Notas iniciais
Primeiramente gostaria de agradecer por estar lendo, e fique a vontade. Por favor, se não for pedir muito, leiam as Notas Finais.

Chegamos na escola logo em seguida, Dix parou o carro ao lado do carvalho perto do prédio B.

– Quando tocar o sinal pra segunda aula, venha direto aqui, ok? – Disse maliciosamente.

– Primeiro dia de aula e você já vai gazear? – Ri dela.

– Eu não, nós vamos. – Ela riu comigo.

Ela não me contou pra onde iriamos, falou que era surpresa, e como se esperava já fiquei agoniada. Uma coisa que eu odeio desde criança, são festas surpresas, e também a hora de cantar parabéns. Você fica com uma cara de palhaça na frente de todo mundo não sabendo o que fazer e nem se você da risada ou fica séria, se começa a cantar junto ou se fica calada achando alguém pra falar com você só pra disfarçar, é realmente frustrante e constrangedor mesmo sendo seus amigos de infância ou aqueles que você acabara de conhecer.

Direcionei-me para o prédio B, enquanto a Dixie ia ao prédio ao lado. Fomos separadas ano passado por conversa demais, e a desacatar o professor em sala de aula. Qual é, nunca fora uma menina malvada, na qual xingava os outros, essa era Dixie. Mas ela era uma boa amiga, nunca brigamos por motivos sérios ou pela falta de confiança, sempre me escutara em horas difíceis e me ajudou a superar tudo.

Andei pelo saguão distraída pensando no que poderia ser a surpresa da Dix, e se a Sra. Mcfrist iria me dar aula de Biologia esse ano; ela era medonha, tinha os olhos esbugalhados e não tinha nenhuma noção sobre roupas ou de como usar seus lenços vindo de Paris, trazidos por sua irmã, na qual não me recordo o nome. Ao virar para a entrada da minha sala, um cara esbarrou em mim e derrubou os livros que estavam em minha mão.

– Ei, cuidado ai. – Falei me ajoelhando para poder pegar minhas coisas.

– Ah, foi mal – ele se abaixou para poder me ajudar.

Olhei para cima para que desse para ver seus olhos, eram pretos, e seus cabelos mais pretos que seus próprios olhos, com a pele branca como a neve em tempos de inverno. Era uma beleza rara de se ver naquele colégio, realmente. Fiquei sem palavras. Só fique o olhando com uma cara de boba enquanto ele sorria e se levantava para continuar pelo corredor.

– Summer! Summer! – escutava uma voz lá no fundo chamando meu nome, olhei para cima.

– Ash, oi. – falei babando ainda pelo cara que acabara de “conhecer”.

– O que você está fazendo no chão? – ele riu.

Nem tinha percebido que ainda estava ajoelhada na porta da sala.

– Ah sim – ri de mim mesma pasma com minha tamanha desatenção.

Ash veio com um abraço caloroso pra cima de mim, como se não tivesse me visto há anos. Ele era daqueles caras populares da escola, que as meninas se derretiam, alto e musculoso, onde ele poderia me levantar com uma mão facilmente sem ao menos suar, cabelos castanho médio, e olhos verdes como o meu.

– Mas que saudade pequena.

– Nem me fale – retribui o abraço apertado.

– Te devo um celular – ele riu.

– Não precisa, já comprei outro – abri o sorriso – E tenho que te passar meu novo numero.

– Precisa sim moça – me mandou uma piscadela.

No verão Ash e eu tínhamos ido à piscina na minha casa, e emprestei meu celular para ele ligar para uns amigos dele para virem se juntar a nós, terminou a ligação e deixou o celular na borda da piscina, e foi nessa hora que ele esqueceu e deu com o cotovelo no celular enquanto virava para o outro lado, funcionou por uma semana depois disso, e infelizmente ele se foi e fique sem me comunicar com as pessoas durante oito dias.

Sentei-me em um lugar vago na ultima fileira da sala, e me debrucei em minha mochila em cima da carteira, quando o sinal tocou levantei minha cabeça e a sala estava totalmente cheia, com as mesmas pessoas, dois ou três novatos no máximo. Olhei para o lado, e aquele cara que eu conhecera na entrada da sala estava sentado na mesma mesa que eu, já que tínhamos que sentar em duplas. Nunca tive essa sorte de sentar perto de alguém bonito, se é que existia alguém bonito nas minhas aulas.

Fiquei surpreendida e com vergonha pensando no que ele estava imaginando ao meu respeito " a garota que ficou igual a uma boba de joelhos no meio do corredor". Não deveria ter coisa pior.

Quando olhava para ele com esperança de que saísse um "oi" da minha boca, tive um déjà-vu e lembrei-me claramente do sonho que tivera noite anterior. Eu estava em algum lugar desconhecido, cheio de borboletas pretas e o céu estava azul como mares cristalinos, onde a água é tão azul que chega a nos cegar, o gramado era um tom esverdeado que nunca vira antes e o campo florido atrás de mim parecia mais com um arco-íris de tão colorida que estava, mas eu não estava só, havia um homem atrás de mim, não conseguia vê-lo, só sentia a respiração ofegante em meu pescoço onde a mesma cortava o silencio profundo do momento. Ele pôs os braços entrelaçando minha cintura se aproximando mais de mim, a ponto que desse para sentir seu coração batendo em minhas costas e sussurrou em meu ouvido algo que não me lembrara, só lembro-me do meu sorriso estancado no rosto, provavelmente teria sido algo bom. O rosto do homem não consegui me lembrar também, pois estava atrás de mim.

– Srta. O’Connor creio que gostaria de responder a seguinte questão, já que esta prestando tanta atenção na aula – Disse a professora cortando minha ilusão de imediato.

– Perdão. – falei com um sorriso torto, começando a ficar vermelha.

– Pode nos dizer quantas valências o carbono possui? E mais, me diga se são iguais.

Fiquei em silêncio e apenas abaixei a cabeça resmungando que não saberia responde-la, e no mesmo instante fui interrompida por alguém.

– Possui quatro valências e são iguais.

Fui seguindo a voz olhando para o lado e me deparei que era o cara que esbarrou em mim mais cedo, o que estava sentado ao meu lado. A professora não dissera mais nada a esse respeito, só olhou fixamente a nos dois e continuou a aula, com um pouco mais de impaciência que antes.

– Obrigada – disse ao garoto ao meu lado dando um sorriso de canto.

– Não por isso – falou secamente.

– Prazer, Summer – Tentei ser simpática.

Ele só me olhou de canto e acenou com a cabeça como um “legal” ou “tanto faz”. Senti-me constrangida com essa situação. Foi como se eu não existisse. Finalmente o sinal da primeira aula tocou, parecera que levara uma eternidade inteira para que isso acontecesse. Meu celular vibrou e fui ver o que era.

Estou te esperando perto do velho carvalho, dentro do carro. Vem rápido.”

Dixie.

Tinha até me esquecido que combinara com ela de uma fuga depois da primeira aula. Apressei-me o máximo para que a coordenadora não saísse nos corredores e me pegasse antes de sair pela porta da escola. Por fim, consegui sair e chegar até o carro.

– Cheguei – falei entrando no carro e abrindo um sorriso.

– Até que enfim em – ela riu – porque demorou tanto?

– Desculpa, tinha esquecido – falei fazendo careta. – Hoje um cara da sala me deixou pra baixo em. – disse desanimada.

– Um cara? Quem é esse louco que não conseguiu te ver direito? – ela riu – digo, você é linda, e chama a atenção de todo mundo praticamente.

– Menos dele. E cara, ele é lindo. – Fiz um bico – Mas vem cá, não vamos ir não? – ri por estarmos paradas ainda.

Ela deu risada e deu partida no carro. Estávamos indo em direção ao Shopping Madri no centro da cidade, chegamos lá e fiquei me perguntando o que ela estava aprontando, ela sempre era meio exagerada em questão de presentes, ou em datas comemorativas, mesmo se fosse dia dos pais, ou pascoa, ela sempre iria dar uma festa comemorando tal dia. E quando o dia era aniversário, nossa, ela realmente se superava.

Enquanto estávamos no carro escutando música e Dixie tagarelando do meu lado, percebi que nem Ash havia me dado parabéns, nem ninguém na verdade. Não que eu me importasse, já falei minha opinião sobre aniversários, por mim não existiria. Mas todo ano era a mesma história, e várias pessoas vinham com falsos sorrisos e "te desejo tudo de bom" e blá blá. Bom, não importa, mas que é estranho é.

– Surpresa – falou erguendo as mãos com o sorriso de orelha a orelha.

– Não intendi ainda — falei confusa.

– Shopping. Roupas. Aniversário. Presentes. Ajudou? – falou pausadamente para que eu entendesse a indireta.

– Não, já falei que não quero presentes – falei colocando o sinto novamente.

– Para de ser chata, vamos, precisa se divertir um pouco – ela fez bico.

– Só um presente, ok?

– Prometo – selou dois dedos cruzados.

Saímos do carro, e pegamos o elevador para o ultimo andar do shopping, onde ficavam as lojas. E em seguida ela me puxou para uma loja chamada Starlet, nunca vira essa loja, devia ter mudado pra cá há pouco tempo, e quanto entrei na mesma, foi apaixonante. Ela era totalmente branca, com alguns detalhes dourados e outros cobertos por espelhos que iam do chão ao forro. Só tinha vestidos para festas, longos ou compridos, coloridos ou neutros. Os sapatos? Dos mais diversos que alguém poderia imaginar. Era hipnotizador, não conseguiriam sair dali sem ao menos comprar ou se apaixonar por algo.

– Lindo não é? – Falou Dixie olhando para um par de sapatos a frente dela.

– São perfeitos, porque não leva?

– Vou esperar você escolher primeiro – ela abriu o sorriso pra mim – Você vai escolher um vestido e um sapato. Qualquer um, ok?

– Só um lembra? – eu ri. – Vou ver algum vestido, sapatos eu tenho um monte.

– Esta bem sua chata – fez cara de brava. – Vamos lá então, vou te ajudar a escolher.

Olhamos praticamente todos os vestidos da loja, e peguei vários para experimentar. Fui ao provador e Dixie sentou-se no sofá de espera fora do mesmo.

– Per-fei-to – Falou Dix quando eu sai do provador

– Até que enfim, algum você gostou – falei rindo.

E era realmente lindo era um vestido curto, todo coberto de paetê branco aberto nas costas fazendo um “U”.

– Vai ser esse mesmo então para hoje?

– Para hoje? – Dix e suas ideias, pensei.

– Surpresa – Falou abrindo os braços dando um sorriso, como na primeira vez que fiquei sabendo que ia vir ao shopping.

Notas finais
Eu escrevo porque eu gosto, e sabe o que eu gosto mais ainda? Que meus leitores se envolvam nas histórias também, ficaria muito grata se vocês participassem junto comigo do drama todo, que seja em críticas, idéias ou elogios. Então obrigada por dedicarem um pouco do seu tempo pra ler minha história, amanhã tem mais, uhu