Summertime Sadness
3 Water.
Notas iniciais
Tom Kaulitz estava animadíssimo naquele dia. O sol brilhava lindo lá fora, a piscina estava deliciosa, a vista era incrível com garotas de biquíni desfilando na frente dele ou indo molhar os pés na água enquanto ele nadava e, é claro, martinis.
O fato de sua namorada ter ficado em Los Angeles não o incomodava em absolutamente nada, já que sem os olhares mortíferos de Ria seria bem mais divertido lançar piscadelas e sorrisos para garotas bonitas. Não que todas correspondessem.
Rebecca era uma delas. Estava esticada em uma espreguiçadeira ao lado de Lucy embaixo de um guarda sol enquanto ambas bebiam seus drinques e conversavam sobre assuntos aleatórios, completamente alheia a qualquer tipo de cara que passasse por ali querendo puxar papo. Tom supôs que ela tivesse um namorado (que, por acaso, devia ser um cirurgião plástico porque não é possível uma mulher tão... esculpida), mas mesmo assim decidiu tomar uma providência. Aproveitou que, do grupo de amigos, só as meninas já tinham descido para a piscina (ainda era manhã e os outros provavelmente estavam apagados em suas respectivas camas) e foi deitar-se na espreguiçadeira ao lado.
Esticou-se ao sol e, para sua surpresa, a garota ao lado virou-se.
- Oi — murmurou, sem expressão. Por um momento Tom pensou que poderia estar incomodando a conversa — divertidíssima, a julgar pelo modo como Lucy se escondia mais e mais naquele chapéu de praia e passava mais e mais protetor solar sem nem prestar atenção no que Rebecca dizia — mas então lembrou-se que sua cara de pau com mulheres era bem grande e resolveu sorrir.
- Oi — foi a única coisa que conseguiu pensar — Tudo bem?
- Tudo ótimo — e fez algo raro: sorriu — E com você?
- Tudo bem.
E os dois começaram a conversar. Lucy não pareceu nem sentir falta, já que estava ocupadíssima com suas proteções solares exageradas (isso incluía uma boa camada de filtro solar especial para peles extremamente claras, um guarda-sol e um chapéu) e suas bebidas — havia uma variedade sobre a mesinha ao lado do guarda-sol.
Nesse momento, Bill Kaulitz chegou. Não tinha acordado muito feliz porque havia esquecido de fechar as cortinas e um raio de sol petulante atingiu seu rosto e acordou-o de modo incômodo, mas tudo havia melhorado assim que tomou meio litro de café e foi até a piscina. E, é claro, assim que ele lembrou-se que na noite anterior — antes de todos voltarem para suas camas — ele recebera um guardanapo com um número de telefone anônimo escrito de batom e fez uma dedução rápida.
Então, deu uma boa olhada na grande piscina e quem estava nela — ou em volta dela. Logo notou o irmão, mas com o pouco bom senso de que desfrutava resolveu não ir até lá, já que ele estava com uma garota (apesar de saber que ele tinha namorada, Bill já desistira de tentar enfiar algum senso de fidelidade na cabeça do mais velho). Então percebeu que a tal garota só podia ser Rebecca. E a que estava ao lado dela, facilmente reconhecível pela pele que chegava a doer os olhos de tanto que refletia o sol, era Lucy.
Ia falar com ela, talvez tomasse coragem para discutir a questão do telefone no guardanapo, mas uma timidez saída de sabe-se lá onde atacou-o com todas as forças. Ele brigou com a timidez, mas ela venceu.
Então, ele tirou a camiseta e jogou na espreguiçadeira ao lado da garota com a qual sua timidez não deixava chegar muito perto e pulou na piscina. Lucy, imediatamente ergueu o chapéu para ver quem é que pulara na piscina e espirrara água em suas pernas protegidas por quatro camadas de filtro solar que, apesar de ser à prova d'água, deixou-a aborrecida. Franziu a testa assim que notou Bill emergindo da água e sacudindo os cabelos. Seus pensamentos adúlteros de que Harry não era nada bonito daquele jeito a perturbaram por alguns instantes, mas foram suficientes para que ela vencesse o vício pela proteção contra raios ultravioleta e fosse até a beira da piscina molhar os pés.
- Oi — sorriu, assim que Bill nadou até seus pés — Muito egoísmo da sua parte pular na água e espirrá-la na minha pele superprotegida.
- Oh — ele fingiu uma cara de tristeza e de repente sua timidez esvaiu-se — Sinto muito. Mas o que você acha disso? — e afastou-se para salpicar água nela inteira. Lucy fez uma cara de ódio profundo enquanto a água escorria pelo seu rosto.
- Você está rindo na cara do perigo — ela rosnou e bateu os pés na água, fazendo-a atingir o rosto de Bill com tudo — Entendeu?
Ele passou as mãos no rosto, afastando o cabelo molhado enquanto Lucy gargalhava.
- Entendi — aproximou-se perigosamente e viu o rosto dela ficar apreensivo — Digo o mesmo pra você — e puxou-a pelos pés até que entrasse completamente na piscina. Talvez, esse fora um dos momentos (até então) em que os riscos de Bill ser assassinado por meio de um crime hediondo ficaram mais altos. A garota debateu-se na água, tentando daquele modo patético bater nele enquanto este ria sem parar.
- Você é um idiota — disse, parecendo travar uma batalha contra a água enquanto tentava desferir tapas e socos no indivíduo à sua frente — Essa piscina é funda.
- Você não sabe nadar? — Bill arqueou uma sobrancelha, segurando Lucy pelos braços, afastando-a com facilidade enquanto ela esperneava.
- É claro que sei! — Lucy disse, lançando-lhe um sorriso malcriado enquanto segurava-se nele com um braço enquanto o outro afastava o cabelo do rosto.
- Ah, então beleza — ele disse, soltando-a e fazendo menção de sair nadando para o outro lado.
- Não! — ela berrou, voltando a debater-se. Bill virou-se, rindo. Tão previsível — Socorro. Eu estou falando sério — falou pausadamente enquanto tentava não engolir água clorada que faz mal pro organismo (não que Lucy se preocupasse com isso) — Volta aqui que eu vou morrer!
Bill resolveu não torturá-la e, ainda rindo, puxou-a pela cintura e segurou-a contra si, a fazendo ficar na altura de seu rosto para conseguir respirar. Assim que parou de arfar e seu coração voltou a bater normalmente (o que não duraria nem 15 segundos), Lucy notou que seu rosto estava a centímetros do homem que a segurava e ela tinha os braços em volta de seu pescoço, praticamente agarrada nele de puro pavor. E foi aí que seu coração voltou a bater descompassado.
Agora, Bill apenas observava com um sorriso suave a garota em seus braços se acalmar. Era uma cena digna de filmes melosos de romance que pequenos grupos de estudantes sonhadoras reúnem-se para assistir, mas se a pessoa for pensar pelo lado de Lucy, aquilo era uma experiência de quase-morte. Uma quase-morte romântica que, apesar de romântica, não deixava de ser enfurecedora.
- Hoje você quase se tornou um assassino — ela sussurrou, com a respiração quente batendo no rosto de Bill — Mas, se eu tivesse morrido, você pode apostar que seria assombrado pelo resto da sua vida e eu iria totalmente puxar seu pé a noite. Sem contar naquele negócio de ir pro inferno, que eu não entendo direito mas você com certeza iria.
- Exagerada — ele respondeu, voltando a rir do modo como ela falava absurdamente rápido — Eu não ia deixar você morrer. Ainda mais com um grupo de... — virou-se para contar e depois voltou-se para ela novamente — Cinco testemunhas.
- Hm — mordeu o lábio inferior — Faz sentido.
Então, o que costumam chamar de efeito ímã resolveu fazer seu trabalho muito mal feito até agora e, os rostos deles que estavam a menos de dez centímetros um do outro, agora estavam muito mais perto.
E seus narizes estavam quase se tocando, quando, para a infelicidade dos dois (e do efeito imã, que arrependeu-se de estar atrasado) uma voz foi ouvida:
- Bom dia! - Harry lançou aquele sorriso maníaco, acompanhado do cara que parecia um rapper que Bill não lembrava o nome e interrompeu-os. E foi aí que ele percebeu que seus riscos de vida com Lucy se debatendo em seus braços eram muito mais baixos do que, na verdade, eram naquele momento.
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