Superando Expectativas
28 Hot n' Cold
Notas iniciais
Pra leitura desse capítulo, recomendo que leiam o capítulo 22 - "O Casamento de Gohan e Videl" porque aquele foi um gancho pra esse aqui.
Estamos cada vez mais próximos do final, essa semana posto os dois capítulos finais da estória, o que me deixa um pouquinho triste, mas garanto que "Superando Expectativas" terá um final digníssimo!
No mais, boa leitura, e o de sempre: divirtam-se!
"Cause you're hot then you're cold
You're yes then you're no
You're in and you're out
You're up and you're down
You're wrong when it's right
It's black and it's white
We fight, we break up
We kiss, we make up"
Hot N' Cold — Katy Perry
Os raios de sol que entravam pela frecha da janela fizeram-no acordar. Ele cobriu os olhos com o antebraço, resmungando manhoso, para logo após abraçar a mulher em seus braços novamente. Bulma dormia tranquilamente, seus lábios curvados em um leve sorriso. Parecia estar sonhando com algo muito bom, o saiyajin notara após olha-la brevemente. O único som que sua audição aguçada captava, era a respiração da cientista. Vegeta pensava se poderia existir melhor sensação de paz em todo o universo. Sorrindo de canto, ele inclinou-se, sentindo o cheiro doce que emanava de sua companheira, e conclui que não; não existia.
Passou mais alguns minutos aproveitando aquele momento. Sentindo o calor do corpo de Bulma, seu aroma, o movimento de subir e descer que seu peito e barriga faziam. Se mexer estava fora de cogitação, pois sabia que um simples movimento, e a humana acordaria. Ele continuou abraçando-a, quando de repente, ouviu a mulher gemer baixinho. Mas muito baixinho mesmo. Agradeceu por ter ouvidos tão sensíveis, porque agora seu semblante era de pura curiosidade, e agora ele queria que ela acordasse para explicar-lhe a origem daqueles gemidos sensuais. “Deve estar sonhando com alguma vulgaridade... humpf.” Ele pensou por um instante. Apenas para no minuto seguinte, seus olhos se arregalarem. Um pensamento nada agradável lhe invadindo a mente. “Mas... quando ela sonha comigo, sempre diz meu nome... por que não está dizendo meu nome dessa vez? E se essa bruxa estiver sonhando com aquele paspalho que tem uma cicatriz? E se... MALDIÇÃO, e se estiver sonhando com Kakarotto? Argh!” Vegeta já estava praticamente rosnando pensando sobre aquilo, e afim de acabar com a tortura, começou a se mexer.
Foi a vez de Bulma resmungar, enquanto segurava-se com mais força nos braços do saiyajin. “Shh... hummmm... hihi...” Ela murmurou, ainda sonhando.
Vegeta estreitou seus olhos, e fechou sua expressão mais ainda. A veia em sua testa pulsando de irritação, enquanto ele bufava, fazendo de um tudo para acorda-la. Ele não queria levantar, não queria começar uma discussão, mas diabos, se Bulma não acordasse nos próximos minutos, era exatamente o que ia acontecer.
“Mulher.” Ele chamou quase que num sussurro. Fitando-a, percebeu que ela continuava sorrindo e dormindo. Deu um tapa em sua própria testa, indignado. “Mas é teimosa até quando está dormindo... Bulma, está me ouvindo?” Ele persistiu, tentando deixar aqueles pensamentos paranoicos de lado. É claro que ela estava sonhando com eles dois fazendo amor da maneira que tinham feito na noite anterior, daquela maneira que ela tanto gostava, aliás, era a única maneira que ela gostava. Era só com ele que ela sentia seu corpo quase explodir de tanto prazer, Vegeta tinha certeza disso.
Porém, nada de Bulma acordar. Vegeta a chamou mais duas vezes, ainda baixinho, e tendo como resposta apenas aqueles mesmos resmungos, decidiu mandar a paciência às favas, tirando os braços que estavam em volta da mulher, jogando os cobertores pro lado, e levantando-se bruscamente. Grunhindo, ele abaixou-se, vestindo sua cueca, e voltou a sentar na cama.
Ele estava boquiaberto agora, pois Bulma ainda dormia! Vegeta cerrou os punhos, totalmente mal-humorado, irritado, ansioso e curioso. “BULMA!!!” Ele gritou.
“AAAAAAAAH!” A mulher gritou de volta, levantando-se e sentando-se meio desajeitada.
“Está acordada agora, mulher?” Ele perguntou entre dentes.
“Kami Sama! Estou, Vegeta! A partir de agora, estou sempre acordada!” Ela respondeu bufando. “Por que diabos você me acordou desse jeito? Precisava ter gritado?” Bulma perguntou lançando um olhar irritado para seu companheiro.
“Ora essa, eu te chamei três vezes, e você não acordava de jeito nenhum, sua louca!” Vegeta explicou, enquanto se aproximava novamente, de joelhos, como se estivesse prestes a ataca-la feito um leão ensandecido. “E sabe por que você não acordou, hum?” Ele provocou. “Sabe?”
Bulma pôde sentir seu coração acelerando instantaneamente dentro de seu peito. Ela balançou a cabeça, negando, enquanto mantinha contato visual com Vegeta. Sabia que se desviasse seus olhos, ele a acusaria. Entretanto, ele não tinha motivos para acusa-la de nada! Ela só estava dormindo, não via razão pra aquele mal humor fora do normal, uma vez que, há horas atrás eles estavam se derretendo em paixão, luxúria e desejo.
“Não se faça de fingida! Você estava tendo sonhos vulgares com Kakarotto! E antes que diga alguma coisa, só pode ter sido com aquele verme, pois você não dizia meu nome, e quando sonha comigo, mulher, você sempre diz meu nome! Grrr, mas que inferno!” Vegeta praticamente cuspiu as palavras. A veia em sua testa estava prestes a explodir.
Bulma estava com uma genuína expressão surpresa estampada no rosto. Ela piscou algumas vezes, voltando a si, e logo em seguida, rolou os olhos. “Eu não acredito... Vegeta, deixa de ser paranoico, eu não estava sonhando com o Goku! Que coisa horrorosa, Goku é meu amigo, não tenho esses tipos de sonho com ele, seu idiota!” Bulma respondeu enquanto também ficava de joelhos na cama. As duas mãos na cintura indicavam o quanto ela estava nervosa.
“Se não era com Kakarotto, então era com Yamcha, aquele inseto que saiu das profundezas do inferno, argh! Não é? Não era com ele que você sonhava, hã? Vamos, confesse logo, mulher!” Vegeta disse rangendo os dentes. Seu rosto estava praticamente colado no de Bulma, como acontecia em todas as vezes em que eles discutiam. Era como se as brigas fossem gasolina, e a aproximação, a combustão. Todas as vezes em que brigavam, terminavam se engalfinhando debaixo dos lençóis, trocando beijos e carícias possessivas.
Bulma encurtou a distância entre eles mais ainda, seu hálito quase misturando-se ao de Vegeta. “Não, também não era com o Yamcha! Deus me livre Yamcha! Vegeta, nosso aniversário de quinze, QUINZE ANOS, foi ontem! Eu estou com você há esse tempão todo, acha mesmo que eu vou sonhar com aquele imbecil? Aff, por favor... pare, querido. Pare.” Ela respondeu de maneira suave. “Você nem me deixa explicar as coisas, fica aí se irritando a toa... pra sua informação, eu estava sonhando com você sim, seu bobo.” Bulma explicou enquanto envolvia os braços em volta do pescoço do saiyajin. “Mas não tinha nenhuma coisa... Hummm... vulgar, como você mesmo diz! Você estava fazendo uma massagem deliciosa nas minhas costas, e estava muito, muito bom mesmo! Só isso!”
Vegeta levantou uma sobrancelha, desconfiado. “Massagem? Mas você estava gemendo!”
“Ué, isso é completamente normal! Não se lembra de quando eu faço massagem em você? Vegeta, você praticamente ronrona feito uma gatinha no cio!” Bulma indagou em tom brincalhão, rindo de maneira provocativa. “Olha, eu juro que era só isso. Eu estava deitada de costas, você estava sentado em cima de mim, enquanto me massageava. E querido, nos meus sonhos, você faz um trabalho excelente, viu? Queria saber se na vida real é assim também... você nunca me massageou antes.” Ela respondeu, curvando os lábios em um biquinho.
“Grr... sou um guerreiro, e guerreiros não fazem massagens, não diga tolices.” Vegeta respondeu enquanto sentia seu rosto enrubescer. Bulma estava atiçando-o, ele sabia. Ele sentia o ímpeto de devora-la naquela mesma cama novamente, e até o faria, se seu estômago não estivesse se contorcendo de tanta fome. “Eu te conheço muito bem, sua mulherzinha ordinária. Sei aonde quer chegar com esse papinho, mas não vai me convencer. Eu estou com fome, vamos descer logo.”
“Ai, que saco!” Bulma respondeu em um gritinho choroso. “Você só pensa em comer, comer, e comer... isso é muito chato, viu?”
“Feche essa matraca e vamos logo, mulher!” Vegeta virou-se, enquanto levantava da cama. “Espero que a comida desse lugar seja boa, caso contrário, explodo essa porcaria inteirinha.”
Bulma rolou os olhos enquanto sacudia a cabeça. “Não tem jeito... esse ogro nunca vai mudar!” A cientista também levantou, vestindo um baby-doll e indo ao banheiro para escovar os dentes e lavar seu rosto. “Sim senhor, Vossa Alteza. Vou avisar aos cozinheiros que o príncipe Vegeta está aqui, e ele deseja um verdadeiro banquete!” Bulma debochou enquanto abria a torneira. Ela soltou outro gritinho choroso, quando sentiu que a temperatura da água estava estupidamente gelada, o que só fez com que Vegeta soltasse uma risada maligna e satisfeita.
“Bem feito! Ninguém zomba de mim e fica sem punição, mulher. Aprendeu a lição?” Vegeta indagou sorrindo de canto.
“Aaaah, cala essa boca, seu chato!” Bulma berrou de dentro do banheiro, ao mesmo tempo em que Vegeta começava a rir novamente.
Apesar do frio de lascar que fazia nas Montanhas de Gelo, o casal parecia não se importar. Bulma sentia-se verdadeiramente feliz por estar fazendo algo que ela desejava há tanto tempo, e sentia uma sensação gostosa em seu coração por, mesmo com as pequenas discussões, estar em paz com Vegeta.
O que não era muito diferente com o príncipe. Ele sentia falta de seu treinamento, mas precisava admitir o quão bom era tirar a mente daquilo um pouco. No dia anterior, ambos não saíram um minuto sequer do quarto. Passaram o dia inteiro se amando, trocando carinhos, algumas pequenas ofensas de vez em quando, conversando e lembrando-se dos velhos tempos; de como tudo havia começado.
É certo dizer que, no começo, eles não se davam muito bem. Bulma sempre fora uma mulher destemida e independente. Nunca teve medo de dizer o que pensa, o que provocou a curiosidade de Vegeta. Ele não conseguia esconder o quão peculiar aquela mulher era. De todas as que já haviam passado por sua vida, nenhuma teve o poder de domina-lo como aconteceu com Bulma. Ele não sentia medo nenhum emanar da cientista, muito pelo contrário, eles eram páreo a páreo. Não demorou muito, e ambos cederam à tentação. Primeiramente, Vegeta recriminava-se, achando que era fraqueza ficar com uma simples humana. Mas ao longo dos anos, e com a gravidez de Bulma, ele concluiu que, se existisse alguém naquele planeta que fosse digna suficiente de ter o príncipe dos saiyajins nos braços, esse alguém era Bulma, e apenas Bulma.
Meia hora depois, o casal descia as escadas, indo para o restaurante que o chalé possuía. Esperta do jeito que era, Bulma havia reservado na noite passada, uma área exclusiva, onde ninguém poderia perturba-los. Conhecendo seu companheiro, sabia que Vegeta se sentiria incomodado em fazer refeições ao lado de casais apaixonados, e no fundo, Bulma fizera aquilo pensando na reação das pessoas ao ver Vegeta comendo enormes quantidades de comida desesperadamente.
Como planejado, o café da manhã ocorreu de maneira impecável. Bulma ficou satisfeita com um pequeno prato de ovos, bacon, e alguns cupcakes decorados, enquanto o guerreiro pediu absolutamente tudo que estava no cardápio, e ainda repetiu!
Quando haviam terminado, Bulma pegou a mão de Vegeta, acariciando-a levemente. “O que acha de irmos esquiar hoje, hum? Seria divertido!” Ela perguntou esperançosa.
“Argh, Bulma, eu já disse que não gosto de neve. Não vou esquiar coisa nenhuma!” Vegeta respondeu decidido.
A mulher fez um biquinho, ameaçando chorar. “Mas Veggie... por favorzinhooo, vai? Não é difícil, juro, eu te ensino!”
“Já disse que não. E não faça esse teatrinho todo, argh, sua irritante!” O guerreiro indagou irritado.
“Mas Vegeta, nós vamos embora hoje no final da tarde já! Sabe-se lá quando nós poderemos fazer isso de novo! Vai amor... por favor... por mim?” Bulma piscou seguidas vezes de maneira inocente e pidona.
Rosnando feito um cão brabo, Vegeta finalmente se deu por vencido. “Inferno! Está bem, está bem. Mas é a última coisa que eu faço por você nesse lugar estúpido, entendeu? Não me peça mais nada!”
“Yupiiiiiii! Tá bom!” Bulma bateu as palmas das mãos, vibrando, toda contente.
Enquanto Vegeta limitava-se a soltar mais um de seus famosos grunhidos, Bulma puxou-o pelo braço, fazendo com que os dois levantassem e voltassem para o quarto trocar de roupa. Chegando lá, a mulher fez questão de usar o máximo de roupas que pudessem a esquentar, e certificou-se de que Vegeta fizesse o mesmo. Levou quase uma hora para que o casal de teimosos entrasse em um consenso e finalmente descessem para a recepção, procurando pela área onde as pranchas de ski se localizavam.
Bulma estava abaixando-se para pegar as duas pranchas que havia escolhido, quando o instrutor, que era bem bonitão, colocou uma mão na frente, pegando uma das pranchas escolhidas primeiro.
“Oh, me desculpe.” O homem atraente disse sinceramente. “A senhorita já tinha escolhido essa?” Ele perguntou lançando um sorriso meio sem graça, porém muito bonito. Bulma o encarou por alguns segundos, um pouco impressionada no quão brancos e certinhos aqueles dentes eram.
“Sim, já tinha escolhido. Mas não tem problema, eu escolho outra, hehehe.” A mulher indagou um pouco envergonhada enquanto abanava as mãos.
“Não, por favor, eu insisto. A senhorita viu primeiro, nada mais justo que fique com ela. Eu escolho outra qualquer.” O homem não parecia estar dando em cima de Bulma, só estava sendo genuinamente educado e gentil.
Entretanto, um certo saiyajin, que observara toda a cena, sentia os olhos soltando faíscas de tanta raiva. “Quem esse verme pensa que é pra ficar sorrindo pra mulher dos outros desse jeito? Vou acabar com esse sujeitinho!” Vegeta pensava para si mesmo, enquanto ia em direção à Bulma em passos pesados e precisos, fazendo o estabelecimento tremer levemente.
Bulma assustou-se com o tremor, que apesar de quase imperceptível, era familiar. Ela se adiantou, levando uma mão à testa, enquanto se preparava para outra discussão com Vegeta. Suspirando, ela virou-se, já o encarando. “Veggie, eu já escolhi as pranchas, vamos logo, sim?” Ela apressou-se em dizer antes que seu companheiro pudesse sequer abrir a boca.
“Com licença,” O homem chamou Bulma. “Caso algum de vocês dois não saibam esquiar ainda, posso ensinar se quiserem. Sou o instrutor de ski, me chamo Takumi. Prazer em conhecê-los.” O bonitão já ia estender a mão para apenas cumprimentar Bulma, quando a cientista riu nervosamente, tentando amenizar a situação.
“Ohoho, o prazer é todo nosso, não é, Vegeta, amorzinho lindo da minha vida?” Bulma perguntou nervosamente, enquanto cruzava seus braços nos do príncipe, que ainda mantinha o semblante fechado. Bulma podia jurar que por um segundo, viu a cor dos olhos de Vegeta mudando, e se apavorou mais ainda. Voltando ao homem à sua frente, ela continuou, “É muita gentiliza sua, senhor Takumi, mas eu e meu marido já sabemos esquiar. De qualquer maneira, muito obrigada, e tchauzinho!” A cientista disse, enquanto fazia um esforço sub-humano para puxar Vegeta e tira-lo de perto do instrutor.
O saiyajin permitiu que a mulher o puxasse, só para momentos depois, quando estavam suficientemente longe daquele instrutorzinho sem vergonha, voltar a rugir feito um Oozaru. “MULHER! O que aquele homem queria com você? De onde você o conhece?” Vegeta perguntou enquanto grunhia e se desvencilhava dos braços de Bulma.
“Olha aqui, você não começa hein, Vegeta! Já é a segunda vez só hoje que você tem ataque de ciúmes! Não viu que ele se apresentou na nossa frente? Eu nunca tinha visto aquele homem na minha vida inteira! Eu ia pegar as pranchas, e ele acabou se intrometendo lá, pediu desculpas, e depois deixou que eu ficasse com a que eu havia escolhido! De resto, você mesmo ouviu, eu não tenho culpa de nada!” Bulma estava tão estressada que falava rápido e de maneira estridente. Sua voz estava fina, e a mulher jurava estar sentindo calor de tanta irritação. “Antes que você me acuse de alguma coisa, ou sequer pense em ir lá tirar satisfações, por favor, acredita em mim. Esqueça isso, e vamos esquiar. Nosso tempo está acabando, e juro que se eu não esquiar com você, você sentirá a fúria de uma mulher verdadeiramente chateada!”
Ao final daquele pequeno discurso, Bulma respirava ofegante. Sua testa estava franzida, e novamente, suas mãos seguravam sua cintura.
Vegeta esperou até que a respiração dela voltasse a leveis normais, até que em passos lentos, foi se aproximando. Pegou-a pela mão, e a trouxe para perto de si. Eles estavam frente a frente naquele momento, e novamente, Bulma sentiu dificuldade em respirar. Agora não mais por raiva, mas por sentir Vegeta daquele jeito tão perto. Ela fitava-o fixamente, estudando seus olhos. Ele estava sério como de costume, porém, dentro daqueles olhos negros e misteriosos, jazia algo diferente.
Bulma tentava compreender. Talvez fosse amor? Graça? Compreensão? Doçura? Ela não sabia responder. Quando os lábios do saiyajin se curvaram, formando um sorriso tímido; um sorriso que ele só mostrava para aquela mulher à sua frente, Bulma sorriu de volta. Ela o puxou para um beijo carinhoso e acolhedor. Vegeta retribuiu, pousando as mãos na cintura de Bulma. Passaram alguns momentos assim, até que se soltaram, não desviando seus olhares um do outro nem por um segundo.
“Podemos esquiar agora?” Ela perguntou sorrindo.
Vegeta assentiu, e logo os dois iam subindo o topo de uma das montanhas. Quando chegaram, Bulma começou uma pequena e divertida aula sobre como esquiar. Ela denominara de “Aulas de Ski com a Linda-Maravilhosa-Atraente-Inteligente e Destemida Bulma Briefs”, nome esse que quase fez Vegeta urrar de tanto rir. Bulma se sentiu ofendida de primeiro momento, mas vendo Vegeta sorrir novamente, ela voltou para as instruções.
“Entendeu? Tem alguma pergunta?” Ela disse após terminar de explicar tudo que sabia.
“É a terceira vez que pergunta, e é a terceira vez que eu digo que sim, mulher. Já entendi. Vamos logo com isso.” Vegeta respondeu sem dar muita importância. “Vá na frente, eu te acompanho.”
Bulma consentiu alegremente, colocando a prancha no chão e encaixando seus pés na mesma de maneira segura, ela deu impulso, descendo do topo da montanha. Eles haviam escolhido uma não muito alta para o começo, e à medida que Vegeta fosse se aperfeiçoando, desceriam as mais altas.
A cientista sentia o vento gelado batendo contra seu rosto. Não era nada insuportável, o que fazia Bulma se sentir aliviada. Ela estava tão distraída, que mal percebeu quando Vegeta a ultrapassou, olhando para trás com um sorriso quase perverso nos lábios.
“VEGETA!” Ela gritou surpresa. Inclinando-se para ganhar mais velocidade, finalmente ela o alcançara, e apressou-se em perguntar, “Como é que você já está esquiando assim tão certinho? Eu ACABEI de te ensinar, isso é impossível!”
Vegeta sorriu de canto. “Bulma, não seja tola... sou um saiyajin, passei a vida inteira treinando. Acha que eu não dominaria essa técnica ridícula facilmente?” Ele respondeu todo cheio de si, empinando o nariz.
A mulher fez um careta, entediada pelo tamanho narcisismo que aquele homem tinha. “Já que você acha tão fácil assim, o que acha de fazermos uma competição? O perdedor passa uma semana comendo minha comida!”
Vegeta soltou outra gargalhada sincera, enquanto assentia. “Está bem. Prepare-se para perder, mulher.” Dizendo isso, Vegeta inclinou seu corpo ao máximo, disparando estupidamente à frente de Bulma.
“Volte aqui seu trapaceiro!” A mulher berrou copiando o mesmo movimento que o guerreiro acabara de fazer.
Cerca de três horas depois, e de terem descido todas as montanhas que o lugar obtinha, o vencedor, claro, foi Vegeta. Eles estavam deitados em baixo de uma enorme árvore coberta de gelo, enquanto Bulma fazia desenhos divertidos no chão. Ela estava tão feliz que mal se importara se havia ganhado ou não.
O príncipe observava cada movimento sutil que ela fazia. Suspirou algumas vezes, tomando coragem para falar. “Quando você estava falando com aquele inseto...” Ele começou, chamando a total atenção de Bulma. “Você se referiu a mim como... marido.”
Bulma sentiu um nó em seu coração, mas não demonstrou. Ela ofereceu um sorriso amarelo antes de explicar. “Ah... foi só pra espantar ele mesmo.”
“Hn.” Vegeta limitou-se em apenas emitir esse som.
Eles estavam juntos sim há quinze anos, mas nenhuma vez o assunto ‘casamento’ fora discutido. Bulma não achava necessário, Vegeta menos ainda. Era apenas uma cerimônia terráquea, em que duas pessoas assinavam um papel e faziam uma festa boba. Eles já moravam juntos, tinham dois filhos, qual seria o propósito de casar?
Entretanto, nos últimos anos, mais precisamente, após o nascimento de Bra, o pensamento de Bulma mudou. Ela ainda achava que não era necessário, mas era mais por Vegeta do que por ela. Desde que Trunks havia nascido, um lado novo aflorou na cientista. O lado de mãe. Mãe super protetora e preocupada. E convivendo com Vegeta, outro lado aflorou. E esse foi o de mulher. Mulher madura, centrada. Que sabia o que quer. Muito diferente da época em que namorou Yamcha, onde viviam terminando e voltando, cheios de incerteza e insegurança. Bulma sabia perfeitamente o que queria agora e sempre, e era Vegeta. Ela queria poder dizer de boca cheia que eles eram, de verdade, apenas um do outro. Mas se ele não queria, Bulma não ia forçar. Era melhor deixar as coisas como estavam do que começar uma nova briga a toa.
“Já está tarde... vamos voltar. Precisamos arrumar nossas malas e ir pra casa. Estou preocupada com as crianças.” Bulma balbuciou meio triste, levantando-se e já andando de volta para o chalé.
Vegeta suspirou novamente, franzindo o cenho e seguindo-a logo atrás. Mais nenhuma palavra foi dita até que chegassem de volta à Corporação Cápsula.
Bulma desligou o motor do aero-carro, e Vegeta abria a porta, pegando as malas no banco de trás. Notou o ki de Trunks e Bra na sala, e mesmo não admitindo, sentiu-se feliz por estar em casa de novo. Seus filhos faziam falta.
Bulma transformou o aero-carro em cápsula, e foi andando para a porta principal. Quando as portas de vidro se abriram, foi recebida com um caloroso abraço de Bra, e um carinhoso beijo de Trunks na bochecha. Ao ver Vegeta, Bra fez o mesmo movimento, ganhando um grunhido mal humorado como resposta, e voltou a atenção para sua mãe, subindo em seu colo.
“E aí papai, como foi a viagem?” Trunks perguntou ao mesmo tempo em que ajudava a carregar as malas para o andar de cima.
“Trunks... quero conversar com você e sua irmã mais tarde. Esperem-me às onze horas dentro da Câmara de Gravidade, e diga pra Bra não contar nada à Bulma.” Vegeta respondeu firme.
Trunks o fitou confuso. “Ué, mas por quê? Houve alguma coisa de ruim lá? Não me diga que passaram esses dois dias inteirinhos brigando!”
“Argh, Trunks, não me amole. E não, não tem nada a ver com isso. Sua mãe e eu não brigamos. Agora pare de fazer perguntas e vá logo dar o aviso à sua irmã.” Vegeta pegou as malas das mãos de Trunks enquanto abria a porta do quarto que dividia com Bulma. “Lembre-se moleque: não conte nada à sua mãe.” Ele advertiu cerrando os olhos.
Apesar de preocupado, Trunks assentiu. “Sim senhor, pode deixar.” O adolescente respondeu, e dirigiu-se de volta às escadas. Ao que parecia, Bulma estava contando sobre o final de semana para a caçulinha da família, e Trunks sentou-se ao lado delas, para ouvir e ter certeza de que realmente nada de ruim havia acontecido.
Quando Bulma terminou de contar, Bra batia palmas, achando tudo o máximo. Trunks sorria, e percebendo que sua mãe ia subir para tomar banho, ele lançou um olhar para Bra, que entendeu imediatamente, e ambos foram para o jardim conversar.
O mestiço comentou sobre o que Vegeta havia falado, e Bra jurou não contar nada. Ela já sabia sobre o que se tratava, e sorriu de orelha a orelha, ansiosa e contente.
O jantar dos Briefs foi tranquilo e muito similar aos de sempre. Bulma e Bra tagarelavam sem parar, enquanto Trunks ria e dava opiniões, e Vegeta permanecia calado, apenas observando. O relógio estava próximo de anunciar o horário combinado para a misteriosa conversa, e pai, filho e filha, agradeceram quando Bulma disse que estava cansada e já ia subir pra dormir. Ela deu um gentil beijo de boa noite na testa de seus filhos, e abraçou Vegeta brevemente, avisando que o estaria esperando.
Logo após se certificarem que a mulher dormia profundamente, os três saiyajins foram a Câmara de Gravidade. Vegeta digitou a senha, e ao abrir da porta, Bra saiu disparada cômodo à dentro. Vegeta grunhiu, avisando para ela manter silêncio, enquanto Trunks fazia uma careta, suspirando. Sua irmã tinha muita dificuldade em ficar quieta.
O saiyajin mais velho escorou contra uma parede, sinalizando para que seus filhos chegassem mais perto e sentassem.
Vegeta ia abrir a boca para começar a falar, quando Bra o interrompeu. “Papai, eu já sei sobre o que você vai falar, é sobre aquele negócio que você me explicou no casamento do Gohan, não foi?”
“BRA!” Vegeta berrou meio irritado e meio envergonhado. “Não me interrompa, menina. Vai ouvir quietinha até que eu termine, entendeu bem?”
Bra assentiu, sorrindo sem graça. “Sim papai, tá bom, tá bom, desculpa.”
“Ai Bra, você não tem jeito, irmãzinha...” Trunks disse complacente, enquanto afagava os cabelos azuis de sua irmã caçula. “Pode falar papai, prometemos não interromper mais, não é, Bra?”
A menina concordou, enquanto parecia estar fechando os lábios com um zíper. Um velho hábito, que instantaneamente fez a irritação de Vegeta desaparecer. “Ótimo. Vou ser direto, então.”
Vegeta limpou a garganta, respirou fundo, e tomando coragem, começou, “Há algum tempo venho percebendo que sua mãe vem falado de... grrr, de casamento.” Ele falou hesitante. “Não é sempre, mas sei que ela pensa nisso. Sei também da vontade que ela tem de fazer essa coisa tola. No meu planeta, se tinha uma fêmea e um macho, eles tinham um laço, que inclusive, eu já fiz em sua mãe, mas aquela louca quer seguir os costumes terráqueos...”
Puxando mais uma quantidade de ar, ele continou. “A primeira vez que Bulma falou sobre isso foi logo após a luta contra Cell, quando passamos todos aqueles anos em paz. Eu ia fazer a vontade daquela mulher, mas demorei demais, e Majin Boo acabou aparecendo. Agora que mais nenhum inimigo irritante nos perturba, acho que é o melhor momento.”
O príncipe parou mais uma vez, examinando as expressões de seus filhos. Eram de pura e verdadeira expectativa. “A única que sabia disso, era Bra. Por isso eu concordei em ir naquele maldito casamento do Gohan. Até então não sabia como essa coisa funcionava, e ver o paspalho e aquela pirralha mimada casando me deu uma boa ideia de como funciona. O que quero dizer é: eu sou um saiyajin. Sou o príncipe deles. Meu destino era reinar sobre meu povo, não vir pra cá, conhecer a mãe de vocês e viver uma vida pacata. Mas Bulma... Bulma mudou isso.” Vegeta suspirou, quase se arrependendo de estar falando tudo aquilo. Era vergonha demais para um homem tão orgulhoso. Mas estava na frente de seus filhos, e confiava plenamente em ambos. “Argh! O que eu quero dizer é que vou pedir a mãe de vocês em casamento, e é bom vocês me ajudarem seus pirralhos insolentes, ou então eu-“
“Papai.” Trunks interrompeu de repente. Vegeta mal percebera, mas Trunks estava com os olhos marejados e não conseguia parar de sorrir. “Eu não sei te dizer o quão feliz eu to por escutar isso. Caramba, a mamãe será a noiva mais linda do mundo!”
“Foi o que eu disse, Trunks!” Bra completou. “A mais linda do mundo não, do universo!”
Vegeta estava atônito ao ouvir aquilo, mas logo sorriu de canto. “É exatamente a minha intenção, pirralhos. Bulma está casando com um príncipe... o que se espera é que ela pareça uma verdadeira princesa também.”
Trunks e Bra trocaram olhares empolgados e decididos. “Pode contar com a gente, papai!” Os mestiços responderam em uníssono.
Dentro daquele coração forte de saiyajin, Vegeta sentia-se dominado por algo que ele não sabia explicar. Imaginar Bulma vestida de noiva era algo que lhe causava uma excitação aguda e intensa. Mais ainda imagina-la ao seu lado, governando o antigo Planeta Vegeta. Permitiu que seu corpo se arrepiasse com aquela imagem que vislumbrava em seus devaneios.
Ele abriu os olhos, e ofereceu um símbolo de ‘ok’ com o dedão para seus filhos. Os híbridos fizeram o mesmo, e alí, dentro da tão famosa Câmara de Gravidade, começariam os primeiros preparativos para o dia mais feliz na vida de todos os Briefs.
Notas finais
Espero que tenham gostado, e até lá! =)
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