Summer Love
12 Visita inesperada
Notas iniciais

Percy queria ser melhor em fazer amigos. Não era tão fácil quanto parecia. Desde que Nico fora embora, o garoto nunca mais falou com Sloan e seu grupo. Demorou um pouco, mas Percy havia percebido como eles eram babacas. De qualquer forma, estava de volta a estaca zero. Escola não mais tão nova, sem amigos. O mais próximo que chegou de entrosar-se com alguém foi na aula de biologia, quando tiveram que fazer um trabalho em dupla. Maggie Bennet não era uma pessoa muito sociável. Na verdade, a garota gordinha limitava-se a falar apenas sobre as questões e nada mais.
Desistindo de se enturmar, o moreno simplesmente aceitou o fato e tocou a vida com a ajuda de um iPod, que se tornara seu companheiro para todas as horas. Todavia, naquela situação em particular, ele não tinha muita escolha sobre ficar sozinho ou não. Todo ano o colégio aplicava um tipo de gincana para os alunos, com o intuito de aproximação das classes. Grupos de três deveriam ser feitos e eles passariam por diversas atividades.
Geralmente, os professores se encarregavam de montar os trios, mas dessa vez deixaram que os alunos decidissem. Não é necessário dizer que tudo que eles fizeram foi manter as panelinhas. Percy não conseguiu achar um grupo a primeiro momento, já que todos os seus colegas já tinham o número certo. O garoto andava de um lado para o outro no ginásio, tentando encontrar algum outro aluno sozinho. Sua busca acabou sem que ele encontrasse o que procurava, quando uma garota loira, que tinha quase certeza que pertencia a outra turma, chamou sua atenção.
– Está sozinho? – ela perguntou.
Percy balançou a cabeça em confirmação.
– Meu amigo e eu precisamos de mais uma pessoa pra equipe. – a loira disse – Você não tem equipe. Então...
– Está me convidando para fazer parte da sua? – o moreno perguntou esperançoso.
– É, convidando, pedindo, que seja. – deu de ombros – Você topa ou não?
– Certo. Equipe. Pode ser. – respondeu sorrindo.
– É bom você não nos fazer perder! – alertou – A propósito, me chamo Annabeth. – estendeu a mão.
– Percy. – aceitou o cumprimento.
– E aquele ali é o Grover. – apontou para o garoto de cabelos castanhos encaracolados – Acho que vocês já se falaram alguma vez.
Percy coçou a cabeça, tentando se lembrar daquele garoto. Se não estava enganado, tentou puxar assunto nos primeiros dias na escola, mas o moreno rapidamente cortou assunto. Sorriu de canto ao se lembrar disso.
Os três não formaram o melhor grupo para uma séria de atividades físicas, uma vez que Annabeth parecia ser melhor com estratégias do que com corridas e Grover não tinha muita coordenação para esportes. Na verdade, ele mais tropeçava do que corria. Percy era o único que conseguia de fato se sair bem. Não foi uma surpresa que eles não ganharam nenhuma das atividades. Mesmo assim, nenhum deles podia negar que a experiência fora muito divertida.
O objetivo de interação entre alunos de outras salas tinha dado certo, afinal.
~*~
Rick não era o tipo de cara que bebe em serviço, mas isso não quer dizer que ele não podia ter algumas cervejas guardadas. Tomar uma ou duas por dia não fazia mal a ninguém. Sem contar que o álcool costumava ajudá-lo a relaxar. Entretanto, Ares tinha ficado ali tempo demais naquela madrugada para achar as garrafas no canto da sala. Com toda sua educação, Rick não pode deixar de oferecer uma. Esta uma que levou a duas, que levou a três, e por aí foi. Agora, tinha que aguentar um Ares um tanto quanto bêbado.
Se tem uma coisa que o grisalho detesta, é ter que lidar com pessoas bêbadas. Primeiro, porque elas são imprevisíveis. Em um momento elas podem estar todas alegres, e no segundo seguinte chorando por algum motivo nada a ver. Segundo, porque elas costumam falar demais. Esse era o caso do ex-editor. Ares não parava de tagarelar sobre sua vida, seus problemas e até mesmo seus sonhos. Rick ouvia tudo pacientemente, se controlando para não pegar alguma arma e dar um tiro na cabeça do outro. Ou em sua própria. Qualquer coisa que o tirasse daquela situação.
– Dez anos. Eu trabalhei naquela editora por dez anos. – desabafava – O antigo dono era um cara legal, e então vendeu a empresa pro Hades porque queria seguir outro ramo. Eu fui um dos poucos funcionários que permaneceram. As vezes, o trabalho era um saco. Ter que ficar lendo tantos manuscritos e ter que lidar com escritores convencidos e egocêntricos. É até um alivio estar fora.
– Se é um alivio, então por que... – o grisalho tentou falar, mas foi cortado.
– Shiiii. – Ares colocou o dedo indicador sobre o próprio lábio, pedindo silencio – Eu ainda não terminei.
Rick revirou os olhos e encostou-se na cadeira, tentando manter-se paciente.
– Eu sempre gostei de armas, sabe? Pensei em sair dos Estados Unidos e abrir uma loja. Quem sabe na Europa. Eu gosto da Europa. – murmurou, coçando o queixo – A questão é: eu não tenho dinheiro suficiente para começar um bom negócio. Mas Hades tem. Qual o problema de pegar um pouco dele?
– Nenhum, eu acho. – Rick deu de ombros.
– Pra ser sincero, eu não gosto muito dessa ideia. – suspirou – Quero dizer, todo esse lance de sequestro e tudo mais parece coisa de filme hollywoodiano. – deu outro gole na cerveja – Eu odeio esse tipo de filme. O cinema está cada vez pior. O que temos de interessante hoje em dia? Nada! Apenas todas essas sagas adolescentes que parecem nunca acabar e pra extorquir ainda mais dinheiro desses idiotas, eles ficam com essa maldita mania de dividir as histórias em duas partes.
Rick limitava-se a balançar a cabeça em concordância, apenas para demonstrar que estava prestando atenção.
– Esse lugar é meu mórbido, não é? – Ares mudou completamente de assunto, olhando em volta – Alguém deveria pintar as paredes. Parece a cabana daquele filme de terror novo das duas menininhas que foram criadas por um fantasma. Qual o nome? – estalava os dedos, tentando lembrar-se – Não consigo lembrar.
– Não vi nenhum filme de terror nos últimos cinco anos.
Ares fez uma careta.
– Que coisa. Mas não está perdendo muito. – respondeu dando um ultimo gole na cerveja, virando-a completamente – Acabou.
Rick tirou outra garrafa da embalagem, entregando para Ares.
– Por que não liga o rádio? Esse silêncio está me irritando.
Contrariado, o grisalho pegou o aparelho antigo e ligou-o, tentando sintonizar na mesma rádio que estava ouvindo horas antes. O ruim daquele lugar era que estava tão isolado que era difícil conseguir fazer alguma estação pegar. Depois de um pouco de esforço, batidas no aparelho e mexer na antena, conseguiu sintonia.
– Está de brincadeira comigo. – Ares disse quando o som começou a sair da caixa – Eu adoro essa musica!
Rick observava boquiaberto a cena de seu chefe tocando uma guitarra imaginária.
– Living easy, livin' free/ Season ticket, on a one,way ride/ Asking nothing, leave me be/ Taking everything in my stride/ Don't need reason, don't need rhyme/ Ain't nothing I would rather do/ Going down, party time/ My friends are gonna be there too¹ – começou a cantar.
O grisalho bateu na própria testa, não acreditando que estava tendo que aturar Ares bêbado. Ele definitivamente não estava sendo pago para isso.
Aquela seria uma longa madrugada.
~*~
As vezes, Nico tentava se livrar do seu vicio por mitomagia. O moreno não pode resistir em colocar um dos baralhos em sua mala para Califórnia, mesmo sabendo que as cartas provavelmente ficariam guardadas o mês inteiro. Todavia, Jason acabou encontrando o jogo. O loiro não podia dizer que não gostava de mitomagia, apenas nunca teve paciência para aprender. Acredite, ele tentou. Nico perdera a paciência muitas vezes com isso. Mas o garoto também não podia ser considerado um dos melhores professores.
Não estando muito afim de sair de casa naquela tarde, o loiro insistiu em jogar com o primo. Nico acabou cedendo, o que resultou em meia hora de regras básicas para que finalmente pudessem começar o jogo. Percy, que apenas ficou observando do sofá, tentando entender como aquilo funcionava, acabou pedindo para jogar assim que Jason perdeu, o que foi incrivelmente rápido, já que o loiro fez a idiotice de usar a caixa de pandora –carta que além de tirar os heróis do adversário do jogo, tira os seus também.
Percy estava dando o seu melhor para não parecer perdido em meio as jogadas, o que não estava dando certo. Nico sempre conseguia bater suas cartas, mesmo quando ele achava que finalmente tinha feito algo certo. Apesar de ainda ter mais cinco cartas em mãos, o mais velho sabia que estava prestes a perder, e acabou fazendo a primeira coisa que lhe veio em mente.
– Ok, já que é assim, eu vou usar meu pai agora... – Percy começou, mas foi logo interrompido pelo mais novo.
– Percy, eu já disse milhares de vezes, primeiro sátiros, depois titãs e por ultimo deuses! Mas só se você não tiver mais nenhum herói!
– Então... – o moreno de olhos verdes parecia chateado – Eu não posso usar meu pai?
Nico respirou fundo, massageando as têmporas. Ensinar mitomagia era muito mais complicado do que achava. Apesar de ter explicado tudo no começo, e cada segundo que se passava ele tinha mais certeza de que Percy e Jason não escutaram uma única palavra do que disse. Nenhuma.
– Quando é minha vez de novo? – o loiro perguntou entediado.
– Eu ainda não perdi. – Percy respondeu – Fica calmo ai, Caixa de Pandora.
– Certo, eu posso ter acabado com todos os meus heróis e os do Nico, mas pelo menos sei a ordem de jogadas. – retrucou.
– Os dois são péssimos e deveriam parar de discutir sobre quem é o menos pior. – Nico resmungou – E na verdade, Percy, você acaba de perder.
Percy abriu a boca, incrédulo. Nico deu seu ultimo ataque que acabou com a defesa do mais velho. O sorriso vitorioso nos lábios do moreno de olhos castanhos irritou o outro.
– Eu desisto. – ergueu as mãos no ar – Esse jogo é impossível.
– Não é impossível. – Nico negou – É bem fácil, na verdade. Só parece não entrar nessa sua cabecinha de alga. – brincou.
– Muito engraçado. – mostrou a língua para o outro.
– Quanta maturidade. – Jason riu.
Os outros dois não puderam deixar de soltar uma risada. Percy levantou-se do chão, dando espaço para que Jason se sentasse em frente a mesa de centro enquanto Nico embaralhava as cartas.
– Eu vou querer revanche depois. – o moreno de olhos verdes disse.
– Tem certeza? Vai acabar perdendo de novo. – Nico provocou.
Antes que o outro pudesse responder, a campainha ecoou pela casa, chamando a atenção dos três. Era extremamente raro alguma visita aparecer. Talvez fosse apenas alguma das garotinhas que moravam na região vendendo biscoitos.
Os garotos já voltaram sua atenção ao jogo, deixando que Thalia cuidasse de atender a porta. A morena levantou-se da mesa da sala de jantar, onde estava usando seu notebook, e foi até a entrada, olhando pelo olho mágico. Ela definitivamente não conhecia a garota do outro lado.
– Pois não? – disse assim que abriu a porta.
– Hã... Percy está? – perguntou um tanto incerta, olhando para o número da casa apenas para certificar-se de que estava no lugar certo.
Percy estancou ao ouvir aquela voz conhecida. Levantou-se, virou para ver a entrada da casa, encontrando a cabeleira loira tão conhecida. Cruzou a sala e foi até a entrada, apenas para ter certeza do que seus olhos viam.
– Annabeth?
Apesar de surpreso, Percy não podia dizer que ter a loira ali era totalmente inesperado. Ela tinha sugerido a ideia, afinal. O moreno apenas não tinha levado a sério.
Annabeth sorriu e correu para abraçar o namorado com força, e Percy levou alguns segundos para corresponder o aperto, tentando não demonstrar seu desconcerto. Ele precisava parecer feliz pela garota estar com ele.
Nico assistia estático, e a menção do nome da garota fez com que ele largasse as cartas que estavam em sua mão. Foi como se, subitamente, a realidade lhe atingisse com um soco no estômago. Ele não tinha pensado na possibilidade de ficar cara a cara com a namorada de seu, hã, caso. A ideia de ter que olhar nos olhos cinzas da garota e fingir que nada demais havia acontecido parecia ser uma tarefa um pouco difícil.
Percy pensava na mesma coisa. Mas, além disso, ele não pode deixar de notar como era estranho sentir o corpo de Annabeth contra o seu, e que, quando a garota afrouxou o abraço um pouco apenas para colar seus lábios aos do outro, a sensação definitivamente não parecia ser mais a mesma. E, acima de tudo, ele sentia-se extremamente desconfortável beijando a namorada.
Isso porque ele sabia que Nico observava tudo.
~*~
Sinceramente, Nico queria estar com raiva. Queria poder detestar Annabeth, mas a garota era irritantemente adorável. Educada, bonita e simpática. E passar o dia todo com ela, já que a garota fez questão de conhecer a família inteira do namorado, o fez se questionar onde estava com a cabeça durante os últimos dias. O que estava fazendo não era justo. Annabeth não merecia ser traída por Percy, e Nico odiava admitir que grande parte da culpa era sua.
Ele não conseguia evitar gostar tanto do primo, e, deuses, Nico realmente queria estar no lugar da loira e poder ficar com Percy sem que isso resultasse em uma dezena de problemas. Mas ele sabia que isso jamais aconteceria. Acontece, a vida continua. Sua obrigação no momento era fingir que tudo corria perfeitamente.
Se passavam das dez da noite quando Annabeth finalmente fora embora, e o moreno de olhos castanhos sabia disso porque ouviu a porta bater no primeiro andar. Já estava no quarto há algumas horas, fazendo qualquer coisa que distraísse sua mente, desde jogar até ler um dos livros que Bianca trouxera –menos aquele da capa azul clara.
Jason, que estava no quarto conversando com Piper pelo celular, olhava para o primo a cada dois minutos, tentando decifrar o semblante neutro do mesmo.
– Para de me encarar. – o moreno pediu.
– Não estou encarando. É crime olhar agora? – respondeu – Não, estava falando com Nico, Pipes.
Nico revirou os olhos e voltou sua atenção para as páginas, tentando se concentrar na leitura. Não tinha ideia do que lera nas ultimas dez páginas.
Percy apareceu no quarto alguns minutos depois. Adentrou o cômodo em silêncio e a primeira coisa que fez foi encarar Jason, num pedido mudo que o loiro entendeu.
– Eu... vou lá embaixo conversar na varanda. – o loiro disse, sabendo que Percy queria conversar a sós com o mais novo.
Assim que Jason saiu pela porta do quarto, Percy voltou-se para Nico, que encarava o teto como se fosse a melhor invenção do homem.
– Nico, eu...
– Algum problema? – questionou com o tom mais natural que conseguiu.
– Olha, sobre hoje.. Queria pedir desculpas. – começou – Eu não sabia que Annabeth viria e...
– Percy, se você precisa pedir desculpas para alguém, essa pessoa não sou.
O mais velho respirou fundo e passou as mãos nervosamente pelo cabelo negro.
– Acho que... nós não pensamos nas consequências, não é? – ouviu Nico murmurar – Em quem poderíamos afetar.
O mais novo finalmente virou-se para o outro. Percy o encarava de forma incerta, sem saber exatamente o que fazer ou falar.
– Eu não vou surtar ou pedir pra você escolher um de nós dois, se é o que está pensando. Não tenho motivos para tal coisa e, além disso, sei qual seria sua resposta. – suspirou – Não sei por quê estamos tendo essa conversa. Nunca iríamos longe com isso mesmo. Vamos apenas esquecer. Fingir que nunca aconteceu. Eu prometo nunca contar nada pra ninguém e você continua com seu namoro perfeito.
Percy ficou em silêncio por um momento. Ele sabia que Nico tinha razão. O que podiam esperar de tal relacionamento? Entretanto, o mais velho ainda tinha aquela vontade quase incontrolável de abraçar o outro e nunca mais sair de seu lado. Estava completamente dividido e confuso. Nunca pensou que, um dia, pudesse estar em tal situação. Suspirou, sabendo que aquela conversa não levaria de fato a lugar nenhum. E, para ser sincero, ele não sabia como continuar o assunto.
Com relutância, ele disse aquelas duas palavras que concordavam com Nico. Aquelas palavrinhas que fez com que ele sentisse algo quebrando em seu interior, porque, lá no fundo, ele não sentia como se aquela fosse a coisa certa a se fazer.
– Tudo bem.
E saiu do quarto, sabendo que não conseguiria dormir ali naquela noite.
~*~
O verão não é feito apenas de dias ensolarados. As vezes, o céu fecha e as nuvens cinzas carregadas sugerem que ninguém saia da casa a menos que queria enfrentar uma chuva das fortes. O ponto positivo é que chuvas de verão não costumam durar mais que meia hora, e poucos minutos depois, o céu fica limpo novamente. O problema é tempo que demora para essa chuva finalmente cair.
Jason sempre achou que um céu nublado tinha o dom de deixar um dia muito mais melancólico. Talvez fosse apenas ele, mas era assim que sentia o clima daquela casa desde que acordou. Passou algum tempo na varanda observando as ondas quebrarem fortemente na praia, resultado do vento forte. A areia estava quase deserta e ninguém se atrevia a entrar no mar furioso. O loiro suspirou, cansado de ficar do lado de fora. Levantou-se da rede e voltou para dentro. A casa estava silenciosa, o que o incomodava. Thalia e Bianca tinham ido ao shopping, Percy estava em algum lugar se atracando com Annabeth e todos os adultos tinham resolvido sair, o que resultava em apenas Nico e ele, sozinhos.
A presença de Nico estava equivalendo a um grande nada, já que o garoto não saiu do quarto o dia inteiro, parecendo ocupado demais dentro de seu próprio mundinho que se resumia a tela de seu vídeo game. Jason estava preocupado. Apesar do mais novo ser calado por natureza, o loiro sabia que ele tendia a intensificar seu silêncio quando estava chateado. Ele imaginava que, mais cedo ou mais tarde, essa história toda acabaria em algum problema. Afinal, analisando toda a situação, era óbvio que coisa boa não viria pela frente.
Jason cogitou a hipótese de que talvez Nico precisasse conversar com alguém. Nos últimos cinco anos, o loiro sempre esteve ali pelo mais novo, e agora não poderia ser diferente. Subiu as escadas e foi em direção ao quarto, empurrando a porta entreaberta para poder entrar, encontrando o outro jogado sobre a cama, apertando furiosamente os botões do jogo.
– Você vai ficar ai trancado o dia inteiro?
– Não estou trancado aqui. – respondeu sem tirar os olhos do vídeo game – A porta está aberta, não viu? E estou tentando zerar um jogo.
– Pela milésima vez? – o loiro revirou os olhos – Nico, eu sei que você está chateado...
– Não, não estou. – cortou o loiro – E não sei de onde você tirou isso.
Jason bufou e se aproximou, tomando o Nintendo DS das mãos do primo.
– Ei! – Nico protestou – Devolve.
– Eu já disse que tenho vontade de jogar essa coisa na parede?
– Você não se atreveria. – semicerrou os olhos.
– Não vou, mas só se conversarmos.
Nico cruzou os braços, contrariado.
– Não quero conversar.
–Você precisa. – insistiu – Você está aí com essa cara de depressão desde que Annabeth deu as caras por aqui. E você pode negar o quanto quiser, mas eu sei que está magoado. E, as vezes, desabafar pode ajudar um pouco.
O moreno começava a ficar frustrado com o assunto e estava a um passo de mandar todos pro inferno. Primeiro Percy, agora Jason. Será que era tão difícil para eles entenderem que simplesmente não queria conversar sobre isso? Que não importava o que pensasse ou sentisse, as coisas não mudariam.
– Vamos lá, Nico. Diga alguma coisa.
– Qual o problema de vocês? – questionou – Eu não estou entendendo o ponto.
Jason franziu o cenho, confuso.
– Hã?
– Vocês estão fazendo toda essa tempestade em copo d’água! O que você quer que eu diga, Jason? – exaltou-se – Não tenho motivos para estar triste, chateado, ou qualquer coisa que você ache. Percy e eu nunca tivemos nada sério. Dormimos juntos uma vez e só. Não é como se ele fosse o amor da minha vida. Quando o verão acabar, ele volta para Nova Iorque e eu para Washington, e vai ser como se nada tivesse acontecido.
Nico respirava pesadamente e encarava o primo com raiva. Jason não queria ter irritado o outro, mas pelo menos tinha conseguido alguma reação. O loiro abriu a boca para responder o moreno, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, outra voz se manifestou.
– Será que alguém pode me explicar o que acabei de ouvir?
Os dois viraram seus olhares para a porta, encontrando o homem ali parado. E esse homem era Hades.
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