SuperHero
14 Capítulo 13 - O Despertar
Notas iniciais
O nome da figura misteriosa dita por Fada reverberou pelas paredes das instalações abandonadas. O eco permitia ao som ir e voltar, e a cada segundo congelada, a curiosidade de Elsa ia aumentando mais e mais.
—quem... – ela começou, com muito cuidado. – quem é...
—CUIDADO!
Fada empurra Elsa para trás, caindo por cima dela e evitando que uma lança negra a atingisse. Mas quando a câmera de Elsa – ainda ligada e registrando cada momento – focou na dita lança, quem visse não iria acreditar de primeira. Era uma lança feita de areia negra e brilhante, como o exato oposto da areia dos sonhos de Sandman. Aquilo não era areia dos sonhos, era...
—pesadelos!— Fada exclama, se levantando logo em seguida. – merda! Elsa, precisamos sair daqui!
—mas como?! – Elsa indaga. – o elevador caiu e ainda não achamos nada para me puxar.
—precisamos dar um jeito! – fada diz, alçando voo baixo e puxando Elsa pela mão.
Elsa e Fada correm e voam – respectivamente – pelos corredores obscuros e mal iluminados, fugindo de um inimigo que não podiam ver. Apesar disso, Fada parecia saber muito bem com o que estava lidando. O que quer que estivesse atrás delas, lançou mais e mais lanças, mas Fada desviou de todas elas, e quando eram direcionadas para Elsa, ela as purificava com o chicote de areia dos sonhos em suas mãos. Porém, por mais que elas corressem, pareciam apenas corredores infinitos que davam sempre em laboratórios idênticos ao primeiro, só que cada vez mais sangrentos. Elsa estava começando a passar mal com o cheiro de sangue, mas Fada não a permitia parar. Porém, o que elas não sabiam era que estava sendo guiadas para uma armadilha. Quando elas chegaram ao último laboratório das instalações, Fada entrou em pânico. Conhecia aquele lugar muito bem. A mente de Elsa, trabalhando em velocidade máxima, conseguiu registrar em detalhes no espaço de tempo de apenas cinco segundos – o tempo que a paz momentânea durou – o lugar por completo.
Macas e mais macas cheias de cinzas e pó estavam espalhadas aqui e ali. Além disso, algumas cadeiras parecidas com cadeiras de dentistas com mordaças anda eram iluminadas por uma fraca luz que vinha de um buraco alguns metros acima das cabeças delas – a saída! Elas deveriam estar perto de um lago, que era onde o nível da terra abaixava. A luz da lua entrava obliquamente por ali, enchendo o coração de Elsa de esperança. O que ela não teve tempo de notar, porém, foi uma enorme porta de chumbo que levava a uma sala anexada ao laboratório. Lá dentro, vários espelhos podiam ser vistos por uma abertura de vidro extremamente grosso, e dai era só isso. Porém, fora aquela porta, o buraco no teto era a única saída.
—Fada! Ali! – Elsa apontou.
—vam...
Mas no momento de distração, Fada foi acertada com uma das lanças. A areia dos sonhos em suas mãos se dissolveu como pó e se espalhou com a leve brisa que entrava por ali. Ela caiu no chão, suas asas parando de bater, e suas mãos foram de imediato para o ferimento que a lança havia causado, e agora infeccionado por ter, novamente, se transformado em areia. Os olhos da morena perderam o brilho cor de rosa, e a pequena e imponente figura de heroína começou a murchar. Elsa entrou em desespero. Mas nada podia se comparar ao que estava por vir.
Uma longa sombra viva entrou no laboratório. Era como se a sombra tivesse se descolado das paredes e estivesse a encarar Elsa. Longos olhos amarelados e cruéis a observavam, olhos famintos, sedentos de sangue. A pele da sombra era de penumbra, um cinza um pouco mais claro do que a negritude de suas vestes. Um sorriso macabro, cheio de dentes brancos e afiados como pequenas agulhas, além da tsunami de areia negra e brilhante que se erguia atrás dele e pareciam obedecer à sua vontade. Elsa não sabia quem era, mas tinha a leve impressão de já o ter visto em algum lugar.
—santo Deus... – é só o que Elsa consegue dizer.
—não adianta apelar, menininha.— a sombra disse. – até mesmo seu deus sabe que não deve descer aqui!
Ele a atacou, e Elsa pensou que seria seu fim. Em pouco tempo ela desejaria que tivesse sido. A areia negra a agarrou pela cintura e empurrou Fada para longe, sua cabeça indo de encontro com a parede fazendo um som oco que apenas desesperou Elsa ainda mais. Ela tentou se soltar, mas era inútil. A areia prendeu suas mãos também, afundando-as em seu interior. Logo Elsa foi jogada dentro da porta de chumbo, e mais desespero encheu seu coração quando ela viu e reconheceu aquele lugar.
—uma câmara de raios Vita... – Elsa sussurrou para si mesma, fechando os olhos.
Um humano normal morreria em alguns segundos exposto a uma quantidade baixa de raios Vita. Eles eram tão poderosos quanto os raios Gama, e assim como o próprio, modificava tudo o que tocava a nível molecular. Elsa sabia que mesmo que não morresse ali, ficaria desfigurada pelo fato de a sua pele inevitavelmente derreter em cima de seus músculos. A areia negra trancou a porta, e Elsa se preparou para seu fim. A essa altura, a areia havia absorvido sua câmera, que ainda gravava tudo.
—BREU, PARE!— uma voz disse, alto o bastante para que até mesmo Elsa, trancada na câmara, pudesse ouvir.
Na porta do laboratório havia um homem feito de luz. Era uma luz prateada, calmante, feita de fé. Elsa, ao observar aquela luz, teve fé de que iria sobreviver. Fada ao olhar, teve fé de que as duas sairiam dali vivas, e de que ela não desmaiaria até o fim da luta. O único que se desesperou com a visão foi a sombra, e o que quer que fosse, chiou para ele como um gato assustado.
—pare, criança.— a voz da luz também era calmante, e dava paz e tranquilidade a quem ouvia. Elsa se lembrou de seu pai, que lia histórias para ela antes de dormir. – chega de morte, chega de sangue. É hora de parar.
Mas a sombra não deu ouvidos. Usando a areia, obviamente sobrenatural, ele energizou a câmara de raios, e Elsa, mesmo em paz, começou a sentir uma dor lancinante. Todo o seu corpo começou a queimar, seu sangue começou a ferver nas veias. Ela soltou um grito de agonia, e depois disso, tudo aconteceu muito rápido. A luz encheu a sala, atacando a sombra, e Fada destruiu a porta de chumbo com a areia dos sonhos e o que sobrava de suas forças. Com resistência sobre-humana, ela tirou Elsa da câmara, que já tinha algumas queimaduras espalhadas pelo corpo. A sombra soltou um grito de horror, e sumiu da mesma maneira que aparecera. A luz diminuiu, e Elsa desmaiou. Mas mesmo na inconsciência, ela ainda pôde ouviu os últimos sussurros:
—pobre criança. Sobreviverá, mas a partir de hoje, sua vida jamais será a mesma. Durma, Rainha Branca. Teu Império de Gelo logo se erguerá.
—o que devo fazer? Falhei em protege-la!
—sim, falhou. Mas não pode abandoná-la agora. Tathiana, você é tudo o que ela tem para aprender a controlar. Não a decepcione uma última vez.
—não o farei, senhor. Não o farei.
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