enfim, nós sempre estamos procurando levar o que tem de melhor na cidade pra essa divulgação e já tem algumas longas semanas que seu negócio tá nessa lista... – eu olho pro Rafa e ele abre um sorriso orgulhoso e também me olha.— Isso é incrível – ele confessa voltando a olhar pro cara.— Isso é o que todo mundo diz quando fala daqui...— A modéstia não me permite concordar – Rafa finge uma cara séria e o cara ri, eu também, por que se tem algo que ele não tem é modéstia.— Bom, então eu queria saber se posso tirar algumas fotos, fazer algumas perguntas rápidas... O lanche eu já experimentei e tenho que confessar que... Não era exagero nenhum o que eu ouvi – o sorriso do Rafa se alarga ainda mais e depois desse elogio é claro que ele aceita responder as perguntas, mas avisa que tem que ser enquanto prepara os sanduiches – Bom, antes de mais nada, eu fiz meu dever de casa antes de vir aqui e dei uma pesquisada sobre você... – Rafa faz uma careta, mas o cara sorri meio impressionado enquanto olha um caderninho – Rafael Viana, formado em Harvard, neto de um dos maiores empresários do país, fala 3 idiomas fluentes, arranha no italiano, era o queridinho das câmeras, o solteiro mais cobiçado da alta classe e futuro presidente da VW, esqueci alguma coisa? — Não, mas deveria... Esse Rafael aí, eu já nem lembro mais quem era...— Então você veio pra cá pra tentar alguma coisa diferente?— Não exatamente, eu vim de férias...— Então a cidade realmente te conquistou – o homem brinca e Rafa ri, mas nega, então olha pra mim.— Não foi bem a cidade...— Ah sim, agora faz mais sentido – ele brinca e nós rimos.— Então depois de se apaixonar... – ele olha pra nós dois e sorri.— Eu sabia que não ia mais sair daqui, então tive que começar a pensar em opções, eu sempre gostei de cozinhar, mas nunca tive tempo de me dedicar a isso antes, então eu encontrei algumas pessoas que acreditaram em mim, mais do que eu acreditava e... Simplesmente aconteceu!— E como é sua rotina agora? O publico pelo que eu posso ver é bem grande aqui, é sempre assim? – então eles continuam a pequena entrevista enquanto a fila aumenta e diminui, depois aumenta novamente, eu fico escutando e rindo de algumas coisas e ao mesmo tempo quase explodindo de orgulho por ele estar sendo reconhecido, o cara também pergunta sobre a hamburgueria, pede autorização pra falar dela também e Rafa concede, ele também tira fotos do Rafa e em uma delas, ele me puxa pra junto dele, quando o cara se despede ele avisa que a matéria sairá no domingo, e enquanto Rafa está sorrindo todo orgulhoso e eu mal posso esperar pra ver a matéria divulgada e todo mundo lendo, por isso quando chegamos no apartamento sou eu quem conto a novidade toda animada, Vinny também tinha acabado de chegar de um show da banda na balada que eles ainda estão com contrato e mesmo parecendo cansado comemora com animação, mas dessa vez sem festa, nós apenas vamos para os quartos e nos jogamos na cama. Eu acordo mais cedo que o Rafa no domingo, saio do apartamento e desço correndo até a banca que tem na esquina da nossa rua, eu compro o jornal e a revista e volto correndo mais ansiosa ainda, eu vou direto pro quarto e ele ainda está dormindo, mas não me aguento e pulo na cama, ele se mexe, mas não abre os olhos, então eu me sento ao lado dele e passo meus dedos pelas costas dele, me inclino e sussurro “acorda” no ouvido dele, ele sorri e se vira com a barriga pra cima, fazendo uma careta ao abrir os olhos.
— Acordou antes de mim. Isso é um sonho ou milagre? – eu finjo uma risada, mas não ligo muito e levanto o jornal e a revista, ele sorri entendendo o motivo e se arrasta pra se sentar na cama – Você já viu?— Quero ver junto com você – ele sorri ainda mais e me dá um beijo rápido.— Então vamos ver – ele abre o jornal e procura pela parte de dicas turísticas, então lá bem grande e destacada está a foto dele com o boné e o avental do food enquanto prepara um dos pedidos.— É inacreditável como você é fotogênico – eu não me importo em estar sorrindo como uma boba.— Eu? Tá de brincadeira, olha só você aqui, ninguém nem vai me ver do seu lado – ele aponta a foto um pouco menor, mas de nós dois e eu até que não fiquei tão horrível, mas ele com certeza parece que nasceu pra ser fotografado.— Nós formamos um belo casal – eu falo orgulhosa quando abro a revista e vejo outra foto nossa destacada na matéria.— Até que você fica bonitinha do meu lado – ele implica comigo, eu acabo rindo e ele logo se aproveita pra vir pra cima de mim, seu corpo sobre o meu e sua boca tomando a minha, logo o jornal e revista ficam de lado.— Cadê o famosinho? Ficaram bem na foto ein – Vinny fala fazendo uma cara de impressionada enquanto eu entro pela sala.— Vocês já viram? — Tá na internet também – Bianca fala virando o tablete dela pra mim, a foto do Rafa parece ainda mais bonita assim e eu acabo sorrindo.— Toda babona – Vinny implica comigo, mas eu apenas mostro o dedo do meio pra ele e vou até a cozinha, Rafa aparece e ele vai implicar com ele.— Nós devíamos comemorar! — Hoje, na Physics, eu já vou tá por lá mesmo – Vinny sugere e Rafa me olha meio ansioso.— Eu aviso a Lia – ele sorri satisfeito e eu corro atrás do meu celular. Combinamos tudo direitinho, eu chamo ela pra almoçar com a gente, mas ela e Bruno vão almoçar com os pais dele, então marcamos de nos ver a noite mesmo, meus pais ligam pra parabenizar o Rafa pela matéria e ele e minha mãe ficam quase meia hora no telefone, mas quando desliga ele está ainda mais com aquele sorriso bobo e eu fico um pouco mais feliz por ele. Já são onze da noite quando fechamos o food, um pouco mais cedo que o normal, mas como Rafa quis abrir hoje e ao mesmo tempo sair pra comemorar, fechamos mais cedo e corremos pro apartamento, como já tinha deixado nossas roupas separadas, logo entramos no banho, separados, se não não saíriamos de lá tão cedo, ele me deixa ir primeiro e enquanto ele está no banho eu termino de me arrumar e ele já sai de lá praticamente pronto, Bianca foi mais cedo com o Vinny, então nós vamos direto pra Physics, chegamos no mesmo minuto que Lia e Bruno e ela logo corre até nós.— OLHA ELEEEEE – ela abre os braços pro Rafa que já está rindo sabendo dos exageros dela – Sua celebridade! Ainda vai andar com a gente? – ela implica e ele a abraça – Você tá pegando o Rodrigo Hilbert da nossa cidade...— Ahhhhh nem começa, ele vai ficar se achando – reviro os olhos e ela ri.— E não é pegar, é namorar, não sou um objeto – ele fala fingindo magoa e eu faço sinal de aprovação, ele ri e me beija.— Vocês são tão estranhos – ela fala fazendo uma careta – Mas são tãããããão fofos – nós rimos e abraçamos ela juntos, depois entramos. O lugar está começando a encher, mando mensagem pra Bianca e ela avisa que vem nos encontrar no bar em cinco minutos, Rafa e Bruno pedem nossas bebidas e enquanto eu falava com a Lia, o aperto nas laterais do meu corpo me fazem soltar um grito e um pulo, Lia gargalha e quando olho pra trás Vítor também está rindo, eu acerto dois tapas nele.— Você acabou de ser desconvidado! – ele dá de ombros.— Não foi você que me convidou... Foi o famosinho ali – ele aponta pro Rafa que volta trazendo meu copo.— Achei que não fosse vir – eles se cumprimentam com um abraço e um soquinho, então ele me faz uma careta e eu devolvo mostrando o dedo do meio, mas logo estamos rindo enquanto todo mundo zoa o Rafa por estar ficando famoso e portanto tem que pagar a conta, ele finge que acha ruim, mas também ri todo bobo, então ficamos todos juntos perto do bar onde tem alguns bancos e não está tão cheio, Bianca apareceu e pediu um drink sem álcool, mas é a primeira a se animar e nos arrastar pra pista de dança e eu e Lia não precisamos exagerar quando dizemos que mesmo grávida ela parece ter mais energia que a gente, por que ela só parou quando a banda subiu pra se apresentar, por que aí ela se grudou a frente do palco e ficou babando no Vinny, pra ser honesta, eu também sempre babo quando o vejo em cima do palco e embora eles sempre tenham arrasado já dá pra ver algumas mudanças neles, agora com um produtor musical, eles parecem mais focados ainda, estão assumindo mais personalidade e só me faz ter ainda mais certeza do sucesso que eles vão ser, por isso quando eles acabam o show e se juntam a nós os elogios não são nem um pouco forçados, eu abraço, parabenizo e zoou todos eles, por que de certa forma, os meninos também já fazem parte do grupo e eu me acostumei a ter eles por perto, espero que eles brilhem cada vez mais, acho que todos nós por que é o único motivo pra haver tantos brindes e risadas entre nós. Chegamos no apartamento as 3 da manhã, quase nos arrastamos para o quarto e eu apago antes de conseguir tirar minha sandália, mas quando acordo de manhã, estou sem elas e sem meu vestido da festa e com uma camisa do Rafa, eu abro um sorriso bobo que se fecha apenas um centímetro quando vejo que ele já se levantou, me espreguiço um pouco, mas então me lembro que já é segunda feira e pulo da cama, vou pro banheiro e depois me arrumo, saio do quarto já pronta e encontro Bianca também arrumada tomando café junto com o Rafa.— Bom dia – ele vem até a mim com minha caneca de café e me dá um beijo rápido.— Isso não é café, é? – eu pergunto apontando a caneca da Bianca, ela revira os olhos.— Eu já tenho que aguentar eles dois, você tem que ser a policial legal – ela pede fazendo uma cara de cansada.— Se isso não for café, eu sou a policial super legal – ela revira os olhos.— É leite – eu sorrio orgulhosa, me aproximo dela e toco sua barriga sentindo aquela emoção estranha mas ao mesmo tempo absolutamente normal.— Não quero meu bebezinho cheio de cafeína – mesmo querendo fazer uma careta, ela sorri.— O Vinny já foi então, eu vou levo você hoje... – Rafa avisa pra Bianca e eu pego alguns rolinhos de queijo e presunto, pego minha bolsa e Bianca pega alguns morangos da cesta e vem devorando eles dentro do elevador. Primeiro eu fico no escritório já que é mais perto e depois ele vai levar Bianca pra faculdade dela, as coisas no escritório estão tranquilas e eu recebo um sms da faculdade avisando que não terei aula hoje, então meu almoço fica até mais gostoso e eu trabalho até mais empolgada, quando dá o meu horário eu ainda ajudo Cecília, que é a nova secretária a organizar uns documentos pra amanhã e então vou direto pro apartamento, animada por ter uma noite de folga e por saber que Rafa também vai ficar em casa essa noite, já começo a pensar em algumas ótimas maneiras de aproveitar esse tempo, mas quando abro a porta eu simplesmente fico sem reação quando vejo Rafa e a mãe sentados no sofá, um do lado do outro olhando alguma coisa, parecem papéis.— Amor – ele vem até a mim e me dá um beijo rápido enquanto eu ainda olho pra mulher sentada no sofá, esperando que ela dê o bote, mas ela apenas sorri e se levanta sem desviar os olhos de mim.— Daniele, certo?— Daniela! – eu a conserto e ela me dá um sorriso meio irônico, mas se aproxima e estende a mão, eu aperto mantendo minha mão firme, agradeço mentalmente por estar com a roupa social que uso no escritório, assim pareço mais ameaçadora.— Ah sim, me desculpa, eu sou péssima com nomes – ela ri de um jeito que me irrita.— Eu não sabia que você vinha...— Ah eu resolvi um pouco em cima da hora, eu estava morrendo de saudades do meu filho e fui remexer em algumas coisas no closet e encontrei isso – ela mostra o que eu pensei que eram papéis, mas são fotos, fotos do Rafa ainda bebê e não importa o quanto eu não suporte ela, quando o vejo vestido de urso panda dentro de uma cestinha, eu me derreto toda e pego a foto da mãe dela.— Ai meu Deus, você era tão fofo – ele sorri todo bobo.— Eu sei que sou a mãe, mas ele era o bebê mais lindo que eu já tinha visto – meu sorriso se fecha um pouco quando ouço a voz dela, mas então ela me entrega outras fotos, dele maior, com cerca de uns 5 anos com uniforme da escola e segurando a lancheira, eu sorrio e vou olhando foto por foto, em cada uma delas ele está maior, até a última que é dele abraçado e rindo com uma garota loira muito bonita.— Eu não sabia que você tinha essa foto – ele puxa a foto da minha mão e vira pra ela que sorri.— Vocês eram um casal tão perfeito, ainda não entendo por que terminaram – ela pega a foto da mão dele e lamenta sem nem se importar comigo ali, ele puxa a foto de volta e começa a rasgar.— Por que eu peguei ela na cama com meu melhor amigo – ele parece meio irritado.— E por que você nunca me disse isso? – ele solta uma risada meio nervosa.— Eu disse, você só não escutou... Pra variar – ele já estava começando a se irritar de novo, mas ela o puxa e o abraça.— Eu sinto tanto por não ter sido a mãe que você mereceu... Agora eu vejo o quanto eu fui ruim com você, mas eu te amo tanto, você é meu único filho, eu amo você mesmo que não mereça o homem que você é – eu esperava encontrar ele revirando os olhos ou irritado, mas não, ele sorri e se deixa ser abraçado e isso só me deixa ainda mais confusa – Eu não conseguia parar de pensar em você e isso ficou insuportável, até que quando eu percebi estava no aeroporto – ela sorri e beija a bochecha dele – Acho que é coisa de mãe – eu tenho vontade de dizer a ela o quanto está tarde pra ela bancar a mãe, mas quando olho pra ele, eu perco a coragem, ele está sorrindo e realmente parece feliz com isso e eu não consigo tirar isso dele, por mais que não esteja nem um pouco acreditando nela.— E você vai ficar aqui?— Ah não, não quero dar trabalho, eu já fiz minha reserva no hotel, eu só queria ver e conversar com meu filho logo...— E vai ficar quanto tempo? — O tempo suficiente pra matar essa saudade – talvez seja apenas a minha implicância, mas eu sinto um tom desafiador na voz dela.— Eu vou preparar alguma coisa pro nosso jantar, você janta com a gente? — Nós podíamos ir pra um restaurante, você não deveria ir pra cozinha – ela fala meio que reprovando a ideia.— Eu adoro cozinhar, além do mais, eu já tinha começado a adiantar as coisas, a Dani sempre chega cheia de fome mesmo, né mô? – ele me dá um sorriso divertido e um beijo rápido.— E é você que cozinha?— É, digamos que é mais seguro – ele fala e ele mesmo ri, em outra situação talvez eu risse ou fizesse uma careta ou mandasse ele se ferrar, mas tudo que eu consigo fazer é encarar ela esperando por qualquer coisa ruim.— Bom, então se você insiste – ela sorri pra ele e eu ainda sinto cada pêlo meu se arrepiando em alerta. — ADIVINHA O QUE A GEN... – Bianca para a frase quando entra e dá de cara comigo e a mãe do Rafa no meio da sala, Vinny vinha logo atrás dela e logo está atento, seus olhos grudam nos meus esperando algum pedido de socorro, mas tudo que eu faço é levantar um pouco os ombros.— Não sabia que teríamos visita – ele fala sério e cuidadoso.— Resolvi fazer uma surpresa pro meu filho, espero não atrapalhar – Vinny não responde, ele olha pra mim e eu não consigo e nem tento disfarçar minhas desconfianças – Você é o Vinny, certo? — Vinicius – ele a conserta ainda mais sério que antes, ele coloca a mão na cintura da Bianca e a traz junto com ele pra perto de mim, como se estivesse nos protegendo de algum perigo e eu sinto uma pontinha de mim relaxando por ele estar perto.— Me diz que não jantaram, eu vou fazer fricassê – Rafa fala meio animado demais.— Ainda não, e trouxemos sobremesa – Bianca tenta entrar um pouco mais no clima animada, então vai até o Rafa e mostra o mousse de maracujá que o pai dela mandou pra gente, depois se oferece pra ajudar ele.— Preciso te mostrar uma coisa – Vinny fala e já agarra meu braço me levanto para o corredor dos quartos, entramos logo no meu e ele encosta a porta – Que porra é essa? O que ela tá fazendo aqui?— Eu não sei, eu... Quando eu cheguei do escritório ela já tava aqui, disse que tava com saudades e resolveu fazer uma surpresa, trouxe umas fotos, veio com papinho que foi uma péssima mãe...— E você não acredita nisso?— Ai Vinny, por favor, por favor, me diz se eu tiver surtando, mas eu não consigo... Não consigo acreditar que ela simplesmente lembrou que tem um filho e resolveu aparecer assim... Do nada...— Nem eu! – ele me olha e ficamos apenas nos olhando por alguns segundos.— E o que eu faço? — Nada – ele dá de ombros – É a mãe dele e pelo que eu vi, ele parece ter acreditado...— Esse é o problema, essa é a primeira vez que eu vejo ele animado com algo sobre a mãe... E se ela estragar tudo?— Então ele vai ficar mal, bem mal, vai se sentir um merda, idiota, burro, vai se sentir um moleque rejeitado de novo, mas aí ele vai olhar pro lado e ver que a vida não é tão ruim assim, que pode até ter uma mãe bosta, mas tem uma namorada foda pra caralho que vai fazer ele esquecer disso, assim, num estalar de dedos e sabe como eu sei disso? – ele me olha e abre um sorriso – Por que foi assim naquele almoço com meu pai... – eu não sei o que dizer então apenas faço o que sempre me acalma quando começo a me desesperar e me sentir perdida, eu o abraço forte e sou abraçada de volta ainda mais forte, ele afunda o rosto no meu cabelo.— Eu não queria que você tivesse tido aquele dia, nem quero que ele se magoe ainda mais com essa história...— Você não pode controlar tudo. Não pôde controlar meu pai e com certeza não vai controlar a mãe dele, mas tá tudo bem, isso não é trabalho seu...— Deveria ser. Eu deveria conseguir proteger as pessoas que eu amo – ele segura meu queixo e me faz olhar pra ele.— Você deve amar. Só isso. Só amar. Ponto. Isso é mais do que suficiente, acredita em mim – ele me dá um sorriso e aperta me nariz do mesmo jeito que Rafa faz pra me irritar, eu empurro a mão dele e volto a encostar meu rosto no seu peito.— Eu espero estar errada!— Eu sei. Mas caso não esteja, ele precisa passar por isso, precisa ele mesmo ver o que vai acontecer, entende? Confiar ou não nela, é uma escolha dele, mesmo que ele quebre a cara, ele precisa disso...— Como você precisou com seu pai?— Isso! Eu sabia que você tava desconfiada, eu vi nos seus olhos isso, mas eu precisava tentar, entende? Foi uma merda, mas me libertou, eu não espero mais nada dele e eu estou feliz com isso, se ele quis ou não participar da minha vida, é um problema dele, não meu, eu SOU feliz...— Então você tá me dizendo que eu tenho que deixar ele quebrar a cara?— Despedaçar! Depois a gente cata os caquinhos e arranja um super-bond – mesmo ainda preocupada e com meu coração um pouco pesado, eu acabo rindo, o abraço mais uma vez, dessa vez me sentindo mais confortada, ele me balança pros lados e eu acabo rindo mais um pouco – Anda, agora vamos voltar antes que ela dê o bote – ele faz uma careta e saímos do quarto e voltamos pra sala, ela está no balcão olhando o Rafa e a Bianca e rindo de algo, eu e Vinny nos aproximamos.— Engraçado que vocês parecem tão diferentes... Quer dizer, não é apenas a aparência né, mas o jeito... Eu não sei, parece até que você e ela combinam mais – a mãe dele fala apontando pro Rafa e pra Bianca.— Ah isso deve ser coisa da sua idade, por que tá bem na cara que essa daqui é minha – Vinny aproveita pra alfinetar ela e se aproxima da Bianca e dá um beijo rápido na boca dela.— Ah não fique enciumado, é só que olhando pro Rafinha e pra... Daniele, né? – ela finge esquecer meu nome de novo, mas nem respondo – Eles são bem diferentes...— Imagina minha surpresa quando conheci você né? Você e ele não tem nada em comum, nem a cor do cabelo – uso minha ironia, ela me encara uns dois segundos e depois ri.— Verdade, ele puxou o pai, e quanto a vocês, deve ser aquela coisa dos opostos que se atraem, essas coisas do amor são tão complicadas...— Na verdade não tem nada de complicado, ela é a mulher da minha vida – Rafa fala e me olha diretamente nos olhos, o sorriso bobo desliza na boca dele e é como se escorregasse pra minha – E essa é a coisa mais simples do mundo pra mim...— O importante é que vocês estão felizes. Agora me conta, o que vocês fazem pra passar o tempo aqui? – Rafa logo se empolga de falar das cachoeiras, trilhas, dos melhores lugares pra ir e ela faz algumas caretas e outros sorrisos, eu começo a ficar entediada e saio de fininho.— Eu sei onde o Vinny esconde uma garrafa de vodka no quarto – Bianca fala quando passa por mim, diminui o passo, olha pra trás e sorri, eu também acabo sorrindo e vou logo atrás dela, até o quarto deles que agora já não tem mais aquela cara de um quarto de um cara solteiro, o papel de parede colorido na cabeceira da cama, junto com as fotos espalhadas pela outra parede, a luminária vermelha que tem de cada lado da cama, os bichinhos de decoração, a palavra “love” grafitada acima das prateleiras de livros, o suporte pro baixo e para as bolsas dela, junto com a cortina de flores deixam o lugar com a cara perfeita deles dois e eu ainda acho fantástico essa mudança, não só no quarto, mas nas nossas vidas todas – Que tal? – ela pergunta estendendo a garrafa que ela tira de dentro do guarda-roupa.
— Filho da mãe, é uma Smirnoff e ele escondeu de mim – eu reclamo já pegando a garrafa e abrindo, ela ri, eu tiro a tampa e dou um gole na garrafa mesmo, o liquido desce queimando e ardendo pela minha garganta, mas eu apenas fecho os olhos, jogo a cabeça pra trás e engulo.— Acho que isso te faz aguentar até o fim da noite... – eu dou um sorriso agradecido e outro gole logo em seguida.— Eu só não entendo o que ela quer... Ele tá indo tão bem, tava tudo bem, aí ela resolve aparecer agora...— E você acha que isso é coincidência? – ela pergunta me olhando meio desconfiada.— Como assim? — Olha, eu não sei muitos detalhes, pelo menos não tanto quanto você deve saber, mas eu lembro da ultima vez que ela esteve aqui e eles não se deram bem...— Ela é uma bruxa, ela nunca deu atenção que ele merecia, nem quando ele criança, ela simplesmente vendeu ele pro avô por conta de uma mesada... E agora ela aparece arrependida?— Esse é o ponto. Não acho que ela esteja arrependida... Quer dizer, você viu como ela tá vestida? Parece que ela escolheu essa roupa por horas, toda maquiada, perfeita, ninguém que está louca de saudade de um filho perderia tanto tempo pra passar uma ótima imagem assim... – agora que ela fala eu realmente percebo isso, ela está ainda mais arrumada do que eu já tinha visto, até joias ela está usando e a maquiagem, bom, parece que ela vai pra algum evento de gala – E o jeito que ela fala, enquanto vocês vieram pra cá, ela ficou tentando puxar uns assuntos com a gente e... Sei lá, isso me fez pensar em... Por que agora? Por que justamente agora, ela sentiu toda essa saudade? Depois de tantos anos... Por que agora, Dani? Por que? – ela me olha esperando que eu responda, mas eu não faço ideia da resposta, eu não tenho a menor ideia do por que ela aparecer agora, nós estavamos bem, essa semana foi incrível, tivemos várias comemorações, da banda, das minhas provas, do Rafa com o...— Ah meu Deus! – eu sinto como se uma daquelas lâmpada dos desenhos se acendessem na minha cabeça e quando olho pra Bianca sei que ela pensou o mesmo que eu – A matéria dele sobre o food...— Não saiu só aqui, Dani, isso saiu na internet, é só jogar o nome dele no google e você acha a matéria e todos os elogios...— Ai meu Deus – eu coloco a mão na testa e caio sentada na cama – Ela só veio aqui por que... Ai meu Deus – eu olho pra Bianca e ela também está com uma cara meio preocupada.— Eu não sei o que ela disse pra ele, mas ele realmente acha que ela veio por ele. SÓ por ele – ela revela o que eu já tinha percebido, mas isso só faz meu coração se apertar ainda mais, minha vontade é sair daqui e correr até lá, expulsar ela do apartamento, mandar ela sumir da vida dele, das nossas vidas e me agarrar nele e o proteger de tudo, mas eu não posso, eu não tenho coragem de ir até lá e dizer pra ele que ela não mudou em nada, que tudo que ela quer é uma maneira de se dar bem, eu não posso fazer isso com ele. O Vinny tá certo, eu não posso fazer nada e esse é um sentimento horrível, então eu faço a única coisa que posso, levo a garrafa a boca, fecho os olhos e jogo a cabeça pra trás deixando o liquido queimar toda sua trajetória pra dentro de mim.— O jantar já tá pronto – a porta abre e Rafa coloca a cabeça pra dentro do quarto, ele faz uma cara de magoa quando me vê – Você não ia me oferecer? – ele entra no quarto e vem até a mim, já pegando a garrafa da minha mão, mas eu nego e a agarro mais forte, ele me encara com uma sobrancelha levantada – Você vai beber isso tudo sozinha? — Vou – dou de ombros.— Ah não vai, não!— Ah eu vou sim! – o olhar de diversão dele diminui e ele me olha meio curioso meio confuso.— Aconteceu alguma coisa? – mesmo que eu devesse agira naturalmente, meus olhos desviam pra Bianca e isso é suficiente pra ele se alertar, ele também olha pra ela e dá uma rápida piscada de olhos que ela entende de imediato.— Eu vou avisar que vocês já vão – ela forço um sorriso e sai do quarto, assim que ficamos sozinhos, ele cruza os braços na minha frente e me olha sério.— Então? — Eu tô com muita sede – dou de ombros.— Dani!— Rafa!— Aconteceu alguma coisa no escritório? É isso? A gente nem se falou direito quando você chegou, o que foi?— Nada, eu tô bem...— Eu te conheço— Que bom, por que você é meu namorado – mesmo querendo bancar o sério, o sorriso apareceu quando eu disse a palavra “namorado” e mesmo querendo despistar ele e estando preocupada, um sorriso apareceu em mim quando vi o dele.— A gente não sai desse quarto até você falar o que aconteceu — ele conclui e pelo jeito que ele fala eu sei que é verdade, mas mesmo assim não posso dizer e odeio ter que mentir pra ele, então fico quieta e ele também, até que seus olhos se estreitam e parece que ele lê o meu pensamento – É por causa dela! — Quê? Quem? – eu tento parecer desentendida, mas ele já percebeu, ele sorri se ajoelha na minha frente, passando os braços pela minha cintura e me puxando pra mais perto da beirada da cama.— Eu amo você, sabia? Mas você não precisa se preocupar, de verdade, eu sei que ela não é uma santa... Eu só... Quero ver até onde isso vai... Não precisa encher a cara por minha causa...— Nossa, como você se acha – eu reviro os olhos fingindo tédio, ele ri, se levanta um pouco e me beija, a principio apenas um beijo rápido, mas quando sinto sua boca na minha, eu o puxo pra mais perto e o beijo aumenta e eu simplesmente não quero que acabe.— Acho que você tá tentando me seduzir – ele fala com a boca ainda próxima da minha e com um sorriso divertido.— E tá funcionando? – ele ri.— Sempre funciona! – ele volta a me beijar.— Ah nem fudendo que vocês vão ficar se pegando na minha cama – Vinny reclama já invadindo o quarto, que na verdade é dele, Rafa faz uma careta, mas me libera.— Vou me lembrar disso da próxima vez que eu tiver que acalmar alguma crise da Bianca – ele avisa e Vinny faz uma cara triste e o abraça.— Tem camisinha na segunda gaveta – ele avisa e então os dois riem, eu tento não rir, mas acabo falhando.— Vocês são dois idiotas!— Foi você quem nos escolheu – Vinny dá de ombros sem se abalar, Rafa ri concordando e então me abraça e me leva junto com ele pra fora do quarto.— Anda, você precisa comer já que tava bebendo...— É a minha garrafa? – Vinny se vira pra mim.— ERA a sua garrafa – dou de ombros e bebo mais um gole, ele avança e tira a garrafa da minha mão.— Abusada – eu acabo rindo e vou junto com Rafa pra sala novamente. A mãe dele e a Bianca estão falando sobre algo sobre o clima e então nos juntamos, a mesa está arrumada e logo nos servimos, ela enche o Rafa de elogios e ele sorri meio bobo, eu e Bianca trocamos alguns olhares, mas tento não demonstrar muita coisa pro Rafa, então sorrio, faço alguns comentários e torço pra noite acabar logo, por isso quase salto de alegria quando ela avisa que vai voltar pro hotel, ela se despede e ele a leva até a porta e embora eu sinta um alivio vendo ela sair, ainda não consigo ficar tranquila.
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