Superando Expectativas

21 Três Oozarus e uma cientista!


Notas iniciais
Essa idéia veio na madrugada de sábado.
Sei que vai parecer loucura, mas quando a inspiração manda, tenho que obedecer!
Também sei que Trunks e Bra nasceram sem cauda (pelo menos acho que sim, não sei se eles cortaram no nascimento, e continuaram cortando periodicamente), mas em fanfics, vale de tudo, né?
No mais, espero que gostem dessa minha idéia maluca :P
Boa leitura ♥

O dia amanheceu tranquilo e suavemente na Corporação Cápsula.

O relógio marcava exatamente 6 horas quando Bulma, meio tonta, finalmente conseguiu pegar o objeto. Ela agradecia a Kami por ter tido a brilhante idéia de tirar o som do aparelho, uma vez que Vegeta destruíra-o inúmeras vezes em seus acessos de raiva por conta do barulho.

Se por um lado, o príncipe tinha acessos de raiva, Bulma estava tendo acessos de loucura. Talvez TPM, talvez crise dos 40. A verdade era que, há algumas semanas atrás, Bulma ficou frente à frente com seu pior pesadelo: a velhice. Ela encontrara seu primeiro fio de cabelo branco!

E foi um caos.


Primeiro vieram as lágrimas. Depois, os gritos. E os gritos viraram sons guturais que não poderiam ser traduzidos nem por Namekuseijins.
Olhando fixamente seu reflexo no espelho, ela agora procurava incansavelmente por mais dos malditos fios. Decidida, fez um alto rabo-de-cavalo, enquanto respirava fundo tentando manter a calma. "Calma Bulma, você só achou um fio! Não tem nada demais em achar um fiozinho, você não é mais aquela jovem de 16 anos que buscava as esferas do dragão, agora é uma mulher de negócios, mãe, e precisa manter a calma, não é o fim do mun-AAAAAAAAAAAHHHH!!! OUTRO?!"

Aquilo só podia ser um pesadelo.
Deixando-se cair de joelhos no chão, ela pôde sentir seus lábios se curvando enquanto lágrimas se formavam nos cantos de seus olhos novamente. Agora, esperneando e fazendo um verdadeiro escândalo, ela puxava não só os fios brancos, mas como todo o cabelo.

Jogando-se no chão enquanto batia os braços e as pernas no ar em revolta, a mulher parou imediatamente quando viu uma figura masculina e familiar parar em sua frente.


"Er, mamãe... você trocou de corpo com a senhora Chichi, foi?"

Bulma fungou algumas vezes antes de falar. "Ai Trunks, não! Não zomba de mim agora, você não faz idéia do que aconteceu, filho!"

O adolescente suspirou em derrota. Sabia que sua mãe era a rainha do drama, e sentia-se cansado até antes mesmo de saber o motivo pro tal estardalhaço. "Não, mãe. Mas tenho certeza de que é algo insignificante e a senhora tá agindo de maneira exagerada!" Ele cruzou os braços, seu olhar muito sério.


"KAMI-SAMA DO MEU CÉU! A cada dia que passa você fica mais parecido com seu pai, ugh! Quem te deu o direito de falar comigo assim, hein? Eu sou sua mãe, você tem que me respeitar Trunks, e pra sua informação, eu NÃO sou exagerada e, ESPERA AÍ!" A mulher parou de repente. Cerrando os olhos, começou a dar pequenos (e intimidadores) passos na direção do híbrido. "Você me chamou de que, mocinho?" Ela sibilou.

Enquanto sua mãe vinha em sua direção feito uma onça pronta para atacar sua presa, o meio-saiyajin recuava. Enxugando o suor da testa, ele levantou as mãos tentando se proteger. "Ué, hehehe... t-te chamei d-de... de mamãe!"

"VOCÊ. ME. CHAMOU. DE. SENHOOOOOOOOOOOOOOOORA!!!!" Bulma berrou sem medo, enquanto distribuía socos no ombro de Trunks. "Como se atreve? Você é sangue do meu sangue, te carreguei dentro do meu ventre por malditos 9 meses, e é assim que você trata sua progenitora? INGRATO! VOCÊ E BRA SÃO DOIS INGRATOS, NINGUÉM ME DÁ VALOR NESSA CASA, ARGHHHHHH!!"


"Em nome do poderoso Enma Daioh, mamãe! Para com isso, fica calma!" Trunks não sentia dor nenhuma pelos golpes, mas estava um tanto quanto assustado com a reação de Bulma. Tudo bem que a mulher gritava e agia sem pensar às vezes, mas essa era diferente. Algo de muito errado estava acontecendo.

"NÃO ME PEÇA PARA FICAR CALMA!!!"

Num ímpeto, Trunks segurou os delicados pulsos de Bulma. "Por favor mamãe, não tem porquê fazer isso! Eu não to entendendo nada, antes de sair me socando, explique porque está assim!" Ele disse, enquanto sua mãe tentava se soltar. "PARA! Já chega, olha, me desculpe se te chamei de senhora e isso te ofende, mas eu sempre me referi à você assim mamãe, qual é a diferença agora?!"

Bulma respirou fundo, encarando seu filho. Soltando o ar, acenou para que ele a soltasse, e o menino o fez. Ela deu-lhe as costas, pegando uma toalha de rosto e enxugando-o, começou a explicar. "Eu encontrei dois fios de cabelo branco hoje. Dois! Sei que parece besteira, mas ai meu Deus, filho..." Ela fez um biquinho.

Trunks suavizou sua expressão, colocando uma das mãos sobre o ombro da cientista. "Tudo bem mãe, sei o quanto se preocupa com essas coisas. Mas olha, não é o fim do mundo! E daí que apareceram dois fios brancos? Você é uma mulher linda, sempre será." Ele disse, antes de inclinar-se e repousar um carinhoso beijo na bochecha de Bulma.

"Awn, querido..." Bulma sorriu. "Mas você sabe... saiyajins não envelhecem quase nada. Seu pai não tem uma única ruga, e as minhas, por mais que pequenas, já estão aparecendo. Me sinto insegura, entende? Vou envelhecer mais do que todos vocês, e ai Kami, seu pai vai deixar de me amar quando me ver toda velha caquética!"

O adolescente abafou uma risada baixinha. "Não seja boba! Papai te ama de verdade, e tenho certeza de que ele não tá nem aí pra rugas ou velhice! Vamos, cadê aquela mulher independente, decidida e corajosa, hein?"

Ela riu, abraçando-o. "Está aqui, está aqui. Obrigada, querido."


Se ao menos Trunks soubesse que naquele exato momento, sua mãe havia mentido, ele teria continuado naquele maldito banheiro tentando convencê-la por quantas horas fossem preciso.

Mas Bulma havia-o enganado direitinho.

E agora, ela tinha um plano.
Que saiyajins quase não envelheciam, era um fato. Que Bulma estava disposta a aproveitar-se disso, também. Passara a última semana trancafiada dentro de seu laboratório, pesquisando inúmeros meios de fazer seu genioso plano dar certo. Ela aproveitaria os genes que eles possuíam a seu favor. A questão era: como?

A resposta não tardou em aparecer.


Era algo arriscado, e ela sabia. Sabia que haveriam consequências, e que essas consequências poderiam ser fatais. Entretanto, o desejo de permanecer jovem era irreversível, e deixando a pouca sanidade que possuía de lado, deu o primeiro passo ao suposto sucesso.

Vegeta dormia pesadamente ao seu lado. Ela havia-o convencido a não arrancar sua cauda, o que deixara o príncipe dos Saiyajins muitíssimo intrigado. Usando todo o seu charme e sedução, a mulher conseguira.

"Você sabe o que pode acontecer, mulher."

"Sim Vegeta, eu sei. Mas ai... por favor, vai. Acho tão lindo e diferente, não custa nada! É só não olhar pra lua cheia que tudo acabará bem."

"Hmpf. Que seja."


Ela lembrava daquela conversa, e agora sentia medo. Claro que seu marido não cometeria o erro de olhar para a lua, mas não podia deixar de se sentir insegura. Balançando a cabeça afastando os maus pensamentos, ela levantou-se, dirigindo-se ao banheiro e abrindo a quarta e última gaveta do armário. Era lá que guardava um pequeno kit de primeiros socorros, e dentro desse kit, continha o que ela precisava para finalmente dar início à sua pesquisa. Pegando uma das agulhas descartáveis com cuidado, a mulher fechou a gaveta, respirando fundo.

Voltou a deitar do lado de seu marido, agradecendo por ele estar de costas para ela. "É agora ou nunca." Ela murmurou à si mesma, antes de enfiar o pequeno objeto na cauda de Vegeta.
Para sua surpresa, uma grossa quantidade de sangue encheu o pequeno tubo da seringa. Bulma recolheu apenas uma pequena amostra, visto que Vegeta começou a resmungar, e ela definitivamente não queria que o companheiro acordasse. Satisfeita, suspirou baixinho, e dando continuação a seu plano, puxou um pequeno chumaço de pelo da mesma cauda. Dessa vez, Vegeta sentiu.

"ARGH! Que diabos foi isso?" Ele grunhiu, irritado.

"Ai amor, me perdoa, acho que deitei em cima da sua cauda sem querer!" Ela mentiu, escondendo os pelos e a seringa debaixo do lençol que os cobria.

"Como você é burra, mulher! Não sabe que dói?"

"Burro é você, saiyajin mal-criado! Eu disse que foi sem querer, e eu sei que dói, hunf!"

"Grrr, me deixe em paz de uma vez!" Ele bufou, virando-se novamente e tentando voltar a dormir.


"Consegui! Hihi, sou um gênio! Agora tenho que aproveitar e fazer o mesmo com Trunks e Bra! Afinal, eles também tem sangue saiyajin, e eu estou mais do que ansiosa pra começar meus estudos!" Ela pensou, sentindo-se vitoriosa.

Checando duas vezes para ter certeza de que o guerreiro havia pegado no sono novamente, ela voltou a levantar, abrindo a porta do quarto com extrema cautela, indo em direção aos aposentos de seus filhos. Como Bra estava de castigo por ter aprontado, e aprontado feio, a mestiça estava dormindo no mesmo quarto de seu irmão.
Bulma repetiu o mesmo movimento com ambos, e sorrindo, toda cheia de si, desceu as escadas, correndo na ponta dos pés para o laboratório. Mais do que imediatamente, iniciou as pesquisas.


De segunda à sexta, ela trabalhou, trabalhou, trabalhou...
E naquele sábado, às 6 da manhã, a bela mulher de olhos e cabelos safira, nem sonhava com o que estava para acontecer.


Ela espreguiçou-se, bocejando e coçando os olhos. Ajeitando o cabelo, escovou seus dentes, lavou o rosto, e sentou-se para fazer suas necessidas fisiológicas... tudo parecia normal.
Enquanto se vestia, sentiu que Vegeta acordara também.

"Bom dia, querido." Ela disse, sorrindo.

"Hn. Que horas são?"

"São 06:30."

Ele franziu a testa, confuso. "E por que está acordada tão cedo?"

"Ah..." Bulma parou por um instante, precisava inventar uma boa desculpa. "Não é nada demais, tenho acordado nesse horário todos os dias na última semana."

"Eu sei. Por isso perguntei. Você nunca foi de acordar tão cedo, mulher. O que diabos anda fazendo naquele lugar?" Ele perguntou desconfiado.

"Ora essa, vê se pode! Você acha o que, hein? Que to te traindo com um dos robôs, é? Que coisa chata, Vegeta!"

"Não. Mas deve ter criado algum andróide pra ser seu amante."

"O QUE?" Ela gritou. "Aiiiii, eu mereço viu... to com cara de Dr. Maki Gero agora?"

"Com a quantidade de rugas que estão aparecendo, logo logo estará igualzinha!" Vegeta zombou, sorrindo de canto. Sabia que Bulma se irritaria com a brincadeira.

"Aaaaaaaaaaargh, vai pro inferno, Vegeta!" Ela rosnou, pegando os sapatos, e saindo do quarto batendo a porta com o máximo de força que pudera.


"Até parece que ele não sabe que eu to super sensível com a minha aparência e ainda diz essas coisas! Vai provocar a mãe! Grrr, me casei com um ogro!!!" Ela pensava enquanto descia as escadas, bufando. Seu rosto vermelho de tanta raiva. "Mas tudo bem, não vou me abalar por isso. É hoje que os resultados ficam prontos, e finalmente vou poder ter minha fórmula da juventude, muahaha!"


Bulma estava concentradíssima, e muito orgulhosa de si.
Ninguém descobriu sobre seu mirabolante plano, nem mesmo seu pai. O universo parecia conspirar a seu favor, e ela já sentia a adrenalina correr por suas veias dando os toques finais para a pesquisa, em prol de antecipar o resultado.

Foi quando um alto e raivoso rugido chamou sua atenção.


Sentindo o laboratório inteiro tremer, Bulma segurava sua xícara de café para que a mesma não molhasse os papéis que estavam na mesa. Quando o tremor se intensificou, ela foi cambaleante em direção a porta do laboratório, digitando a senha, e correndo para fora da sala.
A cena que seus olhos captaram era inacreditável. Em seu rosto, uma pura expressão de pavor.

"M-meu... m-m-meu Deus!" Foi tudo que conseguiu dizer antes de ser puxada para cima por uma grande e peluda pata. Gritando em horror, ela começou a se debater. "O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? AAAAAAAAAAHHH!!! SOCORROOOO!!!"

Vegeta, Trunks e Bra estavam na forma de gigantescos Oozarus, movendo-se raivosamente de um lado para o outro. Ao que parecia, quem estava segurando-a era seu marido, e Bulma não conseguia parar de tremer. "POR QUE É QUE VOCÊS SE TRANSFORMARAM EM MACACOOOOOOOOS? AAAAAAAAHH! VEGETAAAA, ME PÕE NO CHÃOOOO!"

Obviamente, ele não pôs.

"KAMI! O que é que aconteceu? Está de dia, como eles se transformaram? Não tem lógica, não tem como isso acontecer! Aiiii, eles não tem raciocínio lógico enquanto estão nessa forma, está tudo perdido, vou morrer!!!"


Enquanto Bulma tentava manter a calma e se concentrar pensando em uma maneira de acabar com a situação, sentiu o ar sumir de seus pulmões quando viu que Trunks e Bra estavam estáticos, sentados, encarando-a. "O QUE É QUE VOCÊS TÃO ME OLHANDO, HEIN? SE A CABEÇA DE VOCÊS TÁ FUNCIONANDO, NÃO FIQUEM AÍ PARADOS PELO AMOR DE DEUS, FAÇAM SEU PAI ME COLOCAR NO CHÃO ANTES QUE EU MORRA!" Ela gritou desesperadamente.

E os oozarus não tiveram a mínima reação.
De repente, Vegeta rugiu bizarramente, e antes que pudesse sequer piscar, Bulma foi lançada para longe.

"NÃOOOOOOOOO!" Sua voz se perdia enquanto voava em uma velocidade assustadora.

Ela fechou os olhos, esperando pela morte certa.

"BULMA! Pare de fazer escândalo, acorde, mulher louca!"

E ela abriu os olhos. Abriu apenas para encarar Vegeta, que estava bem na sua frente, com uma expressão confusa e ao mesmo tempo irritada. "O que pensa que está fazendo?" Ele grunhiu.

"Ve-vegeta... o que aconteceu?"

"Argh! Você levantou, veio para o banheiro fazer xixi, quando de repente começou a gritar feito uma retardada!"

Bulma arregalou os olhos, ainda não acreditando no que ouvia. "M-m-mas você... você virou um oozaru terrível e assustador, e Trunks e Bra também, vocês iam me matar, eu estava no laboratório quando senti tudo tremer, e aí vi o que tinha acontecido, você me jogou longe, e AI EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ IA ME MATAR, VEGETA!"

"O que?! Você perdeu completamente o juízo, Bulma? Não aconteceu nada disso! Olhe para si mesma, está sentada nesse maldito vaso! Estava sonhando! Grrr, mal acordo e você já me tira a paciência, mulherzinha odiosa!"

A cientista teve que piscar milhares de vezes antes de voltar à si.
Se dando conta do que havia realmente acontecido, sentiu seu rosto pegar fogo por conta da vergonha. "Aiii, eu não acredito... então... foi tudo um sonho? Vocês não viraram oozarus?"

"Não! Está envelhecendo e ficando caduca, é? Não diga asneiras!"

"Mas Veggie... era tão real! N-nossa... acho que passei tempo demais estudando saiyajins."

Vegeta franziu o cenho. "Estudando saiyajins? Como assim?"

"Err... hehehe, nada! Nada não, querido!" Ela disse tentando disfarçar, balaçando as mãos.

"Não minta pra mim, Bulma." Ele advertiu.

"N-não, não! Não estou mentindo, juro!" Bulma desviou o olhar. Quando levantou a cabeça para encarar seu companheiro de novo, usou a melhor expressão sonsa e fingida que conseguira. "Amor, você me promete uma coisa?"

"O que, mulher?"

"Tira essa cauda imediatamente e certifique-se que Trunks e Bra também tirem as deles! Por favor!" Ela implorava, tanto com as mãos, quanto com os olhos.

Vegeta levantou uma sobrancelha. "E por que isso do nada?"

"Não quero correr o risco de ter três oozarus gigantescos destruindo nossa casa." Ela respondeu, suspirando.

Vegeta ia contestar, mas achou melhor manter-se calado. Assentindo, ele repousou um beijo na testa da mulher.

"Vai passar o dia inteiro sentada nessa privada?"

"Credo! Não! Já vou sair." Bulma riu.


No final daquele dia, a mulher tinha uma certeza: não importa o quanto ela queria se manter jovem, ter sangue saiyajin correndo em suas veias só para manter a beleza tornara-se algo proibido.

De agora em diante, ela manteria o segredo da raça intacto.

Notas finais
Acho que foi o capítulo mais curtinho que escrevi :(
Peço desculpas, mas é que tive um bloqueio mental tenso... enfim, vou recompensar vocês!
O próximo capítulo será "O casamento de Gohan e Videl", e se preparem para dar muitas risadas :3
Prometo postar antes de quarta, ok?
Beijão, e até lá!