Sunlight

3 I Can Feel Your Sorrow


Por sorte, Evelyn conseguiu alcançar Nico di Angelo antes que ele entrasse mais na floresta. Ela não gostava de lugares escuros, principalmente quando estava sozinha, se sentia vulnerável e desprotegida. Alheia a qualquer perigo.

– Ei! – chamou ao ver o garoto. Ele parou de caminhar e se virou para ela lentamente, aparentemente estava esperando para ver o que ela queria.

A filha de Apolo caminhou alguns passos para se aproximar de Nico. Apenas naquele momento havia se dado conta de que não sabia exatamente iria dizer a ele. Na verdade, não sabia nem por que o havia seguido, primeiramente.

Ela parou ao lado dele, ajeitou a aljava com o arco e as flechas nas costas e depois pigarreou. Olhou para o rosto de Nico; pela primeira vez percebeu que ele era bonito. Seu rosto parecia ser esculpido em mármore, era pálido e liso. Os olhos eram castanhos de um tom bem escuro, mas não chegavam a ser negros como os cabelos bagunçados, que pareciam ser feitos por sombras de tão escuros que eram. Suas sobrancelhas pareciam permanentemente franzidas, em uma expressão séria. Ele era apenas alguns poucos centímetros mais alto que ela, o suficiente para que quando se encarassem, sempre olhassem nos olhos um do outro.

Por um momento, ambos se olharam, como se houvesse algo entre eles, uma espécie de conexão. Algo que nunca haviam sentido.

Evelyn desviou o olhar por um momento, constrangida, mas conseguiu se recompor o suficiente para dizer algo.

– Sou Evelyn Lewis. – ela estendeu a mão para que ele apertasse – Filha de Apolo. – sorriu.

Nico di Angelo não demostrou nenhuma reação por alguns segundos. Evelyn sentiu o sorriso vacilar e o rosto enrubescer; mas quando ela se preparava para abaixar a mão, o filho de Hades a apertou.

– Nico di Angelo. – disse sem sorrir – Filho de Hades.

Ele permaneceu segurando a mão dela por um tempo. Evelyn percebeu que as mãos de Nico eram tão frias quanto o gelo. Provavelmente ela nunca tinha conhecido ninguém com a pele mais gélida que a dele.

Soltaram as mãos lentamente. Nico a encarava de modo curioso e contemplativo; como se a analisasse.

– Eu vi você entrando na floresta – ela disse, quase em transe, enquanto ainda olhava nos olhos intensos do filho de Hades – Não é aconselhável que campistas entrem aqui. E então eu acabei me apresentando para você, mas agora apenas acho que deveríamos ir para o refeitório. Já está na hora de o almoço ser servido.

Ela respirou fundo, silenciosamente, quando terminou de tagarelar. Nico a encarou de um modo quase surpreso, como se não estivesse acreditando que ela estava, de fato, lhe dirigindo a palavra. Evelyn sentiu um pouco de pena; já havia sido excluída e evitada na escola por ter dislexia e sabia o quanto era ruim.

Nico apenas balançou a cabeça, concordando, e pôs – se a andar ao lado dela. Evelyn o observava de vez em quando, durante a caminhada até o pavilhão. Notou que a escuridão da floresta parecia acompanhar o filho de Hades. Ao estar tão perto dele, ela conseguia sentir o poder que emanava dele; ele era poderoso, talvez mais poderoso que o próprio Percy Jackson. Ela havia visto o que Nico era capaz de fazer. Era capaz de invocar mortos para lutarem, podia irradiar morte se quisesse, podia transitar no Mundo Inferior sempre que quisesse. Mas... também havia algo que Evelyn não compreendia muito bem. Uma espécie de energia diferente o rodeava, uma espécie de energia antiga e uma forte melancolia. Havia tristeza e dor nele; algo que o atinge profundamente.

Quando entraram juntos no refeitório, as conversas pararam; mas, ao invés de todos ficarem completamente em silêncio, começaram a sussurrar uns com os outros. Nico di Angelo na companhia de alguém? E esse alguém uma garota? Com certeza eles tinham razão por comentar. E até mesmo Katrina olhava de Evelyn para Nico, sem parar.

Evelyn acenou levemente para o filho de Hades e foi se sentar com Will na mesa de Apolo.

Seu irmão a encarou.

– Conversando com Nico? – perguntou ele.

– Sim. – ela tomou um gole de refrigerante – Depois eu te conto tudo.

– Fico feliz que você tenha ido falar com ele. – Will sorriu – Ele é um menino bastante solitário. Sempre achei que vocês se dariam bem.

– Ele é uma pessoa triste. – disse Evelyn, encarando o irmão com olhos leves – Pude sentir a tristeza dele com facilidade quando estava próxima.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.