Sunlight

2 Why Does Fate Make Us Suffer?


Nico di Angelo não pertencia ao Acampamento Meio – Sangue.

Ele não pertencia àquele lugar, isso era comprovado pelo fato de não terem construído um chalé para Hades antes da guerra contra Cronos. Percy Jackson havia pedido isso a Zeus. Mas Nico ainda não se sentia muito bem aceito ali.

Ele se lembrava do que Percy tinha dito: Apareça com um exército de mortos – vivos para salvar o dia e de uma hora para a outra você se tornará o melhor amigo de todos.

Isso foi verdade por um tempo; vários campistas o cumprimentavam por seu desempenho na luta, davam tapinhas em suas costas. Puxa, ele havia convencido Hades a ir ajudar! Até mesmo os campistas de Ares pareciam acha-lo legal. Mas poucas semanas depois isso mudou.

Campistas se sobressaltavam quando ele aparecia para se sentar ao redor da fogueira; o lançavam olhares amedrontados. Em sussurros começavam a se perguntar por quê o sinistro filho de Hades ainda permanecia no Acampamento. Começavam a se afastar. Nem os filhos de Ares pareciam ficar no mesmo ambiente que ele.

Afinal, se Hades não era bem vindo no Olimpo, a não ser no Solstício de Inverno, por que seus filhos seriam bem recebidos no Acampamento Meio – Sangue? O Acampamento que preparava heróis? Havia alguma vez na história um filho de Hades que fosse herói?

Talvez estivesse realmente destinado a viver deste modo. Sem amigos, sem pertencer a nenhum lugar, sem pertencer a aquele tempo, sempre isolado. Tendo a companhia dos mortos ao invés das dos vivos, embora isso também fosse difícil para ele. Os mortos o respeitavam, mas somente por medo. Sua irmã, Bianca, fora a única pessoa que alguma vez o aceitara como era, mas escolheu se tornar uma Caçadora de Ártemis e deixa-lo, para na primeira missão morrer, e o deixar completamente sozinho e quase enlouquecido pela dor.

Talvez realmente fosse a isso que os filhos de Hades estavam destinados.

Quando adentrou o grande Pavilhão a céu aberto em que ficava o refeitório, os campistas que conversavam animadamente se calaram, ficando completamente desconfortáveis. Isso era uma reação normal.

– ... Só porque ele é filho de Hades não significa que ele seja um presságio de morte! – ele ouviu alguém falar. Essa frase era incomum; nunca alguém havia dito isso.

Nico olhou para a mesa de Apolo, era de lá que a voz viera. Havia duas meninas conversando; uma era filha de Ares, que ele reconhecia como sendo Katrina ou algo assim. Mas a que falara era a outra, que ele não sabia o nome, mas conhecia como sendo a única do chalé de Apolo que não tinha os cabelos dourados como o sol, eram castanhos. Seu rosto era bonito e bondoso, parecido com o de seu pai, que o levara até o Acampamento junto com as Caçadoras a tanto tempo atrás.

A filha de Apolo parecia ser diferente. Talvez, apenas talvez, ela não se importasse por ele ser um semideus de outra época e um filho de Hades. Talvez ele não precisasse ficar sozinho afinal. Foi estranho o como apenas olhar para aquela garota o fez pensar com mais otimismo.

Ele viu quando ela e Katrina se levantaram rindo e saíram correndo por entra as mesas do refeitório até a saída. Ela se detivera por alguns instantes e, surpreendentemente, se virou para olhar para ele. Seus olhos eram suaves e azuis. Ela deu um leve sorriso e continuou a correr.

Havia realmente algo nela, algo diferente, algo bom e puro. Algo como... felicidade.

Balançou a cabeça como que para tirar seus pensamentos daquilo.

Ele era um filho de Hades.

Filhos de Hades raramente são felizes.

***

– EU GANHEI! EU GANHEI! – gritava Katrina, enquanto as duas caminhavam para o chalé 7 – Eu ganhei, e agora você terá de me ajudar a aprontar com aquela babaca da Drew!

Evelyn revirou os olhos e ajeitou o cachecol roxo em seu pescoço.

– Olha, por que você não pede ajuda para o Connor e o Travis Stoll? Eles são filhos de Hermes e são ótimos para pegadinhas, já até aprontaram com o chalé de Afrodite várias vezes...

– Eu não vou pedir ajuda a eles, Evelyn. – a filha de Ares rosnou – Da última vez em que falei com aqueles dois ladrõezinhos minha carteira sumiu! E além do mais, trato é trato. Nós apostamos que se você perdesse na guerra de bolas de neve teria de me ajudar, e você perdeu. Tenho total confiança de que você, como é uma pessoa decente e minha melhor amiga, irá cumprir com sua palavra e me ajudar a dar uma lição naquela desprezível.

– Mas ela não fez nada para você, Katrina! – a filha de Apolo passou a mão pelos cabelos.

– O simples fato de ela existir já é um insulto para mim. E eu não tolero pessoas como ela, principalmente quando ela se mete com minhas amigas. – Katrina tocou a adaga que levava presa a cintura.

– Já faz meses, Kat. Vamos esquecer isso tudo. – disse Evelyn. A verdade era que ela gostaria sim de dar uma lição em Drew, a conselheira chefe do chalé de Afrodite. A garota era a pior pessoa que ela já tinha tido o desprazer de conhecer. Assim que Evelyn chegara ao Acampamento Meio – Sangue, Drew havia começado a implicar com ela.

Bons tempos eram quando Silena era a conselheira chefe do chalé 10. Ela sim era uma heroína.

Perdida em pensamentos, a filha de Apolo não viu que a amiga havia parado de andar e colidiu com ela.

– O que foi que houve? – perguntou a Katrina.

– Olha o Nico di Angelo ali! – a filha de Ares respondeu, apontando disfarçadamente. Evelyn olhou para onde a amiga apontava. Realmente, Nico estava entrando calmamente na floresta, e isso era algo que não era aconselhado fazer, pois havia monstros e animais desconhecidos ali.

Evelyn tirou um pingente de sua pulseira dourada, presente de seu pai, e ele se transformou em seu arco e flechas dourado.

– Eu vou seguir ele. – falou sem pensar, e antes que Katrina pudesse dizer algo, marchou para dentro da floresta.