Summertime Sadness
22 Off To The Races
Notas iniciais
– Você sabe que não precisa se privar do mundo, não sabe?
Eu virei meu rosto e respirei fundo, sentindo o ar frio entrando e saindo do meu corpo.
Eu não queria conversar e não queria que ele viesse atrás de mim. Não queria que ninguém viesse. Queria continuar sozinha, exatamente como estou há três dias.
Sem falar com ninguém. Sem participar de nenhuma tarefa – não que estivesse tendo alguma, já que o tempo ainda estava estranhamente fechado.
Nesses três dias, meu pai tem ficado no chalé de Percy – meu pedido – mas eu agora tinha certo arrependimento disso. Frederick havia enganado a todos do acampamento: saía quase todas as tardes e voltava cheio de doces (não podíamos trazer nada de fora) e distribuía para todos, como se fossem melhores amigos e ele fosse aquele tio que te levava para fazer as coisas que seus pais não aprovavam. Mas o grande problema era que todos haviam caído na sua mentira. Frederick era como um herói para todos, menos para mim.
Eu ainda o achava impertinente, mentiroso, cafajeste e um egoísta que só pensa nele mesmo. Ele não está fazendo nada por mim, apenas quer o seu próprio bem, quer conquistar a confiança de todos para depois cair fora exatamente como fez comigo. A única diferença era que aqui, ele iria jogar fora apenas algumas semanas – talvez um pouco mais do que um mês – e comigo, ele jogou quinze anos fora. Como se nunca tivessem existido.
O incrível era que ele ainda tinha a cara de pau de me procurar, falar comigo todos os dias como se nada tivesse acontecido. Sem pedido de desculpas. Apenas uma bajulação ridícula sobre como eu havia mudado em um ano e meio, como meu cabelo estava grande e meu corpo havia se desenvolvido mais. Não sabe ele o quanto meu corpo sofreu com meus maus tratos nesse ultimo ano.
E tudo que eu conseguia fazer era me esconder dele. E de todos.
Eu olhava para Thalia e Luke que andavam todos os dias ao lado dele, como se Frederick fosse a melhor pessoa do mundo e nunca tivesse errado. Eles passavam horas e horas conversando perto do lago, Frederick contava historias de quando eu era pequena e todos os meus pseudoamigos ficavam fascinados. Tudo o que eu sentia era nojo.
E então eu apenas ia para a Casa Grande e me segurava para não invadir o escritório do Sr. D para roubar todas as suas bebidas. Eu sentia falta do gosto do álcool na minha boca, me relaxando e evitando pensamentos de como minha vida ficou uma grande merda em apenas alguns dias. Então eu apenas entrava na cozinha e pedia um chocolate quente maravilhoso que serviam, e depois eu corria. Corria para a floresta, atravessava o rio e subia a montanha que me fazia ver o quanto o mundo lá fora era bonito. Eu não tomava café, não almoçava e não participava mais da fogueira. Eu apenas passava dia e noite ali, no meu lugar.
O problema era que também era o lugar de Percy.
Eu tomei o ultimo gole do meu chocolate quente, que agora tinha um gosto amargo.
– Eu não sei de nada, Cabeça de Alga.
Encostei a caneca vazia no chão ao meu lado. Percy se sentou e olhou para o horizonte comigo.
O céu tinha um tom alaranjado por causa do pôr do sol. Eu ainda me impressionava com a beleza que o sol e o rio que passava abaixo de nós se juntavam. Eu poderia ficar olhando aquela cena o dia inteiro – e eu estava fazendo aquilo há três dias.
– O que houve entre você e Nico? – ele perguntou depois de um tempo e eu suspirei. Não estava a fim de conversar com Percy sobre meus sentimentos. – Ele me disse que vocês terminaram.
– Realmente não quero conversar sobre isso, Percy, mas vamos apenas dizer que ele gosta de mim e eu ainda não tenho certeza que correspondo esse sentimento.
Ele assentiu levemente com a cabeça e passou o braço pelo meu ombro.
Aquelas malditas borboletas voltaram ao meu estomago, me fazendo ficar tonta. Minhas pernas viraram gelatina e mesmo com o frio, minhas mãos começaram a suar.
Eu odiava essa reação que ele tinha sobre mim. Apenas um abraço e eu já sentia meu mundo derreter. Eu me derretia. Me derretia por ele.
– Apenas saiba que eu estou do seu lado. – ele disse e eu me aconcheguei nos seus braços – Frederick... Eu não confio nele. Ninguém faz tanta coisa assim só por querer ser bonzinho. – ele afagou meus cabelos – Ele não me passa confiança, então, sim, eu estou do seu lado e acredito em você.
Me senti agradecida internamente por aquilo.
Percy apenas soube o que havia acontecido comigo por causa de Thalia, ele não tinha vivido aquela situação ao meu lado e mesmo assim estava aqui comigo, me dando apoio e dizendo que acredita em mim. Enquanto meus dois melhores amigos, que viram de perto o quanto eu fiquei perdida, simplesmente tinham me abandonado.
– Obrigada, Percy, de verdade, isso significa muito para mim.
– Eu sei, Sabidinha. – ele me olhou e sorriu.
Aquela imensidão verde, bem ali na minha frente. Tão perto...
Ele se aproximou de mim, seus lábios vermelhos e convidativos. Eu queria ser beijada, e fui.
Na testa.
Se era para aquilo ter acabado com o clima, bom, não acabou.
– Eu não quero te magoar, Annabeth. Não aguentaria ver seus olhos daquele jeito de novo... Com dor. Sabe o quanto é difícil ver alguém que você gosta muito chorando e sofrendo por sua causa?
Eu o olhei. Ele não iria falar aquilo. Eu não podia deixa-lo falar aquilo. Porque sim, se ele me pedisse para ser dele, eu seria. Se ele me chamasse para fugir nesse exato momento, sem destino algum, eu iria, porque mesmo ele não merecendo minha confiança, ele a tinha ganho. E mesmo sendo um tremendo filho da puta, eu gostava pra cacete dele.
– Eu não sou o cara certo para você.
– Cala a boca, Perseu. Não é você quem decide isso.
Antes de eu tomar uma atitude digna, eu pensei em Nico. Ele se entregou para mim, confiou em mim por causa daquele acordo ridículo do VDPJ e tudo o que eu fiz foi o magoar. Mas agora, agora que eu realmente precisava de alguém para me apoiar, ele não estava aqui, ele não acreditou em mim. E Percy, mesmo sendo um galinha idiota, estúpido e competitivo, estava ao meu lado ignorando todo seu orgulho e falando que não era o cara certo para mim.
O problema era que eu o queria mais do que já quis alguém em toda a minha vida.
Eu me apoiei nos joelhos e botei minhas mãos nos seus ombros, fazendo ele se apoiar na pedra. Seus olhos primeiro se arregalaram com meu movimento, e logo depois ficaram de um verde vivo e intenso. Um sorriso divertido tomou conta dos seus lábios. Ele ergueu a sobrancelha, me provocando.
Annabeth Chase não gosta de ser provocada.
Sentei-me em seu colo, o rodeando e envolvendo com minhas pernas. Suas mãos passearam tranquilamente pelas minhas costas e pararam no meu bumbum. Seu toque era quente e firme, eu sentia como se meu corpo estivesse em chamas e eu amava essa sensação.
Percy apertou seu toque e nos aproximou, fazendo nossas intimidades se tocarem e eu reprimi um gemido.
– Você deveria ouvir o que eu te digo.
– Eu não me importo.
Ele sorriu e seu halito quente e com cheiro de menta foi ao meu encontro. Percy cheirou meu pescoço e depositou beijos, subindo devagar até meu queixo e o mordendo levemente. E então ataquei seus lábios vermelhos, sentindo a maciez e a textura deles. Aquele arrepio familiar que percorria meu corpo todas as vezes que nos tocávamos me preencheu e eu senti a excitação me dominar.
Enquanto nossas línguas guerreavam por espaço, eu passava minhas mãos nos seus cabelos macios, eu queria Percy só para mim e queria que ele tivesse plena certeza disso.
Suas mãos apertaram minha cintura com força e eu temi que aquilo fosse deixar marcas. Senti meu casaco ser retirado e o ar frio não me incomodou – calor que Percy me passava havia preenchido cada molécula do meu corpo. Eu escapei de seus lábios e beijei o seu pescoço, sua cabeça pendeu para trás e ele fechou os olhos, soltando um suspiro. Senti seu membro ficar rígido na minha intimidade. Eu sorri internamente e subi a sua camisa, aproveitando a oportunidade para arranhar – com força – suas costas e abdômen.
Ele ergueu meu queixo com a mão e me encarou. Verde no cinza.
– Eu não vou transar com você aqui. – ele disse serio e me deu um selinho.
– Não disse que iria. – eu respondi o devolvendo a blusa laranja.
– Não é porque não quero.
– Ah, — eu sorri – disso eu tenho certeza – disse olhando para seu membro ainda rígido e ele revirou os olhos. Um sorriso dançando em seus lábios.
Ele me puxou pela cintura e me envolveu com seus braços. Assistimos ao fim do por do sol abraçados.
– Annie?
– Hum – respondi, aproveitando o momento.
– Seja minha?
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