Summer O'Connor - Whatever
3 Festa
Notas iniciais
Não tinha vez que Dixie não vinha com essas surpresas, sempre conseguia se superar com algo novo. Era isso que eu amava nela, por mais que eu não gostasse de surpresas, presentes e essa coisa toda, ela fazia de tudo pra ver quem ela ama feliz, realizado, sem palavras, era uma pessoa dócil, mas só com quem gostava.
Cameron, uma garota que estudava com nós ano passado, havia espalhado no colégio inteiro sobre estar desconfiada da sexualidade de Dixie. No começo, ela não se importou, não seria algo tão ruim, mas no decorrer do ano começaram a vir pedir coisas estranhas à ela. Até que um dia Michael, um garoto no ultimo ano veio e falou: " Ai sim em Dix, até você pegando a Cameron ". Ela me olhou perplexa com fúria no olhar, não falou nada. Saiu em direção a sala 1145 aonde teria aula com Cameron.
CADÊ A CAMERON?
Todos olharam pasmos para ela, assustados.
Quando ela avistou a menina no final da sala foi direto com o dedo na cara dela, falando um monte de coisas.
ESCUTA AQUI MENINA, VOCÊ ACHA QUE É QUEM PRA SAIR POR AI FALANDO DE MIM? ME EXPLICA.
Cameron não sabia o que falar, ficou imóvel.
Eu...eu — não conseguia terminar a frase.
SE EU QUISESSE DE BICHO EU IA PRO MATO VADIA — levantou a mão indo em direção a cara dela.
Alguns alunos ficaram paralisados, outros começaram a rir. Cameron não sabia onde enfiar a cara, ficou vermelha de imediato e saiu correndo logo em seguida para o banheiro.
Até hoje, acho que ela tem um amor platônico por Dixie, mas ela não sabe lidar muito bem com isso. Nunca soube lidar com o "amor".
Acabei ficando com o vestido como presente da Dix. Saímos para a loja já a tempo do almoço, e fomos achar algum restaurante na cidade.
Hoje à noite, esteja pronta as 21:00 horas, vou passar te pegar- Dix falou com a boca cheia de comida.
Estarei pronta — abri o sorriso.
Alface.
Não, obrigada — falei continuando a comer minhas batatas fritas.
Não, sorriso de alface — Dix riu.
A ta — ri com ela tentando limpar meus dentes olhando na tela do meu celular.
A tarde passou como um vulto. Dixie me levou para todos os cantos da cidade, fazendo com que meu aniversário pela primeira vez fosse interessante. Ao fim da tarde, ela me levou pra casa, e ajudou-me a descarregar minhas compras até a porta de casa.
Mãe, cheguei. — Gritei ao entrar pela porta. — Mãe? — gritei de novo.
Deve ter saído — falou Dixie.
É deve mesmo. — pensei comigo onde pudera ter ido.
Dixie virou-se de costas e andou até seu carro acenando e gritando algo que não pude entender. Fechei a porta e subi as escadas com as sacolas, ao virar para o corredor minha mãe deu de cara comigo, assustada.
Mãe, estava te chamando até agora pouco.
Estava falando com seu pai, perdão, não te escutei — falou com os olhos em chamas de preocupação e com a voz quase sem ar.
O que houve? — disse preocupada com a feição dela.
Nada querida. Vou descer. — Falou me dando as costas.
Meus pais sempre brigavam, devia ser isso, mas confesso que fiquei um tanto preocupada, ela estava com uma cara horrível.
Fui me arrumar, Dix passaria daqui duas horas me buscar. Fui para meu quarto, tirei minhas roupas e jogara aos pés da cama, deslizei até o banheiro e liguei o chuveiro me transparecendo à água, deixando-me tocar com suavidade lavando minha alma. Naquele momento eu podia ser quem eu realmente era, cantando no chuveiro ou deixando minhas lagrimas salgadas se juntar a água doce que caia e escorria pelo chão. Sai do banho, com vontade de voltar à ele novamente, coloquei meu roupão, fui me maquiar e colocar o vestido deslumbrante que ganhara de presente. Enfim a campainha tocou, e desci correndo pensando que era a Dix, mas ao invés dela, estava parado na porta o Ash.
Ei, oi Ash — Abri o sorriso. — O que faz aqui? Vai ir na festa comigo?
Parabéns — disse ele me abraçando — tudo de bom pra você princesa.
Pensei que tinha esquecido.
Você acha que eu esqueceria? — ele riu — Coisas da Dixie, você sabe como ela é.
Autoritária. — eu ri.
Exatamente. Era pra esperar até a festa mas tive que vir aqui primeiro... — fez uma pausa
Aconteceu alguma coisa? Dix já deve estar chegando, conversamos lá pode ser?
Não, você não pode ir Summer — falou secamente, me olhando frio.
Como assim? Claro que vou — fiquei nervosa com a situação. Como assim eu não poderia ir a minha festa?
Summer, por favor..
O que esta acontecendo? — Minha mãe o interrompeu antes de terminar a falar.
Dona Meredhit, creio que já esta a par da situação — Ash a olhou com tamanha preocupação nos olhos.
Espera ai, do que estão falando? — Fiquei perdida.
Summer, vá para seu quarto. — minha mãe ordenou.
Escutei buzinas na frente de casa e me inclinei para frente pra poder ver melhor, agora sim, era a Dixie. Ela desceu do carro e chegou até nós.
Ash, pensei que estaria na festa já. — Dix falou olhando todos a volta.
Summer não vai mais a festa — falou minha mãe e Ash concordou com a cabeça.
Vou sim — falei saindo pela porta.
Summer, volte! — Gritou minha mãe.
Deixe, vou com ela.- falou Ash dando de costas a minha mãe e se aproximando de mim -Summer, você vai ir, mas prometa ficar do meu lado. — ordenou Ash.
Não preciso de babá Ash — olhei perplexa.
Ash, relaxa é só uma festa. — Dixie falou tentando acalma-lo.
Promete? — Ash insistiu.
Ta bom, prometo. — falei entrando no carro.
Estava pasma. O que foi tudo aquilo? Alias, o que estava acontecendo realmente, não conseguia raciocinar direito.
O que foi aquilo? — Dix perguntou olhando pelo espelho do carro para Ash.
Ash não respondeu, ficou quieto como se ninguém estivesse falando com ele, ou como se nada tivera acontecido lá em casa, ou antes disso.
Chegamos na casa de Dixie, e aquilo estava entulhado de pessoas, suponho que a maioria delas mal sabiam que era meu aniversario e muito menos quem eu era. Fomos entrando e na sala de estar havia garrafas de cervejas, e várias bebidas destiladas em um balcão com um barman atrás da mesma fazendo batidas, coquetéis e drinks dos mais variados possíveis. Na área na piscina várias garotas de biquínis jogando bola, deitadas em camas infláveis, bebendo com caras desconhecidos e tinha os garotos que não socializavam tanto babando por elas, aqueles que iam em festas do tipo para tentarem ser populares ou coisa assim, mas no fim sempre acabavam em lixeiras na escola ou dentro de seus próprios armários.
Vou pegar margaritas. — disse Dixie sumindo no meio das pessoas.
Quero uma também. — falei com incerteza se ela ouviria.
Ash ficou o tempo todo sério, sem falar nada. Ele não era assim, ele era divertido, porque estava bancando o guarda-costas pra cima de mim agora?
Ash, o que ta acontecendo? Me conta poxa.
Só quero cuidar de você pequena. — Ele me olhou nos olhos, me abraçou e me beijou a testa.
Mas foi muito estranho isso tudo, fiquei preocupada, nunca vi minha mãe com tanta preocupação — Olhei pra ele triste.
Não se preocupe, esta tudo bem meu anjo — ele me reconfortou mais ainda em seus braços.
De repente escutamos gritos seguidos, de várias pessoas, e todos começaram a se tumultuar empurrando umas as outras para a saída da casa, comecei a ser empurrada também, mas não conseguia me localizar, estava escuro demais, e a casa de Dix não era tão pequena assim. Comecei a entrar em desespero, Ash tentou me puxar junto a ele, mas era muito gente e fomos separados. Quando me dei por conta já estava do lado de fora da casa, na parte lateral da garagem, e a iluminação estava muito ruim, algumas pessoas ainda saiam pela porta na qual eu sairá também, mas iam direto para a parte da frente, enquanto eu estava paralisada, não conseguia me mexer, por mais que eu quisesse, algo me prendia ali, como uma ligação, um imã para a escuridão.
Algo saiu de trás das arvores se envolvendo com a noite.
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