Summertime Sadness
20 What If I Told You
Notas iniciais
Contar toda a história para Thalia e ouvir sua bronca era fácil perto de conseguir sustentar o olhar nem um pouco discreto que Nico me lançou naquela manhã.
A verdade era que eu, primeiro, não conseguia mais guardar tudo para mim e antes que eu me controlasse, estava contando tudo para Thalia, e quando digo tudo, era tudo – inclusive os recentes acontecimentos. E, segundo (e não para melhorar meu dia), chega Percy querendo saber o que eu realmente tinha com Nico. O problema de falar algo para ele era que nem eu mesma sabia o que estava acontecendo. Tudo estava passando pelos meus olhos parecia rápido e distante, um borrão.
Eu gostava de Nico? Talvez.
Eu gostava de Percy?
Eu não tinha a mínima ideia.
Enquanto eu andava na direção de Nico – e daqueles olhos negros que me encaravam de um jeito indecifrável – eu só conseguia pensar na pergunta que Percy havia me feito. Se ele me pedisse para ser dele, eu concordaria? Pensei no que Thalia havia me dito: Percy não é para você. E depois as meninas do VDPJ, todas lá porque o mesmo Percy que agora era um estranho exemplo de menino carinhoso as havia magoado.
Pensei na noite anterior.
Meu corpo doía, eu tinha marcas roxas pela cintura, pescoço e também nos seios. Mas havia sido uma das melhores noites da minha vida. Imaginei o que Nico pensou assim que abriu a por ta do quarto e me viu com Percy lá.
Ele me esperava apoiado na mesa de um jeito despojado e sexy. Seus cabelos negros estavam bagunçados, como sempre, e seu olhar estava do mesmo jeito indecifrável de antes. Eu o abracei. Suas mãos hesitaram por um instante e em seguida, estavam brincando com meu rabo de cavalo e afagando minhas costas. Apoiei minha cabeça na curva do seu pescoço e inalei seu perfume, senti meu corpo relaxar quase imediatamente.
As mãos de Nico repousaram em minha cintura e me afastaram o suficiente para ele depositar um beijo cálido na minha testa.
– Me desculpa? – eu murmurei.
Um sorriso dançou nos seus lábios, mas não parecia verdadeiro.
– Você falou com Percy?
Eu olhei para trás, e Percy ainda estava no mesmo lugar de antes, mas agora encarava a Nico e a mim.
Assenti com a cabeça e me apoiei ao seu lado na mesa.
– O que ele disse?
– Ele queria saber por que eu estava com você. Ele descobriu que era tudo farsa só para separar ele da Bianca.
– É tudo farsa para você?
– Não foi o que eu quis dizer, Nico...
– Responda.
Eu bati minhas mãos no quadril, afobada. Por que todos tinham que estar me fazendo perguntas difíceis hoje?
– Eu não sei, está bem? Não sei o que estou sentindo, não seio que nós temos e eu não tenho a mínima ideia do que aconteceu ontem!
– Então quando você tiver certeza do que você quer, do que você sente e do que você sabe, nós conversamos.
E esse foi meu terceiro ponto ruim da manhã.
Sai da Casa Grande e uma rajada de vento me recebeu do lado de fora. Ajeitei meu casaco e andei na direção do chalé. O acampamento parecia vazio, como se ninguém vivesse ali há séculos, mas eu sabia que todos estavam dentro dos chalés, ou tomando café na Casa Grande.
Eu queria paz. Era tudo o que eu precisava.
Entrei no chalé esperando pelo silencio típico do lugar, mas me deparei com duas meninas brigando aos berros e o chalé inteiro observando.
– Ai meu Deus, qual é o seu problema? – Bianca gritava a todo pulmão – Eu só pedi para você me dizer onde ela está!
– E desde quando você quer saber sobre ela? Vocês se odeiam! – Thalia rebateu.
– Ah, parece que ela não te conta tudo não é, revoltadinha!
– Acredite, querida – Thalia riu – eu sei muito mais coisa do que você pensa!
Na hora que eu iria gritar pedindo silencio e uma explicação para tudo aquilo, uma mão surgiu na minha boca.
– Isso tá muito divertido, você não pode estragar. – Leo disse com um sorriso e eu revirei os olhos.
– Por que elas estão brigando?
– Por sua causa! – ele respondeu divertido – Bianca veio aqui perguntando sobre você e Thalia se revoltou.
– Ei, vocês duas! – eu gritei por cima das vozes delas – Chega!
– Annabeth, diz para essa vadia metida a besta sair do nosso chalé!
– A única vadia aqui é você, Cara de Pinheiro.
– Do que você me chamou? – Thalia disse se aproximando perigosamente de Bianca.
– Cara. De. Pinheiro. Além de ter essa cara horrível, agora virou surda também?
E então, antes que eu pudesse impedir, Thalia estava rolando no chão com Bianca. Eu só conseguia ver mãos e cabelos para todos os lados. E os gritos. Ah, os gritos estavam bem altos. Eu iria, com toda certeza, rir muito da situação se meu dia não estivesse tão péssimo. Mas tudo o que eu queria fazer era acabar com aquela briguinha estúpida e ficar num lugar tranquilo.
– Leo, você segura Bianca e eu seguro Thalia. – eu disse indo na direção das duas meninas que pareciam mais duas leoas lutando por território.
Ele demorou um pouco para me entender, já que estava ocupado demais rindo de tudo aquilo, mas eu apenas lancei meu pior-melhor olhar de raiva para ele.
– Certo. – ele murmurou e revirou os olhos.
Tentei segurar Thalia pelos braços sem ser atingida por unhas ou punhos fechados, o que não deu muito certo, mas pelo menos consegui tirá-la de cima de Bianca. Leo segurou Bianca seu esforço nenhum, enquanto Thalia quase me carregava.
– Vocês duas vão se controlar, beber uma água e chega de brigas, ok? – minha voz saiu firme e impaciente.
– Eu vou tomar meu banho, e quando eu sair é melhor você não estar aqui, queridinha. – Thalia disse se desvencilhando do meu aperto e entrando no vestiário.
Olhei para Leo em agradecimento e então todos voltaram a conversar, comer doces e fazer o que estavam fazendo.
– Annabeth, — Bianca me chamou enquanto ajeitava o cabelo e a roupa – precisamos conversar.
***
Enquanto eu e Bianca andávamos na direção do lago, eu só pensava em como seria fácil ela me matar. Ela tem motivos e bom, não tem ninguém fora dos chalés. E estávamos indo para o rio, e estava frio. Ela não precisaria se esforçar muito para me afogar.
Acho que estou pirando. Era só uma conversa normal, certo?
Certo.
– E então, por que estava me procurando? – Perguntei assim que sentamos em uma mesa.
– Eu vou ter que sair do acampamento por uns dias. – ela disse nervosamente – Tenho que resolver umas coisas, e quero sua ajuda para, anh, distrair Nico enquanto eu estiver fora.
Eu ergui as sobrancelhas, surpresa.
– Vai embora do acampamento? – Bianca assentiu – Por favor, não me diga que é por causa do Percy...
– Não, não é. São outros assuntos. Onde você se meteu ontem na festa? Eu te procurei por toda parte para falarmos com Percy.
– Eu estava...
– Ah, deixa – ela me interrompeu – Eu também não consegui achar ele depois. – ela franziu a testa – Você não estava com ele, certo?
Olhei para ela. Era incrivelmente parecida com Nico, chegava a assustar.
– Estava com ele e com Nico. – eu disse simplesmente, pensando que seria melhor não mentir.
– E você estava fazendo o que com os dois? – ela disse se recostando na cadeira.
Pergunta difícil.
– Estávamos apenas conversando, queremos fazer o possível para que nenhuma amizade seja destruída.
Ela riu sem humor.
– Não acho que isso seja possível, mas vale a pena tentar... Enfim, eu estou indo agora. Mantenha Nico fora de confusão e se ele perguntar aonde eu fui... Não diga nada, está bem? Apenas fale que quando eu voltar explicarei tudo.
– Certo. – eu sorri.
Bianca se levantou e olhou para a floresta, soltou um suspiro e começou a voltar para o chalé.
– Vença umas tarefas para mim, ok? – ela disse sorrindo. – E mude o Jackson, tenho a impressão de que só você poderá fazer isto.
Deixei um riso escapar e tié que prender minha boca para não correr para ela e contar tudo o que estava acontecendo no momento, contar que eu não poderia tomar conta de Nico, pois ele não gostava muito de mim no momento. E falar sobre Percy...
– Prometo que vou tentar. – eu garanti e ela acenou.
Eu fiquei um tempo sentada ali. Era difícil respirar por causa do frio e do vento cortante, mas ao mesmo tempo, o silencio era maravilhoso.
Mas não durou muito.
– Você precisa vim comigo. Agora! – Thalia gritava nervosa enquanto me puxava pelo braço na direção da Casa Grande.
– O que aconteceu?
Sem resposta. Ela apenas murmurava coisas sem sentido.
– Thalia!
– Annabeth, temos que ligar para sua mãe agora! Eu... Eu vou chamar os meninos. Temos que ligar para sua mãe!
– O que? Por que isso?
Ela parou abruptamente e segurou meu rosto nas mãos.
– Precisamos ligar para sua mãe. Você tem que ir para a Casa Grande, Quíron está te esperando lá com ele.
– Com ele? Ele quem? E por que temos que ligar para minha mãe?
– Annabeth, me escuta. Você vai para a Casa Grande e não fica longe do Quíron por nada, entendeu? Sr. D deve estar lá também, mas não sei se confio nele. Não sai de perto do Quíron! Eu vou chamar Luke, Percy e Nico.
– Thalia o que...
– Apenas vá e faça o que eu disse!
E então ela já estava longe demais. E eu não tive escolha a não ser ir para a Casa Grande. E o que me aguardava lá era pior – ou melhor – do que eu imaginava.
A quarta pior coisa da minha manhã.
– Ah, ai está você, querida. – Quíron disse abraçando meu ombro. Parecia nervoso.
E então um homem se virou e senti meu mundo desabando.
Era ele.
Frederick.
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