Summer Love
3 O loirinho da infância
Notas iniciais

– Não corram pela casa!
Os pais pediam, mas tinham total ciência de que era como falar com portas. As crianças estavam animadas com a casa nova. Os meninos queriam ir direito para a praia, enquanto as meninas queriam ir para o quarto e começar a planejar a decoração. Os mais velhos tinham prometido que podiam escolher o que quisessem.
– Já podemos ir pro mar? – Percy pediu, animado.
– Não vão nem dar uma olhada na casa antes? – Sally questionou.
– Podemos fazer isso depois! Queremos ir agora! – Jason disse.
– Pelo menos levem suas coisas para o quarto e se troquem, ai poderão ir. O de vocês é a primeira porta a direita.
Mal terminou de falar e os três correram escada a cima, indo para o cômodo branco. Por hora, as umas coisas ali eram o guarda-roupas e as três camas.
– Eu quero a do canto! – Nico jogou-se na da esquerda, esticando o corpo, querendo cobrir tudo para provar que a cama era sua.
– Eu fico com a do outro! – Jason sentou-se na do canto direito.
– É, acho que vou ficar com a do meio, então. – Percy resmungou.
Abriram os zíperes da mochilas, tirando tudo para encontrar as roupas de banho. Se trocaram o mais rápido possível e iam sair do quarto quando Maria apareceu na porta.
– Onde pensam que vão sem passar protetor? – a italiana questionou – Não quero ninguém reclamando de queimaduras de noite.
Pegou o tubo que guardou no bolso da mochila do filho e pediu para que fizessem uma fila, passando o creme em um de cada vez.
– Eu estava pensando, podíamos colocar uma placa na porta com o nome de vocês. Podem escolher a cor, se quiserem. – a mulher comentou, olhando para a placa branca – Prontinho, Jason. Podem ir.
Os três desceram a escada correndo, ignorando os pedidos de Tia Grace para irem devagar, ou poderiam se machucar. Pegaram os baldes e pás, que estavam em cima da mesinha da sala que fica em frente a porta de vidro, e saíram, indo para a varanda.
– Temos que fazer três castelos, um pra cada um de nós. – Jason disse, enquanto caminhavam na areia – Podíamos enfeitá-los com pedras.
– E conchinhas! – Nico sugeriu.
– Será que tem muitas por aqui? – perguntou Percy, olhando para a areia.
– Acho que vamos ter que procurar para descobrir.
Jason e Percy andaram por longos minutos na beira do mar, coletando os mais diversos tipos de conchas. O balde estava quase cheio quando olharam para trás e perceberam o quanto tinham se afastado de Nico, que começara a construir seu castelo.
– Percy, o que é isso? – o loiro perguntou, erguendo algo de formato achatado, e o maior se aproximou para ver melhor.
– Ah, é uma bolacha-do-mar. – respondeu enquanto Jason a girava, vendo de todos os ângulos – Elas quebram fácil, então tome.... cuidado.
O mais novo sorriu de forma sem graça, colocando a bolacha –agora dividida em duas- de volta na areia. Talvez pudesse colá-la para voltar ao normal, não é? Thalia costuma fazer isso quando ele quebra algo. Olhou em volta, procurando mais alguma coisa de interessante. Nunca esteve na praia, então tudo parecia novidade.
– Eu realmente acho que deveríamos voltar, Jason. – Percy olhava para trás, observando o caçula colocar areia no balde – Jason?
– O que é esse bicho? – perguntou,se abaixando e estendendo o braço no intuito de tocar o animal curioso.
– Jason, não!
O caranguejo beliscou o dedo do garoto de seis anos, se defendendo. O loiro gritou de dor, balançando a mão freneticamente, tentando fazer o crustáceo largá-lo. Sem sucesso. Percy tentava fazer o primo ficar quieto para soltar as pinças. Foi difícil, mas conseguiu. Soltou o caranguejo perto da água e se voltou ao loiro, que chorava.
– Ta doendo... – dizia em meio aos soluços.
– Eu sei, eu sei. Vamos cuidar disso.
O maior pegou o balde de conchas e voltaram para perto da casa. Percy achou estranho ver Nico com uma cara de choro enquanto um garoto loiro que devia estar no auge de seus quatorze anos falava com ele. O que aconteceu agora?
– Desculpe, foi sem querer mesmo. – dizia o garoto, tentando evitar que a criança chorasse, agachando para ficar do tamanho do mais novo – Eu te ajudo a construir outro, que tal?
Só quando estava bem próximo Percy conseguiu ver a bola de vôlei sobre o que antes era o castelo de Nico.
– Eu sei construir castelos de areia bem legais, vamos construir o maior que você já viu!
– Mesmo? – a expressão do menino de cinco anos mudou, parecendo mais animado.
– O que aconteceu? – Percy perguntou, e o loiro se levantou, se virando para encarar Jackson. O dono dos olhos verdes se sentiu incomodado com o fato do outro ser bem mais alto.
– Um pequeno acidente. – sorriu de forma sem graça, coçando a nuca – Vocês são a família que compraram a casa para as férias, né? Eu moro ao lado, — apontou para a casa amarela – só que o ano todo. A propósito, meu nome é Luke. Luke Castellan.
– Meu nome é Percy. E esses são meus primos, Jason e Nico.
– E o que aconteceu contigo, guri? – perguntou a Jason.
– Caranguejo. – respondeu, emburrado.
– Oh, isso já aconteceu comigo algumas vezes. Dói bastante.- riu – Mas logo passa.
– Nico, vamos lá dentro. Não vamos demorar para voltar, ok? – Percy avisou, deixando o balde de conchas ao lado do mais novo.
– Relaxa, Percy. Pode deixar que eu cuido dele enquanto você não estiver aqui.
O moreno estreitou os olhos, analisando o mais alto. Não parecia perigoso ou algo do tipo. Na verdade, era bem simpático. Se afastou com Jason, deixando para trás o caçula que reconstruía seu castelo ao lado do novo amigo.
~*~
Foram necessários alguns tombos. E muita água nos pulmões. Por fim, conseguiu se equilibrar em cima da prancha. O mar estava ótimo para surfar naquele dia. Percy nunca tinha parado para pensar em como sentia falta disso. Quando era mais novo, contava até os minutos para as férias de verão chegassem. Por que parou com isso?
Ficou um bom tempo na água, e só saiu quando seus braços não aguentavam mais. Se sentiu fora de forma. Alguns dias e tinha certeza que voltaria a surfar como antes. Sentou-se pouco depois do limite das ondas que quebravam na areia e passou a olhar o horizonte, observando onde a cor do mar se mesclava com a do céu. O vento bagunçava os cabelos molhados e acariciava seu rosto. Uma sensação agradável.
Seus pensamentos pareciam estar em uma dimensão totalmente diferente, e foi puxado de volta quando sentiu suas costas serem atingidas por algo. Olhou para trás e viu a bola de vôlei encostada em si. Pegou-a e levantou, procurando o dono.
– Desculpe por isso. – pediu o loiro que se aproximo.
Percy o reconheceu na hora. Não havia mudado muito desde a ultima vez que o viu. O cabelo estava um pouco maior e a pela mais bronzeada. Mantinha o mesmo corpo atlético que sempre teve e o sorriso de canto.
– Luke? – o loiro estreitou os olhos, analisando o mais novo.
– Percy? Percy Jackson? Finalmente resolveu dar as caras! – sorriu – Cansou de Nova Iorque?
– As vezes é bom sair um pouco da cidade.
– Não sei como aguenta passar o ano todo naquela muvuca. – brincou.
– Eai, Luke! É pra hoje? E chama o Aquaman pra jogar também! – Jason gritou.
– Aquaman? Sério? – o dono dos olhos verdes resmungou.
– Ignora. – Luke riu.
Três de cada lado, foi como dividiram os times. Luke, Nico e Thalia em um; Percy, Bianca e Jason no outro. O primeiro time venceu, Luke sempre fora o melhor no vôlei, e Thalia não ficava muito atrás. Jogar contra os dois no mesmo time era uma grande desvantagem. Pegaram algumas bebidas que estava no isopor perto da área da fogueira e sentaram para descansar.
– Então... o que anda fazendo? – Percy perguntou para o loiro.
– Ah, agora que terminei a faculdade não tenho feito muita coisa. Mas quando o verão acabar vou começar a trabalhar com meu pai.
– Ele ainda tem aquele rede de correios?
– Sim! E não para de crescer. As vezes não me conformo em quantas pessoas mandam correspondência. E dizem que carta é coisa do passado. – brincou – Já tem planos para a faculdade?
– Acho que vou fazer hotelaria.
– Cuidar dos negócios do pai?
– É, acho que todos nós temos um legado a seguir. – sorriu.
Como único herdeiro, Percy queria dar continuidade ao império do pai. Ele deu duro para no fim seus hotéis caírem nas mãos de qualquer um. E hotelaria parecia ser algo interessante.
Luke se levantou e foi para perto de Nico, sentado ao seu lado para conversar. Percy não estava perto o suficiente para saber do que falavam, entretanto, não estava muito interessado. Já se passava da uma da tarde e o estomago resmungava. Não devia ser o único a estar com fome. Olhou para a varanda casa, onde Poseidon e Zeus conversavam enquanto Hades assava alguns hambúrgueres. Bianca e Thalia já voltavam enquanto Jason estava na rede pendurada na varanda a tempos. Levantou-se, caminhando de volta para a casa.
Olhou para trás, observando Nico e Luke conversando, e perguntou a si mesmo se demoraria muito para o mais novo voltar também.
~*~
Quando eram crianças, ficavam animados quando o anoitecer se aproximava pelo fato de sempre fazerem uma fogueira na praia. Era agradável, na maioria das vezes. Um momento em que todos se reuniam para jogar conversa fora e assar alguns marshmallows. Jason aprendera a tocar violão,e sua voz não era das piores. Era até boa acompanhada das notas musicais liberadas pelo instrumento. O loiro tentou convencer Percy a tocar também, já que sabia como, só que ele não estava muito afim no momento.
Ao som de “By the way”, de Hot Chili Peppers, Bianca se arriscou a cantar também. Ela, sim, tinha uma bela voz. Thalia brincou dizendo que a prima devia se inscrever em um desses reality shows de música –como o tal do The X Factor. A morena já tinha vergonha de cantar em frente a família, platéia nem se fala.
A noite estrelada não é algo que se vê com tanta nitidez em uma cidade poluída como Nova Iorque, motivo pelo qual Percy não tirava os olhos do céu. Rodava o celular nas mãos, esperando Annabeth responder sua mensagem, mas ela provavelmente estaria na festa da Rachel.
– E quanto a você, Percy? – a voz feminina chamou a atenção do moreno.
– Desculpa, o que disse, Tia Grace? – questionou, já que não tinha idéia de qual fora a pergunta.
– Perguntei como vai a escola. – riu.
– Ah, bem, bem. Daquele jeito. Passei de ano sem problemas, embora ainda esteja longe de ser o melhor da classe. – sorriu.
– Até porque esse lugar esta ocupado pela namorada. – Poseidon comentou.
– Oh, então esta namorando? – Maria perguntou.
– A pouco mais de um ano. – respondeu, sem graça – E, bom, a sabidinha esta muito a frente no quesito inteligência.
– Então por que ela namora você, cabeça de alga? – Thalia brincou.
– Ei, não sou tão ruim assim! – mostrou a língua para a mais velha, que riu.
– As vezes aprece que nunca cresceram. – Sally comentou.
– Mãe...
– Estamos ficando velhos. – Hades disse, desanimado – Bom, está ficando tarde, vou dormir.
Pouco a pouco, foram voltando para dentro, restando apenas os três garotos ao redor da fogueira que já estava em cinzas. Jason pegou seu violão e se levantou, passando por Nico e parando ao lado de Percy.
– Você vem?
– E o Nico?
– Relaxa, ele... costuma ficar um pouco depois que todo mundo vai embora. Daqui a pouco entra também.
Percy estranhou o forma como o loiro pareceu ficar um pouco desconfortável ao dizer a frase. Não perguntou o por que, apenas o acompanhou para dentro. Nico olhou para trás, certificando-se que mais ninguém estava por perto ou observava a praia. Luke, que estava esperando a alguns minutos, se aproximou do menor.
– Se quiser mais fogo, deveria colocar mais lenha. – disse, vendo o Nico remexendo as cinzas com um pedaço de metal.
– Não quero mais fogo.
– Certo, certo. – sentou-se ao lado do moreno – Então, sentiu minha falta?
– Não vou massagear seu ego.
– Aceito isso como um sim.
– Sou responsável pelo o que falo, e não pelo o que você entende. – disse, mas quando percebeu a grosseria, tentou disfarçar sorrindo.
– Depois dessa vou ate ficar quieto. – riu.
Luke sabia que alguma coisa incomodava o menor. Quase certeza de que era alguém. Não queira perguntar e causar discórdia com Di Angelo, então descobriria por si próprio. Checou se havia alguém por perto, e sorriu ao constatar que estava tudo limpo. Levou a mão ao queixo de Nico, erguendo seu rosto, aproximando-se para beijá-lo. Sentira falta daqueles lábios. Não se considerava apaixonado pelo mais novo, mas tinha de admitir que sentia algo alem da amizade.
O beijo era intenso, com empolgação de ambas as partes. Luke levou a mão a cintura de Nico, puxando-o para mais perto de si. O menor tinha os braços ao redor do pescoço do mais velho, e arranhava levemente a nuca do loiro, causando-lhe arrepios. Luke tentava se controlar, lembrando que qualquer um poderia aparecer. Por ele, tiraria Nico dali e o levaria para um lugar mais privado.
O ar se fez necessário, e se separaram. Luke observou os lábios avermelhados do menor e sorriu. Já Nico olhou para a casa, certificando-se de que ninguém tinha visto.
– Tenho que voltar. Alguém pode vir me chamar.
– Eu sei. – Luke o puxou novamente, iniciando outro beijo – Ainda vou te seqüestrar, Di Angelo — sussurrou sobre seus lábios – Tenha uma ótima noite.
O loiro se levantou, voltando para sua casa e Nico fez mesmo. Mal percebeu que, por um momento, foi observado por um par de olhos verdes que não acreditaram no que viram.
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