Notas iniciais
Penúltimo capítulo da fic. E já deixo avisado: tá grande a beça.
Eu reescrevi duas vezes, até ter certeza de que estava realmente bom... espero que vocês gostem.
Perceber que o final dessa estória está super próximo me deixa um pouco triste, porque afinal, foi um prazer ENORME escrevê-la. Foi a primeira estória que eu fiz, e desde o começo, muitas pessoas me acompanharam. O que me fez/faz muitíssimo feliz! Fiz boas amigas graças a essa fic, e sou eternamente grata por isso.
No capítulo anterior, vimos que Vegeta ia finalmente pedir Bulma em casamento. Pra descobrir como ele fez isso, basta ler!
Junte-se a nós no penúltimo capítulo de "Superando Expectativas", e divirta-se!
Boa leitura a todos :)))

A onda de sonhos bons continuava para a presidente da Corporação Cápsula. Pelo segundo dia consecutivo, o subconsciente de Bulma agraciava-lhe com momentos alegres, de uma leveza sem explicação. Leveza essa que ela ainda continuava sentindo mesmo após despertar. Mesmo com o barulho irritante do despertador, que agora tocava incessantemente, Bulma abriu os olhos, ainda sorrindo. Olhou para o objeto, e viu que esse marcava exatamente seis da manhã. Ela bocejou, enquanto espreguiçava-se lentamente. Parou por um breve momento, fitando Vegeta, que dormia profundamente. Ela ainda sentia-se mal pela maneira como a viagem havia terminado. Aquele silêncio assustador após terem comentado sobre o fato de ela ter lhe chamado de “marido” a perturbava e muito. Bulma desejava ter um pouco mais de tempo livre para poder organizar sua vida. Estava tudo uma verdadeira bagunça. E naquele dia em especial, ela teria que novamente se trancar dentro do laboratório, afim de terminar seu famoso projeto: o aparelho celular com holograma. Fazia meses que ela havia começado a desenvolver a ideia, e agora finalmente estava prestes a finalizar sua nova engenhoca. Ela suspirou de maneira cansada, se reprimindo por não ter mais tantas oportunidades em estar próxima de seu companheiro e sua família. Bra aprendia uma coisa nova a cada dia. Trunks já estava se tornando um homem. E Vegeta parecia cada vez mais distante.

Fora uma surpresa e tanto a maneira como eles haviam passado seu aniversário de quinze anos. Ele estava especialmente carinhoso, e Bulma sabia que o príncipe deveria estar sentindo falta dela tanto quanto ela sentia dele. Mas Vegeta sendo da maneira que era, nunca chegara a reclamar, ou sequer perguntar o motivo dela estar passando tantas horas por dia trabalhando. A família só se juntava na hora das refeições, isso quando Trunks não almoçava na casa de Goten, ou dormia na casa do melhor amigo.

A única que além de Bulma não gostava nenhum um pouquinho daquela situação, era Bra. A menina sentia muita saudade das tardes que aconteciam frequentemente há algum tempo atrás dentro de sua casa. Toda tarde, seus pais e irmão se juntavam ao redor da pequena mesa de centro na sala para jogar algum jogo de tabuleiro, ou ver algum filme divertido na TV. Bulma fazia chocolate quente nos dias frios, e um delicioso e refrescante suco de morango nas tardes de calor. Eles passavam horas a fio jogando, conversando, brigando, pra no fim, acabarem rindo de si mesmos por serem tão parecidos.

Porém, desde que Bulma retomou o projeto, aqueles divertidos dias não aconteciam mais. As tardes agora eram ocupadas com Bra brincando sozinha em seu quarto, Vegeta na Câmara de Gravidade, e Trunks estudando para alcançar o nível de sua mãe.
Bulma balançou a cabeça, tentando jogar os pensamentos ruins para longe. Levantando-se de maneira cuidadosa, ela começara mais um dia com esperança de que, em breve, tudo iria melhorar. Entrou no banheiro, apenas para olhar-se fixamente no espelho, analisando as marcas que o tempo provocou. Bulma já não era mais aquela jovem de tempos antigos. Agora era mãe, dona de todo o império da Corporação Cápsula, e uma verdadeira mulher de negócios. Entretanto, ainda sentia que faltava algo... faltava uma única coisa para que se sentisse completamente feliz.

Mas a mulher jamais confrontaria Vegeta sobre aquilo. Jamais exigiria algo daquele porte a ele. Se ele não havia pedido até hoje, Bulma tinha pouquíssimas esperanças de que ainda o fosse fazer. Com esse pensamento, ela abriu a torneira, pegando uma pequena quantidade de água entre as mãos, lavando seu rosto. Conforme a água caía, a cientista desejava que a mágoa fizesse o mesmo.

Após passar alguns minutos se arrumando, ela dirigiu-se até a porta, abrindo-a, antes de lançar mais um olhar para Vegeta. Ela sorriu com um pouco de esforço, suspirando mais uma vez, finalmente virando-se e saindo do quarto.

No mesmo instante em que a porta fechara, Vegeta abriu os olhos. Já utilizando sua expressão fechada, ele grunhiu irritado. Também estava incomodado com aquela situação. O desconforto entre os dois era tanto, que quase se podia sentir fisicamente.

Em ordem de acabar de uma vez por todas com aqueles sentimentos, e finalmente dar à Bulma o que ela tanto queria, Vegeta respirou fundo, também levantando-se, indo ao banheiro, e copiando o mesmo movimento da mulher, olhou-se no espelho com um único pensamento: “É hoje. Vou pedir hoje.

No andar de baixo, o aroma delicioso de café pairava. A mãe de Bulma estava preparando a refeição mais importante do dia, e sorriu de maneira singela ao perceber sua filha descendo as escadas. Preocupada com a expressão que Bulma exibia, Bunny se aproximou, abraçando-a carinhosamente. A cientista retribuiu, apertando os braços em volta do pescoço de sua mãe.

“Bom dia, querida. Como se sente hoje?” Bunny perguntou mesmo já sabendo a resposta.

“Ah...” Bulma começou. “Estou bem, mamãe. Só um pouco cansada, sabe como é.” Ela tentou forçar mais um sorriso. “Mas logo logo isso acaba.”

Bunny sorriu de volta, colocando uma mão sob o ombro da filha. “Deve estar com fome, não é mesmo? Venha, estou terminando de preparar o café da manhã. Seu pai já está na mesa, vá fazer companhia a ele enquanto subo para chamar Trunks e Bra, ok?”

Bulma concordou, beijando o rosto de sua mãe delicadamente. A Senhora Briefs poderia ser meio louca e sem noção, porém, entendia a filha como nenhuma outra pessoa seria capaz. Só de olhar nos olhos de Bulma, sabia perfeitamente o que se passava dentro dela.

A bela mulher de cabelos azuis encaminhou-se para a cozinha, onde Dr. Briefs localizava-se sentado, degustando de uma enorme xícara de café preto puro, fumando seu costumeiro cigarro e lendo um artigo qualquer no jornal. Ao sentir a presença de sua filha, ele sorriu genuinamente.

“Bom dia, Bulma. Ansiosa para hoje?” Ele perguntou despreocupadamente, tomando um gole de café.

“Bom dia, papai.” A mulher respondeu, beijando a testa de seu progenitor. “Estou ansiosa sim! Ai, finalmente vou concluir meu projeto! Mal posso esperar!” Ela indagou, sentindo-se um pouco mais animada.

Dr. Briefs sorriu com os olhos, balançando a cabeça positivamente. “Oh, imagino que esteja mesmo muito feliz. Falando nisso, querida, você deve checar seu e-mail. Um dos clientes me ligou de madrugada meio nervoso. Disse que precisava falar com você urgente.”

Bulma franziu o cenho, preocupada. “Te ligaram de madrugada? Nossa, que estranho... deve ser urgente mesmo. Assim que eu acabar aqui, vou correndo para o laboratório.”

O pai de Bulma assentiu, para logo após se levantar, indo em direção ao fogão. Checando o bacon que sua esposa havia deixado na frigideira, e percebendo que estava pronto, desligou o fogo. Já ia servir-se, quando ouviu os passos de Bunny ao descer as escadas, e no mesmo instante, a mulher pediu para que não se incomodasse que ela mesma faria tudo.

Minutos depois, um preguiçoso Trunks, e uma sonolenta Bra, também desciam as escadas, coçando os olhos e bocejando. Os herdeiros desejaram bom dia, sentando-se na mesa.

“Dormiram bem?” Bulma perguntou.

“Olha, eu não sei quanto à Bra, mas eu dormi feito uma pedra, mamãe.” Trunks respondeu após mastigar algumas torradas.

“Eu também dormi muito bem! E tive um monte de sonhos bons!” Bra respondeu animada. “Sonhei que eu morava em um planeta grandão, e que tudo era feito de doces, e nossa, tinha um monte de pôneis, eu mandava em todo mundo, foi muito legal!”

Os Briefs riram copiosamente. “Que coisa mais linda, filha!” Bulma disse. “Deveria contar esse sonho a seu pai, e sabe o que mais? Deveria contar que imagina o antigo planeta dele dessa forma!”

Os olhos de Bra iluminaram-se imediatamente, enquanto ela abria um enorme sorriso. “O planeta onde o papai morava era assim?!” Ela perguntou esperançosa.

“Claro que não, Bra. Não seja tola.” Vegeta interrompeu de repente, chamando a atenção de todos.

“Ai Vegeta, não precisa falar desse jeito com a menina. Deixa ela imaginar o planeta do jeito que ela quiser!” Bulma cortou.

Vegeta grunhiu em resposta, abrindo a geladeira e pegando uma enorme jarra de leite. Servindo-se em um copo, ele bebeu o conteúdo rapidamente. Indo à mesa, agarrou algumas torradas e uma maçã da tigela de frutas que sempre ficara no centro, e rapidamente desapareceu dali.

Foi tudo tão rápido, que Bulma mal teve tempo de reclamar ou argumentar. Ela exibia uma expressão surpresa e confusa. “Vocês viram isso?” A mulher perguntou. “O que diabos deu nele?”

Trunks e Bra trocaram olhares, e o adolescente foi rápido em responder, “Aaah, a senhora sabe como o papai é. Uma hora ele está bem, e outra tá super de mal humor. Não se preocupe, mamãe.” Trunks disse tentando acalma-la.

“Hunf... sei.” Bulma murmurou. “Bom, de qualquer forma, não tenho tempo pra isso. Tenho que me focar no trabalho!” A humana respondeu, levantando-se. “Obrigada pelo café da manhã, mamãe. Estava delicioso! Agora com licença, pessoal. Estarei no laboratório, e espero que ninguém me interrompa! É hoje que eu termino aquela porcaria de holograma!” Bulma indagou decidida, e saiu em direção a seu local de trabalho sem nem mesmo esperar pela resposta de sua família.

Os Briefs se entreolharam confusos, imaginando o que havia acontecido. Trunks e Bra sabiam que aquele comportamento estranho de seu pai fazia parte do plano, portanto, não estavam preocupados. Já os pais de Bulma, não. E só mais tarde o Dr. Briefs se lembraria da conversa que havia tido com Vegeta há anos atrás. Passara-se tanto tempo, e a memória do ex-cientista não estava em suas melhores condições.

Quando chegou ao laboratório, Bulma acendeu todas as luzes. Respirando fundo, ela ligou o computador, e rapidamente abriu seu e-mail. Lendo o conteúdo, seus olhos se arregalaram, e a mulher não saberia explicar o que estava sentindo naquele momento.

Prezada Senhorita Bulma,

É com muita honra que lhe convido para a Premiação de Tecnologia de West City. Fizemos uma votação, e seu projeto recebeu o maior número de indicações para o recebimento do prêmio 'Revelação do Ano'.

O evento será amanhã à noite, no salão principal do Hotel Z. O início da cerimônia será às 18:00h, e peço encarecidamente para que tenha um discurso preparado para a explicação de sua nova invenção.

Estaremos aguardando sua resposta.

Att.,
Kurumada Takeda.
Fundador da Premiação de Tecnologia.
"

Ao final da mensagem, Bulma soltou um gritinho histérico e feliz. Seus olhos estavam marejados de tanta emoção. Ela conhecia o peso e reputação daquele evento. Somente os cientistas mais brilhantes eram convidados. Sentindo seu coração palpitar fortemente dentro de seu peito, ela pôs-se a responder o e-mail, confirmando a presença. Ser reconhecida pelo seu trabalho era uma das melhores sensações do mundo, e Bulma amava quando isso acontecia. Sentia-se importante, e seu ego inflava tanto que a mulher esquecia de todo e qualquer problema.

E assim, pelo restante daquela manhã, agora recarregada de energia, Bulma trabalhou incansavelmente. Somente quando seus olhos começaram a arder, e sua cabeça parecia que ia explodir, ela deu uma pausa. Olhando a hora em seu relógio de pulso, e percebendo que o almoço logo seria servido, Bulma largou sua chave de fenda, salvou as coordenadas do projeto no computador, e colocou-se de pé, dirigindo até a saída.

Conforme a bela mulher ia se aproximando da cozinha, pôde ouvir o burburinho que aparentemente seus pais e filhos faziam. “Vegeta não está aqui... será que ainda está treinando?” Ela se perguntou em pensamento. Fazendo uma careta triste, ela logo voltou a sorrir quando seus olhos vislumbraram Bunny ensinando Bra a cozinhar.
Aproximando-se, ela escorou contra a parede, admirando a cena com um pequeno sorriso nos lábios.

Bulma sobressaltou-se ao sentir uma mão em seus ombros, e virou-se rapidamente.

“Vegeta! Ai, que susto você me deu! Não apareça assim do nada...” Ela disse um pouco irritada.

Mas o guerreiro não respondeu. Ele olhava para sua companheira fixamente. Bulma começou a sentir algo estranho dentro de si, enquanto o encarava. Suas sobrancelhas juntaram-se, formando uma expressão preocupada.
“O... o que aconteceu? Por que está me olhando desse jeito?” Ela perguntou hesitante.

“Nada.” Vegeta respondeu sem emoção. “Vou sair agora. Volto mais tarde. Esteja em casa.” Ele completou, já virando seu corpo, e saindo velozmente pela porta de entrada da mansão.

Bulma piscou várias vezes, sem entender nada. Pressionando os lábios nervosamente, ela gritou, “O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM ESSE SAIYAJIN MALUCO?!”

Toda a família olhava espantada a mulher à sua frente. Trunks disparou ao encontro de sua mãe, abanando as mãos tentando não demonstrar preocupação. “Mamãe, n-não se preocupe, hehehe.” Ele disse suando frio. Manter aquele plano maluco de seu pai estava sendo mais difícil do que ele imaginava. “O papai deve ter se cansado de treinar aqui, e deve ter ido para as Montanhas, ou algo do tipo-“

“Não venha com essa desculpinha esfarrapada, Trunks!” A mulher berrou. “Eu nem lembro qual foi a droga da última vez que ele foi treinar no meio do nada, ele sempre treina em casa! Ele sempre treina com você, inclusive! Desde que nós voltamos de viagem, aquele idiota está agindo de maneira muito estranha, eu estou cansada de tentar entender o que se passa naquela cabeça dura dele, ARGH!” Bulma desabafou. A mágoa voltando a invadir seu coração. “Nós fizemos quinze anos juntos nesse final de semana, e por causa de um comentário meu, ele ficou dessa forma. Mas que droga!”

Trunks olhava assustado e preocupado para sua mãe. Ele queria abraça-la, mas sabia que Bulma não aceitaria. Quando sua mãe ficava daquele jeito, o melhor a fazer era tentar acalma-la de longe, porque de perto, nunca dava certo. O único que conseguia acalma-la do jeito que ela precisava e queria, era Vegeta.

“Mamãe...” Trunks começou a falar em voz baixa. “Por favor, fique calma. Venha, que tal a senhora me contar o que aconteceu, hum?” O híbrido ofereceu em tom gentil, enquanto pagava Bulma pela mão, levando-a para a sala. A cientista bufou, e relutantemente tentou se desvencilhar de Trunks. “Mamãe, eu já pedi por favor. Pare de ser teimosa!” Trunks advertiu quando percebera a teimosia de sua progenitora. Bulma rolou os olhos, e finalmente cedeu, acompanhando seu filho até o cômodo mais próximo.

Bra ainda mantinha os olhos arregalados. Pouquíssimas vezes ela havia visto sua mãe nervosa daquele jeito. “Papai, é melhor você pedir a mamãe em casamento logo...” Ela pensou. Receosa pelo o que poderia acontecer, Bra seguiu Trunks e Bulma, indo para a sala também.

Nesse momento, um pensamento cruzou a cabeça do Dr. Briefs. O velho finalmente se lembrara da conversa que havia tido com Vegeta. “Será que... que o jovem Vegeta está fazendo aquilo que planejou? Só pode ser...” O ex-cientista sorriu discretamente somente para si. “Bulma ficará tão feliz.

Percebendo a expressão de sua esposa, ele pediu para que ela voltasse a fazer o almoço, pois tudo estava sob controle. E quase sussurrando, ele contou tudo para Bunny. Sobre o que havia conversado com o príncipe há anos atrás, sobre a vontade que surgira no coração do orgulhoso guerreiro, de fazer de Bulma, sua esposa. Bunny ouviu atentamente, e ao final da explicação, a mulher não parava de dançar e rodopiar pela cozinha. “Minha Bulminha vestida de noiva. Oh! Meu pobre coração não vai aguentar!” Ela pensou, sorrindo e cantarolando alegremente, terminando de preparar o almoço.

Ao final do discurso de Bulma, Trunks e Bra suspiraram pesadamente. Bolaram uma desculpa qualquer apenas para acalmar os ânimos de sua mãe, o que surpreendentemente, funcionou.
Trunks garantiu que ela não precisaria se estressar nem se preocupar, e a cientista acabou concordando. Momentos depois, eles almoçavam alegremente, e a mágoa que jazia no coração de Bulma, foi desaparecendo. Durante a refeição, ela contou sobre a premiação, o que deixou toda a família empolgada.

“Papai, pode me passar o número do Senhor Takeda? Quero perguntar se posso levar todos vocês comigo amanhã!” Bulma perguntou sorrindo.

Dr. Briefs assentiu, passando a informação. Bulma gravou o número em sua agenda, voltando a comer. “Dessa nem o Vegeta escapa! Ele vai conosco, querendo ou não!” Ela completou.

Todos riram, concordando mentalmente.
Ao final da refeição, Bulma foi a primeira a se retirar da mesa. Ainda faltava a última parte para a conclusão do projeto, e ela estava verdadeiramente disposta a terminar.

Por volta de três da tarde, a porta principal da Corporação Cápsula se abria, e o príncipe dos Saiyajins entrava. Ignorando Bunny que tentou inutilmente puxar conversa, ele foi diretamente rumo ao laboratório.

Não se preocupando em bater na porta, mesmo sabendo que Bulma odiava ser interrompida, Vegeta lançou outro olhar fixo para a mulher, grunhindo para chamar sua atenção.

Bulma franziu a testa, olhando-o curiosamente. “Ah, já voltou.” Ela disse indiferente. “O que você quer?”

Vegeta permaneceu em silêncio enquanto desviava o olhar. “Preciso falar com você.”

“Eu também!” Ela cortou. “Não sabe o que aconteceu, Veggie. Eu fui convidada a apresentar meu projeto na Premiação de Tecnologia, acredita? O próprio fundador me convidou!” Ela anunciou enquanto batia uma mão na outra. “Vou levar todos vocês comigo, e antes que você diga não, eu já digo que o senhor vai sim, e sem discussão!”

Vegeta rosnou, ignorando completamente o que Bulma acabara de falar. “Eu disse que preciso falar com você.”

Bulma fitava o saiyajin à sua frente confusa. “Você ouviu o que eu falei?” Ela perguntou sentindo-se levemente irritada. Vegeta nunca parecia prestar atenção. Entretanto, ela também não parecia estar dando a devida importância para a presença dele ali. Ele já havia dito duas vezes que precisava conversar, e Bulma ignorou.

“Ouvi.” Ele mentiu. “Você é que parece estar surda. Disse que preciso falar com você.” O príncipe indagou tentando não demonstrar raiva. Vegeta olhava-a enquanto Bulma continuava digitando em seu notebook. “Essa mulher está tentando me tirar a paciência...” Ele pensou. Vegeta colocou as duas mãos dentro dos bolsos de sua calça, seus dedos da mão direita brincando distraidamente com o anel que estava lá. Ele estava pronto. Mas como pedir? Quando pedir? O guerreiro não pensava sobre aquilo há muito tempo. Apenas ao ouvir Bulma chama-lo de “marido”, que o príncipe voltou a lembrar daquele assunto.

Ele apertou o anel fortemente entre seus dedos, voltando a falar. “Já que você está ocupada agora, quando tiver um tempo, venha falar comigo. É importante.”

“Eu tenho um tempinho agora, ué.” Bulma disse, mordendo o lábio enquanto ainda prestava atenção na tela do notebook. “Pode falar. O que foi?”

Vegeta se mexeu desconfortavelmente. O que dizer? Ele tentou pensar em alguma coisa, mas depois franziu o cenho, irritado. “Não adianta falar agora, você não está prestando atenção. Quando acabar aí, venha falar comigo.” Ele respondeu, já saindo do laboratório.

Ao ouvir a porta se fechando, Bulma respirou fundo. “Ninguém mandou agir daquela maneira estranha comigo... não tenho tempo pra isso agora, vou logo terminar isso aqui pra poder ter um pouco de paz.” Ela concluiu em pensamento.

Se Bulma soubesse o que Vegeta queria falar, com certeza já teria largado todo e qualquer trabalho. Porém, como ela não fazia ideia, resolveu dar ouvidos a seu orgulho, e continuou trabalhando arduamente pelo resto da tarde.

Algumas horas depois, Vegeta voltava a encarar-se no reflexo do espelho. Qualquer um que olhasse para ele naquele momento, acharia que ele estava pronto para uma batalha. E talvez ele estivesse mesmo. Ele estava travando uma batalha interna, e mesmo sob essas condições, Vegeta nunca perdia uma batalha. A não ser quando estava lutando com outro saiyajin de sangue puro e idiota chamando Kakarotto, ele pensou amargamente para si. Mas isso era irrelevante. Aquela noite era a noite. Mas o que dizer?

Romântico. Ele tentaria ser romântico. O quão difícil poderia ser?

Escute, mulher.” Ele rosnou. “Nós já temos dois filhos. Estamos juntos há quinze anos. Que diferença faria se nos casássemos?”

Aquilo soava mal. Vegeta não conseguiria ser romântico. Ele seria motivo de chacota entre Bulma, Chichi, a mãe de Bulma, e de todas as outras mulheres se tentasse. Limpando a garganta, ele começou de novo.

Olha, você não gosta que eu mate ninguém. E se algum verme se aproximar de você, eu iria mata-lo. Usar esse maldito anel evitaria que isso acontecesse, então coloque-o logo.

Vegeta balançou a cabeça irritado. Aquilo não estava acontecendo da maneira como ele havia imaginado. Inferno, era pra ser fácil!

Você está sendo ridículo,” ele disse a si mesmo. “Você é um príncipe. Qualquer mulher no universo se sentiria privilegiada em se se casar com o herdeiro do trono saiyajin. Seja homem e assuma o controle!

Vegeta parou de falar assim que ouviu a porta do quarto se abrindo, sentindo a presença de Bulma.

“Vegeta?” Ela o chamou, batendo na porta do banheiro. “Você está bem?”

“Estou!”

“Sério? Eu podia jurar que ouvi você falando soz-“

“JÁ DISSE QUE ESTOU BEM!” Ele gritou nervosamente.

“Credo, tá bom, tá bom... que esquentadinho.” Bulma murmurou. “Trunks e Bra tiveram a quem puxar mesmo.”

“Eu ouvi isso, mulherzinha idiota!”

“Ótimo, porque é verdade!”

Vegeta grunhiu ferozmente no fundo de sua garganta, abrindo o chuveiro e começando a tomar banho, afim de mandar o stress e ansiedade ralo à baixo.

Uma vez que Bulma estava alí, era porque havia terminado o trabalho, e aquela era a oportunidade perfeita. E o príncipe tinha que aproveitar. Quando sentiu-se limpo, girou a torneira do chuveiro, desligando-o. Pegou a toalha, e envolvendo-a na cintura, abriu a porta.

Bulma estava na varanda do quarto, fumando um cigarro. Vegeta sabia que ela estava com aquela expressão preocupada, e sentiu seu corpo ficar tenso, pois se tinha uma coisa que ele odiava, era ver a mulher daquele jeito.

Ele caminhou na direção dela, parando alguns metros atrás. “O que há de errado?” Ele perguntou.

“Nada-“

Bulma gritou quando ela de repente virou. Agora ela estava de frente para Vegeta, que parecia estar no limite de sua raiva.

“Não, agora você vai falar. Estou cansado desse silêncio ridículo. Você está agindo dessa maneira desde que nós voltamos de viagem, e já chega dessa palhaçada. Exijo uma explicação.”

Bulma olhava para ele quase que assustada, e Vegeta não sabia ler os olhos da mulher naquele momento. Ele sempre conseguia, e apesar de já saber o motivo, ele queria a confirmação; queria ouvir as palavras saindo da boca dela. Bulma suspirou, apagando o cigarro, e puxando Vegeta para um abraço.

“Me desculpe.” Ela começou a explicar. “Você está certo, eu não deveria ter ficado calada dessa maneira, mas-“

“O que disse?” Vegeta interrompeu levantando uma sobrancelha. “Você disse que eu estou certo?” Ele perguntou debochadamente. “Repita, já que é tão raro ouvir essas singelaspalavras saírem da sua boca, mulher.”

Bulma rolou os olhos. “Idiota...” Ela respondeu rindo. Vegeta estava bem próximo dela, e toda a preocupação que estava sentindo há momentos atrás, foi embora. “Como eu estava dizendo... eu sei que fiquei estranha depois da gente ter comentando sobre toda aquela coisa de... ah, você sabe. De eu ter te chamado de marido.” Ela comentou em tom triste. “Mas a culpa é minha, fiz drama à toa.” Bulma forçou um sorriso sem graça. “E isso nem é importante, sabe? O que eu quero agora é que você me prometa que vai conosco amanhã na premiação.”

Foi a vez de Vegeta rolar os olhos. Ele permaneceu em silêncio por um momento, bufando inúmeras vezes antes de responder, “Vou ter que usar aqueles malditos ternos, não vou?”

Bulma abafou uma risada, assentindo. “Vai, vai sim. Mas não vai demorar muito, e é muito importante pra mim. Pra minha carreira. Essas coisas não acontecem todos os dias.”

Vegeta ponderou por alguns segundos antes de expor sua decisão. “Está bem, eu vou nessa coisa.” Bulma sorriu de orelha a orelha, e ele completou rapidamente, “Agora vou descer pra comer alguma coisa. Me espere acordada. Ainda preciso falar com você.”

Bulma o beijou em resposta, e enquanto Vegeta saía do quarto, ela parou contra a sacada da varanda novamente, admirando as estrelas. Seu corpo começava a dar sinais de cansaço, e de fato, ela estava exausta. Cedendo finalmente, Bulma foi praticamente engatinhando para a cama, e assim que encostou a cabeça no travesseiro, adormeceu.

Logo após, Vegeta voltava, e percebendo que a mulher tinha dormido, suspirou derrotado. “Amanhã, então. Mas que inferno....” Ele estava suficientemente ansioso, já não estava mais aguentando. Mas ao ver Bulma dormindo tão tranquilamente, resolveu esperar. Só mais um dia. De amanhã não iria passar.

***

No dia seguinte, tudo ocorrera como planejado. Enquanto Bulma se arrumava, repetia o discurso que havia preparado em sua mente. Todo o restante da família aguardava no andar de baixo, esperando a homenageada ficar pronta. Vegeta batia um pé no chão, impaciente. Trunks olhava para o relógio de minuto em minuto, com medo de se atrasarem. Bra estava entediada. A menininha odiava esperar. Os únicos que não estavam nenhum um pouco preocupados eram os pais de Bulma. Dr. Briefs assoviava, e Bunny o acompanhava naquela canção murmurada.

Vegeta estava prestes a subir e fazer com que Bulma descesse nem que fosse à força, quando sentiu seu ki se aproximando.
E para sua surpresa, ela estava estonteante. Ela usava uma blusa social branca de mangas compridas, uma saia de cós alto preta, meia-calça, e um scarpin preto. Em seu pescoço, um cordão de pérolas, que fazia par com os delicados brincos. Ela carregava seu jaleco nos braços, e apesar de Vegeta já tê-la visto daquela maneira algumas vezes, Bulma possuía um brilho diferente. Um brilho em especial agraciava seus grandes olhos azuis, e qualquer um poderia perceber.

Ao chegarem ao Hotel Z, Bulma explicou que eles teriam de se sentar na primeira fileira, e que havia recebido os convites naquela mesma manhã, indicando o número do assento de cada um.
Seus pais fizeram menção de ir à frente, seguidos de Trunks e Bra. Vegeta caminhava há alguns passos atrás, com cara de poucos amigos. Na verdade, ele só queria que aquele estúpido evento terminasse logo para que pudesse conversar com Bulma.

Quando a apresentação começou, Bulma fora recebida com aplausos calorosos, o que fez com que Vegeta se impressionasse. Ele não fazia ideia do quanto as pessoas admiravam o trabalho da cientista.

Bulma passou cerca de duas horas explicando através de gráficos e imagens como o mecanismo do holograma funcionava. A cada fim de explicação, ela acrescentava uma piada, o que fazia todos os presentes gargalharem sinceramente. Dr. Briefs suspirava admirado diante a inteligência de sua filha. Foi por causa dele que a menina se interessou em engenharia e mecânica, e agora, ela já havia o ultrapassado. Trunks entendia uma coisa ou outra, e também se sentia muito orgulhoso pelos feitos de sua mãe. Bunny e Bra não entendiam absolutamente nada, mas ainda assim, aplaudiam e se emocionavam a cada palavra de Bulma.

Vegeta era o único que, apesar de não entender, não demonstrava nada. Não demonstrava, pois em seu coração começavam a surgir sentimentos que ele não saberia nomear. Bulma era quase um tipo de rainha na Terra; tão admirada e destemida. Ele nunca havia parado para pensar profundamente naquilo, mas ao perceber durante aquela palestra, teve certeza.

E em um planeta tão grande e habitado como a Terra, Bulma havia escolhido ficar com ele. Ela poderia ter o homem que quisesse aos seus pés, Vegeta sabia disso agora, mas queria estar com ele. Não conseguindo controlar suas emoções, o saiyajin levantou-se bruscamente, saindo dali. Bulma lançou um olhar preocupado, sentindo um aperto no coração, porém não parou a palestra.

Quando terminou, foi ovacionada de pé. Lágrimas brotaram no canto de seus olhos, enquanto ela agradecia. Olhando para sua família logo à frente, pôde ver o orgulho que sentiam. Não demorou muito, e ela saiu do palco, correndo pela porta dos fundos.

Por que ele saiu daquela maneira no meio da palestra? Ai, Vegeta...” Bulma pensava enquanto tentava correr mais rápido. Ela não sabia onde o guerreiro estava, porém, não precisou procurar muito. Ele estava escorado em uma pilastra bem perto dali.

Bulma parou ofegante na frente de Vegeta, uma mão segurando o coração, e outra enxugando a testa de suor. “Ve-Vegeta... o que acontec-“

“Cale-se” Ele interrompeu começando a andar de um lado para o outro, nervoso. “Eu preciso dizer isso agora, então apenas fique calada e preste atenção.”

“Er... ok...” Bulma cedeu, olhando para ele confusa. “Você está bem?”

“Sim. Não. Tanto faz. Apenas me escute.”

Vegeta forçou-se a permanecer parado enquanto reunia as palavras certas em sua mente. Finalmente, o príncipe virou-se, encarando Bulma.

“… Eu não sou bom nisso. Eu... pensei muito no que dizer pra você. No que você queria que eu dissesse. Mas eu não sou... não sou bom mesmo nisso. Não posso te dizer aquele tipo de coisa. Não tem nada a ver comigo, não seria eu. A única coisa que eu posso te dizer é a verdade.” Ele hesitou por um segundo, reunindo mais um pouco de coragem. “E a verdade é que você mudou minha vida. Nós poderíamos passar o restante de nossos dias juntos, mas você jamais entenderia o quanto você mudou minha vida...” Ele inspirou uma grande quantidade de ar, tentando manter o foco e os olhos presos nos da mulher à sua frente.

“Eu costumava matar qualquer um que me olhasse torto. Sem se sequer perguntar o motivo. Jamais confiei inteiramente em alguém, nunca deixei que ninguém se aproximasse. Mas você... não sei como fez, Bulma, mas aos poucos você foi me conquistando, e eu te odiava por isso. Pensava que estava me enfraquecendo, mas não era verdade. Você não faz de mim um fraco. Faz de mim uma pessoa melhor. Você me faz querer ser melhor... Eu perguntei uma vez, há muito tempo atrás, o que diabos você queria de mim. E você disse ‘o que você tiver disposto a dar’. Eu não compreendia o que aquilo significava, mas agora compreendo.”

Bulma sentiu todo o ar desaparecer de seus pulmões ao ver Vegeta tirando um anel de diamantes do bolso. Os olhos da mulher imediatamente encheram-se de lágrimas, e ela cobriu sua boca com as mãos ao mesmo tempo em que Vegeta estendeu o objeto a ela.

“O que eu estou disposto a dar... sou eu. De agora em diante, até o dia em que eu morrer, pela honra de nossa família, você sempre terá a mim. Case-se comigo.”

Lágrimas de pura e sincera felicidade rolavam pelo rosto alvo de Bulma. Ela sentiu seus joelhos enfraquecendo, e segurou-se em Vegeta, envolvendo os braços em volta do pescoço do guerreiro para não cair. Ela não conseguia parar de sorrir quando respondeu exasperada, “Sim!!! Sim, mil vezes sim!” Ela chorou de alegria, beijando seu príncipe logo em seguida.

Primeiramente, Vegeta permaneceu estático diante da reação dela. Ele sabia que ela ficaria contente, mas não daquela maneira. Ver que ela queria; ver que Bulma realmente desejava aquilo o fez sentir igualmente feliz. Ela soltou-se dos lábios dele, antes de suspirar e sorrir outra vez através das lágrimas. Um sorriso brilhante, que ela demonstrava para ele, e apenas ele. A felicidade dela era algo contagioso naquele momento, e pela primeira vez, Vegeta não lutou para sorrir de volta.

E foi bom, muito bom. Perder aquele tipo de batalha valia a pena.

Notas finais
No próximo e último capítulo de "Superando Expectativas", a tão esperada cerimônia e festa de casamento do nosso casal favorito!
Espero vocês na conclusão dessa estória no domingo.
Até lá! =*