Superando Expectativas
25 Em terra de humanos, saiyajin é rei.
Notas iniciais
Esse final de semana já vou preparar mais alguns capítulos pra não ter o risco de demorar mais de uma semana novamente.
Essa ideia surgiu através de um doujin de uma artista que eu acompanho no Deviantart (Nenee), em que o Trunks faz sucesso entre as professoras da Bra. E claro, do quão sexy nossos saiyajins são, hehe ♥
Espero de coração que vcs gostem.
Boa leitura!
Aquele seria o último final de semana de Trunks.
Não que o adolescente fosse morrer, longe disso, mas seriam seus últimos dois dias de pura e total liberdade. Há uma semana, ele havia comemorado seus 18 anos. Fora uma festança, com direito a todas as meninas bonitas da escola, os rapazes mais populares, campeonatos de videogame, um DJ exclusivo, e até mesmo bebida alcoólica. Primeiramente, Vegeta não ficou nada feliz com aquela ideia. Ver seu filho bêbado não era algo pelo qual ele estava ansioso, muito menos em ter que aturar centenas de jovens barulhentos, música alta, e principalmente: bancar o pai exemplar. O saiyajin nunca fora o melhor dos pais, e todos em West City estavam cientes disso. Mas, Vegeta era famoso. Companheiro de Bulma, agora dona de toda a Corporação Cápsula, pai de Trunks e Bra, herdeiros de todo aquele reinado, fora as aparições nos Torneios de Arte Marciais. Por mais que o guerreiro odiasse com cada fibra de seu ser a popularidade que tinha, ele não podia negá-la.
E aquela festa durara horas. E horas, e horas, e mais horas... o ponto crítico foi quando um dos jovens elogiara Bulma. Foi preciso a ajuda de Goku, Gohan e Goten juntos para impedir que o príncipe esmigalhasse a cabeça do pobre garoto. Cerca de 3 da manhã, quando todos haviam ido embora, Trunks estava esparramado no sofá, tonto pelo sono e pelo efeito das bebidas. Bra, que fora proibida de sair de dentro da mansão, dormia tranquilamente nos braços de seu pai, enquanto Bulma dava as últimas ordens aos robôs-empregados.
Puxando uma grande quantidade de ar, a mulher respirou fundo algumas vezes ao se deparar com o estado físico em que seu filho estava. Deitado de bruços, braço direito encostando-se ao chão, braço esquerdo embaixo da cabeça, boca aberta, babando feito um bebê e roncando alto feito um porco. Ela estreitou os olhos, bufando de leve, enquanto se aproximava. Cutucando o ombro do adolescente, e vendo que ele não se movera um centímetro sequer, Bulma lançou um olhar pidão a Vegeta. O saiyajin inflou as narinas, claramente irritado, e passou alguns minutos encarando-a.
“Por favor?” Bulma pediu encolhendo os ombros. “Não tenho mais forças, Vegeta. Passei o dia inteiro atrás dele, dando ordens, limpando tudo, me certificando de que tudo ocorresse exatamente do jeito que ele queria!”
“E é aí que está todo o problema, Bulma. Você o mima demais!” Ele respondeu em um tom arrogante.
Bulma massageou as têmporas, pedindo a todos os Deuses por calma. “Eu o mimo demais? Você quer mesmo entrar nesse assunto agora? Quer que eu jogue nessa sua cara, ó Realeza, que você também mima bastante essa menininha aí?” Bulma acusou, apontando para a pequena figura que dormia nos braços de Vegeta.
“Grrrrrr!” Vegeta rosnou. “Não fale nesse tom comigo, mulher. E eu não mimo ninguém nessa casa! Vocês que deveriam me mimar, são todos uns insolentes!”
“HÁ!” A mulher riu sarcasticamente. “Quantas vezes eu vou ter que repetir: ser Príncipe dos Saiyajins aqui na Terra não tem valor nenhum! NENHUM! Ai, mas que coisa chata, eu só pedi um favorzinho, e você tem que começar com essas discussões!”
“Eu comecei? Não fiz nada, sua louca!” Vegeta grunhiu, tentando ignorar o que acabara de ouvir. Ser príncipe não valia de nada? A mulher só podia estar querendo a morte em falar uma coisa dessas!
Bulma rolou os olhos. “Não vamos levar isso adiante, tudo bem? Eu só preciso que você converse com ele. Ele tem uma semana pra começar a se preparar, Vegeta, e você sabe disso!”
O saiyajin suspirou, cansado. Sabia que Bulma estava certa, e sabia que ELE teria que ter aquela conversa. “Está bem, inferno.” Ele concordou, enquanto ajeitava Bra em seus braços, entregando-a para Bulma. “Leve-a para cama, e-“
“Eu sei, querido, eu sei. Ela é minha filha também. Sei como cuidar dela.” Bulma sorriu, piscando para ele. “Vou coloca-la na cama e tomar um banho. Pode deixar que não irei interferir na conversa de vocês. Estarei te esperando no quarto. Boa sorte!” A cientista beijou a bochecha de Vegeta, enquanto colocava Bra de pé em seu colo.
Uma vez que sua companheira e filha estavam no andar de cima, Vegeta aproximou-se de Trunks. Ele o examinou por alguns segundos, antes de se aborrecer e gritar, “ACORDE, MOLEQUE!”
“AHHHHHHHHH!!!” Trunks gritou de volta, assustado. Segurando seu coração, ele olhava de um lado para o outro, sem entender nada. “O que aconteceu? O que eu fiz? Onde eu to?”
“Tsc.” Vegeta deu um tapa em sua testa. “Ainda está bêbado? Está em casa, seu retardado. Estava dormindo, e eu te acordei. Recomponha-se logo, preciso conversar com você.”
“Ai papai, que susto!” O menino respirou aliviado. “Não precisava ter gritado...” Ele fez um biquinho, jogando alguns fios de cabelo para trás. “E eu acho que não to mais bêbado não... quero dizer, pelo menos a tontura passou. To só um pouco enjoado, mas isso é nor-“
“Cale-se!” Vegeta o interrompeu. “Mas que mania irritante que você tem, igual à sua mãe! Começa a falar rápido demais do nada! Fique quieto, sente direito, e preste atenção.”
Trunks engoliu um pouco de saliva, assentindo nervosamente. Ele sabia que seu pai passara o dia todo estupidamente irritado, e ele não ia provoca-lo agora. “Pode falar, papai. Aconteceu alguma coisa?”
Vegeta grunhiu algo indecifrável, e Trunks teve que tampar a boca com as mãos disfarçadamente para que seu pai não percebesse o quão engraçado o adolescente achava quando fazia aquilo. Querendo acabar logo com aquela tortura, o saiyajin sentou-se de frente para o filho, com um ar muito sério e decidido. “Você acabou de completar 18 anos, e imagino que saiba o que isso significa.” Ele começou. Limpando a garganta por um breve momento pelo desconforto da situação, continuou, “Sua mãe sempre me encheu o saco dizendo que quando chegasse à maior idade, você seria dono da Corporação Cápsula, ou melhor, seria vice-presidente. E agora, estou cobrando essa responsabilidade, pirralho.”
Trunks assentiu. No entanto, suava frio. É claro que ele sabia que isso iria acontecer. Ele herdara a inteligência de sua mãe, e como Bulma sempre buscava pelas melhores pessoas para trabalhar em sua equipe, Trunks sabia que agora, ele seria o primeiro da lista. Não que ele não gostasse da ideia, pois gostava. Porém, a vontade de lutar era maior do que qualquer outra coisa. O sangue saiyajin que corria em suas veias não o deixava se concentrar por muito tempo. Ele era o aluno com as melhores notas de Orange Star High School, tinha a mulher mais inteligente da Terra como mãe, e Gohan como professor. Claro que o menino seria um gênio! Mas, na verdade, ele ainda era jovem. E por ser jovem, tinha suas dúvidas e conflitos internos. Ainda não havia decidido o que queria ser ou fazer da vida. E ter seus pais cobrando, apesar de inevitável, era incômodo.
Trunks encostou-se no sofá, cruzando as mãos, querendo parecer interessado. Refletindo com calma sobre o que acabara de ouvir, pôs-se a falar, “Eu tenho outra escolha?” Ousou perguntar.
Vegeta deu de ombros. “Sua mãe e eu conversamos sobre isso inúmeras vezes. Sabe como ela é teimosa, Trunks. EU quero que você continue treinando e lutando, mas ela diz que-“
“Que de vagabundo sem trabalhar já basta você, hehe. Eu sei, pai”. O mestiço comentou em tom brincalhão. “Isso é meio chato... sabe? Não ter escolha. Eu amo lutar, amo mesmo. Mas também gosto de estudar. Por que não posso fazer os dois?”
Vegeta pensou por alguns instantes sobre a resposta de seu filho. “Você pode.” Respondeu calmamente. “Pode trabalhar, e nas horas vagas, treinar. Até porque, se algum dia você ousar deixar de entrar naquela Sala de Gravidade, moleque, eu acabo com você.”
Trunks sorriu de canto, balançando a cabeça. “É verdade... você tem razão, papai. Só espero que ela não enlouqueça na primeira semana. Mamãe sabe que é difícil se acostumar com o ritmo da empresa.”
“Ela sabe, mas isso não é desculpa. De um jeito ou de outro, você terá que ser ágil e eficaz. Um erro e sabe o que aquela ensandecida irá fazer, e eu não quero ouvir sua mãe reclamando por três horas, hunf.”
Trunks riu, coçando a cabeça. “Hehehe, é, nem eu. Relaxa papai, vou fazer de tudo pra deixá-la feliz.”
Ambos assentiram, como se tivessem fechando um acordo. Vegeta levantou-se, e foi em direção às escadas, subindo e indo para seu quarto. Trunks desabou no sofá, fazendo uma careta. “Só tenho mais essa semana pra fazer tuuuuuudo que eu quero.” O mestiço de cabelo lavanda pensava a si mesmo, já sabendo quando iniciaria o trabalho. Ultimamente, os trabalhos no prédio principal da Corporação Cápsula estavam cada vez maiores e intensos, e Trunks possuía alguns poucos dias antes de começar a encarar tudo aquilo.
E assim, aconteceu.
Durante toda aquela semana, ele aproveitara ao máximo. Indo em todas as festas da escola, chegando tarde em casa, esbanjando charme para todas as meninas (e dando amassos em corredores escuros com algumas), isso tudo, claro, na companhia de seu melhor amigo, Goten. Ao contrário de Trunks, Goten tinha uma vida mais tranquila, e apesar de ser mulherengo, uma namorada. Ele possuía uma vida pacata vivendo na montanha Paozu com seus pais. A única coisa que o perturbava de vez em quando era sua sobrinha, Pan, que tinha quase a mesma idade de Bra.
Os dois mestiços não se largavam. Faziam -quase- tudo juntos. Desde ir para a escola e treinar, até comer e passar horas jogando, como se o amanhã não existisse. E com a ajuda de seu fiel amigo, Trunks tivera a melhor semana de sua vida.
Com uma vontade sub-humana de fechar aqueles dias com chave de ouro, o meio-saiyajin teve a ideia de viajar naquele dito final de semana. Seu destino? A praia.
Sabendo de tudo que poderia dar errado, ele bolou minuciosamente o plano perfeito. A ajuda de Bra seria indispensável, juntamente com sua mãe. Até um pouco de incentivo de Goku o menino precisaria. Isso tudo, claro, para convencer o teimoso e orgulhoso príncipe dos Saiyajins.
Ainda era sexta-feira, e se ele quisesse que tudo ocorresse perfeitamente, teria que começar agora. Batendo na porta do quarto de sua irmã, abriu-a, oferecendo um sorriso gentil à garotinha de 10 anos, que escutava música distraidamente.
“Ei, Bra! To te atrapalhando?” Trunks perguntou.
Bra tirou os fones de ouvido, sorrindo de volta. “Nada, irmão! Pode falar.”
“Cara, eu tive tipo, a melhor ideia de todas! O que você acha de irmos pra praia nesse final de semana?” O mestiço perguntou, sorrindo de canto.
Imediatamente os olhos de sua irmã brilharam como duas estrelas cintilantes. “AHHHH! SÉRIO?!” Bra adorava ir à praia. Fora pouquíssimas vezes, já que Vegeta odiava lugares cheios, ainda mais cheios de humanos seminus. “Espera, mas... o papai concordou com isso, Trunks?” Ela perguntou, desconfiada.
Trunks suspirou. “Então, na verdade, é por isso que eu vim aqui. Você sabe que segunda-feira vou começar a trabalhar lá no prédio principal da Corporação, e bom... eu queria viajar esse final de semana. Mas nós dois sabemos o quanto papai odeia esses lugares... e você sempre consegue convencê-lo...”
Já entendendo onde o irmão mais velho queria chegar, a menina riu nervosamente. “Aiii Trunks, odeio quando você me pede essas coisas! Você sabe que ele sempre descobre a verdade depois! A ideia é sua, por que você mesmo não fala com ele? Ele não é tão mau assim, viu?”
“Não to dizendo que ele é mau!” Trunks protestou. “Só que a gente sabe quem tem maior poder sob ele, né Bra? Vai, não custa nada!”
A menina fechou os olhos, deitando no chão. Quando os abriu novamente, lançou um olhar complacente a seu irmão, curvando um pouco os lábios. “Aiaiai, tá bom! Mas olha, se ele brigar comigo, eu conto que foi tudo culpa sua, e aí você vai ter que arcar com tudo sozinho, hein? Huuunf!”
Trunks sorriu de orelha a orelha, abrançando-a. “Hááá, valeu pirralha! Sabia que você não ia me decepcionar! Agora, mais uma coisa... você precisa falar com ele hoje.”
“HOJE?” Bra arregalou os olhos, incrédula. “Mas tá muito em cima TK, você sabe que eu tenho que bolar toda uma encenação antes, e puxa vida, como você é sem vergonha viu, irmão! Isso não vai dar certo! Tinha que ter falado isso comigo no começo da semana, que aí eu teria mais tempo de convencer o papai!”
“Por favoooooooor?” O adolescente pediu, juntando as mãos como se estivesse rezando. “Eu confio no seu poder, Bra. Papai com certeza vai aceitar.”
Trunks não estava se sentindo muito confortável com aquela situação. Ter que pedir ajuda a sua irmã de 10 anos não era a coisa mais digna do mundo. Porém, ele não tinha muita escolha. Ou ele apelava, ou passaria o final de semana em casa, com sua mãe na cola, dando ordens e enchendo o saco sobre como ele havia crescido depressa.
A princesinha, finalmente dando-se por vencida, concordou. “Tááá, vou tentar! E ah, que horas são, irmão?”
“São 8 horas, porque- AI, CARAMBA! ESTAMOS ATRASADOS!”
“UUURGH! MAMÃE VAI NOS MATAR!”
Ambos meio-saiyajins apressaram-se em se arrumar para ir à escola. Que diabos! Por que ninguém havia os avisado? Por que aquela casa estava tão silenciosa? Por que não tinha nenhum Vegeta gritando com Bulma e vice-versa?
A resposta veio logo em seguida, quando os dois desceram as escadas. Eles estavam, por mais estranho que fosse, sozinhos na mansão. Os irmãos se entreolharam confusos, e começaram a gritar pelos pais. Com a permanência do silêncio, resolveram não entrar em pânico, imaginando que Vegeta e Bulma teriam um bom motivo pelo aparente sumiço. Praticamente inalaram o café da manhã, e saíram voando a toda velocidade rumo à escola.
No meio de uma montanha, não muito afastado da cidade, lá estavam os pais de Trunks e Bra. Eles respiravam ofegantes e contentes, afinal, finalmente haviam arranjado tempo e privacidade para ficarem juntos. Tornara-se cada vez mais difícil terem suas noites de amor, quando Bra entrava no quarto deles quase toda noite, chorando por conta dos pesadelos. Não que isso não fosse importante, só que depois das dez primeiras vezes, começara a irritar Vegeta. Eram pesadelos bobos, relacionados à puberdade. A menina enfrentava uma pequena crise, agora que seu corpo começava a se desenvolver. Sendo mulher e humana, Bulma compreendia. E sendo saiyajin e homem, Vegeta não. Quando Trunks passara por aquela fase, seu pai não o ajudara. O menino enfrentou tudo sozinho! Claro, sendo filho de Vegeta, nada mais certo. Mas com Bra, era diferente. Tudo era diferente no que se dizia respeito à mestiça de cabelos e olhos azuis, idênticos aos de sua mãe.
Quando a situação pesou, a ponto de ficar insuportável, o príncipe a cientista tiveram que apelar para essas pequenas e sutis escapadinhas. Eles já faziam isso há algum tempo, entretanto seus filhos não haviam percebido. Pelo menos até aquele dia.
“Precisamos voltar, querido. Eles já devem ter ido pra escola, então teremos a casa inteirinha para nós durante toda a manhã.” Bulma disse, enquanto terminava de se vestir.
“Hn.” Vegeta grunhiu baixinho, assentindo. O príncipe não estava nem um pouco feliz com a situação atual. Era quase humilhante ter que fugir de sua própria casa só para ter seus momentos de prazer com sua companheira. Aqueles pirralhos estavam indo longe demais, e o guerreiro estava disposto a acabar com aquilo de uma vez por todas. Eles precisavam lembrar-se de quem mandava naquela casa.
Vegeta pegou Bulma em seus braços, levantando voo. Em poucos minutos, estavam de volta à Corporação, e ambos foram tomar um demorado banho. Quando saíram, Bulma fez questão de preparar uma dezena de panquecas regadas de calda de chocolate para acalmar os nervos de seu príncipe. Ele, claro, amou o agrado, embora em momento nenhum abandonasse sua costumeira carranca.
O resto da manhã passou calmamente. Calmamente pelo menos para os padrões dos moradores daquela casa. Bulma de vez em quando começava a discutir sobre como Trunks não estava dando a devida importância para seu futuro. “Era pra ele estar se preparando! Não saindo todos os dias, indo para festas, trazendo Goten pra cá, e dormindo tarde!” Ela repetia inúmeras vezes. Vegeta limitava-se em bufar e concordar. Paciência nunca fora seu forte, e agora mesmo é que não ia ser.
O adolescente estudava em uma ala da escola, enquanto Bra estudava em outra. Na saída, ele sempre ia busca-la, para que os dois voltassem para casa juntos. Era uma ordem que Bulma havia dado desde que Bra entrara no jardim de infância, e ai de Trunks se desobedecesse.
O sinal tocara, anunciando que os alunos estavam liberados. Trunks foi andando calmamente ao encontro de sua irmã, que ainda estava dentro da sala de aula, enquanto a professora dava alguns anúncios de última hora. Ele bateu na porta, e a Srta. Kinomoto, percebendo quem era, abriu um sorriso sedutor, fazendo um sinal para que seus alunos aguardassem por um momento.
Virando a maçaneta, ela ajeitou seu cabelo e estufou o peito, enquanto abria mais um botão de sua blusa de maneira provocadora. Ainda sorrindo, ela finalmente abriu a porta, “Olá, Trunks. Vejo que está a cada dia mais bonito.” Ela sussurrou para o adolescente.
Trunks enrubesceu imediatamente, um pouco desconfortável. A professora de Bra não era uma mulher vulgar, nem possuía fama de nada, mas sempre perdia um pouco de controle toda vez em que o adolescente aparecia para buscar a irmã. Trunks pigarreou por um segundo, antes de começar a falar, “O-olá, Srta. Kinomoto, bom dia! A aula já acabou?”
O sorriso da mulher ficou ainda maior quando percebera que Trunks havia ficado envergonhado. “Está quase lá, só estou terminando de passar uma lição de casa. Quero-a prontinha na segunda-feira.” A jovem professora respondeu, encarando-o, quase comendo o mestiço com os olhos. Ela não era tão mais velha que Trunks, e em algumas festas da escola, já tinha tentado uma coisa ou outra com ele, porém o híbrido parecia não ter interesse. “É uma lição importante, valerá ponto extra e tudo. Sei que Bra terá a melhor nota da sala, não é mesmo?” Ela ofereceu uma piscadinha traiçoeira.
Trunks sorriu nervosamente, concordando. “Sim, claro claro... nossa mãe é um gênio, você sabe. Bra teve a quem puxar.”
A mulher balançou a cabeça, negando. “Não era dela de quem eu estava falando, Trunks... você também é um rapaz muito inteligente.”
“Ahhh... ahaha, puxa, muito obrigado! Que gentileza a sua!” Trunks sentia seu corpo ficar cada vez mais tenso pela vergonha. Que mulher indecente!
“Hummm... então é de gentileza que você gosta?” Ela perguntou num tom carregado de malícia, quase sussurrando.
“EI!” De repente, Bra interrompeu. A menina entrara no meio dos dois, empurrando a professora para trás. “Você para com isso hein, sua velha louca! Para de dar em cima do meu irmão!”
A jovem mulher arregalou os olhos. Agora, quem estava estupidamente envergonhada, era ela. “Bra! Q-quem te disse isso, mocinha? Não está acontecendo nada, só estou conversando com seu irmão. Me respeite, sou sua professora!”
Trunks abafou uma risada, virando a cabeça para trás. Se divertindo com aquela cena, olhou para Bra, assentindo para que ela continuasse.
“Escuta aqui minha filha, você pode ser minha professora, mas toda vez que o TK aparece, você fica aí toda assanhada e eu não gosto disso, tá? Ele é meu irmão, e eu tenho ciúmes! Não quero uma professora chata e velha falando essas coisas pra ele, hunf!” A menina mostrou a língua, e por um momento ia mostrar aquele dedo, quando Trunks acenou desesperadamente para que não o fizesse.
“N-não, Bra! Deixa isso pra lá, a gente só tava conversando mesmo!” Ele apressou-se em explicar. “Srta. Kinomoto, poderia dispensar minha irmã agora? Precisamos ir pra casa.”
A mulher cerrou os lábios, nervosa. Estava pronta para dar uma lição de moral em Bra, quando se lembrou de quem eram os pais da menina. Suspirando, ela acenou com uma das mãos para que ambos fossem embora. “Não se esqueça da tarefa, mocinha. Quero-a pronta para segunda-feira!”
“Não esqueça a tarefa mocinha, mimimimi!” Bra repetiu o que a mulher acabara de dizer, zombando. “Você sabe que eu vou fazer essa coisa e vou tirar a melhor nota. Não se preocupa. Agora tchau, to indo pra casa com MEU irmão!”
“Braaaa! Para com isso, não fala assim, ela é sua professora!” Trunks advertiu.
A garotinha simplesmente deu de ombros, não dando a mínima importância. Ela era uma princesa saiyajin, as pessoas precisavam respeitar e levar isso em conta.
Ao longo do caminho até a saída, os irmãos foram interrompidos várias vezes. Todas as meninas suspiravam e mandavam “oi” pra Trunks, enquanto Bra as fuzilava com um olhar maligno. Trunks limitava-se em sorrir timidamente, acenando vez ou outra. Com um bico gigantesco, Bra parou no portão principal da escola, esperando o irmão acabar de conversar com Goten, que estava esperando-os desde cedo.
Já sabendo o que ia acontecer, Bra avisou que iria na frente, pois estava com fome e não esperaria as duas “moças” colocarem o papo em dia. Levantou voo, e poucos minutos atrás, seu irmão e Goten a acompanhavam.
A mestiça passou o resto do dia emburrada e irritada. Quando chegou a hora de conversar com seu pai, ela resumiu toda a história, usando seus melhores argumentos e utilizando do mesmo olhar pidão que herdara de sua mãe pra convencer o príncipe em ir à praia. Vegeta gritou, grunhiu, bufou, socou a parede (em certo momento, Bra até achou que ele fosse ter um infarto), mas no final de tudo, aceitou.
O motivo de toda a contradição? Goten, obviamente. Vegeta ainda não aceitava a amizade entre seu filho e o pirralho de Kakarotto, mesmo após tantos anos.
Na manhã de sábado, enquanto Bulma terminava de ajeitar a bolsa com tudo que precisariam, vide filtro-solar, óculos, cangas, lanches, toalhas, um par extra de biquíni e um de calção, dinheiro, mais lanches, e claro, uma câmera fotográfica com um cartão de memória gigantesco para retratar todos os momentos “felizes”, Vegeta usava a maior expressão emburrada que poderia existir no universo.
Trunks e Goten já estavam dentro do aero-carro, conversando empolgadíssimos sobre como aquele final de semana seria épico. Bra copiava a expressão do pai, sentada a alguns metros dele.
“Acho que já está tudo pronto, podemos partir, pessoal!” Bulma avisou alegremente enquanto descia as escadas.
“Ótimo. Simplesmente... ótimo.” Vegeta disse em tom sarcástico. “Espero que saiba, mulher, não volto a essa porcaria de lugar novamente tão cedo. Aquilo é um inferno! Calor, humanos irritantes desfilando pra lá e pra cá quase sem roupa, areia entrando em todos os cantos, argh!”
Bulma riu baixinho. “Ora, Vegeta! Não seja tão mal-humorado, será divertido, querido! Vamos, cadê aquele sorriso que eu tanto amo, hein?”
A carranca do príncipe só piorou. “Cale essa boca! Não vou sorrir coisa nenhuma! Grr, inferno, inferno, inferno...”
“Inferno mesmo! Essa viagem será uma droga!” Bra adicionou, no mesmo tom de raiva que seu pai usara há poucos segundos.
Bulma, genuinamente surpresa, inclinou a cabeça, analisando a situação. “Mas é igualzinha ao pai... Kami!”
“Vocês dois podem reclamar o quanto quiserem,” A cientista respondeu, tentando disfarçar o clima pesado. “Nós não deixaremos de ir. Agora, os dois, já pro carro!”
Vegeta levantou-se, forçando para que suas pernas andassem. Bra saiu correndo, entrou no carro, e bateu a porta do veículo. Bulma aproximou-se de seu companheiro, colocando a mão sobre seu ombro, “Quer dirigir?”
O saiyajin pensou por alguns segundos antes de responder, “Não. Você quer se manter viva, não quer? Então dirija você. Se eu encostar naquele volante, será para jogar o carro no primeiro penhasco que aparecer pra ver se todos vocês morrem de uma vez.” Ele sibilou.
Bulma rolou os olhos, apertando a mão que estava sob o ombro do guerreiro. “Olha, se eu não te conhecesse tão bem, Vegeta, diria que está até falando a verdade, sabia?” Vegeta abriu a boca para responder, quando Bulma o interrompeu, “PARA DE GRACINHA! Vamos logo que eu to doida pra entrar naquela água geladinha, aaahhh!”
O saiyajin olhava incrédulo para a mulher. Como aquela maldita não sentia medo dele?
Quando todos estavam devidamente dentro do aero-carro, Bulma deu a partida, e momentos depois, estavam na estrada. A cientista lançava um olhar preocupado para sua filha pelo retrovisor de minuto em minuto, agoniada.
Não resistindo mais, perguntou, “Bra, querida... o que aconteceu? Por que está tão irritada?”
A menina franziu o cenho, sentindo a raiva crescer. “Ahhh... todo mundo na escola gosta do Trunks, mamãe! Isso é muito chato!” Ela respondeu rapidamente, para a surpresa de todos que estavam presentes.
“Como assim, filha? Se todos gostam do seu irmão, é porque ele é um jovem lindo, inteligente e merecedor de toda a admiração do mundo, ohoho!” A mulher se gabava, narcisista como sempre.
“Mas eu não gosto! Tenho ciúmes!” Bra cruzou os braços, claramente indignada. “Sabe que até minha professora fica dando bola pra ele? Argh, aquela mulher é uma chata, mamãe, uma chata! Não quero que ela fale com meu irmão daquele jeito!”
Bulma fez um sinal para que Vegeta controlasse o volante, enquanto ela virava-se para olhar nos olhos de sua filha. “E por que isso te incomoda tanto, querida?”
Bra respirou algumas vezes, ponderando se devia falar ou não. Decidida, praticamente cuspiu a resposta, “Porque me lembra daquela vez em que o papai foi me buscar e aquelas mulheres falavam o quanto ele era bonito, musculoso, gostoso, e eu não sou boba mamãe, sei muito bem o que isso significa, e ninguém pode falar essas coisas do meu p-“
A menininha até conseguiria terminar a frase, se não fosse pela freada monstruosa que sua mãe dera no aero-carro. Vegeta sentiu a cor de seu corpo desaparecer, engolindo uma enorme quantidade de saliva.
Ele e Bra estavam encrencados por não terem contado aquele pequeno fato anteriormente, mas aquelas mulheres... Kami-Sama, aquelas mulheres... elas já podiam começar a rezar por suas vidas. Sentiram a ira de Bulma Briefs.
Notas finais
Nos vemos semana que vem, beijos!
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